Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Sinopse (imdb): No 40º aniversário do original, a sequência do lendário mockumentary de rock que colocou a produtora cinematográfica em uma sequência de sucesso.

Quarenta e um anos depois, uma continuação de um dos mais geniais mockumentaries da história!

A ideia é boa. Em 1984, foi lançado This is Spinal Tap, um mockumentary (documentário fake) sobre a turnê da banda Spinal Tap (igualmente fake). Anos se passaram, a banda se separou, mas agora vai ter uma reunião para um único show de despedida. Spinal Tap 2 O Último Ato (Spinal Tap II: The End Continues, no original) é o mockumentary que vai mostrar os bastidores dessa reunião.

Os quatro principais voltam: tanto o diretor Rob Reiner (que interpreta o documentarista) quanto os três principais músicos, Christopher Guest (Nigel Tufnel), Michael McKean (David St. Hubbins) e Harry Shearer (Derek Smalls). Alguns coadjuvantes do primeiro filme também aparecem rapidamente aqui, como Fran Drescher e Paul Shaffer, mas o filme é mesmo dos quatro.

Uma coisa que acho muito legal é que os caras são músicos, então eles convencem nas muitas cenas onde aparecem tocando. Da banda de quarenta anos atrás, não explicam por que o tecladista Viv Savage não voltou (achei uma falha), mas todo fã de Spinal Tap sabe que o baterista tem que ser um novo (spoiler: uma das piadas do primeiro filme é que o baterista sempre morre). E digo mais: a cena da audição para baterista é muito engraçada, e a nova baterista, Didi Crockett, é um ótimo personagem, além de ser interpretada por uma baterista carismática, Valerie Franco.

Spinal Tap 2 O Último Ato tem algumas participações especiais de músicos reais. Pouco antes da entrada da baterista, eles conversam via zoom com Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Lars Ulrich (Metallica) e Questlove (confesso que nunca tinha ouvido falar deste). Paul McCartney e Elton John têm participações maiores e efetivamente tocam com a banda. E Elton John ainda está em uma piada durante os créditos!

O filme é curto, assim como o primeiro (ambos têm uma hora e vinte e três minutos), e o ritmo é meio de piada repetida. Mas preciso falar que a sequência final, com o Stonehenge, me causou gargalhadas. Finalmente conseguiram “consertar” o erro do cenário que rolou no primeiro filme! Pena que não deu tudo certo… Os créditos também trazem boas piadas. Agora, reconheço que é um filme para “iniciados”. Quem não conhece o filme de 1984, provavelmente não vai entender parte das cenas.

A nota triste é que ontem acordei com a notícia do falecimento do diretor / roteirista / ator Rob Reiner. Muito triste essa notícia…

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Sinopse (imdb): A banda inglesa de heavy metal Spinal Tap está em turnê pelos Estados Unidos. Um cineasta americano decide filmar a passagem da banda pelo país, mas a turnê não sai como o esperado.

Estreou no streaming o novo This is Spinal Tap, aí fui rever o original antes de ver a continuação. Pensei em escrever uma crítica mais completa (já comentei o filme em dezembro de 2008), mas optei por trazer alguns trechos que acho geniais. Afinal, estamos falando de um filme de 40 anos atrás, de menos de uma hora e meia de duração, e que, até hoje, traz vários momentos icônicos entre os apreciadores de rock’n’roll no cinema.

Lançado em 1984, This is Spinal Tap é um mockumentary, palavra que nem sei se existe em português. É um documentário fake (tipo a série The Office), sobre uma banda que nunca existiu. O Spinal Tap é uma banda de hair metal dos anos 70/80, exagerada e excêntrica como várias bandas da época, que está mais ou menos entre Van Halen, Manowar, Saxon e Mötley Crüe. O filme acompanha uma turnê nos EUA, e traz várias sequências memoráveis. Digo mais: todo músico vai se identificar com uma ou outra cena.

This is Spinal Tap foi dirigido por Rob Reiner, diretor de Conta Comigo, Louca Obsessão e Harry e Sally, entre outros, e que aqui, além de roteirista e diretor, ainda interpreta um personagem importante, o documentarista Marty DiBergi. A banda é formada por Nigel Tufnel (Christopher Guest), David St. Hubbins (Michael McKean) e Derek Smalls (Harry Shearer). Nenhum dos três teve carreira relevante no cinema, mas os três aparecem tocando, e convencem nos seus instrumentos. Além disso, os três colaboraram no roteiro, escrito a oito mãos junto com o diretor Reiner. Existe uma piada que justifica por que o baterista tem menor importância, mas não entendi por que o tecladista não ganhou mais espaço… Lembrei do João Fera, que toca com o Paralamas do Sucesso há quase quatro décadas mas nunca foi efetivado membro da banda.

