Renascido das Trevas

Renascido das Trevas

Morto no fim do ano passado, Dan O’Bannon, roteirista de Alien e Força Sinistra, só dirigiu dois longas: o genial A Volta dos Mortos Vivos, e este quase desconhecido Renascido das Trevas.

Uma mulher procura um detetive particular para tentar descobrir o paradeiro de seu marido. A princípio, o detetive desconfia que se trata de um simples caso de “pulada de cerca”, mas logo descobre que está entrando num universo muito mais sinistro.

O filme foi baseado em The Case of Charles Dexter Ward, o único romance escrito por H.P. Lovecraft, um dos maiores nomes da literatura de horror. Os textos de Lovecraft são sérios. Aqui, não cabia um tom engraçado, como O’Bannon tão bem soube fazer em A Volta dos Mortos Vivos. E ele mostra que também sabe fazer filme de terror sério. Mesmo na parte final, quando entramos no mundo subterrâneo onde vivem as estranhas criaturas, tão comuns em histórias “lovecraftianas”, o filme não cai na galhofa.

Ok, os efeitos especiais já “perderam a validade”, e não dão mais medo em ninguém. Mas não são toscos, o filme não tem cara de trash!

O elenco traz um nome famoso entre os fãs de filmes de terror dos anos 80: Chris Sarandon, de A Hora do Espanto, um dos mais divertidos filmes de vampiro da década. Além de Sarandon, John Terry, Jane Sibbet e Robert Romanus.

Vou contar um “causo” curioso que envolve este filme. Ele nunca foi lançado em dvd – nem aqui, nem lá fora. Mas existe na internet para baixar. Ok, baixei e assisti. Depois disso, revirando os meus vhs velhos e mofados – aqueles que separei “pra ver um dia” – não é que achei este filme? Tá lá, no armário…

Seventh Moon

Seventh Moon

Um casal de americanos (ele, descendente de chineses) passa a lua de mel na China. Ao visitar um lugar ermo, o motorista que os acompanha some e estranhos eventos começam a acontecer, devido ao misterioso sétimos mês lunar.

Seventh Moon é interessante, o clima de tensão é bom, mas tem uma coisa realmente incômoda: a câmera na mão, tremendo o tempo todo, ao longo de todo o filme. Aí a gente lê os créditos e vê que o diretor é Eduardo Sanchez, o mesmo de Bruxa de Blair. Ora, num filme do estilo “reality cinema” com câmera subjetiva como Bruxa de Blair (filmado pelos próprios atores), isso funciona. Mas aqui a gente se pergunta: a câmera trêmula é algo realmente necessário? Na minha humilde opinião, não, isso atrapalha o desenvolvimento do filme.

Além disso, achei que o filme se perde na parte final. Aquele trecho dentro da caverna com água foi completamente desnecessário…

No elenco, apenas um nome conhecido, Amy Smart, de Adrenalina, Espelhos do Medo e Efeito Borboleta. O resto do elenco não chama a atenção.

Mesmo assim, a trama é simples e direta, e as criaturas causam alguns sustos legais, o que pode agradar aos fãs de filmes de terror. Seventh Moon pode ser uma boa opção para aqueles de expectativa baixa passarem uma hora e meia.

Abismo do Medo 2 – The Descent Part 2

Abismo do Medo 2 – The Descent Part 2

Dirigido por Neil Marshall (Cães de Caça, Juízo Final), o primeiro Abismo do Medo foi um dos melhores filmes de terror de 2005. Claro que ia ter uma continuação, né?

Esta segunda parte começa logo depois que acaba o primeiro filme. Sarah, a única sobrevivente, é resgatada e levada ao hospital, ainda em choque. Mas o xerife quer levá-la de volta às cavernas para tentar achar alguma outra sobrevivente. E, uma vez lá embaixo, tudo começa de novo…

Acredito que todos que vão ver este filme também assistiram o primeiro, certo? Então, ninguém vai ficar decepcionado. Esta segunda parte traz o mesmo clima claustrofóbico do primeiro filme. Temos também alguns bons sustos e algum gore. Novidades? Nenhuma, claro! Simplesmente uma continuação, sem nada de novo.

A direção coube ao esteante Jon Harris, que antes era editor, e trabalhou em diversos filmes, como o primeiro Abismo do Medo e Snatch. E o elenco repete dois nomes do primeiro filme, Shauna Macdonald e Natalie Jackson Mendoza. De resto, ninguém conhecido.

