Balada do Amor e do Ódio/ Balada Triste de Trompeta

Crítica – Balada do Amor e do Ódio / Balada Triste de Trompeta

Uêba! Filme novo escrito e dirigido pelo Álex de La Iglesia!

Espanha, anos 70. Descendente de uma família de palhaços, Javier começa a trabalhar num circo como o “Palhaço Triste”, ao lado do palhaço Sergio, um bom profissional, mas uma pessoa de temperamento muito complicado. Tudo fica ainda mais complicado quando a trapezista Natalia, namorada de Sergio, se aproxima de Javier.

Olha, sou fã do Álex de La Iglesia, e admito que gosto de filmes esquisitos. Mas preciso reconhecer que ele não foi feliz aqui. Balada do Amor e do Ódio é bizarro demais!

O filme já começa estranho. Rola um prólogo na década de 30, com palhaços na linha de frente de guerra. Depois segue estranho com a história do Palhaço Triste. E, a partir da fuga de Javier do hospital, tudo fica bizarro demais. A loucura de Javier nos faz perder qualquer interesse por um personagem que já não tinha muito carisma!

A parte técnica do filme é boa, gostei da fotografia com cores escuras. Também gostei do elenco, que conta com Carlos Areces, Carolina Bang e Antonio de la Torre. O problema está no roteiro mesmo…

O penúltimo filme de Álex de La Iglesia tinha sido o fraco Los Crimenes de Oxford. Não foi um filme ruim, só perde na comparação com outros como Ação Mutante, O Dia da Besta e Crime Ferpeito. E agora, veio este Balada do Amor e do Ódio. Sr. Álex, ainda estou esperando à volta aos bons tempos, ok?

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Studio 54

Crítica – Studio 54

Vi Studio 54 no cinema, na época do lançamento, em 1998. Como atualmente toco numa banda de disco music (banda Boogie Nights), achei que era hora de rever o filme que retrata uma das boates mais famosas do mundo.

Um jovem de Nova Jersey que sonha com o glamour de Nova York consegue um emprego no famoso Studio 54, e começa a ter uma vida de excessos entre as maiores celebridades da época.

Escrito e dirigido por Mark Christopher (que não fez mais nada expressivo na carreira), o filme em si não é grandes coisas – Boogie Nights usa o mesmo pano de fundo e é muito mais filme. Mas pelo menos Studio 54 funciona bem na tarefa de retratar o momento da disco music. A ambientação é muito bem feita, presenciamos um clube que vivia entre transgressões, parece que tudo o que era proibido era bem vindo lá – desde sexo e drogas até uma cabra na pista de dança!

O elenco traz um Mike Myers surpreendente, num papel sério, interpretando Steve Rubell, o real dono do Studio 54, um homossexual sarcástico e mal-humorado – nada a ver com o tipo de filme que ele costuma fazer (Quanto Mais Idiota Melhor, Austin Powers, Shrek, Guru do Amor…). E ele está excelente! (Só me lembro dele num papel sério uma única outra vez, numa pequena participação em Bastardos Inglórios). O resto do elenco está ok, ninguém se destaca, ninguém atrapalha: Ryan Phillippe, Neve Campbell, Salma Hayek e Breckin Meyer.

Como disse lá em cima, Studio 54 não vai mudar a vida de ninguém. Mas me inspirou pra fazer um Top 10 de filmes ligados à disco music…

Passion Play

Crítica – Passion Play

Um trompetista com problemas com um gangster encontra uma mulher com asas e resolve ficar com ela.

Passion Play tem tanta coisa errada que nem sei por onde começar a falar.

O filme foi dirigido por Mitch Glazer, estreante na função, mas roteirista experiente (Grandes Experanças, O Novato). Curiosamente, o roteiro é uma das piores coisas aqui. A trama é um amontoado de situações forçadas e incoerentes, como, por exemplo, o primeiro encontro entre Lily e Nate – por que diabos uma menina nova e bonita convidaria um velho feio para entrar no seu trailer para tomar um drink?

E não é só isso. Os três personagens principais são péssimos. Entre um loser bêbado e drogado, um mafioso assassino e uma mulher esquisita que vai com qualquer um, qual é o pior?

Por incrível que pareça, um dos poucos acertos do filme está no elenco. Mickey Rourke e Megan Fox nos dão o que se espera: personagens rasos, coerentes com suas carreiras. Por outro lado, Bill Murray está bem como o gangster Happy.

