Um Crime Nada Perfeito / The Maiden Heist

Um Crime Nada Perfeito / The Maiden Heist

Três seguranças de um museu, cada um obcecado por uma obra de arte, resolvem roubar essas obras ao saberem que toda a coleção foi vendida para um museu dinamarquês.

O que chama a atenção nesta simpática e modesta comédia é o elenco. Afinal, não é todo dia que vemos Christopher Walken, Morgan Freeman e William H. Macy juntos, e ainda com Marcia Gay Harden de coadjuvante!

E, realmente, o que vale a pena no filme é a atuação do trio de atores principais. Walken e Freeman, como sempre, estão um espetáculo como os seguranças fãs dos quadros. Mas o melhor personagem é o de Macy, o desequilibrado ex-militar fã da escultura. Os melhores momentos do filme estão com ele.

Pena que, fora as boas atuações, o filme é um pouco sem graça. Inclusive, o plano deles para roubar as obras de arte é meio bobo, aquilo nunca funcionaria na vida real!

A tradução literal de The Maiden Heist seria algo como “o roubo da donzela”, e se refere ao quadro pelo qual o personagem de Walken é obcecado, “A Donzela Solitária”.

Não li nenhuma notícia sobre o lançamento de The Maiden Heist aqui no Brasil. Pelo estilo, tem cara de que será lançado direto no mercado de dvd.

500 Dias Com Ela

500 Dias Com Ela

Mais uma comédia romântica nos cinemas…

Como o cartaz explica: Tom (Joseph Gordon-Levitt, de Killshot) conhece Summer (Zooey Deschanel, de Fim dos Tempos), ele se apaixona, ela não. E o filme mostra, num interessante modo não-linear, como foram os 500 dias entre os dois.

A estrutura do filme dirigido pelo estreante Marc Webb é interessante, os dias vão e vêm, e antes de cada cena temos um contador mostrando quantos dias já se passaram. Aliado a isso, temos alguns lances geniais, como o momento musical (com direito a coreografia no parque e um passarinho em desenho animado), ou quando a tela é dividida, mostrando a diferença entre a expectativa e a realidade.

A crítica está falando deste filme como uma comédia romântica diferente. Ora, não achei diferente, aliás, é bem “normal” – chega até a ser chatinho em alguns momentos. Comédias românticas seguem quase sempre a mesma linha, com pouquíssimas variações. A única diferença aqui é que Summer, desde o início, deixa sempre claro que não quer saber de nada! Ou seja, fica difícil torcer por um final água-com-açúcar para o casal romântico.

O nome da personagem principal, Summer, faz um bom trocadilho com o intraduzível título do filme (500 days of  Summer/ 500 dias de verão). E traz um outro bom trocadilho para o fim para o filme.

Sex Drive – Rumo ao Sexo

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Sex Drive – Rumo ao Sexo

Já que falei outro dia de Eurotrip, vou continuar no mesmo estilo com este Sex Drive – Rumo ao Sexo.

Um jovem, ainda virgem, conhece uma menina pela internet, e por isso rouba o carro do irmão mais velho para viajar até ela.

Sim, trata-se de mais um filme de road trip adolescente, com direito a todos os clichês possíveis. E, como falei antes, deve ser visto como tal. Se o espectador for procurando um filme sério, vai se decpecionar! Agora, se a ideia for deixar o cérebro de lado, o filme é até divertido…

Aliás, falando em deixar o cérebro de lado, a versão que heu vi foi a “unrated extended edition”, talvez um pouco longa demais (pouco mais de duas horas), mas em compensação com várias cenas extras incluídas – boa parte completamente dispensável (mas como, antes do filme começar, o diretor aparece dizendo que esta versão tem estas cenas desnecessárias, e recomenda que se veja a outra versão, então não podemos reclamar). Você conhece a expressão “nudez gratuita”? Pois bem, nesta edição unrated, a nudez gratuita é literal: foram incluídas algumas cenas com mulheres nuas, numa montagem tosca de chroma-key. Tipo assim, tá rolando a cena, e você vê uma mulher pelada passando na frente da tela! (Para as meninas: sim, também rolam alguns homens pelados…)

O elenco é encabeçado pelos desconhecidos Josh Zuckerman, Amanda Crew e Clark Duke. Mas tem dois nomes interessantes entre os coadjuvantes: James Marsden (trilogia X-Men, Hairspray, Encantada) está ótimo como o irmão mais velho valentão; e Seth Green (o filho do Dr Evil nos filmes Austin Powers) como um amish. Isso, claro, sem contar com a bonitinha Katrina Bowden, a Cerie de 30 Rock.

