The Tall Man

Crítica – The Tall Man

Filme novo do diretor de Martyrs!

A médica Julia Denning vive com seu filho na pequena cidade de Cold Rock, onde existem várias crianças desaparecidas. Os habitantes culpam um tal de “Tall Man” – seria algo real ou uma lenda urbana?

The Tall Man foi escrito e dirigido por Pascal Laugier, o mesmo de Martyrs, filme francês hiper violento e cheio de cenas fortes de gore. Mas este novo filme é bem mais discreto no que diz respeito a cenas fortes, The Tall Men não tem nada de gore. Aliás, o filme não é terror como tudo indica, a ênfase está no suspense psicológico.

Não é bom revelar muito sobre a trama de The Tall Man, só digo que o roteiro de Laugier consegue enganar o espectador, criando um cenário que não necessariamente se mostrará real ao longo do filme. A narrativa é um pouco confusa, mas proporciona algumas boas reviravoltas. Dizer mais poderia estragar as surpresas do filme. Não leia muito sobre ele!

No elenco, a figura central é Jessica Biel, que tem uma das melhores performance de sua carreira. Além dela, alguns nomes menos conhecidos como Jodelle Ferland, Stephen McHattie, William B. Davis e Samatha Ferris.

Infelizmente, The Tall Man não tem o perfil de entrar no circuito brasileiro. Tomara que seja lançado no mercado de home video!

O Vingador do Futuro (2012)

Crítica – O Vingador do Futuro (2012)

Mais uma refilmagem…

Num futuro sombrio, o operário Douglas Quaid vai até a Rekall, uma empresa que providencia implantes de memória aos seus clientes, mas algo dá errado e ele começa a ser perseguido pela polícia.

O Vingador do Futuro (2012) não é apenas uma refilmagem. É uma refilmagem desnecessária. O original é um dos melhores filmes de ficção científica do final do século passado. Não precisava de refilmagem. E se era pra refazer, deveriam ter feito um roteiro novo a partir do conto de Philip K. Dick – como os irmãos Coen fizeram em Bravura Indômita (que não é refilmagem, e sim outro filme baseado no mesmo livro). Ou seja, “fail”.

Pelo perfil do diretor escolhido para a refilmagem, a gente já desconfiava do que viria por aí. O cargo foi entregue a Len Wiseman, de Duro de Matar 4 e da série Anjos da Noite. O filme original era do holandês Paul Verhoeven, que pouco antes fizera Conquista Sangrenta e Robocop, e dois anos depois dirigiria Instinto Selvagem. É só a gente analisar os currículos de ambos pra entender as diferenças entre as versões…

O Vingador do Futuro parece que se inspirou nos novos filmes de super heroi (como a nova trilogia do Batman) para fazer uma história mais “pé no chão”. Nada de Marte, mutantes, alienígenas. Tudo se passa no nosso planeta, que foi quase inteiramente destruído por uma guerra química. Até aí, tudo bem, mas… Onde se encaixa então a cena da prostituta de três seios? 😉

O roteiro do filme original, além de uma fina ironia misturada com sarcasmo (típicos do diretor Paul Verhoeven), tinha uma coisa muito boa: até o fim do filme, não sabíamos se tudo aquilo tinha acontecido ou se era parte do implante colocado na cabeça de Quaid. O roteiro atual, de Kurt Wimmer (diretor do bom Equilibrium) e Mark Bomback (Incontrolável), deixa de lado a ironia e as sutilezas do filme de 1990, e substitui tudo por boas cenas de ação. Ok, as cenas são bem feitas, mas só isso não sustenta um filme…

Outro ponto fraco é Colin Farrell. Coitado de Farrell, ele não está mal, mas é que a comparação é injusta. O Vingador do Futuro original traz Arnold Schwarzenegger em excelente forma (sem dúvida, é um de seus melhores filmes). Qualquer um, ao refazer este papel, ia ter dificuldades. E Farrell não conseguiu construir um Quaid à altura do original, como já era previsível.

