Crítica – A Longa Marcha – Caminhe ou Morra
Sinopse (imdb): Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual conhecido como “The Long Walk”, no qual eles devem manter uma certa velocidade de caminhada ou levar um tiro.
É um bom ano pra quem gosta de adaptações de Stephen King. Já tivemos O Macaco e A Vida de Chuck. A Longa Marcha – Caminhe ou Morra é o terceiro de 2025. E mais pro fim do ano deve estrear O Sobrevivente.
O livro A Longa Marcha foi lançado em julho de 1978. Segundo a Wikipedia, foi o sexto livro escrito por Stephen King, sob o pseudônimo de Richard Bachman (por coincidência, em O Sobrevivente ele também usou o mesmo pseudônimo). Segundo o imdb, George Romero pretendia adaptar o livro em 1988, mas não rolou. Anos depois, nos anos 2000, Frank Darabont chegou a comprar os direitos, mas não desenvolveu o filme e o prazo expirou.
Por que demorou tanto tempo? Não sei. Mas, visto hoje, parece uma versão de filmes de distópicos para jovens adultos, como Jogos Vorazes. Quando Stephen King escreveu o livro, ele tinha em mente a Guerra do Vietnã, e como jovens eram levados para a morte. Mas, nos dias de hoje, quando estamos acostumados com reality shows, a trama ganhou outro olhar. 50 jovens participam de uma prova onde precisam andar, sempre no mesmo ritmo. Quem parar ou apenas diminuir o ritmo morre executado. O jogo só acaba quando só sobra um vivo. Consigo ver essa prova – sem as mortes – transmitida pela tv.
A direção é de Francis Lawrence – coincidência ou não, diretor de três Jogos Vorazes. O roteirista é JT Mollner, do excelente Strange Darling. Admito que quando li o nome do roteirista, achei que veria algo fora do convencional, mas, diferente daquele filme, o roteiro aqui é linear. Mesmo assim, o roteiro é muito bom, são muitos bons diálogos, dá vontade de continuar acompanhando aquela galera e suas histórias.
O protagonista Cooper Hoffman declarou que durante as filmagens eles andavam 15 milhas por dia – disse que foram 400 milhas no total. Parte do cansaço mostrado pelos personagens é real! As filmagens foram em ordem cronológica, e os atores não se conheciam antes. Ao longo dos dias de filmagem andando, eles foram se conhecendo melhor. Boa sacada, isso acontece com os personagens ao mesmo tempo que com os atores.
O elenco traz jovens ainda pouco conhecidos, como Cooper Hoffman (Licorice Pizza), David Jonsson (Alien Romulus), Ben Wang (Karate Kid Lendas) e Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit). São apenas dois nomes famosos entre os “adultos”, Judy Greer, como a mãe do protagonista, e Mark Hamill como o Major, o grande símbolo do autoritarismo desta sociedade distópica.
A Longa Marcha está sendo vendido como filme de terror. Acho isso um erro. O filme fica entre o thriller e o drama, não tem nada de terror. Talvez apenas a primeira morte seja um pouco mais gráfica. Provavelmente vai ter espectador decepcionado nas salas de cinema.
Queria comentar a cena final. Mas, claro, é a cena final, preciso de um aviso de spoilers.
SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!
No fim, sobram os dois principais, que chegam a um local onde tem uma multidão em volta. Quem ganhar tem direito a um desejo. Ray diz que ia pedir uma carabina pra matar o Major – que anos antes matou seu pai. Mas Ray desiste da prova pra deixar McVries ganhar. McVries então resolve vingar o amigo, pede a carabina e mata o major. Depois, larga a carabina no chão, e segue andando. Mas vejam que ele agora está sozinho, não tem mais ninguém em volta. Cadê a multidão? O filme não deixa claro, mas a minha interpretação é que mataram ele quando atirou no major. O que você acha que aconteceu?
FIM DOS SPOILERS!
A Longa Marcha teve uma sessão em SP com esteiras para alguns espectadores assistirem ao filme andando. Boa ideia, deve ser uma boa experiência, pena que não teve no Rio.








