Um Lugar Silencioso

um-lugar-silenciosoCrítica – Um Lugar Silencioso

Sinopse (imdb) – Uma família é forçada a viver em silêncio enquanto se esconde de criaturas que caçam pelo som.

Quando acabou a sessão de imprensa de Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, no original), fiquei dividido. Por um lado, é um filme tenso e muito eficiente nessa proposta. Por outro lado, o roteiro tem falhas que dão raiva.

Vamos às qualidades. Um Lugar Silencioso sabe muito bem trabalhar a tensão. Poucas vezes lembro de um filme tão tenso nos últimos anos. O diretor John Krasinski (também ator principal) soube usar todo o silêncio proposto pela trama básica do filme para aumentar os momentos de nervosismo.

Com poucos diálogos, Um Lugar Silencioso explora mais os elementos visuais. Toda a ambientação deste mundo pós apocalíptico ficou muito boa. A boa trilha sonora de Marco Beltrami também ajuda. O pequeno elenco, liderado por uma inspirada Emily Blunt, também está bem. E as criaturas aparecem pouco, seguindo uma linha Alien de “menos é mais”.

O que enfraquece é o roteiro, que abusa de soluções preguiçosas. Sem entrar em spoilers, passei o filme inteiro me perguntando por que não fazer um quarto com isolamento acústico, em vez de ficar em silêncio dentro de casa. E, na boa, nenhum prego fica daquele jeito!

Mas, apesar do roteiro, gostei do resultado final. As qualidades superam os defeitos. Quem gosta de se arrepiar na cadeira do cinema vai curtir.

Medo Profundo

Medo-ProfundoCrítica – Medo Profundo

Sinopse (imdb): Duas irmãs em férias no México estão presas em uma gaiola de tubarão no fundo do oceano. Com menos de uma hora de oxigênio sobrando e grandes tubarões brancos circulando por perto, eles precisam lutar para sobreviver.

Ano passado tivemos Água Rasa, um bom filme de tubarão. Deve ter tido um bom resultado nas bilheterias, afinal resolveram lançar Medo Profundo (47 Meters Down, no original) no circuito – um filme que já estava disponível para download já há um tempo.

Escrito e dirigido pelo pouco conhecido Johannes Roberts, Medo Profundo ganha pontos por ser curto e direto. A história é basicamente o drama das irmãs na gaiola – o medo dos tubarões, a falta de oxigênio, o problema de comunicação com o barco… Não tem nada de inovador, mas pelo menos temos uma tensão claustrofóbica constante ao longo do filme.

No elenco, Mandy Moore e Claire Holt seguram a onda como as irmãs. E Mathew Modine aparece como o dono do barco – achei que Stranger Things tinha valorizado o cachê dele, parece que não.

O fim do filme não é ruim, mas se fosse heu, acabava um minuto antes. Mais não falo por causa dos spoilers…

Enfim, nada de novo, mas vai agradar os menos exigentes.

p.s.: No imdb, existe a página da continuação, 48 Meters Down, ainda em produção. E esta escrito assim “The official sequel to 47 Meters Down, the smash Summer hit of 2017“. Smash summer hit? Seriously?

A Maldição da Casa Winchester

maldição da casa winchesterCrítica – A Maldição da Casa Winchester

Sinopse (imdb): Instalada em sua extensa mansão na Califórnia, a excêntrica herdeira Sarah Winchester acredita ser assombrada pelas almas das pessoas mortas pelo rifle de repetição Winchester.

Será um filme com os irmãos Sam e Dean Winchester, de Supernatural? Ah, não, é outra família Winchester. Em A Maldição da Casa Winchester (Winchester, no original), a família Winchester é a dos fabricantes de armas. Nada a ver com a série…

Filme novo dos irmãos Spierig, os mesmos que fizeram o excepcional O Predestinado uns anos atrás. Por causa de O Predestinado, eles ainda têm crédito comigo, apesar de terem ficado devendo com A Maldição da Casa Winchester (o mesmo aconteceu com Jigsaw, lançado ano passado)

A Maldição da Casa Winchester simplesmente não anda. Um jumpscare aqui, outro ali, no meio de um monte de clichês. O filme até acerta em algumas cenas (como a cena do espelho), mas no geral é tudo chato e previsível demais. A única coisa que realmente chama a atenção é a casa, que, estranhamente, é pouco explorada.

