O Cemitério das Almas Perdidas

Crítica – O Cemitério das Almas Perdidas

Sinopse (Cinefantasy): Corrompido pelo poder do livro negro de Cipriano, um jesuíta e seus seguidores iniciam um reinado de terror no Brasil colonial, até serem amaldiçoados a viver eternamente presos sob os túmulos de um cemitério.

Bora de filme novo do Rodrigo Aragão?

Quem me acompanha aqui no heuvi sabe que sou fã do Rodrigo Aragão, e consegui ver todos os seus filmes nos cinemas, em festivais (Mangue Negro numa mostra de terror nacional no CCBB; A Noite do Chupacabras no RioFan; Mar Negro no Festival do Rio; Fábulas Negras no Grotesc-O-Vision; e Mata Negra no Rio Fantastik). Mas, 2020, pandemia, agora os festivais são diferentes. O Cemitério das Almas Perdidas estava na programação do Cinefantasy. Por um lado, notícia ruim, não vi num cinema. Por outro lado, notícia boa: assinei um serviço de streaming que tinha o Cinefantasy na grade. Consegui ver o filme, mesmo não morando na mesma cidade onde o festival foi sediado!

Vamos ao filme. O Cemitério das Almas Perdidas é o projeto mais ambicioso da carreira de Aragão – e seu maior orçamento até hoje. O filme corre em duas linhas temporais diferentes, e uma delas traz padres jesuítas lutando contra índios no Brasil colonial – e tudo flui muito bem. Se os filmes citados anteriormente têm um pé fortemente fincado no trash, isso não acontece aqui. O Cemitério das Almas Perdidas é um filme sério e tenso.

Não me lembro de nenhum filme fantástico nacional com essa qualidade. A maquiagem sempre foi um dos destaques nos filmes do Rodrigo Aragão, mas aqui, além da maquiagem, também temos destaques nos cenários e figurinos. A direção de arte e a fotografia são excelentes. Se O Cemitério das Almas Perdidas fosse um filme europeu, ou se fosse uma produção da A24 (Hereditário, A Bruxa), seria um filme cultuado e premiado mundo afora.

A ideia era lançar o filme no circuito no segundo semestre deste ano. Mas, com a pandemia, não existem mais lançamentos no cinema. Pena. Que O Cemitério das Almas Perdidas ganhe uma oportunidade nas telas grandes no futuro próximo. O cinema nacional de terror agradeceria!

The Old Guard

Crítica – The Old Guard

Sinopse (imdb): Uma equipe secreta de mercenários imortais é subitamente exposta e agora deve lutar para manter sua identidade em segredo, assim como um novo membro inesperado é descoberto.

Oba! Charlize Theron de volta aos filmes de ação!

Atômica foi um grande filme. Boa ambientação, boa trilha sonora, boa fotografia – e o melhor: Charlize Theron, linda linda linda, saindo na porrada de maneira poucos vezes vista nas telas do cinema.

Mas Charlize é uma grande atriz, uma das melhores de sua geração. Sua carreira não se resumiria a filmes de ação a partir daquele momento. Ela engordou 22 kg e foi fazer uma mãe frustrada em Tully. Trabalho físico impressionante, pena que o filme é fraco.

Mostrando que realmente tem domínio do corpo (como fez Christian Bale na época dos Batman e O Operário e O Vencedor), Charlize volta mostrar que está em forma. E que forma!

Mas vamos ao filme. Dirigido por Gina Prince-Bythewood, The Old Guard (sem título em português) é uma adaptação dos quadrinhos homônimos de Greg Rucka. Não li os quadrinhos, mas, pelo filme, parece uma atualização do tema Highlander – “guerreiros imortais nos dias de hoje”. Porque hoje em dia aquela trama do Highlander não convence muito, né? Imortais que precisam se encontrar no mundo novo e duelar até sobrar um… Aqui temos “highlanders” que lutam para salvar a humanidade. Mais coerente com o século XXI.

A Netflix não costuma ter boas produções próprias, me parece que o foco é mais na quantidade que na qualidade. Mas, para sorte do espectador, acertaram desta vez (como também acertaram com o indonésio A Noite Nos Persegue). The Old Guard é bem acima da média das produções Netflix.

Nem tudo é perfeito. Achei o vilão caricatural demais, e algumas mudanças de comportamento de certos personagens não me convenceram, pareceram mais tentativas forçadas de plot twists. Por outro lado, algumas das lutas são muito boas. Na parte final, temos uma sequência onde todo o time de imortais luta quase como se coreografados (o que seria coerente com a experiência do grupo).

