Emily the Criminal

Crítica – Emily the Criminal

Sinopse (imdb): Sem sorte e sobrecarregada de dívidas, Emily é envolvida em um golpe de cartão de crédito que a leva para o submundo do crime de Los Angeles, levando a consequências mortais.

Quando vi o cartaz, pensei que era mais um filme de ação girl power. Mas não, Emily the Criminal é um drama focado nos problemas de uma mulher com problemas financeiras, e que toma algumas decisões erradas na vida.

Exibido no último Sundance, o filme escrito é dirigido pelo estreante John Patton Ford tem mesmo cara de filme independente. Câmera constantemente na mão, focando sempre na personagem título. E aqui a gente tem que falar do que talvez seja o maior mérito de Emily the Criminal: sua protagonista Aubrey Plaza (que também é produtora).

Não me lembro de outra atuação tão marcante de Aubrey Plaza. Mas aqui ela está ótima – o que é essencial para o formato proposto, afinal a gente precisa se preocupar com a personagem. E Aubrey traz uma Emily sofrida e guerreira, que levou porrada da vida, está devendo um crédito estudantil, e não consegue um bom emprego por causa de uma condenação criminal no passado. Quando ela resolve tomar o caminho do crime, a gente acaba entendendo que era a sua melhor chance. E todo o problema passado pela personagem ainda pode gerar um bom comentário social.

(Impossível não ficar com raiva na cena da entrevista de emprego, quando a personagem da Gina Gershon propõe seis meses de trabalho sem remuneração.)

Aproveito pra falar do elenco. O filme é todo em cima da Aubrey Plaza. Os coadjuvantes mais presentes são Theo Rossi e Megalyn Echikunwoke. Gina Gershon só aparece em uma cena.

O roteiro não é perfeito, algumas situações ficam meio forçadas, tipo quando dois caras grandes a ameaçam e ela simplesmente vai embora. Mas a atuação de Plaza sustenta mesmo essas pequenas inconsistências.

Emily the Criminal ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, mas torço pra que chegue logo!

Floresta de Sangue

Crítica – Floresta de Sangue

Sinopse (Netflix): Um vigarista e uma equipe de filmagem entram na vida de duas jovens com profundas cicatrizes. Mas nada é o que parece ser.

Um amigo mandou uma mensagem com um link que dizia “Perturbador e brutal, filme da Netflix para quem tem coração forte prende o espectador do início ao fim”. Fui ver, era um filme do Sion Sono. Opa, furou a fila!

Mas… Preciso dizer que não gostei desse. Floresta de Sangue (Ai-naki mori de sakebe, no original) é maluco, como todos os filmes do diretor, mas diferente dos outros que vi, não é divertido (esse é o sexto filme do Sion Sono que tem crítica aqui no site). Sono usa muitos elementos fora da caixinha em seus filmes, como a tartaruga gigante de Love and Peace, ou as gangues cantando rap em Tokyo Tribe, ou mesmo o Nicolas Cage sem um testículo em Prisioners of the Ghostland, elementos malucos mas ao mesmo tempo divertidos. Floresta de Sangue também tem suas doideiras, mas tem um clima pesado e me deu uma bad trip. Principalmente quando acaba o filme e a gente vê que aquilo foi baseado numa história real!

Mas, Floresta de Sangue não é ruim. Vamulá.

Conheço o estilo do Sion Sono, sei que não devemos esperar nada convencional num de seus filmes. Aqui a gente tem colegiais japonesas lésbicas em um pacto suicida, um assassino serial misterioso, um violento charlatão que cria uma seita e ainda muita metalinguagem com uma equipe que quer filmar tudo, e isso tudo numa trama não linear, que ainda traz um momento musical e vários momentos de tortura física e psicológica, além de bastante gore. São mais de duas horas de filme, numa mistureba que vai afastar boa parte do público.

Tecnicamente falando, o filme é muito bem feito. Sono traz alguns detalhes bem legais. Gostei muito de uma cena onde ele usa o silêncio pra mostrar um delírio da Mitsuko.

O filme é um pouco longo demais, são duas horas e trinta e um minutos. E com tanta mistura de temas e estilos ao longo do filme, Floresta de Sangue se torna um filme cansativo. (Me parece que existe uma outra versão na Netflix, a mesma história como série com sete episódios, me pareceu uma versão estendida do filme. Mas não chequei este outro formato).

