Frozen II

Crítica – Frozen II

Sinopse (imdb) – Anna, Elsa, Kristoff, Olaf e Sven deixam Arendelle para viajar para uma floresta antiga, de uma terra encantada. Eles partiram para encontrar a origem dos poderes de Elsa para salvar seu reino.

O primeiro Frozen foi um sucesso absoluto. Claro que uma continuação estaria nos planos.

Dirigido pelos mesmos Chris Buck e Jennifer Lee do primeiro filme, Frozen II (idem no original) é aquilo que se espera: eficiente, mas sem nada de novo. Se o primeiro filme trazia mudanças na estrutura clássica das “histórias de princesas” e ainda fazia o espectador sair do cinema cantando as músicas, aqui o efeito não será tão forte.

Por outro lado, estamos falando de Disney. E, felizmente, a Disney sabe fazer entretenimento. Se Frozen II não é um “clássico instantâneo” como seu antecessor, pelo menos vai divertir o seu público. O visual é bem cuidado, os personagens são carismáticos, e tem alguns momentos muito engraçados. Aliás, heu veria uma série de filmes com os “resumos do Olaf”!

Por fim, uma coisa que me tirou do filme, mas é algo pessoal. Ninguém mais reparou que a  melodia que a Elsa ouvia é um trecho de Stairway to Heaven? Elsa, não é um chamado da floresta! É um vizinho ouvindo Led Zeppelin alto! 😛

Playmobil – O Filme

Crítica – Playmobil – O Filme

Sinopse (imdb): Longa-metragem de animação inspirada nos brinquedos da marca Playmobil.

O cinema evolui. De vez em quando aparecem filmes que mudam os paradigmas. O cinema de ação mudou com o Jason Bourne, e depois mudou de novo com o John Wick. Os filmes da Marvel elevaram a barra no subgênero “filmes de super heróis”; os filmes da Pixar fizeram o mesmo com os longas de animação.

Depois dos filmes da Lego, fica difícil ver um filme tão bobinho quanto Playmobil – O Filme (Playmobil: The Movie, no original). Playmobil não é exatamente ruim, mas é tão insosso que até a sinopse do imdb é sem graça.

Playmobil tem alguns bons momentos, e talvez agrade os menores. Mas só. Na dúvida, reveja Uma Aventura Lego.

Star Wars Episódio 9 – A Ascensão Skywalker

Crítica – Star Wars Episódio 9 – A Ascensão Skywalker

Sinopse (imdb): Os membros sobreviventes da resistência enfrentam a Primeira Ordem mais uma vez, e o lendário conflito entre os Jedi e os Sith atinge seu auge, levando a saga Skywalker ao fim.

(Antes de entrar no texto, um aviso. Os últimos textos sobre Star Wars foram escritos “no calor do momento”, e com um segundo texto para desabafar spoilers. Mas este sobre o Ep. 9, estou atrasado, devido aos problemas pessoais no heuvi. Então é um texto mais “pé no chão”, e não farei um segundo post com spoilers. Peço desculpas aos leitores!)

E, depois de nove filmes, chega ao fim a saga Skywalker!

Sou muito fã de Star Wars. É o único tema onde não consigo separar o “crítico” do “fã”. Ouvi um monte de gente falando de problemas técnicos, mas tenho dificuldade de vê-los. Sento na poltrona do cinema, começa a tocar o tema do John Williams, e toda a razão se apaga. Sou uma pessoa feliz vendo os filmes da saga!

Mas, vamulá. Star Wars Episódio 9 – A Ascensão Skywalker (Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker, no original) tinha uma responsabilidade enorme: encerrar uma série que começou 42 anos antes e ganhou uma enorme importância na cultura pop. Sendo assim, não podemos vê-lo apenas como “mais um filme”. Não, é a parte final de uma das mais importantes sagas da história do cinema.

Como filme isolado, Star Wars Episódio 9 funcionaria melhor. Mas, como capítulo final, não foi tão bem. A direção voltou para JJ Abrams, que tinha feito o Ep. 7. E a gente vê que algumas coisas parecem conflitantes com o Ep. 8 – como, por exemplo, deixarem de lado o flerte entre a Rose e o Finn; ou, esquecerem que a Maz Kanata ia explicar como o sabre do Luke foi parar em suas mãos (um furo de roteiro que talvez seja explicado num livro). Não sei se foi isso, mas deu a impressão que os roteiros da trilogia não foram pensados como uma única história.

