Planeta Fantástico

Crítica – Planeta Fantástico

Sinopse (imdb): Em um planeta distante onde gigantes azuis governam, humanoides oprimidos se rebelam contra seus líderes mecânicos.

Quando a gente pensa em longa de animação, a primeira coisa que a gente pensa é em filme infantil. Bem, nem toda animação é infantil. Ficção científica, Planeta Fantástico é um bom exemplo.

Dirigido por René Laloux em 1973, Planeta Fantástico (La Planète Sauvage no original) foi baseado no livro “Oms en série”, escrito por Stefan Wul apresenta um mundo diferente, onde os habitantes são humanoides azuis, os “draags”, muito maiores que os humanos. Sabemos disso porque eles usam humanos, chamados de “oms”, como animais de estimação.

Apesar de ter sido idealizado na França, Planeta Fantástico foi animado na Checoslováquia, e teve atrasos na produção porque em 1968 a União Soviética invadiu a Checoslováquia. O filme demorou cinco anos para ser finalizado.

Tenho dois comentários quase opostos sobre a técnica de animação. O primeiro é um elogio à riqueza visual do planeta Ygam. Pensa só: era 1973, se fosse um filme, usaria cenários toscos e animatronics igualmente toscos, dificilmente ia ter um visual impressionante. O fato de ser uma animação permitiu algumas excentricidades visuais, tem alguns animais e plantas bem “fora da caixinha”, isso foi muito positivo. E a excelente trilha sonora de rock psicodélico composta por Alain Goraguer ajuda a criar esse clima.

Por outro lado, a qualidade da animação é bem básica. Às vezes parecia aquelas animações de colagens feitas pelo Terry Gilliam nos filmes do Monty Python. Mas, não me pareceu um problema, e sim uma opção estilística. Ok, aceito. Mas, me sinto na obrigação de avisar que a animação é bem simples.

O tema do filme levanta interessantes discussões sobre aspectos sociais e políticos, sobre oprimidos e opressores, cutuca a religião, e ainda levanta questões sobre o modo como cuidamos de nossos animais de estimação. Daqueles filmes que te fazem pensar quando acaba.

Normalmente sou contra refilmagens, mas, taí, seria legal uma nova versão deste filme, desta vez em live action, explorando os efeitos visuais que temos hoje em dia. Será que um dia vão fazer?

Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan

Crítica – Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan

Sinopse (imdb): D’Artagnan chega em Paris a procura de seus agressores após ser dado como morto. Sua busca o leva para o centro de uma guerra real que coloca em risco o futuro da França. Ele se alia à Athos, Porthos e Aramis, três mosqueteiros do rei.

Bora pra mais uma versão da clássica história dos três mosqueteiros?

Produção francesa, essa nova versão tem um problema logo de cara: o filme não tem fim, e o espectador só descobre isso durante a projeção. Qual é o problema de se colocar no cartaz, ou no imdb? Só está escrito “Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan”, quando deveria ter um “parte 1”. Ou seja, estão enganando o espectador!

Dito isso, vamos ao filme. Dirigido por Martin Bourboulon, Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan (Les trois mousquetaires: D’Artagnan, no original) tem algumas sequências de ação muito bem filmadas, como uma luta entre os quatro mosqueteiros e vários soldados do Richelieu, onde tudo acontece em plano sequência (ok, dá pra ver que tem alguns cortes ali, mas não tiro o mérito da filmagem). Outra cena boa é quando a Rainha é encurralada num cômodo, a briga sai do cômodo mas a câmera continua – sem cortes – com a Rainha.

Gostei de toda a ambientação de época. Tudo é muito sujo, e sempre impliquei com filmes medievais “limpinhos”. Aqui não, D’Artagnan aparece sujo no início do filme e continua sujo por várias cenas. Quem está acostumado só com o cinema hollywoodiano talvez ache estranho.

