No Olho do Tornado

no-olho-do-tornado-posterCrítica – No Olho do Tornado

“Rebootaram” Twister! 😛

Pesquisadores seguem um tornado, que ameaça destruir uma pequena cidade, bem no dia da formatura do colégio local.

Ok, a frase inicial foi só uma ironia. É que, apesar de No Olho do Tornado (Into The Storm, no original) e Twister serem filmes independentes entre si, ambos têm tramas bem parecidas. Temos até um tornado de força F5 na parte final…

Se No Olho do Tornado peca pela falta de criatividade, pelo menos é eficiente na parte técnica. Auxiliados por impressionantes efeitos sonoros, os tornados são absurdamente bem feitos. Este é daqueles filmes para se ver na tela do cinema, os efeitos são assustadores.

Pena que a parte “humana” do filme dirigido pelo pouco conhecido Steven Quale não é tão boa. Se a catástrofe é empolgante, os dramas dos personagens são tão chatos que quase dá vontade de torcer pro tornado matar todo mundo. Ambos os núcleos são desinteressantes, tanto os pesquisadores que estão atrás do tornado, quanto o pai com problemas com os filhos. Só se salvam os dois “idiotas do youtube”, personagens feitos para criticar a geração “15 minutos de fama”, e que servem como alívio cômico. Os dois têm algumas cenas bem engraçadas.

A narrativa se alterna entre a tradicional e a câmera subjetiva, aquela com os personagens filmando. Foi uma boa escolha, se o filme fosse todo com câmera subjetiva, as cenas mais importantes de destruição iriam se perder.

No elenco, uma curiosidade: Gary, o pai dos meninos, é interpretado por Richard Armitage, o anão Thorin Escudo-de-Carvalho da saga O Hobbit. Sim, ele tem 1,89 m. Peter Jackson usa atores de “tamanho normal” e os diminui por truques de câmera ou cgi… Também no elenco, Sarah Wayne Callies, a Lori de The Walking Dead.

Concluindo, No Olho do Tornado pode não ser um grande filme, mas pelo menos oferece uma boa e honesta diversão para quem vai ao cinema atrás de emoções de parques de diversão.

p.s.: Uma das cenas mais famosas de Twister é a vaca voando, levada pelo tornado. Em No Olho do Tornado, prestem atenção quando eles estão voltando para a escola. Uma vaca voa, lá no meio do caos! Gostei da homenagem!

Lucy

0-lucy-Poster com informação errada, Besson não dirigiu Busca ImplacávelCrítica – Lucy

Opa! Filme novo do Luc Besson, voltando à ação / ficção científica!

Uma mulher acidentalmente ingere grande quantidade de uma droga experimental que a faz expandir sua capacidade cerebral e praticamente lhe dá super-poderes.

Antes de tudo, preciso avisar: cuidado com o trailer de Lucy. Pelo trailer, o filme parece um novo Nikita – uma mulher aparentemente frágil kicking ass. Mas não é bem assim, o foco é mais para a ficção científica cabeça e menos para a ação.

Dito isso, vamos ao filme. É preciso muita suspensão de descrença pra curtir Lucy. Primeiro para acreditar que uma droga experimental no seu organismo elevaria a capacidade cerebral em vez de causar uma overdose. Segundo, para acreditar que uma pessoa com 100% da capacidade do cérebro crie super-poderes mágicos, tipo mudar a cor do cabelo instantaneamente ou fazer pessoas e objetos flutuarem. Sério mesmo que uma pessoa com 100% do cérebro seria capaz de ignorar as leis da física?

(Sem Limites, filme de 2011 estrelado pelo Bradley Cooper, que também traz um personagem que atinge 100% da capacidade cerebral com o uso de uma droga, não desrespeita as leis da física…)

O roteiro, também escrito por Besson, além de ser um grande “papo cabeça pseudo”, tem suas falhas. Tudo é didático demais! Não apenas temos o personagem do Morgan Freeman cujo único objetivo no filme parece ser explicar o que acontece em cada etapa do desenvolvimento do potencial do cérebro, como o filme é repleto de enxertos de metáforas com animais. Precisava disso tudo, sr. Besson?

