Mama

Crítica – Mama

Um tempo atrás, surgiu pela internet Mama, um curta de terror que construía uma tensão maior do que muito longa por aí, apesar de ter apenas uns três minutos. Pessoas influentes na indústria cinematográfica viram o curta e agora o mesmo diretor Andrés Muschietti nos apresenta o longa Mama, desta vez produzido por Guillermo del Toro. E a melhor notícia é: temos um dos melhores filmes de fantasma dos últimos tempos!

Annabel e Lucas resolvem encarar um grande desafio: criar as duas sobrinhas dele, órfãs, e abandonadas sozinhas numa cabana na floresta por cinco anos. Mas – será que elas estavam sozinhas mesmo?

Não gosto de julgar diretores estreantes. Antes de elogiar a carreira de Andrés Muschietti, prefiro esperar por outro filme dele. Mas posso afirmar que seu longa de estreia é excelente!

Mama consegue uma coisa básica, mas que nem todos os filmes de terror conseguem: causa medo. O filme tem um excelente clima tenso, e traz várias cenas de sustos, quase sempre feitas com truques de câmera e usando efeitos sonoros. Lembrei de Sobrenatural, que passou nos cinemas daqui uns dois anos atrás.

Alguns vão dizer que Mama tem muitos clichês. É verdade, a gente já viu outros filmes que mostram um quarto escuro iluminado apenas com flashes de uma câmera fotográfica, ou que mostram seres sinistros que aparecem quando as luzes se acendem. Mas isso não me incomodou, os clichês são bem utilizados aqui.

Os efeitos especiais são discretos e muito bem usados. A cena que mostra as meninas sendo encontradas, ainda se locomovendo como animais, é sensacional. E o personagem Mama é assustador na dose certa.

Sobre o elenco, esqueça a menina de nome impronunciável Quvenzhané Wallis, de Indomável Sonhadora. A pequena Isabelle Nélisse está sensacional como a irmã mais nova. Megan Charpentier, a irmã mais velha, também está muito bem, mas Isabelle impressiona mais como a menina que conhece pouco sobre as regras sociais e age meio como um bicho. Se a Academia fosse justa, Isabelle teria uma indicação ao Oscar ano que vem – o que infelizmente nunca vai acontecer por um filme deste estilo…

Outro comentário sobre o elenco: na minha humilde opinião, um dos pontos negativos do filme foi a escalação de uma atriz de 35 anos para o papel de Annabel. Acho que seria mais coerente se Annabel tivesse uns vinte e poucos anos. Por sorte, Jessica Chastain é uma excelente atriz e convence como a jovem baixista de uma banda que nem pensa em ser mãe e “ganha” duas filhas. Nicolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones, também está bem como Lucas (e como Jeffrey, o irmão de Lucas).

Cabe mais um comentário sobre o elenco? Javier Botet, que interpretou a Menina Medeiros em REC, aqui ganhou o papel da Mama. Dei uma pesquisada no google, o cara é magrelo e tem os braços muito compridos. Deve ser um sujeito esquisitão. Ou seja, serve perfeitamente para papeis esquisitos assim.

Enfim, chega de escrever. Fica a recomendação: vá ao cinema ver Mama – o filme estreia nesta sexta, e merece ser visto na sala escura.

E parabéns ao diretor Andrés Muschietti. Continue no bom caminho!

p.s.: Pra quem não sabe, meu nome é Helvecio. Pra mim, o filme ainda tem um atrativo extra: a cabana onde as meninas ficaram se chama “Helvetia”. 🙂

Oz: Mágico e Poderoso

Crítica – Oz: Mágico e Poderoso

Sou fã do Sam Raimi desde a época dos Evil Dead. Claro que não ia deixar de ver sua versão para a origem do Mágico de Oz, né?

Fugindo de uma briga, o mágico de circo Oscar Diggs acaba chegando na Terra de Oz. Lá, ele conhece as bruxas Theodora, Evanora e Glinda, e, com a ajuda de um macaco alado e de uma boneca de porcelana, precisa descobrir quem é do bem e quem é do mal.

Sim, é isso mesmo, esqueça a Dorothy, o Totó, o Espantalho, o Leão e o Homem de Lata. Trata-se de um prequel, mostrando como o Mágico chegou em Oz.

