Confinado

Crítica – Confinado

Sinopse (imdb): Um ladrão que arromba um carro de luxo percebe que caiu em um sofisticado jogo de terror psicológico.

E vamos para um filme hollywoodiano que é refilmagem de um brasileiro! Bem, mais ou menos. Confinado (Locked, no original) é refilmagem do brasileiro A Jaula, que por sua vez é refilmagem do argentino 4×4. Ou seja, na verdade o argentino é que é o original.

Dirigido por David Yarovesky (Brightburn), Confinado conta a mesma história dos dois filmes anteriores: um ladrão arromba um carro de luxo, mas acaba preso dentro do veículo, porque o dono fez uma armadilha. Quase todo o filme se passa dentro do carro, com diálogos pelo telefone entre o ladrão e o dono do carro.

Quando A Jaula foi lançado, vi também o 4×4. Os dois filmes são muito parecidos. Já Confinado tem o mesmo começo, mas o terço final é um pouco diferente, porque nos outros filmes o carro está o tempo todo estacionado, e aqui o veículo é autônomo e, em determinado momento, sai do estacionamento, criando umas cenas de perseguição que inexistiam nas outras versões.

Confinado é semelhante aos outros dois, tanto no ponto positivo quanto no negativo. Os filmes conseguem criar um bom clima no cenário restrito do interior do carro, usando criatividade em ângulos e posicionamentos de câmera. Por outro lado, os três filmes começam bem, levantam bons questionamentos sociais, mas se perdem na parte final. Os dois personagens, tanto o ladrão quanto o dono do carro, são seres detestáveis, nenhum espectador vai se identificar com eles. Mas, assim como nos filmes latino americanos, Confinado não traz uma boa conclusão para as questões levantadas.

O que se salva são os dois atores principais. Bill Skarsgard aos poucos vai construindo um ótimo currículo, e está muito bem aqui, o que é essencial, já que quase todo o filme é em cima dele sozinho no carro. E Anthony Hopkins dispensa comentários, ele é bom até quando está mal – o que acontece depois que ele aparece em pessoa (sim, era melhor só ao telefone).

Vale pra quem não viu nenhum dos dois anteriores. Ou para fãs dos dois atores. Mas não espere muita coisa.

O Ritual

Crítica – O Ritual

Sinopse (imdb): Dois padres, um questionando sua fé e outro contando com um passado conturbado, onde devem deixar de lado suas diferenças para salvar uma jovem possuída através de uma sequência difícil e perigosa de exorcismos.

Filme novo de exorcismo, vai entrar no circuito, tem ator bom no elenco… E é ruim com força!

Heu tinha expectativa zero para O Ritual (The Ritual, no original), e mesmo assim o resultado decepcionou. A trama se arrasta acompanhando vários rituais de exorcismo – todos iguais. Não existe nada de criativo na tela, só os mesmos clichês “cansados” de sempre. Sons gururais e vômito não amedrontam mais ninguém!

O Ritual não assusta, em momento nenhum. Causa mais sono do que medo. Digo mais: o diretor David Midell resolveu usar uma câmera na mão, trêmula, com uns closes repentinos. Acho que ele deve ter pensado que isso daria uma tensão maior, mas na verdade toda hora lembrava The Office. E se um filme de terror lembra The Office, é porque errou feio, errou rude.

Ok, tem o Al Pacino. Por ele, O Ritual não ganha nota zero. Ele traz alguma graça ao seu personagem de padre exorcista (ele já teve experiência no outro lado, né? Foi o diabo em Advogado do Diabo). O personagem dele é bom. Pena que é o único elogio possível aqui.

Porque todo o resto do filme é desnecessário. Forte candidato à lista de piores do ano aqui no heuvi.

Faça Ela Voltar

Crítica – Faça Ela Voltar

Sinopse (imdb): Um irmão e uma irmã descobrem um ritual aterrorizante na casa isolada de sua nova mãe adotiva.

Às vezes tenho a impressão de que alguns realizadores querem ser lembrados por terem produzido imagens fortes, com o objetivo de chocar. Como Irreversível e Saló, dois filmes que têm suas qualidades cinematográficas, mas que as pessoas sempre se lembram por causa das cenas chocantes. E me parece que os irmãos Danny e Michael Philippou queriam entrar nesse caminho com seu novo filme, Faça Ela Voltar / Bring Her Back.