(O curioso é que Besson já escreveu dezenas de roteiros para outros diretores, ele não é um roteirista “calouro”.)

Se o espectador “comprar” tudo isso, o filme pode funcionar. Besson é um dos melhores diretores contemporâneos de ação, e consegue criar algumas sequências eletrizantes.

Sobre o diretor e roteirista Besson: confesso que me decepcionei. Sou fã do cara desde os anos 80, época de Subway Imensidão Azul, lembro quando vi Nikita nos cinemas – foi a primeira vez que vi um bom filme de ação que não era falado em inglês. Segui acompanhando sua carreira, O Profissional, O Quinto Elemento, até seu tropeço com Joana D’Arc. Depois disso ele passou a dirigir menos, mas escreveu vários roteiros e produziu um monte de filmes (quase todos de ação). Voltou à direção com projetos de outros estilos, a trilogia infantil Arthur e os Minimoys, os dramas Angel-A e Além da Liberdade, a aventura As Múmias do Faraó e a comédia A Família. Pelo trailer, parecia que Lucy seria a sua volta aos filmes de ação. Nada disso, o filme está mais perto do recente papo cabeça de Transcendence do que da porradaria de Nikita

No elenco, o nome é Scarlett Johansson, em excelente fase, ela carrega o filme nas costas tranquilamente. Morgan Freeman é um coadjuvate de luxo, como disse antes, parece que ele só está ali para explicar o filme, seu papel não é muito necessário. O mesmo podemos dizer de Amr Waked, o policial francês, se tirar o personagem do filme nada muda. Por fim, tem Min-sik Choi, aquele mesmo de Oldboy, aqui fazendo um bom vilão.

Enfim, bom saber que Besson fez algo melhor do que A Família. Mas ainda espero que ele volte à sua forma dos anos 80 e 90…

p.s.: O poster nacional está errado. Luc Besson não dirigiu Busca Implacável

Sex Tape

0-SexTapeCrítica – Sex Tape

Um casal resolve fazer um filme pornô caseiro para apimentar a sua vida sexual. Ela pede para apagar o filme, mas ele acidentalmente sincroniza o vídeo para vários iPads que o casal tinha dado ao longo do tempo. Agora eles querem tentar trazer todos os iPads de volta, levando a uma série de encontros estranhos na busca.

Sex Tape – Perdido na Nuvem (Sex Tape, no original) é a nova parceria entre o diretor Jake Kasdan e os atores Cameron Diaz e Jason Segel, os mesmos que três anos antes fizeram Professora Sem Classe, filme com boas ideias, mas com resultado meia bomba.

Sex Tape também tem uma premissa mais interessante do que o resultado final, mas pelo menos é mais engraçado que o filme anterior. Alguns momentos são hilários, como toda a sequência na casa do personagem do Rob Lowe, que, apesar de absurda (aquilo tudo nunca aconteceria na vida real), é muito bem orquestrada.

Pena que nem tudo funciona. O humor segue uma linha delicada, que beira a grosseria. A princípio pensamos em uma comédia romântica, pelo elenco, mas tem muitas piadas de baixo calão…

No elenco, Cameron Diaz e Jason Segel fazem o de sempre, e funcionam dentro do esperado. A surpresa está em Rob Lowe, num papel engraçadíssimo. Ainda no elenco, Ellie Kemper, Rob Corddry, e uma ponta de Jack Black.

Ah, é bom avisar: Sex Tape tem uma pegadinha para os fãs de Cameron Diaz. É que ela deu entrevistas falando de cenas de nudez, onde ela e Jason Segel estariam completamente nus. Verdade, eles estão nus em algumas cenas, mas ela quase não mostra nada.

O Que Será de Nozes?

0-O que será de nozes - posterCrítica – O Que Será de Nozes?

Mais uma animação com cara de início de franquia…

Um incorrigível esquilo egoísta é expulso do parque onde morava, com vários outros animais, no meio de uma crise de falta de comida. Mas ele planeja sua volta ao parque quando descobre uma loja de nozes.