Na minha humilde opinião, o filme tem uns escorregões no terço final. Por exemplo, o Duque de Buckingham estava arrasado, triste porque perdeu o amor da sua vida, e logo depois já estava alegre e serelepe dando mole pra primeira piriguete que apareceu. Mas… Me disseram que no livro é assim também. Não li o livro, não sei, mas, no filme, soou incoerente.

Outro problema: tem um momento onde o Athos conta uma história do seu passado para o D’Artagnan. E essa história não se conecta com absolutamente nada do que acontece no filme. Provavelmente é algo que vai ter continuidade na Parte 2. Mas acho bem ruim deixar algo assim aberto. Porque, se a gente olhar só esse filme, tira aquela cena e o filme não perde nada.

O elenco está bem, mas, tem aquele problema de sempre sobre a idade dos atores. Vincent Cassel é um grande ator, dono de uma grande filmografia, mas, ele está com 56 anos, me pareceu um pouco velho pra ser um mosqueteiro do Rei (fui catar na wikipedia, o personagem era pra ter 30 anos). Mas, isso é um problema recorrente, então deixemos pra lá. O elenco também conta com Eva Green, François Civil, Romain Duris, Pio Marmaï, Louis Garrel, Vicky Krieps e Lyna Khoudri.

Ainda preciso falar desse lance de dividir entre duas partes. Na verdade, isso já foi feito, nos anos de 1973 e 74 foram lançados os filmes Os Três Mosqueteiros e A Vingança de Milady, com Michael York, Oliver Reed, Richard Chamberlain, Raquel Welch, Faye Dunaway e Christopher Lee. Mas não sei se naquela época alguém avisou aos espectadores que a história não teria fim. Porque aqui, nesta versão de 2023, parece um seriado de TV: o arco da história tem uma conclusão, mas acontece um cliffhanger para chamar para um próximo episódio ou próxima temporada. Bem, pelo menos a segunda parte já foi filmada e tem previsão de ser lançada ainda este ano, em dezembro.

Nada de Novo no Front

Crítica – Nada de Novo no Front

Sinopse (imdb): As terríveis experiências e angústias de um jovem soldado alemão na frente ocidental durante a Primeira Guerra Mundial

O grande vencedor do Oscar 2023 foi Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, com sete prêmios, incluindo melhor filme, diretor e roteiro. Mas, com quatro estatuetas, o alemão Nada de Novo no Front não deve ter saído triste da cerimônia.

O Oscar de melhor filme internacional já era algo previsível, afinal, Nada de Novo no Front também estava concorrendo à estatueta principal, ou seja, para a Academia, já era melhor que os outros quatro postulantes ao prêmio. Mas Nada de Novo no Front acabou levando também os Oscars de melhor trilha sonora, melhor fotografia e melhor design de produção – e ainda estava indicado em outras cinco categorias: filme, roteiro adaptado, cabelo e maquiagem, som e efeitos especiais

Esta é a terceira adaptação do livro homônimo escrito em 1929 por Erich Maria Remarque. Existe um filme feito em 1930 (poucos anos depois do fim da guerra), que ganhou aqui o nome Sem Novidade no Front; e um outro feito para a TV em 1979, que ganhou aqui o nome Adeus À Inocência – o primeiro é considerado um grande clássico, o segundo é dispensável. Não vi nenhum dos dois, não posso comparar.

A gente já teve muitos bons filmes de guerra. Mas uma coisa que diferencia Nada de Novo no Front da maioria é o ponto de vista heroico do vencedor (como em O Resgate do Soldado Ryan, Dunkirk, Até o Último Homem, 1917). Aqui não tem nada de heroísmo, e temos o ponto de vista do derrotado.

Logo no início do filme vemos os personagens empolgados com a ideia de “vamos lutar pelo nosso país”, mas logo eles caem na realidade das trincheiras imundas cheias de lama e ratos. Se o cara não morrer de tiro, vai morrer de alguma doença que vai pegar naquelas condições.

Depois de ver o filme, fui pesquisar e descobri que a Primeira Guerra Mundial foi a primeira vez que usaram armamentos como metralhadoras, granadas, lança chamas e tanques de guerra. Enquanto isso, os oficiais ficavam no luxo dos palácios, mandando diariamente milhares de soldados para a morte.