Além da Charlize, o elenco conta com KiKi Layne, Matthias Schoenaerts, Chiwetel Ejiofor, Marwan Kenzari e Luca Marinelli. Harry Melling faz o vilão caricato.

No fim, a trama abre pra uma série. Por um lado, legal, porque temos vontade de ver mais desse grupo, principalmente em outras épocas. Por outro lado, a chance de desgaste é grande (olha o fantasma do Highlander assombrando…).

Becky

Crítica – Becky

Sinopse (imdb): O fim de semana de uma adolescente em uma casa no lago com seu pai piora quando um grupo de condenados causa estragos em suas vidas.

Filme de vingança protagonizado por mulher não é novidade. Mas protagonizado por mulher adolescente, taí, não me lembro de nenhum outro.

Ok, Becky não é exatamente um exemplo de criatividade. O roteiro é previsível e traz os clichês de sempre. Mas a forma como o filme é contado vale o ingresso. Os diretores Jonathan Milott e Cary Murnion mostram boas ideias, como os raccords no início do filme comparando a escola com a prisão. E a violência é crível, apesar de estarmos falando de uma adolescente contra adultos grandes e fortes. Aliás, é bom avisar: Becky é bem violento.

O elenco é um dos chamarizes do filme. A protagonista é Lulu Wilson, que apesar da pouca idade, já tem alguma carreira no cinema fantástico (além da série A Maldição da Residência Hill, ela teve papéis em filmes com subtítulos coincidentemente parecidos, Livrai-nos do Mal, Ouija: Origem do Mal e Annabelle 2: A Criação do Mal). Kevin James, famoso por comédias bobonas ao lado do Adam Sandler, faz um vilão pela primeira vez, e, olha, não é que o cara manda bem? Ainda no elenco, Joel McHale, Robert Maillet e Amanda Brugel.

Becky não é um filme “obrigatório”, mas vai agradar os fãs do estilo.

A Noite nos Persegue

Crítica – A Noite nos Persegue

Sinopse (Netflix): Após poupar a vida de uma garota durante um massacre, um assassino de elite se torna o alvo do ataque de criminosos.

Quem me acompanha por aqui sabe que curto o cinema de ação feito na Indonésia, desde que vi o primeiro The Raid no Festival do Rio de 2011. Consegui ver The Raid 2 no cinema, numa viagem ao exterior. E vi Headshot no mesmo Festival do Rio, só que em 2016. Quando vi no Netflix um filme novo, com os nomes Timo Tjahjanto, Iko Uwais e Julie Estelle nos créditos, claro que me empolguei.

A Noite Nos Persegue (The Night Comes for Us, no original) é a primeira produção original Netflix feita na Indonésia. A direção e o roteiro são de  Timo Tjahjanto, desta vez sem seu parceiro habitual Kimo Stamboel (eles co-dirigiram Headshot, Macabre e Killers). E aviso logo: é um filme MUITO violento.

Claro que quem vai ver um filme desses espera ver lutas violentas. Mas, sério, acho que nunca vi uma violência gráfica tão grande. O gore aqui é maior do que em filmes de terror! Ou seja, temos lutas bem coreografadas, muito “tiro porrada e bomba”, e muito, muito sangue.

Por outro lado, a história é meio fuén. O clichê de sempre: um super mega blaster assassino profissional resolve se redimir e larga tudo pra proteger uma criança. Aí toda a organização vai contra ele. Tem uma subtrama com hierarquias do submundo do crime, os tais “seis mares”, mas o filme foca mais na porradaria.

E, quem quer ver porradaria, dificilmente vai se decepcionar. São muitas sequências, de vários estilos, com armas de fogo, com armas brancas, sem armas, homem contra homem, mulher contra mulher, explosões, pedaços de corpos decepados, o cardápio é vasto. Heu prefiro a câmera do Gareth Evans (The Raid), mas o Timo Tjahjanto não decepcionou.

No elenco, o onipresente Iko Uwais (estrela dos três filmes citados no segundo parágrafo, e o cara ainda tem tempo de fazer 22 Milhas com o Mark Wahlberg e Triple Threat com o Tony Jaa) desta vez não é o principal. O protagonista é Joe Taslim, que também era um dos principais do primeiro The Raid, e que teve papeis menores em Velozes & Furiosos 6 e Star Trek: Sem Fronteiras. Julie Estelle, a Hammer Girl do segundo The Raid, é terceiro nome do elenco, mas aqui tem outras mulheres lutando, Hannah Al Rashid e Dian Sastrowardoyo. Também no elenco, Zack Lee, Abimana Aryasatya, Sunny Pang e Salvita Decorte.