Há pouco falei aqui de Khumba, um desenho com cara de Hollywood, mas feito na África do Sul, e que parece uma mistura de Madagascar com O Rei Leão. O Que Será de Nozes tem algumas semelhanças: parece Os Sem Floresta, mas com o Remy de Ratatouille; tem cara de Hollywood, mas é uma produção sul-coreana (co-produção, junto com EUA e Canadá). Outra semelhança: ambos são bonitinhos – e fraquinhos.

Dirigido por Peter Lepeniotis (Toy Story2), O Que Será de Nozes (The Nut Job, no original) é simpático e bem feito. Mas só, muito pouco para hoje em dia, quando a Pixar, a Disney, a Dreamworks e a Blue Sky elevaram a qualidade das animações a um patamar bem alto.

Alguns personagens são muito bons – Mano, o rato que parece irmão do Remy, consegue ser um coadjuvante excelente sem dizer nenhuma palavra. A parte técnica é bem cuidada, temos ângulos criativos ao longo de todo o filme. Mas a trama é bobinha e previsível, e o ritmo é tão lento que parece até que o filme dura bem mais do que os 85 minutos de projeção.

Teve uma coisa que me incomodou um pouco na tradução, mas não sei se aconteceu na transição entre o coreano e o inglês, ou entre o inglês e o português. É que durante todo o filme os personagens só falam em “nozes”, quando vemos claramente outros alimentos na tela. Alguns até parecem amendoins. Será que a palavra “nut” é tão abrangente?

A sessão para a imprensa foi dublada em português, não sei se teremos versões legendadas em cartaz. Tomara que sim, a versão em inglês tem vários nomes legais no elenco: Liam Neeson, Katherine Heigl, Will Arnett, Brendan Fraser e Maya Rudolph.

Ah, sim, tem o “fator Coreia do Sul”. Qual foi o último grande sucesso mundial vindo daquele país? O popstar gordinho Psy e o seu Gangnam Style. Bem, não só a música está na trilha sonora, como vemos uma versão desenhada do Psy dançando com todo o elenco durante os créditos. É, concordo, não precisava…

Por fim, um lembrete: tem uma cena extra no fim dos créditos, curtinha e muito mais engraçada do que o Gangnam Style.

O Dia Seguinte (1983)

O Dia SeguinteCrítica – O Dia Seguinte

Há muito tempo heu queria rever O Dia Seguinte, só tinha visto uma vez, no cinema, lá nos anos 80. Aproveitei o podcast de filmes catástrofe e catei o dvd.

Anos 1980, auge da guerra fria. Em meio à vida cotidiana e normal, são apresentados ao espectador os fatos que culminam na tão temida guerra nuclear, que acontece depois de uma crise diplomática que se agrava entre os EUA e a URSS após esta ter invadido a parte ocidental de Berlim, Alemanha.

Hoje, em 2014, é difícil de se visualizar o tamanho do impacto que O Dia Seguinte teve na época do lançamento. O mundo vivia o auge da guerra fria – que tinha, de um lado, os EUA com várias armas nucleares apontadas para a URSS, e, do outro, a URSS com o mesmo potencial bélico apontado para os EUA. A gente sabia que se um dos lados “apertasse o botão”, ia ser lançada uma quantidade de bombas suficientes para detonar várias vezes todo o planeta.

O Dia Seguinte (The Day After, no original) foi dirigido por Nicholas Meyer, que foi um nome importante no universo trekker. Um ano antes Meyer dirigira aquele que é considerado por trekkers o melhor dos filmes de Star Trek, o Star Trek 2 – A Ira de Khan; depois, Meyer também escreveria o roteiro de Star Trek IV e dirigiria Star Trek VI. Mas aqui ele ficou só no drama, o filme, apesar dos efeitos especiais, é um drama, não tem nada de ficção científica.

Com pouco mais de duas horas de duração, o ritmo do filme não é bom, principalmente na primeira parte. Somos apresentados aos personagens, enquanto ouvimos trechos de noticiários que falam da tensão entre os países e a iminente guerra. E tudo é muito arrastado, são 45 minutos intermináveis!

Sobre o momento chave, a parte das explosões atômicas: alguns efeitos especiais “perderam a validade”, mas no geral, o filme continua impactante. E a terceira parte do filme, com o que acontece nos meses depois das bombas (e não apenas no “dia seguinte”, como sugerido pelo título), continua desoladora e pessimista. No fim do filme, lemos uma mensagem que um ataque nuclear provavelmente seria ainda pior do que o que foi mostrado no filme.