E não tem como não sentir raiva ao fim do filme, com a postura arrogante e inútil do oficial alemão.

Além de ser um filme que faz a gente pensar, Nada de Novo no Front também é tecnicamente muito bem feito. Não à toa, ganhou os Oscars de melhor fotografia e melhor design de produção. Nada de Novo no Front não levou o Oscar de maquiagem, mas chama a atenção nesta categoria. Como eles vivem na lama, temos vários estágios de sujeira nos rostos e nos corpos dos soldados. A trilha sonora com poucas notas também chama a atenção.

No elenco, o único nome que hei já conhecia é Daniel Brühl, que está eficiente como sempre. O protagonista Felix Kammerer, em seu primeiro e único filme até agora, está muito bem.

Agora deu vontade de ver o filme de 1930…

A Primeira Comunhão

Crítica – A Primeira Comunhão

Sinopse (imdb): Sara tenta se encaixar com os outros adolescentes na pequena cidade na província de /. Eles saem uma noite para uma boate, a caminho de casa se deparam com uma menina segurando uma boneca, vestida para sua primeira comunhão.

Bora pra outro terror espanhol?

Comentei no texto sobre 13 Exorcismos que curto o cinema fantástico espanhol, que nos trouxe alguns filmes muito bons nas últimas décadas. Dirigido por Víctor Garcia, este A Primeira Comunhão (La niña de la comunión, no original) não entra nessa lista de “muito bons”, mas pelo menos não faz feio como alguns recentes títulos de terror lançados nos cinemas.

O filme se passa nos fim dos anos 80 (não me lembro se isso é dito no filme, peguei a informação no imdb). A ambientação de época é boa, e isso faz diferença no filme (porque se as pessoas tivessem celulares e internet como hoje em dia, não sei se a história funcionaria).

A Primeira Comunhão é cheio de jump scares. Mas, por outro lado, falha na criação da tensão. Um filme de terror precisa causar medo e tensão no espectador, e isso não acontece aqui.

Gostei de uma coisa, que foi o modo como A Primeira Comunhão mostrou o ponto de vista das pessoas atacadas pela entidade – elas ficam paralisadas no “mundo real”, mas dentro de suas cabeças são levadas a um local assustador. Ok, provavelmente isso já foi feito em outros filmes (não me lembro), mas, ideia nova ou não, funcionou aqui.

Por outro lado, algumas coisas do filme ficaram mal desenvolvidas, como por exemplo o padre, que dá a entender que ele já sabia há anos sobre o que estava acontecendo. Mas o padre sai do filme e não volta para concluir seu arco.

O elenco é ok. Carla Campra e Aina Quiñones funcionam bem como as amigas que enfrentam um mal desconhecido.

No finzinho tem um plot twist desnecessário, que me pareceu ser uma porta aberta para continuações, coisa comum no cinema de terror.

No fim, fica um gosto de filme genérico. Não é um grande filme, mas vai agradar os menos exigentes.

O Corpo (2012)

Crítica – O Corpo (2012)

Sinopse (imdb): Um detetive está procurando o corpo de uma mulher que desapareceu de um necrotério.

Uma vez uma amiga me recomendou o filme Um Contratempo, um suspense espanhol de 2016 onde somos apresentados a um complexo quebra cabeça e no fim temos uma solução que completa todas as peças soltas. Claro que guardei o nome do diretor, Oriol Paulo.

Catei outros dois filmes do diretor, Durante a Tormenta, de 2018, e O Corpo, de 2012. Durante a Tormenta é bom, mas tem um lance de viagem no tempo que achei mal construído. O filme é legal, recomendo, mas não é tão bom quanto Um Contratempo. Já O Corpo (El Cuerpo, no original) segue o mesmo formato: um quebra cabeça cheio de peças soltas, confundindo a o entendimento do espectador, até um final bombástico onde tudo é explicado.

