O Plano Perfeito

Crítica – O Plano Perfeito

Tem espaço pra falar de filme de sete anos atrás?

Em O Plano Perfeito (Inside Man, no original), dois policiais tentam negociar com o líder de um grupo que planejou o assalto a banco perfeito, mas que mantém reféns dentro do banco.

O diretor Spike Lee é famoso por seus filmes políticos, sempre levantando bandeiras contra o racismo. Mas aqui ele mostra talento em um filme bem hollywoodiano. A câmera é muito bem cuidada, são várias as boas sequências – rola até um plano-sequência interessante na parte final, quando os policiais estão verificando o interior do banco. Já o racismo é até citado, mas fica em segundo plano.

O roteiro, do pouco conhecido Russell Gewirtz, é muito bem escrito. Tá, o plano é fantasioso demais, a gente pode encontrar um furo aqui outro acolá, mas, de um modo geral, a ideia é muito boa. E o melhor: toda a trama flui facilmente. Outra coisa interessante é o personagem de Jodie Foster, que quebra o dualismo polícia / ladrão.

O elenco é muito bom. Além da já citada Jodie Foster, o filme conta com Denzel Washington, Clive Owen, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor e Kim Director

O Plano Perfeito pode não ter muito a ver com o resto da carreira de Spike Lee. Mas não é, de jeito nenhum, um momento a ser apagado de sua filmografia.

Jack – O Caçador de Gigantes

Crítica – Jack O Caçador de Gigantes

Mais um conto de fadas revisto…

A “fábula da vez” é João e o Pé de Feijão, só que em vez de João, é Jack; e em vez de trocar a vaca da família, troca um cavalo por grãos mágicos, que, ao caírem no chão, brotam um gigantesco pé de feijão que vai até as nuvens, onde moram gigantes.

Impossível não nos lembrarmos do recente João e Maria – Caçadores de Bruxas – dois filmes baseados em fábulas, com nomes parecidos e que estrearam quase juntos nos cinemas (foram lançados com dois meses de intervalo). E, pelo menos para o meu gosto, a comparação não foi boa – gostei muito mais de João e Maria do que de Jack

O que tem de bom aqui é que a história original sofreu poucas alterações – João e Maria é uma história medieval com armas de fogo e roupas apertadas de couro. Jack – O Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer, no original) não inventa moda, pode ser vendida como uma fábula “clássica”. Por outro lado, tudo aqui é meio previsível, meio maçante – meio chato até. E o curioso é que o diretor aqui tem um bom currículo. Jack – O Caçador de Gigantes foi dirigido por Bryan Singer, o mesmo de Os Suspeitos e dos dois primeiros X-Men. Pelo diretor, heu esperava mais… Pelo menos a parte técnica é muito bem feita. Os efeitos especiais são muito bons, os gigantes impressionam pela riqueza de detalhes. Pena que todas as lutas são discretas e ninguém sangra – provavelmente por pressão do estúdio por uma censura mais branda.

No elenco, achei curioso um nome como Ewan McGregor ter um personagem coadjuvante. McGregor tem star power pra estrelar seus filmes! Mas aqui, ele serve de escada para os desconhecidos Nicholas Hoult e Eleanor Tomlinson, casal de protagonistas bonitinhos e pouco expressivos. Ainda no elenco, Stanley Tucci e Ian McShane.

No fim, fica aquela sensação de que poderia ter sido bem melhor. Jack – O Caçador de Gigantes é melhor que Espelho, Espelho Meu, mas fica bem atrás de Branca de Neve e o Caçador e João e Maria, Caçadores de Bruxas

Alvo Duplo

Crítica – Alvo Duplo

Sylvester Stallone assumiu que cinema de ação é a sua praia. Mesmo com 67 anos, ele mais uma vez traz um filme de ação acima da média.

Baseado na pouco conhecida graphic novel Du Plomb Dans La Tête, Alvo Duplo mostra a improvável união entre um matador de aluguel e um policial, que procuram vingança pelos assassinatos de seus respectivos parceiros.

