Suspiria (2018)

Crítica – Suspiria (2018)

Sinopse (imdb): Uma escuridão rodopia no centro de uma companhia de dança de renome mundial, que englobará a diretora artística, uma ambiciosa jovem bailarina e um psicoterapeuta de luto. Alguns vão sucumbir ao pesadelo. Outros finalmente vão acordar.

Depois do original, vamos à refilmagem. Dirigido por Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome), Suspiria (idem no original) tem uma característica que já o coloca à frente de outras refilmagens de clássicos: não quer copiar o original (como, por exemplo, o Psicose do Gus Van Sant). Se você tem um clássico incontestável na mão, o ideal seria não refilmar; mas se a refilmagem é inevitável, não copie o original, porque provavelmente você não fará um trabalho melhor.

Este Suspiria é diferente do anterior. Parece uma outra história contada a partir do mesmo argumento (dançarina americana vai estudar numa escola de dança na Alemanha dos anos 70 e descobre que é um covil de bruxas). Diferente, não ficou melhor, mas tem seus méritos.

A sequência final é boa, mas o destaque está bem antes, numa cena de ensaio de dança solo misturada com uma das mortes mais violentas já mostradas no cinema. Se o filme todo fosse na pegada desta cena, teríamos um novo clássico.

Mas o filme tem barrigas. São duas horas e trinta e dois minutos (o original tinha uma hora e trinta e oito!), não tem história para tudo isso, o filme cansa. E isso num filme de terror sem jump scares (outra coisa que vai afastar parte do público).

O elenco até funciona. Dakota Johnson não é uma grande atriz, mas serve para o que o filme pede. Chloë Grace Moretz está excelente, mas aparece pouco. Tilda Swinton dá um show, como sempre. Também no elenco, Mia Goth, Jessica Harper, Malgosia Bela e Angela Winkler.

A cena que citei vale o ingresso. Mas o filme original é melhor.

Suspiria (1977)

Crítica – Suspiria (1977)

Sinopse (imdb): Uma americana recém-chegada a uma prestigiada academia de balé alemã chega à conclusão de que a escola é uma fachada para algo sinistro em meio a uma série de terríveis assassinatos.

Tem refilmagem de Suspiria, e descobri que nunca vi o original. Bora consertar isso!

Dirigido por Dario Argento em 1977, Suspiria (idem, no original) é um dos maiores clássicos do cinema de horror. Isso é indiscutível. Mas, será que hoje, mais de 40 anos depois, ainda é um bom filme?

Vamulá. Vamos primeiro ao que ainda funciona. A fotografia do filme, com cores fortes e saturadas, ainda é um espetáculo visual que merece ser visto. Até hoje, décadas depois, o visual do filme é celebrado e homenageado em dezenas de produções.

Outro ponto a ser citado é a elogiada trilha sonora, do grupo italiano Goblin. A música tema é fantástica e perfeita para o clima do filme. Agora, um comentário sobre a banda Goblin. Modéstia à parte, entendo bastante de rock progressivo europeu dos anos 70. E só conheço Goblin pelas trilhas sonoras (além de Suspiria, eles também fizeram as trilhas de Prelúdio Para Matar e O Despertar dos Mortos). Boas trilhas, mas, enquanto banda, não alcançaram o sucesso.

Por outro lado, o roteiro é confuso e em alguns momentos não faz sentido. E as atuações são péééssimas, nível “escola de atuação Dr, Francisco” (segundo o Podtrash). Com certeza novos espectadores vão ficar incomodados com essa parte.

E o veredito: Suspiria é um espetáculo cinematográfico, bela fotografia, com cores fortes e um som forte acompanhando. Experiência obrigatória para amantes de cinema. Mas sei que hoje em dia muita gente não aceitaria algo tão “fora da caixinha”.

Se você quiser saber a minha opinião, gostei muito. Mas não recomendo para qualquer um.

Agora vamos à refilmagem…

Stalled

Crítica – Stalled

Sinopse (imdb): Um zelador fica preso em um banheiro feminino e se vê cercado por um ataque de uma horda de zumbis.

Na última semana do ano, fui ao simpático Cine Joia, prestigiar a sessão do Cramulhão, sessão mensal que passa filmes de terror “fora da caixinha”. O filme da vez foi este Stalled, comédia britânica de zumbis, lançada em 2013.