Teve outro problema, mas aí não é culpa do roteiro ou da produção. O Ep. 7 mostrava o Han Solo; o Ep. 8 mostrava o Luke Skywalker. Este filme mostraria a Leia Organa, mas a atriz Carrie Fischer morreu antes das filmagens. Então várias cenas ficaram estranhas, porque foram adaptadas – ou com a personagem em cgi, ou de costas. Pena, a gente queria mais da Leia…

Agora, um comentário com spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Um pequeno parágrafo com spoilers. Adorei a participação do Han Solo! Sensacional! Por outro lado, achei que trazer o Palpatine de volta não foi a melhor escolha. Não tinha nenhum outro vilão?

FIM DOS SPOILERS!

Dito isso tudo, afirmo sem medo: adorei o filme! Não tem sensação melhor do que sentar num cinema e entrar mais uma vez no universo de Star Wars! Pra melhorar, Star Wars 9 é cheio de fan service. Em vários momentos os fãs iam ao delírio durante a sessão.

No elenco, a novidade que não é exatamente novidade é a volta de Billy Dee Williams como Lando Calrissian – pena que não voltou nos filmes anteriores. E me parece que Anthony Daniels foi o único a “completar o álbum” – ele esteve nos nove filmes como C3PO! Estão de volta aos seus papeis Daisy Ridley, Oscar Isaac, John Boyega, Adam Driver, Mark Hamill, Carrie Fisher, Ian McDiarmid, Domhnall Gleeson, Kelly Marie Tran e Lupita Nyong’o (e Joonas Suotamo, pela quarta vez sob a fantasia de Chewbacca); as novidades são Naomi Ackie, Richard E. Grant e Keri Russell (Greg Grunberg e Dominic Monaghan devem ser amigos do diretor JJ, porque frequentemente aparecem em seus projetos; o próprio JJ Abrams faz a voz do novo robô apresentado, mas esse novo robô é um personagem bem bobo, principalmente se comparado aos robôs já apresentados desde que Star Wars foi pra Disney (BB8, K-2SO, L3-37)).

Chega, né? Ainda podia escrever muito, mas a ideia era fazer um texto curto. Só resumindo: Star Wars 9 tem seus problemas. Mas a gente que é fã deixa isso pra lá e fica feliz na cadeira do cinema.

Ah, por fim, um recado para os fãs que gostam de reclamar. Temos filmes novos no cinema todos os anos (5 filmes entre 2015 e 2019), temos séries live action e desenhos. Galera, vocês que reclamam não sabem o que é não ter material para consumir! Nos anos 90 a gente lia os livros do Timothy Zahn porque não tinha nada mais! Parem de reclamar e aproveitem que Star Wars está na moda!

E que venham mais filmes de Star Wars!

Entre Facas e Segredos

Crítica – Entre Facas e Segredos

Sinopse (imdb): Um detetive investiga a morte de um patriarca de uma família excêntrica e combativa.

Uma agradável surpresa pouco antes de fechar o ano!

Entre Facas e Segredos (Knives Out, no original) se parece com um “whodunit”, aquelas histórias tipo Agatha Christie, onde temos um crime e vários possíveis suspeitos. Mas Entre Facas e Segredos faz ainda melhor, porque altera a forma clássica do whodunit no meio do caminho.

Entre Facas e Segredos foi escrito e dirigido por Rian Johnson, dois anos depois do Star Wars ep. 8. Interessante ver que ele foi para um estilo bem diferente – e que ele foi bem sucedido nessa nova empreitada. O roteiro é muito bem construído, não só na condução da investigação, como também no equilíbrio entre os muitos personagens.

Ah, o elenco! Que elenco maravilhoso! Não é todo dia que temos Daniel Craig, Chris Evans, Ana de Armas, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Don Johnson, Toni Collette, LaKeith Stanfield, Christopher Plummer, Katherine Langford, Jaeden Martell, Riki Lindhome, Edi Patterson – e ainda tem o Frank Oz em uma ponta como o advogado! Arrisco a dizer que todos estão bem, mesmo aqueles com menos tempo de tela.

Recomendo!

p.s.: Heu não fui o único a achar o roteiro muito bom. Rian Johnson foi indicado ao Oscar de roteiro original.

Crime Sem Saída

Crítica – Crime Sem Saída

Sinopse (imdb): Pronto para o combate, um detetive da polícia de Nova York é levado a uma caçada em toda a cidade atrás de dois assassinos de policiais, depois de descobrir uma conspiração maciça e inesperada.

