O Dia Seguinte (1983)

O Dia SeguinteCrítica – O Dia Seguinte

Há muito tempo heu queria rever O Dia Seguinte, só tinha visto uma vez, no cinema, lá nos anos 80. Aproveitei o podcast de filmes catástrofe e catei o dvd.

Anos 1980, auge da guerra fria. Em meio à vida cotidiana e normal, são apresentados ao espectador os fatos que culminam na tão temida guerra nuclear, que acontece depois de uma crise diplomática que se agrava entre os EUA e a URSS após esta ter invadido a parte ocidental de Berlim, Alemanha.

Hoje, em 2014, é difícil de se visualizar o tamanho do impacto que O Dia Seguinte teve na época do lançamento. O mundo vivia o auge da guerra fria – que tinha, de um lado, os EUA com várias armas nucleares apontadas para a URSS, e, do outro, a URSS com o mesmo potencial bélico apontado para os EUA. A gente sabia que se um dos lados “apertasse o botão”, ia ser lançada uma quantidade de bombas suficientes para detonar várias vezes todo o planeta.

O Dia Seguinte (The Day After, no original) foi dirigido por Nicholas Meyer, que foi um nome importante no universo trekker. Um ano antes Meyer dirigira aquele que é considerado por trekkers o melhor dos filmes de Star Trek, o Star Trek 2 – A Ira de Khan; depois, Meyer também escreveria o roteiro de Star Trek IV e dirigiria Star Trek VI. Mas aqui ele ficou só no drama, o filme, apesar dos efeitos especiais, é um drama, não tem nada de ficção científica.

Com pouco mais de duas horas de duração, o ritmo do filme não é bom, principalmente na primeira parte. Somos apresentados aos personagens, enquanto ouvimos trechos de noticiários que falam da tensão entre os países e a iminente guerra. E tudo é muito arrastado, são 45 minutos intermináveis!

Sobre o momento chave, a parte das explosões atômicas: alguns efeitos especiais “perderam a validade”, mas no geral, o filme continua impactante. E a terceira parte do filme, com o que acontece nos meses depois das bombas (e não apenas no “dia seguinte”, como sugerido pelo título), continua desoladora e pessimista. No fim do filme, lemos uma mensagem que um ataque nuclear provavelmente seria ainda pior do que o que foi mostrado no filme.

O Dia Seguinte foi originalmente uma produção para a tv, feita pelo estúdio ABC. Mas aqui no Brasil, foi lançado nos cinemas. Me lembro perfeitamente de sair do cinema Petrópolis e estranhar que o mundo ainda estava inteiro lá fora, ainda estava de dia, ainda tinham árvores nas ruas… Sim, o filme foi muito impactante na época!

A Espinha do Diabo

el-espinazo-del-diabloCrítica – A Espinha do Diabo

Aproveitei o evento Sanguecine, no Cine Joia, pertinho da minha casa, pra revisitar A Espinha do Diabo, filme que heu queria rever há anos.

Espanha, 1939. Durante a guerra civil, um menino de dez anos de idade é levado a um orfanato isolado da cidade. Lá, ele aprende a conviver com adultos agressivos e crianças perturbadas pela atmosfera do lugar, e com o espírito de um ex-aluno que clama por vingança.

Apesar do nome remeter ao assunto, (El Espinazo del Diablo no original, The Devil’s Backbone em inglês) não tem nada de demoníaco. Sim, é terror, mas é uma história de fantasma.

O diretor Guillermo Del Toro (Hellboy, Círculo de Fogo), hoje um nome famoso mundialmente, era pouco conhecido na época, mas conseguiu chamar a atenção com este seu terceiro longa metragem, com um misto de terror, suspense e drama, e uma história sólida e com bons personagens (ele é um dos co-roteiristas). Anos depois ele voltaria ao ambiente da guerra civil espanhola em outro excelente filme fantástico, O Labirinto do Fauno. Muita gente considera estes dois os melhores filmes de Del Toro.