Acho que boa parte do mérito de Alvo Duplo está na experiência de seu diretor, o veterano Walter Hill, o mesmo de 48 Horas, Ruas de Fogo e Warriors – Os Selvagens da Noite. Aos 71 anos, Hill mostra boa forma em detalhes do seu filme – logo no início, na cena do bar, ele já mostra talento, com as brigas coregrafadas sob música alta. Aliás, é bom falar: as lutas aqui, além de muito violentas, são muito bem filmadas, não tem nada de câmera trêmula estilo Michael Bay – mesmo em momentos mais frenéticos como na boa luta final com os machados.

Agora, se Alvo Duplo tem boas cenas de ação, tem uma falha básica: o roteiro é bem fraco. A trama é previsível e cheia clichês. E os personagens são todos rasos. Nisso, o filme ficou devendo.

Para quem gosta de brincar com referências, deve ser legal ter um Sylvester Stallone para se fazer um filme. Em determinado momento, vemos fotos de várias vezes que seu personagem foi preso, em épocas diferentes – e reconhecemos fotos reais do Stallone daquelas épocas. Outra coisa: seu personagem se chama Jimmy Bonomo e tem uma filha chamada Lisa. E em Oscar – Minha Filha Quer Casar (de 1991), o personagem de Stallone fala que trabalhou para um cara chamado Jimmy Bonomo, e tinha uma filha chamada Lisa. Além disso, Stallone mostra que a não tem problema com a idade. Não só faz piadas sobre isso como ainda mostra excelente forma física. Outra coisa: a “mocinha” é sua filha, mais compatível com a diferença de idade.

Gostei da escolha de seu oponente, Jason Momoa, o Kal Drogho de Game of Thrones e o novo Conan. Momoa não é um grande ator (talvez um “ator grande” – tá dá tschhh!), mas funciona perfeitamente para o que o papel pede. E ainda temos Sarah Shahi (The L Word) em cenas de nudez gratuita! Ainda no elenco, Christian Slater, Sung Kang, Adewale Akinnuoye-Agbaje e Jon Seda.

Por fim queria mais uma vez falar do título nacional. A tradução original seria “bala na cabeça”, título já usado em outro filme de ação, logo um dos melhores da fase chinesa de John Woo. Ora, então vamos traduzir para outro nome? Que tal “alvo duplo”? Mas será que ninguém se tocou que este era o título de outro filme de ação da fase chinesa de John Woo?

Enfim, recomendado para os que se divertem com filmes de ação, mesmo se seus roteiros sejam um pouco rasos.

Evil Dead – A Morte do Demônio (2013)

Crítica  – A Morte do Demônio

Ficou pronta a esperada refilmagem do clássico Evil Dead – A Morte do Demônio!

Cinco jovens vão para uma cabana isolada no meio do mato. Lá, encontram o Livro dos Mortos, que evoca algo que estava escondido na floresta.

Vamos direto ao assunto. O novo Evil Dead é bom. Mas poderia ser melhor, se não fosse uma refilmagem. Porque, na comparação, perde feio para o original.

Diretor estreante, o uruguaio Fede Alvarez tem talento e pode ter um futuro interessante em Hollywood. Pra quem não sabe, ele foi escolhido depois que viram, pelo youtube, Ataque de Pánico!, um filminho que ele fez sozinho, mostrando Montevideo sendo destruída por robôs gigantes. Diz a lenda que Sam Raimi aprovou seu nome só pelo youtube… Se alguém quiser ver o video, está aqui.

Como falei lá no alto, o problema deste A Morte do Demônio é ser uma continuação. O original era bem humorado, e ficava na linha entre o terror e o trash. Por causa do pouco orçamento, o diretor Sam Raimi teve que usar a criatividade, um dos exemplos disso são os geniais (e hoje famosos) travellings de câmera pela floresta. Se não tinha como mostrar um demônio convincente, por que não mostrar o seu ponto de vista?

A refilmagem não tem humor, e o pior, não traz nenhum susto – apesar do poster dizer “o filme mais apavorante que você verá nesta vida”, A Morte do Demônio não dá nenhum medo. Fede Alvarez deveria ter feito como outro estreante contemporâneo (também encontrado por Hollywood através do youtube), Andrés Muschietti, que soube usar os sustos em Mama. Fede Alvarez usa e abusa do tal “torture porn” – o gore é abundante, e são várias cenas com corpos sendo mutilados. Nisso o filme é muito bem feito. Mas, como disse, é uma refilmagem de Evil Dead, não de Jogos Mortais.