Um casal de adolescentes perde o pai de forma traumática e vão para um lar adotivo, onde já existe um menino mais novo muito estranho. Claro que coisas sinistras vão acontecer.

O melhor de Bring Her Back é o elenco. Todos os quatro principais nomes estão muito bem. Sally Hawkings (A Forma da Água), a única conhecida, manda bem com uma personagem complexa, porque ela precisa parecer acolhedora e ao mesmo tempo assustadora. Os três jovens, Billy Barratt, Sora Wong e Jonah Wren Phillips, também estão muito bem. Curiosidade: Sora Wong tinha “zero experiência” como atriz profissional antes de ser escalada para o filme. Sua mãe encontrou um anúncio de elenco no Facebook procurando por uma garota com deficiência visual, e levou sua filha, que nasceu com a visão limitada. E preciso falar que o menino Jonah Wren Phillips é assustador, fiquei até preocupado com o ator, mas, segundo o imdb, o garoto se divertiu durante a produção do filme. Mas ainda quero vê-lo em outro papel!

Os irmãos Philippou já tinham mostrado talento no seu filme anterior, Fale comigo, e aqui confirmam que sabem criar um bom clima tenso. Bring Her Back tem um bom ritmo e deixa o espectador angustiado. Mas aí vem o problema que me atingiu: algumas cenas desnecessariamente fortes demais. Eles já tinham mostrado uma cena um pouco mais violenta que a média no seu primeiro filme, quando um personagem bate a cabeça violentamente numa mesa. Bring Her Back tem umas três ou quatro cenas desse tipo, que embrulham o estômago e fazem o espectador passar mal. Não vou falar spoilers, mas uma delas, em particular, traz uma faca em uma criança. Não é pelo filme, é por mim, não me sinto bem com imagens envolvendo violência em crianças. Acho que o filme seria ainda mais forte se não mostrasse, apenas sugerisse, mas, como falei no início do texto, parece que os irmãos querem entrar pra essa lista de filmes com imagens desconfortáveis. Bem, posso dizer por mim: entendo a proposta, mas não gosto.

Além disso, não gostei dos vídeos em VHS que são assistidos pela protagonista. Mesmo sem entender o que está acontecendo nos vídeos, a gente consegue entender o propósito. Mas achei que podiam ser melhor desenvolvidos.

Bring Her Back é um bom filme, vai ter muita gente elogiando, mas o filme me perdeu quando resolveu apelar pra tal cena supracitada. Reconheço os méritos, mas não recomendo o filme.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Crítica – Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Sinopse (imdb): Forçados a equilibrar seus papéis como heróis e a força dos laços familiares, o Quarteto Fantástico deve defender a Terra de um deus espacial voraz chamado Galactus e sua enigmática arauta, a Surfista Prateada.

Estreou o aguardado Quarteto Fantástico!

Uma breve atualização pra quem está por fora. Este ano seriam três filmes da Marvel. O primeiro, Capitão América Admirável Mundo Novo, foi o que se esperava: um filme pra “cumprir tabela” – não é ruim, não é bom, é apenas mais um filme genérico e esquecível. Depois veio a surpresa com Thunderbolts, um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreendeu positivamente a maior parte do público. Mas os fãs aguardavam o terceiro, este novo Quarteto Fantástico, que prometia ser o ponto de partida para uma nova fase da Marvel.

(As HQs do Quarteto Fantástico sempre foram da Marvel, mas por razões contratuais os personagens não faziam parte dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, o MCU. Foram feitos quatro filmes antes: em 1994 (filme que nem chegou a ser lançado oficialmente), os dois mais famosos, com Jessica Alba e Chris Evans, em 2005 e 2007, e mais uma tentativa em 2015. Nenhum dos quatro é bom.)

O Quarteto tem um fã clube muito grande, mas, como sempre, meu texto será para o “leigo”. Claro que conheço os personagens, mas nunca li os quadrinhos, então meus comentários serão só pensando no cinema.