Sobre o elenco, acho complicado falar, porque as atuações no cinema oriental são muito intensas, tudo muito gritado, muito exagerado, comentei isso outro dia quando falei de Bala na Cabeça. Não curto o estilo, mas sei que é algo comum, então não vou criticar. No elenco, Kippei Shîna, Kyoko Hinami, Eri Kamataki e Shinnosuke Mitsushima – nenhum nome conhecido aqui no Brasil.

Como falei, Floresta de Sangue não é ruim. Mas saber que isso foi inspirado em uma história que realmente aconteceu não me fez bem. Fiquei imaginando a seita da vida real…

Não se preocupe, Querida

Crítica – Não se preocupe, Querida

Sinopse (imdb): Uma dona de casa dos anos 1950 que mora com o marido em uma comunidade experimental utópica começa a se preocupar com a possibilidade de sua empresa estar escondendo segredos perturbadores.

Um tempo atrás me falaram de um filme dirigido pela Olivia Wilde que seria numa onda meio Mulheres Perfeitas, uma sociedade perfeitinha mas com algum mistério por trás. Acabei me esquecendo desse filme, até que veio o email com o convite para a sessão de imprensa de Não se preocupe, Querida (Don’t Worry Darling, no original). Era esse o filme!

Fui ver sem saber de mais nada. Só depois que descobri que teve um monte de barracos nos bastidores Florence Pugh teria brigado com a Olivia Wilde, Harry Styles teria cuspido no Chris Pine… Mas, esse é um site de cinema e não de fofocas, vou falar do filme, quem quiser bastidores procure em outro lugar.

O complicado de falar sobre um filme destes é que existe um grande mistério por trás de tudo o que acontece. O desafio é fazer uma crítica sem spoilers. Vou me segurar!
Não se preocupe, Querida é o segundo longa dirigido por Olivia Wilde (ela dirigiu alguns curtas e alguns videoclipes). Ela consegue criar um bom clima de tensão e mistério – o que diabos está acontecendo naquele lugar? E o visual meio artificial daquela cidade criada ajuda nessa estranheza.

O elenco está muito bem. Segundo o imdb, Olivia Wilde pretendia estrelar, mas quando viu Midsommar mudou de ideia e convidou a Florence Pugh, que está ótima no papel principal (Olivia ficou com um papel secundário). Também no elenco, Chris Pine, Harry Styles e Gemma Chan – todos estão bem.

(Se a gente lembrar que a Olivia Wilde fez DC Liga dos Super Pets e o Harry Styles estava na cena pós créditos de Eternos, são 3 Marvel contra 2 DC…)

Adorei a trilha sonora, que parece que usa vozes sussurradas como instrumentos musicais. Se o filme é tenso e esquisito, fica ainda mais tenso e esquisito quando usa uma trilha tensa e esquisita. E tem uma cena que ficou engraçada, principalmente para o público brasileiro, envolvendo a música Desafinado, quando um cara dança de modo completamente sem nexo com a música.

O roteiro de Katie Silberman, Carey Van Dyke e Shane Van Dyke não é perfeito, o filme tem algumas facilitações meio forçadas, tipo o médico esquecer uma pasta com documentos confidenciais. Mesmo assim, gostei do ritmo frenético da parte final, e gostei de como terminou o filme.

O filme é um pouco longo, mas mesmo assim gostei do resultado final. Não se preocupe, Querida estreia dia 22 nos cinemas, e já quero rever!

A Queda

Crítica – A Queda

Sinopse (imdb): As melhores amigas Becky e Hunter arriscam tudo quando sobem ao topo de uma torre de rádio de dois mil pés.

Escrito e dirigido pelo pouco conhecido Scott Mann (Vingança Entre Assassinos), A Queda (Fall, no original) é um eficiente filme “pequeno”.

Ok, precisamos reconhecer que a gente já viu outros filmes com a mesma proposta – 127 Horas, Águas Rasas, Pânico na Neve, etc. E um detalhe no terço final me lembrou Vidas À Deriva.

Mas, vou repetir o que falei semana passada quando falei de Ingresso para o Paraíso. A gente tem que pensar qual é o objetivo do filme. A Queda tem duas amigas que ficam presas no alto de uma torre, o filme é basicamente isso. Acompanhamos a tensão que elas passam e todos os perrengues pra tentar sair vivas dessa situação. Elas estão em uma torre a 2 mil pés, o que dá mais de 600 metros de altura.

E olha, vou te falar. Sou burro velho de cinema, e me vi tenso, na beirada da poltrona, com medo do que podia acontecer com elas! Ou seja, o objetivo foi alcançado!