O Dia Seguinte foi originalmente uma produção para a tv, feita pelo estúdio ABC. Mas aqui no Brasil, foi lançado nos cinemas. Me lembro perfeitamente de sair do cinema Petrópolis e estranhar que o mundo ainda estava inteiro lá fora, ainda estava de dia, ainda tinham árvores nas ruas… Sim, o filme foi muito impactante na época!

A Espinha do Diabo

el-espinazo-del-diabloCrítica – A Espinha do Diabo

Aproveitei o evento Sanguecine, no Cine Joia, pertinho da minha casa, pra revisitar A Espinha do Diabo, filme que heu queria rever há anos.

Espanha, 1939. Durante a guerra civil, um menino de dez anos de idade é levado a um orfanato isolado da cidade. Lá, ele aprende a conviver com adultos agressivos e crianças perturbadas pela atmosfera do lugar, e com o espírito de um ex-aluno que clama por vingança.

Apesar do nome remeter ao assunto, (El Espinazo del Diablo no original, The Devil’s Backbone em inglês) não tem nada de demoníaco. Sim, é terror, mas é uma história de fantasma.

O diretor Guillermo Del Toro (Hellboy, Círculo de Fogo), hoje um nome famoso mundialmente, era pouco conhecido na época, mas conseguiu chamar a atenção com este seu terceiro longa metragem, com um misto de terror, suspense e drama, e uma história sólida e com bons personagens (ele é um dos co-roteiristas). Anos depois ele voltaria ao ambiente da guerra civil espanhola em outro excelente filme fantástico, O Labirinto do Fauno. Muita gente considera estes dois os melhores filmes de Del Toro.

Gosto de ver filmes “off Hollywood”. Co-produção México e Espanha, A Espinha do Diabo tem um clima tenso e um estilo de violência que nunca seriam feitos pelos grandes estúdios americanos. O mesmo posso dizer sobre o uso de crianças no filme.

Falando nas crianças, o elenco infantil é bom, mas acho que nenhum dos meninos ficou famoso – Fernando Tielve (Carlos) e Íñigo Garcéz (Jaime) também estiveram em Labirinto do Fauno, mas em papeis menores. Entre os adultos, acho que o maior nome era o de Marisa Paredes, habitual colaboradora de Pedro Almodóvar (que foi produtor executivo aqui). Eduardo Noriega esteve recentemente em O Último Desafio, ao lado de Schwarzenegger e Rodrigo Santoro. Completam o quarteto Irene Visedo e Federico Luppi.

Diferente de alguns filmes de fantasmas por aí, a assombração de A Espinha do Diabo logo mostra a cara, o filme não esconde de ninguém o seu assustador fantasminha. Aliás, a caracterização do fantasma é muito boa, todos os efeitos especiais funcionam bem.

Até onde sei, A Espinha do Diabo nunca foi lançado em dvd ou blu-ray por aqui. Vi muito tempo atrás, ainda na época do vhs. Anos depois consegui comprar o dvd importado, mas estava com preguiça de ver com legendas em inglês. Viva o Sanguecine, viva o Cine Joia!

As Tartarugas Ninja (2014)

0-tmnt-posterCrítica – As Tartarugas Ninja (2014)

A nova versão das Tartarugas Ninja!

Em uma Nova York dominada pela gangue Clã do Pé, um diferente grupo de defensores da lei surge vindo dos esgotos: as Tartarugas Ninja!

As Tartarugas Ninja surgiram nos quadrinhos e tiveram três filmes entre 1990 e 93, um longa de animação em 2007, um seriado com atores em 97, e mais três séries de desenhos animados para a tv (87, 2003 e 2012). Não li os quadrinhos, nem vi os desenhos, minhas comparações serão com os filmes, ok?

Quando anunciaram um remake pelas mãos do Michael Bay, os fãs ficaram preocupados. E quando o novo visual das tartarugas foi divulgado, a preocupação aumentou – como assim, tartarugas com nariz?

