Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

O quadragésimo primeiro filme do Woody Allen!

Depois de quarenta anos de casamento, Alfie (Anthony Hopkins) se separa de Helena (Gemma Jones) e sai em busca da juventude perdida. Arrasada, Helena passa a consultar uma vidente. Ao mesmo tempo, sua filha Sally (Naomi Watts) precisa administrar o desejo pelo seu novo chefe, Greg (Antonio Banderas), com a crise em seu casamento com Roy (Josh Brolin), um escritor picareta que fez sucesso só com seu livro de estreia e enfrenta crises criativas enquanto flerta com sua vizinha violonista Dia (Freida Pinto).

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos não é um grande filme. Allen já fez coisa melhor. Mesmo assim, não vai decepcionar seus fãs.

Parece que Allen descobriu uma boa fórmula para se fazer um filme: junte uma história simples, construa bons personagens e chame bons atores para interpretá-los. Pronto! Você pode não ter um grande filme em mãos, mas pelo menos tem um filme melhor do que a média que rola por aí. E, se a gente se lembrar que Allen está com mais de setenta anos e faz quase um filme por ano, acho que tá valendo.

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos segue esse caminho. O filme vale pelo elenco, afinal, não é todo dia que temos Anthony Hopkins, Naomi Watts, Antonio Banderas, Josh Brolin, Freida Pinto, Gemma Jones e Anna Friel juntos, né?

Já o roteiro, bem, na minha humilde opinião, acho que muitas pontas foram deixadas soltas. Custava ter dado alguns fins nas várias histórias? Muita coisa ficou sem explicação. E sem necessidade.

Achei um detalhe técnico curioso: muitas cenas são filmadas sem cortes, com uma única câmera acompanhando o diálogo. Isso faz muitos personagens ficarem de costas para a tela enquanto falam. Definitivamente, isso é incomum!

Como disse lá no começo, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos não é uma obra prima, mas é um filme agradável e não vai decepcionar os fãs de Woody Allen.

13º Andar

13º Andar

Depois de rever Cidade das Sombras, revi 13º Andar.

O pesquisador da informática Hannon Fuller fez uma descoberta muito importante e está prestes a revelar para o seu colega Douglas Hall, mas, para evitar ser seguido, deixa uma carta em um mundo virtual criado por ambos. Logo depois, Fuller é assassinado. Douglas agora precisa descobrir onde está escondido o segredo – em qual dos mundos?

13º Andar é uma ficção científica diferente daquelas de visual futurístico com naves espaciais e mundos extraterrestres. O filme explora realidades virtuais, assim como Cidade das Sombras, feito um ano antes, e Matrix, lançado pouco depois. Achei curioso ver como imaginávamos a realidade virtual uma década atrás, depois de uma temporada inteira de Caprica e seus holobands – como será que vamos ver os holobands daqui a dez anos?

Um parágrafo para falar do trio Matrix – Cidade das Sombras – 13º Andar. Heu tinha visto 13º Andar há muito tempo, uma vez só, na época do lançamento, e achava que era mais parecido com Matrix. Mas não é. Cidade das Sombras sim, se fosse lançado depois, poderia ser acusado de plágio (foi lançado um ano antes), ambos falam de um cara que “acorda” em um mundo que na verdade é uma ilusão, e lutam contra esta ilusão. Mas 13º Andar não tem a mesma história, apenas usa a mesma premissa da vida em uma realidade virtual. Vale ressaltar que Matrix é o mais famoso dos três (e também o melhor), mas foi o último a ser lançado – por isso as comparações são válidas.

(Tem gente que inclui Existenz, também de 1999, nesta mesma lista. Mas aí já acho mais diferente, já que se trata de um jogo que usa realidade virtual.)

Voltando ao filme…

13º Andar foi escrito e dirigido por Josef Rusnak, e na minha humilde opinião, ele fez um bom trabalho. Curiosamente, ele não tem mais nada digno de nota no currículo…

Como falei, o visual de 13º Andar não lembra nem um pouco um filme de ficção científica. Parte do filme se passa nos dias de hoje, parte se passa no ano de 1937, em uma excelente reconstituição de época. Só algumas cenas isoladas têm “cara” de ficção científica.