Essa torre B67 não existe na vida real, ela foi inspirada na KXTV/KOVR radio tower. Não sei como é a torre real, mas essa do filme, velha, enferrujada, realmente assusta. Foi uma ótima escolha!

No elenco, uma coisa curiosa. Tem um nome relativamente grande para chamar a atenção, Jeffrey Dean Morgan. Mas ele quase não aparece. O filme fica quase o tempo todo focado nas duas amigas interpretadas por Grace Caroline Currey e Virginia Gardner, que funcionam bem para o que o filme pede.

(Um amigo comentou que elas são muito magrinhas, mas logo na cena inicial a gente vê que são experientes em escalada, então achei que convencem mesmo sendo magras.)

Falei e repito. A Queda não é um grande filme. Mas gostei tanto que quero rever!

Pinóquio

Crítica – Pinóquio

Sinopse (imdb): Um boneco é trazido à vida por uma fada, que o atribui a levar uma vida virtuosa para se tornar um menino de verdade.

Vamos para mais um live action Disney que deu errado?

Confesso que ia deixar esse filme passar. Mas quando vi que era mais uma vez uma parceria entre Robert Zemeckis e Tom Hanks, mudei de ideia e fui logo ver, mesmo sabendo do histórico ruim quando se fala em live action da Disney – gravei um Podcrastinadores falando sobre Aladdin, Rei Leão, Dumbo e Christopher Robin, e falei mal de todos eles. Acho que o único live action que se salva é Cruella.

Já faz um tempo que não revejo o Pinóquio de 1940, então não me lembro de muitos detalhes. Mas tudo que me lembro está na nova versão, e, pelo que li, é isso mesmo, eles seguiram a mesma história do desenho anterior – assim como fizeram no “live action” de Rei Leão (as aspas são porque o novo Rei Leão não tem nada de “live”, é apenas outro estilo de animação).

E deu errado. Assim como o citado Rei Leão.

Se você contar de novo uma história que todo mundo já viu, traga novos elementos. Porque, se é a mesma coisa, pra que ver a nova versão?

Mas, calma, que ainda piora. Você pode argumentar que se passaram mais de 80 anos, aquela animação está datada, podemos refazer com novas tecnologias…

E aí está o maior problema deste Pinóquio de 2022: os efeitos especiais!

É inadmissível que hoje, em 2022, um estúdio cheio de grana e de recursos como a Disney entregue efeitos tão básicos. Parece que a gente está vendo um filme dos anos 90.

E aí a gente “troca de canal” e vê um trecho de Anéis de Poder e vê que sim, os efeitos evoluíram. É possível ter qualidade. Mas precisa trabalhar.

Alguns efeitos eram tão ruins que me tiravam da história. Parece que a produção não conseguiu se decidir entre o real e o cartunesco. Vou dar um exemplo claro: o peixe Cleo parece que saiu de Procurando Nemo, não parece um peixe real. Ok, o peixe não interage com humanos. Mas o gato Fígaro interage com o Gepeto, e às vezes parece um gato real, outras vezes parece um gato de desenho animado, e em todas as vezes parece um gato falso.

E não é só isso. Algumas coisas simples são exibidas de forma desleixada. No parque de diversões, o garoto recebe uma caneca de root beer, caneca grande, deve ter pelo menos um litro. E bebe em um único gole! Ou, outra cena logo antes dos tijolos, onde a gente vê que os atores estavam nas marcas e começam a se movimentar um segundo depois do tempo certo!

É triste a gente ler o nome de Robert Zemeckis e lembrar que, junto com Tom Hanks, ele revolucionou os efeitos especiais com Forest Gump, com seus efeitos “invisíveis”, os efeitos estavam lá justamente para não aparecer – por exemplo, um dos personagens passa boa parte do filme sem as pernas, que foram apagadas pelos efeitos especiais. E isso porque não tô falando de Roger Rabbit, De Volta Para o Futuro, A Morte lhe Cai Bem, Contato e muitos etc.

No elenco, Tom Hanks funciona, como sempre. A voz do Grilo Falante é de Joseph Gordon-Levitt, que serve como narrador do filme. Temos breves participações de Cynthia Erivo e Luke Evans, e as vozes de Lorraine Bracco, Keegan-Michael Key. O garoto Benjamin Evan Ainsworth faz a voz do Pinóquio.

