Jurassic World

Jurassic World - PosterCrítica – Jurassic World

Vinte e dois anos depois, a ilha Nublar agora tem um parque temático de dinossauros em pleno funcionamento, como originalmente idealizado por John Hammond. Mas, como depois de dez anos de funcionamento as visitas começam a cair, uma nova atração é criada para reacender a atenção do público.

Apesar de parecer um reboot, Jurassic World é uma continuação. Diferente dos filmes anteriores, agora vemos o parque temático funcionando a todo vapor, com milhares de visitantes por dia para ver dinossauros vivos. As mortes que aconteceram no filme de 1993 são mencionadas, mas os planos de fazer uma atração turística foram mantidos.

(O segundo (1997) e o terceiro (2001) filmes são ignorados. É, talvez tenha sido uma boa ideia, ninguém sentiu falta).

A dúvida: é uma continuação digna do primeiro filme ou é tão fraco quanto as duas continuações já existentes?

Alvíssaras! O novo filme é muito bom!

Acredito que nostalgia seja a palavra certa para definir Jurassic World. Revemos os Velociraptors e o Tiranossauro Rex, revemos a ilha e algumas locações do primeiro filme, revemos até duas crianças perdidas na ilha e o BD Wong voltando ao papel do dr. Henry Wu do primeiro filme. E, pontuando toda a nostalgia, a trilha sonora de Michael Giacchino usa e abusa do tema original do John Williams. Todo mundo sai do cinema cantando o pã-rã-rã… rã-rã… do filme de 93.

Os fãs do filme original vão se deleitar. As interações dos personagens com os dinossauros estão bem mais desenvolvidas. E uma cena em particular, envolvendo o Tiranossauro, fez o cinema bater palmas – coisa rara em uma sessão de imprensa.

Talvez este seja o ponto fraco do filme dirigido pelo desconhecido Colin Trevorrow. Ele respeita até demais o primeiro filme, a ponto de parecer um reboot. E tudo fica um pouco previsível.

Pelo menos o roteiro é bem escrito e o filme tem um bom ritmo – se não temos novidades, pelo menos temos clichês bem usados. Adorei a curta cena com o mercenário barbudo no helicóptero, assim como a despedida do funcionário nerd com sua colega (aliás, este personagem foi um excelente alívio cômico).

Sobre os efeitos especiais, precisamos nos lembrar que no Parque dos Dinossauros de 1993 foi a primeira vez que vimos dinossauros “reais”. Na época, o diretor Steven Spielberg (que está aqui como produtor executivo) conseguiu um perfeito equilíbrio entre cgi, stop motion e animatronics e, pela primeira vez na história do cinema, os dinossauros pareciam que realmente estavam lá, interagindo com os atores.

Hoje em dia, o cgi chegou a um nível de qualidade tão grande que os efeitos aqui também são excelentes. Não li em nenhum lugar, mas arrisco dizer que aqui deve ser tudo cgi. Mas é um cgi impressionantemente bem feito!

Liderando o elenco, Chris Pratt mostra mais uma vez que é um dos nomes mais “quentes” de Hollywood hoje em dia. Depois de ser o protagonista de Uma Aventura LegoGuardiões da Galáxia, o cara mostra todo o seu carisma neste filme e ainda está cotado para ser o novo Indiana Jones! Também no elenco, Bryce Dallas Howard, Vincent D’Onofrio, Irrfan Khan, Omar Sy, Jake Johnson, Lauren Lapkus, Ty Simpkins e Nick Robinson. Só não entendi por que chamaram a Judy Greer para um papel tão pequeno – será que pensam nela para alguma continuação?

Sobre continuação, o filme não deixa o final aberto. Mas do jeito que os executivos de Hollywood pensam hoje em dia, acho difícil não termos um Jurassic World 2 nos próximos anos. Ok, que venha, se for tão divertido quanto este!

Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível

TomorrowlandCrítica – Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível

Ligados por um destino em comum, uma jovem com curiosidade científica e um ex-garoto prodígio inventor embarcam em uma missão para descobrir os segredos de uma outra dimensão.

