RED – Aposentados e Perigosos

RED – Aposentados e Perigosos

A dama britânica Hellen Mirren, aquela que, há pouco, foi a Rainha da Inglaterra, empunhando uma metralhadora? Definitivamente, isso é uma coisa que a gente não vê todo dia!

Frank Moses (Bruce Willis), ex-agente da CIA, aposentado, leva uma vida pacata num típico subúrbio americano, de onde fica flertando ao telefone com a atendente do telemarketing do seguro social. Até que descobre que querem matá-lo. Frank resolve contra-atacar, e se une a velhos companheiros da sua época, todos “RED” – “Retired Extremely Dangerous” (“Aposentados Extremamente Perigosos”).

A princípio, pensei que seria algo no estilo de Os Mercenários, onde Stallone junta vários atores com a “idade vencida” para um filme de ação. Mas não, RED é muito mais do que isso. O elenco aqui é MUITO melhor! Se acompanhando Stallone estão Dolph Lundgren, Mickey Rourke, Eric Roberts, Jason Statham e Jet Li; ao lado de Bruce Willis estão Hellen Mirren, John Malkovich, Morgan Freeman, Brian Cox, Mary Louise Parker, Richard Dreyfuss e Ernest Bornigne! Um elenco assim faz diferença.

Bruce Willis faz o de sempre. Mas seus companheiros não costumam fazer este estilo de filme. John Malkovich, completamente alucinado, é um alívio cômico sensacional. Helen Mirren continua com a classe de sempre, mesmo quando revela “I kill people, dear” (“Eu mato pessoas, querida”). Morgan Freeman, com 80 anos, num asilo, ainda tem pique para ação. E Brian Cox, que não está no cartaz, também está ótimo como o veterano russo. E tem mais: o elenco “não veterano” também manda bem. Mary-Louise Parker, lindíssima com seus 46 anos, está engraçadíssima como a mulher “comum” que de repente se vê no meio de situações de alta periculosidade. E Karl Urban (o McCoy do novo Star Trek) manda bem como o antagonista agente da CIA. Isso porque não falei dos pequenos (e importantes) papeis de Richard Dreyfuss e Ernest Bornigne.

Dirigido por Robert Schwentke, RED foi inspirado na graphic novel homônima de Warren Ellis e Cully Hamner. Não li os quadrinhos, mas pelo que li na internet, estes são mais sérios. Felizmente, o filme pegou o caminho da galhofa. E assim, se tornou uma das mais divertidas opções do ano. Além de ser um bom filme de ação, RED traz tantos momentos hilariantes que pode também ser classificado como comédia. O cinema inteiro gargalhava o tempo todo!

Também preciso falar da excelente trilha sonora de Christophe Beck, usando uma espécie de soft jazz, meio lounge, meio rock, pontuando com bom humor todo o filme. Vou procurar o cd. E vou procurar mais trabalhos desse cara.

O roteiro não é perfeito, tem vários furos. Por exemplo, como é que um evento onde existe uma ameaça ao vice-presidente não usa câmeras de segurança e nem tem guardas em todas as saídas? Mas, se você não se ligar nesses detalhes, a diversão está garantida.

Boa opção pra quem quiser um bom blockbuster!

Os Outros Caras

Os Outros Caras

Com a morte de dois policiais herois, outros dois policiais querem os holofotes. O problema é que eles não levam muito jeito para serem estrelas – Terry Hoitz (Mark Wahlberg) carrega um erro enorme no currículo, enquanto Allen Gamble (Will Ferrell) é um grande medroso.

Dirigido por Adam McKay, especialista em comédias bobas com Will Ferrell, Os Outros Caras (The Other Guys no original) é uma boa surpresa: trata-se de uma divertida comédia policial. A parte “ação” é muito bem feita, boas cenas de perseguições de carros, bons tiroteios. E a comédia tem algumas sacadas bem legais.