Dirigido por Matt Shakman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps, no original) se passa em uma realidade alternativa, não é no mesmo universo que estamos (e onde está todo o MCU). E preciso dizer que todo o conceito criado para retratar essa realidade é o melhor do filme. Todos os cenários e figurinos têm um visual retro-futurista, tudo parece anos 60, e ao mesmo tempo tudo é muito tecnológico. Esse visual do filme é fantástico! A trilha sonora de Michael Giacchino também é muito boa.

Vale dizer que este é um “filme de origem” mas, assim como aconteceu no recente Superman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não perde tempo contando a mesma história que já vimos várias vezes, de como eles ganharam seus super poderes. Logo no início tem um filminho tipo documentário contando o que o espectador leigo precisa saber. Só achei que faltou uma linha de diálogo explicando sobre as roupas. Porque a Mulher Invisível tem roupas que ficam invisíveis, assim como o Tocha Humana tem roupas que não pegam fogo. Podiam comentar algo sobre isso.

(Aliás, uma dúvida que heu sempre tive: Sr. Fantástico, Mulher Invisível e Tocha Humana usam seus poderes e depois voltam à forma anterior. Por que o Coisa continua sendo Coisa? (Ok, uma explicação fácil pode ser “cada um teve o DNA alterado de uma forma diferente”, mas, sempre achei que faltou uma satisfação para o espectador…))

Agora, o visual é bonito, mas por outro lado, a história não empolga. Em vários outros filmes de super heróis a gente fica envolvido, torcendo e sofrendo, mas aqui isso não acontece. Além disso, achei que podia mostrar mais o Quarteto em ação, cada um usando seus poderes e mostrando como a equipe trabalha junta, a gente só vê isso na cena final.

Rolou uma polêmica sobre a mudança de gênero do Surfista Prateado – aqui é uma surfista. Não sei do personagem pelos quadrinhos, mas posso dizer que, pelo filme, tem muita lógica ser uma mulher. Digo mais, tem mais lógica ser mulher do que se fosse homem.

Agora, preciso dizer que não entendo o personagem Galactus. Os leitores adoram, dizem que é um dos melhores vilões, mas nunca consegui ver graça. Porque dizem “ele come planetas!”, mas, galera, se um ser tem tamanho suficiente pra comer um planeta, é muito desproporcional ter um personagem desses interagindo com humanos. Seria tipo um micróbio comprar briga com um humano. Não dá pra colocar no mesmo plano personagens de tamanho tão diferentes. Mas aí, quando o Galactus aparece no filme, ele é grande, mas do tamanho de um edifício. Ok, dá pra interagir. Mas, um ser do tamanho de um edifício consegue comer um planeta? Sei lá. Nos quadrinhos o Galactus deve ser um vilão melhor construído. Aqui não me convenceu.

O elenco é ok. O onipresente Pedro Pascal lidera o grupo, ao lado de Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach. Gostei da Julia Garner como a Surfista Prateada, e Ralph Ineson faz a voz do Galactus (escolha perfeita, a voz dele é muito boa para um papel assim). Ah, tem um robô, mas é um personagem esquecível.

Claro que veremos esses personagens no MCU que a gente já conhece. A cena pós créditos de Thunderbolts dá uma pista do que pode acontecer. E são personagens que podem agregar. Mas, nesse filme, não empolgaram. Thunderbolts teve um resultado melhor.

Por fim, é Marvel. São duas cenas pós-créditos, uma depois dos créditos principais, outra lá no fim de tudo.

Rosario

Crítica – Rosario

Sinopse (imdb): Rosario passa a noite com o corpo de sua avó enquanto espera a ambulância chegar. Durante uma forte nevasca, Rosario é atacada por entidades sobrenaturais que tomaram controle do corpo dela.

Quando um filme de terror é bom, ele é bom. Quando um filme de terror é ruim, ele também pode ser bom. Agora, quando o filme de terror é só genérico, ele não é bom. Ele é chato.

