Corra que a Polícia Vem Aí (2025)

Crítica – Corra que a Polícia Vem Aí (2025)

Sinopse (imdb): Apenas um homem tem as habilidades necessárias para liderar o Esquadrão Policial e salvar o mundo.

Lembro quando anunciaram o novo Corra Que a Polícia Vem Aí. Não tenho ideia do motivo de terem escalado Liam Neeson para o papel principal – talvez pela piada besta dele ter o sobrenome parecido com o protagonista anterior, Leslie Nielsen. Enfim, não sei o motivo, mas posso afirmar que foi uma boa escolha. Corra Que a Polícia Vem Aí é divertidíssimo, e Liam Neeson está ótimo no papel!

Mas antes de entrar no filme, uma pequena recapitulação. Nem todos lembram, mas antes do primeiro Corra Que a Polícia Vem Aí, existiu um seriado, lançado em 1982, que acho que não passou nas tvs brasileiras na época, mas tenho certeza de que foi lançado em VHS no fim dos anos 80 ou início dos 90 (sei disso porque heu vi, eram só seis episódios de vinte e poucos minutos cada, dava pra ver tudo alugando as fitas). A série era uma criação do trio ZAZ, David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker, os mesmos criadores de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e Top Secret, duas das melhores comédias nonsense da história do cinema. Lançado em 1988, o primeiro Corra Que a Polícia Vem Aí foi dirigido por David Zucker com roteiro do trio, e o mesmo aconteceu com o segundo, Corra Que a Polícia Vem Aí 2 1/2, de 1991. Em 94 fizeram o terceiro, Corra Que a Polícia Vem Aí 33 1/3, que já tinha outro diretor e outro roteirista.

Anos se passaram, agora chegou a continuação, Corra Que a Polícia Vem Aí (o mesmo nome, problema semelhante ao recente Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado – por que não colocar um número???). Nenhum dos três ZAZ está presente aqui. A direção é de Akiva Schaffer, diretor do excelente (e pouco conhecido) Tico e Teco e os Defensores da Lei. A boa notícia é que Schaffer consegue recriar o estilo de humor nonsense semelhante ao do trio. Sabe aquele humor absurdo, tipo o protagonista mastigar um revólver para mostrar que é muito forte? Poizé, isso acontecia naqueles filmes e também acontece aqui.

Vou além: Schaffer também usa uma coisa que heu chamo de “piada em duas camadas” (nem sei se esse termo existe), que é quando o filme está contando uma piada, e lá ao fundo acontece outra piada diferente. Tipo quando, logo no início,  Frank Debrin entra na delegacia e estão tirando a foto de um suspeito (o “mugshot”) e tem um ventilador pro cabelo do suspeito ficar esvoaçante. Isso não é importante pra trama, é algo que está lá ao fundo – mesmo assim, é uma piada bem construída e bem executada. Isso tinha de monte nos filmes dos ZAZ, Schaffer soube recriar a ideia, você pode rever o filme e encontrar novas piadas que estão ao fundo das cenas.

Há tempos heu não via uma comédia tão engraçada numa sala de cinema. Atualmente, os filmes mais engraçados são os filmes de super herói, tipo Deadpool e Wolverine. Fui checar aqui no heuvi, de um ano pra cá só vi seis comédias: Golpe de Sorte em Paris, Anora, Operação Natal, Lobos, Bridget Jones e O Esquema Fenício – nenhum dos seis chega a causar gargalhadas. Vou te falar que Corra Que a Polícia Vem Aí sozinho tem mais piadas que todos os seis somados!

(Vou falar uma heresia. Semana passada revi o primeiro Corra Que a Polícia Vem Aí de 1988, pra me lembrar do clima do filme. E preciso dizer que ri mais neste novo filme de 2025.)

E, assim como Leslie Nielsen funcionava muito bem como o Frank Debrin pai nos filmes dos anos 80 e 90, Liam Neeson aqui está ótimo. O personagem tem que ser um cara completamente sem noção, e manter uma expressão séria diante de vários absurdos. Heu ia dizer que é o melhor filme do Liam Neeson em muito tempo, mas isso é fácil, ele só tem feito porcarias de um bom tempo pra cá. Ah, curiosidade: não parece, mas Liam Neeson hoje é bem mais velho do que Leslie Nielsen quando fazia os filmes. Neeson está com 72 anos; Nielsen tinha 67 quando filmou o terceiro, Corra Que a Polícia Vem Aí 33 1/3.