E vamos de filme policial genérico…

Crime Sem Saída (21 Bridges, no original) usou a Marvel como marketing. Não só o protagonista é Chadwick Boseman (Pantera Negra), como os irmãos Russo (que dirigiram Soldado Invernal, Guerra Civil, Guerra Infinita e Ultimato) estão entre os produtores – mas, se a gente olhar direito, são 17 produtores no total. Ou seja, a Marvel está só na divulgação.

Crime Sem Saída foi dirigido por Brian Kirk, que tem um currículo razoável na TV, mas irrelevante no cinema. Kirk se apoia nos clichês e entrega um filme tecnicamente bem feito, mas previsível ao extremo.

O elenco até é bom, mas não salva o filme. Além de Boseman, Crime Sem Saída conta com Sienna Miller, J.K. Simmons, Taylor Kitsch e Keith David.

Vai agradar os menos exigentes. E já tá bom.

Jojo Rabbit

Crítica – Jojo Rabbit

Sinopse (Festival do Rio): O diretor e roteirista Taika Waititi traz seu estilo de humor para o seu mais recente filme, uma sátira da Segunda Guerra Mundial que acompanha um garoto alemão solitário. A visão de mundo de Jojo vira de cabeça para baixo quando ele descobre que sua mãe solteira está escondendo uma jovem judia em seu sótão. Com a ajuda apenas de seu amigo imaginário idiota, Adolf Hitler, Jojo deve confrontar seu nacionalismo cego.

Fico imaginando as reuniões de executivos de estúdio para aprovarem este filme. “Então, vamos bancar uma comédia onde Hitler é um dos personagens principais?” Devem ter sido reuniões tensas…

Escrito e dirigido por Taika Waititi (Thor Ragnakok), Jojo Rabbit (idem, no original) faz humor com um tema delicado. Na Alemanha nazista, durante a guerra, temos um protagonista de dez anos de idade, que tem como amigo imaginário ninguém menos que o próprio Hitler. Acho que muita gente deve ter se sentido incomodada – “será que posso rir disso?”. Mas o filme consegue ser engraçado sem cair no mau gosto. Pelo menos na sessão onde heu estava presente, muita gente riu alto em uma cena onde “Heil Hitler!” é repetido diversas vezes.

Jojo Rabbit consegue te cativar e te fazer rir, pra depois te derrubar de cara no chão. Lembrei do genial curta Ilha das Flores (quem não conhece, tem no youtube). É um humor ágil e rápido, te distrai e coloca um sorriso no seu rosto, pra logo depois jogar a realidade na sua cara como um soco no estômago.

O elenco está muito bem. O garoto Roman Griffin Davis é ótimo, é um nome pra se anotar e acompanhar seu futuro. E é o próprio diretor Taika Waititi quem interpreta Hitler! Também no elenco, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Alfie Allen e Archie Yates. A única bola fora é Rebel Wilson, que insiste em repetir o mesmo papel sem graça que sempre faz.

Escolhi poucos filmes no Festival do Rio, mas pelo menos uma delas foi uma escolha excelente. Jojo Rabbit é um dos melhores filmes do ano!

p.s.: Jojo Rabbit foi indicado a seis Oscars, e Taika Waititi ganhou a estatueta de melhor roteiro adaptado! As outras indicações foram melhor filme, atriz coadjuvante, edição, figurino e design de produção.

A Jaqueta de Couro de Cervo

Crítica – A Jaqueta de Couro de Cervo

Sinopse (Festival do Rio): Georges acabou de se separar de sua esposa e parece estar passando por uma crise de meia-idade. Depois de esquecer sua jaqueta de veludo no banheiro de uma estrada, ele chega à casa de um velho hippie que, por um valor exorbitante, lhe vende uma jaqueta vintage de couro de cervo e uma câmera de vídeo. Ninguém diria que essa jaqueta velha é uma roupa atraente, mas, para Georges, é amor à primeira vista. Com o coração partido e as finanças congeladas, Georges embarca em uma odisseia pessoal – tendo a jaqueta como seu Sancho Pança.

Em 2010, vi, também no Festival do Rio, Rubber, um filme sobre “um pneu telepático em missão demoníaca”. Rubber é tão maluco e divertido que guardei o nome do diretor, Quentin Dupieux. A Jaqueta de Couro de Cervo (Le Daim, no original; Deerskin como título internacional) é o novo filme de Dupieux.