Dirigido pelo estreante em longas Felipe Vargas, Rosario tem uma protagonista que lida com uma maldição, pelo que entendi, ligada a Palo, religião da sua falecida avó. O problema é que é só isso de história, não tem material suficiente pra fazer um longa-metragem. Rosario tem menos de uma hora e meia e consegue ser arrastado. Poderia talvez ser um bom curta, mas acabou sendo um longa chato, onde nada acontece.

Provavelmente por questões orçamentárias, boa parte do filme só tem um cenário e uma atriz. A personagem fica perambulando pelo apartamento da avó, tentando descobrir informações sobre a maldição. Dá pra fazer um filme inteiro com uma atriz em um cenário? Até dá, mas precisa trabalhar um pouco mais esse roteiro!

Quando a gente está vendo um filme bom, às vezes pode até relevar algumas coisas, mas quando o filme é ruim, essas coisas pesam um pouco mais. Em Rosario teve um detalhe que me incomodou bastante. A protagonista está bisbilhotando as coisas da avó, e acha uma espécie de altar, com alguns pratos com oferendas para a tal religião Palo. Dentre essas oferendas, vemos um potinho com dentes e outro com um absorvente usado. E a personagem pergunta “São meus dentes? É o meu absorvente?” Por que ela iria pensar que aqueles dentes e aquele absorvente eram dela? São dentes, e é um absorvente – qualquer pessoa no mundo ia dizer “eca que nojo”; ela, em vez de dizer isso, falou “ora, é o meu absorvente!” De onde veio essa conclusão???

No elenco, Emeraude Toubia é o nome que está na tela por quase todo o filme. Pena que ela não tem carisma suficiente, então não consegue transformar Rosario num bom programa. José Zuñiga e David Dastmalchian têm papéis menores.

Rosario já está disponível há meses “por meios alternativos”, mas vai estrear no circuito em agosto… Acho que deveriam ter lançado mais cedo, tudo indica que será um fracasso de bilheteria.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

Crítica – Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos é aterrorizado por um perseguidor que sabe de um incidente horrível do passado deles.

Antes de tudo, preciso reclamar do título do filme. Já existe um “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” lançado em 1997. Se este é outro filme, deveria ter outro nome. Lançar uma continuação com o mesmo nome é uma ideia péssima! Pânico 5 tem o mesmo problema, o nome em inglês é igual ao primeiro filme, “Scream”. O mesmo aconteceu com o prequel de O Enigma de Outro Mundo, são dois filmes chamados “The Thing”. Galera, se o nome já foi usado, que tal colocar um nome diferente, ou então um número? Por que não chamar este de “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado 4”?

Enfim, vamos ao filme. Uma onda recente em Hollywood é o “requel”, mistura de “reboot” com “sequel”. É um filme feito muito tempo depois do primeiro filme, com elenco novo que pode começar uma nova franquia, mas que traz elementos do original. Vimos isso em Pânico, Halloween, Caça Fantasmas, Karate Kid e até Star Wars. Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Know What You Did Last Summer, no original) é mais um exemplo de requel.

(Lembrando que Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado era um “sub Pânico”, ambos foram escritos por Kevin Williamson. Só que Pânico, lançado um ano antes, é bem melhor.)

A história é parecida com o primeiro filme, um grupo de jovens se envolve em um acidente, mas resolvem não contar pra ninguém, até que um ano depois começam a receber ameaças, e logo depois assassinatos começam a acontecer.

Mas este novo filme já erra na premissa inicial. Porque no filme de 1997, o grupo atropela uma pessoa, e em vez de prestar socorro, levam o atropelado para ser jogado no mar. Detalhe: o cara ainda estava vivo! No novo filme, eles estão no meio da rua, um carro desvia e bate – não foi necessariamente culpa de ninguém, foi um acidente. E eles ainda tentam ajudar! Você pode até dizer que o grupo de 2025 estava errado, mas numa proporção infinitamente menor que o de 1997!

