Operação Sombra – Jack Ryan

0-operacao-sombra-jack-ryanCrítica – Operação Sombra – Jack Ryan

Jack Ryan está de volta!

O jovem oficial da marinha Jack Ryan é ferido na Guerra do Afeganistão e quase fica paraplégico. Recuperado, passa a trabalhar às escondidas para a CIA, quando descobre um complô orquestrado na Rússia, que pretende instalar o caos financeiro nos Estados Unidos.

Jack Ryan, personagem mais famoso do escritor Tom Clancy, ganhou um reboot. Quer dizer, “outro” reboot…

Vamos lá: primeiro veio Caçada Ao Outubro Vermelho (1990), com Alec Baldwin interpretando o agente da CIA. Depois mudou o ator, Harrison Ford assumiu o papel em Jogos Patrióticos (1192) e Perigo Real e Imadiato (1994). Apesar da troca de ator principal, esses títulos formam uma boa trilogia de filmes de espionagem. Em 2002, resolveram reiniciar a história com um ator mais novo (o termo “reboot”, tão na moda hoje, não era usado ainda), Ben Affleck, que fez um Jack Ryan com 30 anos de idade em A Soma de Todos os Medos (Ford tinha 52 em Perigo Real. Mas o filme não foi bem nas bilheterias e o personagem foi aposentado.

Mas como Hollywood não gosta de deixar passar chances de ganhar dinheiro, inventou a moda do reboot. Se a ideia deu errado, não tem problema – a gente faz um reboot! E assim veio este Operação SombraJack Ryan (Jack Ryan: Shadow Recruit, no original), quinto filme, mas que mostra início da carreira do famoso agente.

A divulgação de Operação SombraJack Ryan diz “do mesmo diretor de Thor“. É verdade, Kenneth Branagh dirigiu Thor. Mas é triste reduzir uma carreira rica como a de Branagh para “o diretor de um filme de super-heroi”. O cara tem formação shakespeareana no teatro, adaptou, dirigiu e estrelou Hamlet, Muito Barulho Por Nada e Henrique V, foi indicado ao Oscar 5 vezes (duas vezes ator, diretor, roteirista e curta metragem), e também atuou em Celebridades, Operação Valquíria, Othelo, Frankenstein de Mary ShelleyVoltar a Morrer, dentre muitos outros. Ele até participou da saga Harry Potter! Mas, claro, para os produtores que querem vender o filme, todo este currículo deve ser menos importante do que “o diretor de Thor“…

Enfim, pelo menos Brannagh mostra competência nas sequências de ação e Operação SombraJack Ryan tem um bom ritmo . Pena que o roteiro escrito pelo veterano David Koepp e pelo novato Adam Cozad força a barra demais. O plano para pegar os dados na sala do executivo russo é fantasioso demais! Aquilo nunca funcionaria! E o que dizer sobre a sequência final, quando Ryan dirige um carro enquanto o vilão está no computador – dentro do carro???

Além do roteiro forçado, o filme ainda tem um maniqueísmo digno de produções oitentistas da guerra fria. O vilão Cherevin, personagem de Branagh, é mau como um pica pau, tão mau que chega a ser caricato! Os outros atores principais, Chris Pine, Keira Knightley e Kevin Costner, estão ok.

O que salva o filme é a produção bem cuidada. Além das boas cenas de ação, o filme tem um bom elenco e belas locações nos EUA e na Rússia. Mas só vai agradar os menos exigentes. Se a ideia deste novo reboot é uma nova série com o Jack Ryan, terão que se esforçar mais. Principalmente porque hoje Ryan tem uma concorrência com Bournes e Bonds bastante eficientes.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

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Crítica – Walt nos Bastidores de Mary Poppins

A escritora P.L. Travers reflete sobre sua infância, enquanto negocia com Walt Disney os direitos para adaptar seu livro Mary Poppins para o cinema.

O título nacional “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” é ruim. Não só é grande demais, como é um título mentiroso. Em primeiro lugar, Walt Disney é um personagem secundário, o filme é focado na escritora P.L. Travers, personagem de Emma Thompson. E em segundo lugar, não vemos exatamente os bastidores do filme. Tudo se passa na concepção do roteiro e das músicas, bem antes das filmagens.

Dito isso, Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks, no original) é bem interessante. Já faz anos desde a última vez que vi Mary Poppins, e mesmo assim me lembrei de várias músicas. É legal ver como surgiram algumas dessas músicas.

