A Vida de Chuck

Crítica – A Vida de Chuck

Sinopse (filme B): Ao longo de sua vida, Charles “Chuck” Krantz vive o encanto do amor, a dor da perda e descobre as muitas facetas que existem dentro de cada um de nós.

(A sinopse do imdb deve ter sido feita por robô e ninguém revisou, e virou uma parada que não tem nada a ver! No imdb tá assim: “Uma história de afirmação da vida e de mudança de gênero baseada no romance de Stephen King sobre três capítulos da vida de um homem comum chamado Charles Krantz.” A mudança de gênero é cinematográfica!)

Talvez o maior problema aqui seja justamente os nomes de Mike Flanagan e Stephen King. Porque claro que todo mundo vai pensar em um filme de terror. E A Vida de Chuck não tem NADA de terror. Estamos entre o drama e a fantasia. Aliás, o trailer do filme é bem genérico, lembro de ver no cinema e me perguntar “por que alguém veria um filme desses?”

(Ok, alguns bons filmes baseados em Stephen King não são terror, como Conta Comigo, Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre. Mas todos concordam que ele fez muito mais terror que qualquer outro gênero, né?)

A direção é de Mike Flanagan, que já fez alguns filmes legais (incluindo Doutor Sono, outra adaptação de Stephen King), mas que tem suas melhores obras em séries, como A Maldição da Residência Hill e Missa da Meia Noite. Talvez seja exagero, mas heu diria que A Vida de Chuck é o melhor filme que ele já fez.

Não li o livro, não tenho ideia se foi uma adaptação fiel ou não. Mas gostei do roteiro ser fora da ordem cronológica – o filme começa pelo terceiro ato. Digo mais: se a história fosse contada em ordem cronológica, seria bem sem graça.

Esse terceiro ato traz um mistério muito bem bolado. O mundo está acabando, estão acontecendo catástrofes naturais, não existe mais internet, e começam a aparecer outdoors e propagandas falando de um tal de Charlie Krantz. Confesso que fiquei intrigado com o que estava acontecendo, qual seria o desfecho para aquele mistério. O único problema é que o terceiro ato é melhor do que o primeiro, justamente o final do filme.

O segundo ato é o mais curto. Traz uma artista de rua, uma baterista, e o dia em que um transeunte parou para dançar. E preciso falar que adorei essa cena da dança! Tom Hiddlestone, primeiro sozinho, depois com a Annalise Basso, dançando ao som da bateria, criaram um momento que, pelo menos pra mim, foi mágico! Até concordo que talvez seja uma cena longa (a dança dura quase cinco minutos) – mas heu poderia rever aquela cena seguidas vezes!

A conclusão (primeiro ato) traz respostas e mais dança. O final não é ruim, mas não é tão bom quanto o início, e isso pode ser um problema. Mesmo assim, gostei muito do resultado.

O elenco é cheio de bons nomes, e todos estão bem. Curiosamente, nenhum ator aparece ao longo de todo o filme, afinal, a trama se passa em volta da vida do Chuck em diferentes fases de sua vida. Tom Hiddleston é o nome principal, mas, se a gente parar pra analisar, ele nem faz tanta coisa ao longo do filme. Ainda sobre o elenco, uma curiosidade: Mia Sara, de A Lenda e Curtindo a Vida Adoidado, estava aposentada desde 2013, mas declarou que queria trabalhar com Mike Flanagan depois que viu Missa da Meia Noite.

E trabalhar com Flanagan deve ser bom, porque vários atores já estiveram em outros filmes / séries do diretor, como Karen Gillan e Annalise Basso (O Espelho), Samantha Sloyan e Michael Trucco (Hush), Jacob Tremblay e Carl Lumbly (Doutor Sono), Rahul Kohli (A Maldição da Mansão Bly), Heather Langekamp (O Clube da Meia Noite), Mark Hamill (A Queda da Casa de Usher), além de Kate Siegel, a sra. Mike Flanagan, que estava em quase todos os filmes. Ah, Carla Gugino, que faz algumas narrações, também fez vários filmes do diretor – Nick Offerman faz as outras narrações. Ainda no elenco, Chiwetel Ejiofor, David Dastmalchian e Matthew Lillard.