Antes de tudo, preciso avisar que a última vez que fui à Disney foi há uns trinta anos atrás. Sei que existe uma área chamada Tomorrowland que inspirou o filme, mas não tenho ideia se a trama deste filme tem algo a ver com o parque temático ou não.

Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (Tomorrowland, no original) é aquilo que a gente espera de uma super produção da Disney: uma bem cuidada ficção científica, uma boa aventura infanto juvenil. Claro, com mensagem positiva no fim – algo diferente da moda atual de futuros distópicos (Mad Max, Jogos Vorazes, Maze Runner, Insurgente, The Walking Dead, etc).

A direção é de Brad Bird, o mesmo de Missão Impossível Protocolo Fantasma, mais conhecido pelos seus filmes da Pixar, Os IncríveisRatatouille – ou seja, o cara sabe falar com o público mais novo. Nisso, Tomorrowland é bem eficiente. Mas talvez os mais velhos se cansem por ser um pouco didático demais (mais uma vez vemos o discurso “estamos maltratando o nosso planeta”).

Os efeitos especiais, como eram de se esperar, são de cair o queixo. Prestem atenção na cena onde Casey entra na cidade de Tomorrowland: um único plano-sequência de quase cinco minutos! Claro, com várias intervenções digitais, mas não tiro o mérito de quem bolou isso. Também gostei do foguete steam punk que sai da Torre Eiffel. E me amarrei nas piscinas em camadas!

Um parágrafo à parte para falar da “Blast From The Past”, uma loja de colecionáveis que aparece no filme. Caramba! Tem MUITA coisa legal! E ainda estava com até 70% de desconto!!! Quando sair o blu-ray, vou rever esta cena com o dedo no pause, só pra explorar a loja…

No elenco, o veterano George Clooney divide o foco principal com as menos conhecidas Britt Robertson (Under the Dome) e Raffey Cassidy (Branca de Neve e o Caçador). Também no elenco, Hugh Laurie, Tim Mcgraw, Kathryn Hahn, Keegan-Michael Key e Judy Greer.

Pena que o roteiro, escrito por Bird e Damon Lindelof (Lost) é um pouco confuso e se perde no final – a gente sai do cinema se perguntando quais eram as reais intenções do “vilão” e por que ele mandou os robôs assassinos. Além disso, algumas coisas ficaram meio jogadas, como as paredes dos prédios na nossa dimensão que só atrapalham quando é conveniente para o desenrolar da trama…

Mesmo assim, achei o resultado positivo. E digo mais: Tomorrowland é um artigo raro nos dias de hoje – uma ideia nova! Vejam a lista dos blockbusters dos últimos anos, temos várias adaptações, continuações, remakes e reboots. Um viva para quem nos traz um filme original!

Terremoto: A Falha de San Andreas

Terremoto-posterCrítica – Terremoto: A Falha de San Andreas

Os filmes catástrofe estão de volta!

Um piloto de helicóptero do corpo de bombeiros tenta resgatar a sua filha durante o maior terremoto já registrado no planeta.

Temos que admitir que Terremoto: A Falha de San Andreas (San Andreas, no original) tem muitos clichês. Mas precisamos pensar no objetivo dos realizadores: quem vai ver um filme desses vai pela diversão, e não para ver um roteiro profundo. Quem vai ao cinema quer sentir o “efeito montanha russa”: você sabe o que vem por aí, e mesmo assim curte o passeio. E posso afirmar: quem estiver no clima certo vai se divertir aqui.

(Na verdade, o que me incomodou não foram os clichês, e sim as situações forçadas do roteiro, escrito por Carlton Cuse (Lost), tipo o único cara que eles encontram num raio de quilômetros tem um avião encostado…)

Por outro lado, as cenas de destruição são impressionantes. Vemos tudo com clareza, o diretor Brad Peyton (Viagem 2: A Ilha Misteriosa) não tem o incômodo vício de câmera tremida. Arrisco a dizer que nunca antes na história do cinema um terremoto foi mostrado com tantos detalhes.

Dwayne Johnson lidera o elenco, que funciona bem para o que o filme pede (um filme desses se baseia mais nos efeitos especiais do que em boas atuações). Acompanham o “Rock” Carla Gugino (Sin City), Alexandra Daddario (Percy Jackson), Paul Giamatti (O Espetacular Homem Aranha 2), Ioan Gruffudd (Quarteto Fantástico), Hugo Johnstone-Burt, Art Parkinson, Archie Panjabi e Kylie Minogue.