Emma Thompson está ótima como a escritora P. L. Travers. Não sei o quanto Travers era rabugenta na vida real, mas aqui ela virou um personagem que é um prato cheio para uma grande atriz como Thompson. Tom Hanks, como era esperado, também está bem como Walt Disney, mas é Emma Thompson quem rouba a cena. Ainda no elenco, Colin Farrell, Jason Schwartzman, Paul Giamatti, Ruth Wilson e Rachel Griffiths.

O ponto fraco do filme dirigido pelo pouco conhecido John Lee Hancock (diretor de Um Sonho Possível e roteirista de Branca de Neve e o Caçador) são os longos flashbacks mostrando a infância de Travers. Sim, os flashbacks são essenciais para a história. Mas podiam ser beeem mais curtos.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins não é um filme essencial. Mas é divertido, principalmente para os fãs de Mary Poppins.

Uma Aventura Lego

Crítica – Uma Aventura Lego

Emmet, um boneco Lego comum, é confundido como sendo o construtor mestre, o único que pode salvar o universo Lego. Com a ajuda de um velho místico, de uma mulher durona – e do Batman, Emmet vai lutar para derrotar o mal.

Dirigido pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (Tá Chovendo Hamburger, Anjos da Lei), Uma Aventura Lego (The Lego Movie, no original) é uma boa diversão para os pequenos, e também para os grandes que os acompanham. Se por um lado a história é bobinha e traz uma lição de moral óbvia, por outro lado a trama tem umas soluções divertidas (como usar revomedor de esmalte para apagar um rosto de um boneco), e é cheia de referências à cultura pop.

O grande barato de Uma Aventura Lego é que a animação mista de cgi com stop motion, mas pensada pra tudo parecer um stop motion feito com peças reais de Lego. Tudo na animação obedece as limitações das peças de plástico duro – diferente de outras animações baseadas em brinquedos, como Lego Star Wars e os desenhos da Barbie, que usam os personagens, mas com movimentos flexíveis. Até quando vemos efeitos de tiros, de fogo ou de água, são em forma de peças de Lego.

Outra coisa interessante foi que a produção resolveu usar vários personagens com direitos autorais. Temos super herois da DC, tartarugas ninja, personagens de Star Wars, Harry Potter, Senhor dos Aneis, temos até personalidades como Abraham Lincoln e Shaquille O’Neal. Provavelmente existem Legos de todos eles.

(Aliás, não tem como não pensar em Uma Aventura Lego como um grande comercial do brinquedo. Com certeza veremos nas lojas vários sets baseados no filme. Mas pelo menos é um comercial muito divertido.)

Gostei muito do humor usado no filme. Algumas cenas parecem comédias rasgadas de nonsense! Toda a sociedade construída (trocadilho intencional) na primeira parte do filme é muito bem feita, uma grande crítica a pessoas que seguem a vida “no piloto automático”. E a musiquinha “Tudo é incrível” gruda na cabeça ao fim da sessão.

Vi a versão dublada. A dublagem é muito boa, mas fiquei com pena de não ouvir as vozes de Morgan Freeman, Liam Neeson, Elizabeth Banks, Chris Pratt, Alison Brie, Cobie Smulders e Will Ferrell, além de Channing Tatum e Jonah Hill, repetindo a parceria de Anjos da Lei, aqui interpretando Superman e Lanterna Verde. E isso porque não estou falando das pontas de Anthony Daniels e Billy Dee Williams interpretando C3P0 e Lando Calrissian!

Ah, tem versão 3D. Como acontece frequentemente, não precisa. Nada no filme pede 3D.

Imaginaerum

Crítica – Imaginaerum

Um musical baseado nas músicas da banda finlandesa Nightwish? Ok, vamos ver qualé.

Um velho compositor, em coma, precisa visitar o sinistro mundo de fantasia da sua infância, onde ele precisa recuperar suas memórias antes que seja tarde demais.

Imaginaerum tem boas músicas e um belo visual. Mas não é um bom filme. O problema é que parece um longo videoclipe: música rolando enquanto vemos belas imagens – que nem sempre fazem sentido, mas sempre carregam vários simbolismos. Funciona em um videoclipe de quatro ou cinco minutos. Mas, como filme de longa metragem, cansa.