A (nova) história tem algumas boas sacadas. Gostei da primeira pessoa possuída estar tentando se livrar de drogas, os sintomas se confundem. Mas, por outro lado, algumas coisas ficam sem sentido – achei péssimo o desfecho dado ao último personagem. E isso sem contar os furos de roteiro – como é que a cabana já era usada pela família, mas ninguém sabia que tinha um porão?

Li por aí que o roteiro teve participação de Diablo Cody, roteirista que ganhou o Oscar por Juno e depois fez um trabalho de qualidade duvidosa com Garota Infernal. Não sei se é verdade, pelos créditos do filme, o roteiro foi escrito por Alvarez e Rodo Sayagues, somente. Mas o fim dado ao último personagem tem a cara de Cody…

Sobre o elenco, não tenho nada a falar. Cinco jovens pouco conhecidos: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas e Elizabeth Blackmore. Ninguém se destaca, nem pelo lado positivo, nem pelo negativo.

Por fim, preciso falar do título nacional. Por que “a morte do demônio”, se o filme não fala da morte de nenhum demônio? “Ah, mas o original também era “a morte do demônio!”. Sim, o título do original era equivocado, era aquela época que um filme não podia ser lançado só com o nome original, sempre tinha um subtítulo, nem sempre coerente (como Moulin Rouge – Amor em Vermelho, Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento ou Karatê Kid 2 – A Hora da Verdade Continua). Daí que alguém – que provavelmente nem viu o filme – inventou este subtítulo nada a ver. E agora, com a refilmagem, em vez de consertar, mantiveram o erro…

Enfim, Evil Dead – A Morte do Demônio não é ruim, mas fica devendo. Se fosse um filme original, não sofreria com comparações e teria uma resposta melhor da crítica e do público. Mas como refilmagem, prefira o original. Se quiser ver este, esqueça o outro.

p.s.: Se você é fã do original, fique até o fim dos créditos!

Spartacus: Blood and Sand – Series Finale

Crítica – Spartacus: Blood and Sand – Series Finale

Chega ao fim, em grande estilo, a série Spartacus: Blood and Sand, depois de quatro curtas temporadas (ou três curtas temporadas e mais um ainda mais curto spin-off, o prequel Gods of the Arena). E digo, sem medo de exagerar: foi uma das melhores séries que já vi!

Como falei no meu texto sobre o fim da primeira temporada, “Na trama, o soldado trácio Spartacus é capturado, transformado em escravo, e é jogado na arena para ser morto. Mas acaba mostrando seu valor e virando o campeão dos gladiadores.

Spartacus: Blood and Sand conseguiu algo raro quando falamos de seriados de tv: não há nenhum episódio ruim! Foram ao total 39 episódios ao longo de quatro anos. Sempre mantendo um pique acima da média.

A série foi toda num ótimo pique. Personagens carismáticos, sexo, nudez, sangue e violência em abundância, efeitos especiais bem colocados, visual estilizado e uma trama cheia de intrigas foram a fórmula usada. Junte a isso temporadas curtas que não deixam espaço para “barrigas” e você tem uma série quase perfeita.

A primeira temporada, Blood And Sand, foi a maior, com 13 episódios. No início parecia uma versão de 300 com Gladiador, o que chamava a atenção era o visual estilizado, com muita violência em câmera lenta. Mas com o passar do tempo, vimos uma trama inteligente, cheia de intrigas políticas.

Aí a série teve um baque grande. Andy Whitfield, logo o ator que interpretava o personagem título, foi diagnosticado com câncer ao fim da primeira temporada. Como ele precisava se retirar para tratar da doença, inventaram um prequel, Gods Of The Arena, que mostrava em apenas seis capítulos o passado de Batiatus, o dono dos escravos gladiadores. Como era antes do Spartacus, precisavam de um novo protagonista, e fomos apresentados a Gannicus, um lutador fenomenal, mas que tinha um comportamento oposto ao do sisudo Spartacus, e vivia bebendo e com mulheres.

(O imdb considera este prequel uma série diferente. Mas, caramba, são os mesmos personagens, mesmos atores, mesmos cenários… Por que não admitir que é a mesma série?)