Quase todos os personagens são clichês muito clichês – principalmente o padrasto. Mas, olha, admito que gostei da pequena participação de Kylie Minogue como a ex. Aquilo foi inesperado!

Muita gente vai torcer o nariz e falar mal de Terremoto: A Falha de San Andreas porque é um filme “sem conteúdo”. Ok, concordo. Quem quiser conteúdo em filme catástrofe, veja O Impossível, o filme da família que enfrenta a tsunami. Mas quem quiser uma “montanha russa”, este filme é a escolha certa.

Ah, sim. A sessão pra imprensa foi em 3D. Blé, não agrega nada. Mas li que algumas salas terão sessões “4D”. Não sei como isso funciona, mas pode ser interessante…

Corrente do Mal / It Follows

corrente do malCrítica – Corrente do Mal / It Follows

E vamos ao “filme mais assustador de todos os tempos da última semana”?

Uma jovem está sendo perseguida por uma força sobrenatural desconhecida, depois de fazer sexo com seu namorado. Uma espécie de “maldição sexualmente transmissível”.

Segundo filme de David Robert Mitchell (que também assina o roteiro), Corrente do Mal (It Follows, no original) é bastante eficiente ao criar um clima de tensão. Pena que nem tudo funciona até o final.

Produção com cara de independente, com elenco desconhecido, Corrente do Mal tem um início muito bom. Tenso, trilha sonora com ar de John Carpenter, com um movimento de câmera 360 graus (que Mitchell repete algumas vezes ao longo do filme), terminando num visual gore pra ninguém botar defeito. Esse clima acompanha quase todo o filme, e ainda temos alguns bons sustos ao longo da projeção.

Mas, como falei, nem tudo funciona. A criatura sem nome não tem muita lógica na sua perseguição – puxar o cabelo, sério? E, depois do acidente de carro, seria fácil alcançar a vítima. Além disso, o fim do filme é bem ruim.

(Sobre a criatura / maldição, achei que as regras ficaram pouco claras. Tipo: se fizer sexo com outra pessoa, fica livre da maldição – mas nem sempre. E, vem cá, a vítima precisa estar acordada? Porque senão era só vir na hora do sono…)

Mesmo assim, achei o saldo positivo. Vou guardar o nome do diretor e esperar seu próximo filme.

Além de ser exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2014, Corrente do Mal passou no Festival do Rio do ano passado. Mas acho difícil entrar no circuito. Acho que vai seguir o perfil de The Babadook (que já foi classificado como “o filme mais assustador de todos os tempos da última semana”): um filme elogiado apenas por uma meia dúzia, e que vai virar cult…

Crimes Ocultos

crimes ocultosCrítica – Crimes Ocultos

Na União Soviética pós Segunda Guerra Mundial, o policial Leo Demidov desobedece ordens superiores e investiga uma série de assassinatos de crianças.

Sabe quando um filme te atrai com um elenco legal, mas a história é tão mal conduzida que põe tudo a perder?

Dirigido por Daniel Espinosa (Protegendo o Inimigo), Crimes Ocultos (Child 44, no original) não chega a ser exatamente ruim. Mas a trama é mal construída, e os personagens, mal desenvolvidos. Ouvi um papo que o filme originalmente teria mais de cinco horas (!), e foi editado para ter “apenas” 137 minutos. Assim, várias sequências ficam sem sentido (como, por exemplo, as trocas de olhares entre os personagens de Joel Kinnaman e Noomi Rapace no início do filme), e alguns personagens são desperdiçados, como o General Nesterov de Gary Oldman. E, mesmo com os cortes, o resultado ficou cansativo.

Teve outra coisa que me incomodou, mas é um detalhe. O filme é falado em inglês. Mas como se passa na Rússia, todos os atores estão falando com sotaques. Não gostei, achei que ficou forçado. Na minha humilde opinião, ou fala em russo, ou esquece esse sotaque forçado…

Se algo se salva, é o elenco. O filme é confuso, mas é sempre legal ver gente como Tom Hardy, Gary Oldman, Noomi Rapace, Joel Kinnaman, Paddy Considine, Vincent Cassel, Jason Clarke e Charles Dance em ação.

