A Forma da Água

Forma da ÁguaCrítica: A Forma da Água

Sinopse (imdb): Um conto de fadas de outro mundo, ambientado na época da Guerra Fria nos EUA, por volta de 1962. Uma solitária faxineira que trabalha num laboratório governamental de alta segurança tem sua vida alterada para sempre quando ela descobre uma experiência secreta.

Filme novo do Guillermo del Toro sempre entra no radar. Apesar do seu último, A Colina Escarlate, não ter sido lá grandes coisas, a expectativa por este A Forma da Água (The Shape of Water, no original) era grande. Felizmente, desta vez Del Toro acertou. Seu novo filme é uma bela fábula de amor, e, acho que posso dizer isso, um dos seus melhores filmes.

Del Toro declarou que queria fazer um “filme de monstro” onde a criatura ficasse com a mocinha no final. Assim, tudo aqui gira em torno da história de amor entre o improvável casal. Apesar de ter algumas cenas de violência gráfica, A Forma da Água está mais próximo de um conto de fadas do que de um filme de terror. A trilha sonora de Alexandre Desplat ajuda no clima de fábula.

(Aliás, a trilha sonora e a direção de arte me lembraram do clima dos filmes de Jean Pierre Jeunet – mais ou menos como “Amelie Poulan encontra o Monstro da Lagoa Negra”).

É bom avisar: A Forma da Água é um filme romântico, não há dúvidas quanto a isso. Mas está longe de ser um filme “fofinho”. Como bem disse o crítico Pablo Bazarello no site cinepop, “Uma história linda de amor, onde gatos fofinhos perdem a cabeça, gargantas são rasgadas com garras e dedos necrosados arrancados à força. Ah, Guillermo del Toro é dos meus. Ah, o amor…” 😉

(Aliás 2, fiquei com a impressão de que este filme conseguiu ser o que A Bela e a Fera tentou ser e não conseguiu. Afinal, aqui o Monstro não precisou ser rico para conquistar a mocinha.)

O elenco é outro destaque. Indicada ao Oscar em 2014 por Blue Jasmine, Sally Hawkins faz um excelente trabalho com sua personagem muda – aguardem mais indicações para prêmios! Michael Shannon também está excepcional. Doug Jones, mais uma vez, não mostra o rosto e interpreta uma criatura num filme de Del Toro (ele foi o Abe Sapien em Hellboy e o Fauno em O Labirinto do Fauno). Também no elenco, Richard Jenkins, Octavia Spencer e Michael Stuhlbarg.

A notícia triste é que vai demorar pro espectador “off festival” ver A Forma da Água. O filme passou na abertura do Festival do Rio, mas não só não teve outra sessão, como só vai ser lançado no circuito no início de 2018. Tem que segurar a ansiedade!

Festival do Rio 2017

festival-do-rioFestival do Rio 2017

Todo ano faço um pequeno texto com apostas para o Festival do Rio. Este ano ficarei devendo. Compromissos profissionais me impediram de acompanhar de perto a programação.

Mas Festival do Rio é Festival do Rio. Nos próximos dias, postarei aqui comentários sobre alguns filmes vistos no Festival.

Divirtam-se! Desliguem os celulares e boas sessões!

Blade Runner 2049

BladeRunner2049Crítica – Blade Runner 2049

Sinopse (imdb): Um novo Blade Runner descobre um segredo escondido que o leva a rastrear o ex-Blade Runner Rick Deckard, que está há trinta anos desaparecido.

Ok, admito, estava com muito pé atrás com este Blade Runner 2049 (idem, no original). Sou muito fã do original de 1982. E quando li que o diretor ia ser Denis Villeneuve, me lembrei de O Homem Duplicado, um filme cabeça muito ruim, e a preocupação aumentou. Mas aí vi A Chegada, infinitamente melhor que o outro, e relaxei. Ok, Villeneuve, você agora tinha o meu aval. Vamos “pagar pra ver”.

Felizmente, Villeneuve fez um bom trabalho. Blade Runner 2049 é um espetáculo visual belíssimo, e toda a mitologia do primeiro filme é respeitada. Só acho que não precisava de mais de duas horas e quarenta minutos…

Existem três curtas feitos para situar o espectador sobre o que está acontecendo: uma animação com estilo de anime contando o blecaute; e dois filminhos apresentando os personagens de Dave Bautista e Jared Leto. Não rolam spoilers, quem quiser ver antes pode ser uma boa, tem no youtube.

Sobre spoilers: Harrison Ford está no cartaz do filme, então todos sabem da sua presença no filme. Mas posso dizer que era melhor que a sua participação fosse guardada – como foi com o Wolverine em X-Men Apocalipse. Seria uma agradável surpresa vê-lo sem ser anunciado.