O corpo de Mayka, uma mulher rica e poderosa, some do necrotério, e a polícia está interrogando o viúvo. Enquanto isso, vemos flashbacks que mostram a personalidade excêntrica de Mayka. E vemos várias possíveis versões para o que aconteceu: ela poderia não ter morrido, ou o corpo pode ter sido roubado para evitar uma autópsia – o filme não descarta nem uma possibilidade sobrenatural. E o bom do roteiro escrito pelo próprio Oriol Paulo (em parceria com Lara Sendim) é que todas as pontas soltas são explicadas num momento final tipo “vilão de James Bond”.

O elenco é bom, as locações são boas, e o modo como Oriol Paulo conduz sua história deixam o espectador tenso até o fim do filme. Ok, achei algumas coisas forçadas. Mas, pelo final proposto, até dava pra fazer daquele jeito. Ia ser difícil, claro, mas, como falei no texto sobre Desaparecida, isso é ficção, não é um documentário!

No elenco, o único nome que heu conhecia era Belén Rueda, de O Orfanato e Os Olhos de Julia (que tinha Oriol Paulo como roteirista), que faz a Mayka e consegue confundir ainda mais a cabeça do espectador. Também no elenco, Jose Coronado, Hugo Silva e Aura Garrido.

Um belo suspense espanhol, pena que é pouco conhecido.

Triângulo da Tristeza

Crítica – Triângulo da Tristeza

Sinopse (filmeB): O casal de modelos Carl e Yaya é convidado para um cruzeiro de luxo com uma lista de passageiros super-ricos e um capitão peculiar, alcoólatra e marxista. O que a princípio parecia uma viagem perfeita termina catastroficamente, deixando os sobreviventes presos em uma ilha deserta e lutando pela sobrevivência.

Ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 2022 e indicado ao Oscar de melhor filme, claro que queria ver Triângulo da Tristeza, escrito e dirigido por Ruben Östlund (que já tinha ganhado Cannes antes, em 2017, por The Square: A Arte da Discórdia).

Triângulo da Tristeza é uma comédia, mas é uma comédia mais calcada na ironia do que nas piadas. Foram poucos os momentos onde achei realmente engraçados (tipo a piada de humor negro com a granada, onde ri alto!). Mas o filme todo é cheio de críticas irônicas a convenções sociais.

O início do filme me lembrou a série Curb Your Enthusiasm, do Larry David, onde vários episódios são sobre “tempestade em copo d’água”, com uma discussão enorme sobre um assunto besta. Tem duas cenas com discussões assim, uma sobre quem paga a conta do restaurante (a mulher que ganha mais e que combinou que ia pagar faz “cara de paisagem” pro homem assumir a conta); outra sobre um funcionário do navio que está sem camisa e cumprimenta a passageira. Mas, diferente da série do Larry David, aqui não puxa pro lado do humor, fica só no lado do desconforto.

Aliás, falando em desconforto, tem uma cena que vai embrulhar estômagos. O jantar do capitão é servido em uma noite de mar revolto, e muita gente começa a passar mal – e vomitar. Não sei se foi proposital ou não (acredito que sim), mas lembrei do sr Creosote, do filme O Sentido da Vida, do Monty Python. Mas, mais uma vez, a cena é mais desconfortável do que engraçada.

O filme é dividido em três partes. A primeira mostra o casal principal e como é a vida deles; a segunda mostra uma viagem em um iate de luxo onde todos são muito ricos (e por isso acham que podem fazer o que quiserem); a terceira mostra os personagens em uma ilha deserta tendo que repensar convenções sociais para sobreviverem. Não vou entrar em detalhes, mas posso dizer que gostei de como as críticas sociais são apresentadas. Dificilmente o espectador vai sair do cinema sem se questionar sobre alguns temas.