Crimes Ocultos é baseado no livro Criança 44, de Tom Rob Smith, primeiro livro de uma trilogia com o personagem Leo Demidov. Ou seja, devemos ter outros dois filmes…

Ex Machina

Ex MachinaCrítica – Ex Machina

Sem nenhum alarde, eis que surge um novo filme sobre Inteligência Artificial!

Um jovem programador, funcionário de uma empresa tipo o Google, ganha um concurso para passar uma semana na casa do seu patrão, para testar uma Inteligência Artificial que ele está desenvolvendo.

Ex Machina (ainda sem título brasileiro) traz uma interessante abordagem da Inteligência Artificial pelo lado da sexualidade. Mas, diferente dos robôs sexuais como a Pris de Blade Runner ou o Gigolo Joe de AI: Inteligência Artificial, a questão aqui está mais próxima de Ela: podemos nos apaixonar por robôs?

Trata-se da estreia na direção de Alex Garland, roteirista de Extermínio, SunshineDredd (Garland também assina o roteiro aqui). O filme se baseia em diálogos, é um filme contemplativo e filosófico, isso talvez desagrade alguns. Mesmo assim, os efeitos especiais são impressionantes, apesar de discretos – a construção visual da robô é muito bem feita! Os cenários também são ótimos, aquela casa é um absurdo.

Ex Machina se baseia em três atores principais. Os dois nomes mais conhecidos são Domhnall Gleeson e Oscar Isaac – que coincidentemente estarão no próximo Star Wars, a ser lançado no fim deste ano. Mas na minha humilde opinião, a melhor atuação é de Alicia Vikander, perfeita ao emular os traços robóticos e ao mesmo tempo femininos de sua Ava. Também no elenco, Sonoya Mizuno.

Por fim, a má notícia: Ex Machina não tem previsão de lançamento brasileiro. Pena, tem filme mais fraco entrando em cartaz…

Vanilla Sky

vanilla_skyCrítica – Vanilla Sky

Depois do original, vamos à refilmagem!

Um jovem, bonito e rico herdeiro de uma revista conhece a mulher de seus sonhos, mas pouco depois se envolve num acidente de carro, fica com o rosto desfigurado e vê sua vida entrar em parafuso.

Vanilla Sky é uma refilmagem quase quadro a quadro do original Abre los Ojos. A maior parte das cenas é exatamente igual! Acho que as duas sequências diferentes são a do bar (melhor construída no filme espanhol) e a parte final (mais explicada aqui). Aliás, essa é uma crítica que muitos fazem: nem sempre tudo precisa ser explicado…

Apesar da falta de originalidade, gosto muito deste Vanilla Sky. Se a história já não é novidade, pelo menos a forma é muito bem cuidada. A fotografia é ótima, e a trilha sonora é bem melhor. O produto final hollwoodiano ficou bem palatável – pelo menos isso, né?

A direção ficou com Cameron Crowe (logo depois do genial Quase Famosos), que cinco anos antes tinha feito Jerry Maguire com Tom Cruise. Aqui, denuncio uma injustiça: nos créditos iniciais, o roteiro aparece como se fosse escrito só por Crowe, não vemos o nome de Almenábar! Por que, se os roteiros são quase iguais?

A direção é de Crowe, mas este é um “filme do Tom Cruise”. E é legal ver como o “star power” funciona. Sabe aquela cena inicial, onde vemos Cruise correndo pela Times Square completamente vazia? Não foi cgi! Cruise FECHOU a Times Square para filmar a cena!!!

(Aliás, nada contra Eduardo Noriega, o ator do original, mas achei que o papel combinava mais com o Tom Cruise…)

Uma coisa curiosa, e até onde sei, única na história do cinema: Penelope Cruz fez o mesmo papel nas duas versões! E admito, não gostei… Ainda no elenco, Cameron Diaz, Jason Lee, Kurt Russell, Timothy Spall, Noah Taylor e Tilda Swinton. Johnny Galecki, hoje famoso por The Big Bang Theory, faz uma ponta como o assistente de Cruise.