O elenco é bom. Ryan Gosling normalmente tem cara de paisagem, mas pra este papel funcionou bem – afinal, ele é um androide (e não há dubiedade sobre isso). Com um enorme carisma, Ford mais uma vez volta a um papel icônico (como fizera antes com Indiana Jones e Han Solo); Leto e Bautista pouco aparecem. Gostei da personagem de Ana de Armas, e aquela cena de sexo entre humano, androide e holograma ficou muito boa. Também no elenco, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Mackenzie Davis, e uma participação especial de Edward James Olmos

A trilha sonora de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch às vezes tenta emular a trilha clássica do Vangelis, mas no resto do filme lembra mais as notas graves de A Chegada. Ficou ok. Mas Blade Runner é sintetizador, e não monges tibetanos. Senti falta do Vangelis…

Pelo menos o visual compensa. A fotografia de Roger Deakins é fenomenal. Alguns cenários lembram o filme original (como os gigantescos painéis de neon); enquanto os cenários novos chamam a atenção pela beleza e grandiosidade (como o prédio de Niander Wallace, ou os cenários em Las Vegas).

Findo o filme, fica a dúvida: será que vai virar franquia e vão fazer um terceiro (e um quarto, um quinto…), ou será que para por aí? Denis Villeneuve não me parece ser um diretor que combina com franquias. Mas, por outro lado, ainda dá pra aproveitar elementos que foram pouco usados.

Por fim, queria registrar que finalmente li o livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, escrito por Philip K. Dick nos anos 60, e que deu origem ao primeiro filme. É curioso ver que o livro tem uma história bem diferente do filme. Me lembrei de fãs do livro “O Senhor dos Anéis” reclamando porque o personagem Tom Bombadil foi cortado do filme. Se a adaptação do “Ovelhas Elétricas” fosse hoje em dia, ia ter “muito mimimi pelas internetes” reclamando que “o filme não respeitou o livro”…

LEGO Ninjago: O Filme

lego-ninjago-o-filmeCrítica – LEGO Ninjago: O Filme

Sinopse: Evitado por todos por ser filho de um vilão maligno, um adolescente tenta vencê-lo com a ajuda de seus companheiros ninjas.

Em 2014, tivemos o genial Uma Aventura Lego. Três anos depois veio o Lego Batman, que seguia o mesmo conceito. Agora vamos ao terceiro filme. A boa notícia: quem curtiu os outros dois vai se divertir aqui.

LEGO Ninjago: O Filme (The LEGO Ninjago Movie, no original) segue o mesmo estilo de visual e mesmo estilo de humor dos outros filmes. Diferente dos outros dois filmes, LEGO Ninjago: O Filme se baseia em algo pré existente, uma série de tv. A boa notícia é que não precisa ver a série para entender o filme.

É usada a máxima “não se mexe em time que está ganhando”. Claro que vai ter gente resmungando porque a fórmula está sendo repetida. Mas heu não reclamo. Se gostei dos outros, quero mais!

Este universo Lego tem duas coisas que heu gosto muito. Uma é o visual – a animação é feita pra parecer stop motion usando peças de Lego. O filme é tão detalhista que vemos peças gastas e arranhadas (como seria normal se isso fosse um stop motion de verdade). E a outra é o humor nonsense – a arma super secreta é uma das coisas mais geniais que vi no cinema este ano.

Ainda no humor: tem muita piada para adultos. Pais que forem levar seus filhos vão rir de piadas referentes a filmes e músicas das décadas passadas. Ri tanto da citação a Eles Vivem que tive que explicar pro meu filho a cena!

Diferente dos outros filmes, este aqui tem um prólogo com atores. Temos Jackie Chan como o dono da loja – e, nas versões com o som original, também como a voz do boneco Mestre Wu. Também estão no elenco original as vozes de Dave Franco, Michael Peña e Justin Theroux, entre outros. Só vi a versão dublada. Pelo menos a dublagem é boa.

Falei do Jackie Chan, né? Claro, pra manter a tradição, tem uma cena pós créditos com os erros de gravação…

Não sei quais os próximos passos deste universo Lego. Mas aguardarei ansiosamente.

Kingsman: O Círculo Dourado

Kingsman 2Crítica – Kingsman: O Círculo Dourado

Sinopse: Quando sua sede é destruída e o mundo é feito refém, os Kingsman descobrem uma organização de espiões aliados nos EUA. Essas duas organizações secretas de elite devem se unir para derrotar um inimigo comum.

