A Primeira Noite de Crime

Crítica – A Primeira Noite de Crime

Sinopse (imdb): O terceiro partido político dos EUA, os Novos Pais Fundadores da América, chega ao poder e conduz um experimento: não há leis por 12 horas em Staten Island. Ninguém precisa ficar na ilha, mas US $ 5.000 são concedidos a quem o fizer.

Já falei aqui, tenho problemas com o conceito básico da franquia Noite de Crime. Por isso fui ver A Primeira Noite de Crime (The First Purge, no original) com expectativa zero. Sabe que foi uma boa? Até curti o filme…

É o quarto filme da franquia, mas é um prequel, tudo acontece antes do primeiro filme. A direção ficou com Gerard McMurray; James DeMonaco, diretor e roteirista dos outros três, aqui está só no roteiro.

McMurray consegue algumas boas sequências de ação – tem uma briga na escada que parece uma versão “de pobre” da excepcional sequência de Atômica. Por outro lado, uma coisa que ficou muito tosca foi o sangue em cgi. Quando aparece sangue, parece que estamos vendo uma produção da Asylum.

No elenco, o único nome conhecido é Marisa Tomei, num papel importante, mas com pouco tempo de tela. O foco maior é no casal Y’lan Noel e Lex Scott Davis, que funcionam bem apesar dos clichês.

Assim como o resto da franquia, A Primeira Noite de Crime está longe de ser um filme essencial. Mas é interessante ver nos dias de hoje, quando debates políticos entre extremistas à esquerda e à direita lideram as pesquisas de intenção de voto.

A Freira

Crítica – A Freira

Sinopse (imdb): Um padre com um passado assombrado e uma noviça no limiar de seus votos finais são enviados pelo Vaticano para investigar a morte de uma jovem freira na Romênia e confrontar uma força malévola na forma de uma freira demoníaca.

E continua a expansão do “Waniverse”!

Pra quem não está ligado: James Wan é um dos nomes mais importantes do terror contemporâneo, por ter dirigido os dois Sobrenatural e os dois Invocação do Mal (além de Jogos Mortais alguns anos antes). Talentoso, o cara foi chamado pra dirigir outros estilos de filme (Velozes e Furiosos 7, Aquaman). Mas, mesmo sem Wan, o universo dos seus filmes continua sendo expandido com spin-offs. Já tivemos dois Annabelle, e agora este A Freira – todos os três são derivados do Invocação do Mal.

A Freira (The Nun, no original) foi dirigido por Corin Hardy (A Maldição da Floresta) – James Wan aqui está creditado na produção e na história. Isso é um problema, claro. Com um diretor genérico, o filme é até divertido, mas está longe de ser memorável.

Pelo menos o filme é divertido. Diferente da onda “pós terror” de Hereditário, A Freira é terror pop. O público fã do estilo vai se divertir com vários jump scares. Além disso, a ambientação é legal, os cenários de um castelo na Romênia ajudam a criar um bom clima. Cronologicamente, A Freira é o primeiro filme da série, já que se passa antes de Annabelle 2: A Criação do Mal. Mas é claro que é melhor ver na ordem que foram filmados.

Uma coisa curiosa no elenco: a protagonista é Taissa Farmiga, irmã mais nova (21 anos de diferença!) da Vera Farmiga, protagonista de Invocação do Mal. As duas são muito parecidas, mas suas personagens não são parentes. Também no elenco, Demián Bichir, Jonas Bloquet e Bonnie Aarons.

Parece que o próximo filme do “Waniverse” vai ser sobre The Crooked Man, sobre o Homem Torto, que aparece no segundo Invocação do Mal. Aguardemos.

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Crítica – Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Sinopse (imdb): Em uma pequena cidade em Massachusetts, um grupo de amigas, fascinadas pelo folclore da internet do Slender Man, tenta provar que ele realmente não existe – até que uma delas desaparece misteriosamente.

É, a safra não está boa para o cinema de terror. Em menos de 3 meses falei aqui de Vende-se Esta Casa, Selfie Para o Inferno e Verdade ou Desafio. Agora temos mais um forte concorrente ao prêmio de pior terror de 2018: Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man, no original).