Mesmo sendo uma refilmagem quase igual ao original, Vanilla Sky é uma boa opção. Mas recomendo ver ambos.

Preso na Escuridão / Abre los Ojos (1997)

Abre-Los-OjosCrítica – Abre Los Ojos (1997)

Um jovem rico e bonito encontra o amor da sua vida, mas sofre um acidente que deixa o seu rosto desfigurado.

Antes do podcast “O que você entendeu destes filmes?”, revi Vanilla Sky, e em seguida revi Abre Los Ojos. Mas como aquele é a refilmagem deste, vou falar primeiro do original.

(Mal) lançado no Brasil com título Preso na Escuridão (vi no SBT, ainda na época do VHS!), Abre Los Ojos traz uma impressionante e bem construída trama, meio suspense, meio drama, meio ficção científica, daquelas que o espectador precisa prestar atenção para sacar todas as nuances.

Além de dirigir, Alejandro Almenábar (que tem feito pouca coisa, de 2002 pra cá só dirigiu dois longas, Mar Adentro e Alexandria) também escreveu o roteiro (em parceria com Mateo Gil), que é a melhor coisa do filme. Abre Los Ojos não é um filme fácil, mas o espectador inteligente vai se deliciar com a trama não linear onde nem tudo é o que parece.

Nos papeis principais, Eduardo Noriega (A Espinha do Diabo, Agnosia) e Penélope Cruz (que estava na refilmagem). Ainda no elenco, Najwa Nimri, Chete Lera e Fele Martinez.

Abre Los Ojos foi refilmado quatro anos depois. Diz a lenda que Tom Cruise viu o filme com o seu amigo Cameron Crowe, e Cruise então chamou Almenábar e propôs a refilmagem, e em contrapartida ele “emprestaria” sua então esposa Nicole Kidman para a sua estreia hollywoodiana” (Os Outros). Curiosamente, Penélope Cruz veio no “pacote”, e reencenou o mesmo papel – e depois tomou o posto de Nicole no coração de Cruise… Amanhã falo da refilmagem!

p.s.: Normalmente procuro no google imagens das versões brasileiras dos filmes. Mas não achei deste filme, então peguei a americana, igual à do dvd gringo que tenho.

Podcrastinadores.S03E11 – O que você entendeu destes filmes?

Podcrastinadores.S03E11Podcrastinadores.S03E11 – O que você entendeu destes filmes?

É hora de revisitar alguns filmes que ninguém entendeu direito. Sabe aquele filme que ficamos com cara de interrogação quando aparecem os créditos sem saber o que diabos aconteceu? Então, esses mesmos.

Além disso tem o tipo de filme que a gente teve nossa própria interpretação, e também aquele com final aberto, onde o diretor deixa o final por conta do espectador. Ou até aquele que você nem sabia que tem duplo significado e achava que tinha entendido de primeira. :)

Como avisamos no audio, este é um episódio recheado de spoilers do início ao fim. Para que você saiba o que falaremos e decidir o que ouvir, seguem os filmes em debate e seus respectivos momentos:

Filme Duração
Vanilla Sky De 10:51 a 22:44
Vingador do Futuro 22:45 a 30:07
Blade Runner 30:08 a 41:24
Donnie Darko 41:25 a 58:32
Amnésia 58:33: 1:04:52
A Origem 1:04:53 a 1:12:59
Primer 1:13:00 a 1:32:41
2001 1:33:24 a 1:36:33

Participaram deste episódio: Gustavo Guimarães, Helvecio Parente, Rodrigo Montaleão, Tibério Velasquez, Alexandre Rocha e Fernando Rocha.

Ouça e participe!

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Links relacionados a este episódio:

– Leia os artigos sobre Blade Runner aqui no Abacaxi Voador, partes 1, 2, e 3.

– Incrível infográfico sobre as camadas temporais em A Origem.

– Episódios comentados no programa: Top 10 Gadgets, Robôs, Ciborgues e Androides, Birdman, e Realismo Espacial que falamos de Interestelar e 2001

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Mad Max: Estrada da Fúria

0-Mad MaxCrítica – Mad Max: Estrada da Fúria

E finalmente vamos falar do novo Mad Max!