Acho geniais algumas sacadas apresentadas no filme. Como músico, consigo ver algumas daquelas situações na vida real. Mas tenho minhas dúvidas se um público que não é ligado a bandas de rock vai achar graça.

Enfim, vamos aos momentos?

-Uma piada muito boa é sobre o baterista, que sempre morre. A banda já teve vários. Todos morreram, e sempre de mortes bizarras.

-Tem um lance que vários músicos já passaram, que é quando a banda se perde entre o camarim e o palco. Claro que aqui está exagerado, mas já aconteceu comigo num show num Sesc em SP…

-Lembro de amigos meus fãs de Manowar falando que os caras colocavam um pepino dentro da cueca pra parecerem bem dotados. Também lembro exatamente dos mesmos pepinos dentro da sunga numa HQ do Angeli dos anos 90. This is Spinal Tap é anterior aos dois exemplos, e já tem piada sobre isso.

-Nunca soube de, na vida real, um defeito no cenário que chegasse a prender um músico. Mas a piada é ótima!

-Outra boa piada relativa ao cenário é o Stonehenge miniatura. A ideia foi escrita num guardanapo de papel, e quando o cenário foi feito, ficou daquele tamanho.

-Acho que a piada mais famosa de This is Spinal Tap é o amplificador que vai até o 11. Adoro a reação do Nigel quando perguntam “não seria mais fácil um amplificador mais potente?”

Becoming Led Zeppelin

Crítica – Becoming Led Zeppelin

Sinopse (imdb): As origens do grupo icônico Led Zeppelin e sua ascensão meteórica em apenas um ano contra todas as probabilidades.

Antes de tudo, preciso falar que não sou muito fã de documentários. Pra mim, um documentário só serve se heu me interesso sobre o assunto que está sendo documentado. Ou seja, quem vê é porque normalmente já nutre alguma simpatia pelo assunto.

Curto rock’n’roll dos anos 70, claro que curto Led Zeppelin. Então fui ver o documentário que fala sobre a formação da banda e vai até a gravação do segundo Lp. Mas, achei alguns problemas no filme. Problemas de direcionamento do roteiro, e também problemas técnicos.

Mas antes, queria falar um pouco sobre a minha relação com o Led Zeppelin. Como falei, curto muito rock’n’roll dos anos 70, então claro que curto a “santíssima trindade do rock”: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple – três bandas inglesas que surgiram no fim dos anos 60 e que lançaram alguns discos fundamentais em toda a discoteca básica de fãs de rock.

Dito isso, preciso confessar que gosto muito mais de Deep Purple do que das outras duas. Principalmente por um nome: Jon Lord. No Led, era o baixista John Paul Jones quem tocava teclado; no Sabbath, quando tinha teclado, ficava escondido*. Já no Purple, o teclado tinha protagonismo. Jon Lord era um excelente tecladista, e o que ele fazia com o órgão Hammond era sensacional. Também sou fã do Keith Emerson e do Rick Wakeman, e conheço pessoas que não curtem o estilo dos dois. Mas nunca conheci quem não gostasse do Jon Lord.

*(Em 1992, vi a montagem do palco do Black Sabbath no Canecão. Vi quando montaram um teclado e colocaram uma cortina preta na frente, pra “esconder” o tecladista. Lamentável…)

Enfim, sou mais fã do Purple, mas também gosto muito do Led. Inclusive posso dizer que vi metade da banda, fui ao Hollywood Rock em 1996 pra ver o sensacional show do Robert Plant e Jimmy Page. Foi uma noite inesquecível: Black Crowes, depois “quase Led Zeppelin”.

Vamos ao filme? Vemos entrevistas recentes com os três membros vivos da banda (John Bonham morreu em 1980). Não sei há quanto tempo as entrevistas foram feitas, hoje Robert Plant tem 76 anos, John Paul Jones tem 79, Jimmy Page tem 81. O documentário traz a voz do John Bonham em uma entrevista que, segundo o que disseram, era inédita, e isso traz um bom equilíbrio aos depoimentos. Os quatro contam como começaram na música, e também comentam sobre algumas coisas bem legais que heu não sabia, tipo, Page e Jones eram músicos de estúdio e tocaram com um monte de gente, inclusive estiveram juntos na orquestra que gravou o famoso tema de Goldfinger, do 007.