O primeiro Kingsman foi um dos melhores filmes de 2014. A expectativa agora era grande. Será que mantiveram o nível?

Boa notícia! Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle, no original) é tão bom quanto o primeiro! Um bom elenco numa trama alucinada com ritmo desenfreado e efeitos especiais de primeira linha!

O diretor Matthew Vaughn (o mesmo do primeiro filme) manteve o mesmo conceito – uma espécie de James Bond com mais violência e mais humor. Li em alguns sites que este segundo filme seria mais exagerado que o anterior. Mas, sei lá, lembro da cena da igreja do outro filme, imagino poucas coisas mais exageradas que aquilo…

Kingsman: O Círculo Dourado é repleto de ação e humor. E Vaughn sabe como poucos como filmar essas cenas, alternando câmera lenta e imagens aceleradas, muitas vezes com a câmera posicionada literalmente dentro da ação. As sequências de ação são impressionantes, desde a cena inicial, com uma perseguição de carro de tirar o fôlego, até os duelos finais – com planos sequência, não tão impressionantes como a já citada cena da igreja do primeiro filme, mas mesmo assim muito bem filmados.

Tem espaço para novos personagens. Somos apresentados a uma nova agência: os Statesman, uma versão americana dos Kingsman. Além de cutucadas entre Inglaterra e EUA, isso também abre espaço no elenco para Jeff Bridges, Channing Tatum, Halle Berry e Pedro Pascal, que se juntam a Taron Eggerton, Mark Strong e Colin Firth. Além deles, Julianne Moore está ótima como a vilã. Mas a melhor surpresa do elenco está com Elton John, numa participação pequena, mas sensacional!

Falei da Julianne Moore, né? Uma coisa legal aqui é a atualização dos conceitos que habitam os filmes de espionagem. Assim como aconteceu no último Homem Aranha, a vilã é capitalista. Claro, ela é psicopata, mas o que a move é o dinheiro. Outro personagem interessante é o presidente dos EUA, aparentemente baseado no Trump. Até o ímpeto sexual típico do estilo jamesbondiano está contido aqui – o agente tem que ligar para a namorada antes de pular a cerca.

Os mais ranzinzas vão reclamar que Kingsman: O Círculo Dourado não é tão surpreendente quanto o primeiro filme. Claro, né? No primeiro, tudo era surpresa, e agora a gente já tinha ideia do que encontrar. Mas posso dizer sem medo: se você gostou do outro filme: vá sem medo!

E que venha o terceiro filme!

Quadrophenia

QuadropheniaCrítica – Quadrophenia

Sinopse: Na Londres dos anos 1960, Jimmy, como tantos outros jovens, odeia seus pais e seu emprego. Ele só se sente livre na companhia de seus amigos, ouvindo rock, se drogando e andando de lambreta. Ele acaba surtando e sua vida piora.

Sábado passado teve The Who no Rock in Rio. Aqui é um espaço para comentar filmes e, eventualmente, séries, e não shows. Então fui catar um filme baseado em The Who. Heu já tinha o dvd do filme Quadrophenia há anos, mas, sei lá por que, ainda estava lacrado. Agora era o momento certo de abrir!

Dirigido por Franc Roddam, Quadrophenia é baseado no disco homônimo, lançado em 1973 (o filme é de 79). Esse conceito de “ópera rock” já tinha sido usado com Tommy (disco de 69, filme de 75). Mas Roddam quis fazer diferente aqui – enquanto Tommy é um musical no formato clássico, onde personagens cantam as músicas; Quadrophenia é um filme onde ouvimos as músicas originais, e não cantadas pelo elenco.

O curioso de se ver Quadrophenia hoje em dia, no Brasil, é constatar como a cultura mod era algo importante naquele contexto, apesar de ser algo completamente fora da nossa realidade. Diferente, por exemplo, do movimento punk, os mods passaram quase desapercebidos por aqui (lembro de ter lido algo sobre mods na época do início da banda Ira!). Pelo que o filme passa, a cultura mod foi algo bem forte, assim como a sua rivalidade com os rockers. Acho que a comparação aqui no Brasil seria a rivalidade entre os punks e os metaleiros, mas isso aconteceu nos anos 80… Falando nisso, a cena da briga em Brighton é impressionante, mesmo vista hoje, quase 40 anos depois.

Algumas curiosidades sobre o elenco. Sting está creditado como um dos principais, mas seu personagem é secundário – importante na trama, mas só aparece na parte final. Aliás, a produção do filme deu sorte, o Police já existia na época das filmagens, mas ainda era uma banda desconhecida. Mas a banda estourou antes do filme ser lançado, por isso capitalizaram em cima do nome do baixista / vocalista. Ray Winstone tem um papel pequeno; Timothy Spall tem um papel menor ainda. O ator principal, Phil Daniels, está na ativa até hoje, mas nunca mais fez nada relevante – acho que seu segundo papel mais conhecido foi dublando Fuga das Galinhas.