Pior é que essa casa existe, e a casa real parece ser mais interessante do que o que foi mostrado no filme. Catei fotos no Google, deu vontade de conhecer a casa pessoalmente. Taí, pela primeira vez achei que um documentário sobre o local pode ser melhor do que um filme de ficção. A casa parece ser fascinante!

No elenco, não tem como não se decepcionar com a Hellen Mirren. Claro que ela não está mal, mas não precisava de uma atriz do porte dela, qualquer uma faria esse papel. Também no elenco, Sarah Snook, Jason Clarke, Finn Scicluna-O’Prey, Eamon Farren e Bruce Spence. E, pra quem não reconheceu, Angus Sampson é o Tucker de Sobrenatural.

A Maldição da Casa Winchester não chega a ser ruim, mas, infelizmente, também está longe de ser bom.

Verónica

VeronicaCrítica – Verónica

Sinopse (imdb): Madri, 1991. Uma menina adolescente encontra-se cercada por uma força sobrenatural maligna depois de ter jogado Ouija com duas colegas de classe.

Filme novo do Paco Plaza!

Plaza sempre terá meu respeito e admiração, mas com um pé atrás. Explico. Pra quem não reconheceu o nome, Plaza co-dirigiu REC, ao lado de Jaume Balagueró. O primeiro REC é um filmaço, mas suas continuações são bem mais fracas. E o piorzinho dos quatro é o terceiro – justamente o que teve Plaza sozinho na direção. E agora, será que ele acertou?

Bem, Verónica não é um REC, mas pelo menos é bem melhor que o REC 3

Hoje em dia estamos acostumados com terror “padrão Blumhouse”. Europeu, Verónica tem outra pegada. Temos um terror sério, com pouco cgi e poucos jumpscares, não tem o jeitão “trem fantasma de parque de diversões” que rola em Hollywood.

Verónica diz que se baseia em fatos reais, que teriam acontecido em Madri nos anos 90. Se é verdade ou não, não tem como saber… Mas no fim do filme aparecem umas fotos, supostamente do caso real. Fake ou não, ficou legal.

O elenco é bom. É o primeiro (e até agora único) filme da protagonista Sandra Escacena. Gostei das crianças, o garoto Iván Chavero é muito carismático. Também no elenco, Ana Torrent e Consuelo Trujillo. E Leticia Dolera faz uma ponta como uma das freiras professoras.

Como disse lá em cima, Verónica não é um REC. Mas mesmo assim é melhor que muito terror americano.

Sobrenatural: A Última Chave

Sobrenatural 4Crítica – Sobrenatural: A Última Chave

Sinopse (imdb): A parapsicóloga Elise Rainier enfrenta sua assombração mais temível e pessoal até agora – na casa de sua própria família.

Se heu fosse dar um título a este texto, seria “A falta que James Wan faz”.

James Wan é um dos maiores nomes do terror atual. Depois do primeiro Jogos Mortais, excelente apesar de ser um “torture porn”, ele largou o gore e foi fazer bons filmes de fantasmas, com Sobrenatural e A Invocação do Mal. Claro que ambos viraram franquias. E claro que Wan saiu da cadeira de diretor pra seguir com outros projetos onde ele provavelmente está ganhando mais dinheiro (o Velozes e Furiosos que ele dirigiu é, hoje, em janeiro de 2018, a sexta maior bilheteria da história; e, no fim do ano, ele vem com Aquaman, sua estreia no universo dos super heróis).

Como as franquias não podem parar, vamos pegar um diretor qualquer (o desconhecido Adam Robitel) e seguir com mais um prequel (o filme anterior já tinha sido um prequel). E aqui está o grande problema de Sobrenatural: A Última Chave (Insidious: The Last Key, no original): o filme é chato e sem clima nenhum – digam o que quiserem, mas Wan sabe muito bem como criar clima de tensão

Ok, temos alguns bons jump scares, e admito que gostei do plot twist. Mas no geral, é tudo muito chato. Sobrenatural: A Última Chave se arrasta ao longo de uma hora e quarenta e três minutos… Sono…. Isso sem contar o final péssimo.