Me parece que o diretor Stobe Harju quis fazer um novo Pink Floyd – The Wall. Só que ele não tem a experiência do Alan Parker, e o Nightwish não tem nenhum disco conceitual do nível do The Wall. Imaginaerum tem bons momentos e algumas boas músicas, mas falta consistência ao filme.

Talvez os fãs de Nightwish curtam. Mas, para quem não é fã, tem coisa melhor por aí.

Quando Eu Era Vivo

Quando Eu Era Vivo 1Crítica – Quando Eu Era Vivo

Filme de terror nacional, estrelado pela Sandy? Pára tudo, quero ver!

Após um divórcio traumático, Júnior se muda para a casa do pai, Sênior, com quem mantinha uma relação distante. Os objetos e fotos da mãe, morta há alguns anos, foram encaixotados e trancados no quartinho dos fundos. No quarto que dividia com o irmão, Pedro, agora vive a inquilina Bruna, jovem estudante de música que veio do interior para fazer faculdade. Após encontrar objetos que remetem ao passado e à sua mãe, Júnior desenvolve uma obsessão pela história de sua família e tenta recuperar algo que aconteceu em sua infância e que, até hoje, o assombra.

Logo de cara, Quando Eu Era Vivo traz uma boa notícia para o cinema nacional: o diretor Marco Dutra (Trabalhar Cansa) resolveu abraçar o “cinema de gênero”. Depois da sessão, Dutra conversou com os jornalistas. Ele confirmou uma triste realidade: aqui no Brasil, “nacional” virou um gênero, independente de qual é o filme. Dividimos os filmes por gêneros: ação, drama, comédia, terror… e “nacional”.

Dutra disse que pretende fazer outros dois filmes de terror, e depois fará um musical. Legal, viva a diversidade de estilos!

Adaptação do livro “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, de Lourenço Mutarelli, Quando Eu Era Vivo não é o único filme nacional de terror contemporâneo. Mar Negro, terceiro longa de Rodrigo Aragão, está prestes a entrar no circuitão. Nervo Craniano Zero, segundo longa de Paulo Biscaia Filho, vai sair em dvd mês que vem. E não podemos nos esquecer da volta do Zé do Caixão com Encarnação do Demônio, de 6 anos atrás. Isso porque não estou falando do underground de Peter Bayestorf e afins.

Mas, apesar de ser um terror assumido, Quando Eu Era Vivo é bem diferente de todos os exemplos citados. O filme tem um ritmo lento e envereda pelo terror psicológico, lembra um Polanski ou De Palma das antigas. E, outra característica importante: não tem nada de gore. Nada contra gore, mas se o roteiro não pede, não precisa mostrar sangue e tripas.

Um dos pontos fortes do filme é o elenco. Marat Descartes, com trejeitos do Jack Torrance em O Iluminado, brilha como o perturbado Júnior. Antônio Fagundes também está muito bem; e Kiko Bertholini (Pedro), Gilda Nomacce (Miranda) e Tuna Dwek (Lurdinha) impressionam, apesar de aparecerem em poucas cenas.

Agora a pergunta que deve estar na cabeça de boa parte dos leitores: “e a Sandy?” Olha, ela está surpreendentemente bem. Inclusive a sua personagem canta, e tudo flui sem parecer forçação de barra. A trilha sonora é muito boa, um dueto de Sandy e Marat pontua perfeitamente a sinistra cena final.

Agora aguardemos mais filmes “de gênero” feitos aqui no Brasil!

p.s.: A atriz principal é a Sandy, e o personagem principal se chama Junior. Me segurei pra não fazer a piada óbvia no bate papo com o diretor…

p.s.2: Falando em terror nacional, fiz um curta usando a lenda do boitatá. Vejam aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=7RJT1EJxm5I

V/H/S 2

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Crítica – V/H/S 2

O primeiro V/H/S já não foi grandes coisas. Mas, ok, vamos ver qualé a do segundo, uma nova coleção de filminhos de terror de câmera encontrada, independentes entre si.

V/H/S 2 repete um dos erros do primeiro filme: a história que liga os episódios é fraca, sem sentido e desnecessária. Pelo menos tem uma vantagem sobre o outro, são só quatro histórias – o anterior tem cinco, e mais de duas horas de duração.

Filme em episódios é sempre irregular. Então analisemos os episódios separadamente.