Se tem algo que se salva? Bem, gostei dos easter eggs nos relógios do Gepeto, tem Toy Story, Pato Donald, Sete Anões, tem várias referências a outras animações da Disney. E gostei do parque de diversões. Não dos efeitos, do parque em si.

Mas é pouco. Prefiram o desenho velho de 80 anos.

Ingresso para o Paraíso

Crítica – Ingresso para o Paraíso

Sinopse (imdb): Um casal divorciado viaja junto para Bali para impedir que sua filha cometa o mesmo erro que eles acham que cometeram há 25 anos.

Este é mais um daqueles filmes que pedem “críticas super curtas”: “comédia romântica estrelada por Julia Roberts e George Clooney”. Porque não tem muita coisa a mais pra falar.

Mas, vamulá. Vou defender o filme!

Sempre falo que precisamos ver qual é o objetivo do filme. Quem vai ver uma comédia romântica está atrás de cenas eletrizantes, ou de reviravoltas de roteiro, ou de efeitos especiais que explodem cabeças? Ou está afim de uma história leve e divertida, atores carismáticos e belos cenários?

Dirigido por Ol Parker, Ingresso para o Paraíso (Ticket to Paradise, no original) traz esses três elementos. Afinal, ninguém pode reclamar de ver Julia Roberts e George Clooney em cenários paradisíacos de Bali. A história é previsível? Claro que é. Mas quem procura um filme assim, quer uma história previsível.

No elenco, claro que o destaque é com Julia Roberts e George Clooney, que têm uma boa química juntos (é a quinta vez que trabalham juntos). Também gostei do outro casal, a filha deles e o noivo, Kaitlyn Dever e Maxime Bouttier. Por outro lado, achei forçados os personagens da amiga da filha e do namorado da Julia Roberts. Passaram um pouco do tom.

Ingresso para o Paraíso é uma boa comédia romântica. Se você não gosta, veja outro filme; se você curte o estilo, é o seu filme.

Era uma vez um Gênio

Crítica – Era uma vez um Gênio

Sinopse (imdb): Uma estudiosa solitária, viajando para Istambul, descobre um Djinn que lhe oferece três desejos em troca de sua liberdade.

Um filme dirigido por George Miller e estrelado por Tilda Swinton e Idris Elba sempre será motivo de interesse. Mas infelizmente o resultado final não ficou tão bom.

George Miller sempre será lembrado pelos quatro Mad Max, mas a gente tem que se lembrar que ele já passeou por outros estilos – desde o drama de Óleo de Lorenzo, passando pela fantasia em Bruxas de Eastwick e terror em No Limite da Realidade, até o infantil de Babe o Porquinho e Happy Feet o Pinguim. Inspirado no conto The Djinn in the Nightingale’s Eye, de A. S. Byatt, Era uma vez um Gênio (Three Thousand Years of Longing, no original), é até difícil de classificar num estilo. Existe a comédia romântica, né? Acho que este filme pode ser uma “fantasia romântica”.

Boa parte do filme se passa dentro do quarto de um hotel. Mas, diferente de The Outfit, que falei semana passada, onde toda a trama se passa no mesmo ambiente, aqui temos várias cenas em outros ambientes. Os personagens continuam no quarto do hotel, mas o gênio conta histórias, e cada história se passa em lugares diferentes. Temos uma grande riqueza de personagens, cenários e figurinos nessas histórias contadas. Essas histórias são muito boas, definitivamente é o melhor do filme.

Achei que a história perde força no terço final. Acontece uma mudança abrupta de comportamento entre os dois, nada justificou essa mudança. E quando eles saem do hotel o filme fica besta.

E teve uma coisa que me incomodou. A gente vê dois gênios no início do filme, e em nada eles se conectam à história. Pra que incluir esses gênios se eles não serão usado depois?

No elenco, Tilda Swinton e Idris Elba mandam bem como de costume e justificam o valor do ingresso. Além deles, vários nomes desconhecidos dentro das histórias contadas pelo gênio.

Triste dizer, mas Era uma vez um Gênio ficou devendo…

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder

Crítica – O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder

Sinopse (google): Em uma época de paz, um grupo de guerreiros enfrenta o ressurgimento do mal na Terra-Média. Das profundezas escuras das Montanhas de Névoa, das majestosas florestas de Lindon, até os confins do mapa, o legado desses heróis é maior do que suas vidas.

É complicado falar de uma série que a gente só viu o início. Serão oito episódios, e o Amazon Prime só liberou os dois primeiros. É a mesma coisa que analisar um filme de duas horas tendo visto só a primeira meia hora. Mas… Vamulá.