Mas nem tudo ficou ruim neste novo filme. Os cenários são um dos destaques, a ambientação deste novo mundo futurístico ficou bem legal; o transporte “A Queda” (que atravessa o planeta) foi uma boa sacada, assim como o uso da gravidade zero. E algumas sequências de ação são muito boas, gostei muito da perseguição nos carros magnéticos e da cena dos elevadores. E se Colin Farrell está muito aquém de Schwarzenegger, as duas atrizes principais estão ótimas – Kate Beckinsale fez uma “versão estendida” do personagem que foi de Sharon Stone (e mostra que está em excelente forma física quase aos quarenta anos de idada); enquanto Jessica Biel mostra que é uma atriz bem superior à sumida Rachel Ticotin (que continua na ativa, mas há tempos não faz nada relevante). (Ainda no elenco, Bryan Cranston, John Cho, Bokeem Woodbine e um Bill Nighy desperdiçado).

No fim, fica aquela sensação estranha pela comparação com o original. Se O Vingador do Futuro de 2012 fosse um filme novo, até seria legal. Mas ao lado do outro, ficou devendo.

O Segredo da Cabana

Crítica – O Segredo da Cabana

Cinco jovens vão passar um feriado em uma cabana no meio do mato – e se você acha que sabe o que vai acontecer, desta vez a história é outra!

O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods, no original) é daquele tipo de filme que o quanto menos você souber, melhor. Vou tomar cuidado aqui para não soltar spoilers. Por enquanto, só adianto que é uma das melhores surpresas que vi nos últimos tempos na área do terror: roteiro bem escrito, efeitos excelentes, muito gore e muito bom humor. E principalmente: uma história diferente do óbvio!

O Segredo da Cabana é a estreia de Drew Goddard como diretor. Mas Goddard não é um novato no universo fantástico: ele escreveu o roteiro de Cloverfield – Monstro e de vários episódios das séries Buffy, Angel, Alias e Lost. E aqui ele co-escreveu o roteiro com um dos nomes mais “quentes” da Hollywood atual: Joss Whedon, o diretor do badaladíssimo Os Vingadores, um dos melhores filmes de 2012 por enquanto.

O roteiro tem um detalhe interessante: não existe exatamente uma “reviravolta de roteiro” (o tal “plot twist”). A história é aquela mesma, o grande lance é que o espectador não tem ideia do que está acontecendo, e só vai descobrindo aos poucos…

Talvez por ter Whedon por perto, um dos atores é Chris Hemsworth, ele mesmo, o Thor – e não é o ator principal. Não sei quando este O Segredo da Cabana foi filmado, mas heu chutaria que foi antes do lançamento de Thor – acredito que hoje Hemsworth faria escolhas diferentes – não que O Segredo da Cabana seja ruim, longe disso, mas é um filme que não privilegia atores. Tanto que o resto do elenco só tem nomes menos badalados: Kristen Connolly, Anna Hutchison, Richard Jenkins, Bradley Whitford, Amy Acker, Fran Kranz e Jesse Williams. Ah, sim, ainda tem a Sigourney Weaver em uma ponta não creditada.

E agora, apesar de ter vontade de falar mais sobre o filme, vou ficar quieto, pra não estragar. Só fica o recado: cuidado com spoilers, não leia muito sobre o filme. E aproveite um dos melhores filmes de terror do ano!

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O Ditador

Crítica – O Ditador

Oba! Outro filme politicamente incorreto do Sacha Baron Cohen!

O Ditador conta a heroica história do ditador Aladeen, que arrisca a própria vida para garantir que a democracia nunca chegue a Wadiya, país que ele governa com mão de ferro e muito amor.

Sacha Baron Cohen é um cara que faz muito bem ao humor dos tempos atuais onde a correção política impera. Ele é corajoso ao cutucar onde muitos têm medo. Mas ele está certo, afinal o humor deveria ser livre de censuras. A única piada ruim é a piada sem graça, piadas ofensivas sempre tiveram espaço no humor.

Me lembro do programa de tv Da Ali G Show, onde Sacha Baron Cohen interpretava três personagens: o rapper Ali G, o repórter do Cazaquistão Borat e a bicha especialista em moda Bruno. O programa era um mockumentary cheio de situações constrangedoras, sempre puxando pro lado politicamente incorreto. Cada um dos três personagens interagia com pessoas que não sabiam que era um ator por trás, e as situações desconfortáveis eram constantes e inevitáveis.

Em 2006, veio o filme Borat, com seu humor grosseiro e ofensivo questionando o american way of life. Três anos depois ele lançou Brüno, mas esse era mais fraco, bem inferior a Borat. Agora, em 2012, O Ditador recupera o bom nível do humor, ao mesmo tempo que mantém o espírito grosseiro e ofensivo.

