As Ovelhas Detetives

Crítica – As Ovelhas Detetives

Sinopse (imdb): Todas as noites, um pastor lê em voz alta uma história de mistério e assassinato, fingindo que suas ovelhas conseguem entender. Quando ele é encontrado morto, as ovelhas percebem imediatamente que se trata de um assassinato e acreditam saber tudo sobre como resolvê-lo.

As Ovelhas Detetives estava na minha lista de expectativas para 2026. Na verdade, era mais pela curiosidade com o elenco de vozes escalado para as ovelhas. Mas quando o filme foi lançado aqui, em vez de sessão de imprensa, teve pré estreia no fim de semana, aberta pra crianças. Aí meio que desanimei, porque o tratamento que a assessoria deu ao filme dava a impressão de que o filme teria uma abordagem muito infantil – e ainda ia perder as vozes originais na sessão dublada em português.

Aí o filme apareceu na Prime e resolvi arriscar. Caramba, que surpresa agradável! As Ovelhas Detetives é bem melhor do que parecia!

Ok, não estamos falando de um “novo clássico”, de um filme “obrigatório” (como, por exemplo, Uma Aventura Lego ou Tico e Teco e os Defensores da Lei, filmes que são muito melhores do que o que parecem ser). Mas As Ovelhas Detetives é leve e divertido, e traz um bem sacado whodunit no roteiro.

(Pra quem não sabe, whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. Os recentes filmes da série Knives Out são bons exemplos.)

George Hardy é um pastor que trata suas ovelhas com carinho, quase como se fossem humanos. Inclusive, gosta de ler livros policiais para o rebanho. Quando ele aparece morto, as ovelhas – que conversam entre elas – resolvem descobrir quem é o assassino. O problema é que os humanos não entendem o que elas falam.

As Ovelhas Detetives é baseado no livro Three Bags Full, lançado em 2005, e é dirigido por Kyle Balda, que até agora só tinha dirigido longas de animação, como Minions e Meu Malvado Favorito 3. Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego, Devoradores de Estrelas) estão na produção, mas não sei o quanto eles interferiram no projeto.

O roteiro constrói bem o whodunit, mas algumas partes aqui e ali lembram que esse é um filme para crianças – a explicação da tinta verde na mão soou forçada demais. Nada grave, felizmente.

Não costumo reclamar de efeitos especiais, mas achei os efeitos aqui bem fracos. Algumas ovelhas parecem muito mal feitas. Não chega a atrapalhar, mas, com a tecnologia atual, podiam ser mais convincentes.

Por outro lado, o elenco é bem acima da média. Hugh Jackman seria o principal, mas seu personagem sai cedo da trama (segundo o imdb, ele filmou todas as suas cenas em dez dias). Emma Thompson faz a advogada, e o “He-Man” Nicholas Galitzine também tem um papel importante. E, entre as ovelhas, temos Julia Louis-Dreyfus, Patrick Stewart, Bryan Cranston, Regina Hall, Bella Ramsey, Chris O’Dowd e Brett Goldstein, entre outros.

As Ovelhas Detetives não vai mudar a vida de ninguém. Mas quem assistir não vai se arrepender.

Thunderbolts*

Crítica – Thunderbolts*

Sinopse (imdb): Depois de se verem presos em uma armadilha mortal, uma equipe não convencional de anti-heróis deve embarcar em uma missão perigosa que os forçará a confrontar os cantos mais sombrios de seus passados.

(Antes de tudo, aquele aviso pra quem não me conhece: não leio HQs de super heróis, nem sei se existe uma HQ dos Thunderbolts. Meus comentários serão sobre o filme e o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU)).

Já comentei antes. Entre 2008 e 2019, a Marvel fez um trabalho excepcional nos cinemas. Lançamentos da Marvel eram quase sempre garantia de um bom filme. Mas, de lá pra cá, a situação mudou, e muitos dos títulos decepcionaram.

Este ano a previsão era de três longas da Marvel: Capitão América 4, que foi mais do mesmo. Antes do fim do ano teremos Quarteto Fantástico, que promete ser uma grande revolução no MCU. E tinha esse Thunderbolts*, uma grande incógnita. O que esperar de um filme que só tem personagens secundários?