Claro, nem todas as piadas funcionam. Mas é uma crítica que também faço aos filmes antigos, porque não acho graça em “piada de pum” – como quando Frank Debrin está mostrando as filmagens da câmera corporal e a gente vê que ele teve diarreia. Mas, como esse estilo de piada também estava nos outros filmes, não cabe reclamar agora – no primeiro filme, Frank Debrin vai ao banheiro com um microfone de lapela ligado ao som de uma entrevista coletiva. Mesmo assim, as boas piadas superam as piadas ruins.

No elenco, o único nome que vale ser citado além de Neeson é Pamela Anderson, que entrou bem no clima das piadas absurdas. Também no elenco, Danny Houston, Kevin Duran, Paul Walter Hauser e CCH Pounder.

No fim do filme, são duas cenas pós créditos. Mas as piadas não ficam só nessas duas cenas. Tem uma música nos créditos que é continuação de uma piada do filme; e ao longo dos créditos, várias piadinhas espalhadas. Vale ficar pra ler.

Por fim, a sessão de imprensa foi dublada, o que achei ruim. Entendo que queiram adaptar algumas piadas para o público brasileiro, mas sempre acho que um filme perde com a dublagem.

O Corvo

Crítica – O Corvo

Sinopse (imdb): Eric Draven e Shelly Webster são almas gêmeas conectadas por um passado sombrio. Após o brutal assassinato do casal, é concedido a Eric uma chance de salvar seu verdadeiro amor. Ele, então, embarca em uma jornada implacável por vingança.

Antes de tudo, peço desculpas pelo atraso. Tinham duas sessões de imprensa no mesmo dia, O Corvo e Longlegs. Escolhi o segundo, e vi O Corvo depois, no circuito.

Rolava um certo receio. A sessão de imprensa foi no dia da estreia. Já comentei em outras ocasiões, quando a assessoria “esconde” o filme, normalmente é porque não é bom. Entrei na sala de cinema com a expectativa lá embaixo. Mas, olha, não é que me surpreendeu positivamente? Não que O Corvo (The Crow, no original) seja um grande filme, mas não é a catástrofe anunciada.

A HQ O Corvo teve uma adaptação em 1994, muito cultuada. Trazia um visual de videoclipe e causou uma grande comoção porque Brandon Lee, o ator principal, morreu no set, quando faltavam poucos dias para encerrarem as filmagens. Mas heu não gosto muito daquele filme, porque acho que o personagem principal ganha super poderes meio que do nada. O cara é assassinado logo no início do filme e já volta com a habilidade do Batman e poder de regeneração do Wolverine.

No novo filme, dirigido por Rupert Sanders (Ghost in the Shell, Branca de Neve e o Caçador, a gente conhece mais a fundo o relacionamento do casal, e quando ele volta dos mortos não está exatamente pronto para enfrentar os inimigos, ele apanha muito antes de conseguir seus objetivos. Outra coisa importante: o grande vilão tem uma conexão sobrenatural, o que justifica um personagem voltar dos mortos para enfrentá-lo. Nessa parte o filme novo é melhor.

Por outro lado, preciso dizer: se no filme de 94 tudo foi muito abrupto, neste filme achei que a parte do relacionamento do casal se estendeu demais. Ok, a gente já entendeu, bora seguir com a história!

(Os dois filmes são bem diferentes. Não li a HQ, não sei qual dos dois filmes é mais fiel.)

O Corvo ainda tem uma outra coisa melhor que o filme dos anos 90. A parte final, onde o protagonista enfrenta vários adversários num teatro onde está acontecendo uma ópera, é muito boa. Boas coreografias de luta – coreografias que conversam com as coreografias da ópera. Muita violência, muito sangue, várias partes de corpos decepadas, é uma sequência longa e muito boa.

No elenco, o nome a ser citado é Bill Skarsgård, mais uma vez mandando muito bem. O cara é bom ator e ainda tem porte físico compatível com o personagem. FKA twigs, cantora em seu primeiro filme (e que heu nunca tinha ouvido falar), faz o principal papel feminino, e funciona pro que o filme pede. O outro nome famoso é Danny Huston, que faz mais uma vez um vilão, igual a vários outros que ele já fez.

