O Quarto de Jack

O Quarto de JackCrítica – O Quarto de Jack

Um menino de 5 anos vive com sua mãe em um pequeno quarto, de onde nunca saiu, e por isso nunca teve contato com o mundo exterior.

Depois de contar uma história esquisita sobre um cara esquisito em Frank, o diretor Lenny Abrahamson resolveu contar uma história sobre um garoto que vive uma realidade esquisita no seu filme novo, O Quarto de Jack (Room, no original). E Abrahamson conseguiu mostrar um universo rico, mesmo confinado dentro de um pequeno quarto de poucos metros quadrados. O personagem Jack é ótimo!

Assim como em Frank, o forte aqui são as atuações. Brie Larson ganhou o Globo de Ouro e está concorrendo ao Oscar de melhor atriz (o filme concorre a outras três estatuetas, melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado), mas quem chama a atenção é Jacob Trembley, que interpreta o pequeno Jack, de 5 anos recém completados. Trembley entrega um personagem mais sólido que muito ator adulto por aí. Seu Jack vale o ingresso! William H. Macy e Joan Allen também estão bem, em papeis secundários.

O roteiro de O Quarto de Jack foi escrito por Emma Donoghue, autora do livro onde o filme se baseia. Não li o livro, não sei qual a sua estrutura, mas podemos dizer que o filme se divide claramente em duas partes. No meio da trama acontece um grande plot twist, que muda o rumo da história. E aí reside um problema: a segunda parte não é tão boa quanto a primeira. Nada que estrague o resultado final, mas o ritmo do filme nitidamente cai.

Mesmo assim, vale ver o pequeno Trembley.

Deadpool

DeadpoolCrítica – Deadpool

Um mercenário, ex soldado das Forças Especiais, é submetido a um experimento clandestino que o deixa com poderes de cura acelerados, e passa a usar o alter ego Deadpool.

O cinema de hoje tem um espaço generoso para filmes de super heróis, então dá pra arriscar com personagens pouco conhecidos e menos convencionais. Em 2014 tivemos Guardiões da Galáxia, um grupo de heróis que tinha um guaxinim e uma árvore entre eles; em 2015 foi a vez do Homem Formiga, que poucos sabiam quem era. E ambos constaram em listas de melhores filmes do ano. Agora temos um anti-herói politicamente incorreto, que fala besteira o tempo todo e sacaneia tudo e todos – inclusive ele mesmo. E, mais uma vez, forte candidato a listas de melhores do ano.

(Curiosamente, ambos os exemplos citados acima têm diretores com currículos de pouca expressão – James Gunn (Guardiões da Galáxia) e Peyton Reid (Homem Formiga). Deadpool é mais um exemplo, o filme foi dirigido pelo estreante Tim Miller.)

Tem gente que critica a Marvel por fazer filmes “engraçadinhos”. Pois bem, fico na dúvida se Deadpool é um “filme de ação bem humorado” ou uma comédia assumida. Desde os sensacionais créditos iniciais até a genial cena pós créditos, o filme não se leva a sério nunca! Gosto muito do humor presente aqui, cheio de referências e alfinetadas a muitos outros filmes – inclusive as duas outras incursões de Ryan Reynolds ao universo dos heróis são citadas. Além disso, temos muita metalinguagem e várias quebras da quarta parede. É, definitivamente este filme está bem longe da proposta “realista” do Batman do Christopher Nolan.

Não é só o humor que distancia Deadpool dos outros filmes da Marvel. O filme é muito mais violento que o padrão “sem sangue” que estamos acostumados. Também tem alguma nudez e algum sexo, nada excessivo, mas maior que a “média Marvel”.

Sobre o elenco: finalmente Ryan Reynolds tem um papel de super herói para se orgulhar. Ele foi o protagonista daquele desastroso filme do Lanterna Verde; depois fez um Deadpool todo errado naquele filme todo errado do Wolverine. O acompanham no elenco a brasileira Morena Baccarin, Gina Carano, Ed Skrein e T.J. Miller.

Deadpool não faz parte do MCU, o “Marvel Cinematic Universe” (Universo Cinematográfico da Marvel), o filme é da Fox, e não vai se comunicar com a galera dos Vingadores. Mas pelo menos tem um cameo do Stan Lee pra validar o “selo Marvel”.

Claro, tem gente que não vai gostar. Quem reclama das piadinhas presentes nos outros filmes da Marvel, por exemplo. Não é o meu caso. Como acredito na frase “cinema é a maior diversão”, adorei Deadpool. Que venham outros assim!