Um dos destaques do filme é Will Farrell. Sim, por incrível que pareça, o ator com cara de bobão que “cometeu” o lamentável Terra Perdido funciona perfeitamente aqui. Mark Wahlberg também não é reconhecido por seus dotes como ator, mas pelo menos tem alguns títulos legais no currículo, como Boogie Nights e Rock Star. E ambos estão ótimos juntos, rolou uma boa química com a típica dupla de filmes onde um não tem nada a ver com o outro.

O resto do elenco ainda tem alguns nomes legais, como Michael Keaton, Ray Stevenson, Steve Coogan e Eva Mendes, além de participações mais que especiais de Samuel L. Jackson e Dwayne Johnson.

O roteiro traz algumas situações muito engraçadas. Mas não é 100%, alguns momentos são bobos, como, por exemplo, o namoro de Gamble usando a sogra de pombo correio. Desnecessário…

Segundo o imdb, a previsão de lançamento para Os Outros Caras aqui no Brasil era pra ser em 8 de outubro. Estamos no meio de novembro, e nada ainda… Sorte que existe o torrent!

As Múmias do Faraó

As Múmias do Faraó

Oba! Filme novo do Luc Besson em cartaz nos cinemas brasileiros!

Paris, 1911. A jovem Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin) é uma jornalista que vai até o Egito em busca da cura da doença de sua irmã, que pode estar na tumba secreta de um faraó. Ao retornar para casa, descobre que um pterodáctilo está aterrorizando a cidade.

As Múmias do Faraó é baseado nos quadrinhos do franco-belga Tardi. É uma divertida mistura de Indiana Jones com Tintin!

Aliás, essa semelhança com Indiana Jones não é muito boa para o filme como um todo. Toda a parte inicial no Egito é uma aventura bem no estilo do nosso arqueólogo favorito. E isso faz o que vem depois ser um pouco sem graça… O pterodátilo, apesar de muito bem feito, não é traz sequências tão divertidas quanto a primeira parte…

Os desavisados podem achar que o filme é a volta de Luc Besson à cadeira de diretor. Claro, afinal, depois de Joana D’Arc, de 1999, ele deu um tempo na direção e se dedicou a escrever e produzir um monte de filmes (como Taxi, Carga Explosiva e B13). Mas a sua volta aconteceu mesmo em 2005, com o intimista Angel-A. E ele ainda fez os filmes infantis Arthur e os Minimoys (2006 e 2009).

O certo aqui é falar que é a volta de Luc Besson ao posto de maior diretor de blockbusters fora dos EUA. As Múmias do Faraó é uma super-produção, bem ao estilo do que ele fazia nos bons tempos, como Nikita, O Profissional e O Quinto Elemento. Os efeitos especiais são excelentes! E as múmias são mostradas como nunca antes no cinema.

O humor às vezes é meio caricato, alguns personagens são meio bobos. Mas, ora, trata-se de uma adaptação de quadrinhos! E, no papel principal, uma nova estrela: Louise Bourgoin – rola até uma breve nudez! Quem lê o blog vai se lembrar, falei dela aqui no post sobre Buraco Negro, filme cabeça que passou no Festival do Rio.

Para finalizar, heu gostaria de fazer umas perguntas ao distribuidor brasileiro: por que só cópias dubladas? E por que o filme não entrou em cartaz na Zona Sul? E isso porque não estou falando do nome do filme – as múmias são uma parte importante da trama,mas só aparecem no fim. Por que não chamar de “As Extraordinárias Aventuras de Adèle Blanc-Sec”? Falta de respeito com o espectador…

O fim do filme traz um interessante gancho para uma continuação. Que venha logo!

Atração Perigosa

Atração Perigosa

Com uma bem sucedida carreira de ator e um Oscar de melhor roteiro em casa (de 1998, por Gênio Indomável, ao lado de Matt Damon), Ben Affleck agora investe também na carreira de diretor. Este é seu segundo longa, depois de Medo da Verdade, de 2007. E aqui, ele acerta a mão num típico “filmão” hollywoodiano.