Agora, posso falar do show? Sou fã de The Who desde os anos 90. Quando abri a minha videolocadora, comprei uns VHS musicais aleatórios, e um deles era o show do The Who na Ilha de Wight, em 1970. Um dia, estava arrumando as fitas nas prateleiras, e resolvi colocar um som pra me distrair. Coloquei esse The Who – e pouco depois, me vi parado, estático, vendo aquele show pela tv da locadora. Virei fã na hora! E desde aquela época torcia para o dia que eles viriam ao Brasil.
Vi MUITOS shows ao longo da minha vida. Vi muitos shows memoráveis, shows históricos, mas ainda faltava o Who. Agora não falta mais! Feliz e realizado, vi os dois septuagenários sobreviventes (Roger Daltrey tem 73 anos, Pete Townshend, 72), cheios de energia, no palco, em mais um show memorável no meu currículo.
Quando for velhinho, quero ser daquele jeito!

Emoji: O Filme

EmojiCrítica – Emoji: O Filme

Sinopse: Escondida dentro do celular está Textópolis, uma cidade cheia de vida onde moram todos os emojis, aguardando serem selecionados pelo dono do celular. Neste mundo, cada emoji tem apenas uma expressão facial – exceto Gene, um emoji que nasceu sem filtro e que se multiplica pelas mais variadas expressões.

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Fim de semana com feriadão. O filho de 8 anos pede “Pai, vamos ao cinema ver Emoji?” “Sério, filho? Tem cara de ser ruinzinho!” “Não, pai, vai ser muito legal!” E lá fui heu, mais filhos, mais amiguinhos dos filhos, pro cinema pra ver um filme sobre… emojis.

Claro que não ia ser bom. É um filme sobre “emojis”. Não tem como se criar uma história interessante partindo de algo assim.

Se tem algo positivo pra se falar sobre Emoji: O Filme (The Emoji Movie, no original) é que é um filme apropriado para crianças (quando vi as imagens, não sei por que, me lembrei de Festa da Salsicha). O filme é bobinho, mas pelo menos a criançada vai gostar – meus filhos curtiram. E ainda traz uma mensagem positiva…

A animação dirigida por Tony Leondis podia pelo menos trazer algumas piadas boas, mas não me lembro de nenhuma. E isso porque o filme se propõe a ser uma comédia.

(Talvez o problema seja que estamos acostumados com animações de alto nível, capazes de agradar crianças e adultos ao mesmo tempo…)

Mas “ser apropriado para crianças” não é o suficiente. O resultado final é bem fraco. Tem um monte de opções melhores por aí hoje em dia.

Tenho medo do futuro do cinema. Será que veremos filmes sobre gifs animados?

Mãe!

MãeCrítica – Mãe

O relacionamento de um casal é colocado à prova quando visitantes que não foram convidados chegam em sua casa, interrompendo sua existência tranquila.

Falei anteontem de um filme que está sendo vendido errado pelo trailer. Este Mãe! (Mother!, no original) é outro exemplo. O trailer sugere um filme de terror, e o filme passa longe disso.

Por sorte, não vi o trailer. Mas, mesmo assim, já sabia que não seria terror, afinal, trata-se do novo filme de Darren Aronofsky, o mesmo de Pi, Requiem para um Sonho, Cisne Negro e Noé.

Ok, então esqueçamos o terror e lembremos quem é o diretor. Mãe! é coerente com o resto de sua filmografia. Um filme hermético, repleto de metáforas e simbolismos. Várias camadas de interpretação, várias coisas sem sentido ao longo da projeção. E, claro, referências bíblicas. Vai ter gente que vai adorar e colocar em listas de melhores do ano; vai ter gente que vai odiar e sair antes do final.

Independente de se gostar ou não deste tipo de filme, precisamos admitir que Aronofsky é talentoso na sua proposta. Além de tecnicamente bem feito, o filme é envolvente, e a parte final é um belo espetáculo visual.

Agora, um comentário sobre o significado. Mas antes, claro, aviso de spoilers.

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Ao fim do filme, meu amigo Carlos Voltor, do canal Voltorama, falou a sua interpretação: Ele seria Deus, ela seria a natureza, a casa seria o planeta. O casal é Adão e Eva, seus filhos, Caim e Abel. Na parte final, vemos representações de guerras. Cheguei em casa, verifiquei no imdb, é isso aí. Por este ponto de vista, tudo faz mais sentido!