Outro dia falei aqui do visual da série Sandman. Aqui o visual é ainda mais deslumbrante. Os Anéis de Poder está sendo anunciada como a série mais cara da história da TV, com um investimento de mais de um bilhão de dólares, e a gente vê esse resultado na tela. São várias cenas lindas, de cair o queixo, dava pra fazer vários quadros e colocar na parede.

É uma história nova, então não temos Frodo, Bilbo, Gandalf e Aragorn. Dentre os principais da série, temos versões mais jovens da Galadriel e do Elrond, além de alguns personagens novos. E como ainda estamos sendo apresentados aos núcleos de personagens, não tenho muito a falar sobre eles. A história se divide em quatro núcleos: Galadriel guerreira e os elfos que querem parar a guerra; uma aldeia de hobbits que encontra um “gigante” misterioso; um elfo que vigia uma aldeia de humanos e descobre que orcs estão voltando; e ainda tem um outro plot com anões, esse ainda não sabemos muita coisa.

Sobre a Galadriel: tem gente reclamando que “essa não é a minha Galadriel!”. Ok, reconheço que essa Galadriel está bem diferente da vivida pela Cate Blanchet nos filmes do Peter Jackson. Mas, preciso reconhecer que curti a Galadriel badass. Tem uma cena dela derrotando um troll gigantesco que é muito boa!

No elenco, um monte de gente pouco conhecida. Mas quem acompanha o heuvi vai reconhecer o nome de Morfydd Clark, a Galadriel, que estava no bom terror cabeça Saint Maude.

Ainda é cedo pra julgar a série, mas gostei do que vi até agora. Aguardemos os próximos episódios!

Vamos à polêmica? Os dois lados têm bons argumentos. Vamulá.

J.R.R. Tolkien escreveu O Hobbit na década de 30 e os três livros O Senhor dos Anéis na década de 50 (foram lançados entre 1954 e 55). Era uma outra sociedade, mulheres não tinham espaço para nada. Felizmente estamos evoluindo como sociedade, sei que ainda falta muito, mas, certamente podemos dizer que hoje existe espaço para o protagonismo feminino.

Mas, lá atrás, o normal era só ter homem como protagonista. Na Sociedade do Anel são nove, todos homens (Aragorn, Gandalf, Boromir, Legolas, Gimli e os quatro hobbits). Você pode até achar que é uma obra machista, mas era assim e não temos como apagar o passado.

Agora, na série Os Anéis de Poder, temos uma história nova, criada do zero. Opa, se é uma história nova, então podemos finalmente ter protagonismo feminino! Então, temos várias mulheres em papéis importantes na série.

Isso está incomodando os fãs mais radicais. Tem uma certa lógica, afinal, se na história que se passa depois não tem nenhuma mulher no meio da briga (Galadriel tinha um papel importante, mas não entrava na ação). Ok, entendo. Não concordo, mas entendo.

Essa é a briga da semana no mundo da internet nerd. De um lado, galera que quer mais diversidade numa obra antiga; do outro lado, pessoas que defendem que a essência da obra antiga não seja alterada. Além disso ainda tem a galera que defende que a Galadriel nunca entraria numa briga do jeito como é mostrado na série.

Minha opinião? Não me incomodo nem um pouco com mulheres protagonistas – até defendo isso. E adorei a Galadriel badass. Agora, não posso dizer o mesmo sobre Nori, a “hobbita”. Não que a personagem seja ruim, mas é que é uma personagem que ainda não mostrou a que veio. Meu problema não é com o gênero do personagem, é se o personagem é bom ou ruim, e, pelo menos por enquanto, a Nori não é uma personagem boa.

Enfim, deixemos o pessoal reclamando pra lá, e aguardemos o terceiro episódio!

The Outfit

Crítica – The Outfit

Sinopse (imdb): Um alfaiate especializado deve vencer um perigoso grupo de gângsteres para sobreviver a uma noite fatídica.

A sinopse e o cartaz me sugeriram algo na linha de Kingsman, mas a única semelhança é na ambientação. Kingsman tem muita ação e muito humor, e aqui não tem nada disso. Na verdade The Outfit parece mais um teatro filmado, afinal quase tudo as passa dentro de um único cenário, e quase tudo se passa no mesmo dia.

Estreia na direção de Graham Moore, que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado por O Jogo da Imitação, The Outfit não é um grande filme, mas tem pelo menos dois trunfos: um ator principal inspirado; e um roteiro cheio de plot twists.