Enfim, mais uma opção para aqueles dias que não queremos pensar.

Eurotrip – Passaporte Para a Confusão

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Eurotrip – Passaporte Para a Confusão

Outro dia li uma discussão no orkut sobre filmes, e um pessoal defendia ardorosamente este Eurotrip. Fiquei curioso e fui ver.

Eurotrip conta a história de um jovem que, depois de levar um fora da namorada, resolve ir para a Europa junto com amigos de escola, atrás de sexo, drogas e farra. Ou seja, nada de novo.

Sim, é tudo clichê. Mas, como costumo sempre dizer, quem vai assistir um filme desses não procura um novo Cidadão Kane, né? O filme, dentro do que se espera, é até divertido e tem seus bons momentos.

Num elenco encabeçado por rostos desconhecidos, temos alguns nomes legais em papéis menores, como Matt Damon, Lucy Lawless, Vinnie Jones e Kristin Kreuk (de Smallville).

Pelo menos teve uma coisa que gostei aqui: o filme mostra clichês negativos e exagerados de personagens que nem sempre são retratados negativamente. Os ingleses fãs de futebol estão hilários!

Enfim, para se ver com o cérebro de lado.

A Volta do Todo Poderoso

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A Volta do Todo Poderoso

Vocês se lembram de Todo Poderoso, aquele filme onde o Jim Carrey ganhava poderes de Deus, vivido por Morgan Freeman? Bem, nem todos se lembram que Steve Carell era coadjuvante naquele filme. E Carell volta ao mesmo papel, ao lado do mesmo Morgan Freeman, neste A Volta do Todo Poderoso.

Evan (Steve Carell) recebe de Deus (Freeman) a tarefa de construir uma arca, como a de Noé. A partir daí, animais, sempre em dupla, passam a seguí-lo e bagunçar a sua vida.

Dirigido pelo mesmo Tom Shadyac do primeiro filme, A Volta do Todo Poderoso não é lá grandes coisas, principalemente por se tratar de uma continuação sem o ator principal do filme original. Mesmo assim não chega a ser um filme ruim, algumas cenas são até engraçadas – heu gostei da dancinha que Evan faz! No elenco, além dos já citados, ainda temos  Lauren Graham e John Goodman.

Ainda fazem filmes com cara de sessão da tarde…

Os Irmãos Cara de Pau

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Os Irmãos Cara de Pau

Antes de falar do filme, vou contar uma história minha relacionada a ele. Era janeiro de 1989. Heu viajava numa excursão pela Austrália. O ônibus tinha um videocassete, onde o motorista colocava filmes de vez em quando. Heu estava vendo um filme, bem divertido aliás, sem saber qual era. Quando o filme acabou, vendo os créditos, reparei uma quantidade enorme de nomes conhecidos no elenco – atores, diretores, músicos… Logo quis saber que filme era aquele! E assim, anotei o nome The Blues Brothers – de volta ao Brasil, descobri que aqui era chamado de Os Irmãos Cara de Pau (na época era comum traduções esdrúxulas de nomes de filme).

A trama é muito simples: os irmãos Jake e Elwood Blues (John Belushi e Dan Aykroyd) precisam reunir a antiga banda para levantar dinheiro para salvar um orfanato.

Simples, não? E mesmo assim, um dos melhores filmes da década de 80!

Na verdade, os Blues Brothers não se resumiam a este filme. Antes do filme, Belushi e Aykroyd tinham um quadro com a banda no famoso Saturday Night Live. E depois a banda continuou na ativa – nos emules da vida tem vários discos ao vivo da banda.

Tem gente que classifica o filme como musical, mas para mim, trata-se de uma comédia com excelentes números musicais inseridos. Para se ter uma ideia, temos participações de James Brown, Aretha Franklin, Ray Charles e Cab Calloway!