Segundo o filme, Plant e Bonham se conheciam por um lado, e Page e Jones por outro, e se encontraram pela primeira vez já para levar um som e começaram a banda direto. Não digo que isso é mentira, mas achei impressionante já rolar química logo de cara, a ponto de criarem uma das mais importantes bandas da história do rock. Se isso for verdade, é bem legal!

Acompanhamos depoimentos e imagens de arquivo falando sobre shows, turnês e gravações dos dois primeiros discos. Algumas das imagens de arquivo são curiosas, como aquela onde eles fazem um show e algumas pessoas na plateia tapam os ouvidos.

Agora, achei que faltou abordarem alguns temas. O Led Zeppelin é famoso por exageros, e não vemos nada sobre consumo de álcool ou drogas. Digo mais, segundo o filme, todos eram pessoas caseiras e com comportamento família. Outra coisa que podia engrandecer o filme era trazer depoimentos de outras pessoas, como músicos de outras bandas – tanto galera da mesma época, que viveu aquele momento; quanto músicos mais novos, que foram influenciados.

Agora, o que mais me incomodou foram algumas decisões técnicas da edição. Vou citar alguns exemplos. Determinado momento, Robert Plant fala que estava sem casa, sem dinheiro, entrou pra uma banda, mas deixa essa história no ar, não conclui. Em outro momento, rola um show em Los Angeles, e as pessoas dançando não combinam nada com a música que está sendo tocada. Ou então quando o filme fala da viagem do Jimmy Page para os EUA, vemos dois produtores, ambos aparecem falando, mas não ouvimos suas vozes, isso confunde o espectador, ficou esquisito. Fora alguns momentos de tela preta que foram um pouco mais longos do que deveriam ser.

Tem outra coisa, mas não sei se é exatamente um problema. Algumas músicas estão completas, em imagens da época. Legal, mas não são músicas famosas e empolgantes, como Black Dog, Stairway to Heaven ou Kashmir (todas essas vieram depois do período retratado no filme). A gente vê longas versões de Dazed and Confused e What is and What Should Never Be. Os fãs radicais devem ter curtido, mas, para o público geral, ficou cansativo.

Resumindo: a banda é nota 10. Já o documentário, esse ficou devendo.

Stop Making Sense

Crítica – Stop Making Sense

Sinopse (imdb): Considerado pela crítica como o maior filme-concerto de todos os tempos, a performance foi gravada ao longo de três noites no Pantages Theatre de Hollywood, em dezembro de 1983, e apresenta as canções mais memoráveis do Talking Heads.

Um amigo me convidou pra uma sessão especial de Stop Making Sense, versão remasterizada, comemorando 40 anos do lançamento, no Estação Botafogo. Já tinha visto, mas achei que seria um bom programa. Vou comentar o filme, depois comento a sessão.

Antes de começar o filme, temos um recado do próprio David Byrne comentando essa nova versão. Detalhe: ele gravou o recado para o público brasileiro!

A direção é de Jonathan Demme, que fez uns filmes simpáticos nos anos 80 (De Caso com a Máfia, Totalmente Selvagem) e em 1991 conseguiu um feito poucas vezes visto no cinema: dirigiu um filme que ganhou os cinco principais Oscar (filme, diretor, roteiro, ator e atriz): O Silêncio dos Inocentes.

Mas não vejo muito do estilo do diretor aqui. Stop Making Sense é o registro do show do Talking Heads, e a genialidade aqui está na concepção do show. Demme apenas teve que posicionar suas câmeras e registrar o que acontecia no palco.

O show começa com um palco vazio. Apenas um microfone num pedestal. David Byrne entra no palco, sozinho com um violão, e toca e canta uma música. Depois a baixista Tina Weymouth entra no palco e tocam a segunda música. Perto do fim, uma bateria é colocada no palco e a terceira música já tem Chris Frantz na bateria. Jerry Harrison, o outro guitarrista, entra na quarta música. Depois entram um percussionista e duas backing vocal. Depois um tecladista e um outro guitarrista. Depois que já temos nove músicos no palco, começam a colocar painéis e iluminação. Ao fim do show, o palco está completo.

Mesmo com toda essa movimentação, o show flui perfeitamente. E a gente ainda tem que se lembrar que era início dos anos 80, quase tudo no palco tem que ser cabeado (tem um momento que quase que uma das backing vocals tropeça no cabo do baixo da Tina Weymouth).