Mark Rylance (Ponte dos Espiões, Jogador Nº 1) está muito bem conduzindo o filme. Ok, seu personagem lembra o de Ponte dos Espiões (que inclusive lhe deu um Oscar) – um cara misterioso, de poucas palavras. Mas isso funciona perfeitamente no formato proposto, porque nem tudo é o que parece ser. Também no elenco, Zoey Deutch, Dylan O’Brien, Johnny Flynn, Simon Russell Beale e Nikki Amuka-Bird.

Aproveito para falar do roteiro. Quase tudo se passa em um único dia (ou noite, não sabemos). Eventos acontecem fora do atelier, mas toda a ação é interna. E tudo é baseado nos diálogos e no entra e sai de personagens. Quem espera muita ação talvez não goste, mas quem gostar de bons diálogos vai ser recompensado com alguns plot twists bem encaixados.

The Outfit ainda tem uma boa ambientação no atelier do alfaiate e uma boa trilha sonora de Alexandre Desplat. Um bom filme “pequeno”.

Treze Vidas: O Resgate

Crítica – Treze Vidas: O Resgate

Sinopse (imdb): Uma missão de resgate é organizada na Tailândia, onde um grupo de crianças e seu treinador de futebol ficam presos em um sistema de cavernas subterrâneas que estão inundando.

Algumas histórias reais são tão boas que é só roteirizar e filmar. É o caso aqui em Treze Vidas: O Resgate (Thirteen Lives no original). Em 2018, um time de escolinha de futebol ficou preso em uma caverna na Tailândia. O caso foi explorado extensivamente pela mídia, foi um resgate complicado, demorou vários dias e envolveu pessoas de vários países.

A direção coube a Ron Howard, que já tinha feito um trabalho parecido com Apollo 13 – outra história real que era só filmar. Naquela época, Howard recebeu críticas de que estaria dramatizando demais as famílias, acho que aqui em Treze Vidas ele acertou o ponto.

(Lembrei de outro filme baseado em uma história real dirigido por Ron Howard, Rush No Limite da Emoção. Assim como não me lembrava de detalhes sobre o resgate dos meninos na Tailândia, heu não me lembrava que tinha ganhado o campeonato de F1 de 1976, e pra mim isso foi bom, porque a parte final do filme é eletrizante, e não sei se teria a mesma graça se heu já soubesse o fim da história.)

Preciso admitir que não vi o documentário The Rescue, lançado ano passado, que conta exatamente essa história. Tudo o que sabia era o que me lembrava das notícias da época. Não me lembro de nada diferente do que é mostrado na tela. Li uma crítica dizendo que o filme ignorou certos conflitos políticos que aconteceram, mas achei uma opção acertada – são quase duas horas e meia, não precisava de mais para contar essa emocionante história.

Aliás, os mergulhadores principais, Rick Stanton e John Volanthen, atuaram como colaboradores na produção. Stanton declarou que as filmagens foram precisas, o que estava “errado” é que tinha muito mais lama na água e que eles não enxergavam praticamente nada. Mas Stanton reconheceu que se fosse pra filmar na água barrenta, ninguém ia ver nada.

E falando nisso, imagino como deve ter sido difícil de filmar isso! Construíram um set num prédio do tamanho de um hangar, com tanques do tamanho de piscinas olímpicas, com túneis construídos dentro. O elenco praticava várias horas por dia em cada sessão, para depois filmar, e começar a praticar na sessão seguinte. Cada sessão era mais difícil que a anterior, para que o elenco pegasse cada vez mais experiência. Ao final, todos os atores confessaram que sentiram momentos de pânico durante as filmagens!

Hora de falar do elenco, Não me lembro de Viggo Mortensen e Colin Farrell terem sotaques tão fortes, acredito que isso seja dos personagens e não dos atores. Gostei disso. Ambos estão muito bem como os mergulhadores principais. Também no elenco, Joel Edgerton, Tom Bateman e Paul Gleeson. E já que falei dos sotaques: uma coisa que achei bem legal foi mostrar tailandeses falando em tailandês. Se esse filme fosse feito décadas atrás, certamente todos os personagens falariam em inglês.

Não vou falar do fim do filme porque acredito que boa parte dos espectadores deve se lembrar de como a história terminou. Mas mesmo sabendo, Howard consegue entregar um resultado tenso e emocionante. Treze Vidas está em cartaz no Amazon Prime.