Podcrastinadores.S04E02 – Podcrast Awards 2016

Podcrast AwardsPodcrastinadores.S04E02 – Podcrast Awards 2016

Chegamos ao mês de fevereiro e, junto o com Carnaval, ao evento cinematográfico mais importante do ano: o “aclamado” Podcrast Awards, o evento que premia filmes e séries de TV e que o Leonardo DiCaprio teme mais que o Oscar! 😉

E aqui o negócio é sério, sem essa de melhor maquiagem ou melhor ator coadjuvante em série dramática com pegada política lançada em TV aberta. No Podcrast Awards você ficará conhecendo os melhores dos mais legais do último ano. O melhor herói, o melhor vilão, o personagem mais badass outras categorias que o Oscar queria muito ter. Mas não tem. 🙂

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O Regresso

O RegressoCrítica – O Regresso

Início do século XIX. Um comerciante de peles luta pela sobrevivência depois de ser atacado por um urso e deixado como morto por membros de sua própria equipe. Baseado numa história real.

Um ano depois de Birdman, Alejandro González Iñárritu apresenta mais um projeto impressionante. Se Birdman chamava a atenção por ser basicamente um único plano-sequência, todo passado num teatro (ou em volta dele), O Regresso (The Revenant, no original) traz vários planos-sequência, desta vez em sequências de ação ao ar livre – muitas delas violentíssimas!

A fotografia de Emmanuel Lubezki é um dos destaques. Lubezki ganhou os dois últimos Oscar de melhor fotografia (Gravidade em 2014 e Birdman em 2015), e não será surpresa se levar o terceiro seguido. Com exceção de uma única cena noturna ao lado de uma fogueira, tudo foi filmado usando luz natural. Isso somado às paisagens naturais dá um resultado visual belíssimo.

A opção de se usar apenas luz natural claro que atrasou a produção, afinal, eram poucas horas de filmagem por dia. A ideia era filmar durante o inverno canadense, mas quando o clima lá começou a esquentar, a equipe se mudou para o sul da Argentina para terminar as filmagens.

(É impressionante notar que esse projeto grandioso veio um ano depois do Birdman. Os fãs do cinema-espetáculo agradecem o fato de Iñárritu ser workaholic…)

Também não podemos deixar de falar da atuação de Leonardo DiCaprio. Ele está mais uma vez indicado ao Oscar, e a piada que rola é que se ele não ganhar desta vez, é melhor desistir. DiCaprio se entrega ao papel de uma maneira poucas vezes vista no cinema contemporâneo. Só pra citar um exemplo: em determinada cena, o personagem come um fígado de bisão. O ator é vegetariano, então arranjaram uma panqueca pra ele comer em cena. DiCaprio disse que ia ficar muito artificial, e resolveu comer um fígado de bisão de verdade! E isso porque não estou falando de outros “detalhes” como ter que aprender línguas indígenas ou carregar uma pele real de urso que pesava 50 kg. DiCaprio nunca mereceu tanto esse Oscar!

O resto do pequeno elenco também está bem. Tom Hardy, o Mad Max, também ganhou sua indicação ao Oscar. Domhnall Gleeson mostra que tem um ótimo agente, porque depois de ser um Weasel secundário na saga Harry Potter, ele está aqui, além de ser o General Hux do novo Star Wars. Ainda no elenco, Will Poulter, Forrest Goodluck e Lukas Haas.

O visual do filme é belíssimo, mas temos que reconhecer que o ritmo é arrastado. O início é bom, o fim é bom, mas o meio é interminável. Com quase duas horas e quarenta, O Regresso é longo demais, algumas cenas poderiam facilmente ser cortadas. Alguma sequências “terrencemallikianas” estão sobrando…

Mesmo assim, é um grande espetáculo. Tanto que é o favorito ao Oscar 2016…

Caçadores de Emoção: Além do Limite

Caçadores de Emoção Além do LimiteCrítica – Caçadores de Emoção: Além do Limite

E a onda de refilmagens continua!

Um jovem agente do FBI se infiltra num grupo que pratica esportes radicais, suspeitos de estarem por trás de audaciosos e sofisticados golpes terroristas.

Antes de tudo, precisamos reconhecer que o primeiro Caçadores de Emoção, lançado em 1991, dirigido pela Kathryn Bigelow na época que fazia filmes pop (antes de fazer filmes sérios e ganhar o Oscar), era uma grande e divertida bobagem. Por que sua refilmagem não seria o mesmo?