Se heu pudesse alterar uma única coisa aqui, pegava a cena da professora falando do Walt Whitman e colocava mais pro final do filme. É uma cena onde o espectador atento pode pescar muita coisa. Acho que o impacto ia ser maior se a cena fosse guardada pra depois.

Grandes chances de A Vida de Chuck voltar aqui no Top 10 de melhores do ano.

The Old Guard 2

Crítica – The Old Guard 2

Sinopse (imdb): Andy e sua equipe de guerreiros imortais estão de volta para enfrentar um novo inimigo terrível, que ameaça a existência da humanidade.

Lembro do primeiro The Old Guard, lançado em 2020, no auge da pandemia. Achei um bom filme, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. Cinco anos depois, chega na Netflix uma continuação, dirigida pela estreante no cinema Victoria Mahoney. Infelizmente, bem inferior ao primeiro filme.

The Old Guard 2 não é bom, mas também não é um lixo total. Gostei de algumas sequências de ação. Algumas lutas trazem boas coreografias. Ok, reconheço que algumas são bem artificiais, como aquela onde Andy e Quynh lutam pela primeira vez, e a Quynh dá umas piruetas completamente falsas. Mas mesmo artificial, é uma luta bonita, me lembrei de O Tigre e o Dragão, lutas artificiais e mesmo assim mostrando um bom resultado. E The Old Guard 2 teve pelo menos um momento muito bom: pouco antes dessa luta, quando Andy está andando por um beco, a cenografia mostra parte da sua história através dos séculos. Essa cena é realmente muito boa!

Agora, precisamos reconhecer que os pontos negativos superam os positivos. Uma das coisas que mais me dava raiva na série Lost era quando algum personagem descobria algum mistério e não compartilhava com os outros. Mas era uma série de mistério, e além disso, um personagem não necessariamente confiava no outro. Aqui em The Old Guard 2, os personagens confiam uns nos outros. Então se algum personagem soubesse algo muito importante, ele compartilharia. E em determinado momento do filme, um personagem descobre uma informação que pode mudar radicalmente o modo como os personagens lidam com a imortalidade. Como é que isso não vai ser dividido com os companheiros?

Junte a isso umas coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo, determinada cena, os mocinhos entram armados e encontram inimigos também armados, e todos estão apontando as armas uns para os outros – mas de repente os inimigos largam as armas e alguém fala no rádio “ok, eles preferem lutar corpo a corpo”. Cara, são inimigos, estão armados, eles nunca largariam as armas daquele jeito. E os outros nunca chegariam a uma conclusão dessas conversando por rádio!

E ainda vou falar um mimimi de fanboy: você traz a Uma Thurman para o seu filme, coloca uma espada na mão dela, e não faz uma referência a Kill Bill???

Agora, o pior de tudo, pior do que todos esses problemas, é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim. The Old Guard 2 engana o espectador, você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama – um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo).

Minha expectativa para o próximo filme está igual à expectativa para mais um Rebel Moon. Zero vontade de ver, torcendo pra não existir, só verei se for pra criar conteúdo.

Fujam do segundo filme, vale mais a pena rever o primeiro.

Bridget Jones: Louca pelo Garoto

Crítica – Bridget Jones: Louca pelo Garoto

Sinopse (imdb): Bridget Jones agora viúva e solteira, vive com a ajuda de sua família, amigos e o ex-amante, Daniel. De volta ao trabalho e aos aplicativos, ela é perseguida por um homem mais jovem e talvez – pelo professor de ciências de seu filho.

Antes de tudo, preciso falar que não sou o público alvo ideal de Bridget Jones. Não me lembro de nada do primeiro filme, não sei se vi o segundo, nem sabia que existia um terceiro filme (como este terceiro é de 2016, provavelmente não vi, heu já escrevia críticas nessa época). Também sei que existe um livro que serviu de base, e não li. Meus comentários serão com isso em mente.

Vamulá. Bridget Jones: Louca pelo Garoto (Bridget Jones: Mad About the Boy, no original) é mais uma comédia romântica bobinha e previsível. Algumas cenas boas aqui e ali, alguns momentos constrangedores de vergonha alheia e um final tão óbvio que qualquer um que viu o trailer vai saber exatamente o que vai acontecer.

Achei algumas cenas péssimas! Tem uma cena que é o “dia da profissão”, onde os pais vão à escola falar sobre o seu trabalho. Bridget Jones é produtora de um programa de TV, no primeiro dia de trabalho ela estava organizando uma edição com a Fergie de convidada. Mas na hora de falar com as crianças na turma ela resolveu inventar uma entrevista com o professor pra discutir temas nada a ver.