O bairro de Charlestown, em Boston, é famoso por ter gerado várias famílias de assaltantes a banco. Doug MacRay (Ben Affleck) é um desses, é líder de uma pequena gangue, enquanto seu pai está na cadeia. Depois de um assalto, eles fazem uma gerente do banco de refém durante a fuga. Ao investigar a refém, Doug descobre que ela também mora em Charlestown e começa a se envolver com ela.

Atração Perigosa é um típico blockbuster hollywoodiano, elenco com grandes nomes, parte técnica redondinha, grandes cenas de roubos e tiroteios. Ok, o roteiro não traz nenhuma reviravolta, tudo é meio previsível, mas pelo menos é simples e eficaz. Affleck fez um bom trabalho, seu filme não vai decepcionar os fãs do estilo.

O elenco está ótimo. Ben Affleck não é tudo isso como ator, a gente sabe disso, mas, em seu trabalho múltiplo de diretor + ator (ele também é um dos roteiristas), ele está ok. Jeremy Renner (Guerra Ao Terror) é o grande nome do elenco, como o explosivo amigo de Doug. As meninas Rebecca Hall e Blake Lively também estão bem, e o elenco ainda conta com o auxílio luxuoso de Pete Postlethwaite e Chris Cooper em pequenos papeis.

Curiosidade no elenco para os fãs de séries de tv: os dois policiais do FBI tinham papeis pequenos em séries já comentadas aqui no blog. John Hamm faz um ex-namorado de Liz Lemmon em 30 Rock, enquanto Titus Welliver era ninguém menos que o “Homem de Preto” em Lost.

Por fim, gostaria de falar do nome do filme. Não gostei nem do original “The Town” (“A Cidade”? Que cidade? Boston? Por que?); nem do nome em português, Atração Perigosa, que valoriza uma trama secindária (a relação do bandido com a refém). Por que não usar o nome do do romance de Chuck Hogan que deu origem ao roteiro, The Prince of Thieves, “O Príncipe dos Ladrões“?

Affleck não chega a ser um Michael Mann, mas seu Atração Perigosa é um bom filme!

Tiras em Apuros

Tiras em Apuros

Epa! Como assim, tem filme novo do Kevin Smith já nas locadoras brasileiras, e heu nem sabia?

Em Tiras em Apuros (Cop Out no original), os policiais Jimmy (Bruce Willis) e Paul (Tracy Morgan) são suspensos por indisciplina. Precisando de dinheiro, Jimmy resolve vender um card raro de baseball. Mas o card acaba roubado, e agora Jimmy precisa recuperá-lo para pagar o casamento da filha.

Tiras em Apuros tem um grande problema: Tracy Morgan. Ele é um ator limitadíssimo, só funciona bem em papéis de paródia, como é o caso da série 30 Rock. Lá ele tem um papel que funciona justamente porque é caricato. E aí vem o segundo problema: fica difícil de “comprar a ideia” de Morgan como parceiro de Bruce Willis.

Mas, se a gente “compra” tudo isso, Tiras em Apuros é até divertido!

Kevin Smith conseguiu fazer um filme com cara das comédias de ação dos anos 80. Chamou até o Harold Faltermeyer, autor do tema de Um Tira da Pesada, para fazer a trilha sonora. Se o Tracy Morgan tivesse o talento do Eddie Murphy, Tiras em Apuros seria um novo clássico!

O filme traz outra coisa divertidíssima: apesar de ser a primeira vez que Kevin Smith não filma um roteiro seu (o filme foi escrito por Mark Cullen e Robb Cullen), o filme traz várias referências a outros filmes. Paul vive querendo fazer homenagens a filmes famosos, e muitas frases são usadas por seu personagem. E uma das melhores piadas do filme está na genial sequência inicial de homenagens, quando Paul grita “Yippie-ki-yay, motherfucker!” (frase clássica da série Duro de Matar), e Jimmy fala que não conhece este filme…

Sinto saudades do Kevin Smith do início de carreira. O Balconista, Barrados no Shopping, Procura-se Amy, Dogma, O Império do Besteirol Contra-Ataca, O Balconista 2… Acho que Jay e Silent Bob poderiam aparecer rapidamente em seus novos filmes, como uma homenagem aos velhos tempos. Mas isso ficou pra trás. Inclusive, só o Jason Lee está no elenco, não tem nem o Jason Mewes, nem o Ben Affleck…

Pelo menos é mais divertido que Pagando Bem, Que Mal Tem!


Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

Tropa de Elite 2- O Inimigo Agora é Outro

Estreou a continuação do excelente Tropa de Elite – simplesmente um dos melhores filmes da história do cinema nacional. E a pergunta é: é bom como o primeiro? Felizmente, sim!

O Capitão Nascimento agora é o Tenente Coronel Nascimento, e está no comando de uma operação durante uma rebelião no presídio de segurança máxima Bangu 1. A rebelião acaba como o BOPE nos ensinou: bandido bom é bandido morto. Mas, em ano de eleição, os direitos humanos caem em cima do BOPE, e Nascimento é afastado, só que “para cima”: vai trabalhar na Secretaria de Segurança Pública. Trabalhando em escritório, Nascimento descobre que – como diz o título – “o inimigo agora é outro”.

O filme é muito bom. Tecnicamente perfeito, excelentes atuações, roteiro redondinho, tensão do início ao fim. Fiquei me questionando por que não são feitos outros filmes nacionais com essa qualidade…

Ainda a parte técnica: o diretor José Padilha, o mesmo do primeiro filme, voltou para Tropa de Elite 2. Gosto quando o mesmo diretor volta para a continuação, quase sempre isso é sinal de boa qualidade. Isso acontece aqui: assim como no primeiro filme, em Tropa de Elite 2 não existem os problemas técnicos tão comuns em filmes brasileiros.

Depois do primeiro filme, o Capitão Nascimento virou uma lenda urbana no Brasil, porque sua filosofia é radical: bandido tem que morrer. O povo brasileiro, cansado de ver a bandidagem se dar bem, aprovou os métodos do Cap. Nascimento. Rolaram várias listas na internet com fatos exagerados, na linha daqueles “Chuck Norris facts”. Agora, Nascimento ataca políticos corruptos ligados à milícias. Caramba, um cara desses tinha que ser real. O inimigo do segundo filme é ainda pior que o do primeiro!

(Curioso este filme ser lançado em época de eleição. Mas ainda acho que deveria ter sido lançado um pouco antes, afinal, os deputados e senadores já foram eleitos…)

Wagner Moura brilha novamente como o mais durão de todos os policiais. Seu Tenente Coronel Nascimento passa credibilidade no lado humano, o que faz o nosso heroi ser ainda mais importante. E alguns atores do filme original também estão de volta, como André Ramiro, com o agora Capitão Mathias, numa atuação mais dura do que no primeiro filme; e Milhem Cortaz, como o covarde Coronel Fabio. E o filme ainda traz novos personagens muito bons, como o ativista de direitos humanos Fraga (Iradhir Santos), um verdadeiro antagonista para Nascimento em vários sentidos; e o caricato apresentador de tv Fortunato (André Mattos).

Claro que o filme traz novos bordões que deverão cair na boca do povo, como aconteceu no primeiro filme (“tá com medinho, zero dois?”, “pede pra sair!”). Heu gostei da nova definição de CPMF: Comissão do Policial Militar Filhodap#$@ta…

O lançamento do primeiro filme foi envolto em uma grande polêmica, porque vazou uma cópia em dvd, e muita gente viu o filme antes de ser lançado nos cinemas. Desta vez, não só não vazou, como o filme está tendo sessões lotadas – ontem, sábado, segundo dia de exibição, comprei pela internet dois ingressos para uma sessão seis horas depois, e a sala estava quase esgotada…

(Aliás, um comentário: o filme começou 19 minutos e meio depois do início da sessão. 19 minutos e meio de muitas propagandas e alguns trailers! E olha que paguei pelo ingresso!)

Determinado momento do filme joga uma indireta que uma possível parte 3 (se é que vai ter parte 3) pode ser em Brasília… Será?

Filmaço, parceiro!