Jonathan Demme filmou 3 noites seguidas do show. As câmeras foram bem posicionadas, porque vemos vários closes e vários takes abertos, e não reparei em nenhum câmera! Segundo o imdb, em cada noite ele posicionava os câmeras em posições estratégicas, assim nenhum “vazava”,

Ah, Demme queria filmar alguns takes extras em estúdio, simulando o palco do teatro, mas a banda se recusou, dizendo que a resposta do público era algo essencial para a energia do palco. E que energia! David Byrne não pára em nenhum momento do show! O cara canta, toca, dança, pula, corre, é impressionante!

Pros mais novos que devem estar se perguntando “mas afinal o que é esse tal de Talking Heads?”, tem pelo menos duas coisas que acho que estão fortes na cultura pop até hoje. Uma é a música Psycho KIller, que não foi feita para o filme, mas é a música que abre o show. A outra é o terno gigante usado pelo David Byrne no fim do show, que é citado de vez em quando por aí (como no filme O Homem dos Sonhos, com Nicolas Cage).

Sobre a sessão no Estação: quando me convidaram, achei, ok, vamos lá, já vi o filme, tenho dvd, mas pode ser um programa diferente ver na tela grande. E para minha surpresa, uma boa notícia: o Estação estava lotado! Nenhuma poltrona vazia! Impressionante, um filme velho, que todo mundo já viu, numa quarta à noite, com lotação esgotada! Algumas pessoas se empolgaram e levantaram das suas cadeiras para dançar. E ao fim do filme, na última música, várias pessoas foram dançar debaixo da tela. O cinema vive!

Daisy Jones & The Six

Crítica – Daisy Jones & The Six

Sinopse (imdb): Siga o sucesso da banda de rock Daisy Jones e The Six através da cena musical de Los Angeles da década de 1970 em sua busca para se tornar um ícone global.

Há umas semanas, atrás me indicaram lá no grupo de apoiadores do Podcrastinadores uma nova série musical: Daisy Jones and The Six, da Amazon Prime, que mostra uma banda fictícia dos anos 70 que estava no auge do sucesso, quando algo aconteceu durante uma turnê e a banda se separou e nunca mais fizeram nada. Anos depois, eles estão sendo entrevistados (separadamente), para contar o que aconteceu. A série alterna momentos dessa entrevista com flashbacks, num formato que parece uma mistura de This is Spinal Tap com Quase Famosos.

A reconstituição de época está perfeita, e a parte musical é muito boa. A banda é inspirada no Fleetwood Mac, banda que conheço pouco. Tenho um grande elogio e um mimimi pra fazer sobre a parte musical. O elogio é que poucas vezes vi um filme ou série com músicos tão bem representados. Sou chato e presto atenção no ator interpretando um músico – ele não precisa tocar, mas precisa fingir bem que toca (caso do De Volta para o Futuro) (um ator interpretando um cirurgião não precisa fazer a cirurgia, apenas precisa convencer no seu fingimento). E, tirando um detalhe aqui, outro detalhe ali, aqui os atores estão excelentes! Inclusive, segundo o imdb, eles chegaram a fazer um show como se fossem uma banda de verdade, como laboratório! Digo mais: em mais de um momento ao longo da série, a gente vê uma música sendo executada num estúdio ou num palco, e o volume dos instrumentos varia conforme a câmera anda – o que aconteceria na vida real.

Agora, posso fazer um mimimi? Todos os atores convencem (inclusive Riley Keough quando toca violão meio sem jeito enquanto compõe – ela não domina o violão, mas toca os acordes pra apresentar a música para os companheiros de banda), menos a Suki Waterhouse como tecladista. Ok, um tecladista ou pianista pode interpretar bem sem mostrar as mãos, mas, teve uma cena em particular onde parece que ela está usando pick up de DJ, enquanto mexe em drawbars de um órgão Hammond!

A série é baseada no livro “Daisy Jones and The Six, Uma história de amor e música”, da escritora Taylor Jenkins Reid. Não li o livro, não sei se a série é fiel, mas tenho algumas críticas. A história da banda é muito boa, mas tem uma história paralela sobre a Simone, amiga da protagonista Daisy Jones, que tenta carreira como cantora disco. E essa história paralela é bem mais fraca que a história principal. Digo mais: o episódio onde Daisy vai pra Grécia e se casa é completamente dispensável. Podia ter um episódio a menos, e quando ela aparecesse com o marido, era só apresentá-lo.