Aliás, falando do professor, é um personagem muito mal construído. O cara é professor, mas também é inspetor, porque fica na rua organizando a entrada dos alunos. E está em TODOS os lugares da escola. E ainda por cima é músico! Acho que se o roteiro pedisse, ele também seria capaz de fazer uma cirurgia…

Felizmente nem tudo é ruim. Confesso que gostei de algumas cenas, como aquela onde o garotão salva o cachorro na piscina – apesar de ter um grande furo no roteiro, afinal ele não teria como saber quem é o dono do cachorro. Também achei bonita a cena onde a família manda mensagens para o falecido pai, através de balões coloridos.

No elenco, Renée Zellweger às vezes soa caricata, mas acho que o papel pede isso (como falei, não lembro dos outros filmes); Colin Firth, que era o principal papel masculino nos outros filmes, aqui faz aparições pontuais. Chiwetel Ejiofor faz o super professor, personagem ruim, mas ele não está exatamente mal; Leo Woodall faz o garotão novinho, papel sem muita profundidade. Hugh Grant, irônico e sarcástico, está ótimo – fiquei me questionando se ele sempre foi bom assim ou se agora que está mais velho melhorou (elogiei ele em Herege, Wonka, Magnatas do Crime…). Também tem uma divertida ponta da Emma Thompson.

Enfim, achei o filme meio besta. Mas talvez o problema seja heu, e não o filme. Duas fileiras atrás de mim no cinema, um cara dava gargalhadas altas a cada 30 segundos! Queria estar me divertindo como ele…

Venom: A Última Rodada

Crítica – Venom: A Última Rodada

Sinopse (imdb): Eddie e Venom estão fugindo. Caçados pelos dois mundos e com a rede se aproximando, a dupla é forçada a tomar uma decisão devastadora que fechará as cortinas da última dança de Venom e Eddie.

O primeiro Venom, de 2018, é ruim. Venom 2, de 2021, também é ruim. Alguém acreditava que um terceiro filme, Venom: A Última Rodada (Venom: The Last Dance, no original), seria bom?

Analisando sob este aspecto, até que Venom: A Última Rodada nem é tão ruim. É do mesmo nível dos outros. Se você curtiu os anteriores, talvez se divirta neste terceiro (e, esperamos, último) Venom.

Filme de estreia da diretora Kelly Marcel (roteirista dos dois primeiros e também de Cruella e Cinquenta Tons de Cinza), como falei, Venom: A Última Rodada não é muito ruim. Mas achei o roteiro bem forçado. Há tempos não via conveniências tão convenientes. Vou dar um exemplo: existe um monstro perseguindo um tal codex, que só é visível quando o Venom e o Eddie Brock estão juntos. Quando estão juntos, o monstro consegue ver a quilômetros de distância. Mas quando o monstro vai atacar, é só se separar que ele fica cego. Continua vendo e atacando as pessoas em volta, mas Eddie e o simbionte ficam invisíveis!

E isso porque não tô falando da cena da sra. Chen, aquela da loja de conveniência. Ela não só estava em Las Vegas (outra cidade), e no mesmo cassino, como estava numa grande maré de sorte e ganhou uma suíte na cobertura. Completamente forçado, e ao mesmo tempo, completamente desnecessário – tire essa sequência e o filme não perde nada.

Cabe outro problema do roteiro? Existe um núcleo com cientistas, onde a principal era pra ser a personagem da Juno Temple, que tem um background que não serve pra nada. Mas quem ganha protagonismo na sequencia final é aquela personagem secundária do broche de árvore de natal, tão secundária que nem lembro o nome dela.

Mas, como falei lá em cima, já esperava algo meio tosco. E dentro da tosqueira, tem coisas divertidas. Gostei da família de hippies (a cena deles cantando na van é gostosinha), e rolam algumas boas piadas, como a citação ao Tom Cruise na cena do avião. A trilha sonora também escolhe algumas boas músicas pra embalar o filme.

Mas é pouco. Tem coisa melhor por aí. A não ser que você curta muito o Venom e queira ver uma sequência em cgi de vários venoms de cores diferentes lutando contra monstros.

Ah, tem duas cenas pós créditos. Nenhuma vale a pena.

Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura

Crítica – Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura

Sinopse (google): O aguardado filme trata da jornada do Doutor Estranho rumo ao desconhecido. Além de receber ajuda de novos aliados místicos e outros já conhecidos do público, o personagem atravessa as realidades alternativas incompreensíveis e perigosas do Multiverso para enfrentar um novo e misterioso adversário.

Finalmente estreou o aguardado Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, que tinha deixado fãs em polvorosa com o trailer. Mas, para mim, a dúvida era outra: daria certo um filme do MCU dirigido por Sam Raimi?

Sou muito fã do Sam Raimi, e a gente precisa reconhecer que ele é um nome importante quando o assunto é “filme de super herói”. Se hoje a gente tem vários filmes de super herói por ano, a gente tem que lembrar que o primeiro Homem Aranha de 2002, dirigido por ele, (ao lado do primeiro X-Men de 2000, dirigido por Bryan Singer) são filmes que dizem “quando a gente chegou aqui, tudo isso era mato!”.

Mas a gente sabe que no MCU nem sempre o diretor tem espaço criativo. Um bom exemplo é com o primeiro filme do Doutor Estranho, dirigido por Scott Derrickson, que praticamente só tinha feito terror até então (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade, Livrai-nos do Mal). Alguns casos a gente sente o diretor, como o James Gunn em Guardiões da Galáxia ou o Taika Waititi em Thor Ragnarok, mas quase sempre os filmes do MCU têm cara de “filme de produtor”.

Felizmente Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura tem um bom equilíbrio. Continua sendo um “filme da Marvel”, mas tem várias coisas que são a cara do diretor: ângulos de câmera, alguns movimentos de câmera, alguns elementos de terror – tem até uma mão saindo de uma cova, lembrando o poster de Evil Dead! Só faltou o travelling pela floresta…

(Acho que este deve ser um filme mais violento da Marvel. Tem uma morte bem violenta, e ainda tem alguns jump scares!)

Aliás, é bom lembrar, este é se não me engano o 28º filme do MCU. Se antes os filmes eram independentes, agora precisam de “pré requisitos”. Para ver este Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura nem precisa ver o primeiro Doutor Estranho antes, mas precisa saber o que aconteceu com a série Wandavision.

Já que falamos de Wandavision, bora falar do elenco. É um filme do Doutor Estranho, ninguém vai discutir que ele é o principal aqui. Mas a Wanda quase divide o protagonismo com ele. E se todos sabem que o Benedict Cumberbatch é um grande ator e seu Stephen Strange é um ótimo personagem, aqui em Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura tem outro personagem que rouba a cena. Elizabeth Olsen está sensacional, e sua Wanda é uma das melhores coisas do MCU. É que Doutor Estranho não tem perfil de premiação para atuação, senão diria que a Elizabeth Olsen deveria ser indicada ao Oscar. Fechando o elenco principal, a novata Xochitl Gomez está bem como a nova personagem America Chavez, que deve ter importância no futuro do MCU. Também no elenco, Benedict Wong, Chiwetel Ejiofor e Rachel MacAdams, e mais uns nomes que não vale a pena mencionar por motivos de spoiler. Ah, claro, é Sam Raimi, tem participação especial do Bruce Campbell, num papel bem bobo, mas, como é o Bruce Campbell, heu ri alto.

Sim, tem uma cena no meio do filme onde tem algumas participações especiais que vão explodir a cabeça dos fãs. Não vou entrar em detalhes por causa de spoilers, mas posso dizer que achei a cena muito boa e a conclusão dela também.

O ritmo do filme é alucinante (e isso não é um trocadilho com Uma Noite Alucinante do mesmo diretor). O filme já começa a 100 km/h, e são poucos os momentos mais calmos para respirar. E tem um duelo usando música que é SEN-SA-CIO-NAL!!!

Claro, é Marvel, tem duas cenas pós créditos. A primeira com um gancho para uma continuação, que não tenho ideia do que seja, mas tem a Charlize Theron, então quero muito ver. E lá no fim dos créditos uma piadinha.

A Marvel continua em forma! Aguardemos o novo Thor!

Infinite

Crítica – Infinite

Sinopse (imdb): Uma ficção científica que examina o conceito de reencarnação por meio de visuais notáveis e personagens bem estabelecidos que precisam usar suas memórias e habilidades aprendidas no passado para garantir que o futuro seja protegido de “infinitos” que buscam acabar com toda a vida no planeta.