Mas, o resultado nem ficou tão ruim. Bay ficou só na produção, sendo assim, As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles, no original) não tem muitas explosões, e a câmera não é tão tremida. Além disso, o visual das tartarugas não é tão bom quanto o dos filmes dos anos 90, mas não incomoda tanto assim ver tartarugas que não têm cara de tartarugas.

Apesar de seus furos no roteiro, o filme dirigido por Jonathan Liebesman (Batalha de Los Angeles, Fúria de Titãs 2) é divertido, e as tartarugas proporcionam momentos bem engraçados, cheios de piadinhas com referências ao universo pop – Michelangelo cita Star Wars, Harry Potter, Batman e Superman, entre outros. E a cena do MC Mikey no elevador é sensacional!

O visual das tartarugas mudou para pior, acho que isso foi um consenso (vi até piada no 9Gag sobre isso). Mas, se antes parecia que a única diferença era a cor da máscara, agora pelo menos os quatro estão mais diferentes entre si, conhecemos melhor as personalidades de cada um. Além disso, o cgi é bem feito, e todos os quatro se movimentam bem.

(Ah, o rato, Mestre Splinter, era um muppet mal feito na versão antiga, este personagem ficou bem melhor.)

Claro, nem tudo funciona. O elenco “humano” é um dos pontos fracos. Enquanto Megan Fox atuando é um zero à esquerda, Will Arnett está particularmente irritante. William Fichtner está previsível e caricato (matar um capanga só pra ilustrar seu ponto foi exagero, não?), mas pelo menos atua bem. Agora, o vilãozão Shredder é a pior coisa do filme. Não só é um vilão bobo que não mete medo em ninguém, como a sua origem (que estava no filme de 90) foi ignorada. Ah, o Mestre Splinter é dublado por Tony Shalhoub e Johnny Knoxville faz a voz do Leonardo.

Sobre os furos no roteiro. Não vou falar spoilers, mas queria que alguém me explicasse o que parou a queda das tartarugas no fim do filme. Outra coisa: se o sangue da tartaruga era importante, por que os vilões deixaram uma para trás?

Mas, enfim, quem estiver com baixas expectativas vai se divertir.

Como consertar o novo filme das Tartarugas Ninjas

Como consertar o novo filme das Tartarugas Ninjas

As Minas do Rei Salomão (1985)

As-Minas-do-Rei-SalomaoCrítica – As Minas do Rei Salomão

Desde o podcast sobre Indiana Jones tenho vontade de rever os filmes de aventura que surgiram no rastro, como Tudo Por Uma Esmeralda e A Joia do Nilo e os dois filmes do Allan Quatermain. Catei este As Minas do Rei Salomão para rever – mas não lembrava que era tão tosco…

Na época da Alemanha nazista, o aventureiro Allan Quatermain se une a uma pesquisadora que quer encontrar seu pai, desaparecido na África enquanto procurava as minas do Rei Salomão.

Ok, a gente sabe que, na literatura, o personagem Allan Quatermain é mais antigo que o Indiana Jones, assim como sabe que existiu um filme As Minas do Rei Salomão em 1950. Mas, apesar de saber isso tudo, este filme, lançado em 1985, é uma cópia descarada das aventuras do arqueólogo interpretado por Harrison Ford – tem até nazistas na história. E, o pior: uma cópia mal feita.

As Minas do Rei Salomão é quase um filme trash. São tantas as situações ridículas que fica difícil de contar todas! Não sei o que é mais tosco, se é o vilão alemão que parece saído de um filme d’Os Trapalhões, ou se é a cena que Quatermain entra em um vagão de trem cheio de soldados alemães e os enrola cantando uma música, ou se é o povo que vive de cabeça para baixo, ou se é o caldeirão cheio de frutas de plástico (reparem que, quando está rolando, o caldeirão tem um formato diferente!), ou… Se for listar aqui, não acabo hoje…

No elenco, o papel principal estava com Richard Chamberlain, meio canastrão, mas um nome famoso por sua carreira na tv, com participações em vários seriados, minisséries e telefilmes. Sharon Stone, então com 27 anos, ainda era um nome quase desconhecido – depois ela ainda faria alguns filmes B (Loucademia de Polícia 4, Action Jackson) antes de alcançar o estrelato nos anos 90. John Rhys-Davies, que era amigo do mocinho em Caçadores da Arca Perdida, aqui faz um vilão, enquanto Herbert Lom faz o alemão caricato.