Num mundo devastado pós apocalíptico, dois rebeldes podem restaurar a ordem: Max, um homem de poucas palavras, e Furiosa, uma mulher de ação que tenta voltar ao lugar onde passou a infância.

Rolava uma grande dúvida sobre este Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, no original): seria uma refilmagem, um reboot? Como este filme se encaixa na linha do tempo “madmaxiana”?

É um novo filme, com o mesmo personagem, Max Rockatansky, em uma nova história, independente dos outros filmes. Nunca se fala em linha temporal, meu chute é que este filme deve se passar entre o 2 e o 3 (me parece que a gasolina era algo mais escasso no terceiro filme). Mas isso pouco importa, temos um filme sem nenhuma ligação com os outros da franquia. Quem não viu (ou não se lembra) dos outros não precisa rever pra entender este novo filme.

Mais uma vez, a direção ficou com George Miller, que tem uma carreira curiosa: depois de dirigir os três primeiros Mad Max, dirigiu As Bruxas de Eastwick (87) e O Óleo de Lorenzo (92), e depois investiu na carreira de filmes infantis (Babe o Porquinho e os dois Happy Feet: O Pinguim. E agora, aos 70 anos de idade, volta aos filmes de ação com as alucinadas perseguições do novo Mad Max. Detalhe: a censura lá fora é “R”, Miller pulou dos filmes infantis para algo só para adultos.

A parte técnica é impressionante. Se as sequências de perseguições de carros já eram boas nos outros filmes, aqui estão ainda melhores. São várias sequências de tirar o fôlego, cada uma melhor que a outra. Pelo que li, George Miller gastou milhões destruindo dezenas de carros reais, em vez de optar pelo cgi. O espectador que for ao cinema atrás de boas perseguições e explosões não se decepcionará!

Outra característica importante na franquia é o visual. Os figurinos e maquiagens são ótimos, e os carros, motos e caminhões – quase todos modificados (tipo uma carroceria de fusca em cima de um caminhão tanque) – estão excelentes. Isso, aliado à uma fotografia bem cuidada, criam um visual impressionante e único.

O problema é que várias coisas no roteiro não fazem o menor sentido – a ponto de termos um guitarrista tocando parte da trilha sonora do filme acorrentado em cima de um dos caminhões! (Pra mim, este guitarrista que aparece várias vezes está lá apenas para nos lembrar que o filme não é para ser levado a sério…)

Isso tudo cria um clima meio trash que não sei se vai agradar a todos. A produção é de primeira, mas a motivação que guia os personagens não é. Isso porque não estou falando de alguns furos de roteiro – aquela passagem pelas pedras estaria limpa daquele jeito?

Sobre o elenco, precisamos falar de Charlize Theron, a verdadeira protagonista do filme. Sim, não é um filme do Mad Max, e sim da Imperator Furiosa (curioso o nome quando lido por latinos, não?). Mesmo sem cabelo, sem um dos braços e com a testa suja de graxa, Charlize é mais bonita do que a maioria das mulheres deste planeta. E não é só a beleza: Charlize hipnotiza o espectador com seus olhos azuis e toma conta do filme.

Max é interpretado por Tom Hardy, o Bane de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que faz um bom trabalho substituindo Mel Gibson (todo mundo já sabe que Gibson não está nesse filme, né?). E, diferente dos outros filmes, agora temos alguns nomes conhecidos no elenco, como Nicholas Hoult e Zoe Kravitz (o Fera e a Angel de X-Men Primeira Classe) e Rosie Huntington-Whiteley (Transformers: O Lado Oculto da Lua). Ainda no elenco, Riley Keough, Abbey Lee, Courtney Eaton e Nathan Jones. Ah, para os fãs da franquia: o vilão Immortan Joe é interpretado por Hugh Keays-Byrne – o Toecutter do primeiro Mad Max.

Por fim, o 3D. Quem me conhece sabe que não sou fã de 3D, a não ser quando usa o “efeito parque de diversões”: coisas saem da tela na direção do espectador. E é o caso aqui! Ou seja, pela primeira vez no ano, o 3D vale a pena!