Dirigido pelo pouco conhecido Sylvain White, com um grande currículo na tv mas quase nada de cinema, Slender Man: Pesadelo Sem Rosto falha em quase tudo o que se propõe. Pra começar, o filme não tem sustos – algo grave se estamos falando de um filme de terror. Além disso, temos personagens rasos e um “monstro” que não mete medo.

A mitologia do Slender Man, criada num fórum de Internet, talvez até gerasse um filme bom, mas o roteiro precisaria desenvolver essa mitologia. E isso não aconteceu.

O elenco tem algumas jovens que até podem ter futuro, mas antes precisam escolher melhor seus próximos filmes: Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair e Annalise Basso (esta última estava em Capitão fantástico!). Ah, tem um nome que os leitores do heuvi vão reconhecer: Javier Botet, o espanhol esquisito que sempre chamam quando precisam de um personagem magro e comprido em filmes de terror (ele foi a Menina Medeiros de REC, o personagem título de Mama, o Homem Torto de Invocação do Mal e Demônio das Chaves do último Sobrenatural).

Claro que existem ganchos para uma continuação. Que espero que nunca seja feita.

Virgens Acorrentadas

Crítica – Virgens Acorrentadas

Sinopse (imdb): Uma jovem equipe de filmagem, filmando um filme de terror de baixo orçamento em um orfanato abandonado, descobre que uma família de assassinos sádicos reescreveu seu roteiro.

Ficou pronto o projeto internacional do curitibano Paulo Biscaia Filho!

Sou fã do Paulo Biscaia desde que vi Morgue Story no Festival do Rio de 2009. Participei do crowdfunding do dvd autografado do seu filme seguinte, Nervo Craniano Zero. E claro que fiquei empolgado quando vi a campanha para o seu filme gringo, este Virgin Cheerleaders in Chains – que aqui ganhou o nome Virgens Acorrentadas.

Demorou, mas saiu. E a boa notícia: com lançamento (reduzido) no circuito!

Vamos ao filme? Quem conhece o trabalho do Paulo Biscaia Filho sabe que ele tem um pé fortemente fincado no trash e sabe dosar o gore e a galhofa como poucos no Brasil.

Mas Virgens Acorrentadas tem um problema que não acontece nos outros filmes do Biscaia. Pela primeira vez o roteirista era outro. E, pra piorar, o roteirista Gary McClain Gannaway também era o produtor. Ou seja, em alguns momentos, sentimos que o filme tem umas baqueadas no ritmo. Outro problema é que às vezes parece que o filme não se decide entre assumir ou não a zoeira.

Mesmo assim, o resultado ainda é bem divertido. Biscaia trabalha bem a metalinguagem, às vezes não temos certeza se o que estamos vendo faz parte da história ou da história dentro da história. Além disso, o roteiro tem umas soluções criativas na hora de explorar os clichês, além de fugir do formato “sydfieldiano”.

Infelizmente, como aconteceu com Morgue e Nervo, Virgens Acorrentadas será consumido apenas no “gueto”. Ainda não temos mercado aqui no Brasil para filmes assim. Quem sabe um dia o cinema brasileiro evolui? Paulo Biscaia Filho está fazendo a parte dele!

p.s.: Falei que apoiei filme lá atrás, em 2014, né? Meu nome está nos agradecimentos! Pena que escreveram errado, esta “Helvicio C Parente”…

Megatubarão

Crítica – Megatubarão

Sinopse (imdb): Depois de escapar de um ataque do que ele afirma ser um tubarão de 70 pés, Jonas Taylor precisa enfrentar seus medos para salvar os que estão presos em um submersível afundado.

Admito que fiquei intrigado com um filme B de tubarão estrelado pelo Jason Statham e com lançamento no circuitão, em vez de ser exibido no canal Syfy. Claro que deveria ser ruim, mas será que seria tão ruim quanto os filmes de tubarão que infestam a grade do canal? Vamos ver qualé.