O papel principal coube a Craig Bierko, que não está aí atéhoje, mas nunca alcançou o estrelato, nunca fez nada muito conhecido. Os coadjuvantes são melhores: Armin Mueller-Stahl (Shine, Anjos e Demônios) e Vincent D’Onofrio (Nascido Para Matar, Ed Wood) dão show, como sempre. O elenco ainda conta com Gretchen Mol e Dennis Haysbert.

Visto dez anos depois, 13º Andar ainda vale a pena!

p.s.: Existe outro 13º Andar, feito em 2007, estrelado pelo Stephen Dorff. Mas esse heu não vi, não sei se é bom!

Deixe-me Entrar

Deixe-me Entrar

Ninguém pediu, mas em breve entra em cartaz a refilmagem americana do ótimo filme de terror adolescente sueco Deixe Ela Entrar.

A história é a mesma: Owen é um menino de 12 anos, com problemas com os valentões da escola, e que começa a se envolver com a menina que se mudou para o apartamento ao lado, sem saber que ela é uma vampira.

Confesso que heu tinha sentimentos opostos sobre este filme antes de vê-lo. Por um lado, heu queria muito rever a atriz mirim Chloe Moretz, que fez a Hit Girl em Kick-Ass. Mas, por outro lado, sempre me pergunto: pra que refilmar? Além do mais sabendo que a direção coube ao quase novato Matt Reeves, que até agora só tinha feito um filme para o cinema, o maomeno Cloverfield.

Como é uma refilmagem, e de um filme recente, a comparação é inevitável. Além do mais porque a ambientação fria foi mantida. Ambientação fria nos cenários – é neve pra tudo quanto é canto – e também nas relações entre as pessoas. E, na comparação, o filme americano perde. Não por ser ruim, mas por ser quase uma xerox.

A nova versão tem seus méritos. Por exemplo, gostei da cena do acidente de carro, com a câmera dentro do carro. Os ataques da menina também são interessantes. Mas o próprio filme mostra que isso era desnecessário, já que o melhor ataque é a recriação da cena da piscina, onde não vemos nada, provando que o que não é mostrado às vezes funciona melhor…

E o resto é igualzinho. Tirando um detalhe aqui, outro ali, é o mesmo filme, só que com atores americanos.

No elenco, Chloe Moretz está bem, mas sua atuação não “vale o ingresso” como acontece em Kick-Ass. O garoto esquisito Kodi Smit-McPhee funciona ok, mas me parece que funciona porque ele tem cara de esquisito mesmo, não necessariamente por ser bom ator ou não. Completam o elenco Richard Jenkins e Elias Koteas.

Resumindo, não é ruim. Mas, na comparação, perde. Por isso, prefira o original!

Spartacus – Gods of The Arena

Spartacus – Gods of The Arena

Terminada a boa primeira temporada de Spartacus – Blood And Sand, os realizadores tinham dois problemas sérios para uma segunda temporada. Um era a doença de Andy Whitfield, logo o protagonista, que foi diagnosticado de câncer e no momento passa por um tratamento que o impede de trabalhar. O outro é que o manipulador e egocêntrico Batiatus, um dos melhores personagens coadjuvantes, morreu no último capítulo.

Uma única solução pros dois problemas: Spartacus – Gods of The Arena é um prequel, contando eventos anteriores à primeira temporada, mostrando como Batiatus conseguiu o status que apresenta na série original.

Batiatus (John Hannah) já é dono de um ludus, local de treinamento de escravos gladiadores, herdado de seu pai; e já está casado com Lucretia (Lucy Lawless). Mas ainda aspira um local de prestígio nas lutas – seus gladiadores não têm espaço no horário nobre da arena.

Os fãs de Spartacus – Blood And Sand não vão se decepcionar com este Spartacus – Gods of The Arena. Sexo, nudez, sangue e violência, temos tudo, em quantidades abundantes. Fico imaginando um seriado desses passando na tv Globo, seria tão cortado que seus episódios de 50 min teriam tamanho de sitcom – vinte e poucos minutos!