(Esse “infinito” da sinopse é como chamam essas pessoas, que são capazes de reencarnar trazendo todas as habilidade das vidas anteriores.)

Infinite traz uma boa ideia inicial, mas falha miseravelmente no seu desenvolvimento. Me parece que quiseram criar um novo Matrix, mas o conceito foi tão mal desenvolvido que não só não convence ninguém, como cansa o espectador no meio do caminho. O filme até lembrou Tenet, que precisa ficar se explicando o tempo todo.

Não sei se isso vai acontecer com outros espectadores, mas esse conceito não me convenceu, de quando uma pessoa morre ela reencarna, mas só depois de um tempo é que descobre os seus “poderes”. Num mundo com 7 bilhões de pessoas, fica difícil de saber onde o cara vai reencarnar e continuar a vida ao lado dos companheiros também infinitos.

E ter o Mark Wahlberg no papel principal atrapalha. Vejam bem, gosto dele, ele é um bom astro de ação, ele tem carisma o suficiente pra segurar um filme desse porte, mas… Ele acabou de fazer 50 anos, este mês, tinha 48 na época das filmagens. Você não pode ter uma história que se baseia em uma pessoa trazer conhecimentos de vidas anteriores, e colocar um “velho” pro papel principal. Faria muito mais sentido se fosse um cara novo.

(Um pequeno parênteses pra explicar: heu tenho 50 anos, nasci no mesmo ano que o Mark Wahlberg. Não me considero velho, ainda acho que tenho muita coisa pra viver. Mas, hoje, se heu descobrisse que tenho várias habilidades de vidas passadas, não sei se mudaria muita coisa na minha vida atual. Agora, se heu descobrisse com 20 anos de idade, aí sim, seria uma nova vida completamente diferente.)

A direção ficou com Antoine Fuqua, que tem alguns bons filmes no currículo, como Dia de Treinamento, O Protetor e a refilmagem de Sete Homens e um Destino. Pelo menos Fuqua manda bem nas cenas de ação. A história é mal desenvolvida, mas pelo menos as cenas de ação são bem filmadas.

No elenco o outro grande nome é Chiwetel Ejiofor (Filhos da Esperança, 12 Anos de Escravidão, Doutor Estranho), que está péssimo aqui. Ele, como líder do grupo inimigo, não convence ninguém dos seus propósitos. Também no elenco, Sophie Cookson, Dylan O’Brien, Jason Mantzoukas, Rupert Friend e Toby Jones.

Claro que o filme termina com um gancho pra continuação, com a vantagem de poder trocar todo o elenco (estamos falando de reencarnação, nenhum ator precisa voltar). Mas, se o primeiro filme foi tão fraco, nem sei se quero ver o que vem depois.

Doutor Estranho

doutorestranhoCrítica – Doutor Estranho 

Mais um herói da Marvel!

Depois de sofrer um acidente onde machuca as mãos, um arrogante neurocirurgião embarca em uma jornada atrás da cura, e vai parar no mundo das artes místicas.

A Marvel continua expandindo o seu universo cinematográfico. O Doutor Estranho é um personagem menos conhecido do grande público, mas pelo que ouvi em papos logo após a sessão de imprensa, será um personagem muito importante nos próximos filmes da Marvel – afinal, precisamos de sangue novo nas telas, daqui a pouco ninguém aguenta mais o Tony Stark.

Justamente por ser menos conhecido, o personagem precisava de um “filme de origem”, um filme explicando quem é Stephen Strange e como ele se tornou o herói. Isso é um pouco cansativo (mais um filme com cenas de treinamento), mas, desta vez era necessário. Mesmo num momento de grande responsabilidade, afinal este é o Marvel logo depois de Guerra Civil.

A direção ficou com Scott Derrickson (que também colaborou no roteiro). Derrickson tem um perfil um pouco diferente do esperado – o cara até agora praticamente só tinha feito terror (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade, Livrai-nos do Mal). Mas, como em outros filmes da Marvel, o estilo do diretor pouco importa aqui, este é um “filme de produtor”.