Gosto de ver filmes “off Hollywood”. Co-produção México e Espanha, A Espinha do Diabo tem um clima tenso e um estilo de violência que nunca seriam feitos pelos grandes estúdios americanos. O mesmo posso dizer sobre o uso de crianças no filme.

Falando nas crianças, o elenco infantil é bom, mas acho que nenhum dos meninos ficou famoso – Fernando Tielve (Carlos) e Íñigo Garcéz (Jaime) também estiveram em Labirinto do Fauno, mas em papeis menores. Entre os adultos, acho que o maior nome era o de Marisa Paredes, habitual colaboradora de Pedro Almodóvar (que foi produtor executivo aqui). Eduardo Noriega esteve recentemente em O Último Desafio, ao lado de Schwarzenegger e Rodrigo Santoro. Completam o quarteto Irene Visedo e Federico Luppi.

Diferente de alguns filmes de fantasmas por aí, a assombração de A Espinha do Diabo logo mostra a cara, o filme não esconde de ninguém o seu assustador fantasminha. Aliás, a caracterização do fantasma é muito boa, todos os efeitos especiais funcionam bem.

Até onde sei, A Espinha do Diabo nunca foi lançado em dvd ou blu-ray por aqui. Vi muito tempo atrás, ainda na época do vhs. Anos depois consegui comprar o dvd importado, mas estava com preguiça de ver com legendas em inglês. Viva o Sanguecine, viva o Cine Joia!

As Tartarugas Ninja (2014)

0-tmnt-posterCrítica – As Tartarugas Ninja (2014)

A nova versão das Tartarugas Ninja!

Em uma Nova York dominada pela gangue Clã do Pé, um diferente grupo de defensores da lei surge vindo dos esgotos: as Tartarugas Ninja!

As Tartarugas Ninja surgiram nos quadrinhos e tiveram três filmes entre 1990 e 93, um longa de animação em 2007, um seriado com atores em 97, e mais três séries de desenhos animados para a tv (87, 2003 e 2012). Não li os quadrinhos, nem vi os desenhos, minhas comparações serão com os filmes, ok?

Quando anunciaram um remake pelas mãos do Michael Bay, os fãs ficaram preocupados. E quando o novo visual das tartarugas foi divulgado, a preocupação aumentou – como assim, tartarugas com nariz?

Mas, o resultado nem ficou tão ruim. Bay ficou só na produção, sendo assim, As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles, no original) não tem muitas explosões, e a câmera não é tão tremida. Além disso, o visual das tartarugas não é tão bom quanto o dos filmes dos anos 90, mas não incomoda tanto assim ver tartarugas que não têm cara de tartarugas.

Apesar de seus furos no roteiro, o filme dirigido por Jonathan Liebesman (Batalha de Los Angeles, Fúria de Titãs 2) é divertido, e as tartarugas proporcionam momentos bem engraçados, cheios de piadinhas com referências ao universo pop – Michelangelo cita Star Wars, Harry Potter, Batman e Superman, entre outros. E a cena do MC Mikey no elevador é sensacional!

O visual das tartarugas mudou para pior, acho que isso foi um consenso (vi até piada no 9Gag sobre isso). Mas, se antes parecia que a única diferença era a cor da máscara, agora pelo menos os quatro estão mais diferentes entre si, conhecemos melhor as personalidades de cada um. Além disso, o cgi é bem feito, e todos os quatro se movimentam bem.

(Ah, o rato, Mestre Splinter, era um muppet mal feito na versão antiga, este personagem ficou bem melhor.)

Claro, nem tudo funciona. O elenco “humano” é um dos pontos fracos. Enquanto Megan Fox atuando é um zero à esquerda, Will Arnett está particularmente irritante. William Fichtner está previsível e caricato (matar um capanga só pra ilustrar seu ponto foi exagero, não?), mas pelo menos atua bem. Agora, o vilãozão Shredder é a pior coisa do filme. Não só é um vilão bobo que não mete medo em ninguém, como a sua origem (que estava no filme de 90) foi ignorada. Ah, o Mestre Splinter é dublado por Tony Shalhoub e Johnny Knoxville faz a voz do Leonardo.