Tendo isso em mente, Caçadores de Emoção: Além do Limite (Point Break, no original) não é um filme exatamente ruim. É um filme com a mesma pegada pop do original: belas imagens, esportes radicais, alguma dose de ação e um fiapo de história pra justificar isso. Com a vantagem de ter mais opções nos esportes radicais.

O novo Caçadores de Emoção ainda tem um mérito: o roteiro escrito por Kurt Wimmer traz uma adaptação da história para os dias de hoje, quando baseia a ação dos terroristas em oito grandes desafios de esportes radicais – assim eles não são apenas ladrões, eles têm uma motivação espiritual.

Pena que vários aspectos do filme ficaram devendo. A principal personagem feminina do filme original, a Tyler de Lori Petty, tinha um papel importante na trama; Samsara, interpretada por Teresa Palmer, é apagada e desnecessária. A dupla principal, Edgar Ramirez e Luke Bracey, .também perde no carisma, se comparados a Keanu Reeves e Patrick Swayze. Isso fora alguns diálogos horríveis e uma maquiagem preguiçosa.

Se salva o visual das sequências de ação. O diretor Ericson Core também trabalhou como diretor de fotografia, e tomou cuidado com o visual do filme. Só faltou um hard rock dos anos 80 pra virar um grande (e velho) comercial do cigarro Hollywood…

Reza a Lenda

Reza a LendaCrítica – Reza a Lenda

O “Mad Max brasileiro”!

No árido Nordeste, um grupo de motociclistas procura uma santa que, reza a lenda, vai fazer chover se colocada no lugar certo.

Na verdade, Reza a Lenda é bem diferente de Mad Max. O trailer do filme dirigido por Homero Olivetto faz a gente pensar que são parecidos – assim como a caracterização da personagem de Sophie Charlotte lembra muito a Furiosa da Charlize Theron. Mas a trama do filme brasileiro guarda poucas semelhanças com o filme australiano.

Reza a Lenda não é um grande filme. Mas é um filme importante para a filmografia brasileira. A gente precisa ter opções de filmes diferentes dentro do “gênero cinema nacional” – quase todos os filmes lançados por aqui são dramas e comédias com cara de Globo Filmes. Precisamos de variedade neste “cardápio”!

Tecnicamente, Reza a Lenda não vai decepcionar o espectador que for ao cinema atrás de um filme de ação. O filme traz boas sequências de ação e tem um ritmo empolgante. Pena que nem tudo funciona. Alguns pontos da trama não fazem muito sentido, como quase toda a subtrama do Galego Lorde.

No elenco Cauã Reymond (também produtor) segura bem a onda, mas gostei mais do vilão de Humberto Martins. Quem decepciona é Sophie Charlotte, que fica apagada quando divide a tela com Luísa Arraes. Também no elenco, Jesuíta Barbosa, Sílvia Buarque e Júlio Andrade.

Apesar de não ser um grande filme, aguardo ansiosamente por outros assim!

Podcrastinadores.S04E01 – Filmes de Faroeste

podcast faroestePodcrastinadores.S04E01 – Filmes de Faroeste

Bem vindos senhoras e senhores à quarta temporada do Podcrastinadores!

E a gente começa o ano não só falando do novo filme do Quentin Tarantino, Os Oito Odiados, mas fazendo toda uma análise dos grandes clássicos filmes de faroeste, pra você que não conhece muito se animar em assistir, e pra você que é fã, relembrar desses filmes que já foram o grande hit das produções americanas e italianas.

Vamos falar tanto de Sete Homens e um Destino, Por um Punhado de Dólares, Butch Cassidy and Sundance Kid, etc, como lembrar das produções das duas últimas décadas, como Imperdoáveis, Jovens Demais Pra Morrer, Maverick, e por aí vai.

Não perca esse bate-papo divertido e informativo com Fernando CarusoGustavo Guimarães, Helvecio Parente, Rodrigo Montaleão, Tibério Velasquez e Carlos Voltor.

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A Quinta Onda

A Quinta OndaCrítica – A Quinta Onda

Pelo trailer, parecia ser um bom filme de apocalipse alienígena. Ah, como os trailers enganam…

Quatro ondas de ataques alienígenas, cada vez mais mortais, dizimam a maior parte da população da Terra. Neste cenário, uma jovem tenta desesperadamente salvar seu irmão mais novo.