Fora o Bill Murray, pouca coisa se salva. Algumas paisagens são bonitas, e rola uma cena de nudez gratuita interessante, com a desconhecida e super-tatuada Liezl Carstens. (Megan Fox fica com pouca roupa, mas não mostra nada).

Mas é pouco, muito pouco. O ritmo do filme é leeento, paraaado, chega a dar sono. E a trilha sonora com um soft jazz de elevador ajuda. Pra fechar com chave de ouro, os efeitos especiais são péssimos, as asas em cgi são dignas de uma produção pobre de tv, e de anos atrás.

Enfim, só para os fãs radicais da Megan Fox…

Te Amarei Para Sempre

Crítica – Te Amarei Para Sempre

Um filme consegue agradar ao mesmo tempo meninas românticas e meninos fãs de viagem no tempo? Te Amarei Para Sempre consegue!

Um casal apaixonado precisa saber conviver com uma rara anomalia genética que faz um deles viajar no tempo. O problema é que ele não consegue controlar quando vai, nem quando volta.

Descobri este filme quando heu pesquisava para o top 10 de filmes com viagem no tempo. Não sei por que, quando Te Amarei Para Sempre foi lançado, comi mosca e nem reparei. Agora está visto!

Dirigido por Robert Schwentke (RED), Te Amarei Para Sempre tem um bom equilíbrio entre a ficção científica da viagem no tempo e o romance do casal. Ok, no balanço final, pende um pouco mais pro lado romântico, mas nada que incomode quem procura o outro lado.

O bom roteiro de Bruce Joel Rubin, baseado no livro de Audrey Niffenegger, é um dos responsáveis por este bom equilíbrio. E a dupla protagonista também ajuda. Eric Bana e Rachel McAdams têm boa química e estão bem nos papeis. Ainda no elenco, Ron Livingston e Stephen Tobolowsky.

Na minha humilde opinião, Te Amarei Para Sempre tem dois problemas. Um é a previsibilidade do roteiro quando este chega perto do fim – não é difícil adivinhar tudo que vai acontecer a partir do momento que outro personagem chave é jogado na história. O outro é que, como é um filme de viagem no tempo, heu esperava rever algumas cenas sob outro ponto de vista, como acontece frequentemente neste estilo. Nada, neste aspecto, o filme é bastante linear.

Por fim, ainda preciso falar (mal) do título nacional do filme. Qual o problema de chamar de “A Esposa do Viajante do Tempo“, tradução literal do nome original, e que tem muito mais a ver com o filme do que este título “água-com-açúcar”?

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Reencontrando a Felicidade

Crítica – Reencontrando a Felicidade

Um casal tenta reconstruir a vida depois de perder o filho de quatro anos, morto atropelado.

Confesso que tinha dois receios para ver este filme. Um receio cinematográfico (pé atrás com o diretor John Cameron Mitchell), outro receio pessoal.

Vou abrir um “cantinho do desabafo” aqui. Este assunto é muito delicado pra mim. Minha filha mais velha nasceu com problemas cardíacos, e faleceu em 2003, com os mesmos quatro anos que o garoto do filme tinha. É sempre difícil pra mim ver um filme com o tema “morte de filho”. É complicado fazer uma crítica, porque o emocional sempre fala alto. Dito isso, posso dizer que entendo tudo o que Becca, a personagem de Nicole Kidman, está passando. Me vi na tela diversas vezes. Compartilho com Becca vários questionamentos, inclusive religiosos. Dá pra se escrever uma crítica assim? Bem, vou tentar…

Antes de tudo, preciso falar que o meu receio cinematográfico era infundado. Meu pé atrás com John Cameron Mitchell é porque o seu Hedwig é muito irregular, e o seu Shortbus pode até ser divertido, mas é uma grande picaretagem. Mas aqui ele faz um belo trabalho. Reencontrando a Felicidade é um filme sensível e bonito, dentro do que o assunto permite.

O roteiro, escrito por David Lindsay-Abaire (baseado na sua própria peça), é muito eficiente ao apresentar os traumas que afligem o casal. A história é triste, triste, mas em momento nenhum o filme é monótono.

O elenco é um dos pontos fortes do filme. Nicole Kidman arrebenta, foi até indicada para o último Oscar por este papel. Aaron Eckhart não fica pra trás, também está bem seguro como o pai que quer seguir com a vida. Ainda no elenco, Diane Wiest, Miles Teller e Sandra Oh.