Sobre os furos no roteiro. Não vou falar spoilers, mas queria que alguém me explicasse o que parou a queda das tartarugas no fim do filme. Outra coisa: se o sangue da tartaruga era importante, por que os vilões deixaram uma para trás?

Mas, enfim, quem estiver com baixas expectativas vai se divertir.

Como consertar o novo filme das Tartarugas Ninjas

Como consertar o novo filme das Tartarugas Ninjas

As Minas do Rei Salomão (1985)

As-Minas-do-Rei-SalomaoCrítica – As Minas do Rei Salomão

Desde o podcast sobre Indiana Jones tenho vontade de rever os filmes de aventura que surgiram no rastro, como Tudo Por Uma Esmeralda e A Joia do Nilo e os dois filmes do Allan Quatermain. Catei este As Minas do Rei Salomão para rever – mas não lembrava que era tão tosco…

Na época da Alemanha nazista, o aventureiro Allan Quatermain se une a uma pesquisadora que quer encontrar seu pai, desaparecido na África enquanto procurava as minas do Rei Salomão.

Ok, a gente sabe que, na literatura, o personagem Allan Quatermain é mais antigo que o Indiana Jones, assim como sabe que existiu um filme As Minas do Rei Salomão em 1950. Mas, apesar de saber isso tudo, este filme, lançado em 1985, é uma cópia descarada das aventuras do arqueólogo interpretado por Harrison Ford – tem até nazistas na história. E, o pior: uma cópia mal feita.

As Minas do Rei Salomão é quase um filme trash. São tantas as situações ridículas que fica difícil de contar todas! Não sei o que é mais tosco, se é o vilão alemão que parece saído de um filme d’Os Trapalhões, ou se é a cena que Quatermain entra em um vagão de trem cheio de soldados alemães e os enrola cantando uma música, ou se é o povo que vive de cabeça para baixo, ou se é o caldeirão cheio de frutas de plástico (reparem que, quando está rolando, o caldeirão tem um formato diferente!), ou… Se for listar aqui, não acabo hoje…

No elenco, o papel principal estava com Richard Chamberlain, meio canastrão, mas um nome famoso por sua carreira na tv, com participações em vários seriados, minisséries e telefilmes. Sharon Stone, então com 27 anos, ainda era um nome quase desconhecido – depois ela ainda faria alguns filmes B (Loucademia de Polícia 4, Action Jackson) antes de alcançar o estrelato nos anos 90. John Rhys-Davies, que era amigo do mocinho em Caçadores da Arca Perdida, aqui faz um vilão, enquanto Herbert Lom faz o alemão caricato.

Teve uma continuação em 1986, Alain Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido, também estrelada por Chamberlain e Stone. A crítica considera este segundo filme ainda pior do que o primeiro. É, acho que não vou rever.

Agora preciso de coragem pra rever Tudo Por Uma Esmeralda. Mas, com Robert Zemeckis na direção, e Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny De Vito no elenco, acho difícil ser tão tosco quanto este As Minas do Rei Salomão.

Robin Williams – 1951 – 2014

Copio aqui a homenagem que fiz ao Robin Williams no site abacaxivoador.com.br:

Robin Williams – Um adeus ao homem bicentenário

As vezes acho que sempre fui fã do Robin Williams. Deve ser porque quando atingi a idade adulta, no fim dos anos 80, sua carreira estava em ótima fase, e desde então sempre acompanhava os seus filmes na época dos lançamentos.

Vi pouca coisa do início de sua carreira. Não vi as séries Happy Days e Mork & Mindy, lembro vagamente dele fazendo o papel principal de Popeye (80), do Robert Altman. Nunca vi O Mundo Segundo Garp (82), nem Moscou em Nova York (84); vi Clube Paraíso (86), mas nem lembro do que o filme trata.

Mas a partir de 87, fica difícil não se lembrar do seu grito “good morning Vietnam!”. E em 88 ele fez um papel pequeno e engraçadíssimo em As Aventuras do Barão Munchausen, sua primeira colaboração com Terry Gilliam. E acho que seu grande momento na carreira aconteceu em 89, quando nos ensinou a subir em cima da carteira do colégio em Sociedade dos Poetas Mortos, com seu lema “Carpe diem” (“Aproveitem o dia”), um ensinamento válido até hoje.