Desculpem a falta de modéstia, mas, um filme de 5 anos atrás que não entrou no meu radar não deveria ser grandes coisas. Heu não esperava muito de Stalled. Foi melhor assim, sem expectativas, porque o filme é não é lá grandes coisas.

Dirigido pelo desconhecido Christian James, Stalled (segundo a sessão Cramulhão, Enclausurado em português) traz algumas boas piadas, mas fica devendo no resultado final. Algumas ideias são muito boas, achei genial toda a sequência do “Jeff do TI”. Por outro lado, o papo com a Heather cansa na segunda metade do filme.

No elenco, ninguém conhecido. Mas o filme é quase um monólogo de Dan Palmer (que também escreveu o roteiro).

Divertido. Mas bobinho.

Mata Negra

Crítica – Mata Negra

Sinopse (Fantaspoa): Numa floresta do interior do Brasil, uma garota vê sua vida – e de todos ao seu redor – mudar terrivelmente, quando encontra o Livro Perdido de Cipriano, cuja Magia Sombria, além de outorgar poder e riqueza a quem o possui, é capaz de libertar um terrível mal sobre a Terra.

Opa! Filme novo do Rodrigo Aragão, num cinema pertinho da minha casa! Imperdível!

Não nego. Sou fã do Rodrigo Aragão, desde que vi Mangue Negro num festival no CCBB. De lá pra cá, consegui ver os seus longas seguintes em festivais (A Noite do Chupacabras, Mar Negro, Fábulas Negras), todos os três com a presença do próprio!

Como sempre, a maquiagem é excelente (Aragão é um dos melhores maquiadores do Brasil, nos últimos meses vi seu trabalho em outros dois filmes, O Doutrinador e Mal Nosso). Os efeitos especiais também são bons (para o que o filme propõe), assim como a trilha sonora percussiva. Alguns detalhes técnicos também ficaram bem legais, uma cena, em particular, entrou na minha galeria pessoal de melhores planos sequência – a câmera passeia pelo cenário enquanto trocam os atores, mostrando ao mesmo tempo duas linhas temporais, uma explicando um procedimento, a outra o executando.

Mata Negra é menos galhofa que os anteriores – arriscaria dizer que é o primeiro filme sério do Rodrigo Aragão (apesar de alguns momentos engraçados). Talvez por isso, tenha alguns problemas com ritmo, em alguns momentos cansa um pouco. Mas o final do filme é sensacional! Desde já estou ansioso por uma continuação!

Infelizmente, o cinema de terror nacional ainda é nicho, e sei que pouca gente vai ver Mata Negra. Pena. Quem perde é o espectador. Principalmente aquele que escolher um terror mais fraco, como Cadáver.

Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro

Crítica- Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro

Sinopse (google): Um grupo de três youtubers que se dizem especialistas em seres sobrenaturais decidem conquistar o reconhecimento do público de uma vez por todas. Para isso, eles traçam um plano para capturar um ser conhecido por todos, a loira do banheiro.

Fui ver Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro com expectativa perto do zero. Não tenho nada contra o Danilo Gentili, mas reconheço que o seu nome à frente de um projeto não é um grande atrativo. E posso dizer: foi uma grata surpresa. Não é um filme para constar em listas de melhores do ano, mas cumpre o objetivo de fazer um trash divertido.

Nova parceria entre Danilo Gentili e o diretor Fabrício Bittar (juntos, fizeram Como se Tornar o Pior Aluno da Escola), Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro ganha pontos porque não se leva a sério em momento algum. Repleto de metalinguagem, o filme zoa com vários clichês e estereótipos, e ainda avacalha com as carreiras de todos os envolvidos. Digo mais: como um bom trash, tem MUITO sangue – me lembrei dos exageros de Evil Dead!

Algumas piadas são bobas e de baixo calão (não precisa de piada com cocô, né?), mas admito que ri muito na cena do laboratório – é uma daquelas cenas com humor ofensivo, no limite da grosseria extrema (como os dois pelados em Borat). Mas sei que a maior parte das pessoas vai achar que “cruzaram a linha”.

O elenco principal não tem atores muito versáteis, mas, para o que filme pede, o time Danilo Gentili, Dani Calabresa, Léo Lins e Murilo Couto funciona bem. Também no elenco, Sikêra Junior, Ratinho, Antonio Tabet, Barbara Bruno e Matheus Ueta. Ainda queria citar Pietra Quintela, que manda bem como a loira do banheiro.