Mas, ok, o filme segue. Slasher besta, algumas mortes aqui e ali, nada muito gráfico. Temos participações especiais de membros do elenco antigo, revemos alguns cenários do outro filme, nada demais, mas também nada que seja muito ruim. Rola até uma boa piada com o personagem mais famoso do currículo do Freddie Prinze Jr. Até que a parte final resolve inventar uma virada de roteiro que azeda todo o filme. Como é um spoiler gigante, só vou comentar no fim do texto.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado tem outro problema: as “final girls”, Madelyn Cline (Glass Onion) e Chase Sui Wonders (Morte Morte Morte), não têm muito carisma, o que dificulta o espectador a torcer por elas. O filme ainda traz alguns jump scares aqui e ali, mas nada digno de nota.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado estava se encaminhando para ser mais um filme genérico pra se ver num fim de semana no shopping e depois ser esquecido, até o tal plot twist final. Vamos a ele então.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Ray Bronson, o personagem do Freddie Prinze Jr, sobrevivente do filme original, é o assassino. Galera, aquele cara, por tudo o que passou, NUNCA seria o assassino! Forçaram a barra e estragaram o filme!

FIM DOS SPOILERS!

Tem uma cena pós créditos, um gancho pra continuação, ligando com o segundo filme da série, Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, de 1998. Ou seja, vem continuação por aí.

The Old Guard 2

Crítica – The Old Guard 2

Sinopse (imdb): Andy e sua equipe de guerreiros imortais estão de volta para enfrentar um novo inimigo terrível, que ameaça a existência da humanidade.

Lembro do primeiro The Old Guard, lançado em 2020, no auge da pandemia. Achei um bom filme, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. Cinco anos depois, chega na Netflix uma continuação, dirigida pela estreante no cinema Victoria Mahoney. Infelizmente, bem inferior ao primeiro filme.

The Old Guard 2 não é bom, mas também não é um lixo total. Gostei de algumas sequências de ação. Algumas lutas trazem boas coreografias. Ok, reconheço que algumas são bem artificiais, como aquela onde Andy e Quynh lutam pela primeira vez, e a Quynh dá umas piruetas completamente falsas. Mas mesmo artificial, é uma luta bonita, me lembrei de O Tigre e o Dragão, lutas artificiais e mesmo assim mostrando um bom resultado. E The Old Guard 2 teve pelo menos um momento muito bom: pouco antes dessa luta, quando Andy está andando por um beco, a cenografia mostra parte da sua história através dos séculos. Essa cena é realmente muito boa!

Agora, precisamos reconhecer que os pontos negativos superam os positivos. Uma das coisas que mais me dava raiva na série Lost era quando algum personagem descobria algum mistério e não compartilhava com os outros. Mas era uma série de mistério, e além disso, um personagem não necessariamente confiava no outro. Aqui em The Old Guard 2, os personagens confiam uns nos outros. Então se algum personagem soubesse algo muito importante, ele compartilharia. E em determinado momento do filme, um personagem descobre uma informação que pode mudar radicalmente o modo como os personagens lidam com a imortalidade. Como é que isso não vai ser dividido com os companheiros?

Junte a isso umas coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo, determinada cena, os mocinhos entram armados e encontram inimigos também armados, e todos estão apontando as armas uns para os outros – mas de repente os inimigos largam as armas e alguém fala no rádio “ok, eles preferem lutar corpo a corpo”. Cara, são inimigos, estão armados, eles nunca largariam as armas daquele jeito. E os outros nunca chegariam a uma conclusão dessas conversando por rádio!

E ainda vou falar um mimimi de fanboy: você traz a Uma Thurman para o seu filme, coloca uma espada na mão dela, e não faz uma referência a Kill Bill???

Agora, o pior de tudo, pior do que todos esses problemas, é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim. The Old Guard 2 engana o espectador, você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama – um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo).

Minha expectativa para o próximo filme está igual à expectativa para mais um Rebel Moon. Zero vontade de ver, torcendo pra não existir, só verei se for pra criar conteúdo.

Fujam do segundo filme, vale mais a pena rever o primeiro.

Ash: Planeta Parasita

Crítica – Ash: Planeta Parasita

Sinopse (imdb): Uma mulher acorda em um planeta distante e encontra a tripulação de sua estação espacial brutalmente morta. Sua investigação sobre o que aconteceu desencadeia uma terrível cadeia de eventos.