Teve uma continuação em 1986, Alain Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido, também estrelada por Chamberlain e Stone. A crítica considera este segundo filme ainda pior do que o primeiro. É, acho que não vou rever.

Agora preciso de coragem pra rever Tudo Por Uma Esmeralda. Mas, com Robert Zemeckis na direção, e Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny De Vito no elenco, acho difícil ser tão tosco quanto este As Minas do Rei Salomão.

Os Mercenários 3

0-os-mercenarios-3Crítica – Os Mercenários 3

O terceiro filme de uma das mais divertidas franquias do cinema recente!

Barney (Stallone) descobre que Stonebanks, um dos fundadores de sua empresa de mercenários, dado como morto há tempos, não só está vivo como virou um grande contrabandista de armas. Agora Barney quer montar um novo time para partir para uma missão pessoal atrás de seu ex-companheiro.

O primeiro Mercenários foi uma agradável surpresa, uma reunião de veteranos de filmes de ação, trazendo alguns lutadores contemporâneos como coadjuvantes. O segundo foi ainda mais divertido quando trouxe outros ícones e investiu nas piadas ligadas ao elenco – Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger têm uma sequência engraçadíssima com várias citações a filmes antigos de ambos, e Chuck Norris chega a citar uma piada famosa na internet.

E agora? Será que o terceiro segura a onda?

Não…

Era uma boa expectativa. Se não tinha Bruce Willis, nem Mickey Rourke e Eric Roberts (que estavam no primeiro) e Jean Claude Van Damme e Chuck Norris (que estavam no segundo), o elenco desta vez contava com Harrison Ford e Mel Gibson. Ou seja, Rambo e o Exterminador do Futuro encontram Han Solo e Mad Max! E não parava aí: ainda tinha Antonio Banderas e Wesley Snipes (ambos trabalharam com Stallone nos anos 90, Snipes fez O Demolidor em 93; Banderas fez Assassinos em 95), além da volta de Jason Statham, Dolph Lundgren e Jet Li. Caramba, como um elenco desses pode dar errado?

(Ainda no elenco, temos Randy Couture e Terry Crews, que estavam nos outros filmes – mas Crews quase não aparece, li que ele estava enrolado com as filmagens da série Brooklyn 99. E também tem Kelsey Grammer e Robert Davi em papeis pequenos mas importantes.)

Vamos aos problemas. Em primeiro lugar, o filme dirigido pelo pouco conhecido Patrick Hughes (é seu segundo longa metragem) tem muitos personagens. Não tem espaço pra tanta gente num filme de duas horas e pouco, alguns têm participações minúsculas – por exemplo, Jet Li aparece tão rápido que não dá tempo de bater em ninguém.

Mas na minha humilde opinião, o pior problema é a nova geração. Determinado momento do filme, Stallone quer um novo time de mercenários, formado por Ronda Rousey, Victor Ortiz, Kellan Lutz e Glen Powell. Isso não só incha ainda mais o elenco como ainda traz alguns personagens sem carisma. Quem quer saber de novatos se você pode ver os veteranos em ação?

(Pra mim, isso foi uma estratégia. Não me espantarei se em breve vermos um spin-off com o novo time.)

Ah, tem um agravante. Ronda Rousey é bonita e bate bem. Mas há tempos não vejo uma atuação tão ruim! Heu achava que a Gia Carano era má atriz, mas vi que tem gente pior…

Além do excesso de personagens e da falta de carisma de alguns deles, Os Mercenários 3 ainda tem outros dois problemas. Um deles é o cgi preguiçoso. É inadmissível uma produção deste porte usar efeitos digitais tão vagabundos. Alguns efeitos lembram produções da Asylum, como a explosão do helicóptero ao fim da primeira cena ou o paraquedas na pedreira.