Achei o resultado final ok. Vejo muita gente em volta odiando esta nova versão, mas não achei motivo pra tanto ódio, me parece que são fãs do filme de 94 que não aceitam uma nova versão. Mas, como falei, é apenas ok. Porque no sub gênero “filme de vingança”, achei Contra o Mundo, estrelado pelo mesmo Bill Skarsgård, muito melhor que esse O Corvo.

O Convento

Crítica – O Convento

Sinopse (imdb): Após a misteriosa morte do Padre Michael, sua irmã, Grace, decide viajar até o convento onde ele vivia na Escócia para descobrir o que realmente aconteceu. Sem confiar na versão oficial da Igreja, ela investiga por conta própria.

Confesso que fui ver este O Convento (Consecration, no original), novo lançamento de terror, com a expectativa lá embaixo. Tivemos tantos filmes de terror ruins recentemente que achei que este era mais um pra lista. Mas, olha, a pouca expectativa ajudou. O Convento não é um grande filme, mas é menos ruim do que a média que temos recebido.

A direção é de Christopher Smith, que em 2009 dirigiu o bom Triângulo do Medo, um filme de viagem no tempo que costumo recomendar pra quem está atrás de filmes pouco conhecidos sobre o tema. Curiosamente, nunca vi nenhum outro filme do diretor.

Já comentei aqui outras vezes: quando um filme acaba mal, perde pontos; quando acaba bem, ganha pontos. O Convento é um filme mediano, mas que termina com um plot twist bem legal, e isso melhora a sua nota.

Triângulo do Medo deixava pontas soltas e depois resolvia, e o mesmo acontece em O Convento. Algumas coisas parecem sem sentido, mas rola um plot twist no final onde boa parte dessas coisas passa a ter sentido. (Algumas coisas continuam sem sentido, tipo o policial deixar a protagonista investigar sozinha uma cena de dois possíveis crimes, mas a gente releva.)

Além de ser um filme bem lento, O Convento traz outro problema: é um terror que não assusta. Não tem jump scare, não dá medo – e ainda por cima usa e abusa de todos os clichês do subgênero “terror religioso”. Pelo menos o cenário do convento na Escócia é bonito.

A protagonista é interpretada por Jena Malone (Sucker Punch, Demônio de Neon), que funciona para o que o filme pede. O único outro nome que heu conhecia no elenco é Danny Houston (Mulher-Maravilha, X-Men Origens Wolverine http://www.heuvi.com.br/x-men-origins-wolverine/), que está caricato como sempre – aliás, o personagem também é ruim. Também no elenco, Thoren Ferguson, Janet Suzman, Alexandra Lewis e Eilidh Fisher.

O plot twist deixa espaço para uma continuação, mas espero que não aconteça. Terminou bem, deixa quieto!

A Noite do Jogo

a-noite-do-jogoCrítica – A Noite do Jogo

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos que se reúne regularmente para as noites de jogos se vê envolvido em um mistério da vida real.

Sabe quando um filme se propõe a ser apenas uma boa diversão – e consegue?

A Noite do Jogo (Game Night, no original) junta alguns bons atores numa comédia cheia de situações limite. E consegue algo que nem toda comédia consegue: o filme é engraçado. E com uma vantagem: sem precisar usar humor de baixo calão!

O clima me lembrou Depois de Horas, do Scorsese, onde Griffin Dunne se mete em uma roubada atrás da outra. Aqui, quase toda a ação se passa em uma única noite, e o espectador é surpreendido por algumas viradas de roteiro.

A Noite do Jogo foi dirigido pela dupla John Francis Daley e Jonathan Goldstein, que dirigiram o reboot de Férias Frustradas e escreveram Homem-Aranha: De Volta ao Lar. A dupla manda bem no ritmo das gags, e ainda tem um bom plano sequência (que parece emendado por computador), na cena onde eles roubam o ovo.

O elenco é um trunfo. Rachel McAdams, Jason Bateman e Kyle Chandler mostram boa química e conduzem bem o filme, auxiliados pelos coadjuvantes Sharon Horgan, Billy Magnussen, Kylie Bunbury e Lamorne Morris, todos com características bem construídas. Jesse Plemons está excelente com seu personagem esquisitão. E ainda tem Jeffrey Wright, Michael C. Hall e Danny Houston em papéis menores.

A Noite do Jogo não vai mudar a vida de ninguém. Nem deve entrar em listas de melhores do ano. Mas provavelmente vai agradar quem quiser se divertir por duas horas no cinema.