Pra começar, muita gente reclamou deste Megatubarão (The Meg, no original), por ser um filme vagabundo. Heu digo o contrário: é um filme honesto. Ninguém vai ver um filme chamado “Megatubarão” esperando um grande filme.

Outra coisa em defesa do filme dirigido por Jon Turteltaub: é tecnicamente bem feito. Boas imagens submarinas, o tubarão em cgi funciona, e as cenas de tensão, apesar de absurdas, são bem construídas. Está longe da indigência técnica da série Sharknado. Sim, o roteiro é péssimo, mas se o espectador ignorar a lógica, pode até se divertir.

Agora, temos que reconhecer que o roteiro é repleto de coisas sem o menor sentido. Senti falta do fórum de discussão do imdb, que sempre tinha um tópico “100 coisas que aprendi com o filme tal”. Neste Megatubarão ia ser divertido, o filme inteiro é cheio de coisas absurdas, começando pela introdução do filme – se o megalodonte só foi liberado anos depois, como é que atacou o submarino no início do filme?

No elenco, além de Statham, temos Cliff Curtis, Winston Chao, Shuya Sophia Cai, Ruby Rose, Page Kennedy, Robert Taylor, Ólafur Darri Ólafsson, Jessica McNamee e Masi Oka (sim, o Hiro de Heroes).

Enfim, Megatubarão é ruim, ninguém está questionando isso. Mas vai divertir quem estiver na pilha certa.

Verdade ou Desafio

Crítica – Verdade ou Desafio

Sinopse (imdb): Um jogo inofensivo de verdade ou consequência entre amigos se torna fatal quando alguém – ou algo – começa a punir aqueles que mentem ou recusam o desafio.

Perdi esse Verdade ou Desafio (Truth or Dare, no original) quando passou nos cinemas, mas nem esquentei a cabeça, porque todas as críticas falavam mal do filme.

Mas, agora que vi, confirmo: Verdade ou Desafio é realmente ruim.

A ideia do filme dirigido por Jeff Wadlow (Kick Ass 2) já é fraca: um jogo de verdade ou consequência que pode matar o “da vez” – rola um rodízio, que nem em Premonição. Mas se a premissa de Premonição era fraca pelo menos as mortes eram bem legais, coisa que não acontece aqui.

A protagonista (Lucy Hale, de Pretty Little Liars) até tem uns dilemas morais, mas o roteiro não investe nisso. E o fim do filme só piora tudo.

Depois de Selfie para o Inferno e Vende-se esta Casa, temos mais um candidato ao pior terror de 2018…

Vende-se Esta Casa

vende-se esta casaCrítica – Vende-se Esta Casa

Sinopse (imdb): Um adolescente e sua mãe se vêem sitiados por forças ameaçadoras quando se mudam para uma nova casa.

A Netflix começou a oferecer produções próprias, cada vez mais opções. Mas a qualidade não acompanhou a quantidade. Tem aparecido uns filmes com qualidade bem duvidosa. E o pior é que sempre estão “recomendados”.

Acho que o pior de todos os filmes originais Netflix é este Vende-se Esta Casa (Open House, no original). O filme é muito ruim, e o final é pior ainda. Aquele final deveria ser estudado nas escolas de cinema como “o que não fazer”.

Não tenho ideia de quais eram as intenções do roteirista ou do diretor, mas digo que falharam miseravelmente.

Não acreditem quando, ao acabarem de ver um filme no Netflix, aparecer uma mensagem “porque você viu este filme, nós recomendamos Vende-se Esta Casa“. É uma cilada, Bino!

A Noite Devorou o Mundo

a noite devorou o mundoCrítica – A Noite Devorou o Mundo

Sinopse (imdb): Na manhã seguinte a uma festa, um jovem acorda e encontra Paris invadida por zumbis.

Um filme francês de zumbi, em cartaz no circuito? Taí uma coisa que não vemos todos os dias…

Dirigido pelo novato Dominique Rocher, A Noite Devorou o Mundo (La nuit a dévoré le monde, no original) é um filme de zumbi diferente do padrão. Em vez de vermos o tradicional grupo de sobreviventes lutando contra zumbis, o foco do filme é na solidão que o personagem enfrenta por ser o único ser vivo dentro de um prédio cercado por mortos vivos.