Li que a produção deste Oz: Mágico e Poderoso teve problemas com direitos autorais. O livro de L Frank Baum, de onde saiu a história, está em domínio público, mas o filme de 1939 O Mágico de Oz não está, e os donos dos direitos não liberaram. Então, tudo aqui teve que ser minuciosamente pensado. As citações ao filme original não podiam ser diretas. Um exemplo disso é o início do filme em preto e branco – as cores aparecem quando ele chega a Oz, como acontece no filme clássico.

Claro que os saudosistas vão dizer que este Oz: Mágico e Poderoso não chega aos pés do filme de 39. Mas acho que isso já era previsto: qualquer um que for “cutucar” um dos maiores clássicos da história do cinema vai encontrar uma legião de “haters”. Faz parte.

Na minha humilde opinião, o resultado ficou bem interessante, uma fantasia a la Tim Burton – diferente do último filme de Raimi, o bom terror Arraste-me Para o Inferno. Raimi consegue desenvolver bem uma nova fábula no mundo de Oz.

A produção é Disney, o que pode ser uma boa e ao mesmo tempo uma má notícia. Por um lado, a produção é de altíssimo nível – a animação dos coadjuvantes (o macaco alado e a boneca) é de uma qualidade impressionante. Por outro, Raimi está mais discreto que o habitual (é só compararmos com o resto da boa filmografia do diretor). Se Raimi estivesse mais “solto”, o resultado provavelmente seria menos comportado.

Sobre os efeitos especiais, eles ficaram meio artificiais, mas isso me pareceu proposital. Alguns cenários são muito coloridos, algumas maquiagens são muito caricatas – os cenários e caracterizações parecem uma mistura de Alice no País das Maravilhas do Tim Burton com O Grinch do Jim Carrey.

No elenco, não vi nenhum destaque. James Franco está canastrão, mas acho que o personagem pedia isso. Não gostei da atuação de Mila Kunis, ela parece artificial demais. Rachel Weisz se sai um pouco melhor com sua bruxa menos caricata. Ainda no elenco, Michelle Williams, Zach Braff, Bill Cobbs e as tradicionais pontas de Bruce Campbell e Ted Raimi.

Enfim, Oz: Mágico e Poderoso não se tornará um clássico como o filme de 39. Mas é uma boa diversão.

Os Croods

Crítica – Os Croods

Filme novo da Dreamworks!

Após ver sua caverna destruída, uma família de homens das cavernas sai à procura de um novo lar no meio de um estranho mundo novo, com a ajuda de um jovem criativo.

Quando a Dreamworks e a Pixar apareceram, surgiu um novo padrão nos longa metragem em animação. Mas parece que com o passar dos anos a Dreamworks assumiu o posto de segundo lugar. Enquanto a Pixar continua nos surpreendendo quase sempre, a Dreamworks mais uma vez apresenta um filme meia bomba.

Os Croods não é ruim, longe disso. É divertido, com bons personagens, e tecnicamente bem feito. Mas o problema é que hoje em dia estamos mal acostumados, e quando aparece um novo longa de animação, a gente espera ser surpreendido. E Os Croods não surpreende nada. É um bom desenho, e só.

Tem uma outra coisa que me incomodou um pouco: a ambientação do filme no “fim do mundo”. Como é um desenho pra crianças, precisa de um final feliz. Mas aqueles meteoritos caindo pouco antes do fim do filme deixam claro que aquela família não sobreviveria. Além da suspensão de descrença pra ver um bebê correndo rápido como um animal ou pessoas caindo de grandes alturas sem se machucar, precisamos de mais suspensão de descrença pra acreditar que o mundo só acabou pela metade.

Mesmo assim, o filme é bem divertido. Algumas situações são hilárias – a preguiça “Braço” é um excelente alívio cômico. E a parte técnica é de cair o queixo, tanto em cenas de ação (como a perseguição no “café da manhã”), quanto em cenários e bichos estranhos e coloridos. E o 3D é muito bem feito.

(O elenco original é estelar – Nicolas Cage, Emma Stone, Ryan Reynolds, Cloris Leachman, Catherine Keener e Clark Duke. Mas vi a versão dublada, então não posso palpitar aqui.)

Pena que ao fim da projeção fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Espero que Monsters University e Meu Malvado Favorito 2 nos surpreendam!

p.s.: No fim dos créditos rola uma piadinha rápida, mas nada demais.