Mulher-Maravilha

Mulher MaravilhaCrítica – Mulher-Maravilha

Antes de ser a Mulher Maravilha, ela era Diana, princesa das amazonas, guerreira treinada. Quando um piloto da Primeira Guerra Mundial cai em sua ilha e fala de conflitos no mundo exterior, ela sai de casa para lutar contra uma guerra para acabar com todas as guerras, descobrindo seus poderes e o verdadeiro destino.

Mulher-Maravilha (Wonder Woman, no original) tinha a responsabilidade de levantar o universo cinematográfico da DC, depois das duas decepções do ano passado (Batman V Superman e Esquadrão Suicida). Fãs da DC, afoitos, estão achando que é o melhor filme de super-heróis desde o Superman de 1978. Menos, gente…

Mulher Maravilha não é ruim, longe disso. Se a gente se desligar dessa responsabilidade, o filme é muito bom. Um bom filme de origem de super-herói, com uma personagem carismática e várias boas sequências de ação. E, diferente dos dois filmes do ano passado, é colorido e engraçado – será que alguém resolveu copiar o estilo do concorrente? 😉

Dirigido por Patty Jenkins (que dirigiu Monster: Desejo Assassino, o filme que deu o Oscar a Charlize Theron), Mulher Maravilha consegue o que todo filme de super herói deveria ser capaz: divertir. O espectador vai se empolgar, vai rir, vai se emocionar. Torçamos para que a Warner / DC tenha encontrado o caminho!

Teve uma coisa que me incomodou muito, mas só posso falar depois dos avisos de spoiler.

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

O roteiro tem uma forçada de barra aqui, outra acolá, quase todas são bobas, coisas comuns em quase todos os filmes de ação. Mas dois detalhes devem ser mencionados:

– A cena da luta na praia é toda errada. Pra começar, tem um navio encalhado, de onde vieram alguns escaleres com soldados, mas depois simplesmente esquecem da existência do navio. E, pra piorar, as amazonas entram na praia e matam TODOS os “soldados homens armados”, mas deixam um – o mocinho. Claro, senão não existiria o filme…

– O final do filme traz muitas semelhanças com o final do primeiro Capitão América – um soldado chamado Steve se despede da sua “amada”, entra no avião inimigo, cheio de armas, e o avião sofre um acidente.

FIM DOS SPOILERS!

Apesar disso, o resultado final é muito bom. Heu ia falar que é melhor que Esquadrão Suicida, mas isso não é difícil. Deixemos o passado no passado, agora os fãs da DC têm motivo pra comemorar! E os fãs de cinema pop de um modo geral idem!

No elenco, Gal Gadot, a protagonista, está dividindo opiniões. Por um lado ela é limitada como atriz; mas por outro lado ela tem um muito carisma. Heu particularmente gostei, pra mim, o carisma compensa o que falta. Chris Pine está bem como o seu par, e digo o mesmo sobre o heterogêneo time que o acompanha (Ewen Bremner, Saïd Taghmaoui e Eugene Brave Rock) – uma das melhores coisas do filme (ao lado do bem colocado alívio cômico feito por Lucy Davis). As amazonas Robin Wright e Connie Nielsen também estão bem; por outro lado, Danny Huston e David Thewlis estão no limite da caricatura. Ia falar o mesmo sobre a Elena Anaya, mas ela está tão apagada que nem sei se dá pra falar mal…

Enfim, finalmente um bom filme baseado em DC. Vamos mandar boas vibrações para o filme da Liga da Justiça que estreia em breve!

Grandes Olhos

Grandes OlhosCrítica – Grandes Olhos

Filme novo do Tim Burton!

Cinebiografia da pintora Margaret Keane, seu sucesso nos anos 50, e as subsequentes dificuldades legais que ela teve com seu marido, que levou crédito pela autoria dos seus quadros nos anos 60.

De vez em quando falo aqui sobre alguns raros autores que ainda sobrevivem no cinema contemporâneo. Gente como Wes Anderson (que concorre ao Oscar este ano!), Terry Gilliam e Tim Burton. Diretores que conseguem ter um estilo próprio: você vê o filme e logo identifica quem é o diretor.