(Segundo o imdb, Yayan Ruhian, Arifin Putra, Cecep Arif Rahman e Very Tri Yulisman, todos com papeis importantes nos The Raid, estavam inicialmente no elenco deste A Noite nos Persegue, mas tiveram que abandonar o projeto por conflitos na agenda)

Tjahjanto disse que este é o primeiro de uma trilogia, e que o próximo filme será centrado na personagem da Julie Estelle. Já que aparentemente não teremos o terceiro The Raid tão cedo, esse passa a ser a minha próxima expectativa indonésia!

Corona Zombies

Crítica – Corona Zombies

Sinopse (imdb): Donzelas em perigo, falta de papel higiênico, líderes mundiais ineptos, meios de comunicação enlouquecidos, um vírus do inferno e hordas de carniçais famintos por carne humana se combinam no híbrido de comédia de terror maníaco da produtora Full Moon, CORONA ZOMBIES. Em parte sátira irreverente, em parte gonzo remix de filme de zumbi italiano, CORONA ZOMBIES mira a loucura em torno dos tempos loucos em que todos vivemos e oferece o filme exploitation mais engraçado e controverso do ano.

Sim, fizeram um filme durante a quarentena. Um filme trash sobre o corona vírus.

O filme é ruim, claro. Mas a ideia é genial. O diretor e produtor Charles Band (responsável por centenas de produções trash, tipo as séries Trancers, Puppet MasterEvil Bong) filmou meia dúzia de cenas com uma atriz sozinha em casa, vendo TV e falando ao telefone. E inseriu trechos de Hell of the Living Dead (filme italiano de 1980) e Zombies vs. Strippers, dublados, com diálogos toscos se referindo ao vírus.

Pena que mesmo com a boa ideia, o filme é tão ruim que é chato – e isso porque só tem uma hora de duração!

Talvez se fosse um curta…

Vivarium

Crítica – Vivarium

Sinopse (imdb): Um jovem casal que procura o lar perfeito se vê preso em um bairro misterioso de labirintos, com casas idênticas.

Outro dia, passeando pelo imdb, achei esse filme, que estava classificado como “Horror, mistério, sci-fi”. Opa, já entrou no radar!

Dirigido por Lorcan Finnegan, com roteiro do próprio em parceria com Garret Shanley, Vivarium (não sei se tem nome em português) tem um clima meio Twilight Zone: os personagens caem numa “zona de crepúsculo” e não conseguem sair. Se por um lado o conceito não é muito criativo, por outro o clima esquisitão do filme é ótimo. Gostei muito dos cenários repetitivos e artificiais (até as nuvens!).

Os únicos atores conhecidos do elenco são o casal Imogen Poots e Jesse Eisenberg. Mas quem heu gostei foi o menino Senan Jennings, que faz o filho bizarro. Quero ver mais filmes com esse menino, pra saber se é um bom ator ou se simplesmente é um garoto esquisito. Outro que também está bem (ainda no tema “bizarro”) é Jonathan Aris, que faz o corretor.

O fim do filme não vai agradar a todos, porque não explica nada. Mas heu prefiro assim. Tomara que nunca façam uma continuação explicando o que aconteceu. Vou até catar Without Name, o filme anterior da dupla Lorcan Finnegan e Garret Shanley.

p.s.: Curioso ver este filme nos dias de hoje, quando a maior parte das pessoas está presa em casa por causa da quarentena…

Bloodshot

Crítica – Bloodshot

Sinopse (imdb): Ray Garrison, um soldado morto, é re-animado com superpoderes.

Vin Diesel é um cara bom pra vender filmes de ação. Enquanto isso continuar acontecendo, vão encontrar novos projetos com ele. Mesmo que a qualidade seja questionável, o importante é que vai vender ingressos.

Assim como a franquia xXx – que foi ressuscitada recentemente só por ter o Vin Diesel como protagonista – Bloodshot (idem, no original) é um filme de ação genérico com um fortão carismático na linha de frente. É um bom filme? Não. Mas vai vender ingressos.