Preciso ainda falar do título em português. Onde diabos está a tal felicidade? O garoto morreu, a família está caindo aos pedaços… Abaixo os nomes inventados!

Não tenho condições de recomendar este filme para ninguém. Mas admito que foi uma experiência forte.

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Jogo de Poder

Jogo de Poder

Responsável por várias operações secretas da CIA, a agente Valerie Plame (Naomi Watts) tem sua identidade revelada de propósito, em represália a um artigo escrito por seu marido (Sean Penn), criticando a invasão do Iraque pela administração Bush.

Dirigido por Doug Liman (Jumper, A Identidade Bourne), Jogo de Poder foi vendido como um thriller. O trailer era emocionante: Valerie Plame seria perseguida por reviravoltas em sua vida. Ok, essas reviravoltas realmente acontecem, mas o ritmo do filme é bem lento. A emoção foi deixada de lado…

O roteiro conta os fatos coretamente, mas tudo parece didático, documental. E fica tudo chato demais!

Pena, porque a história, baseada em fatos reais, é boa (a verdadeira Valerie Plame aparece durante os créditos) – é legal ver a administração Bush ser cutucada por causa das mentiras sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque. Além disso, o casal de protagonistas faz um excelente trabalho – Naomi Watts e Sean Penn, ambos em grande forma, mostram porque são dois dos maiores atores do cinema mundial.

Apesar de um pouco confuso, Jogo de Poder não é ruim. Mas, com um roteiro melhor, poderia ser mais interessante. Do jeito que ficou, é apenas um filme mediano. E meio chato…

Conspiração Xangai

Conspiração Xangai

Meses antes do ataque a Pearl Harbor, a cidade de Xangai vive sob a tensa sombra da ocupação japonesa, e é palco de traições entre espiões de diversas nacionalidades.

Trata-se do filme novo do diretor sueco Mikael Håfström, dos recentes O Ritual e 1408. Mas aqui não tem nada de terror, Conspiração Xangai parece aquelas super produções à moda antiga, com bom elenco e cenários grandiosos. Pena que a história é simples e previsível, apesar das reviravoltas no roteiro.

Achei curiosa a escolha de um diretor sueco. O elenco internacional se justifica, afinal, temos americanos, chineses, japoneses e até uma alemã, cada um com um personagem com a mesma nacionalidade – escolhas acertadas. Mas não entendi por que um diretor sueco. Pelo menos ele fez um bom trabalho.

Falando no elenco, todos estão bem: os americanos John Cusack, David Morse e Jeffrey Dean Morgan; os chineses Chow Yun-Fat e Gong Li; o japonês Ken Watanabe; e a alemã Franka Potente…

(Aliás, tenho uma dúvida sobre nomes chineses. Sempre li Chow Yun-Fat e Gong Li, mas aqui nos créditos está escrito Yun-Fat Chow e Li Gong – e não é a primeira vez que vejo assim. Afinal, qual é o certo?)

Conspiração Xangai é um filme correto, tudo funciona direitinho. Mas não espere muito, porque o resultado não é nada demais.

Amor e Outras Drogas

Amor e Outras Drogas

Conquistador, Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) trabalha como representante comercial de um grande laboratório farmacêutico. No seu convívio entre hospitais, conhece a bela Maggie Murdock (Anne Hathaway), que, apesar de apenas 26 anos, já sofre de mal de Parkinson. Um romance começa entre os dois, inicialmente só pela atração física, já que Maggie não quer se envolver por causa da sua doença.

Amor e Outras Drogas é uma interessante mistura de comédia com drama, usando como pano de fundo os bastidores da indústria farmacêutica na época do lançamento do Viagra na segunda metade dos anos 90.

O melhor de Amor e Outras Drogas é a química entre o casal de protagonistas Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal. Inclusive, rolam muitas cenas de nudez – a nudez foi tanta que incomodou parte da puritana plateia americana. Esses americanos não tão com nada, Anne Hathaway está lindíssima!

O resto do elenco também está muito bem – o filme conta com Oliver Platt, Hank Azaria, Gabriel Macht e Judy Greer, entre outros. Só não gostei de Josh Gad como o caricato irmão de Gyllenhaal, um alívio cômico desnecessário, na minha humilde opinião.

O filme tem um problema: o ritmo cai na segunda parte, quando o foco maior passa a ser na doença de Maggie.