Mais uma vez dirigido por Larry Charles (diretor dos outros dois filmes), O Ditador tem uma diferença estrutural para os outros dois: o mockumentary foi deixado de lado, o personagem é ficcional e ninguém está sendo “enganado” como nos outros filmes. Por um lado, isso pode tirar um pouco da espontaneidade que rolava nos outros filmes (que traziam algumas cenas impagáveis por conta de pessoas que não sabiam que aquilo era fake). Mas por outro lado, isso abriu espaço para um tipo ousado de piada – Megan Fox e Edward Norton aparecem no filme interpretando eles mesmos sendo sacaneados!

O roteiro, escrito pelo próprio Cohen em parceria com Alec Berg, David Mande e Jeff Schaffer, traz algumas piadas muito boas, misturadas a algumas tão grosseiras que beiram o limite do bom senso. Mas no geral, achei o filme muito engraçado. E o discurso que Aladeen faz no final é genial, uma crítica aos EUA, usando uma ironia pouco comum de se ver por aí

No elenco, o destaque – claro – é Sacha Baron Cohen, que mais uma vez mostra que é um bom ator fora do mockumentary (ele já tinha feito um bom trabalho em A Invenção de Hugo Cabret). E, por ser um filme de ficção, Cohen tem alguns bons atores ao seu lado, como Ben Kingsley, Anna Faris e John C. Reilly, além do pouco conhecido Jason Mantzoukas (na verdade, o principal coadjuvante).

Claro que o humor de O Ditador não é pra qualquer um – além de ser um humor propositalmente ofensivo, algumas são de gosto duvidoso. Mas, quem tem a cabeça aberta e concorda comigo que o politicamente correto é algo ruim, vai curtir O Ditador.

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O Que Esperar Quando Você Está Esperando

Crítica – O Que Esperar Quando Você Está Esperando

Mais um “filme painel”, como os recentes Idas e Vindas do Amor e Noite de Ano Novo.

Cinco casais vivem experiências diversas ligadas à gravidez, em tramas paralelas que às vezes se encontram, explorando diferentes situações vividas por famílias que estão esperando bebês.

Dirigido por Kirk Jones, O Que Esperar Quando Você  Está Esperando teoricamente é uma adaptação do livro homônimo. Mas não se trata exatamente de uma adaptação, já que é um livro “não ficção” de dicas sobre gravidez que virou uma comédia romântica.

Como toda boa comédia romântica, O Que Esperar Quando Você  Está Esperando é raso, previsível e cheio de clichês. A vantagem é que aqui são vários núcleos, cada um com a sua trama independente, então temos diferentes opções para resolver as tramas. Quem curte o estilo vai gostar.

O roteiro é bem equilibrado entre os diversos núcleos – coisa que nem sempre acontece em “fillmes painel”. Os cinco casais têm aparentemente o mesmo tempo de tela e a mesma importância no filme. E ainda rola um divertido alívio cômico: os pais que levam os filhos para passear no parque, responsáveis por algumas das melhores cenas do longa.

O elenco, como era de se esperar, é o maior destaque de O Que Esperar Quando Você  Está Esperando. Afinal, não é todo dia que temos, juntos, Cameron Diaz, Elizabeth Banks, Jennifer Lopez, Anna Kendrick, Brooklyn Decker, Dennis Quaid, Chris Rock, Rodrigo Santoro, Chace Crawford, Ben Falcone, Mathew Morrison, Thomas Lennon e Joe Manganiello

Rodrigo Santoro merece um parágrafo à parte. Não só ele está muito bem, como fala um inglês perfeito e fluente ao longo de todo o filme (ele foi criticado na época d’As Panteras, porque seu personagem era marrento e não falava nada). Além disso, ele conseguiu um certo destaque num filme onde a trama é dividida entre diversos núcleos, já que ele faz parte de dois deles (um dos casais e o grupo de pais que passeia no parque). E tem mais: ele “pega” a Jennifer Lopez…

O fim do filme força um pouco a barra, colocando todos os bebês nascendo no mesmo hospital e na mesma hora. Mas, ora, é uma comédia romântica, alguém imaginava um fim criativo? 😉 Pelo menos podemos dizer que o público sai do cinema feliz e de bem com a vida…

Guerra É Guerra

Crítica – Guerra É Guerra

Mais uma comédia romântica de ação!