The Room

Crítica – The Room

Quando vi Birdemic, li no imdb algumas comparações com este The Room, que seria um filme tão ruim quanto. Poucos dias depois, estive com o diretor curitibano Paulo Biscaia Filho (Morgue Story, Nervo Craniano Zero), que coincidentemente comentou sobre o mesmo filme. Os sinais estavam claros: heu precisava ver The Room!

Johnny é um bem sucedido executivo de um banco. Mas sua noiva manipuladora está tendo um caso com o seu melhor amigo.

The Room é ruim, muito ruim. Mas é um ruim diferente de Birdemic ou Cinderela Baiana. The Room é ruim porque tenta ser sério.

The Room é quase uma aula de cinema ao inverso. Se você quiser fazer cinema, veja tudo aqui e faça o oposto, é um bom ponto de partida. São muitos exemplos de erros.

Aqui é fácil vermos quem é o culpado: Tommy Wiseau, o diretor, roteirista, produtor e protagonista de The Room. O cara é muito ruim, é difícil saber em qual função ele é pior. Acho que a única tarefa que Tommy Wiseau fez direito foi a produção. Afinal, ele conseguiu realizar seu sonho – seu filme ficou pronto, diferente de muita gente por aí que não consegue isso. Mas…

– Tommy Wiseau é um péssimo roteirista. The Room traz alguns pontos no roteiro que seriam importantes, mas são ignorados logo depois – como a sogra de Johnny declarar que está com câncer, ou o envolvimento de Denny com o traficante de drogas. E olha que não estou falando da cena onde os personagens vão jogar futebol americano de fraque, nem do personagem do psicólogo, que aparece do nada e desaparece também do nada, nem das duas cenas de sexo com imagens repetidas, nem do jovem Denny querendo assistir o “pai adotivo” fazer sexo, nem…

– Tommy Wiseau é um péssimo diretor. Um exemplo: perto do fim do filme, seu personagem precisa pegar uma caixa e abri-la. Mas a caixa já estava aberta. Sem problemas: Johnny pega a caixa, a fecha e logo depois a abre.

– Mas acho que o pior de tudo é a atuação. Tommy Wiseau é um péééssimo ator. Olha, arrisco a dizer que nunca vi um ator tão ruim. A gente vê atores fracos aqui e ali, inclusive aqui em The Room, mas ele é muito pior do que se pode imaginar. Pra piorar, ele é feio, tem um físico horroroso e um sotaque bizarro. Uma frase sua virou meme de internet – procurem no google a expressão “you are tearing me apart, Lisa!”.

A trilha sonora também é muito ruim, mas não sei se teve dedo de Wiseau. Só sei que os temas não combinam e parecem encaixados à força.

Como falei lá no início, o pior de tudo é que estamos diante de um filme sério. Aparentemente, Wiseau acha que fez um bom filme. Por isso, dependendo do ponto de vista, The Room é ainda pior que um Birdemic ou um Cinderela Baiana, já que os risos aqui são de vergonha alheia.

Acho que a única coisa boa deste filme é a nudez gratuita da personagem principal feminina, que gosta de tirar a roupa sem motivo. Mas, mesmo assim, ainda preferia que fosse uma atriz mais bonita.

A recomendação para o público “leigo” é simples: evite ao máximo e seja feliz. Mas, para aqueles iniciados no mundo trash, recomendo ir com cautela. The Room não é para qualquer um!

Linha de Ação

Crítica – Linha de Ação

Desconfiado da traição de sua mulher, o prefeito de Nova York, às vésperas da eleição, contrata um ex-policial para investigá-la. Mas logo o suposto amante é assassinado, e todas as provas apontam para o prefeito, candidato à reeleição.

Dirigido por Allen Hughes (O Livro de Eli, Do Inferno), Linha de Ação é um filme “correto”. Não chega a ser ruim, mas também está longe de ser um bom filme.

Não sei exatamente qual foi o problema, o fato é que o filme não “engrena”. Talvez seja porque Linha de Ação não tem nenhum personagem com quem a gente possa se identificar; talvez seja porque hoje temos várias opções muito boas – já vi episódios de séries policiais de tv melhores do que este filme.

O roteiro tem falhas. Temos personagens mal construídos e situações previsíveis. E teve uma coisa que me incomodou: o debate entre os candidatos a prefeito. Vem cá, lá nos EUA os debates são bagunçados assim, com um interrompendo o outro o tempo todo? Outra coisa: qual o propósito da personagem Natalie? Pode tirar o personagem que o filme não perde nada.