De um modo geral, achei o filme claro demais. Caramba, eles estão nas profundezas das cavernas, sem nenhuma fonte de luz! Mas acho que isso também acontece no primeiro filme. E outra coisa que achei estranha é que acredito que aquelas criaturas cegas deveriam ter uma audição melhor, não?

Mas, na verdade, o que mais me incomodou não foi isso. Porém, antes de falar, preciso de um aviso de spoiler do primeiro filme!

SPOILER!

SPOILER!

SPOILER!

Vocês se lembram do fim do primeiro filme? Sarah consegue fugir da caverna, entra num carro e vai embora. Até que, de repente, acorda! Ela nunca tinha saído da caverna! E assim acaba o filme.

Como assim, o segundo filme começa com ela já fora da caverna??? Como é que ela saiu???

FIM DO SPOILER!

Enfim, um filme interessante para os fãs do primeiro Abismo do Medo, mas nada essencial.

E que venha a parte 3!

[Rec] 2

[Rec] 2

[Rec] foi um dos melhores filmes de 2007. Lançado na mesma época que o hollywoodiano Cloverfield, o espanhol [Rec] trouxe um sopro de criatividade ao cinema de horror. Um filme simples, usando a câmera subjetiva com maestria, com poucos (e eficientes) efeitos especiais e sem ninguém conhecido no elenco. Foi um dos filmes mais assustadores dos últimos anos!

Aí anunciaram esta continuação. Vou confessar que fico “bolado” sempre que leio sobre continuações de filmes que gosto. Por um lado, é legal voltar ao universo e aos personagens do filme original. Mas, por outro lado, a chance de dar errado é grande – quase sempre a continuação é muito inferior ao original.

Felizmente, não é o caso aqui. [Rec] 2 pode não ser tão bom quanto o primeiro, mas não decepcionará ninguém!

[Rec] 2 começa exatamente onde o primeiro filme acaba. Policiais equipados com câmeras vão entrar no prédio isolado, escoltando uma autoridade do Ministério da Saúde. Lá dentro, surpresas os aguardam…

É difícil falar muito sem spoilers. Mas posso dizer que há uma grande reviravolta na história, logo no começo do filme. Aquilo que vimos no primeiro filme não é exatamente o que pensávamos!

Ah, sim, como o primeiro filme, [Rec] 2 continua usando somente a câmera subjetiva. Tudo o que passa na tela é filmado pelos atores. E, como acontece no primeiro filme, o roteiro sabe muito bem utilizar este artifício.

Por uma opção narrativa, a segunda parte do filme é um pouco mais lenta que a primeira (é difícil falar mais sem soltar spoilers!). Mesmo assim, o filme nunca fica chato. E reserva uma boa surpresa para o fim!

Os diretores são os mesmos do primeiro filme, Jaume Balagueró e Paco Plaza. Espero que mantenham a equipe para a terceira parte!

The Crypt

The Crypt

E vamos a mais um filme ruim, muito ruim…

Um grupo de jovens delinquentes invade um labirinto de catacumbas para roubar jóias que estão enterradas com os cadáveres. Só que fantasminhas aparecem para proteger as jóias.

O filme é tão ruim que nem sei por onde começar a falar mal. Começarei pelos tais fantasminhas, tosquérrimos, que aparecem de vez em quando, e que não assustam ninguém.

As atuações são todas péssimas, sem excessão. Os personagens não ajudam – de vez em quando há um questionamento, uma tentativa de conflito partindo de um deles, mas este logo deixa o conflito pra lá.

E os cenários? Corredores de criptas subterrâneas deveriam ser escuras, não? E ainda piora, quando as meninas vão para a água, uma água límpida e cristalina…

O roteiro é coerente com tudo de ruim que já rolou por enquanto. Furos no roteiro, cenas desnecessárias, outras sem sentido… Enfim, ruim como o resto do filme.

Nem perca tempo…

Eles Vivem

Eles Vivem

Um dos melhores filmes de John Carpenter!

Um trabalhador, recém chegado numa cidade, acidentalmente descobre uma caixa de óculos escuros. Ao colocar os óculos, descobre que todos os anúncios contém mensagens de ordem, como “obedeça” ou “continue dormindo”. Mais: descobre que alienígenas estão entre nós, disfarçados! Fomos invadidos por outro planeta, que está discretamente corrompendo e dominando o nosso mundo!

