Sharktopus

SharktopusCrítica – Sharktopus

Sharktopus visto!

Sinopse: uma criatura metade tubarão, metade polvo, metade godzila, se solta e sai matando a galera.

(Falei “terceira metade” porque o Sharktopus sai da água andando, usando os tentáculos como pernas. Descupe, nunca vi um povo fazer isso, tem mais alguma coisa na mistura.)

Ouvi falar de Sharktopus, de 2010, na época que vi Sharknado, de 2013. Será que este é tão ruim quanto aquele? Porque o maluco que vai ver um filme chamado “sharktopus” sabe que não ai ver um filme bom, né?

Vamulá: as atuações são péééssimas. O elenco principal é ruim, mas dentro do esperado – o único nome conhecido é Eric Roberts, não dá pra esperar muita coisa. Já aqueles que aparecem só para virar vítima do “tubarolvo”, gente, acho que nunca vi atores tão ruins!

Os efeitos especiais? São terrivelmente ruins! Os efeitos daqui estão para efeitos “de verdade” assim como um photoshop bem feito está para um paint preguiçoso. Acho que nunca vi um sangue em cgi tão mal feito!

Pra não dizer que tudo é ruim na concepção de Sharktopus, gostei do filme começar sem perder tempo explicando a origem da criatura. Ninguém precisa de explicação, o melhor é partir pra porrada sem perder tempo.

Mas… Os roteiristas podiam ter tomado cuidado com algumas coisas meio básicas, como o fato de rios terem água doce, ou então o comprimento dos tentáculos, que parece que mudam de tamanho conforme o que a cena pede…Tem uma cena que eles descobrem que resolvem atirar um dardo no sharktopus, porque os tiros de metralhadora não furam a pele dele!!!

Bem, pelo menos foi legal ver o próprio Roger Corman, produtor do filme, na cena do dobrão.

Enfim, dispensável. Mas tem gente que vai curtir…

Ninfomaníaca – vol 2

0-Ninfomaniaca 2Crítica – Ninfomaníaca – vol 2

A segunda parte da picaretagem da polêmica!

Joe (Charlotte Gainsbourg) continua contando seus causos de ninfomania para Seligman (Stellan Skarsgård)

Vamulá. Ninfomaníaca foi divulgado com a polêmica “atores hollywodianos digitalmente inseridos em cenas de sexo explícito”. Aí veio o “volume 1”. Não só o filme estava incompleto, como só teve uma breve cena explícita, muito rápida, com Shia LaBouef e Stacy Martin. Será que o “volume 2” vai compensar isso?

Nada… O segundo filme não tem nada explícito – só uma rápida cena de sexo oral, que parece ser com uma prótese. E pra piorar, o filme é bem menos interessante que o primeiro. Se o primeiro tinha uma sequência bem divertida com a Uma Thurman, esta segunda parte tem uma parte longa, chata e arrastada de sadomasoquismo com o Jamie Bell.

Parece que a versão que passou no festival de Berlim é basicamente igual à que está sendo lançada nos cinemas brasileiros, mas com as cenas de sexo prolongadas , com os tais detalhes explícitos. Verdade, se a gente reparar bem, essas cenas têm cortes mal feitos.

De resto? O de sempre. Papo cabeça e imagens escolhidas pra chocar o público careta (uma das cenas mostra dois pênis eretos em primeiro plano por um bom tempo; em outra, vemos uma vagina em um close tão de perto que duvido alguém ficar excitado por causa da nudez da atriz). Conteúdo interessante mesmo, não tem nada.

O fim do filme até é interessante. Mas pra chegar nele, precisa passar por quatro horas (cortadas) antes. Ou seja, não vale a pena.

Agora só resta esperar as cenas cortadas aparecerem pela internet. E depois esperar pela próxima polêmica do Lars Von Trier…

Need For Speed – O Filme

0-Need-for-Speed–O-FilmeCrítica – Need For Speed – O Filme

Estreou o esperado filme baseado no videogame Need For Speed. Mas… em vez de uma crítica convencional, vamos experimentar um formato diferente hoje?

Dez coisas que aprendi vendo Need For Speed:

1- Três carros esporte raros e diferentes fazem um pega por uma estrada cheia de carros comuns, causando inclusive alguns acidentes. Mas se você levar um dos três embora depois do pega, todos vão achar que eram só dois. Não existe nenhuma câmera pela estrada, e nenhuma testemunha verá que são três carros.