Além de Batiatus e Lucretia, temos de volta alguns personagens. Oenomaus está menos sisudo, ainda não é doctore (uma espécie de gerente do ludus), ainda é um gladiador. Crixus pouco aparece, acabou de chegar ao ludus, e se juntou a outro “calouro”, Ashur, também com pequena participação. Barca aparece menos ainda –  certamente ainda veremos os três muitas vezes.

Os novos personagens também são muito bons. O gladiador Gannicus (Dustin Clare) é ótimo – sua primeira luta é muito boa, sua segunda luta é melhor ainda! Jaime Murray continua com a tradição de mulheres bonitas e com pouca roupa, interpretando Gaia, amiga de Lucretia. E, pela escolha de Temuera Morrison (o Jango Fett em Star Wars – ep II) como o atual doctore, acredito que o seu papel deva ter mais importância no futuro.

John Hannah faz um Batiatus sensacional. Lembro dele em um papel meio bobão, o alívio cômico de A Múmia. Nunca imaginei que ele fosse capaz de um personagem assim, capaz de tomar o papel principal de uma série para ele!

O primeiro episódio termina com um ótimo gancho. Agora aguardamos o resto da temporada. Que seja tão boa quanto o seu promissor início!

13Hrs

13Hrs

Sarah Tyler visita a família do seu padrasto, num casarão isolado em algum lugar na Inglaterra. Uma tempestade deixa a casa sem luz. E uma misteriosa criatura aparece na casa e ataca Sarah, seus irmãos e amigos.

Filme de terror de baixo orçamento, daqueles simples e eficientes. Ok, a história não traz nenhuma novidade – grupo de jovens é encurralado por violenta e misteriosa criatura – mas pelo menos é bem feito e consegue manter a tensão. E digo mais: gostei da solução apresentada no fim!

Os efeitos especiais são bons, a criatura aparece muito pouco, temos uma interessante câmera subjetiva distorcida com a sua visão. Me parece que não foram usados nenhum cgi, parece ser tudo com a boa e velha maquiagem aliada aos truques de câmera.

Sobre o elenco, tem um nome que já vimos várias vezes mas nem sempre guardamos o nome: o garoto de gorro é Tom Felton, o Draco Malfoy da série Harry Potter. E quem acompanha o blog, vai reconhecer Gemma Atkinson, de Boogie Woogie. De resto, ninguém conhecido.

Enfim, nada essencial. Mas uma boa opção para passar uma hora e meia.

Só fica uma pergunta: por que 13 horas?

Cidade das Sombras

Cidade das Sombras

Estou aproveitando a fraca safra de séries para rever filmes legais. O da semana foi este Cidade das Sombras (Dark City), interessante ficção científica de 1998.

John Murdoch acorda em um quarto de hotel com amnésia, e descobre que é suspeito de uma série de assassinatos. Enquanto tenta juntar as peças para entender a sua situação, descobre que a cidade é controlada por um grupo de seres chamados Os Estranhos, que têm o poder de alterar tanto a arquitetura da cidade como o comportamento de seus habitantes.

Um cara acorda e descobre que está num mundo diferente, controlado por pessoas diferentes – parece Matrix, né? Mas Cidade das Sombras foi feito um ano antes!

Matrix é mais famoso, e seus efeitos especiais foram um marco em Hollywood. Os efeitos de Cidade das Sombras não foram revolucionários, mas também são impressionantes, com seus cenários que mudam de forma sob os nossos olhares.

Escrito e dirigido por Alex Proyas, que pouco antes fizera O Corvo, e recentemente fez o interessante Presságio, Cidade das Sombras tem um visual impressionante até hoje, treze anos depois. A “cidade escura” é repleta de elementos góticos e está sempre à noite, o que proporciona uma bela fotografia.

O elenco traz algumas curiosidades. O protagonista, Rufus Sewell, é menos conhecido que os três coadjuvantes, Jennifer Connelly, Kiefer Sutherland e William Hurt. E o ator Richar O’Brien, o Mr. Hand, é o autor do musical The Rocky Horror Picture Show. Mais uma: é o filme de estreia de Melissa George, que faz a prostituta início do filme.

Agora preciso rever 13º Andar, outro “precursor” de Matrix – e depois, rever Matrix, claro…

Filme essencial para a cinemateca fantástica dos anos 90!