A gente pode ver Eles Vivem de duas maneiras diferentes. Pode ser um divertido filme sobre alienígenas invadindo e tomando conta da Terra. Ou pode ser uma metáfora para a invasão comunista, medo que assombrava os EUA décadas atrás. Na verdade, vários filmes de ficção científica desta época são assim, falando de um misterioso invasor que muda a cabeça do americano típico. Um bom exemplo é Invasores de Corpos (que já foi refilmado três vezes), onde as pessoas são trocadas por cópias sem sentimento.

E John Carpenter é o melhor cara em Hollywood para fazer um filme destes. Ele consegue criar esse clima de filme “B” como poucos!

Roddy Piper, Keith David e Meg Foster encabeçam um elenco sem nomes famosos. Bem, mais ou menos, Piper era lutador de luta livre. Inclusive, a longa luta de mais de cinco minutos entre ele e David era para durar apenas 20 segundos, mas os atores resolveram lutar de verdade (apenas evitando golpes no rosto e nas “partes baixas”), e ensaiaram esta luta por três semanas. A luta ficou tão boa que Carpenter a deixou inteira

(A melhor frase do filme, “I have come here to chew bubble gum and kick ass, and I’m all out of bubble gum” (“Eu vim aqui para mascar chicletes e meter p%$#rrada, e acabaram os meus chicletes”), foi improvisada por Roddy Piper. Ele usava frases assim nas entrevistas que dava na época das lutas.)

Uma curiosidade sobre o protagonista: assim como acontece em Clube da Luta, em nenhum momento seu nome é dito durante o filme. Pelos créditos, vemos que o nome do personagem é “Nada”. Tudo a ver com o filme, não?

Infelizmente Eles Vivem nunca foi lançado aqui no Brasil em dvd… Sorte que consegui comprar um dvd original gringo!

Legião / Legion

Legião

Sabe quando um filme promete ser legal, e até começa bem, mas de repente se perde, e a gente fica com aquela sensação de que poderia ter sido bem melhor? Isso acontece com Legion, que deve se chamar Legião quando estrear por aqui.

A trama começa bem, usando aquele clichê de pessoas desconhecidas tendo que se unir contra forças misteriosas depois da chegada de um estranho, num restaurante no meio do nada. Lembrei de Banquete do Inferno, que usa esse clichê muito bem!

O início do filme é muito bom. A cena da velhinha é sensacional – toda a seqüência, desde o momento que ela chega no restaurante. A parte do sorveteiro também é legal. Mas depois disso, parece que acabaram as boas ideias. Nada mais interessante acontece, nem mesmo a entrada de mais um anjo na briga serve para trazer o filme de volta ao ritmo inicial.

O elenco é até bom para um filme de terror de orçamento modesto. Paul Bettany está bem como o anjo Miguel. Dennis Quaid está um pouco careteiro demais, ele é um bom ator, heu esperava mais dele. Gostei da escolha do grandalhão Kevin Durand, o Keamy de Lost, para viver o anjo Gabriel. O resto do elenco, Lucas Black, Adrianne Palicki, Charles S. Dutton, Tyrese Gibson, Kate Walsh e Willa Holland, funciona dentro do esperado.

Não achei o filme tão ruim quanto alguns caras no imdb estão falando. Mas, que foi uma decepção para quem viu o trailer, ah, isso foi!

Demons

Demons

Um grupo de pessoas se vê preso dentro de um cinema em Berlim, onde está passando um filme de terror com demônios que se espalham como um vírus. No cinema, assim como no filme, demônios começam a tomar conta das pessoas – quem é ferido, vira outro demônio.

A ideia é genial, não? Este é um perfeito exemplo de “giallo” italiano dos anos 80. Muito sangue, muito gore, e… Precisa de mais?

Vou contar uma história que aconteceu comigo. Tive uma boa adolescência cinéfila nos anos 80, vi muita coisa na tela grande. Nem sempre em bons cinemas, como foi o caso deste Demons. Vi este filme no finado Studio Copacabana, um cinema bem poeira que tinha na Raul Pompéia, perto de onde hoje tem a Le Boy. É legal ver num cinema vagabundo um filme onde pessoas são atacadas por demônios num cinema vagabundo!

Demons foi dirigido por Lamberto Bava, filho do mestre do terror Mario Bava. E outro mestre, Dario Argento, produziu e escreveu o roteiro. O filme tem pedigree!