2- Quando quiser dar voltas em uma praça com um carro de polícia te seguindo, pode ficar tranquilo que ele não vai chamar reforços.

3- Ande na contramão em alta velocidade e faça manobras arriscadas mesmo que você esteja num carro que vale 3 milhões de dólares.

4- Você pode ter um carro super rápido e fazer manobras arriscadas para ir mais depressa. Ou então, use o trajeto do caminhão que faz o suporte, já que ele está sempre por perto.

5- Mesmo quando não precisar, reabasteça o carro com este em alta velocidade. Você vai arriscar vidas, mas economizar alguns minutos. Só não sei pra que.

6- Você pode estar dirigindo um carro que chega a 370 km/h. Mas se caçadores de recompensas estiverem te seguindo em uma picape e um jipe, vão te alcançar.

7- Tenha amigos bons de lábia. Um deles pode pegar emprestado um helicóptero da tv e outro do exército, se precisar.

8- Você pode dirigir um carro sem vidro traseiro e sem uma das lanternas. Nenhum policial vai te parar.

9- Se colocam uma recompensa pelo seu carro, pode ficar tranquilo depois que se safar da primeira tentativa. Não existe nenhum outro caçador de recompensas.

10- Se você estiver sendo seguido por carros de polícia e um helicóptero, é só deixar os carros para trás, o helicóptero acompanhará os carros e deixará de te seguir.

Se você conseguir desligar todos esses problemas, e também não se incomodar com uma trama previsível e cheia de clichês, nem com um elenco fraaaco, e ainda aguentar mais de duas horas de filme, pode até se divertir. Pelo menos o filme tem algumas boas sequências de corridas de carro, e, para os fãs, ainda tem algumas cenas iguais ao jogo. Aliás, o Aaron Paul disse numa entrevista que não foi usado cgi no filme, legal isso.

Mas não rola. Paul Walker pode descansar tranquilo, Aaron Paul não é uma ameaça ao seu Velozes e Furiosos.

Clube de Compras Dallas

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Crítica – Clube de Compras Dallas

O filme que deu o Oscar a Matthew McConaughey!

Dallas, 1985. O eletricista texano Ron Woodroof é diagnosticado com AIDS e logo começa uma batalha contra a indústria farmacêutica, que passa por uma fase de testes atrás de algum remédio eficiente. Procurando tratamentos alternativos, ele passa a contrabandear drogas ilegais do México, e acaba criando um grande grupo de consumidores de remédios não aprovados pelo FDA: o Clube de Compras Dallas.

Dirigido pelo pouco conhecido Jean-Marc Vallée, Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, no orginal) concorreu a seis Oscars em 2014 – inclusive melhor filme – mas achei um certo exagero. Não se trata de um filme ruim, longe disso, mas também não tem nada demais. É apenas um filme “correto”.

Ah, mas ganhou Oscars de melhor ator e ator coadjuvante! Verdade. Concordo em “gelo no mingau” com Jared Leto como ator coadjuvante. Mas será que Matthew McConaughey merecia? Ele está bem, mas não achei uma interpretação tão impressionante (diferente da Cate Blanchet em Blue Jasmine, onde realmente arrebenta).

O lance é que a Academia gosta de premiar atores que perdem ou ganham muito peso por um papel. Foi assim com Christian Bale em O Vencedor, Anne Hathaway em Os Miseráveis e Charlize Theron em Monster. E McConaughey perdeu 17 kg para interpretar Ron Woodroof! Só que, diferente do Robert de Niro (que engorda ao longo de Touro Indomável) e do Tom Hanks (que emagrece ao longo de Filadelfia), McConaughey emagreceu antes do filme. Quem não conhecia o ator vai achar que ele já era magro…

Ainda no elenco, precisamos falar de Griffin Dunne, irreconhecível como o médico no México. E Jennifer Garner faz o principal papel feminino.

Bem, fora os atores magros, Clube de Compras Dallas não tem muitos atrativos. A história é interessante, mas tudo é mostrado de modo muito convencional. O que salva é a gente saber que é baseado em uma história real, e que existiu um Ron de verdade, que comprou a briga e revolucionou o tratamento da aids.