No elenco, um nome conhecido: Woody Harrelson, mas que aparece pouco. Ficou parecendo que a produção não tinha dinheiro para pagar o cachê integral, então pagou só pra aparecer em algumas cenas – o que é estranho, já que é um filme de um ganhador de Cannes. Também no elenco, Harris Dickinson, Charlbi Dean, Dolly De Leon, Zlatko Buric e Vicki Berlin. A nota triste é que Charlbi Dean faleceu pouco depois do lançamento do filme. Ela tinha apenas 32 anos…

13 Exorcismos

Crítica – 13 Exorcismos

Sinopse (imdb): Após o estranho comportamento exibido pela adolescente Laura Villegas, sua família chama um exorcista sancionado pelo Vaticano para intervir no caso de possessão demoníaca. A partir daí, uma série de fenômenos estranhos aparecerá.

Confesso que estava com um pé atrás, traumatizado com os recentes A Profecia do Mal e Oferenda ao Demônio. Mas aí vi que era um filme espanhol. Ei, isso ajuda, gosto de terror espanhol, tem muita coisa boa vinda do cinema fantástico de lá, tipo A Espinha do Diabo, do Guillermo del Toro, ou REC, do Jaume Balagueró e do Paco Plaza, ou Abre Los Ojos, do Alejandro Almenábar, ou O Dia da Besta, do Álex de la Iglesia, ou Los Cronocrimenes, do Nacho Vigalondo, ou O Orfanato, do Juan Antonio Bayona… A lista é enorme!

E, realmente, 13 Exorcismos (idem no original) não é tão ruim quanto os dois supracitados. Não é um filme “obrigatório”, mas é um terror ok. Dificilmente o espectador comum vai sair desapontado do cinema.

13 Exorcismos é o longa de estreia do diretor Jacobo Martínez. E, por ser um filme espanhol, foge um pouco dos clichês hollywoodianos – por exemplo, tem uma cena com gore, mas é só uma cena. E, boa notícia: alguns dos jump scares não são muito óbvios.

13 Exorcismos tem algumas saídas criativas. Gostei muito de uma sacada de quando o padre exorcista está no hospital. Por outro lado, algumas tramas ficam pelo meio do caminho e não são concluídas – que fim levou o garoto atacado no banheiro?

Teve outra coisa que me incomodou um pouco. A família é muito religiosa, e passou por alguns traumas com os filhos (um filho morreu, outro é cadeirante, a outra teve anorexia). Católicos, eles acreditam que Deus está os castigando por alguma coisa do seu passado. E por outro lado tem a personagem da psicóloga da escola, que traz o ponto de vista ateu. Na minha humilde opinião, essa dualidade entre a religião e a ciência podia ser melhor explorada, porque parte do filme ignora um dos lados e fica só com o outro.

Ah, achei escura a cópia exibida na sessão de imprensa. Não sei se foi alguma falha técnica ou se foi proposital.

Queria falar mal do nome do filme. Não só o nome brasileiro, mas também o nome original (que é o mesmo). O plot de exorcismo só acontece na segunda metade do filme. Mas, por causa do nome, o espectador entra no cinema já pensando em exorcismos. Fiquei pensando, não seria legal se a gente não soubesse de nada antes?

No elenco, heu não conhecia nenhum nome. Gostei da protagonista María Romanillos. Cristina Castaño, que faz a professora de religião, é um bom personagem, mas foi deixada de lado.

No fim, fica aquela sensação de que poderia ter sido melhor, mas pelo menos foi uma diversão honesta.

A História Sem Fim

Crítica – A História sem Fim

Sinopse (imdb): Uma criança com problemas mergulha em um maravilhoso mundo de fantasia através das páginas de um livro misterioso.

Depois de muito tempo resolvi rever A História sem Fim. Sabe quando um filme envelhece mal? Poizé.

A História sem Fim é a adaptação do livro homônimo escrito por Michael Ende (curioso que o sobrenome do autor significa “fim”). Não sei como é o livro, mas o filme investe na metalinguagem, o garoto lê um livro e dentro do livro acontece a outra história. É uma história dentro da outra, e em alguns momentos pontuais elas se misturam. Ah, o escritor não gostou do desenvolvimento da produção e pediu pra ter o nome retirado dos créditos.