Nos anos 90, choveram papeis importantes em filmes marcantes: Um Conquistador em Apuros e Tempo de despertar em 90; Voltar a Morrer, O Pescador de Ilusões e Hook em 91 – não é qualquer um que trabalha com Kenneth Brannagh, Terry Gilliam e Steven Spielberg no mesmo ano! Aliás, lembro da expectativa por Hook – como um cara “velho” ia interpretar Peter Pan? E não é que funcionou?

Em 92, Williams revolucionou a indústria de desenhos animados quando dublou o gênio de Aladdin. Como ele interpretava um gênio, soltou a imaginação, e os desenhistas deram corda, criando muita coisa em cima da voz do ator. A partir do ano seguinte, muitas animações passaram a ser desenhadas a partir da gravação da voz do ator! No ano seguinte, Williams conquistou o mundo com a sua Babá Quase Perfeita.

Noventa e cinco foi o ano do impressionante Jumanji, e no ano seguinte, Williams nos fez rir com A Gaiola das Loucas e chorar com Jack, o menino de 10 anos com corpo de 40. Noventa e sete foi o ano do reconhecimento da Academia – Williams ganhou o Oscar por Gênio Indomável. E 98, ele fez o filme favorito deste que vos escreve, Amor Além da Vida, um filme de tema difícil, mas belíssimo – acho que é o visual mais impressionante de todos os filmes que já vi em toda a minha vida, o cara vai parar dentro de uma pintura, o cenário é feito de tinta! Ainda nos anos 90, ele fez Patch Adams (98) e O Homem Bicentenário (99).

Williams ficou marcado por um tipo de papel bonzinho, e quase sempre as pessoas se lembravam dele como um sujeito engraçado e bonachão – mesmo em filmes mais sérios. Isso queimou um pouco sua carreira na opinião pública, que se cansou um pouco do tipo. Williams então tentou mudar isso no início dos anos 2000, quando fez filmes mais sombrios: Retratos de uma Obsessão, Morra Smoochy Morra e Insônia, os três de 2002.

Mas estas últimas décadas não sorriram tanto para Williams quanto os anos 90. Foram alguns bons filmes, como O Som do Coração e os dois Uma Noite no Museu, mas nada tão marcante.

Agora Williams foi encontrado morto, com suspeita de suicídio. A ironia é que em Amor Além da Vida, ele precisa resgatar a sua esposa, que, como se suicidou, foi parar em um lugar escuro e triste. Espero que o filme esteja errado, espero que Williams esteja em um lugar bom, tão bonito quanto a pintura para onde seu personagem foi.

O mundo cinéfilo está de luto. Sentiremos falta do seu talento. Mesmo assim, fica aqui a lição que ele mesmo falou, anos atrás: “aproveitem o dia”.

Os Mercenários 3

0-os-mercenarios-3Crítica – Os Mercenários 3

O terceiro filme de uma das mais divertidas franquias do cinema recente!

Barney (Stallone) descobre que Stonebanks, um dos fundadores de sua empresa de mercenários, dado como morto há tempos, não só está vivo como virou um grande contrabandista de armas. Agora Barney quer montar um novo time para partir para uma missão pessoal atrás de seu ex-companheiro.

O primeiro Mercenários foi uma agradável surpresa, uma reunião de veteranos de filmes de ação, trazendo alguns lutadores contemporâneos como coadjuvantes. O segundo foi ainda mais divertido quando trouxe outros ícones e investiu nas piadas ligadas ao elenco – Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger têm uma sequência engraçadíssima com várias citações a filmes antigos de ambos, e Chuck Norris chega a citar uma piada famosa na internet.

E agora? Será que o terceiro segura a onda?