O outro problema é algo mais pessoal, admito. É que gosto do humor presente no segundo filme, cheio de referências às carreiras dos veteranos action heroes. O roteiro do terceiro filme, co-escrito pelo próprio Stallone, é mais sério. Ok, foi legal ver o Schwarza gritando “get to the choppa!”, mas é pouco – pelo elenco, heu esperava bem mais.

Tem uma última coisa que me incomoda, mas é algo que acontece em quase todos os filmes de ação por aí. A cena final tem 10 mocinhos encurralados em um prédio cheio de bombas em posições estratégicas, cercados por um exército fortemente armado com tanques e helicópteros. E, ao fim da cena, todos os inimigos estão mortos, enquanto todos os mocinhos estão inteiros, ninguém levou nem um tiro… Ok, sei que isso não é exclusivo deste filme, e que acontece direto por aí. Mas, que incomoda, ah, incomoda.

No fim, temos apenas mais um filme de ação, com todos os clichês do bem e do mal presentes. Aí a gente lê o elenco e pensa “caramba, conseguiram reunir um elenco desses pra fazer um filme meia bomba?”

Rola um papo que este seria o último filme da franquia. Mas a gente vê que os atores estão se divertindo, se a bilheteria compensar, aposto que teremos mais veteranos voltando à ação. Só espero que Mercenários 4 seja mais próximo do 2 do que do 3.

p.s.: Li que o próximo projeto do diretor Patrick Hughes é a refilmagem do excelente filme indonésio The Raid. Torço muito pelo sucesso de Hughes. Mas torço ainda mais para esta refilmagem nunca ser feita. Vejam o original!!!

Uma Noite de Aventuras (1987)

Uma noite de aventurasCrítica – Uma Noite de Aventuras (1987)

Para o podcast de comédias dos anos 80, alguém sugeriu este Uma Noite de Aventuras. (Adventures in Babysitting, no original). Como não via desde a época do lançamento no cinema, no fim dos anos 80, fui rever.

Chris, uma jovem de 17 anos fica de babá tomando conta de três crianças, até que uma amiga liga e pede para ser resgatada na rodoviária. Chris sai de casa com os três no carro para buscar a amiga, mas vários problemas aparecem no meio do caminho.

O formato segue um estilo bastante comum na época: coisas vão dando errado sucessivamente (as “muitas confusões” que sempre eram citadas nos comerciais da sessão da tarde), até um fim onde os mocinhos conseguem se safar na boa. Fórmula simples e eficiente, apesar de previsível.

Claro que este formato de comédia às vezes força a barra. Mas quando o roteiro é bem escrito, mesmo uma forçação de barra funciona. Um exemplo: os bandidos nunca seriam parados daquele jeito dentro do clube de blues – mas a cena “ninguém sai daqui sem cantar um blues” ficou divertida.

Uma Noite de Aventuras é o filme de estreia de Chris Columbus na cadeira de diretor – ele já era um roteirista conhecido, já tinha escrito Vidas Sem Rumo, Gremlins, Goonies e O Enigma da Pirâmide. Pra quem não se ligou no nome, depois ele dirigiria Esqueceram de Mim, Rent, Percy Jackson e o Ladrão de Raios e os dois primeiros Harry Potter, entre outros.

No elenco, o único nome de destaque é Elisabeth Shue, em seu primeiro papel de destaque, e que logo depois faria Cocktail e De Volta Para o Futuro 2 e 3 e viraria uma atriz conhecida até hoje. Os dois irmãos são interpretados por Maia Brewton e Keith Coogan, que sumiram. Agora, tive três surpresas com o resto do elenco. Brenda, a amiga a ser salva na rodoviária, é Penelope Ann Miller (O Pagamento Final). O mecânico, aquele cara magro de cabelos louros que só aparece em uma cena, é Vincent D’Onofrio. E Daryl, o moleque vizinho, é Anthony Rapp, que voltaria a trabalhar com Chris Columbus em um dos papeis principais do musical Rent – o garoto cresceu e aprendeu a cantar. Ah, li o nome de Lolita Davidovich nos créditos, mas confesso que não achei onde ela estava.

Por fim: olhem o poster. Por que Chris está de vestido, se ela não usa este vestido no filme? É que o poster foi feito antes das filmagens…

Enfim, um bom e despretensioso “filme de sessão da tarde”.