No elenco Lin Shaye manda bem, como aconteceu nos outros filmes. Por outro lado, a dupla Angus Sampson e Leigh Whannell (também roteirista) parece que perdeu a mão nas piadinhas (mas confesso que gostei do trocadilho “she is psychic, we are sidekicks). Também no elenco, Kirk Acevedo, Tessa Ferrer, Bruce Davison, Caitlin Gerard e Spencer Locke. Ah, o “monstro” é uma figura magra e alta, né? Poizé, é o Javier Botet, o mesmo que estava no Mama, REC, Invocação do Mal 2, A Colina Escarlate, e todos os filmes que precisem de uma criatura alta e magra…

Acho que quem viu os outros três filmes vai acabar indo ao cinema. Mas, sei lá, pra quem não é fã, talvez seja melhor (re)ver o primeiro filme…

Final Girl

final-girlCrítica – Final Girl

Sinopse (imdb):Um homem ensina uma jovem a se tornar uma arma completa. Mais tarde, ela é abordada por um grupo de adolescentes sádicos que matam mulheres loiras por razões desconhecidas. Começa a temporada de caça.

Alguém – não me lembro quem – me recomendou um filme de terror “final girl”. Achei esse aqui, mas só depois de assistir é que descobri que era outro filme com nome parecido.

Antes de tudo, preciso falar que achei o nome inapropriado. “Final girl” é um termo usado em filmes de terror, normalmente slasher, quando sobra uma última mulher viva para enfrentar o assassino, tipo a Jamie Lee Curtis em Halloween, a Heather Langenkamp em A Hora do Pesadelo, ou mesmo a Sigourney Weaver em Alien. Na verdade, Final Girl nem chega a ser exatamente terror (é mais um filme de vingança), muito menos um filme de “final girl”…

Mas gostei da estética do filme. Final Girl tem uma fotografia minimalista e cenários estilizados. Se por um lado tudo parece artificial demais (tipo spots de luz numa floresta), por outro temos um conceito visual diferente do que vemos por aí.

O diretor Tyler Shields veio da fotografia, este é o seu primeiro filme. Isso explica o visual elaborado – quase todas as cenas são visualmente trabalhadas.

Li que Final Girl teve vários problemas em sua produção. As filmagens aconteceram em 2012, mas o filme só foi lançado em 2015. A protagonista Abigail Breslin tinha 16 anos na época das filmagens, mas já era “de maior” quando o filme foi lançado. Também no elenco, Wes Bentley e Alexander Ludwig.

O resultado é bem irregular. Mas achei válido, principalmente porque é um filme curtinho, menos de uma hora e meia. Só não espere um grande filme.

p.s.: O filme que me recomendaram era “The Final Girls”, lançado no mesmo ano…

A Babá

A BabáCrítica – A Babá

Sinopse (imdb): Os acontecimentos de uma noite têm uma terrível e inesperada reviravolta para um jovem tentando espionar sua babá.

Pouco a pouco a Netflix vai se firmando como uma produtora de conteúdo. A novidade agora é um terror slasher com um pé no trash.

A Babá (The Babysitter, no original) é terror, mas é um terror leve e divertido, coerente com a carreira do diretor McG (que fez os dois filmes d’As Panteras, Guerra é Guerra e 3 Dias Para Matar). Em momento nenhum o filme tenta assustar o espectador, e o gore é controlado – dá pra ter “nojinho”, mas não precisa virar o rosto.

Algumas mortes são acidentais (não me lembro se todas). Neste aspecto, o menos conhecido Tucker and Dale vs Evil é mais eficiente e mais divertido. Mas como ninguém viu Tucker and Dale, deixa pra lá…

O elenco principal funciona bem, a dupla Judah Lewis e Samara Weaving está bem como o adolescente e sua babá gostosa – a interação entre os dois é convincente. No resto do elenco, Bella Thorne, Leslie Bibb, Ken Marino, Robbie Amell, Hana Mae Lee e Emily Alyn Lind fazem o feijão com arroz. Alguns estão caricatos, mas o filme pede personagens assim.

A Babá não é lá grandes coisas, mas o fato de ser despretensioso ajuda. Em momento algum o filme se leva a sério. Assim, quem estiver no clima certo pode se divertir.

Jogos Mortais: Jigsaw

JigsawCrítica – Jogos Mortais: Jigsaw

Sinopse (imdb): Corpos estão aparecendo ao redor da cidade, cada um tendo encontrado uma morte excepcionalmente horrível. À medida que a investigação prossegue, a evidência aponta para um suspeito: John Kramer, o homem conhecido como Jigsaw, morto há dez anos.