O elenco nem é ruim. Gosto do Mark Wahlberg – apesar de saber das suas limitações, ele funciona em papeis assim. Russell Crowe faz o feijão com arroz de sempre; Catherine Zeta-Jones pouco aparece, e também faz o básico. Ainda no elenco, Jeffrey Wright, Barry Pepper, Alona Tal e Natalie Martinez.

Enfim, Linha de Ação não é nem bom nem ruim. Se fosse lançado uns 15 anos atrás, seria um caso de “filme de apoio”, filmes que eram lançados em vendas casadas com os “filmes de ponta”…

The ABCs Of Death

Crítica – The ABCs Of Death

Um projeto ousado: 26 diretores diferentes teriam total liberdade para fazer um curta baseado em cada uma das 26 letras do alfabeto. Ideia interessante, mas que dificilmente daria certo…

Em primeiro lugar, fazer um curta é mole, mas fazer um bom curta não é tarefa das mais fáceis. O cara tem poucos minutos para apresentar, desenvolver e concluir uma história completa. Por isso, várias das 26 historinhas ficaram devendo.

Na minha humilde opinião, outra falha foi a tal “total liberdade” dada a cada curta. Isso tirou qualquer possibilidade de identidade do filme como um longa, já que cada autor pensou num conceito distinto. E ainda gerou algumas forçações de barra – um dos curtas é sobre um vampiro, mas não está na letra “V”, e sim na “U”, de “Unearthed“; ou, “W” podia ser uma história de lobisomem (werewolf), mas resolveram juntar várias imagens aleatórias e chamar de “WTF”. Acho que o resultado poderia ser melhor se cada autor tivesse um tema, em vez de uma letra.

O resultado final é beeem irregular. Algumas historinhas são boas, mas são poucas – a maior parte ficou devendo. Quase todos os diretores são pouco conhecidos do grande público, mas já foram mencionados aqui no heuvi. Vou comentar alguns dos curtas, citando os diretores:

– Nacho Vigalondo, que fez o bom Los Cronocrímenes, faz um filminho bobo, com o “A” de “Apocalypse“. Aliás, é bom falar, não tem nada apocalíptico no filme.

– Marcel Sarmiento, que fez o bom Deadgirl, conseguiu belas imagens num filme de luta entre um homem e um cachorro. Pena que a história em si é besta.

– Noburu Iguchi, do divertido Machine Girl, fez uma bizarrice com o “F” de “Fart“. É um dos que ficaram devendo…

– Ti West, nome maomeno badalado, mas que fez um dos piores segmentos de V/H/S, tem um momento de mau gosto aqui com o seu péssimo “M” de “Miscarriage“.

– Banjong Pisanthanakun, que fez o bom terror tailandês Espiritos – A Morte Está ao Seu Lado, fez o divertido “N” de “Nuptials“.

– Adam Wingard e Simon Barrett, responsáveis pelo pior segmento de V/H/S, fizeram um dos melhores aqui, o “Q” de “Quack“.

– Srdjan Spasojevic, do polêmico A Serbian Film, fez um filmete sem sentido, o “R” de “Removed“.

– Jake West, dos divertidos Doghouse e Evil Aliens, fez um bom trabalho no “S” de “Speed“.

– O desconhecido Lee Hardcastle ganhou um concurso pra entrar no filme, e fez o divertido “T” de “Toilet“, em animação stop motion.

– Ben Wheatley, de Kill List e Sightseers fez um dos melhores curtas, o “U” de “Unearthed“.

– Kaare Andrews, do irregular Altitude, fez o “V” de “Vagitus“, tecnicamente bem feito, mas com uma história sem sentido.

– Xavier Gens, de Frontier(s) e The Divide, fez o bom curta “X” de “XXL“.

– Yoshihiro Nishimura, do bizarro Tokyo Gore Police, fecha o filme com o mais bizarro ainda “Z” de “Zetsumetsu“.

Como destaque negativo, acho que podemos citar o “L” de “Libido“, como algo de extremo mau gosto, além de alguns curtas bobos, como “O” de “Orgasm“, “K” de “Klutz” e “G” de “Gravity“. E o “W” de “WTF” além de não ter sentido, tem alguns dos piores efeitos especiais que já vi na minha vida.