Machete

Machete

Há muito espero para ver este Machete. Quase desisti de ver no cinema (já existe um R5 para baixar na internet), mas aguardei e consegui ver no Festival do Rio, na sala grande – e valeu a pena!

Machete (Danny Trejo) é um eficiente e durão policial federal mexicano, que acaba afastado do seu país pelo traficante que manda na polícia. Imigrante ilegal nos EUA, ele é contratado para matar um político, mas descobre que é uma armadilha, e passa a ser caçado pela polícia americana.

Nem todos sabem a origem deste filme. Ao idealizarem o projeto Grindhouse, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez pensaram em falsos trailers para acompanharem os seus dois filmes (À Prova de Morte e Planeta Terror). Eram trailers fakes, os filmes não existiam. Um destes trailers era Machete…

Só que o trailer fez sucesso, e então resolveram fazer o longa. E o filme ficou ótimo, desde já, um dos melhores filmes de 2010!

Machete é sensacional. O diretor Robert Rodriguez, mais uma vez, estava inspirado, e criou uma obra com uma cena antológica seguida de outra. São vários momentos memoráveis! Acho que o meu preferido é a “cena do intestino”. Genial, genial, genial!

Falando de Rodriguez, vou ser repetitivo e copiar o que escrevi sobre ele no post de Planeta Terror: “Robert Rodriguez é um gênio sem par em Hollywood. Ele dirige, escreve o roteiro, produz, edita, faz a fotografia e a trilha sonora e ainda trabalha nos efeitos especiais. E não é só isso: o cara tem duas carreiras paralelas. Além dos filmes para adultos (como Sin City e Era uma vez no Mexico), ele ainda faz filmes infantis, como Shark Boy & Lava Girl e a série Pequenos Espiões. Como ele consegue tempo pra isso tudo? Não sei, mas sei que Hollywood ia ser menos divertida se não existissem caras como ele…”

E Rodriguez continua em forma. Há pouco passou nos cinemas o infanto-juvenil A Pedra Mágica, e agora temos Machete

Vamos falar do elenco? Danny Trejo, eterno coadjuvante de filmes de ação, sempre presente em filmes de Rodriguez, ganhou (acho que pela primeira vez na carreira) um papel principal. Claro que ele é um ator limitado. Mas ele é o Machete perfeito: brutamontes, de poucas palavras, bom de briga e ótimo com uma faca na mão!

Quem estava no trailer original voltou, claro: Jeff Fahey e Cheech Marin, este último presente em vários filmes de Rodriguez, e que aqui lembra seus tempos de Cheech e Chong com seus charutos de maconha.

No time das meninas, temos Jessica Alba, Lindsay Lohan e Michelle Rodriguez. Jessica está o de sempre, bonitinha, mas nada demais – e sua cena de quase nudez é falsa, ela estava vestida e a roupa foi apagada por cgi. Lindsay tem algumas falas espirituosas, que lembram seu conturbado momento atual de vida (problemas ligados a drogas) – e sua nudez também deve ser fake. Michelle faz bem o papel da latina mal-humorada (que ela faz sempre), mas a partir de um momento do filme, seu papel ganha um bom “upgrade” na esquisitice. E vou prestar atenção em Alicia Rachel Marek, a ruiva que faz a mãe da Lilo…

O filme traz ainda alguns “nomes que não estariam numa produção assim”. Robert De Niro está ótimo como o político preconceituoso; Steven Seagal, gordo, também manda bem como o traficante mexicano; só não gostei muito de Don Johnson (sim, ele mesmo, da série Miami Vice), que está quase o filme inteiro debaixo de chapéu e óculos, quase não vemos o seu rosto – aquele papel poderia ter sido feito por qualquer um.

(Acho que o Tarantino aparece não creditado, numa breve ponta. Na cena final, logo antes do confronto, tem um cowboy alto e desengonçado que é a cara dele!)

Machete não tem as falhas propositais que acompanham os dois Grindhouse. Mas manteve o delicioso clima de filme B. É um filme bem feito, mas com cara de vagabundo. E, seguindo essa onda meio trash, os efeitos especiais são excelentes. Tudo exagerado. Exageradamente divertido.