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, Jennifer Lawrence, a queridinha de Hollywood, encontra mais um papel perfeito para o estilo de “over acting” dela. Não sou muito fã, mas sei que sou minoria, então ela vai continuar assim… Também no elenco, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer, Ed Harris, Kristen Wiig, Domhnall Gleeson e Brian Gleeson.

Veja por sua conta e risco. Mas vá ao cinema de cabeça aberta!

Esta é a Sua Morte

Esta e a sua morteCrítica – Esta é a Sua Morte

Um olhar inquietante sobre os reality shows onde um programa perturbador tem seus concorrentes terminando suas vidas pelo prazer do público.

De um tempo pra cá, tenho evitado ver trailers. Muitas vezes eles trazem spoilers; muitas vezes eles passam a impressão errada sobre o filme. Aqui é um exemplo do segundo caso. O trailer vende um filme que seria uma mistura de O Sobrevivente com Jogos Mortais. E Esta é a Sua Morte (This Is Your Death, no original) é um drama, que não tem nada a ver com isso.

A premissa do filme dirigido pelo ator Giancarlo Esposito é boa: um reality show que explora suicidas e o sensacionalismo da mídia em cima disso. E a história até começa bem. Mas o roteiro pega caminhos errados e o filme escorrega, principalmente na parte final.

Leve spoiler abaixo!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Entendo que Esposito, sendo o diretor, quisesse dar uma importância maior ao seu personagem. Mas não funcionou. Não só o desenvolvimento foi fraco, como transformá-lo em herói foi uma ideia ruim – o que ele tinha de diferente dos outros participantes do programa?

FIM DOS SPOILERS!

Mas este não é o único problema. Os personagens são mal construídos e não cativam ninguém, e assim o filme começa a ficar cansativo. Na minha humilde opinião, o filme tinha que ter uma pegada mais sensacionalista. Menos foco nos dramas pessoais, mais foco em como a mídia consome as mortes.

O elenco até é bom (Josh Duhamel, Famke Janssen, Sarah Wayne Callies, Giancarlo Esposito, Caitlin FitzGerald e uma ponta de James Franco), mas como o roteiro não ajuda, o resultado final fica devendo.

Loucos e Perigosos / Once Upon a Time in Venice

Once upon a time in veniceCrítica – Loucos e Perigosos / Once Upon a Time in Venice

Um detetive veterano de Los Angeles busca a implacável gangue que roubou seu cachorro.

Outro dia vi no filmeb que este filme estava pra estrear. Claro que um filme com Bruce Willis, John Goodman, Jason Momoa e Famke Janssen entra no radar, né? Mas a estreia foi adiada, e agora está sem previsão de entrar em cartaz. Então vamos logo ao texto?

Depois de ver o filme, entendi por que está sendo adiado indefinidamente. Once Upon a Time in Venice (que, segundo o imdb, vai se chamar Loucos e Perigosos aqui no Brasil) é uma grande decepção – principalmente se a gente lê a lista de nomes no elenco.

Dirigido por Mark Cullen, Once Upon a Time in Venice tem cara daquelas comédias meio sem graça que, na época das videolocadoras, serviam pra encher os catálogos como “filmes de apoio” – filmes com menos “star power”, que eram vendidos ao lado dos grandes lançamentos. Ou seja, um filme dispensável.

A edição e a trilha sonora ainda tentam criar um ar “cool”, mas tudo é tão bobo que o filme não decola nunca. Além de muitas piadas sem graça, são várias situações forçadas e sem sentido – tipo, se o amigo tem dinheiro pra pagar o empréstimo feito com o agiota russo, por que não pedir antes a ele no lugar do agiota? E, na boa, o Bruce Willis pelado andando de skate não ficou engraçado, ficou constrangedor.

O filme é tão esquisito que o personagem principal era pra ser o do Bruce Willis, mas o filme tem uma narração em off feita pelo desconhecido Thomas Middleditch (o nome do cara é o oitavo na página do filme no imdb!).

Sobre o elenco: se Bruce Willis parece estar no piloto automático, pelo menos John Goodman está bem, quase faz o filme valer a pena (heu disse “quase”!). Jason Momoa até está engraçado, mas aparece pouco; Famke Janssen tem um papel minúsculo. Ainda no elenco, Jessica Gomes, Adam Goldberg e Emily Robinson, além do já citado Middleditch.

O final do filme tem um gancho pra continuação, que espero que não venha.

Terminado o filme, fico com a impressão de que Loucos e Perigosos não vai chegar nunca aos cinemas. Mas daqui a pouco deve aparecer nos Telecines da vida.