Tirando Belushi e Aykroyd, todo o resto da banda é formada por músicos, não atores: duas guitarras, baixo, bateria, teclado e um naipe com três metais. E, no elenco, temos nomes como Carrie Fisher, John Candy,Twiggy, Frank Oz e uma ponta de um tal Steven Spielberg.

O filme não só tem ótimos números musicais, como ainda tem exageradas cenas com muitos carros e muitos extras. São tantas as perseguições de carro que, na época da estreia, era o filme com o maior número de carros quebrados. Ah, sim, aquela cena com o carro dos nazistas caindo, era um carro de verdade!

O diretor John Landis também dirigiu o melhor videoclipe da história, Thriller, do Michael Jackson. Ele funcionava bem dirigindo comédias (Trocando as Bolas, Três Amigos, Clube dos Cafajestes) e tembém filmes de terror (Um Lobisomem Americano em Londres, Inocente Mordida, Twilight Zone). Pena que ele não tem feito muita coisa – já são uns dez anos sem filmes para o cinema, só trabalhos para a tv.

O filme teve uma continuação em 1998, dirigida pelo mesmo John Landis e também com um grande número de participações musicais legais. Infelizmente, uma das coisas mais importantes não estava lá: John Belushi, que morreu em 1982, aos 33 anos, de overdose. Uma carreira brilhante jogada fora. Belushi fez apenas sete filmes, além de vários programas de tv.

Filme obrigatório! Daqueles para se rever uma vez por ano!

Eles Matam, Nós Limpamos

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Eles Matam, Nós Limpamos

Esta comédia de humor negro nunca foi lançada por aqui em dvd. Heu até tinha o vhs original, mas nem sei que fim levou… Quando achei um site gringo que enviava ao Brasil, encomendei logo!

A colombiana Gabriela (Angela Jones) é obcecada pela morte e por isso consegue um emprego numa firma especializada em limpar cenas de crimes. Ela exulta ao chegar na cena do crime de um famoso serial killer (William Baldwin).

O filme, escrito e dirigido por Reb Braddock em 1996 (aliás, é seu único longa, antes disso fez apenas um curta com a mesma história!), é simples e curto (menos de uma hora e meia), e muito legal.

O casal protagonista é interessante. Angela Jones interpretou um papel praticamente igual em Pulp Fiction, a motorista e táxi igualmente obcecada por mortes. Seu par, um dos irmãos Baldwin, é canastrão como toda a família, mas funciona prefeitamente para o que o filme pede.

Falando na família Baldwin, tirando o mais famoso, Alec, hoje estrela da série 30 Rock, os outros irmãos andam sumidos ultimamente. Mas nos anos 90, tinha um monte de filmes com os dois já citados e também com Stephen e Daniel Baldwin.

E não podemos nos esquecer do genial curta Tarantino’s Mind, que cita a ligação entre os este filme e Pulp Fiction, considerando a personagem de Angela a mesma, só que com nomes e empregos diferentes.

Aliás, falando em Tarantino, que é produtor executivo aqui, no meio do filme rola uma citação genial: Kelly Preston aparece no mesmo papel de jornalista que ela fez em Um Drink Para o Inferno, e cita os irmãos Gecko!

Enfim, uma boa diversão para os fãs de humor negro.

Zombieland

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Zombieland

Heu já estava pilhado para ver este filme, só pelo simples fato de ser uma comédia de humor negro sobre zumbis. Aí um amigo meu falou de uma versão maomeno que estava rolando pela internet. Não resisti e baixei. E não me arrependi!

A trama do longa de estreia de Ruben Fleischer traz todos os clichês de filmes de zumbi, e faz piada com todos eles. Nos EUA devastados por uma epidemia de zumbis, poucos sobreviventes tentam continuar vivos enquanto procuram um lugar seguro para ficar.

A ideia parece meio trash, não? Mas a produção do filme não segue este caminho. A produção é boa, temos algumas belíssimas cenas em câmera lenta, lembra um pouco o visual de 300. Sabe aquelas batalhas em câmera lenta? Agora imagine cenas semelhantes, só que mostrando ataques de zumbis!

Outro detalhe interessante são as “regras de sobrevivência”, do personagem Columbus, mostradas na tela como se fossem letras em 3D. Muito legal!

Woody Harrelson lidera o pequeno elenco, de só quatro personagens – todos eles com nomes de cidades americanas. Os outros nomes são Jesse Eisenberg, Emma Stone e Abigail Breslin (a menininha de Pequena Miss Sunshine e Três Vezes Amor). E uma participação especial genial de Bill Murray, interpretando ele mesmo.