Muita gente vai torcer o nariz por causa do Danilo Gentili. E muita gente vai torcer o nariz porque é trash. Mas acho ótimo quando o cinema nacional “pensa fora da caixinha”. Principalmente quando o resultado final fica tão divertido.

Que venham outros filmes assim!

Cadáver

Crítica – Cadáver

Sinopse (imdb): Quando uma policial que acabou de sair da reabilitação pega o turno da noite no necrotério de um hospital da cidade, ela enfrenta uma série de eventos bizarros e violentos causados ​​por uma entidade maligna em um dos cadáveres.

O trailer de Cadáver (The Possession of Hannah Grace, no original) prometia. Pena que ficou só na promessa.

O pouco conhecido diretor Diederik Van Rooijen até consegue criar um clima tenso interessante. Mas o roteiro de Cadáver é tão furado que não adianta nada.

Varias coisas não fazem sentido, como a porta por onde chega o rabecão, que precisa do cartão pra entrar, mas não precisa pra sair; ou então um dos seguranças que desaparece e ninguém se preocupa. Assim, o bom clima de tensão vai se dissipando…

(Uma coisa que não resolveria os problemas, mas pelo menos ajudaria, seria “esconder” a história da possessão (que está no título original e é a primeira cena do filme), e só revelar num flashback na parte final do filme. Pelo menos teríamos o mistério do que está acontecendo. Do jeito que ficou, nem mistério tem.)

Era melhor ter ficado só com o trailer…

Parque do Inferno

Crítica – Parque do Inferno

Sinopse (imdb): Um serial killer mascarado transforma um parque de diversões temático de terror em seu próprio playground pessoal, aterrorizando um grupo de amigos, enquanto o resto dos clientes acredita que tudo faz parte do show.

Dirigido por Gregory Plotkin (Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma), Parque do Inferno (Hell Fest, no original) é apenas mais um slasher comum, cheio de clichês, igual a vários outros que já vimos por aí. O legal aqui é a caprichada ambientação. O parque de diversões temático de terror é bem legal (existem parques assim nos EUA, deu vontade de visitar).

Quem vê slashers gosta de ver mortes graficamente bem filmadas. Bem, Parque do Inferno tem alguns bons momentos assim, principalmente as primeiras mortes. Pena que a parte final é fraca neste aspecto. Aliás, toda a sequência final é bem fraca – por que elas não foram embora do parque?

No elenco principal, seis jovens pouco conhecidos (Courtney Dietz, Bex Taylor-Klaus, Reign Edwards, Christian James, Matt Mercurio e Roby Attal) – nenhum tem carisma, mas também não precisa, afinal, eles estão apenas preenchendo os estereótipos. Tony Todd (o Candyman!) faz uma ponta.

Nada de mais. Mas pode agradar quem estiver atrás de um slasher despretensioso.

Morra Monstro Morra

Crítica – Morra Monstro Morra

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Cruz, um policial rural, investiga o bizarro caso do cadáver de uma mulher sem cabeça encontrado em uma região remota das Montanhas dos Andes. David, marido da amante de Cruz, Francisca, surge como o principal suspeito e é logo enviado para um hospital psiquiátrico. Ele jura que a culpa do crime é da aparição inexplicável e brutal de um “Monstro”. Cruz acaba desencavando uma misteriosa teoria que envolve geometria rural, motociclistas de montanha e um mantra que não sai da sua cabeça: Mate-me, Monstro.

Escrito e dirigido pelo argentino Alejandro Fadel, Morra Monstro Morra (Muere, monstruo, Muere, no original) é a cara da mostra Midnight Movies. Violência, gore, papo cabeça e muito simbolismo.

Primeiro, vamos ao que funciona. Os efeitos de maquiagem são bons, temos algumas cabeças decapitadas, essa parte ficou bem feita. A fotografia do filme também é boa.

Agora, é um filme lento, e cheio de diálogos chatos. E tem outro problema: muita coisa deve ter um simbolismo escondido. E não li o “manual de instruções” do filme. Ou seja, metade do filme não teve sentido. Por exemplo, o que eram aquelas motos que apareciam, davam uma voltinha e iam embora?

Ah, tem um monstro. Sim, aparece no fim do filme. Fica claro o simbolismo por trás dele. Mas o visual do monstro é tão tosco, mas, tão tosco, que não rola. Desculpa, era melhor não aparecer.