Dirigido por Dave Wilson, estreante na direção de longas, mas com algum currículo em efeitos especiais e videogames. Bloodshot é a adaptação dos quadrinhos homônimos pouco conhecidos da Valiant Comics, e também conta com Eiza González, Toby Kebbell, Lamorne Morris e Guy Pearce no elenco. O roteiro traz alguns plot twists bem colocados, e algumas cenas de ação têm um visual interessante, como a cena do túnel.

Enfim, como dito lá em cima, filme de ação genérico. Tem seu público alvo…

A Hora da Sua Morte

Crítica – A Hora da Sua Morte

Sinopse (imdb): Quando uma enfermeira faz o download de um aplicativo que afirma prever o momento em que uma pessoa morre, isso indica que ela só tem três dias de vida. Com o relógio correndo e uma figura assombrando-a, ela deve encontrar uma maneira de salvar sua vida antes que o tempo acabe.

Li sobre este A Hora da Sua Morte ano passado, na lista do Festival do Rio. Não consegui ver no festival, mas pra minha sorte ele veio pro circuito.

Escrito e dirigido pelo estreante em longas Justin Dec (que fez um curta com o mesmo nome três anos antes), A Hora da Sua Morte (Countdown, no original) segue a linha “terror adolescente engraçadinho”. Atores desconhecidos, alguns sustos aqui e acolá, algumas piadinhas. Divertido e despretensioso.

Divertido, mas reconheço que algumas coisas ficaram bem forçadas, tipo o aplicativo ter 60 GB (muitos celulares simplesmente não teriam espaço). As relações entre os personagens também ficou mal construída, e o padre nerd não me convenceu.

Li algumas críticas por aí decretando A Hora da Sua Morte como um dos piores filmes de terror dos últimos anos. Menos, gente. Admito que não é um grande filme. Mas, se visto na vibe certa, é uma boa diversão.

Ah, existe o app. Claro, não funciona. Mas quem quiser brincar, é só baixar.

Maria e João: O Conto das Bruxas

Crítica – Maria e João: O Conto das Bruxas

Sinopse (imdb): Há muito tempo, em um campo distante de conto de fadas, uma jovem garota leva seu irmãozinho a um bosque escuro em busca desesperada de comida e trabalho, apenas para tropeçar em um nexo de um terror aterrorizante.

Visual belíssimo, mas filme chaaato…

Dirigido pelo pouco conhecido Oz Perkins, Maria e João: O Conto das Bruxas (Gretel & Hansel, no original) traz mais uma adaptação para o clássico conto dos irmãos Grimm. O filme é sério e estiloso – provavelmente tentando pegar carona em A Bruxa. Mas nada acontece, e o filme, que tem menos de uma hora e meia, vira um programa entediante. Um filme bonito e vazio.

No elenco, Alice Krige (o pessoal das antigas vai se lembrar dela em Sonâmbulos) está bem como a bruxa. Sophia Lillis (de It) e Samuel Leakey são as crianças do título.

Prefiro João e Maria Caçadores de Bruxas, que é galhofa assumida, mas pelo menos é divertido.

Sonic: O Filme

Crítica – Sonic: O Filme

Sinopse (imdb): Depois de descobrir um ouriço pequeno, azul e rápido, um policial de cidade pequena deve ajudá-lo a derrotar um gênio do mal que deseja fazer experiências com ele.

A proposta de uma adaptação cinematográfica para o videogame Sonic era arriscada. Primeiro porque é uma história que não faz muito sentido – um ouriço azul muito rápido que se movimenta dando cambalhotas. E ainda teve o lance do trailer. Pra quem não acompanhou: lançaram um trailer com o Sonic bem tosco. A galera “das internetes” chiou, e não é que melhoraram o visual do bicho?

Mas sabe que essas coisas acabaram ajudando o filme? A expectativa foi lááá pra baixo. E o filme nem é ruim. Tem seus clichês, tem suas falhas nos efeitos especiais, tem seus momentos onde copia outros filmes (impossível não lembrar das cenas do Mercúrio nos filmes dos X-Men). Mas consegue o que se propõe: é divertido.

Ok, vamos deixar claro: Sonic: O Filme (Sonic the Hedgehog, no original) está longe de ser um filmaço. Mas é leve, tem momentos bem engraçados, e vai agradar o público alvo infantil (que talvez nem conheçam o jogo).

No elenco, Jim Carrey está careteiro como sempre, mas funciona no papel. James Marsden já teve papeis melhores, mas não atrapalha. Mais ninguém conhecido…

Enfim: se a expectativa estiver baixa, vai agradar.