Claro que algumas das situações mostradas no filme são absurdas. Quem iria andar numa montanha russa enquanto atira em zumbis? Mas, se você não quiser ver situações absurdas, ora, por que diabos resolveu ver uma comédia de humor negro com zumbis? 😛

Desde já, podemos colocar Zombieland ao lado de outras boas comédias recentes semelhantes, como Fido – O Mascote e Todo Mundo Quase Morto.

Black Dynamite

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Black Dynamite

Alguns meses atrás heu recebi por e-mail um link com o trailer de um filme usando todos os clichês dos filmes de blaxploitation dos anos 70. O trailer era engraçadíssimo! E o filme era este Black Dynamite – que heu nem sabia que já estava pronto, e muito menos que viria para o festival do Rio!

A trama é aquilo que se espera. Black Dynamite é “the ultimate black motherf&%$cker”, um negão enorme e forte, de cabelo black power, que luta kung fu melhor do que qualquer um e tem um revólver com o cano maior do que qualquer um. Ele conquista todas as mulheres e luta contra “the man”, traduzido nas legendas eletrônicas como “o sistema”.

(As legendas eram eletrônicas para o Festival, não sei se serão reaproveitadas. Tomara que algo destas legendas seja usado quando este filme chegar oficialmente. Quando Black Dynamite encontra um cartucho numa cena de crime, este cartucho é chamado na legenda de “pipoco da pesada”. Genial!)

A trama tem alguns absurdos dignos dos bons momentos nonsense dos anos 80 (Apertem os Cintos, Top Secret). O “plano maligno” contra os negros é fantástico, e o brainstorm onde eles descobrem isso é sensacional!

O filme usa um pouco da estética “tarantinesca” de colocar falhas propositais de câmera e enquadramento. E, de quebra, a trilha sonora é maravilhosa. Deu vontade de procurar mais músicas no estilo…

Claro que o filme não é para qualquer um. Mas se você entrar na onda de rir dos clichês e exageros, vai se divertir, e muito!

Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos

Morgue Story

Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos

Voltemos ao Festival do Rio!

Quando li sobre um filme nacional misturando quadrinhos, zumbis e catalepsia, tudo isso dentro de um necrotério, já fiquei interessado. Aí, vi que eram pouquíssimas as sessões. Corri para vê-lo logo; esse não sei quando terei outra chance para assistir.

A trama gira em torno de três personagens: Ana Argento (Mariana Zanette), uma quadrinista underground com problemas de relacionamento (criadora do Oswald, o morto-vivo); Tom (Anderson Faganello), um cataléptico vendedor de seguros de vida; e Dr. Daniel Torres (Leandro Daniel Colombo), um pervertido médico legista, fanático religioso, maníaco sexual e psicopata.

Morgue Story, na verdade,  é a versão cinematográfica de uma peça de teatro, do mesmo diretor Paulo Biscaia Filho. Taí, fiquei curioso para ver a peça. Se um dia vier ao Rio, quero assistir.

Aparentemente, os atores (desconhecidos por aqui) são os mesmos da peça, o que traz uma boa química entre eles. Leandro Daniel Colombo está hilário! Seu personagem envenena mulheres com uma poção vodu  para criar zumbis – que trouxe do Haiti – usando o veneno do peixe baiacu.  E, depois, quando as mulheres vão parar no seu necrotério, aproveita para estuprá-las.

A edição ágil é um dos pontos altos do filme. Alguns trechos, inclusive, têm uma linguagem bem quadrinística. Em outras cenas, diálogos são misturados com a trilha sonora, que é outro ponto alto, pontuando todas as cenas importantes. De quebra, o filme traz duas versões sensacionais de Wuthering Heights, da Kate Bush.

Morgue Story ainda é cheio de referências pop. Tem até um certificado de censura – como aqueles da época da ditadura – e créditos iniciais com riscos, como se fosse filme velho.

Pra terminar, vale lembrar que se trata de um filme trash. Um divertidíssimo e muito engraçado trash. Talvez o melhor  já feito no Brasil – preste atenção, os cadáveres respiram!

Ah, sim: fiquem até o final dos créditos!