Ok, mérito do filme, é diferente. Por outro lado, o tédio do personagem às vezes passa para o lado de cá da tela. A Noite Devorou o Mundo tem uma hora e trinta e três minutos, mas às vezes parece longo. Talvez fosse melhor ser um curta…

No elenco, quase o filme todo é de Anders Danielsen Lie, que segura bem a responsabilidade. A ambientação é boa, vemos tomadas aéreas do quarteirão depois do apocalipse zumbi. A maquiagem também está ok.

Vale por ser diferente. Mas não espere muita coisa.

Stage Fright

stagefrightCrítica – Stage Fright

Sinopse (imdb): Um acampamento esnobe de teatro musical é aterrorizado por um assassino sedento de sangue que odeia teatro musical.

Não me lembro de onde veio a indicação, mas lembro de alguém falando de um musical de terror. Demorei, mas achei o filme!

Escrito e dirigido por Jerome Sable (também autor das músicas), Stage Fright (acho que não tem título em português) já diz ao que veio logo de cara, quando aparece o texto “O filme foi baseado em eventos reais. Enquanto os nomes foram trocados em respeito às vítimas e suas famílias, os números musicais serão executados exatamente como aconteceram“.

Claro que não é pra levar a sério. O filme é previsível e cheio de clichês. E, mesmo assim, muito divertido!

Na parte do terror, o clima é de um slasher dos anos 80 – um vilão mascarado caricato matando um de cada vez, com algum gore (sem exageros). Além disso, o fã de filmes de terror vai encontrar várias referências a clássicos, como Sexta Feira 13 (o acampamento), Halloween (a faca), Hellraiser (a cabeça com pregos) e Carrie (o balde). O diferencial está nas músicas. Stage Fright é um musical clássico, daqueles onde o personagem para de falar e começa a cantar. E algumas músicas são muito boas!

O problema de Stage Fright é que existe um preconceito com filmes de terror, e um preconceito ainda maior com musicais. O espectador aqui precisa curtir ambos os estilos.

Agora, quem entrar no espírito vai se divertir!

Hereditário

HereditarioCrítica – Hereditário

Sinopse (imdb): Depois que a matriarca da família morre, uma família em luto é assombrada por acontecimentos trágicos e perturbadores, e começa a desvendar segredos obscuros.

Alguém aí gosta de terror sério?

Mais uma vez, a produtora A24 (A Bruxa, Ao Cair da Noite) nos traz um filme de “pós terror”: Hereditário (Hereditary, no original).

(Não gosto muito de rótulos, mas estou pensando em adotar este “pós terror”, que acho que surgiu com It Follows e Babadook. Serve para diferenciar o estilo do terror, são filmes lentos, sérios e sem jump scares – bem diferente do “terror montanha russa” do James Wan – que, diga-se de passagem, também sou fã).

Escrito e dirigido pelo estreante em longas Ari Aster, Hereditário vai por este caminho. Um filme lento e desconfortável, que deixa o espectador angustiado quando acaba a sessão.

Algumas cenas são simplesmente geniais. A cena do acidente é primorosa, capaz de embrulhar o estômago do espectador sem mostrar quase nada. E Aster sabe muito bem explorar as maquetes e miniaturas que a personagem de Toni Collette faz.

Parágrafo à parte para falar da Toni Collette. Que interpretação! Arrisco a dizer que ela ganhará uma indicação ao Oscar por este papel, tem até um “clipe de Oscar” pronto na cena do jantar – lembrando que Kathy Bates levou o Oscar por um filme de terror, Louca Obsessão. Alex Wolff (que estava no novo Jumanji) também está muito bem – a cena do acidente tem um longo close em seu rosto. Também no elenco, Gabriel Byrne e Milly Shapiro.

Assim como aconteceu com A Bruxa dois anos atrás, vai ter gente insatisfeita, reclamando ao fim da sessão. Mas, para quem souber apreciar, temos aqui um dos melhores filmes do ano.