Veio a notícia triste: a morte de Whitfield. Liam McIntyre foi contratado para o seu lugar. Heu preferia Whitfield, mas admito que McIntyre fez um bom trabalho nas duas últimas temporadas.

A terceira e a quarta temporada, cada uma com dez episódios, mostram Spartacus e os gladiadores liderando ex escravos na luta contra Roma. Na terceira, Vengeance, o inimigo é Gaius Claudius Glaber, o responsável por Spartacus ter virado um escravo e pela morte de sua esposa; na quarta, War Of The Damned, é Marcus Crassus, rico aristocrata com aspirações políticas.

Até semana passada, heu achava que o episódio da semana passada seria um “season finale”, mas sem dúvida foi um “series finale”. Por um lado, fico triste de saber que ano que vem não tem mais; por outro lado fico feliz e aliviado de saber que não vão fazer besteira e estragar a série esticando-a (coisa que infelizmente acontece muito por aí).

Este último capítulo até começou lento. Mas, durante a batalha final, me vi torcendo como se fosse num importante jogo de futebol a cada manobra dos ex-escravos contra as legiões romanas. E o fim da batalha (e da série) foi coerente e digno.

Parabéns ao elenco que nos trouxe vários personagens memoráveis (Gannicus, Oenomaus, Batiatus, Crixus, Lucrecia, Ilithya, Saxa, Gaia, Heracleo, Varro, etc.). E, principalmente, parabéns ao canal Starz e a Steven S. DeKnight, criador da série. Ficarei de olho nas suas próximas produções!

Highlander – O Guerreiro Imortal

Crítica – Highlander – O Guerreiro Imortal

Hora de revisitar um clássico dos anos 80!

Nascido nas Highlands escocesas em 1518, Connor Macleod é imortal. Quando ele é ferido em uma batalha mas não morre, é banido de sua aldeia. Ele encontra outro imortal, Juan Sanchez Villa-Lobos Ramirez, que lhe ensina a mitologia dos imortais, que deverão se encontrar no mundo novo e lutar até só sobrar um, que receberá o “Prêmio”.

Acho o conceito de Highlander genial. Guerreiros imortais vindos de diferentes partes do mundo, e que vão se encontrar no futuro para duelarem até sobrar apenas um. Isso dá um bom caldo para muitas histórias – não à toa, virou uma série de tv anos depois.

O diretor Russell Mulcahy veio de videoclipes – ele fazia os clipes do Duran Duran antes de fazer longas. Highlander – O Guerreiro Imortal tem muito de videoclipe – visual estilizado, com muito contraluz, muito chão molhado. Esteticamente, o filme é muito bonito, tem várias cenas memoráveis. Gosto muito do visual da luta final entre Macleod e Kurgan, num galpão espaçoso, com janelas enormes ao fundo.

Alguns efeitos especiais continuam bons até hoje. As transições temporais são muito criativas, a cena que começa no aquário e termina no lago ainda é genial, mesmo passados quase 30 anos desde o lançamento (o filme é de 1986). Por outro lado, alguns efeitos “perderam a validade”. Vergonha alheia na cena do duelo entre Kurgan e Ramirez – quando a espada bate na parede de pedra, a pedra explode! E quando Macleod termina a luta final, os efeitos especiais usam desenhos animados. Tosco, tosco, tosco…

Sobre o elenco, Christopher Lambert nunca foi um ator versátil, mas o Connor Macleod é a cara dele. Sean Connery está bem, como sempre. Clancy Brown faz um Kurgan excelente, nunca entendi como o ator teve poucos papeis marcantes na carreira (mesmo tendo feito filmes importantes como Um Sonho de Liberdade, Os Últimos Passos de um Homem, Tropas Estelares e Cowboys & Aliens). Ainda no elenco, Roxanne Hart e Beatie Edney.

Outra coisa que merece ser citada é a boa trilha sonora, a cargo do grupo Queen, com alguns bons temas, como Gimme The Prize e a belíssima Who Wants To Live Forever.