Pena. Grandes Olhos (Big Eyes, no original) não parece um filme do Tim Burton…

Burton tem uma filmografia que foge do lugar comum, seus filmes sempre têm um pé no dark, no gótico, no estranho, no esquisito. E Grandes Olhos é exatamente o oposto disso: um filme convencional e linear – e previsível. (Pra não dizer que não tem nada no estilo de Tim Burton no filme, a “cena dos olhos”, no supermercado, é a cara do diretor. E é um dos melhores momentos do filme. Pena que passa rapidinho…)

Se salvam as atuações do casal principal. Amy Adams está ótima como a protagonista, inclusive ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz por este filme no mês passado. E é sempre delicioso ver Christoph Waltz, mesmo que esteja no limite da caricatura com o seu “quase vilão”. Por outro lado, os coadjuvantes são fracos, mas não culpo o elenco, e sim o roteiro – tire as cenas com a Krysten Ritter, e o filme continua igual. Ainda no elenco, Danny Houston, Terence Stamp e Jason Schwartzman.

Grandes Olhos não chega exatamente a ser ruim, mas vai decepcionar muita gente. Principalmente os fãs do Tim Burton.

The Warriors Way

Crítica – The Warriors Way

Um guerreiro oriental, exímio espadachim, se refugia em uma cidade do velho oeste americano, depois de se recusar a matar uma pequena criança do clã inimigo.

Filme de estreia do roteirista e diretor Sngmoo Lee, The Warriors Way é um filme estranho. Apesar do bom elenco e de um visual deslumbrante, o resultado final não empolga.

O visual é belíssimo. Pelo que li, a maior parte dos cenários e paisagens são digitais, criando lindas imagens oníricas. E algumas lutas são muito bem coreografadas, com vários movimentos de câmera interessantes – gostei muito da luta de facas ao som de música clássica, durante a festa de natal.

O elenco também está muito bem. Não conhecia o ator Jang Dong Gun Jang, o protagonista, mas outros três nomes no elenco chamam a atenção: Kate Bosworth, mostrando ao mesmo tempo graça e desejo de vingança; Danny Houston e seu vilão ensandecido; e Geoffrey Rush, sensacional como sempre, como o misterioso bêbado da cidade.

Não sei identificar exatamente o que não funciona. Mas um defeito claro é a falta de identidade, às vezes o filme parece comédia; às vezes, ação; às vezes, faroeste. Infelizmente, a mistura de estilos, que funciona tão bem em alguns filmes, aqui deu errado.

Mesmo assim, gostei do resultado. E, de mais a mais, não é todo dia que a gente vê artistas de circo lutando contra caubóis e depois ninjas se metendo na briga – e isso tudo no velho oeste!

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Se você gostou de The Warriors Way, o Blog do Heu recomenda:
Sukiaki Western Django
Sucker Punch – Mundo Surreal
A Batalha dos 3 Reinos

Boogie Woogie

Boogie Woogie

Sou muito fã do filme Boogie Nights, com a Heather Graham. Quando heu soube de um filme com a mesma atriz, chamado Boogie Woogie, corri para ver!

Mas Boogie Woogie não tem nada a ver com os temas do filme de 1997. Boogie Woogie é um quadro de Mondrian, e o filme aqui fala de arte moderna. O filme mostra os bastidores da cena londrina contemporânea de arte moderna.

O elenco é muito bom. Heather Graham, Amanda Seyfried, Gillian Anderson, Charlotte Rampling, Gemma Atkinson, Jaime Winstone, Christopher Lee, Alan Cumming, Danny Huston e Stellan Skarsgard, entre outros menos cotados. Mas o roteiro é fraco… As várias situações são jogadas aparentemente sem um objetivo, sem seguir uma ordem lógica. Por exemplo, pra que serviu a cena da cirurgia de Paige?

Boogie Woogie foi baseado num livro homônimo, provavelmente no livro tudo é melhor explicado. Mas aqui no filme não funciona…

Mesmo assim, por ter uma edição ágil e ser um filme curtinho (pouco mais de hora e meia), e pelo elenco, Boogie Woogie não é chato. Pode ser uma opção para quem não for muito exigente.

Robin Hood

Robin Hood

Um novo filme do Robin Hood, dirigido por Ridley Scott? Promete! Bem, prometia…

O filme começa com o rei Ricardo Coração de Leão voltando das Cruzadas, falido, saqueando castelos no caminho. Robin é um arqueiro de seu exército que acaba preso pelo próprio rei, mas uma série de fatos acabam levando-o para Nottingham e depois para a liderança do exército inglês.