O que mais chama a atenção aqui em Doutor Estranho é o visual. Sabe aqueles prédios que se dobram em Inception? Poizé, aqui eles se dobram e continuam se dobrando, como se fossem caleidoscópios. Gosto de filmes cujos efeitos me surpreendem nos dias de hoje, quando quase tudo já foi mostrado nas telas. E vou te falar que fiquei de boca aberta com aqueles cenários psicodélicos. Já podemos começar os palpites para o Oscar 2017 de efeitos especiais?

Sobre o elenco: o protagonista Benedict Cumberbatch é um grande ator, todo mundo já sabe disso. O seu dr. Stephen Strange é um ótimo personagem, apesar de às vezes lembrar o Sherlock Holmes que ele fez pra BBC (principalmente no início do filme). Tilda Swinton também está ótima com sua anciã. Por outro lado, Rachel McAdams pouco acrescenta num papel meio forçado de par romântico. E achei o vilão de Mads Mikkelsen caricato demais – o ator é bom, mas está mal aqui. Ainda no elenco, Chiwetel Ejiofor, Benjamin Bratt e Benedict Wong.

Por fim, como tem sido habitual, são duas cenas pós créditos. A história do filme é fechada, você não precisa ler os quadrinhos, nem ver nenhum dos outros filmes. As cenas pós créditos estão aí para fazer o link com prováveis continuações.

Perdido em Marte

Perdido em MarteCrítica – Perdido em Marte

Alvíssaras! O melhor Ridley Scott em anos!

Durante uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é dado como morto e deixado para trás, e se vê sozinho no planeta, tendo que sobreviver e encontrar um meio de avisar que ainda está vivo.

Ridley Scott é um cara que vai sempre morar nos nossos corações, afinal, o cara fez AlienBlade Runner. Mas, de uns anos pra cá, o cara só batia na trave – seus últimos filmes foram Prometeus, O Conselheiro do Crime e Êxodo: Deuses e Reis. Mas agora a coisa mudou: Perdido em Marte (The Martian, no original) é emocionante, divertido, tenso e engraçado, e um forte candidato a um dos melhores filmes do ano!

Baseado no livro homônimo de Andy Weir, o roteiro escrito por Drew Goddard (O Segredo da Cabana, Guerra Mundial Z) é muito bem equilibrado e flui bem ao contar a história de Mark Watney. Diferente do universo alienígena de AlienPrometeus, Perdido em Marte tem uma trama que lembra mais Gravidade: trata-se de um filme de sobrevivência.

A fotografia utiliza vários formatos de câmera, aproveitando o fato de terem várias câmeras espalhadas pela missão da NASA. Temos várias imagens de tela do computador e de câmeras acopladas às roupas e aos veículos, além das imagens tradicionais. Boa sacada!

O filme é estrelado por Matt Damon, em talvez o melhor papel de sua carreira. Sabe aquele filme pro cara ser indicado a prêmios? Perdido em Marte é um deles. Damon passa boa parte do filme sozinho, e seu Mark Watney é um personagem rico, um prato cheio para um bom ator se exercitar. Ainda é cedo, mas não vou achar estranho se houver indicações a prêmios. Um grande elenco acompanha Damon: Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Aksel Hennie, Chiwetel Ejiofor, Mackenzie Davis, Donald Glover, e um casal improvável, Sue Storm e Bucky Barns, quer dizer, Kate Mara e Sebastian Stan.

Falar de efeitos especiais numa produção deste porte é chover no molhado. Claro que os efeitos são top de linha. Mas, confesso, queria ver algo que mostrasse que a gravidade em Marte é bem menor que aqui na Terra.

Falando nisso, li um artigo onde astronautas criticam o lado científico de certas escolhas tomadas pelo roteiro. Parece que a tempestade de areia que acontece logo no começo – e que dá início à toda a trama do filme – não aconteceria daquele jeito por causa do ar rarefeito de Marte. Mas, como não sou cientista, não me incomodou. É um filme, galera!

Ouvi gente criticando o bom humor do filme. Discordo, gostei de como o personagem de Damon consegue manter o bom humor mesmo nas adversidades. E tem pelo menos uma piada nerd genial: a cena do “conselho de Elrond” (Sean Bean, que interpretou o Boromir, está presente na cena!). E não posso deixar de citar a trilha sonora, repleta de músicas disco que não têm nada a ver com o estilo, mas tudo a ver com a trama, e se encaixam perfeitamente.