O Som do Coração

O Som do Coração

Nem dei bola pra este O Som do Coração (August Rush) quando foi lançado, em 2007. Mas a garotinha ruiva sugeriu, a gente viu, e agora vai pro blog.

O garoto Evan (Freddie Highmore), criado em um orfanato, tem um apurado mas ainda não desenvolvido dom musical. Ele quer criar uma música que traga de volta seus pais, os também músicos Lyla e Louis. Detalhe: nenhum dos dois sabe que Evan está vivo. Evan foge para Nova York, onde vira um prodígio musical.

Podemos ver O Som do Coração sob dois ângulos. Por um lado, é uma bela e emocionante história sobre encontros e desencontros; por outro lado, o roteiro é tão óbvio que dá nervoso!

Toda a trama é extremamente previsível. Dá até raiva. A gente consegue adivinhar cada passo do roteiro muito antes de acontecer. Isso atrapalha, e muito! Clichês seguidos de clichês…

O que salva é a parte musical do filme. Gostei muito de como o filme mostra o modo como Evan / August vê a música em volta dele, e também das diferentes cenas com a música clássica de Lyla misturada ao rock pop de Louis – frases do violoncelo dela entram nas melodias da banda dele em uma perfeita mixagem. E isso porque não falei da original técnica de violão de August!

(Só não deu pra engolir o moleque escrevendo partituras do nada. Que a música seja algo natural, ok. Mas para escrever na pauta precisa estudar um pouco – justamente para saber como é a “linguagem escrita” da música!)

No elenco, o nome a ser mencionado é Freddie Highmore, que confirma aqui o seu talento já demonstrado em vários outros filmes infanto juvenis, como A Fantástica Fábrica de Chocolates, As Crônicas de Spiderwick e Arthur e os Minimoys. O garoto vai longe! Ainda no elenco, Kerri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, Robin Williams e William Sadler.

Veja pela parte musical, e abstraia o roteiro ruim!

127 Horas

127 Horas

O filme novo do Danny Boyle, depois do Oscar de melhor diretor de 2009!

127 Horas é baseado na história real de Aron Ralston, montanhista que caiu numa fenda em um cânion e ficou com o braço preso debaixo de uma enorme pedra. Depois de cinco dias sozinho, sem ter como chamar ajuda, ele teve que decidir sobre medidas extremas para conseguir escapar.

Quem só conhece Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário? talvez estranhe esta nova empreitada, principalmente porque rola uma angustiante e polêmica cena MUITO forte. Mas quem conhece o seu trabalho anterior, sabe que está tudo coerente com a obra do diretor de Cova Rasa e Extermínio.

Acho importante falar do apuro visual dos filmes de Boyle. O argumento de 127 Horas é curtinho – como fazer um longa-metragem com uma história tão curta? O filme é repleto de delírios visuais tirados da imaginação de Aron. E Boyle faz um belo espetáculo visual, inclusive dividindo a tela em três várias vezes ao longo do filme. Isso tornou o filme muito interessante, e em momento nenhum cansativo.

Também precisamos falar de James Franco, praticamente o único ator que aparece na tela. Ele consegue passar toda a credibilidade necessária, alternando momentos de alegria, tristeza, angústia, desespero e quase loucura. O filme tem mais atores, não é espartano como Enterrado Vivo, onde só vemos um único ator em um único cenário. Mas os outros atores têm muito pouca importância – nem consegui achar a Lizzy Caplan, de True Blood!

Voltando à cena polêmica que falei lá em cima, quero fazer um comentário, mas preciso dos avisos de spoiler antes!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Pra quem não ainda não sabe: Aron amputa o próprio braço para conseguir sair. Ele sabia que não conseguiria cortar os ossos do braço com aquele canivete cego. Então, aproveitou que o braço estava imobilizado para quebrá-lo duas vezes, uma fratura em cada osso, para depois cortar a carne com o canivete. Olha, espero que nunca tenha que passar por algo assim, mas… será que  não ia ser menos doloroso cortar o braço na articulação, perto do cotovelo? Não entendo nada de medicina, mas a cena da fratura de cada osso também é angustiante!

FIM DOS SPOILERS!

O ritmo do filme cai no terço final, temos muitas alucinações, parece que não tinha mais história pra contar, então é só enrolação. Mas em compensação, o fim do filme é catártico, emocionante, com trilha sonora bem escolhida – e aparece até próprio Aron Ralston atualmente.