Sobre o elenco, tem um problema recorrente em Hollywood, que é a idade dos atores. Sam Claffin tem 36 anos, e precisa convencer como um jovem recém saído da escola no início da banda. E como temos todo o elenco em diferentes épocas, esse problema acontece com todos. Mas, se a gente relevar esse detalhe, o elenco está bem.

Riley Keough é filha de Lisa Marie Presley e neta de Elvis Presley, e nunca tinha interpretado uma cantora (ela estava no filme The Runaways, mas interpretava a irmã da vocalista). Ela convence aqui como um dos dois principais nomes, e ela funciona bem ao lado de Sam Claffin, que também está bem. Sobre o resto da banda, tive um problema com Will Harrison e Josh Whitehouse, que fazem o guitarrista e o baixista, porque achei os personagens muito parecidos (só consegui diferenciar um do outro no décimo episódio!). Completam a banda Suki Waterhouse e Sebastian Chacon, o baterista, que é um dos melhores personagens. Um nome relativamente conhecido num papel menor é Timothy Olyphant, como um empresário que ajuda a banda. Ainda no elenco, Camila Morrone, Tom Wright e Nabiyah Be.

O último episódio traz um plot twist que achei bem legal, mas não contarei por aqui porque não gosto de spoilers.

Elvis

Elvis

Sinopse (imdb): Elvis segue a história do infame astro do rock n roll Elvis Presley, visto pelos olhos de seu controverso empresário, o coronel Tom Parker. O filme explora os altos e baixos de Elvis Presley e os muitos desafios e controvérsias que ele recebeu ao longo de sua carreira.

Vamos para uma daquelas críticas muito rápidas? “Cinebiografia do Elvis Presley dirigida por Baz Luhrmann”. Isso já é o suficiente pra gente saber o que esperar. Mas, bora desenvolver.

Baz Luhrmann é um cara extravagante, a gente já sabe disso desde Romeu + Julieta e Moulin Rouge. Isso já fica claro antes do filme começar, quando aparece o logo da Warner todo enfeitado – parecendo que saiu do Moulin Rouge.

Apesar disso, o roteiro segue um formato bem tradicional de cinebiografias. A história é contada pelo Coronel Tom Parker, que foi o empresário do Elvis em toda a sua carreira (e que é um nome envolto em várias controvérsias). E o filme começa com o Coronel vendo o Elvis pela primeira vez, e segue acompanhando o desenvolvimento de sua carreira até o seu falecimento.

O filme é um pouco longo demais, são 2h39min, acho que podia ser menor. E Baz Luhrmann declarou que queria mais, ele disse que tem um corte de 4 horas! Ok, reconheço que a transição para a fase Las Vegas foi meio abrupta, e a gente mal vê o Elvis gordão. Mesmo assim, não acho que precise de 4 horas, o que precisava era reduzir esse.

O que me chamou a atenção foram os arranjos das músicas. Mais uma vez, Baz Luhrmann tem arranjos musicais inventivos e fora da caixinha. As músicas começam com arranjos tradicionais, e elementos diferentes são inseridos, uma bateria eletrônica aqui, uma guitarra pesada ali. E os arranjos soam orgânicos, tudo parece natural aos ouvidos.

O visual do filme também é bem legal, Baz Luhrmann manja dos paranauês quando o assunto é visual rebuscado. Algumas coisas são exageradas (incluindo algumas atuações), mas isso faz parte do pacote.

Existia uma dúvida com relação ao protagonista Austin Butler. Ouvi gente comentando que seria melhor um cara mais parecido com o Elvis (confesso que em algumas cenas ele me lembrava o John Travolta em Grease). Mas o garoto é bom, tem presença, tem carisma, e ainda canta algumas músicas. Austin Butler é um dos grandes acertos do filme!

Outro ponto que chama atenção é Tom Hanks, que está muito bem como o Coronel Tom Parker. Não será surpresa vê-lo concorrendo ao Oscar ano que vem. Também no elenco, Olivia DeJonge, Kodi Smit-McPhee, Helen Thomson, Richard Roxburgh e Kelvin Harrison Jr, mas todos em papéis bem secundários.

BB King tem um papel importante, e vemos Little Richard em uma cena. Heu queria ter visto mais da galera da época, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, talvez os Beatles (que são citados mas não aparecem). Mas admito que é um head canon meu, não é um problema do filme.