Por fim, o 3D. Como sempre, nada demais. Perdido em Marte sobrevive em 2D.

p.s.: O Matt Damon também ficou sozinho num planeta em Interestelar. Gente, cuidado ao levá-lo para um planeta desabitado, o cara costuma se perder e ficar por lá!

 

Crítica – 12 Anos de Escravidão

12_anos_de_escravidaoCrítica – 12 Anos de Escravidão

Um pouco atrasado, vi o ganhador do Oscar de melhor filme de 2014.

EUA pré Guerra Civil. Solomon Northup, um negro livre, morador de Nova York, é sequestrado, levado para o sul e vendido como escravo.

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, no original), é tudo aquilo que parece ser. Um excelente elenco em um filme apenas correto, e com uma história previsível, filmada de modo tão lento que beira o tédio. E, pra piorar, o título do filme já entrega um grande spoiler: já sabemos que ele será escravo por um bom período de tempo.

Muita gente incensou este filme porque ele se baseia numa história real, e realmente é uma história forte – um cara livre forçado a viver como escravo. Mas o desenvolvimento ficou tão didático que parece que o filme será adotado em escolas… Isso sem falar no “maniqueísmo de botequim”, onde querem que o homem branco se sinta culpado por erros históricos que nada têm a ver com ele.

Acho que uma das coisas que atrapalhou foi o azar de vir pouco depois do Django Livre do Quentin Tarantino, filme que também aborda o tema da escravatura, mas sob outro ângulo, mais ácido e irônico. Steve McQueen (o diretor contemporâneo, não o ator famoso nos anos 70) não é Tarantino, em todas as fotos de divulgação ele passa a impressão de ser um cara sisudo. Um sujeito sério, falando sobre um assunto sério. E parece que McQueen filmou tudo com o objetivo de ganhar prêmios, tudo é muito contemplativo, um monte de câmera parada filmando o nada, pro espectador “pensar”. Objetivo alcançado, levou o Oscar de melhor filme. Pena que o resultado, enquanto cinema, ficou devendo.

Apesar dos defeitos, 12 Anos de Escravidão não chega a ser ruim. Além de uma fotografia caprichada e um ou outro plano-sequência aqui e acolá, o filme tem um elenco inspirado. Michael Fassbender, em sua terceira contribuição com o diretor, mostra (mais uma vez) que é um dos maiores atores do cinema contemporâneo. Chiwetel Ejiofor também está muito bem, passa segurança no papel principal. Curiosamente, a única pessoa do elenco que ganhou o Oscar foi a Lupita Nyong’o, que não está mal mas tem um papel apenas burocrático. Ainda no bom elenco, Paul Giamati, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Sarah Paulson, Alfre Woodard, Garret Dilahunt e uma ponta de Brad Pitt, também produtor (ganhou seu primeiro Oscar este ano por isso!).

Pena que, no fim do filme, em vez de uma reflexão sobre a escravatura, a mensagem que fica é “por que Solomon esperou 12 anos para falar com alguém sobre o seu problema?”

O Plano Perfeito

Crítica – O Plano Perfeito

Tem espaço pra falar de filme de sete anos atrás?

Em O Plano Perfeito (Inside Man, no original), dois policiais tentam negociar com o líder de um grupo que planejou o assalto a banco perfeito, mas que mantém reféns dentro do banco.

O diretor Spike Lee é famoso por seus filmes políticos, sempre levantando bandeiras contra o racismo. Mas aqui ele mostra talento em um filme bem hollywoodiano. A câmera é muito bem cuidada, são várias as boas sequências – rola até um plano-sequência interessante na parte final, quando os policiais estão verificando o interior do banco. Já o racismo é até citado, mas fica em segundo plano.

O roteiro, do pouco conhecido Russell Gewirtz, é muito bem escrito. Tá, o plano é fantasioso demais, a gente pode encontrar um furo aqui outro acolá, mas, de um modo geral, a ideia é muito boa. E o melhor: toda a trama flui facilmente. Outra coisa interessante é o personagem de Jodie Foster, que quebra o dualismo polícia / ladrão.

O elenco é muito bom. Além da já citada Jodie Foster, o filme conta com Denzel Washington, Clive Owen, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor e Kim Director

O Plano Perfeito pode não ter muito a ver com o resto da carreira de Spike Lee. Mas não é, de jeito nenhum, um momento a ser apagado de sua filmografia.