Dois agentes da CIA, amigos inseparáveis, se apaixonam pela mesma mulher, uma profissional independente – e encalhada, sem um saber do outro. Quando eles descobrem que estão atrás da mesma mulher, resolvem entrar em uma competição pela garota – e para isso, usam tudo o que a CIA oferece a eles.

Guerra É Guerra (This Means War no original) segue a linha de Sr e Sra Smith e Par Perfeito: um filme de ação que no fundo é uma comédia romântica.

Gosto do diretor McG, que também dirigiu os dois As Panteras e o mediano Exterminador do Futuro – A Salvação, e é produtor de algumas séries de tv (entre elas, uma das minhas preferidas, Supernatural). Concordo que ele é um pouco exagerado, mas mesmo assim gosto do ritmo que impõe aos seus filmes. E ele fez um bom trabalho aqui, colocando bom humor nas cenas de ação, ajudado por uma edição rápida e uma trilha sonora moderninha.

Sobre o elenco: por um lado, heu acho que Reese Witherspoon não era a melhor escolha para o papel, talvez uma atriz mais nova e/ou mais bonita desse mais credibilidade – não acho que dois bonitões brigariam por uma mulher mais velha e que nem é tão bonita assim… Pelo menos os três (Reese, Chris Pine e Tom Hardy) são bons atores, têm carisma e conseguem uma boa química. (Aliás, foi curioso ver este filme logo depois de ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, dá pra ver claramente que o ator que faz o Bane não é tão grande como parece). Ainda no elenco, Til Schweiger, Chelsea Handler, Angela Basset e Abigail Spencer.

O roteiro é previsível. Mas, como falei lá em cima, Guerra É Guerra é essencialmente uma comédia romântica, gênero que é sempre previsível. Portanto isso não chega a incomodar, o filme é divertido e tem algumas cenas muito boas, como por exemplo a sequência do paintball. Se a gente se ligar nesses momentos divertidos, pode se desligar das várias forçações de barra do roteiro, como os apartamentos chiques dos agentes da CIA, ou um agente que também pratica acrobacias de circo…

Enfim, Guerra É Guerra não vai mudar a vida de ninguém. Mas pode ser uma opção divertida para casais (romantismo para ela, ação para ele).

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Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Crítica – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Uma das estreias mais aguardadas do ano!

Depois dos eventos de Batman – O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne agora vive recluso e Batman não aparece há anos. Até que Bane, um novo e terrível vilão, aparece para ameaçar Gotham City.

A tarefa era difícil, dar continuidade a Batman – O Cavaleiro das Trevas, um dos melhores flmes baseados em quadrinhos da história. Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge fez um bom trabalho, é uma sequência à altura. Fecha bem a sólida trilogia do diretor Christopher Nolan – a qualidade foi mantida ao longo dos três bons filmes.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filme sério e tenso. Algumas partes são sensacionais – gostei muito da sequência do estádio e de toda a parte final. Antes da sessão, pensei que talvez o filme pudesse ser um pouco mais curto, são duas horas e quarenta e quatro minutos. Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge não tem “barriga”, o filme flui muito bem.

O roteiro não é perfeito, é preciso muita suspensão de descrença em algumas cenas – por exemplo, vários vilões não usam armas de fogo, mesmo com as armas nas mãos. Mas isso é um detalhe que quase não incomoda. Mesmo assim, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um excelente filme, melhor que a maioria que é lançado no circuito.

Uma preocupação para este terceiro filme era o vilão, por causa do vilão do filme anterior. Não só o Coringa é um dos vilões mais famosos da história dos quadrinhos, como Heath Ledger teve uma interpretação arrebatadora – chegou a ganhar postumamente o Oscar pela sua atuação como Coringa. O vilão Bane não é tão conhecido quanto o Coringa, e Tom Hardy não foi tão impressionante. Mas o conjunto foi excelente – Bane é um vilão perfeito e assustador.

(Ainda sobre Bane: li em algum lugar que Tom Hardy não seria uma boa escolha para o papel, porque ele é pequeno (1,78m, segundo o imdb), enquanto Bane é um grandalhão. Mas, não sei se usaram truques de câmera ou cgi, no filme Hardy parece ser muito maior do que é. Seu Bane não decepciona nem pela interpretação, nem pelo tamanho!)

Aliás, o elenco é invejável. Além de Hardy, voltam aos seus papeis Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. E o filme ainda conta com Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Mathew Modine, Juno Temple, Nestor Carbonell e Anne Hathaway.