Não…

Era uma boa expectativa. Se não tinha Bruce Willis, nem Mickey Rourke e Eric Roberts (que estavam no primeiro) e Jean Claude Van Damme e Chuck Norris (que estavam no segundo), o elenco desta vez contava com Harrison Ford e Mel Gibson. Ou seja, Rambo e o Exterminador do Futuro encontram Han Solo e Mad Max! E não parava aí: ainda tinha Antonio Banderas e Wesley Snipes (ambos trabalharam com Stallone nos anos 90, Snipes fez O Demolidor em 93; Banderas fez Assassinos em 95), além da volta de Jason Statham, Dolph Lundgren e Jet Li. Caramba, como um elenco desses pode dar errado?

(Ainda no elenco, temos Randy Couture e Terry Crews, que estavam nos outros filmes – mas Crews quase não aparece, li que ele estava enrolado com as filmagens da série Brooklyn 99. E também tem Kelsey Grammer e Robert Davi em papeis pequenos mas importantes.)

Vamos aos problemas. Em primeiro lugar, o filme dirigido pelo pouco conhecido Patrick Hughes (é seu segundo longa metragem) tem muitos personagens. Não tem espaço pra tanta gente num filme de duas horas e pouco, alguns têm participações minúsculas – por exemplo, Jet Li aparece tão rápido que não dá tempo de bater em ninguém.

Mas na minha humilde opinião, o pior problema é a nova geração. Determinado momento do filme, Stallone quer um novo time de mercenários, formado por Ronda Rousey, Victor Ortiz, Kellan Lutz e Glen Powell. Isso não só incha ainda mais o elenco como ainda traz alguns personagens sem carisma. Quem quer saber de novatos se você pode ver os veteranos em ação?

(Pra mim, isso foi uma estratégia. Não me espantarei se em breve vermos um spin-off com o novo time.)

Ah, tem um agravante. Ronda Rousey é bonita e bate bem. Mas há tempos não vejo uma atuação tão ruim! Heu achava que a Gia Carano era má atriz, mas vi que tem gente pior…

Além do excesso de personagens e da falta de carisma de alguns deles, Os Mercenários 3 ainda tem outros dois problemas. Um deles é o cgi preguiçoso. É inadmissível uma produção deste porte usar efeitos digitais tão vagabundos. Alguns efeitos lembram produções da Asylum, como a explosão do helicóptero ao fim da primeira cena ou o paraquedas na pedreira.

O outro problema é algo mais pessoal, admito. É que gosto do humor presente no segundo filme, cheio de referências às carreiras dos veteranos action heroes. O roteiro do terceiro filme, co-escrito pelo próprio Stallone, é mais sério. Ok, foi legal ver o Schwarza gritando “get to the choppa!”, mas é pouco – pelo elenco, heu esperava bem mais.

Tem uma última coisa que me incomoda, mas é algo que acontece em quase todos os filmes de ação por aí. A cena final tem 10 mocinhos encurralados em um prédio cheio de bombas em posições estratégicas, cercados por um exército fortemente armado com tanques e helicópteros. E, ao fim da cena, todos os inimigos estão mortos, enquanto todos os mocinhos estão inteiros, ninguém levou nem um tiro… Ok, sei que isso não é exclusivo deste filme, e que acontece direto por aí. Mas, que incomoda, ah, incomoda.

No fim, temos apenas mais um filme de ação, com todos os clichês do bem e do mal presentes. Aí a gente lê o elenco e pensa “caramba, conseguiram reunir um elenco desses pra fazer um filme meia bomba?”

Rola um papo que este seria o último filme da franquia. Mas a gente vê que os atores estão se divertindo, se a bilheteria compensar, aposto que teremos mais veteranos voltando à ação. Só espero que Mercenários 4 seja mais próximo do 2 do que do 3.

p.s.: Li que o próximo projeto do diretor Patrick Hughes é a refilmagem do excelente filme indonésio The Raid. Torço muito pelo sucesso de Hughes. Mas torço ainda mais para esta refilmagem nunca ser feita. Vejam o original!!!

Uma Noite de Aventuras (1987)

Uma noite de aventurasCrítica – Uma Noite de Aventuras (1987)

Para o podcast de comédias dos anos 80, alguém sugeriu este Uma Noite de Aventuras. (Adventures in Babysitting, no original). Como não via desde a época do lançamento no cinema, no fim dos anos 80, fui rever.