Nem todos sabem, mas A História sem Fim é uma produção alemã – era na época a produção mais cara da história do cinema alemão. A direção é de Wolfgang Petersen, que aproveitou o sucesso do filme e fez carreira em Hollywood, dirigiu vários filmes como Inimigo Meu, Epidemia, Força Aérea Um, Mar em Fúria e Tróia.

Parte da premissa ainda funciona. A História sem Fim tem como vilão o “Nada”, que cresce quando as pessoas param de ler e perdem a criatividade. Ou seja, essa parte ainda funciona nos dias de hoje.

Por outro lado, algumas coisas no roteiro não fazem mais sentido. Tipo logo no início, vemos que Bastian sofre bullying de três garotos maiores. E tem um monte de adultos em volta, e ninguém faz nada? Sei lá, de repente na época as pessoas não davam bola pro bullying, e a gente hoje vê que evoluímos nesse aspecto.

Mas a parte que me deu mais raiva do roteiro foi o cavalo afundando no pântano. O roteiro é claro quando diz que quem está triste afunda. Na minha humilde opinião, um cavalo fica triste é algo meio estranho mas, ok, aceito. Ok, o cavalo ficou triste. E sabe quem mais ficou triste? O Atreyu! Ficou muito mais triste que o cavalo! E por que ele não afundou???

Teve uma parte do roteiro que achei ruim na hora, mas, depois, entendi a ideia. Uma parte importante do final é que Bastian precisa dar um nome para a imperatriz. E não conseguimos ouvir qual foi o nome que ele deu! Mas, isso foi proposital. Acho que era pra deixar aberto para diferentes interpretações dos espectadores.

Vou dividir os comentários sobre os efeitos especiais em duas partes. Existe toda uma ambientação, com cenários e maquiagens, que ficou completamente datada. O filme tem cara de Castelo Rá Tim Bum. Mas, isso não é exatamente um defeito do filme, é uma característica, os realizadores tinham a intenção de fazer algo com esse visual. E, vamulá, não é algo mal feito. Só é muito datado.

Já os voos do Falcor, dragão com cara de cachorro, ficaram péssimos. Aquele chroma key é muito tosco. Impressionante como a gente via aquilo e aceitava na boa. Ah, aquele lobo também ficou muito ruim.

Também tenho dois comentários sobre a trilha sonora. A música tema Neverending Story, cantada por Limahl, é uma música muito boa e fez um enorme sucesso – foi até um ponto importante no encerramento de uma temporada recente de Stranger Things. E além dessa música, a trilha conta com uma outra música instrumental, também muito boa, que aparece em alguns pontos chave do filme.

O único nome a ser citado no elenco é Barret Oliver, que faz o Bastian. A fama de A História sem Fim abriu portas para ele em outros filmes da época, como Daryl e Cocoon (ambos de 1985). Mas seu último filme foi em 1989. Noah Hathaway (Atreyu) estava no Battlestar Galactica de 1978, e tem alguns títulos no imdb, mas nada relevante – seu terceiro título mais importante é Troll O Mundo do Espanto. Tami Stronach, a imperatriz, só fez este filme e não seguiu com a carreira de atriz. Dentre os coadjuvantes, acho que o único que heu reconheci é Deep Roy, que estava em Peixe Grande e A Fantástica Fábrica de Chocolate.

Foi lançada uma continuação em 1990, dirigida por um George Miller homônimo do cara que fez Mad Max, mas esse nunca revi…

Gemini: O Planeta Sombrio

Crítica – Gemini: O Planeta Sombrio

Sinopse (imdb): Um thriller de ficção-científica sobre uma missão espacial enviada para terraformar um planeta distante. No entanto, a missão encontra algo desconhecido que tem o seu próprio plano para o planeta.

Este Gemini: O Planeta Sombrio estava com nota 3,4 no imdb. Tudo indicava que seria ruim. Mas, gosto da mistura terror + ficção científica (cheguei a fazer um top 10!), então resolvi arriscar.