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Aproveitei o domingo sem filhos em casa (filha na casa da mãe, filho passeando com os avós) pra fazer algo que heu me prometia há tempos: rever Blade Runner – O Caçador de Andróides, clássico de Ridley Scott. Mais de uma versão!

Los Angeles, novembro de 2019. Rick Deckard é um Blade Runner, um policial especialista em “aposentar” replicantes – perfeitos andróides usados para trabalho braçais em outros planetas. Quando seis replicantes fogem para a Terra, Deckard é chamado para encontrá-los.

Foi lançado aqui no Brasil um dvd triplo com QUATRO diferentes versões do filme, além de um monte de extras. Pesquisei na internet, na verdade, não precisava de tanta. Duas são do ano original de 1982, quase idênticas, a única diferença é que a “versão de cinema” tem algumas cenas violentas censuradas (por exemplo, a morte de Tyrell; ou o prego atravessando a mão de Roy), enquanto a “versão internacional” está completa. Já a “versão final”, de 2007, é quase igual à “versão do diretor”, de 1992, teve uma cena refilmada e a imagem remasterizada. Resumindo: um dvd com duas versões (a “internacional de 82” e a “final de 07”) seria suficiente…

(Heu particularmente não curto esse negócio de versões diferentes do mesmo filme. Um filme é uma obra pronta, finalizada, não precisa ser refeito – principalmente quando estamos falando de uma obra prima, um dos melhores filmes da década de 80. Mas parece que Ridley Scott gosta de novas versões, li na internet sobre uma nova versão de Alien…)

Voltando ao filme…

Blade Runner foi inspirado no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep”, de Philip K. Dick, escritor de ficção científica que escreveu obras que geraram alguns filmes legais, como O Vingador do Futuro, Minority Report, O Pagamento, O Homem Duplo e O Vidente. Blade Runner foi o primeiro longa metragem baseado em K. Dick, e, na minha humilde opinião, um dos dois melhores (ao lado de O Vingador do Futuro).

O conceito do futuro criado por K. Dick e por Ridley Scott é muito interessante. Tudo escuro, muita sujeira, muita poluição visual. Chove o tempo todo, e as pessoas usam pesados casacos. Várias propagandas convidam as pessoas para uma vida melhor fora do planeta. É, muito antes de “aquecimento global” entrar na moda, Blade Runner já falava disso…

O visual do filme é fantástico. Parece que Ridley Scott tratou cada cena, cada plano, cada ângulo, para ter uma imagem visualmente bonita. Muito contra-luz, muita fumaça, muito neon, muita água. Fotogramas do filme fariam uma bela exposição de fotografias.

(Aliás, detalhe curioso: os cenários são cheios de propagandas publicitárias. Logomarcas famosas como Coca Cola e Budweiser dividem espaço com marcas falidas, como Pan Am; e marcas ligadas diretamente aos anos 80, como Atari e TDK…)

É curioso falar sobre o elenco do filme quase trinta anos depois. Harrison Ford, o protagonista Rick Deckard, era “o cara” na época, ele era o Han Solo de Guerra nas Estrelas e o Indiana Jones de Caçadores da Arca Perdida! E ele está aí até hoje. Falem o que quiser das suas habilidades como ator, mas o star power do cara é inegável. O grande vilão Roy foi interpretado por Rutger Hauer, recém chegado da Holanda, também estava com a carreira em alta na época – curiosamente, se especializou em filmes vagabundos dez anos depois. Outra que sumiu foi Sean Young, que fez Rachael, a protagonista feminina – não tenho nada contra ela, mas acho que outra atriz melhor poderia ter o papel. Daryl Hannah, a replicante Pris, era feinha, ela melhorou nos anos seguintes. E é curioso ver Edward James Olmos, o almirante Adama de BSG, parecendo um oriental de lentes de contato claras. Ainda no elenco, M. Emmet Walsh, William Sanderson, Brion James e Joanna Cassidy.