Deixei Anne Hathaway por último porque achei a sua Selina Kyle uma das melhores coisas de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Rolava uma comparação mental óbvia com a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer do filme de 1992 (e não com a terrível Mulher Gato de Halle Berry de 2004!). Mas Anne consegue dar leveza, beleza e principalmente credibilidade ao seu papel – sua Selina parece uma pessoa “de verdade”. Detalhe curioso: ao longo do filme, ela nunca é chamada de Mulher Gato!

Christopher Nolan mais uma vez mostra um domínio técnico impressionante, e suas sequências de ação são absurdamente bem feitas – a parte técnica do filme é impecável. E, boa notícia: ele não gosta de 3D (e heu concordo com ele!). Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um dos raros blockbusters atuais sem uma versão 3D, só existem opções 2D nos cinemas.

E aí fica a pergunta: é melhor que Os Vingadores? Olha, são filmes diferentes, estilos diferentes. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é mais realista, não tem ninguém com super-poderes. Ambos são bons filmes. Em vez de pensar qual é o melhor, prefiro pensar que em 2012 tivemos dois excelentes filmes baseados em quadrinhos de herois.

Mais uma coisa: li por aí que esse filme seria o “fim da trilogia”. Bem, como trilogia são 3 filmes, a frase está correta. Mas rola um forte gancho para uma continuação. Será que Nolan pensou em uma quadrilogia?

Fica a dica: vá ao cinema ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Filmão, merece a tela grande. E que venha o próximo!

Por fim, preciso falar da desorganização do Botafogo Praia Shopping, onde fica o cinema Cinemark, local de uma das pré-estreias. A sessão estava marcada para uma quinta feira, às 23:55. Mas o shopping fechava mais cedo. Resultado: o estacionamento já estava fechado (tive que deixar o carro na rua), o segurança ficava enchendo o saco na hora de entrar no shopping (por que diabos alguém iria querer entrar no shopping com tudo fechado senão para ver o filme?), e o elevador estava desligado (o cinema fica no oitavo andar!). Ora, se o shopping não vai funcionar, por que marcar a sessão?

E não acabou aí. Pra piorar, a sessão começou com inacreditáveis 27 minutos de atraso. E a cereja do bolo: no meio da sessão, a sala ficou insuportavelmente quente – acredito que tenhma desligado o ar condicionado. Sorte que religaram antes do fim. Pode falta de respeito maior?

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Dirty Girl

Crítica – Dirty Girl

1987. Danielle é a “bad girl” da escola. Seu mau comportamento faz com que ela seja transferida para uma turma especial, só de alunos problemáticos, onde ela é escalada para um trabalho de grupo ao lado de um gordinho gay.

Mistura de drama com comédia com “road movie”, Dirty Girl é um bom filme independente e por enquanto obscuro por aqui pelo Brasil – esse só deve chegar através de dvd, acho difícil ver um filme desses no cinema.

Longa de estreia do diretor e roteirista Abe Sylvia, Dirty Girl tem um problema: a primeira metade é melhor que a segunda. Senti uma queda no ritmo. Não que o filme tenha ficado ruim, mas é uma pena que o bom pique inicial não aguente a hora e meia de projeção.

No elenco, o grande nome é Juno Temple. Ainda desconhecida do grande público, Juno esteve em Desejo e Reparação e no novo Os Três Mosqueteiros, além de ter estrelado o bom (e underground) Kaboom – ela também está no novo Batman, mas esse ainda não estreou. Juno está ótima aqui, como uma garota que desperta ao mesmo tempo amor e ódio. O quase estreante  Jeremy Dozier também está muito bem como Clarke, o amigo gordo, gay e com problemas com o pai. Ainda no elenco, Milla Jovovich, Mary Steenburgen, Nicholas D’Agosto e William H. Macy.

Ah, preciso falar de um dos melhores personagens: Joan, o “saco de farinha”. Um trabalho da escola aproxima Danielle e Clarke: eles precisam cuidar de um saco de farinha como se fosse um filho. Eles pegam um pilot e desenham dois olhos e uma boca, o batizam de Joan e passam a carregar o saco de farinha para tudo quanto é canto. E os olhos e a boca (pintados) de Joan reagem a cada cena, criando um alívio cômico discreto e genial.