Não sei se é porque heu não tinha nenhuma expectativa, mas, não é que curti Thunderbolts*? Não é um grande filme, não vai mudar a vida de ninguém, mas posso dizer que me diverti no cinema. Curti bem mais do que Capitão 4.

Dirigido pelo pouco conhecido Jake Schreier, Thunderbolts* traz um time de personagens que parecem refugo de outros filmes. O único que tem alguma relevância no MCU é o Bucky (Sebastian Stan), parceiro do Capitão América original e que esteve em oito filmes e na série Falcão e o Soldado Invernal. O resto é tudo “lado B”: Yelena Belova (Florence Pugh), irmã adotiva da Natasha Romanoff e que também tem treinamento de Viúva Negra e que estava no filme Viúva Negra e na série Gavião Arqueiro; o Guardião Vermelho (David Harbour), pai adotivo da Natasha e da Yelena, e que estava no filme Viúva Negra; Antonia Dreykov (Olga Kurylenko), a Treinadora, também do filme Viúva Negra; John Walker (Wyatt Russell), o “Capitão América da Shopee”, da série Falcão e o Soldado Invernal; Ghost (Hannah John-Kamen), vilã de Homem Formiga 2; e o Bob (Lewis Pullman), personagem novo. Sim, apenas Bob, isso será explicado no filme. Ah, também tem a Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus), que faz uma espécie de Nick Fury aternativa, e que esteve em Falcão e o Soldado Invernal, Viúva Negra e Pantera Negra 2.

(Em tempos de “nepo babies”, temos o filho do Kurt Russell e o filho do Bill Pullman…)

Parecia que o protagonismo ia ser do Sebastian Stan, né? Não, na verdade é a Florence Pugh quem lidera o filme. E faz um excelente trabalho – ela inclusive saltou do segundo prédio mais alto do mundo sem usar dublês! Aliás, o filme sabe equilibrar bem a quantidade de personagens, não tem nenhum personagem que parece que está só pra ser “mais um”. E apesar de todos parecerem secundários demais, o time “deu liga”.

(Só não entendi por que um dos personagens sai logo no início do filme. Me parece que o ator/atriz estava com algum problema pessoal ou contratual e não podia seguir no filme. Ficou estranho usar um personagem em toda a divulgação e não usá-lo ao longo do filme.)

As cenas de ação são boas, e, claro, é Marvel, tem muito humor – achei o personagem do Guardião Vermelho um alívio cômico perfeito. E tem uma sequência muito boa no meio do filme que, não sei se foi proposital ou não, mas lembrou muito O Exterminador do Futuro.

Thunderbolts* ainda entra no delicado assunto da depressão, tanto nos protagonistas quanto no antagonista. Agora, não vou entrar em spoilers, mas a parte final atinge parte da população “civil”. Quando o Thanos estalou os dedos, isso afetou o mundo e isso foi tratado em outros filmes; será que os próximos filmes vão lidar com o que aconteceu com as pessoas afetadas?

Ainda sobre a sequência final, Thunderbolts* ser um filme dentro do MCU traz outro problema recorrente: onde estavam outros heróis? O Doutor Estranho não mora na mesma cidade onde se passa o filme? O Sam Wilson não estava por aí “anteontem” como o novo Capitão América? Por que Thunderbolts* nem sequer menciona os outros heróis? (Um evento de Capitão América 4 é citado, ou seja, eles confirmam que estão no mesmo universo!).

Mesmo assim, achei o resultado de Thunderbolts* muito positivo. Não é o melhor filme da Marvel, mas acho que podemos dizer que é o melhor desde Guardiões da Galáxia 3. Agora aguardemos Quarteto Fantástico pra saber se Thunderbolts* foi um caso isolado ou se estamos numa curva ascendente.

Por fim, o tradicional da Marvel: duas cenas pós créditos, uma piadinha no meio dos créditos, e um gancho pro próximo filme lá no fim de tudo. Achei um gancho meio previsível, mas, ok.

Ah, o asterisco no título do filme tem sentido. Assim como o Bob, é explicado no filme.