Antes de tudo, um aviso: por mais que tenha elementos de cinema catástrofe, A Quinta Onda (The 5th Wave, no original) é muito mais próxima de sagas teen de futuro distópicas como Jogos Vorazes, Maze Runner e Divergente (e até mesmo Crepúsculo). Só soube depois da sessão de imprensa, o filme se baseia numa série de livros direcionados a “jovens adultos”, escritos por Rick Yancey.

A Quinta Onda até começa bem. Mas quando começa o papinho romântico, vai tudo ladeira abaixo. E, no meio dos clichês presentes, temos até o triângulo amoroso… Vou te falar, na sessão para críticos, algumas cenas teoricamente sérias proporcionaram gargalhadas…

Pra piorar, muitas coisas parecem recicladas de outros filmes. Impossível não lembrar de Independence Day na primeira cena onde as naves aparecem, e os aliens são iguais aos “face hughers” de Alien. E não quero estragar o filme de ninguém, mas me lembrei de Marte Ataca na cena onde os inimigos estão com a “cabeça verde”…

Os méritos do filme ficam abafados por toda a baboseira. Os efeitos especiais da primeira parte são eficientes, mas estão quase todos no trailer. Chloe Moretz, veterana apesar da idade, não atrapalha, mas nem de longe lembra o seu início de carreira.

Ah, sobre o elenco, tenho outro comentário: o que aconteceu com a Maria Bello? Ok, sabemos que ela já tem 48 anos, mas ela sempre fez papeis de mulheres bonitas (e seus fãs hão de se lembrar de sua generosa nudez em Marcas da Violência, dez anos antes). Maria está acabada aqui, parece bem mais velha e mal cuidada. Espero que seja maquiagem! Ainda no elenco, Liev Schreiber, Ron Livingston, Nick Robinson e Maika Monroe.

No fim do filme, temos um gancho pra continuação. Deve vir por aí uma Sexta Onda…

Steve Jobs

steve jobsCrítica – Steve Jobs

Um retrato do inventor e empresário co-fundador da Apple. A história se desenrola nos bastidores de três lançamentos de produtos icônicos.

Com roteiro de Aaron Sorkin (A Rede Social), a narrativa de Steve Jobs (idem, no original) é interessante. Em vez de uma cinebiografia clássica, onde acompanhamos a vida do biografado, o filme se divide em três momentos: os bastidores dos momentos antes dos lançamentos do Macintosh, em 84, do NeXT, em 88 e do iMac, em 98.

O elenco é muito bom – Kate Winslet acabou de ganhar o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante e ser indicada ao Oscar; Michael Fassbender também concorre à estatueta pelo filme. Também no elenco, Seth Rogen, Jeff Daniels, Michael Stuhlbarg e Katherine Waterston.

Steve Jobs tem alguns problemas. Michael Fassbender é um grande ator, é sempre um prazer vê-lo atuando, mas… Quando vi o filme, não vi o personagem Jobs na tela, só vi o ator Fassbender. Ok, o cara é bom, mas talvez fosse melhor ter um ator menos famoso, pra gente entrar mais facilmente no personagem.

Outro problema é que, como a narrativa só mostra três momentos distintos da carreira de Jobs, algumas coisas ficam sem explicação para quem nunca acompanhou o desenvolvimento da Apple – saí do cinema e fui catar no google mais informações sobre Apple II e NeXT…

Além disso, são muitos diálogos. Cansa ficar duas horas vendo um cara arrogante brigar com um monte de gente. Pelo menos o estilo pop de Danny Boyle ajuda no ritmo, com cortes rápidos, música alta e até projeções nas paredes do cenário.

Mas, no geral, acho que Boyle ainda nos deve algo mais semelhante ao seu início de carreira…

Podcrastinadores.S03E29 – Expectativas para 2016

Podcrastinadores - Expectativas 2016Chegou o final de 2015 e nada de férias pros Podcrastinadores! :)

Adiantamos o próximo episódio para você entrar o ano com um programa novinho no seu dispositivo, e conhecer os melhores filmes que virão durante todo o ano de 2016! Assim, encerramos a terceira temporada debatendo nossas expectativas para Capitão América: Guerra Civil, Batman Vs Superman, X-men: Apocalypse, Esquadrão Suicida, e muitos outros super lançamentos para deixar qualquer cinéfilo sem dormir até o final do ano que vem!

Contendo a ansiedade neste episódio estão Gustavo Guimarães, Helvecio Parente, Rodrigo Montaleão, Tibério Velasquez e Fernando Caruso.

Um ótimo 2016 para todos nós!

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