Outro ponto alto do filme é a inspirada trilha sonora do tecladista grego Vangelis. As músicas são muito boas, até hoje ouço o cd com os temas. Curiosidade: na época, Vangelis não liberou os fonogramas para o disco da trilha sonora. As músicas foram então regravadas por uma orquestra. Os fonogramas originais só foram disponibilizados anos depois.

Agora vou falar sobre as diferentes versões. Li na internet que a cena da morte de Zhora, a replicante que atravessa várias vitrines, foi refilmada. Olha, sinceramente, não vi necessidade. A suposta cena refilmada é tão igual à original que não descobri o que mudou! A não ser que o meu dvd não tenha esta cena refilmada…

Sendo assim, repito o que disse lá no começo: só duas versões valem ser vistas. E digo mais: as diferenças entre ambos não são tão grandes como nos fazem acreditar. Sinceramente, acho que não precisava de mais de uma versão…

Blade Runner é um filme tão bom, e tão importante pra história do cinema, que heu poderia continuar falando dele aqui. Mas chega, o post tá ficando grande demais. Terminarei com uma história pessoal minha envolvendo este filme:

Quando Blade Runner passou, não me lembro se era censura 16 anos ou 18 anos. Mas lembro que heu não tinha idade para ver – nasci em 71, o filme é de 82. Ou seja, não vi na época, mas ouvi falar muito. Principalmente porque heu já era fã de Guerra nas Estrelas e de ficção científica. Então, na minha cabeça, Blade Runner deveria ser mais uma ficção científica de naves espaciais, perseguições intergaláticas e tiros com armas laser, com o mesmo ator que fez o Han Solo. Consegui finalmente ver o filme numa reprise na segunda metade dos anos 80, e… achei uma porcaria! Que filme chato! Que filme ruim! Aí, anos depois, resolvi dar uma segunda chance ao filme, já despido de pré-concepções, e consegui ver o filme que toda a crítica idolatrava… Concluindo: nunca crie expectativas sobre um filme antes de assistí-lo!

Coração Louco

Coração Louco

Atrasado, mas vi Coração Louco, o filme que deu o Oscar em 2009 para o grande Jeff Bridges!

Com 57 anos, o cantor de country Bad Blake vive à sombra do próprio passado, tocando em buracos quase sempre indignos do seu talento, acompanhado de muito cigarro e muito álcool. O orgulho o impede de se aproximar de Tommy Sweet, um cantor mais novo que no passado foi seu pupilo, e hoje goza de grande fama e prestígio. Apesar de vários casamentos frustrados, Bad ainda faz uma nova tentativa com a jovem jornalista Jean.

Jeff Bridges está ótimo, como sempre. Admito que sou fã do cara, caramba, ele é o Dude Lebowski! E não só isso, é só olhar o currículo dele pra virar fã: Tron, Starman, O Pescador de Ilusões… Ele estava até em Homem de Ferro! Confesso que Bad Blake não é o meu personagem preferido de sua carreira recente – ele merecia um prêmio por Os Homens Que Encaravam Cabras, isso sim! Mas pelo menos o Oscar foi para a pessoa certa.

O resto do elenco também está ok. Colin Farrell, sei lá por que, não está nos créditos principais, mas tem um dos principais papeis como Tommy Sweet. E Maggie Gyllenhaal, feinha mas simpaticíssima, está perfeita como Jean, a mulher que sabe que precisa manter distância do homem que ama. E ainda tem Robert Duvall num papel pequeno.

Preciso falar da parte musical. Por um lado, é legal ver Bridges e Farrell cantando e tocando, gosto muito quando os atores “colocam a mão na massa” e conseguimos vê-los cantando e tocando (confira nos créditos: eles não foram dublados!). Mas, por outro lado, não sou chegado em música country… Mesmo assim, reconheço o bom trabalho – e não estou sozinho, a Academia deu à canção “The Weary Kind” o outro Oscar de Coração Louco.

Coração Louco é o filme de estreia do diretor Scott Cooper, que também escreveu o roteiro. O filme é interessante, mas é o tipo de filme que não tem muito como ser criativo. É aquilo, cantor veterano tem problemas com álcool, com mulheres, com ego… e depois tem problemas com álcool, com mulheres, com ego… Não sou muito fã do estilo, então não virei fã do filme. Mas é sempre um prazer ver Jeff Bridges atuando bem!