Highlander – O Guerreiro Imortal tem um histórico curioso no que diz respeito a continuações. Em 1991 foi lançado um segundo filme, Highlander II: A Ressureição, dirigido pelo mesmo Russell Mulcahy e estrelado pelos mesmos Christopher Lambert e Sean Connery. Mas toda a mitologia original foi jogada no lixo, inventaram uma história onde os imortais vinham de outro planeta! O resultado ficou muito muito ruim, e na época rolou a piada óbvia “there can be only one”, frase que estava no cartaz original do filme mas que podia ser aplicada a sua continuação. Em 94 veio o terceiro filme, o razoável Highlander 3 – O Feiticeiro, cuja trama ignora o segundo. Houve um seriado entre 92 e 98, e em 2000 tivemos um quarto filme, que trazia o heroi do filme (Lambert) ao lado do heroi do seriado (Adrian Paul). Mas este quarto filme conseguiu algo muito difícil: foi pior que o segundo! Depois disso, nunca mais quis ver nada da série, nem sei se fizeram um quinto filme.

Por fim, quero falar mal do dvd oficial lançado aqui no Brasil. As legendas têm muitos erros, tanto erros de digitação quanto erros de tradução. Vergonha um serviço pago ter qualidade inferior a legendas gratuitas encontradas pela internet…

G.I. Joe: Retaliação

Crítica – G.I. Joe: Retaliação

Acusado de traição, o esquadrão G.I. Joe é exterminado por ordem do presidente dos EUA. Os poucos sobreviventes agora precisam provar que são inocentes, enquanto brigam com seus rivais Zartan e Cobra.

Gostei muito do primeiro G.I. Joe, lançado quatro anos atrás. Gostei do bom equilíbrio entre a ação desenfreada, os gadgets tecnológicos “impossíveis” e o humor leve. Mas, lendo por aí, acho que fui um dos poucos, muita gente odiou, e isso gerou um certo prejuízo nas bilheterias.

Como o resultado não agradou os executivos do estúdio, resolveram fazer uma espécie de reboot. Quase todo o elenco foi trocado, e deixaram o humor e os gadgets de lado, fazendo uma onda mais “pé no chão”. Grande erro, na minha humilde opinião. Alguma coisa se salva, como por exemplo a cena dos espadachins pendurados em cordas. Mas, no geral, G.I. Joe: Retaliação virou um filme bobo e sem graça, que perde na comparação com tantos outros bons filmes de ação semelhantes.

Se o diretor do primeiro filme, Stephen Sommers, já não tinha um currículo lá grandes coisas, o que dizer de Jon M.Chu, o diretor desta continuação? O cara só tinha filmes musicais de gosto duvidoso no currículo, como Se Ela Dança Eu Danço 2 e 3, e o documentário do Justin Bieber, Never Say Never. Não dá pra esperar muito de um cara desses, né?

O roteiro tem alguns furos bizarros, tipo uma das cidades mais importantes do mundo ser destruída e os governantes deixarem isso de lado, ou o sistema rápido de autodestruição de satélites. Acho que os executivos hollywoodianos acharam que um bom roteiro não era tão importante pra este reboot. O lançamento foi adiado por quase um ano para transformarem o filme em 3D (ingressos mais caros…). Pelo visto, 3D vale o investimento, mas roteiro não vale.

Sobre o elenco, a única boa notícia é que Marlon Wayans não está de volta. O seu personagem era a única peça destoante do bom conjunto do primeiro filme. Por outro lado, não termos Sienna Miller e Rachel Nichols é uma grande perda. Adrianne Palicki é bonitinha e simpática, mas está bem abaixo das duas do primeiro filme… Chaning Tatum tem hoje mais star power do que em 2009, então em vez de ter seu personagem sumariamente eliminado, ele aparece aqui num papel pequeno. Outros nomes que voltam do primeiro filme são Byung-hun Lee e Ray Park. Mas não são nomes famosos – Lee é muito pouco conhecido por estas bandas; já Park tem um currículo maior, mas por papeis onde não mostra o rosto (Darth Maul em Star Wars ep I, o cavaleiro sem cabeça em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Groxo em X-Men 2). O único do filme anterior que está bem aqui é Jonathan Pryce, que repete o papel do presidente, mas desta vez com um novo status de seu personagem que permite ao ator se soltar muito mais.