– “Clinical Trials” – Um cara coloca um olho robô, que filma tudo, inclusive fantasmas invisíveis a olho nu. Historinha curta de fantasmas, meio bobinha, nada demais.

– “A Ride in the Park” – Um ciclista com uma GoPro no capacete é atacado por zumbis. Ok, é interessante ver o ponto de vista de um zumbi. Mas… 1- Filmes feitos com a estética da câmera encontrada não podem ter edição, se não perdem a razão de ser “câmera encontrada”. Vemos o ciclista pedalando por mais de um ângulo, e ainda tem uma trilha sonora rolando ao fundo; 2- Vem cá, aconteceu o apocalipse zumbi, mas foi só num parque? Não tem sentido alguém ver uma gravação de um “apocalipse” se o mundo continua igual depois, né?

– “Safe Heaven” – Um grupo de documentaristas vai entrevistar o líder de um polêmico culto. A história começa muito bem, bom clima, bom ritmo. Mas o final é tão ridículo que chega a dar raiva. Aparece uma criatura tão tosca que parece que foi tirada dos estúdios da Troma, e que quase estraga o bom filminho.

– “Slumber Party Alien Abduction” – O título diz tudo: “Abdução alienígena na festa do pijama”. Um grupo de adolescentes, mais a irmã de um deles e o namorado, enfrentam aliens. De positivo, inventaram de prender a câmera num cachorro, então existe uma desculpa pra continuarem filmando o tempo todo. De negativo, os aliens são tão toscos quanto a criatura do filme anterior. Em vez de medo, causa risos.

– Tape 49 – Um casal de detetives particulares é chamado para um caso e encontram uma pilha de fitas de vhs. Historinha dispensável, como foi no primeiro filme.

Ninguém conhecido no elenco, claro. Um dos diretores é Eduardo Sánchez, que fez “um tal de Bruxa de Blair“. O que achei curioso foi o nome Gareth Evans como um dos diretores de Safe Heaven. Sim, o mesmo de Operação Invasão / The Raid Redemption. Sr. Evans, volte para os filmes de ação, lá você faz diferença!

Enfim, nada essencial, mas pode até divertir quem estiver no clima certo.

Sunshine – Alerta Solar

Crítica – Sunshine – Alerta Solar

Continuemos com ficção científica. Vamos de Danny Boyle?

No ano 2057, o sol está morrendo. A nave Icarus II leva uma missão com oito astronautas e uma bomba nuclear com a mesma massa da ilha de Manhattan para tentar “reiniciar” o sol.

Danny Boyle já tinha uma carreira sólida na época de Sunshine – Alerta Solar, com alguns bons filmes no currículo, como Cova Rosa, Trainspotting e Extermínio. Boyle tem um estilo característico, muitas cores, muitos cortes rápidos – seus filmes têm muito de linguagem publicitária. E ele conseguiu encaixar seu estilo numa ficção científica fora do eixo aventura-fantasia, como a maioria das fcs que chegam às telas.

Nesta terceira parceria com o roteirista Alex Garland (Extermínio, A Praia), Boyle conseguiu criar um ótimo clima tenso e claustrofóbico. Sunshine tem muito de 2001 (como um computador falante) e de Alien, o Oitavo Passageiro (como poucos passageiros em uma grande nave com algo misterioso escondido). Os efeitos especiais funcionam perfeitamente, e a trilha sonora também é muito boa.

No elenco, é curioso notar um coadjuvante que tem hoje muito mais star power do que na época do lançamento: Chris Evans, o Capitão América (e ex-Tocha Humana). Cillian Murphy está bem como o protagonista (repetindo a parceria com Boyle, que lhe deu sua primeira grande oportunidade na carreira com Extermínio). Ainda no elenco, Rose Byrne (Sobrenatural 1 e 2), Michelle Yeoh (O Tigre e o Dragão), Hiroyuki Sanada (Wolverine Imortal), Mark Strong (Sherlock Holmes), Troy Garity, Benedict Wong e Cliff Curtis.

Não gostei muito do fim, acho que o elemento sobrenatural enfraquece a trama original. Felizmente, não chegou a “estragar” o filme. Sunshine ainda é uma boa ficção científica “séria”.

p.s.: O desenho do capacete dourado, que eles usam para sair da Icarus, foi inspirado no capuz do Kenny, de South Park…