Chris, uma jovem de 17 anos fica de babá tomando conta de três crianças, até que uma amiga liga e pede para ser resgatada na rodoviária. Chris sai de casa com os três no carro para buscar a amiga, mas vários problemas aparecem no meio do caminho.

O formato segue um estilo bastante comum na época: coisas vão dando errado sucessivamente (as “muitas confusões” que sempre eram citadas nos comerciais da sessão da tarde), até um fim onde os mocinhos conseguem se safar na boa. Fórmula simples e eficiente, apesar de previsível.

Claro que este formato de comédia às vezes força a barra. Mas quando o roteiro é bem escrito, mesmo uma forçação de barra funciona. Um exemplo: os bandidos nunca seriam parados daquele jeito dentro do clube de blues – mas a cena “ninguém sai daqui sem cantar um blues” ficou divertida.

Uma Noite de Aventuras é o filme de estreia de Chris Columbus na cadeira de diretor – ele já era um roteirista conhecido, já tinha escrito Vidas Sem Rumo, Gremlins, Goonies e O Enigma da Pirâmide. Pra quem não se ligou no nome, depois ele dirigiria Esqueceram de Mim, Rent, Percy Jackson e o Ladrão de Raios e os dois primeiros Harry Potter, entre outros.

No elenco, o único nome de destaque é Elisabeth Shue, em seu primeiro papel de destaque, e que logo depois faria Cocktail e De Volta Para o Futuro 2 e 3 e viraria uma atriz conhecida até hoje. Os dois irmãos são interpretados por Maia Brewton e Keith Coogan, que sumiram. Agora, tive três surpresas com o resto do elenco. Brenda, a amiga a ser salva na rodoviária, é Penelope Ann Miller (O Pagamento Final). O mecânico, aquele cara magro de cabelos louros que só aparece em uma cena, é Vincent D’Onofrio. E Daryl, o moleque vizinho, é Anthony Rapp, que voltaria a trabalhar com Chris Columbus em um dos papeis principais do musical Rent – o garoto cresceu e aprendeu a cantar. Ah, li o nome de Lolita Davidovich nos créditos, mas confesso que não achei onde ela estava.

Por fim: olhem o poster. Por que Chris está de vestido, se ela não usa este vestido no filme? É que o poster foi feito antes das filmagens…

Enfim, um bom e despretensioso “filme de sessão da tarde”.

Stallone Cobra

stallone-cobraCrítica – Stallone Cobra

Uma ode à testosterona oitentista!

Um policial durão tem que proteger uma bela modelo, a única pessoa que pode reconhecer um assassino que faz parte de um culto, auto denominado “Nova Ordem”, que está matando dezenas de pessoas.

Podemos rever Stallone Cobra hoje em dia sob dois pontos de vista. Por um lado, é um filme tosco e boçal, datado e mal feito. Por outro lado, é um filme tosco e boçal, datado e mal feito, e muito divertido!

Curiosamente, a gênese de Stallone Cobra está em outro filme bem mais light. Stallone escreveu um roteiro para Um Tira da Pesada, filme que ele também protagonizaria. Mas ele queria um filme de ação, enquanto os produtores preferiam um tom mais de comédia. Assim, Stallone levou seu roteiro para outra produção, Eddie Murphy foi chamado e virou um astro.

O melhor do filme dirigido por George P. Cosmatos (que já tinha trabalhado com Stallone em Rambo II – A Missão) é o personagem título, que vive de óculos espelhados, luvas de couro e um palito pendurado na boca, tem um carro vintage maneiro, e que passa o filme inteiro falando frases de efeito enquanto mata boa parte do elenco. Ah, o nome Marion Cobretti é uma homenagem a John Wayne, que tinha “Marion” como nome de batismo.

Pra mim, uma cena resume o espírito do filme. Depois de ter matado um bandido, Cobra chega em casa, pega uma pizza na geladeira, corta um pedaço com uma tesoura e come enquanto limpa a arma – isso tudo sem tirar as luvas!!!