Como previsto, Gemini: O Planeta Sombrio (Project Gemini em inglês, Zvyozdniy razum no original russo) não é bom. O roteiro é péssimo. Tem várias coisas que não fazem sentido. Sem entrar em spoilers, uma coisa que acontece logo no início: eles constroem uma grande espaçonave usando tecnologia alienígena. Quando a nave chega ao destino, chegou no lugar errado. Aí resolvem culpar um dos tripulantes. Vem cá, um projeto deste porte, todos os cálculos de trajetória estão nas mãos de uma única pessoa?

O elenco também é bem ruim. Os atores são péssimos, alguns diálogos chegam a ser constrangedores de tão ruins. E pra piorar, o filme é dublado em inglês. Lembro de ser um problema recorrente, quando vi A Noiva, outro filme russo também dublado em inglês, comentei que a dublagem ruim piorava as atuações. Isso acontece de novo aqui.

Nem tudo é ruim. Gostei do visual, tanto da nave quanto do local da escavação. E outra coisa que gostei foi ter mostrado pouco da criatura. Lembro sempre do primeiro Alien: um monstro que você não sabe como é é mais assustador do que um monstro que aparece muito.

Mas é pouco. Vale mais rever algum filme daquela lista que citei acima. Gemini: O Planeta Sombrio estreia nos cinemas esta semana.

Super Quem?

Crítica – Super Quem?

Sinopse (Paris Filmes): Um ator só tem azar quando a questão é trabalho. E quando, por obra do destino, consegue o protagonismo em um filme de super-herói chamado BadMan, ele sofre um acidente e começa a viver como se fosse o personagem da história. Imerso em alucinações de sua nova vida, ele e seus amigos se veem no meio de uma grande confusão com bandidos reais e um caso para solucionar.

No meio de um monte de filmes de super heróis, que tal uma comédia francesa parodiando o gênero?

Já vi muitos filmes franceses, mas preciso admitir que não acompanho de perto o que acontece por lá. Nunca tinha visto nenhum filme do ator / diretor / roteirista Philippe Lacheau, e preciso dizer que tive uma surpresa positiva. O formato lembra aquelas paródias hollywoodianas que vieram na onda de Todo Mundo em Pânico e Não é mais um Besteirol Americano, tipo Os Espartalhões, Deu A Louca em Hollywood, Super Heróis: A Liga da Injustiça (teve uma leva de filme “alguma coisa movie”, tinha Epic Movie, Date Movie, Disaster Movie, todos muito bobos.) A diferença é que Super Quem? (Super-héros malgré lui, no original) me fez rir, coisa que não aconteceu com os filmes americanos.

Algumas piadas são muito boas. Ri alto em algumas sequências, como quando o protagonista vai tentar impedir um assalto a banco e sua companheira se machuca involuntariamente várias vezes. Ou na parte final, quando os quatro estão “fazendo cosplay”, e mais uma vez tudo dá errado sem querer.

Super Quem? é cheio de referências a filmes de super heróis (tem uma boa sequência usando X-Men!). Nada muito “heavy user”, mas talvez o espectador não familiarizado com o gênero perca algumas referências. trilha sonora

Ok, o humor às vezes é bobo, como aquele pino no banco do motorista. E o filme tem algumas coisas bem previsíveis e clichês, como o vilãozão que a gente sabe que vai aparecer no final. E não gostei da parte final mostrando o casal. Por outro lado, a piada sobre o “product placement” é ótima!

O maior foco são as piadas, mas Super Quem? ainda tem umas boas sequências de ação. São pelo menos duas sequências com coreografias muito bem feitas.

Sobre o elenco, disse lá em cima, não conhecia Philippe Lacheau. Vi no imdb que ele já fez outros sete filmes com a dupla Tarek Boudali e Julien Arruti, além de três filmes com Élodie Fontan. Taí, não vi nenhum desses filmes, vou procurar. Do elenco, só conhecia Jean-Hugues Anglade, de Betty Blue e Subway.

Super Quem? não é um grande filme. Mas é melhor que a maioria das comédias que chegam por aqui.