Não gostei do fim. Ok, a gente sabe que Elvis morreu, é meio inevitável ter esse baque ao fim. Mas o filme podia terminar com um número musical mais pra cima. Do jeito que terminou, o espectador vai sair deprimido da sala de cinema.

Mesmo assim, é um filmão. Boa opção para quem gosta de filmes ligados à música!

Terror no Estúdio 666

 

Crítica – Terror no Estúdio 666 / Studio 666

Sinopse (imdb): A lendária banda de rock Foo Fighters se muda para uma mansão em Encino mergulhada na terrível história do rock and roll para gravar seu tão aguardado décimo álbum.

Outro dia falei de garotos de escola tocando rock, hoje vamos falar de uma banda de verdade brincando de fazer cinema.

Antes de tudo: não precisa conhecer os Foo Fighters para curtir o filme. Mas precisa curtir terror B! Terror no Estúdio 666 é uma ideia do Dave Grohl, que criou a história e é o ator principal, e trouxe sua banda inteira para entrar na brincadeira.

Claro, as atuações são ruins. Os seis da banda interpretam eles mesmos, e fica claro que, tirando Dave Grohl, eles não têm talento para atuar. E, para o azar do espectador, um dos papéis mais importantes ficou com Pat Smear, que me pareceu o pior ator dos seis. Rami Jaffe fica pouco atrás, também é um ator bem ruim, e mesmo assim usaram seu personagem para fazer o alívio cômico. Os outros 3, Nate Mendel, Chris Shiflett e Taylor Hawkings, têm papéis mais discretos e não atrapalham – Hawkings inclusive declarou que não leu suas falas no roteiro e decidiu improvisar todos os diálogos.

Também temos algumas participações interessantes no elenco. John Carpenter (que é um dos autores do tema dos créditos iniciais) aparece como um dos técnicos de som. Kerry King, guitarrista do Slayer, tem um papel pequeno. Steve Vai não aparece, apenas suas mãos, quando Grohl aparece tocando rápido. E Lionel Ritchie tem uma participação engraçadíssima. Também no elenco, Jeff Garlin, Whitney Cummings, Jenna Ortega, Will Forte e Jimmi Simpson.

Se no quesito atuação Terror no Estúdio 666 é fraco, isso é compensado no gore. O filme tem muito sangue e algumas mortes bem gráficas, boa parte delas (se não todas) usando efeitos práticos e de maquiagem – o que funciona muito melhor para a proposta do filme do que se usassem cgi. Também tem umas criaturas que parecem sombras que ficaram bem legais (mas acho que tinha algum cgi). E ainda tem uma referência a O Exorcista. Fãs do estilo vão curtir!

Terror no Estúdio 666 tem algumas situações absurdas no roteiro, tipo todos concordarem em entregar os celulares depois que encontram um cadáver. Mas, o objetivo do filme é ser uma grande brincadeira despretensiosa. Se você não levar a sério, vai se divertir. Pelo meu ponto de vista, a banda acertou em cheio, ia ser legal ver outros filmes despretensiosos com outras bandas.

Por fim, a nota triste. O filme foi lançado pouco antes do falecimento do baterista Taylor Hawkings. Fica difícil falar de uma brincadeira divertida na mesma época em que a banda perde um de seus membros.

Metal Lords

Crítica – Metal Lords

Sinopse (imdb): Dois amigos se reúnem para formar uma banda de heavy metal com uma violoncelista para participar de uma competição de bandas.

Às vezes a gente tem uma decepção, como foi com o recente Águas Profundas, que tem um bom diretor e um bom casal de protagonistas, mas que apesar disso é um filme bem ruim. E outras vezes a gente tem uma grata surpresa, quando vamos ver uma comédia adolescente sem ninguém muito conhecido no elenco principal, mas que proporciona divertidas e agradáveis duas horas em frente à tela. É o caso deste Metal Lords, nova comédia da Netflix.

Metal Lords foi dirigido por Peter Sollett, e escrito por D.B. Weiss, que curiosamente foi o co-criador e showrunner de Game of Thrones – que não tem nada a ver com este filme. Mas, lembrei de um vídeo que rolou um tempo atrás que tem tudo a ver. Era uma espécie de jam session de guitarristas tocando o tema de Game of Thrones, com o próprio D.B. Weiss tocando guitarra ao lado de Ramin Djawadi (compositor do tema), Tom Morello (Rage Against The Machine), Scott Ian (Anthrax) e Nuno Bettencourt (Extreme). E ele não faz feio! Ou seja, D.B. sempre foi um cara do rock. Ah, Ramin Djawadi e Tom Morello trabalharam na trilha sonora de Metal Lords.