Li que existe uma versão mais longa , de cerca de 130 minutos (a versão oficial tem 87 min), que foi cortada para o filme ter mais sessões por dia e competir com a bilheteria de Top Gun, lançado na mesma época. Claro que isso causou furos no roteiro…

Além disso, tem coisa na trama que não faz sentido, mas acho que não foi culpa da edição, tipo os bandidos que chamam mais atenção tentando matar a mocinha do que se deixassem ela em paz. Mas claro que isso pouco importa, o que importa aqui é a violência exagerada.

No principal papel feminino, a então sra. Stallone, Brigitte Nielsen, em seu segundo filme com ele (ambos estavam em Rocky IV um ano antes). O casamento durou menos de dois anos, na época rolou um boato que Brigitte teria trocado Stallone pela sua secretária… Ainda no elenco, uma curiosidade: Reni Santoni (Tony Gonzalez) e Andrew Robinson (detetive Monte) estiveram juntos 15 anos antes em Dirty Harry, Perseguidor Implacável – outro “filme de policial durão”.

Por fim: este filme passou tantas vezes na tv brasileira que existe um “culto trash” à sua péssima dublagem – tão ruim que combina com os exageros boçais do filme…

Guardiões da Galáxia

Guardioes-da-GalaxiaCrítica – Guardiões da Galáxia

Filme novo da Marvel, mas falando de personagens pouco conhecidos, e com gente estranha na direção. Será que presta?

Depois de roubar um artefato misterioso em um planeta hostil, o mercenário Peter Quill vira o alvo de uma caçada liderada pelo cruel Ronan. Agora Quill precisa se juntar a um improvável e heterogêneo grupo para derrotar Ronan e salvar a galáxia.

Heu estava muito curioso com o conceito de um grupo de super heróis que tinha um guaxinim e uma árvore, feito por um diretor que começou na Troma. Mas depois de vários bons filmes, descobri que a gente pode confiar na Marvel. E não me arrependi: Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, no original) é talvez o melhor filme de super heróis que heu já vi.

Em primeiro lugar, não é um “filme de super heróis”. Quase todos os personagens são alienígenas, quase todo o filme se passa fora da Terra, ou seja, não se trata de super poderes – seria a mesma coisa que chamar o Yoda de super quando ele usa a Força pra tirar a X-Wing do pântano de Dabogah.

Esqueça esse papo de “filme de super heróis”. Guardiões da Galáxia é uma ficção científica com um pé na ação e outro pé na comédia. Adicione personagens bem construídos, diálogos inteligentes, efeitos especiais excelentes e uma trilha sonora inspiradíssima e temos um filme à beira da perfeição.

Um dos meus pés atrás com o filme era o currículo do diretor James Gunn. Não tenho absolutamente nada contra filmes trash, sou fã da Troma, ainda tenho na minha velha coleção de vhs a fita original de Tromeu e Julieta. Mas, na boa, ao saber que o roteirista deste mesmo Tromeu e Julieta estaria na direção do novo projeto da Marvel, rolou um certo receio. Felizmente, infundado.

O outro pé atrás era com os personagens. Um guaxinim e uma árvore? WTF??? Mas, olha, esse medo era ainda mais infundado. Rocket, o guaxinim, é um personagem fantástico; e virei fã do Groot, a árvore que só fala 3 palavras – e, acredite, a cada vez que ele repete as mesmas palavras, temos um novo significado. Genial, genial…

Aliás, é bom falar: a dinâmica entre os personagens é muito bem construída. Claro que o principal é Peter Quill, mas todos os outros quatro têm importância, todos eles têm suas personalidades e motivações, mesmo tendo que dividir o tempo de tela (e, diferente d’Os Vingadores, não tivemos filmes anteriores com cada um pra contar as suas histórias individuais). E outra coisa que funciona bem é como o time é formado, porque eles a princípio são inimigos.

Ah, e tem o humor… Não me lembro a última vez que ri tanto dentro de uma sala de cinema! O humor do filme é genial. Muitas vezes os diálogos do roteiro escrito por Gunn e Nicole Perlman direcionam as cenas para caminhos inesperados, algo meio nonsense – tipo quando Drax quer matar Gamora, mas fica discutindo sobre metáforas. E isso porque não estou falando da quantidade de referências pop – até Footloose é citado no filme!