Gosto da mistura de terror e ficção científica. Gosto muito de filmes como Alien, O Enigma de Outro Mundo, Força Sinistra, A Experiência e Prova Final. Pena que nem todos os filmes deste subgênero são bons. Ash: Planeta Parasita (Ash, no original) infelizmente faz parte desse grupo.

Acompanhamos Riya, uma exploradora espacial que acorda sozinha numa base onde todos os companheiros de equipe estão mortos. Detalhe: ela tem amnésia e não se lembra do que aconteceu. Ela encontra um sobrevivente e tenta juntar as peças pra descobrir as respostas para suas dúvidas.

Mas sabe qual é o problema aqui? Falta história. Ash é curto, uma hora e meia, e podia ter a metade da duração.

A direção é de Flying Lotus, nunca tinha ouvido falar, depois que vi o filme descobri que ele também é músico. Flying Lotus parece que sabe que tem pouca história pra contar, aí fica preenchendo espaços vazios com jump scares bestas, onde aparece um relance de algo assustador ao som de um ruído alto. Um perfeito exemplo de jump scare mal feito.

(Parágrafo à parte para falar de jump scares. O jump scare bem feito é aquele que dá um susto no espectador, a ponto dele “dar um pulo”. Muitos filmes usam jump scares clichês, dentro de uma fórmula: música sobe, parece que vai ter algo, não tem, conta 1 2 3 e PÁ!, susto na tela. Quem está acostumado com filmes de terror já sabe quando vem um desses e não se assusta, mas, ok, boa parte do cinema é feita em cima de clichês. O jump scare bem feito não prepara o espectador e realmente dá um susto. Agora, na minha humilde opinião, pior que jump scare previsível são os jump scares daqui. A trama segue normalmente, e de repente PÁ!, uma imagem grotesca e um som alto. Ok, assusta o espectador. Mas são jump scares que não agregam à trama, não criam medo. São jogados só pra causar desconforto.)

Por outro lado, a ambientação do filme é boa. O visual do planeta alienígena é bonito, principalmente quando mostra o céu. Também gostei do design das roupas dos astronautas. A maquiagem da parte final também é bem legal, lembra O Enigma de Outro Mundo.

No elenco, Eiza González ocupa a tela durante quase todo o filme, às vezes sozinha, outras vezes dividindo espaço com Aaron Paul. Iko Uwais, de The Raid, tem um papel pequeno, e fiquei feliz que o colocaram pra lutar, mesmo que rapidinho.

Na parte final, o ritmo de Ash melhora. Se todo o filme fosse todo como nos últimos minutos, a experiência seria bem melhor. Infelizmente, o resultado ficou bem chato.

Superman (2025)

Crítica – Superman (2025)

Sinopse (imdb): Superman reconcilia sua herança com sua educação humana. Ele é a personificação da verdade, da justiça e de um futuro melhor em um mundo que vê a bondade como algo antiquado.

Estreou o aguardado Superman do James Gunn!

Antes do filme, uma breve atualização pra quem está por fora. No audiovisual, décadas atrás, a DC era muito maior que a Marvel. A gente tinha o seriado do Batman barrigudo, o desenho da Liga da Justiça, os filmes do Superman com o Christopher Reeve e, uns anos mais tarde, os dois Batman do Tim Burton. Enquanto isso, pela Marvel, a gente tinha um seriado do Hulk, uns filmes toscos do Homem Aranha, e um desenho muito ruim com Thor e Homem de Ferro. Até que em 2008 a Marvel começou a construir o Marvel Cinematic Universe (MCU), com o primeiro filme do Homem de Ferro. Foram mais de 20 filmes que culminaram em Vingadores Ultimato, de 2019, um “filme evento” que juntou dezenas de personagens apresentados ao longo de onze anos. Já comentei aqui, isso será estudado no futuro como um dos maiores cases de sucesso da história do cinema.

Claro que a “marca Marvel” cresceu. Hoje, pergunte a crianças, Homem de Ferro e Capitão América são personagens tão conhecidos quanto Batman e Superman. E ao ver esse crescimento da Marvel, a DC tentou criar um DC Extended Universe (DCEU), mas os filmes não tinham muita consistência, e podemos afirmar que, pelo menos no cinema, a Marvel ficou muito maior que a a DC.