Interessante. Mas nada essencial. A não ser para fãs do Matthew McConaughey e do Jared Leto.

Pompeia

PompeiaCrítica – Pompeia

Paul W.S. Anderson fazendo filme catástrofe!

Um escravo gladiador se vê numa corrida contra o tempo para salvar uma garota que foi prometida a um corrupto senador romano. Quando o vulcão Vesúvio entra em erupção, ele deve lutar para salvar sua amada, enquanto Pompeia é destruída..

Fui ao cinema com a expectativa lá embaixo, não esperava nada do filme. Sabe que me surpreendi? Pompeia não é um grande filme, longe disso. Mas é bem divertido.

Paul W.S. Anderson é famoso pela franquia Resident Evil – dirigiu apenas três, mas produziu e roteirizou todos os cinco. Mas ele não faz só filme de zumbi, ele também dirigiu a nova versão de Os Três Mosqueteiros e a refilmagem Corrida Mortal.

Pompeia (Pompeii, no original) é claramente dividido em duas partes. Primeiro temos a história do escravo gladiador que é levado para Pompeia e conhece a mocinha bonitinha; depois temos o esperado filme catástrofe. É, segue a fórmula de Titanic, uma história de amor com uma tragédia ao fundo.

A história do casal é bobinha e cheia de clichês, mas não incomodou. As lutas são boas, principalmente a da arena que deveria mostrar o massacre dos celtas. E quando começa a parte filme catástrofe, o filme melhora. O cgi é bem feito, a destruição aparece bem na tela. Li por aí que o filme não foi fiel aos fatos históricos, mas, não tem importância, foi legal ver uma tsunami no meio do caos!

No elenco, Kit Harington tenta aproveitar o sucesso de Game of Thrones – mas, se depender deste filme, ele continuará sendo lembrado como o Jon Snow. A mocinha é interpretada por Emily Browning, bonitinha, mas que faz a mesma cara de paisagem em todos os filmes. Ainda no elenco, Kiefer Sutherland, Carrie-Ann Moss, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Jessica Lucas, Jared Harris e Sasha Roiz.

Se levado a sério, Pompeia é um filme fraco. Mas pelo menos é uma bobagem divertida.

Riddick 3

Riddick3Crítica – Riddick 3

Como li em algum lugar por aí: “O que faz Vin Diesel quando não está na franquia Velozes e Furiosos? Faz mais um Riddick!

Deixado para morrer em um planeta hostil, Riddick se vê tendo que sobreviver no meio de predadores alienígenas. Quando consegue pedir ajuda, duas naves aparecem: uma carregando mercenários, outra liderada por um homem ligado ao seu passado.

Apesar de não estar no título original (que é apenas “Riddick“), este é o terceiro filme da franquia, que continua a história começada em Eclipse Mortal (2000) e continuada em A Batalha de Riddick (2004). Vi ambos, nos respectivos lançamentos, mas confesso que lembro de pouca coisa do primeiro e quase nada do segundo. Só lembro que o primeiro é bom enquanto o outro é fraco.

(Teve um desenho animado em 2004, The Chronicles of Riddick: Dark Fury, mas esse heu não vi, não posso palpitar.)

Riddick 3 foi escrito e dirigido pelo mesmo David Twohy que dirigiu os outros dois, e o próprio Vin Diesel está na produção. Pelo menos o filme tem pedigree…

Depois de uma dispensável introdução (que parece que só serve pra justificar o filme ser uma continuação), Riddick 3 é dividido em duas partes distintas. Na primeira, vemos o “badass” Riddick sozinho, enfrentando a natureza hostil do planeta onde foi deixado. Depois o filme muda de cara, aparecem uns caçadores de recompensas e o Riddick mostra de novo que é o “badass” do pedaço também quando interage com humanos.

Apesar do baixo orçamento, o cgi funciona bem. As criaturas alienígenas são bem feitas, apesar de ter um “primo do xenomorfo” do Alien. A ambientação do planeta hostil também é bem feita.

O roteiro tem suas falhas. O personagem Santana é insuportável, e aquele grandalhão que vai na missão final tem escrito na testa “vou trair o grupo e sair no braço com o Vin Diesel”. E a mudança de postura de Dahl no finzinho do filme é completamente sem sentido.