Ok, a gente tem que reconhecer que Metal Lords não traz nada de novo. A gente já sabe como o filme vai se desenvolver e como vai terminar. Não é um filme para figurar em listas de melhores do ano. Mas, pode entrar em listas de bons filmes com temática rock’n’roll, como Escola de Rock, Still Crazy ou Rock Star. E, principalmente, é um filme leve e agradável, que deixa a gente com vontade de rever na primeira oportunidade.

Me perguntaram se me identifiquei com a banda, afinal, comecei a tocar na época do colégio, e tive uma fase de heavy metal no currículo. Mas, na verdade, na época do colégio minha banda era mais parecida com a banda “rival”, só comecei a tocar metal anos depois. Mas, claro, vivi algumas daquelas situações presentes no filme.

Gostei muito do trio principal do elenco, tanto pelos atores quanto pelos personagens. Falei que o elenco principal era de desconhecidos, né? Mais ou menos. O protagonista Jaeden Martell estava em It e Entre Facas e Segredos, não é um rosto completamente novo. Mas aqui em Metal Lords é que ele realmente tem espaço para mostrar um bom trabalho. Seu personagem Kevin tem um bom desenvolvimento, tanto na parte musical quanto na personalidade. Adrian Greensmith faz um personagem que é meio caricato, mas, acreditem, conheci gente igual. O garoto que só pensa no metal, filho de pai rico, com problemas de relacionamento com todos em volta – inclusive o pai. A menina Isis Hainsworth também é ótima, tanto a atriz quanto a personagem, mas achei que a mudança dela ficou meio abrupta. Mas, gostei da “nova Emily”.

Esqueci de falar, vemos os garotos tocando os instrumentos. Podem até não ser grandes músicos (não dá pra saber), mas pelo menos demonstram bem na tela.

Preciso citar aqui uma cena que achei muito boa, que é quando Kevin aprende a tocar War Pigs. No início do filme a gente vê que o garoto não toca direito e tem problemas com ritmo. Durante a War Pigs, vemos a evolução do Kevin, tanto na parte técnica tocando bateria, quanto na parte de postura e de figurino. A cena ficou muito legal!

Tem um detalhe que vou implicar, mas sei que é um preciosismo. A cena final, quando eles tocam na batalha das bandas, aquela música nunca seria tocada daquele jeito sem ensaio. Nem com músicos profissionais, muito menos com músicos amadores. Já subi no palco sem ensaio, mas eram músicas mais conhecidas e com menos convenções. Certamente eles errariam a execução. Mas… É “filme de sessão da tarde”, a gente releva isso e aceita que a música saiu sem nenhum tropeço.

Tem uma outra cena que achei genial, mas não sei se é spoiler, então vou colocar os avisos.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Tem uma cena onde Kevin “ouve vozes na sua cabeça”. Aí aparecem Scott Ian (Anthrax), Tom Morello (Rage Against the Machine), Kirk Hammett (Metallica) e Rob Halford (Judas Priest) para conversar com ele. Achei genial! Mas acho uma boa citar aqui quem são, porque o filme não explica quem é quem. Só quem realmente conhece as bandas de metal é que vai reconhecer.

FIM DOS SPOILERS!

Nem sei se era pra falar tanta coisa de um filme tão despretensioso, mas é que curti e terminei a sessão empolgado. Recomendo pra todos os que gostam de música!

5 Filmes com os Beatles

5 Filmes com os Beatles

Estreou na Disney+ um documentário sobre os Beatles. Peter Jackson, aquele mesmo que fez O Senhor dos Anéis, pegou 55 horas de material filmado em janeiro de 1969, tratou as imagens, e construiu um documentário mostrando os bastidores dos ensaios, composições e gravações do disco Let it Be. E o que mais chama a atenção é a qualidade das imagens – parece que foram captadas recentemente, com câmeras atuais.

Pensei em ver o documentário e comentar aqui, mas são quase 8 horas de filme, e confesso que bateu preguiça. Mas… Por que não lembrar de 5 filmes que falam direta ou indiretamente dos Beatles?