Completando isso tudo, ao lado de uma boa trilha original orquestrada (composta por Tyler Bates), temos uma excelente seleção musical de hits setentistas (talvez tenha algo de anos 80, não sei ao certo). Detalhe 1: todas as músicas se encaixam perfeitamente no desenrolar do filme. Detalhe 2: todas as letras das músicas se encaixam perfeitamente no desenrolar da trama.

Também precisamos falar do elenco. O protagonista Chris Pratt não é um rosto muito conhecido (chequei no imdb, já vi alguns filmes com ele, mas nunca tinha reparado no cara). Agora, no resto do elenco tem muita gente legal: Zoe Saldana, Dave Bautista, Michael Rooker, Lee Pace, Karen Gillan, Djimon Hounsou e John C. Reilly, além de pontas de Benicio Del Toro, Glenn Close e Josh Brolin (como Thanos). Vi no imdb que tem cameo do Nathan Fillion e a voz do Rob Zombie, mas terei que rever pra procurar. Claro, também tem o Stan Lee fazendo uma ponta. E, para os fãs da Troma, procurem o Lloyd Kauffman entre os presidiários!

A sessão pra imprensa não teve cena depois dos créditos, sei lá por que. Rola uma curta cena no início dos créditos, mas não tem nenhum gancho, é uma piada extra. E uma piada engraçadíssima!

Enfim, se você é fã da sobriedade do Batman do Christopher Nolan, e de filmes sérios e densos, talvez Guardiões da Galáxia não seja para você. Mas se você concorda com aquele velho lema de um exibidor que dizia “Cinema é a maior diversão”, este é “o filme”!

Sem Escalas

Sem EscalasCrítica – Sem Escalas

Nova parceria entre Liam Neeson e Jaume Collet-Serra!

Durante um voo atravessando o Atlântico, um policial recebe mensagens de texto ameaçando matar um passageiro a cada 20 minutos se a companhia aérea não pagar um resgate de 150 milhões de dólares.

A Espanha tem tradição no cinema fantástico. Mas, diferente de vários conterrâneos, o espanhol Jaume Collet-Serra construiu carreira em Hollywood. Depois de começar com o fraco Casa de Cera, ele acertou com os bons A Órfã e Desconhecido. Agora, Collet-Serra confirma o talento com mais um bom suspense.

Sem Escalas (Non Stop, no original) é um suspense que usa a estratégia do “whodunit”, mais usada em filmes de terror. Trata-se daquela situação “aghatachristieana”, quando temos que encontrar o assassino no meio de vários suspeitos, e ao longo da trama acontecem eventos para confundir o espectador. E o interessante daqui é que a trama se passa dentro do avião, tornando tudo mais claustrofóbico.

O roteiro do filme é bem construído, mas infelizmente escorrega logo na solução do “whodunit” – aquele fim não convence ninguém. Não chega a ser ruim a ponto de estragar o filme, mas tira um pouco do brilho do filme.

No elenco, Liam Neeson mostra mais uma vez que é “o cara”. Parece que de uns anos pra cá ele se especializou em fazer filmes de ação – além de protagonizar Esquadrão Classe A (2010) e os dois Busca Implacável (2008 e 2012), ele teve papeis menores em Star Wars, Batman e Fúria de Titãs. Ainda no elenco, achei Julianne Moore apagada – seu papel caberia em qualquer atriz mediana. Também estão no filme Michelle Dockery, Scoot McNairy e Lupita Nyong’o, em provavelmente seu último papel pequeno (ela ganhou o Oscar este ano, né?).

Enfim, Sem Escalas pode não ser tão bom quanto A Órfã e Desconhecido, mas mesmo assim ainda é melhor do que a maioria dos suspenses lançados por aí.

p.s.: Algumas vezes durante o filme mencionam o voo de 6 horas como um voo “longo”. Pô, ir do Brasil pra Europa é bem mais demorado…