Bem, este novo Robin Hood tem dois problemas. O primeiro é que se trata do início da lenda de Robin Hood. Ou seja, vai decepcionar quase todos os desavisados que esperam encontrar a floresta de Sherwood e todo aquele papo de “roubar dos ricos para dar aos pobres”. Tudo bem que a mania de reboots está na moda em Hollywood, mas já que é assim, este filme deveria se chamar Robin Hood Begins.

E aí vem o segundo problema, este um pouco mais grave. Todos sabemos que a expectativa de vida na Idade Média era baixa. Um homem de 40 anos já era um senhor! E aí vemos Russell Crowe, que acabou de completar 46 anos, como um Robin Hood “em início de carreira”. Olha, até que Crowe não está mal como Robin, mas deveria ter uns 15 anos a menos! Aparentemente Ridley Scott quis repetir a parceria que deu certo em Gladiador (2000) e em quatro outros filmes, mas se esqueceu que os anos se passaram…

Como falei, Crowe está bem, mas um pouco velho. Isso refletiu em seu par. Cate Blanchett está ótima (como sempre) como Marion. Mas, com 41 anos, acho que é a primeira Marion balzaquiana da história!

O resto do elenco é interessante e foi bem escolhido. Max Von Sydow também está ótimo, e o mesmo falo de um quase irreconhecível William Hurt, cabeludo e barbudo. Oscar Isaac surpreende como o explosivo príncipe John, e Mark Strong, pela terceira vez no ano, faz um vilão consistente (ele fez o mesmo em Sherlock Holmes e Kick-Ass). Ainda no elenco, Scott Grimes, Allan A’Dayle, Kevin Durand, Mark Addy e Danny Huston.

Mas o que sobra no elenco falta no roteiro. Não só não vemos Robin Hood como gostaríamos, como ainda temos vários momentos forçados. Ora, em toda a Inglaterra, Robin foi parar justo na casa da única pessoa que conhece a sua infância? Frei Tuck sabia lutar na frente de batalha? E isso faz certas coisas perderem a credibilidade, como aquele desembarque que parece o dia D na Normandia na Segunda Guerra Mundial!

Pelo menos o filme é tecnicamente bem feito, o que era de se esperar, já que estamos falando de uma superprodução hollywoodiana dirigida por Ridley Scott. É só a gente ignorar o que conhece sobre Robin Hood e não dar bola pra detalhes de roteiro…

O Fim da Escuridão

O Fim da Escuridão

Ontem falei aqui de um filme trash bem trash mesmo, quase homônimo a esse: Edges of Darkness (o nome original deste O Fim da Escuridão é Edge of Darkness, no singular). Mas os dois só tem isso em comum, O Fim da Escuridão é filmão hollywoodiano!

Thomas Craven (Mel Gibson) é um policial que presencia o assassinato de sua filha de 24 anos, que o visitava. A princípio, todos achavam que o próprio Thomas era o alvo, mas, ao investigar, descobrimos que a filha estava metida em uma grande teoria conspiratória.

Um grande trunfo de  O Fim da Escuridão é o personagem protagonista Thomas Craven. Ao ver sua filha morta, Craven vê que não tem mais nada a perder. Violento, eficiente e vingativo, Craven é o “mocinho” que as plateias gostam de ver. Chega de mocinhos politicamente corretos!

Mel Gibson estava afastado dos sets. Seu último trabalho como ator foi The Singing Detective, em 2003. Depois diso, dirigiu (mas não atuou) A Paixão de Cristo em 2004 e Apocalypto em 2006. Não sei exatamente os motivos de seu afastamento, se foi por motivos pessoais ou profissionais. Mas podemos ver que a volta foi em alto estilo.

No elenco o único nome “forte” é o de Gibson. Ray Winstone (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Um Amor de Tesouro) e Danny Huston (X-Men Origins: Wolverine, 30 Dias de Noite) não são nomes tão famosos assim, mas estão bem, assim como o resto do elenco. Curiosidades sobre os nomes femininos: a sérvia Bojana Novakovic, que interpreta a filha de Craven, esteve em Arraste-me Para o Inferno; a canadense Caterina Scorsone, amiga da filha, era a protagonista Alice na minissérie do SyFy.

Na verdade, O Fim da Escuridão é a refilmagem de uma minissérie dos anos 80, dirigida pelo mesmo diretor Martin Campbell – que recentemente fez um dos últimos 007, o Cassino Royale. Não vi a série de seis capítulos, então não posso comparar. Mas posso dizer que, como um longa metragem, funciona bem.

Enfim, boa opção nas telas cariocas. O filme estreou sexta passada!