As boas novidades do elenco são Dwayne “The Rock” Johnson e Bruce Willis. Ambos têm grande carisma e funcionam muito bem, mesmo em papeis repetem o que fazem sempre. O conjunto do elenco do primeiro filme é melhor, mas está dupla garante o interesse aqui. Ainda no elenco, Ray Stevenson, Elodie Yung, D.J. Cotrona, além da já citada Adrianne Palicki.

(Arnold Vosloo aparece muito rapidamente, acho que só pra justificar o nome mais ou menos famoso; Joseph Gordon-Levitt não está no filme, mas ele realmente não precisava aparecer, seu personagem do primeiro filme nem mostra o rosto).

Parece que os executivos gostaram mais do resultado deste segundo filme. Pena, significa que teremos m breve um terceiro filme mais parecido com este do que com o primeiro. E quem for atento, pode até imaginar qual será o terceiro filme, já que teve mocinho que morreu mas ninguém confirmou se morreu mesmo, e teve vilão que foi deixado de lado…

Oblivion

Crítica – Oblivion

Filme novo do Tom Cruise! Mais: filme novo de Joseph Kosinski, o diretor de Tron – O Legado!

Décadas depois de uma guerra contra alienígenas, o planeta Terra está devastado. Quase toda a população foi transferida para uma lua de Saturno, os poucos que ficaram trabalham cuidando da exploração dos últimos recursos do planeta. Neste ambiente, o técnico de reparos Jack é assombrado por misteriosos sonhos.

Joseph Kosinski tem uma carreira curta – este é apenas seu segundo longa. Por enquanto, o cara tá bem: mais uma vez, ele apresenta um filme acima da média. Oblivion tem uma trama que foge do óbvio, um bom elenco, excelentes efeitos especiais, uma boa trilha sonora e efeitos sonoros que faziam tremer as poltronas do cinema.

Tom Cruise, como de costume, lidera bem o elenco. É impressionante como Cruise sabe administrar bem sua carreira, com muitos blockbusters e poucos fracassos no currículo. Sua interpretação não foge ao habitual, é o mesmo feijão com arroz de quase sempre – mas ninguém pode negar que ele faz muito bem este feijão com arroz. Ainda no elenco, Olga Kurilenko, Andrea Riseborough, Morgan Freeman, Melissa Leo, Nicolaj Coster-Waldau e Zoe Bell.

O visual do filme chama a atenção, os cenários pós apocalípticos são extremamente bem feitos. Foram usadas locações na Islândia, fiquei imaginando o que era real e o que era computador. São belíssimas paisagens, a Nova York destruída de 2070 é impressionante.

Um parágrafo para falar da trilha sonora. Kosinski chamou o grupo eletrônico Daft Punk para a trilha de Tron O Legado e o resultado ficou excelente. Agora, outro grupo eletrônico foi chamado, o M83 (confesso que nunca tinha ouvido falar), e mais uma vez a trilha é um dos destaques do filme. Trilha sonora forte e presente, com bons temas ao longo de todo o filme. E além da trilha sonora, outra coisa que chama a atenção são os efeitos sonoros. O ruído dos drones se destaca, um ruído grave e forte que chega a dar medo.

O roteiro é bom, com uns toques de Matrix, 2001, Prometheus, Moon e pelo menos uma referência explícita a Guerra nas Estrelas (impossível não nos lembrarmos da cena do ataque à Estrela da Morte e da “manobra Millenium Falcon”). As reviravoltas estão bem colocadas no roteiro, mas este não é perfeito – algumas coisas soam forçadas, principalmente na parte final (certa cena me lembrou de ID4). O fim do filme é hollywoodiano, deve agradar a maioria dos espectadores. Heu preferia que tomassem outro caminho, mas não é nada tão grave que atrapalhe o bom conjunto do filme.

Enfim, bom filme. Sr. Kosinski, mantenha o bom trabalho!

Festim Diabólico

Crítica – Festim Diabólico

Em primeiro lugar, pra quem não sabe: estou mudando de status, de “atirador de pedras” para “telhado de vidro”. Escrevi o roteiro de um longa metragem musical, e estou procurando caminhos para realizar o meu filme. Por enquanto, já fiz um curta ligado ao filme, que está aqui, e outro, também musical, que está na pós produção.