James Gunn tinha dirigido dois dos melhores filmes do MCU, Guardiões da Galáxia 1 e 2, aí vazaram postagens politicamente incorretas do seu passado, e ele foi desligado da Marvel (lembrando que a Marvel está dentro da Disney). A DC o chamou, e ele fez o excelente Esquadrão Suicida (o melhor filme do DCEU, na minha humilde opinião). Depois ele ainda voltou pra Marvel para fazer o terceiro Guardiões da Galáxia (o melhor filme da fase recente da Marvel), para depois “se mudar de mala e cuia” para a DC, onde ia assumir o filme do maior herói da cultura pop.

E finalmente chegamos ao Superman que estreia esta semana. O meu medo era o quanto Gunn ia sofrer de interferência dos executivos do estúdio, porque até então já tínhamos visto ótimos resultados, mas com heróis desconhecidos e esquisitos (Guardiões da Galáxia e Esquadrão Suicida). E agora ele faria um filme com um dos heróis mais conhecidos de todos os tempos. Mas, boa notícia: se teve interferência do estúdio, não afetou o resultado final!

Os últimos filmes da DC eram mais “escuros”, a DC sempre tinha um tom mais dark. James Gunn assumiu que é um “filme de super herói” e fez um filme bem mais colorido do que o DCEU apresentava. Achei uma escolha certa, o Superman não combina com um filme sombrio.

Uma coisa que achei positiva foi não ter mais uma vez uma “história de origem”. O filme já começa com o Superman sendo Superman, ele já leva vida dupla de herói + repórter do Planeta Diário (não tinha um jornal com esse nome aqui no Rio nos anos 90?). Superman já existe, assim como Lois Lane e Lex Luthor. Vivemos num mundo onde outros super heróis também estão na área, incluindo três da “gangue da justiça” – piada recorrente no filme. Achei uma boa ideia, todo mundo já conhece a história do Superman, aí o filme não perde tempo com isso e já parte para a ação.

O protagonista David Corensweat tinha uma tarefa complicada, porque, por melhor que fosse, sempre seria comparado ao Christopher Reeve, e é uma comparação dura, porque Reeve foi perfeito no papel. Mas Corensweat não faz feio. Rachel Brosnahan também está bem como Lois Lane, e, para combinar com os dias atuais, ela tem até mais protagonismo que outras Lois do passado. Já Nicholas Hoult está ótimo como Lex Luthor, sua atuação é um dos pontos altos do filme. Aliás, o elenco todo está bem, Superman ainda conta com María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Skyler Gisondo, Frank Grillo, Edi Gathegi, Nathan Fillion e Isabela Merced, além de vozes de Alan Tudyk, Michael Rooker e Pom Klementieff como robôs, e de pontas de Bradley Cooper, Angela Sarafyan, John Cena e Milly Alcock. Se heu puder fazer um mimimi, vou reclamar do Nathan Fillion. Ele não está mal, mas achei o ator velho demais para o papel (Fillion deve ser um grande amigo do diretor. James Gunn dirigiu sete filmes, Fillion estava em todos, só não aparece em Guardiões 2 porque sua cena foi deletada).

Curiosamente, a melhor cena do filme não tem o personagem título. Tem uma cena sensacional com o Mr. Terrific (traduziram como Sr. Incrível, mas pra mim, Sr. Incrível é do desenho da Pixar!). Vemos como ele atua contra diversos adversários simultaneamente, e a cena usa bem a trilha sonora em um plano sequência fake, coisa que o James Gunn já tinha feito em Guardiões da Galáxia. Essa cena é muito boa!

Aliás, lembrei da abertura de Guardiões 2, onde vemos Baby Groot dançando em primeiro plano enquanto rola uma cena de ação ao fundo. Aqui tem uma cena onde Superman e Lois conversam, e ao fundo os outros heróis estão em uma batalha – mas assim como em Guardiões 2, não vemos nada que está rolando.

Preciso falar do cachorro Krypto! A princípio fiquei receoso com a inclusão de um cachorro na trama, mas adorei o cão. Todas as suas participações são ótimas, o Krypto não é um cachorro bem comportado, e isso traz piadas muito boas.