As atuações são exageradas, como sempre foi comum em filmes italianos do gênero. E, aparentemente, os atores foram dublados em inglês, o que só piora. Por outro lado, os efeitos especiais e de maquiagem, a cargo de Sergio Stivaletti, são ótimos (dentro da proposta trash, claro!).

Enfim, ótima opção para aqueles que sabem apreciar uma bela tosqueira, como este que vos escreve!

O Lobisomem

O Lobisomem

Uêba! Filme de terror novo nos cinemas cariocas! Refilmagem do filme homônimo de 1941, este novo O Lobisomem entrou em cartaz na sexta de carnaval.

A trama não traz muitas novidades. Lawrence Talbot (Benicio Del Toro), afastado da família há anos, volta por causa da morte de seu irmão, atacado por uma criatura misteriosa. Não demora muito, ele mesmo também é atacado, e se transforma num lobisomem.

O clima do filme dirigido por Joe Johnston (Jumanji, Parque dos Dinossauros III) é muito legal. A reconstituição de época está ótima, emoldurada pela inspirada trilha sonora de Danny Elfman.

Os efeitos de maquiagem, ah, estes merecem um parágrafo à parte. Rick Baker, seis vezes ganhador do Oscar de melhor maquiagem, estava trabalhando em Norbit quando soube que estavam refilmando O Lobisomem. Procurou então o estúdio Universal e se ofereceu para trabalhar nele. Ele se inspirou para esta profissão com o Lobisomem original, de 41, e o seu primeiro Oscar foi justamente por Um Lobisomem Americano em Londres – que traz, até hoje, a melhor transformação em lobisomem da história do cinema! (Os outros Oscars de Baker foram por Um Hóspede do Barulho, Ed Wood, O Professor Aloprado, MiB e O Grinch, e ele foi indicado outras cinco vezes).

Não sei se as transformações aqui são tão boas quanto Um Lobisomem Americano em Londres. Mas, se não são, chegam perto. São, sem dúvida, uma das melhores coisas do filme.

(Pequeno parênteses para falar mal de filme ruim. Os caras responsáveis pelos lobisomens de Lua Nova devem ter ficado com vergonha ao ver o lobisomem daqui. Tanto no visual – este dá medo, o outro parece um efeitozinho vagabundo de cgi; quanto na transformação – aquele “lobinho” se transformando no meio de um pulo!)

A princípio, achei esquisito a escolha de Benicio Del Toro para ser um inglês filho do Anthony Hopkins, acho ele muito latino para isso. Mas depois de ver o filme, a gente vê que Del Toro é “o cara”. Não só ele é um excelente ator, como ele tem cara de lobisomem…

Além de Del Toro e Hopkins, o elenco conta com Emily Blunt, Hugo Weaving, Geraldine Chaplin e ainda rola uma ponta do próprio maquiador Rick Baker, como o primeiro cigano a ser atacado.

Alguns críticos estão falando que falta originalidade no roteiro. Ora, trata-se da refilmagem de um filme feito há quase sete décadas! Claro que não é original! Mas que funciona muito bem, ah, não há dúvidas quanto a isso.

Boa opção para os fãs de terror!

2019 – O Ano Da Extinção – Daybreakers

2019 – O Ano Da Extinção – Daybreakers

Confesso que já fazia um tempo que heu estava pilhado para ver este filme, desde que li que o protagonista Ethan Hawke declarou que “Daybreakers é o antídoto para Crepúsculo“! (Aliás, a primeira cena, quando um vampiro queima no sol, parece ser uma resposta a Crepúsculo!)

A ideia é muito boa. No futuro, vampiros tomaram conta e viraram a raça dominante. Os poucos humanos que sobraram são caçados e usados como gado, para ter o seu sangue extraído e comercializado. Só que a raça humana está entrando em extinção, e levando os vampiros à fome!

O filme foi escrito e dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spierig, os mesmos australianos responsáveis pelo esquisito filme de zumbis Canibais (Undead). Desta vez, os Spierig tinham um orçamento melhor. O visual do filme, com a fotografia azulada, é muito legal – como são vampiros, a maior parte das cenas é à noite. E os efeitos são muito bem feitos.

O elenco conta com nomes famosos como Sam Neill, Willem Dafoe e Isabel Lucas, além do já citado Hawke. Além deles, completam o elenco a australiana Claudia Karvan e o neo-zelandês Michael Dorman, meio desconhecidos por aqui.

2019 – O Ano Da Extinção – Daybreakers não vai mudar a vida de ninguém, mas pelo menos é divertido!