Agora Dupieux tinha um elenco com grife (Jean Dujardin, Adèle Haenel), pra contar uma história quase tão maluca. Não fica claro se a jaqueta tem vida própria ou se tudo se passa na cabeça de Georges, mas isso pouco importa. O filme tem situações bem divertidas nessa saga de um homem contra todas as outras jaquetas do mundo.

Curtinho (uma hora e dezessete minutos), A Jaqueta de Couro de Cervo não é um grande filme, mas vai divertir os que se aventurarem em uma história maluca.

O Farol

Crítica – O Farol

Sinopse (Festival do Rio): Em uma remota ilha diante da costa da Nova Inglaterra, no final do século XIX, dois faroleiros estão presos e isolados por conta de uma tempestade que parece interminável. Eles embarcam em um conflito crescente de vontades. A tensão aumenta quando forças misteriosas (que podem ser reais ou não) evoluem em torno da dupla.

Gostei muito de A Bruxa, filme de estreia do Robert Eggers. Claro que seu segundo filme estaria no radar. Mas… Me parece que o sucesso subiu à cabeça do diretor, que resolveu fazer um filme hermético e pretensioso.

Se teve público que se sentiu enganado com A Bruxa, que foi ao cinema pra ver filme divertido de sustinho e se deparou com um produto muito mais denso, isto não deve acontecer com este O Farol (The Lighthouse, no original). A fotografia em P&B e o formato da tela quase quadrada (1.19:1, ainda mais quadrado que o 4:3 das antigas TVs de tubo) vão afastar boa parte do público.

Mas isso não me incomodou – a fotografia P&B até tem seus bons momentos. Na minha humilde opinião, o problema de O Farol é a falta de ritmo. O filme é absurdamente chato. Os longos diálogos só pioram. E a trama não chega a lugar algum.

Se tem algo que se salva é a atuação dos dois atores principais. Willem Dafoe é um grande ator, isso a gente já sabia; já Robert Pattinson surpreende e mostra que pode almejar premiações importantes apesar do passado de “vampiro purpurina” de Crepúsculo. Ambos dão show.

Mas, sei lá. Achei muito ruim. Talvez um dia heu reveja e mude de ideia, mas, minha primeira impressão foi péssima.

Festival do Rio 2019

Festival do Rio 2019

Como espectador, acompanho o Festival do Rio desde a primeira edição – na verdade, nos anos anteriores acompanhava os outros festivais semelhantes, como Fest Rio, Rio Cine e Mostra Banco Nacional. E, desde 2007, publico sempre aqui no heuvi sobre os vários filmes que assisto. Nos primeiros anos, como espectador; a partir de um determinado ano, como credenciado pela imprensa.

Mas 2019 será a minha cobertura mais discreta de todas. É uma junção de três motivos:

– O Festival do Rio teve problemas financeiros e fez uma edição reduzida, com menos filmes e menos sessões.
– O Festival do Rio negou o meu credenciamento, apesar de todos os anos que cobri o Festival.
– Tive os meus problemas pessoais que afetaram a frequência dos posts aqui no heuvi.

Assim, este ano só vou falar de 3 filmes. Mas espero que em 2020, tudo volte ao normal, que tenhamos um grande Festival do Rio, com uma grande cobertura do heuvi!

As Golpistas

Crítica – As Golpistas

Sinopse (imdb): Inspirado no artigo da New York Magazine, As Golpistas segue uma equipe de ex-funcionárias de clubes de strip-tease experientes que se unem para virar a mesa em cima de seus ex clientes de Wall Street.

As Golpistas (Hustlers, no original) se baseia numa história real que até é interessante. Mas, sabe quando o filme não engrena? A direção e o roteiro são de Lorene Scafaria (que fez o bom Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo), que faz um filme que até tem seus bons momentos. Mas no fim o resultado é fuén.

Agora, se tem uma coisa que indubitavelmente vale a pena em As Golpistas é a Jennifer Lopez, que entrega uma das melhores atuações de sua carreira (além de mostrar uma invejável forma física). Tinha um boato de indicação para o Oscar (o que seria merecido), mas não rolou, infelizmente. Também no elenco, Constance Wu, Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Reinhart, Mercedes Ruehl, e uma desnecessária participação de Usher.

Vale pela J-Lo. Mas é fraco.