Morto Não Fala

Crítica – Morto Não Fala

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Stênio é plantonista noturno no necrotério de uma grande e violenta cidade. Em suas madrugadas de trabalho, ele nunca está só, pois possui um dom paranormal de comunicação com os mortos. Quando as confidências que ouve do além revelam segredos de sua própria vida, Stênio desencadeia uma maldição que traz perigo e morte para perto de si e de sua família.

Terror nacional é algo que precisa ser valorizado, certo? Quando soube que ia ter Morto Não Fala no Festival do Rio, virou uma das minhas prioridades!

Dennison Ramalho chamou a atenção quando escreveu o roteiro de Encarnação do Demônio, em parceria com o próprio José Mojica Marins. Foi parar em Hollywood, onde fez um dos segmentos do irregular O ABC da Morte 2. Agora, depois de roteiros para TV (Supermax, Carcereiros), Ramalho apresenta seu primeiro longa como roteirista e diretor.

Baseado num conto de Marco de Castro, Morto não Fala já começa bem, sendo um filme de terror sério. Vejam bem: gosto de filmes trash. Gosto de filmes que não se levam a sério, como os filmes do Rodrigo Aragão e do Paulo Biscaia. Mas também gosto de ver um terror sério, tenso, nauseante, e bem longe do trash.

Morto não Fala tem muito gore. Claro, o protagonista trabalha num necrotério! A maquiagem está muito bem feita, e os efeitos usados para os mortos falarem ficaram bem legais. A fotografia e os cenários também são ótimos.

Achei o filme um pouco longo demais – quase duas horas. Talvez fosse melhor dar uma enxugada – por exemplo, se você tirar toda a parte do aniversário, o filme não perde nada. Mas nada grave.

O elenco está muito bem, com nomes do mainstream: Daniel de Oliveira, Fabiula Nascimento, Bianca Comparato e Marco Ricca. Não só no elenco, a produção é do Canal Brasil, Casa de Cinema de Porto Alegre e Globo Filmes, e nos créditos li nomes grandes da tv e do cinema nos créditos, como Guel Arraes e Jorge Furtado. Legal, Dennison Ramalho já começou com pedigree. Que o isso ajude o terror nacional a crescer!

Operação Overlord

Crítica – Operação Overlord

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Com apenas algumas horas até o Dia D, uma equipe de paraquedistas americanos invadiu a França ocupada pelos nazistas para realizar uma missão crucial. Com a tarefa de destruir um transmissor de rádio no alto de uma igreja fortificada, os soldados desesperados juntam forças com um jovem aldeão francês para penetrar nas muralhas e derrubar a torre. Mas, em um misterioso laboratório nazista sob a igreja, alguns soldados estão frente a frente com inimigos nunca antes vistos.

Dirigido pelo pouco conhecido Julius Avery, Operação Overlord (Overlord, no original) é uma interessante mistura entre filme de guerra e de terror. Se o diretor é desconhecido, o filme tem um produtor badalado: JJ Abrams – o que criou um boato de que este seria parte do universo Cloverfield (felizmente, boato infundado, o último, Cloverfield Paradox, é tão fraquinho…). Foi curioso ver um videozinho curto com a dupla apresentando o filme antes da sessão, eles pareciam estar meio desconfortáveis…

Operação Overlord não perde tempo com introduções – estamos num avião, no dia D, indo para a Normandia. O filme sabe muito bem construir essa tensão, essa primeira parte é um bom filme de guerra. As cenas iniciais são são estilo Resgate do Soldado Ryan, vemos uma enorme quantidade de navios e aviões no meio da batalha.

Foi uma boa sacada relacionar a “parte terror” às experiências genéticas praticadas por cientistas nazistas. Todos sabemos que essas experiências realmente aconteceram, então, não a mudança de estilo não foi gratuita.

O roteiro dá algumas escorregadas (tipo nenhum nazista ouvir tiros no sótão da asa), mas nada muito grave. Operação Overlord tem boas cenas de ação e alguns bons efeitos de maquiagem (gostei do vilãozão). No elenco, ninguém conhecido, mas ninguém compromete: Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier, Pilou Asbæk e John Magaro.

Operação Overlord não é um “novo clássico”, mas vai divertir quem estiver na pilha. E em breve entra em circuito.

p.s.: Devem ter gostado do diretor Julius Avery, ele já foi anunciado como o diretor da refilmagem de Flash Gordon, o clássico incompreendido da ficção científica oitentista.