E, pra completar, a trilha sonora é muito boa. O tema principal sozinho já vale a compra do cd!

Enfim, diversão garantida! Recomendo fortemente!

Ah, sim, quem quiser ver o trailer original, está aqui (o trailer “oficial” é este). Acho que Machete está fazendo bonito nas bilheterias, então, é capaz de vermos em breve outro filme baseado nos trailers fakes…

Federal

Federal

Um filme policial nacional, com Carlos Alberto Riccelli, Eduardo Dussek e Michael Madsen no elenco? Opa! Tô dentro!

(Na verdade, o filme também é estrelado por Selton Mello. Mas, diferente dos três citados aí em cima, Selton não é novidade nenhuma no cinema nacional. Ele é o cara, e tá em todas, né?)

Dani (Selton Mello) e Vital (Carlos Alberto Riccelli) lideram um grupo de elite do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal de Brasília, para caçarem o playboy e traficante Beque Batista (Eduardo Dussek).

Dirigido por Eryk de Castro, Federal tem seus méritos, mas também tem seus defeitos. Dá pra ver que se trata de uma produção modesta, as cenas internas são mal iluminadas, a câmera às vezes treme um pouco…

Mas, na minha humilde opinião, os méritos são maiores que os defeitos!

Os atores estão muito bem. Selton Mello apresenta a eficiência de sempre, e Carlos Alberto Riccelli, cinquentão, está em ótima forma. Roberto Cano e Christovam Netto, os outros dois policiais que acopanham Selton e Riccelli, também mandam bem. Michael Madsen aparece pouco, e é o que se espera. Aliás, na cena do avião, ele solta uma frase muito boa e politicamente incorreta sobre as mulheres brasileiras.

Mas as melhores frases de efeito politicamente incorretas estão com Eduardo Dussek. Tem uma cena onde ele fala coisas como “no Brasil, as leis servem para ajudar os bandidos” e “aqui tem carnaval o ano todo (pra gente vender as drogas)”. Genial! Parabéns aos roteiristas pelos excelentes diálogos!

A parte técnica – defeito comum em boa parte da produção nacional – também não decepciona. Ok, o filme tem orçamento pequeno. Mas temos várias tomadas aéreas pela cidade e todos os tiroteios são convincentes.

Para os fãs de rock nacional 80: Philippe Seabra, ex Plebe Rude, trabalha na trilha sonora. E rola uma “cena homenagem”, onde dois policiais estão num carro, ao som de “A Ida”, da Plebe, e um fala para o outro “sangue e porrada na madrugada” (de “Vida Bandida”, do Lobão), enquanto o outro responde “polícia para quem precisa” (de “Polícia”, dos Titãs).

Enfim, boa opção na programação do Festival, e, esperamos, em breve no circuito!

Soldado Universal 3: Regeneração

Soldado Universal 3: Regeneração

Uma continuação do sci-fi de ação Soldado Universal, de 1992, em pleno 2010, com os dois atores do filme original? Bem, não deve ser bom. Mas vale ver qualé.

Terroristas ameaçam explodir Chernobyl e para resolver isso, o projeto soldado universal é retomado. Mas ao lado dos terroristas existe uma nova geração de soldado universal, alterado geneticamente, uma versão melhorada em todos os aspectos.

Por que heu disse lá no primeiro parágrafo que o filme não deveria ser bom? Bem, o próprio conceito do filme original inviabiliza uma continuação destas. O soldado universal é um quase robô criado a partir de um soldado morto. Ora, como é que vão colocar o Jean-Claude Van Damme e o Dolph Lundgren 20 anos mais velhos nos mesmos papéis? Desde quando gente morta envelhece?

Isso sem contar com uma incoerência do roteiro. É apresentada uma nova geração de soldado universal, com o DNA manipulado, superior ao original em tudo. Se o novo soldado é tão melhor que o antigo, ele ganharia fácil qualquer combate… Mas parece que ele gosta mais de dar p$#@rrada nos outros do que seguir os seus objetivos – por mais de uma vez, ele perde tempo nos sopapos enquanto poderia resolver logo matando o adversário.