Gostei muito da ambientação do filme. Mas acho que os figurinistas erraram. O filme se passa em 1987, mas aqueles penteados e roupas estão mais próximos dos anos 70 do que dos 80. Se pelo menos fosse no início dos anos 80, ainda dava, mas 87 o visual já era outro…

Falando em cabelos, achei a Juno Temple a cara da atriz pornô Traci Lords. Não sei se foi intencional, mas, lá pra 87, Traci tinha um visual parecido. Vejam aqui:

(Traci Lords é a de cima…)

Enfim, Dirty Girl não é um filme essencial, mas é uma boa opção – principalmente pra quem curte os anos 80.

Além da Liberdade / The Lady

Crítica – Além da Liberdade / The Lady

Biografia de Aung San Suu Kyi, que apesar de ter se mudado para a Inglaterra e ter se casado com um inglês, foi uma das personagens mais importantes na democratização da sua Birmânia (hoje Myanmar) natal.

Além da Liberdade é um daqueles dramas épicos sobre grandes personagens, como Ghandi ou Gritos do Silêncio. O filme funciona muito bem. Só não entendi a escolha do diretor. Por que Luc Besson?

Sou fã de Besson desde os anos 80, desde a época de Subway e Imensidão Azul. Foi ele quem mostrou ao mundo que bons filmes de ação podem ser feitos fora de Hollywood, quando dirigiu Nikita (1990) e depois O Profissional (94). Isso sem contar com a ótima ficção científica O Quinto Elemento, de 97. Desde Joana D’Arc (99), Besson deixou a carreira de diretor em segundo plano – em dez anos, só dirigiu Angel-A e a série infantil Arthur e os Minimoys. Por outro lado, roteirizou e produziu muitos filmes de ação (Busca Implacável, os dois B13, Dupla Implacável, Cão de Briga, Revólver, as séries Carga Explosiva, Taxi, etc). Em 2010, Besson voltou à direção de um filme de ação, a divertida aventura As Múmias do Faraó. E agora, este Além da Liberdade.

Veja bem, Além da Liberdade não é ruim, longe disso. O problema é que heu esperava algo diferente do diretor. Sinto falta daquele Luc Besson das antigas. No cinema “pop”, Besson é um grande nome; em dramas históricos, Besson é apenas mais um…

Pelo menos ele não fez feio. Besson deixou de lado a sua vocação pop e fez um drama-épico-com-cara-de-Oscar. Não conhecia a história de Aung San Suu Kyi, seu caso foi pouco comentado na mídia ocidental. Ponto para o diretor francês, que chama a atenção para o problema.

O grande nome aqui é Michelle Yeoh, outra que tem vários filmes pop no currículo (007 – O Amanhã Nunca Morre, O Tigre e o Dração, A Múmia – Tumba do Imperador Dragão). Não só Michelle tem uma interpretação digna de premiações (será que este filme vai pegar o Oscar do ano que vem?), como ela é fisicamente parecida com Suu Kyi. Vejam aqui no google! David Thewlis, o Remus Lupin da série Harry Potter, também está excelente.

Li pela internet críticas ao roteiro que dá pouca importância a algumas passagens da vida de Suu Kyi, como por exemplo o pouco espaço na trama dado aos vários anos de sua prisão domiciliar. Discordo. Gostei da opção do roteiro de manter o foco na vida familiar de Suu Kyi em vez de falar mais de política. As difíceis escolhas na vida de Suu Kyi foram sofridas, mas ela conseguiu resultados. E ainda ganhou um Nobel da paz de quebra.

O filme tem ótimos momentos. Gostei muito de Suu Kyi ouvindo o discurso de seu filho pelo rádio, depois tocando no piano a mesma música que era tocada a quilômetros de distância. Belíssima cena!

Além da Liberdade foi filmado parte na Tailândia, parte na própria Birmânia, mesmo sem ter uma autorização oficial. Besson usou uma câmera portátil e se fingiu de turista para driblar o rígido regime local e conseguir imagens do país “certo”.

Espero que Luc Besson ganhe muitos prêmios com o belo trabalho feito em Além da Liberdade. E depois, espero que ele volte ao universo pop! 😉

O Espetacular Homem Aranha

Crítica – O Espetacular Homem Aranha

Ué, como assim, já tem reboot da franquia Homem Aranha? É, ninguém pediu, mas já está em cartaz nos cinemas o primeiro filme de uma nova trilogia…

Peter Parker, um estudante meio nerd, descobre uma maleta que pertenceu a seu pai, que desapareceu quando ele era criança. Começa então a investigar o caso – o que o leva ao laboratório do Dr. Curt Connors, antigo sócio de seu pai, onde acaba sendo picado por uma aranha e ganhando super poderes.