O diretor Edward Zwick é mais lembrado por filmes épicos e grandiosos como O Último Samurai, Coragem Sob Fogo ou Nova York Sitiada, os mais desavisados podem achar estranho vê-lo num filme assim. Mas heu não achei estranho, lembro que ele dirigiu Sobre Ontem À Noite, romance de 1986 que coloca Demi Moore e Rob Lowe sem roupa, como Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal aqui.

Não sei se Amor e Outras Drogas pode ser classificado como comédia romântica, apesar de seguir o formato “casal-se-conhece-se-estranha-se-separa-descobre-que-está-apaixonado-volta-a-ficar-junto”. Afinal, apesar de seguir a fórmula, a parte final do filme é um drama pesadão…

Apesar da queda de ritmo, Amor e Outras Drogas é um bom programa.

Os Garotos Estão de Volta

Os Garotos Estão de Volta

Inspirado num caso real, Os Garotos Estão de Volta conta a história de Joe Warr, que teve que cuidar sozinho do filho pequeno depois que a esposa morreu de câncer, e pouco depois ganhou também a guarda do filho adolescente do primeiro casamento.

Acho que Os Garotos Estão de Volta tenta ganhar simpatia por causa dos perrengues enfrentados por Joe, o pai interpretado por Clive Owen. Porque é tudo tão clichê, tudo tão previsível…

O roteiro do filme dirigido por Scott Hicks segue todos os clichês possíveis. Pai antes ausente mas que depois vira “pai modelo”; irmãos que antes brigam pra depois se adorarem e virarem inseparáveis; mulherzinha por perto que vai se aproximar, mas com vários pés atrás; eterno “morde e assopra” com a sogra; problemas profissionais…

Isso sem falar da incoerência do filho mais velho. Primeiro o garoto diz que tá tudo ok e convence o pai a ir pra Melbourne, pra logo depois ele fazer besteira e jogar a culpa no pai. Aí ele reclama da mãe, pra depois dizer que não quer se separar da mãe porque seria ruim pra ela. Caraca, moleque, decida-se!

E Joe Warr faz tudo errado. Fica difícil ter pena de um cara que, ao ver o filho dar um piti e quebrar toda a louça, em vez de colocar o garoto de castigo, vai lá e pede desculpas… Clive Owen tem um grande carisma, mas, não rola, né?

Mas, por incrível que pareça, Os Garotos Estão de Volta não é tão ruim quanto esses clichês todos fazem acreditar. Belas paisagens australianas e uma convincente atuação de Clive Owen ajudam, o filme é até interessante. É um clichê bem feito, com elementos bem colocados.

Mesmo assim, achei o resultado final dispensável. Claro, vai agradar a plateia feminina e os mais “sensíveis”. Mas tem coisa bem melhor por aí pra ver com a patroa.

Amor por Contrato

Amor por Contrato

Bonitos, ricos e simpáticos, os Jones se mudam para uma opulenta mansão, e passam a influenciar a moda no bairro onde moram. Só que os vizinhos não sabem o segredo: os Jones não são uma família de verdade, são empregados de uma empresa que promove as vendas – uma espécie de “marketing invisível”.

A ideia é genial! Contratar pessoas bonitas e charmosas para fingirem que são uma família e despertar inveja dos seus vizinhos é algo que “acho” que ainda não foi usado pela sociedade consumista. Mas heu não me espantaria se alguém usasse isso de verdade…

O filme, o primeiro dirigido por Derrick Borte, funciona muito bem, pelo menos na sua primeira parte. Porque depois os velhos clichês hollywoodianos acabam com o ritmo do filme. Acredito que Amor Por Contrato funcionaria melhor se o roteiro esquecesse o lado “comédia romântica” e usasse altas doses de cinismo.

O elenco, liderado por Demi Moore e David Duchovny, funciona bem. A química entre o casal é boa, e Demi, em ótima forma, nem aparenta os 48 anos que tem hoje. Ainda no elenco, Amber Heard (falei dela ontem em outro filme, And Soon The Darkness!), Ben Hollingsworth e Lauren Hutton.

(Pequeno parênteses: Duchovny está bem, mas não consigo vê-lo hoje em dia e não lembrar do Hank Moody de Californication. Duchovny não tem cara de vendedor de tacos de golfe!)

O ritmo do filme cai na parte final – a ponto de um dos personagens trazer uma revelação bombástica e esta ser deixada de lado. Mas o resultado final ainda é interessante, Amor Por Contrato vale ser visto, nem que seja pela originalidade do argumento.