Agora estou envolvido na produção de outro curta ligado ao longa. A novidade é que quero fazer um plano sequência. E, para isso, achei uma boa rever o clássico de Alfred Hitchcock Festim Diabólico.

Dois jovens matam um colega apenas para provar a si mesmos que podem cometer o crime perfeito. Para desafiar os amigos e a família, resolvem convidá-los para uma reunião no apartamento deles, e servem a comida em cima de um baú onde está escondido o corpo da vítima.

É complicado falar de um filme desses, lançado em 1949, décadas atrás, que todo mundo já viu e que muita gente boa já criticou. Mas vou tentar dar os meus palpites.

Pra quem não sabe (alguém não sabe?), Festim Diabólico foi concebido para ser apenas uma cena, quase sem cortes. Segundo a wikipedia, são vários planos-sequência de 4 a 10 minutos, e um total de apenas oito cortes. Em alguns momentos, a câmera precisava trocar o rolo de filme, então passava pela parede ou pelas costas de um ator, e o plano-sequência seguia como se não houvesse corte.

A ideia do filme pode dar a impressão de que seria um filme um tanto cansativo – é quase como estarmos diante de um único ato de peça teatral filmada. Nada disso, o resultado é bem interessante. Não é à toa que Hitchcock é considerado até hoje como um dos maiores nomes da história do cinema, o cara sabia direitinho onde posicionar e por onde mover a sua câmera. Alguns momentos são ótimos – e tensos – como quando a empregada começa a guardar as coisas em cima do baú, sem saber o que está dentro.

Hoje a tecnologia é diferente, mais fácil de se trabalhar, e mesmo assim existem poucos filmes com longos planos-sequência – recentemente um uruguaio filmou La Casa Muda, um longa de terror num único plano-sequência, mas é um caso isolado. Historicamente falando, o formato de Festim Diabólico é tão importante que este é o único filme que me lembro de ter passado sem intervalos comerciais na TV Globo dos anos 80!

Uma última curiosidade sobre: todos sabem que Hitchcock sempre fazia uma aparição cameo em seus filmes. Festim Diabólico se passa todo dentro de um apartamento – e agora, como fazer? Bem, diz a lenda que ele é uma das pessoas passando pela rua, na cena inicial (a rua é mostrada, vista da janela). Assim como diz outra lenda que sua silhueta é visível em cima de um dos prédios ao fundo, mas este não consegui ver nem sabendo qual era o momento exato…

Agora preciso tomar vergonha na cara e ver mais filmes do Hitchcock. Corrigir esta falha no meu currículo como cinéfilo…

O Resgate

Crítica – O Resgate

Um ladrão de banco, depois de passar oito anos na prisão, resolve levar uma vida correta. Mas sua filha é sequestrada e ele é forçado a voltar ao mundo do crime.

As expectativas com este O Resgate (Stolen, no original) eram bem baixas – a crítica falou muito mal na época da estreia, e Nicolas Cage tem acumulado vários filmes de qualidade duvidosa nos últimos tempos (Caça Às Bruxas, Reféns). Mas, o diretor era o mesmo do segundo Mercenários, ok, vamos ver qualé.

O Resgate nem é muito ruim. Mas tem um problema gravíssimo: um roteiro preguiçoso, com tem tantos furos que, se heu começar a enumerá-los, o post não acaba hoje. É computador sem senha e elevador sem câmera dentro do prédio do FBI, é barra de ouro derretendo e solidificando rapidinho, é um que consegue criar uma morte falsa apenas arrancando uns dedos, é outro que quebra o próprio polegar pra sair de uma algema e depois agir como se nada tivesse acontecido… A lista é interminável…

O diretor Simon West fez melhor com o recente Os Mercenários 2 e também com os mais antigos Con Air e Lara Croft. Mas eram roteiros melhores, né?

No elenco, Nicolas Cage faz o mesmo papel de sempre. Além dele, Malin Akerman, Josh Lucas, Danny Huston e Sami Gayle. Ninguém está bem, mas ninguém está tão mal a ponto de atrapalhar.

Não recomendo O Resgate. A não ser que você esteja procurando um filme de ação meia bomba, e que você não se preocupe com “detalhes” como o roteiro.