Dois comentários sobre a trilha sonora. David Fleming e John Murphy fizeram um bom trabalho compondo a trilha do filme em cima dos temas clássicos do John Williams – seria difícil ver um filme do Superman e não lembrar do icônico tema. Por outro lado, senti falta do uso de músicas pop na trilha e na trama do filme – o diretor já provou que é bom nesse assunto.

Agora, precisamos reconhecer que é um filme divertido, mas é bem bobinho. Podia ter aprofundado em questões mais sérias do conflito geopolítico ou das críticas às redes sociais, mas ficou só na superfície. Superman dedica mais tempo de tela em uma briga contra um monstro gigante do que nas questões mais sérias. Além disso, algumas soluções do roteiro soam forçadas. Sim, sei que estamos falando de um filme onde o protagonista é um alienígena com super poderes, mas achei meio jogado o Lex Luthor criar um universo paralelo baseado em um buraco negro, assim como achei meio rápida a queda da popularidade do Superman e sua posterior prisão feita por um particular. Ok, é filme, mas, como falei, é bobinho.

Além disso, talvez tenha personagens demais, porque alguns deles até parecem ser interessantes, mas têm tão pouco tempo de tela que a gente nem sabe se realmente são ou não, como a Mulher Gavião. A Engenheira também foi muito mal explorada.

No fim, Superman não supera Esquadrão Suicida, mas é um bom recomeço na DC. Que venham mais bons filmes!

Por fim, são duas cenas pós créditos, fiquem até o final!

Chefes de Estado

Crítica – Chefes de Estado

Sinopse (imdb): O presidente americano e o primeiro-ministro britânico, alvos de uma ameaça externa, devem colaborar contra uma conspiração global.

Outro dia vi que tinha filme novo do John Cena e Idris Elba na Prime, e fui ler mais sobre. Quando vi quem era o diretor, furou a fila!

Conheci o trabalho do Ilya Naishuller quando vi um videoclipe da banda Biting Elbows, onde a câmera estava no capacete do dublê, então víamos as cenas como se estivéssemos dentro da ação. Aí o cara levou isso para um longa metragem, Hardcore Henry (2015), uma hora e meia de ação ininterrupta com a câmera POV (point of view), um filme insano e divertido. Em 2021 Naishuller fez o ótimo Anônimo, mais bem construído que seu primeiro filme, e com algumas excelentes cenas de ação.

Ilya Naishuller na direção, mais John Cena e Idris Elba liderando o elenco – Chefes de Estado (Heads of State, no original) tinha tudo pra ser um filme no estilo que heu gosto. E felizmente heu estava certo: o filme é divertidíssimo!

Chefes de Estado traz o equilíbrio perfeito entre ação e comédia. Digo mais: as cenas de ação são muito boas, e a parte da comédia é engraçadíssima! Várias sequências são antológicas. Adorei como Naishuler conta um flashback do que aconteceu com determinado personagem até aquele ponto do filme. E a curta cena do Jack Quaid, ao som de Beastie Boys, é sensacional!

Outro ponto positivo é a química entre John Cena e Idris Elba (que já tinham trabalhado juntos em O Esquadrão Suicida), os dois parecem estar se divertindo muito. O roteiro é cheio de alfinetadas entre os estilos dos personagens, um americano e outro inglês, isso traz várias boas piadas. O resto do elenco também está bem, com Priyanka Chopra Jonas, Paddy Considine, Carla Gugino, Sharlto Copley (que aparece bem rápido), além do já citado Jack Quaid.

A parte técnica é muito boa. Deu pena de ser um filme para o streaming, heu preferia ver um filme desses na telona. A trilha sonora usando músicas pop também foi muito bem escolhida.

Agora, precisamos reconhecer que o roteiro é bem forçado. Tem várias coisas que não fazem muito sentido. Entre uma gargalhada e outra, se a gente parar pra pensar no roteiro, vai achar um monte de coisas forçadas.

Mesmo com o roteiro forçado, reconheço que me diverti. Provavelmente estará na minha lista de melhores de 2025.

Ah, tem uma cena extra no meio dos créditos. Pode ser um gancho pra continuação, quem sabe?