Além de Vin Diesel, Riddick 3 tem um nome interessante no elenco: Katee Sackhoff, a Starbuck de BSG. E, para os fãs: sua primeira cena de nudez – uma breve cena onde mostra os seios. Ainda no elenco, Jordi Mollà, Matt Nable, Dave Bautista, além de Karl Urban numa ponta no prólogo.

O fim do filme deixa um gancho para uma possível parte 4. Agora sem Paul Walker, não sabemos o que será da franquia Velozes e Furiosos. Vin Diesel precisa de um plano B, né?

300: A Ascensão do Império

300ascencaodeumimperioCrítica – 300: A Ascensão do Império

A continuação de 300!

O general ateniense Themistokles lidera as cidades-estado gregas na defesa contra o rei-deus Xerxes e Artemisia, a vingadora comandante da frota persa.

O primeiro 300 foi um marco na história do “cinema-testosterona”. Com uma câmera lenta diferente do usual, vimos lutas bem coreografadas, com uma violência estilizada mostrada de um modo nunca antes visto. Como diria o poeta Woerdenbag, “sangue e porrada na madrugada”.

Agora veio a continuação. Que na verdade, não é exatamente uma continuação, é uma história paralela, que acontece antes, durante e depois do outro filme. Acompanhamos a resistência grega, liderada pelo general Themistokles, de Atenas – todos ameaçados pelo mesmo Xerxes do primeiro filme, agora acompanhado da sexy Artemisia.

Mas o pior inimigo de Themistokles não é Artemisia. É o Leônidas do primeiro filme, que aqui só aparece em imagens “de arquivo”. Themistokles não é um personagem ruim, mas perde de longe na inevitável comparação. Leônidas aumentava o nível de testosterona de tal maneira que você saía do cinema com vontade de arranjar uma briga no bar e/ou fazer sexo logo após a sessão. Já Themistokles, bem, quem quer uma casquinha de sorvete? De creme?

(Diz a lenda que teve mulher fazendo a barba depois de assistir o primeiro filme!)

A direção coube ao desconhecido Noam Murro, que até agora só tinha feito uma comédia que ninguém viu, seis anos atrás. Zack Snyder, diretor do primeiro filme, agora está envolvido em filmes do Superman, mas estava na produção e foi co-roteirista deste novo filme, mais uma vez baseado numa graphic novel de Frank Miller, “Xerxes” (segundo o imdb, o roteiro foi desenvolvido paralelamente à hq, então não contam exatamente a mesma história).

As batalhas aqui são no mar, provavelmente para evitar paralelos com os guerreiros de Esparta. E o visual estilizado é propositalmente exagerado – certa cena tem uma lua que ocupa um terço do céu. Isso deve ser pra gente aceitar certos excessos, como a cena que tem no trailer, com um guerreiro grego pulando de uma altura de algumas dezenas de metros e caindo direto na batalha sem ao menos dobrar os joelhos.

A parte técnica é bem feita. Temos várias lutas que usam a mesma câmera lenta que ficou famosa com o primeiro filme. Só achei que o sangue em cgi podia ser mais bem cuidado, alguns golpes esguicham sangue mas deixam as espadas limpas… Pelo menos tem uma sequência que merece destaque. Prestem atenção no plano-sequência quando Themistokles vê Artemisia e pega o cavalo. Sei que não foi um plano-sequência tradicional, daqueles que a câmera filma tudo num único take sem cortes – hoje tem um monte de cgi pra emendar os takes. Mas a concepção da cena num único take já vale.

Por outro lado, a edição dá umas escorregadas básicas. Precisava mostrar duas vezes a cena onde Themistokles atira em Darius? Será que a plateia esqueceu uma cena marcante que aconteceu menos de uma hora antes?

O elenco tem um grande nome: Eva Green. Ela não só é linda linda linda, como uma excelente atriz, e faz uma vilã que transmite medo e tesão ao mesmo tempo. Aliás, tem gente por aí que fala que o primeiro filme é um filme gay, porque tem vários homens sarados e semi-nus – e com os torsos depilados. Acho besteira, pela quantidade de sangue e vísceras na tela. Anyway, o segundo filme tem os seios da Eva Green. Nem reparei se tinha homem sarado.