O Espetacular Homem Aranha não é ruim. Mas tem um grave problema: perde na comparação inevitável com a trilogia dirigida por Sam Raimi.

Na minha humilde opinião, o timing deste reboot foi um erro grave. Os filmes da trilogia de Raimi foram lançados em 2002, 04 e 07. Se a qualidade do terceiro filme é questionável, o mesmo não acontece com os dois primeiros, reverenciados pela crítica e pelos fãs do heroi. E isso tudo é muito recente, os filmes estão por aí em dvd e blu-ray, e em reprises constantes na tv. É muito cedo pra se falar em reboot! É muito cedo para vermos exatamente a mesma história!

Provavelmente os produtores se inspiraram no “caso Batman”. Em 1989 e 92, Tim Burton fez dois bons filmes com o Homem Morcego, mas em 95 e 97, Joel Schumacher “cometeu” duas atrocidades, o ruim Batman Eternamente e o péssimo Batman e Robin. Até que em 2005 Christopher Nolan salvou a reputação do Morcegão, com o excelente reboot Batman Begins. Ou seja, não só esperamos mais tempo entre os primeiros filmes e o reboot, como a saga estava com a moral lááá embaixo… O que não é exatamente o caso do Aranha!

Um dos argumentos que li por aí é que Tobey Maguire (o Peter Parker da trilogia “antiga”) já estava velho para continuar interpretando o papel. Tanto no filme de 2002 quanto neste O Espetacular Homem Aranha, Parker deveria ter por volta de 17 anos, ainda cursando o último ano da escola. Ok, Tobey está velho, acabou de fazer 37 anos, então tem sentido pegar um ator mais novo para o papel. Mas, péra aí, por que Andrew Garfield foi escalado? Será que ninguém reparou que ele tem quase 30 anos? (Garfield faz 29 anos mês que vem!). Ou seja, mais uma vez, Hollywood ignorou as idades dos personagens na hora de contratar os atores. A cena que Emma Stone, com quase 24 anos, grita “eu tenho 17 anos” me deu vontade de rir…

A direção ficou nas mãos do pouco experiente Mark Webb (500 Dias Com Ela) – este é seu segundo longa (Sam Raimi dirigiu nove filmes antes do primeiro Homem Aranha). Webb não faz feio, algumas sequências do Aranha pulando de prédio em prédio, com a câmera na primeira pessoa, ficaram bem legais. Mas… Não sei se foi culpa dele ou do roteiro de James Vanderbilt, Steve Kloves e Alvin Sargent, mas o filme tem sérios problemas de ritmo. Algumas coisas são jogadas sem explicação – por exemplo, como um adolescente de 17 anos consegue costurar tão bem e criar uma maquininha que joga teias? (A solução para as teias do filme de 2002 é diferente do que acontece nos quadrinhos, mas é algo bem mais crível). E em alguns momentos, o filme é leeento. Resultado: suas duas horas e 16 minutos se tornam cansativas, diferente de outros filmes recentes de super herois, mais longos, mas onde o tempo passa e a gente nem sente (Batman Begins tem duas horas e vinte; Os Vingadores tem duas horas e vinte e três).

O elenco está ok. Acho que Andrew Garfield é um pouco velho demais para o papel, mas ele pelo menos é bom ator. O mesmo digo sobre Emma Stone. E gostei de ver Martin Sheen como o tio Ben. Ainda no elenco, Rhys Ifans, Sally Field, Denis Leary, Chris Zylka e C. Thomas Howell num papel pequeno mas importante. E, claro, uma hilária ponta de Stan Lee, o criador do personagem.

Não sou leitor dos quadrinhos, então não posso comparar sob este ângulo. Alguns amigos meus disseram que está fiel aos quadrinhos, outros disseram o contrário… Como filme, independente da adaptação, O Espetacular Homem Aranha pode até funcionar. Mas só pra quem não viu a trilogia anterior. O que é difícil, porque quem é fã do personagem com certeza viu, e quem não dá bola nem vai ver esse…

Ah, claro, como sempre acontece nos filmes da Marvel, tem uma cena depois dos créditos. Mas não é nada demais, apenas um gancho para a continuação…

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