Em ordem cronológica…

Febre de Juventude (1978)

Primeiro filme de Robert Zemeckis, que seria um grande nome do cinema pipoca na década seguinte, com filmes como Uma Cilada Para Roger Rabbit, Tudo por uma Esmeralda e a trilogia De Volta para o Futuro, e que ganharia o Oscar nos anos 90 por Forrest Gump, Febre de Juventude (I Wanna Hold Your Hand, no original) não mostra os Beatles. O filme conta a história de um grupo de fãs que quer ver uma apresentação da banda no programa Ed Sullivan, pouco depois do lançamento da música I Wanna Hold Your Hand.

Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool (1994)

O filme é focado em Stuart Sutcliffe, que era o baixista dos Beatles antes da banda fazer sucesso. Na época que eles foram para a Alemanha para fazer shows em bares e tentar conseguir algum tipo de reconhecimento, Stuart, que também era pintor, se apaixona por uma artista plástica, e tem que decidir entre sua paixão ou continuar com a banda, onde é um reconhecido ruim instrumentista. Filme dirigido por Ian Softley e estrelado por Stephen Dorf e Sheryl Lee.

Across The Universe (2007)

Nos anos 60, o inglês Jude decide partir para os Estados Unidos, e lá se apaixona por Lucy, que se envolve com emergentes movimentos de contracultura, da psicodelia aos protestos contra a Guerra do Vietnã. O roteiro do musical é baseado em músicas dos Beatles. Quando as músicas não estão cantadas, elas estão faladas ou citadas por outros elementos – como os nomes dos personagens Jude, Lucy, Sadie, Prudence ou Jo Jo, todos personagens presentes em músicas. Dirigido por Julie Taymor e estrelado por Evan Rachel Wood e Jim Sturgess. (texto aqui no heuvi)

O Garoto de Liverpool (2009)

Outro filme que não fala dos Beatles. O principal foco de O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy no original), longa de estreia da diretora inglesa Sam Taylor-Wood, é nas conturbadas relações entre o adolescente John Lennon, sua mãe e sua tia. Ainda assim, a parte musical é bem legal. Lennon, então com 15 anos, aprende a tocar banjo, muda para o violão e monta, com colegas da escola, a banda The Quarrymen, através da qual conhece Paul e George. E o resto é história da música pop. (texto aqui no heuvi)

Yesterday (2019)

Um músico de fundo de quintal sofre um acidente, e quando acorda está em uma realidade paralela onde os Beatles nunca existiram. Ele agora é a única pessoa no planeta que conhece o repertório dos Beatles. Com direção de Danny Boyle e roteiro de Richard Curtis, Yesterday tem no elenco Himesh Patel, Lily James e Ed Sheeran e é o típico “feel good movie” – quando acaba o filme, a plateia se sente feliz. (texto aqui no heuvi)

Os Piratas do Rock

Crítica – Os Piratas do Rock

Sinopse (imdb): Um grupo de DJs rebeldes que cativaram a Grã-Bretanha, tocando a música que definia uma geração e enfrentando um governo que queria música clássica e nada mais, nas ondas de rádio.

Sei lá por que, nunca tinha ouvido falar deste filme, até que o Fernando Caruso, meu companheiro de Podcrastinadores, me recomendou. E que bela recomendação!

Escrito e dirigido por Richard Curtis (falei dele aqui outro dia, quando falei de Yesterday), Os Piratas do Rock (The Boat that Rocked, no original) tem bem a cara de um filme que heu vou gostar. Um elenco cheio de nomes legais, contando uma história rock’n’roll, ambientada nos anos 60. Pronto, já é o suficiente pra virar um dos meus filmes favoritos.

A história é baseada em eventos reais – a programação de rádio na Inglaterra era dominada pela BBC, que não tocava rock, então surgiam rádios piratas para suprir a demanda dos ouvintes. E sim, havia rádios que ficavam em navios!

Os Piratas do Rock não tem muita história, a trama se baseia na rica galeria de personagens e nas relações entre eles. Taí, daria uma boa série.

Ah, o elenco! O personagem principal é o desconhecido Tom Surridge, mas Os Piratas do Rock conta com Philip Seymour Hoffman, Bill Nighy, Nick Frost, Chris O’Dowd, Kenneth Branagh, Gemma Arterton, Rhys Ifans, January Jones, Emma Thompson e Jack Davenport, entre outros. Nada mal!

O filme é um pouco longo demais (duas horas e quinze minutos), achei umas partes cansativas no meio (tipo o “duelo” nos mastros do barco – pra que aquela cena?). Mas a sequência final é tão empolgante que a gente esquece disso e fica com vontade de rever logo.

Quero mais recomendações de filmes rock’n’roll assim!