Vendo este filme, me pergunto por que o Van Damme não aceitou o convite para participar de Os Mercenários. Van Damme alegou que não gostou do roteiro. Mas, ora, o roteiro de Soldado Universal 3: Regeneração não é melhor que Os Mercenários

(Aliás, na minha humilde opinião, Os Mercenários é melhor que Soldado Universal 3: Regeneração, justamente por não se levar a sério.)

Mesmo assim, Soldado Universal 3: Regeneração, apesar de não ser nenhuma maravilha, não vai decepcionar os fãs do filme original. As lutas são bem coreografadas, Van Damme está em forma e ainda luta bem apesar da idade (ele faz 50 mês que vem), Dolph Lundgren pouco aparece e usa bem a sua canastrice, e Andrei ‘The Pitbull’ Arlovski, o novo soldado universal anabolizado, é bom para o que o papel pede – um cara grande, com cara de mau e que luta bem, afinal, ninguém pediu um ator aqui…

Resident Evil: Recomeço


Resident Evil: Recomeço

Uêba! Tem Resident Evil novo nos cinemas!

Resident Evil: Recomeço, o quarto filme da série, começa onde Resident Evil 3: A Extinção terminou: uma Alice (Milla Jovovich) “anabolizada”, quase com super poderes, vai atacar o quartel general da Umbrella. Depois reencontra Claire (Ali Larter), e, junto com um grupo de sobreviventes, tentam encontrar um suposto lugar seguro, chamado Arcadia.

Quem me conhece por aqui sabe que não jogo videogames, então não encaro a série Resident Evil como adaptações de games, apenas como filmes. E bons filmes, pelo menos até agora. E esta quarta parte da série também pode ser vista como um filme independente do jogo, assim como os outros três.

(Há pouco rolou um Resident Evil – Degeneration, em animação, sem a Alice de Milla Jovovich. Este não tem nada a ver com esta série de filmes. Mas li por aí que é bem fiel ao jogo.)

Voltemos a falar de cinema. A direção e o roteiro ficaram nas mãos de Paul W. S. Anderson, o mesmo do primeiro Resident Evil, de 2002. (os outros dois filmes tiveram outros diretores, Anderson ficou só na produção). A volta do “dono” do filme original foi boa: o visual do filme é muito legal, principalmente se visto em 3D. Anderson caprichou!

(Não confundam Paul W. S. Anderson, de Resident Evil e AVP, com Paul Thomas Anderson, de Boogie Nights e Magnolia! Ambos têm idades parecidas e começaram na mesma época, e ambos assinaram projetos como “Paul Anderson” no início das carreiras. Mas são pessoas de estilos bem diferentes!)

Na época de Blade Runner e Alien, Ridley Scott nos mostrou que cenários molhados aparecem bem nas telas dos cinemas. E, duas décadas depois, os irmãos Wachowski trouxeram a câmera lenta estilosa e o efeito bullet time em Matrix. Resident Evil: Recomeço junta os dois, aqui rola água em câmera lenta! A cena da briga do grandão é sensacional!

E não é o único bom momento do filme. Temos várias sequências de tirar o fôlego e de visual alucinante. Por isso, disse e repito, é filme para se ver no cinema, de preferência em 3D.

Claro que o filme traz algumas situações meio forçadas. Tipo, como é que Los Angeles continua queimando depois de meses sem ninguém? Ou quem acende todas aquelas tochas dentro do prédio da prisão? Mas acho que estes detalhes estão lá pelo apuro visual, e não pelo roteiro. E, como estes detalhes não atrapalham, a gente aproveita o visual e deixa isso pra lá.

Não gostei do final, aberto demais. O filme praticamente não acaba! Mas é coerente com os outros filmes da série. E, para os fãs do jogo, a última cena mostra Sienna Guillory como a Jill Valentine, numa cena que é quase um “a seguir cenas dos próximos capítulos”.

Que venha o Resident Evil 5!