Quando a franquia Jogos Mortais anunciou que o sétimo filme seria o último, me perguntei se eles realmente iam parar. Cheguei a acreditar que sim, afinal, desde 2010 não tivemos outros filmes. Mas a regra da Hollywood contemporânea é: “vamos ganhar dinheiro com continuações”. Assim, ressuscitaram a franquia…

Antes de falar do filme novo, preciso admitir que não lembro de quase nada dos filmes dois ao sete, só lembro que a qualidade ia caindo a cada novo filme (só defendo o primeiro, de 2004, que continua sendo um dos melhores filmes de terror da década passada). E posso afirmar: não precisa conhecer toda a cronologia do vilão Jigsaw para entender este novo filme.

Vamos ao filme: sinto dizer que é mais do mesmo. Algumas armadilhas criativas (mas nada de deixar boquiaberto), alguma tensão (mas nada de deixar o público retorcendo na cadeira), algum gore (mas sem exageros). Uma coisa legal para quem acompanha é que armadilhas de filmes anteriores são citadas. Mas, para um reboot de uma franquia que começou tão bem, é pouco, não acham?

No elenco , ninguém se destaca. Gosto do Callum Keith Rennie desde que ele fez BSG, mas aqui ele está no automático. Tobin Bell – o Jigsaw – faz uma rápida aparição, meio que pra validar a franquia. Também no elenco, Laura Vandervoort, Matt Passmore, Hannah Emily Anderson e Clé Bennett.

Sobre o plot twist final, reconheço que resolveu alguns furos do roteiro. Agora, quem é fã da série vai se lembrar que um dos outros filmes tem um plot twist bem parecido… Mais não falo pra não entrar nos spoilers!

No fim, o resultado é apenas ok. O que é uma pena, porque é clara a intenção de retomar a franquia e fazer novos filmes.

A Noiva

a noiva

Crítica – A Noiva

Sinopse (imdb): A prática incomum de fotografar parentes mortos na Rússia rural do meio dos anos 1800 conectará uma estudante de Filologia com a história familiar abismal do futuro marido.

Terror russo! Será que presta? Infelizmente não…

A ideia era boa – uma antiga lenda russa de espíritos aprisionados em negativos. Mas sabe quando não fazem da maneira certa? Escrito e dirigido por Svyatoslav Podgaevskiy, A Noiva (Nevesta, no original) é um amontoado de clichês numa trama pra lá de previsível. E, pecado grave em se tratando de terror: não dá medo.

E a parte final não faz o menor sentido. Aviso de spoilers abaixo:

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Se o cara conhece os rituais da família, pra que levar a noiva justamente naquele fim de semana?

FIM DOS SPOILERS!

Pra piorar, a cópia que vai para os cinemas está dublada em inglês. E a dublagem é péssima! Dá pra ver que a dublagem brasileira vive um momento muito melhor. A dublagem americana faz tudo ficar ainda mais artificial.

Acho uma pena. Quero ver filmes off Hollywood – recentemente gostei do coreano Invasão Zumbi e do turco Baskin. Mas este A Noiva chega a ser pior que o conterrâneo Guardiões e seus super heróis genéricos.

A Morte te dá Parabéns

A Morte te Da ParabensCrítica – A Morte te dá Parabéns

Sinopse (imdb): Um estudante universitária deve reviver o dia do seu assassinato seguidas vezes, em um loop que acabará apenas quando ela descobrir a identidade do seu assassino.

Ok, a gente já viu isso antes. Várias vezes. Mas quem me conhece sabe que respeito boas ideias recicladas, desde que sejam bem recicladas.

A Morte te dá Parabéns (Happy Death Day, no original) é um caso assim. Não tem nada de novidade aqui: um pouco de Feitiço do Tempo, um pouco de Pânico, um pouco de Meninas Malvadas, um monte de clichês. Mas a mistura “deu liga”, e o filme consegue o que se propõe: ser uma boa diversão.

Dirigido por Christopher Landon (Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi), A Morte te dá Parabéns pega aquele monte de clichês e coloca tudo num formato bem humorado. Em momento algum o filme se leva a sério, e isso é muito bom.

O roteiro tem algumas falhas (tipo, quando ela faz uma lista, a lista deveria zerar a cada morte). Nada grave, felizmente. No elenco, ninguém conhecido. A protagonista Jessica Rothe (que teve um papel pequeno em La La Land) funciona para o que o papel pede.

O fim do filme não abre espaço para continuações. Mas tenho certeza que se a bilheteria for boa, vão inventar algum modo de virar franquia.

p.s.: Sobre A Morte te dá Parabéns ser uma ideia copiada de Feitiço do Tempo, um diálogo no fim do filme faz piada com isso…