300: BATTLE OF ARTEMESIUM

Ah, claro, não podemos esquecer que o “nosso” Rodrigo Santoro é um dos atores do primeiro filme que está de volta. Seu papel, o vilãozão Xerxes, tem maior participação aqui. Mas ele virou coadjuvante da Eva Green. Bem, heu também viraria… Também voltam aos seus papeis Lena Headey como a rainha Gorgo, e David Wenham como Dilios, o único sobrevivente dos 300 iniciais. Ah, e Sullivan Stapleton (quem?) faz o protagonista Themistokles.

Enfim, como quase sempre, é uma continuação inferior ao original. Mas quem gosta do estilo visual do primeiro filme pode se divertir aqui.

p.s.: Esta é uma história paralela ao primeiro filme. Porque, se fosse uma continuação, deveria ter outro nome. Se no primeiro filme, eram 300 e morreram 299, o nome do segundo filme não deveria ser “1”?
😛

Até o Fim

0-Ate o FimCrítica – Até o Fim

Um filme quase sem diálogos e com apenas um ator em cena? Pode ser interessante, mas também pode ser um sonífero. Vamos ver qualé.

Depois de ver o seu barco danificado por um container à deriva no Oceano Índico, um homem, sozinho, tem que enfrentar diversos problemas para ficar vivo.

Até o Fim (All Is Lost, no original) era um projeto arriscado, porque a chance de termos um resultado maçante era grande. Só um personagem, e sem diálogos? Bem, Até o Fim pode não ser um novo Náufrago, mas é um bom filme. O pouco conhecido diretor e roteirista J.C. Chandor (que só fez um filme antes desse, Margin Call – O Dia Antes do Fim) tem boa mão, e Robert Redford, seu ator, tem um grande carisma. O filme é lento, mas não chega a ser chato.

Robert Redford, aos 77 anos, interpreta o único personagem que aparece em cena, mencionado nos créditos como “nosso homem”. Não há narrações em off, nem monólogos – nem um “Wilson” (a bola usada por Tom Hanks em Náufrago). Toda a história é contada através dos atos solitários e silenciosos do “nosso homem” – rola uma breve narração no início do filme, fora isso, apenas algumas interjeições e frases soltas aqui e acolá (Segundo o imdb, o roteiro tinha apenas 32 páginas).

Acompanhamos o passo a passo do que chamei de “o marinheiro mais azarado do mundo”. Não vou dar spoilers, só digo que tudo de errado acontece pro “nosso homem”. Chandor consegue ângulos criativos em espaços pequenos e a edição com cortes curtos ajuda o ritmo.

Até o Fim foi comparado com Gravidade por algumas pessoas, porque são filmes com poucos personagens, onde existe uma busca individual pela sobrevivência enquanto se enfrenta grandes adversidades. Mas a forma é completamente diferente. Se Gravidade é tenso do início ao fim e tem efeitos especiais alucinantes, Até o Fim é contemplativo e seus efeitos especiais são discretos.

O fim do filme permite mais de uma interpretação, depende se você é otimista ou pessimista…

p.s.: Tenho uma pequena experiência com veleiros, fui escoteiro do mar e fiz alguns cruzeiros a vela pela Baía de Guanabara. Na minha humilde opinião, o “nosso homem” deveria ter recolhido as velas antes da tempestade. Não entendi por que ele insistiu em manter a vela içada…

Faroeste Caboclo

faroeste-caboclo

Crítica – Faroeste Caboclo

João de Santo Cristo vai para Brasília, onde conhece Maria Lúcia e Jeremias. Levemente inspirado na música homônima do grupo Legião Urbana.

Nasci em 1971. Heu tinha 16 anos quando Faroeste Caboclo apareceu nas rádios, em 87. Era uma música diferente, mais longa que o padrão (quase 10 minutos!), e, em vez da fórmula “estrofe-refrão-segunda estrofe-refrão”, a música contava uma história, com começo, meio e fim.

E, durante anos, se falava “Faroeste Caboclo daria um bom filme, sua letra é quase um roteiro”. Até que, 26 anos depois, finalmente fizeram um filme contando a história de João de Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias!

Mas… Cadê a história que nos acostumamos a ouvir??? Dirigido pelo estreante René Sampaio, Faroeste Caboclo tem um problema básico: o roteiro não segue a letra da música!

Ok, entendo que certos casos pedem uma adaptação, que vai fazer alterações pontuais na história. Entendo que não tem como rolar “Comia todas as menininhas da cidade / De tanto brincar de médico, aos doze era professor“. Mas… Cadê o “senhor de alta classe com dinheiro na mão / E ele faz uma proposta indecorosa“? E por que Jeremias aparece logo cedo na história? Pior: porque João foi estuprado por Jeremias? E, principalmente: por que mudar o fim da história? Por que fazer um duelo num campo vazio, sem ninguém por perto? Cadê “João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir / E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e / A gente da TV que filmava tudo ali“?

Os roteiristas Victor Atherino e Marcos Bernstein não pensaram no óbvio: o público alvo do filme é o cara que conhece a música. Pra que mudar quase tudo? O filme mostra João de Santo Cristo como um cara bonzinho, vítima da sociedade. Mas a música deixa claro que ele era um “bandido destemido e temido no Distrito Federal“, e que Maria Lúcia tinha surgido para ser a redenção de seus pecados…

(Pra não dizer que tudo na adaptação foi ruim, gostei da explicação por que Maria Lúcia se casou com Jeremias. Na música, essa parte nunca tinha me convencido.)

Pena, porque o filme nem é mal feito. Boa fotografia, bom ritmo. E os três atores principais, Fabrício Boliveira, Isis Valverde e Felipe Abib, estão bem.

Mas não rola. Só se mudassem o nome do filme e os nomes dos personagens…

p.s.: Pra piorar a situação do original vs adaptação, durante os créditos do filme, toca a música original. Aí a gente tira todas as dúvidas…

As Aventuras de Peabody & Sherman

0-Peabody2Crítica – As Aventuras de Peabody & Sherman

O novo Dreamworks!

O sr. Peabody é um cachorro super inteligente, ganhador do prêmio Nobel, medalhista olímpico, etc, e que resolve adotar Sherman, uma criança abandonada. No seu primeiro dia de escola, Sherman se envolve num caso de bullying, e agora o sr. Peabody precisa resolver o problema para não perder a guarda do filho.

As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman, no original) é uma adaptação do desenho televisivo “Peabody’s Improbable History” do fim dos anos 50 e início dos anos 60, que fazia parte do desenho As Aventuras de Rocky e Bullwinkle, ou Alceu e Dentinho (The Rocky and Bullwinkle Show). Nos anos 90, fizeram um longa metragem “As Aventuras de Alceu e Dentinho”, que não fez muito sucesso. E, até agora, sr. Peabody e Sherman continuavam quase desconhecidos.

Dirigido por Rob Minkoff (O Rei Leão), As Aventuras de Peabody & Sherman tem um problema básico: é um filme para crianças onde as melhores piadas não são para as crianças. O filme trata de viagem no tempo, passa pela Revolução Francesa, pelo Egito dos faraós, pela renascença italiana, pela guerra de Troia – uma criança pequena que não conhece os fatos históricos vai ficar que nem o Sherman quando fala “não entendi”…

Pelo menos o roteiro é leve e o ritmo é rápido, e uma criança pode “passar batido” pelas piadas históricas e se divertir. E a mensagem do filme – amor paterno maior que qualquer coisa – funciona em qualquer idade.

A parte técnica do filme é muito bem feita, claro, é um filme da Dreamworks. Mas nada que impressione – hoje estamos acostumados à qualidade altíssima, um filme precisa se esforçar pra se destacar, o “bem feito” já não chama mais a atenção.

Para os fãs da série Modern Family: vejam o filme com o som original! Ty Burrell faz a voz do sr. Peabody. Em vários momentos o diálogo entre pai e filho é bem parecido com Phil Dunphy conversando com Luke – o cachorro faz até trocadilhos infames! Sei que a primeira opção do estúdio era Robert Downey Jr. – também seria legal, mas seria outra onda. Posso dizer que Ty Burrell se encaixou perfeitamente no papel.

E quem escolher a versão com o áudio original ainda ganha alguns bônus, como Leslie Mann, Allison Janney, Dennis Haysbert, Stanley Tucci, Lake Bell, Stephen Colbert, Patrick Warburton, Stephen Tobolowsky – e Mel Brooks como Einstein! E quem faz a voz da Penny é Ariel Winter, a Alex Dunphy de Modern Family.

Ah, tem em versão 3D. Blé. 3D hoje em dia é tudo igual. Bem feito, mas nada que justifique o ingresso mais caro.