Enfim, um programa extremamente irregular. Só pros muito curiosos.

Indomável Sonhadora

Crítica – Indomável Sonhadora

Atrasado, fui ver mais um dos filmes do Oscar.

Hushpuppy é uma menina de 6 anos de idade que vive na “Banheira”, uma comunidade miserável isolada às margens de um rio. Seu pai, alcoólatra e doente, se recusa a procurar ajuda médica.

Dirigido pelo estreante Benh Zeitlin, Indomável Sonhadora tem um problema gravíssimo: a câmera parece operada por uma pessoa que sofre o Mal de Parkinson. É mais ou menos como se o Michael Bay resolvesse fazer um drama. É realmente difícil encarar o filme, chega a dar náuseas.

A câmera trêmula parece que quer dar a Indomável Sonhadora um ar cool de cinema independente. Ou seja, só pretensão mesmo.

Quem conseguir sobreviver à câmera trêmula, vai encontrar o problema seguinte, o problema moral. É difícil criar alguma empatia com personagens tão “errados”. A comunidade da “Banheira” deveria sair de lá, mas não só todos insistem em ficar como ainda tentam explodir a represa, como se isso fosse ajudá-los. Pra piorar, parece que todos na comunidade têm problemas com alcoolismo. E Wink, o pai da menina, além de ser alcoólatra e egoísta, bate na filha, a trata mal e ainda a oferece bebida alcoólica.

A “estética Sebastião Salgado” da fotografia do filme não ajuda – só vemos gente feia, miséria e pobreza ao longo da projeção. Talvez isso tudo seja para a gente ter pena da protagonista Hushpuppy, e assim ela ter o nosso apoio. Mas não funcionou.

A história dá uma pincelada no realismo fantástico, com as tais “bestas do sul selvagem” do título original (Beasts of the Southern Wild). Mas é outra coisa que não funciona: fica tudo solto no ar, sem nenhuma função na trama.

Bem, tem muita gente falando bem da atuação da pequena de nome impronunciável, Quvenzhané Wallis. Realmente, a menina manda bem e merece todos os elogios. Mas nada adianta se o filme não ajuda.

Apesar de todas as falhas, tem muita gente falando bem do filme, que recebeu inacreditáveis quatro indicações ao Oscar, incluindo melhor filme (!), roteiro (!!) e direção (!!!). Mas, na minha humilde opinião, é só o hype do cinema independente.

Não vale nem pela menina que ninguém consegue chamar pelo nome…

O Dobro Ou Nada

Crítica – O Dobro Ou Nada

Filme novo do Stephen Frears, estrelado por Bruce Willis, Rebeca Hall e Catherine Zeta-Jones? Pode ser legal.

Beth trabalha como stripper, mas ao ter contato com um cliente perigoso, resolve ir para Las Vegas. Lá, começa a trabalhar com apostas, na empresa Dink Inc. Boa com números, tem problemas ao se apaixonar pelo patrão.

Pode ser legal? Podia, mas não é. O Dobro Ou Nada (Lay the Favorite, no original) é uma grande decepção. O filme é sem graça e não leva a lugar algum. Mas o pior é a grande quantidade de personagens mal construídos.

Os personagens são péssimos! Beth, a protagonista, interpretada por Rebecca Hall, passa o filme inteiro andando de shortinho e enrolando o cacho do cabelo, como se fosse uma adolescente, algo incoerente com sua postura profissional. Tulip, a personagem de Catherine Zeta-Jones, primeiro posa de esposa ciumenta, pra depois ficar amiguinha da mulher que tentou seu marido. Vince Vaughn nem é uma das piores coisas aqui, mas o seu exagerado Rosie chega a irritar, sorte que pouco aparece. Joshua Jackson parece perdido com o seu sub aproveitado Jeremy. Acho que o único que se salva é Bruce Willis, seu Dink não é um grande personagem, mas pelo menos não está mal.

E o pior de tudo é constatar que o roteirista é D.V. DeVincentis, o mesmo do excelente Alta Fidelidade, também dirigido por Frears. Ambos os roteiros são baseados em livros, desconfio que um dos livros deve ser bem melhor que o outro…

Enfim, desnecessário…

 

Dogma do Amor

Crítica – Dogma do Amor

Outro dia, uma amiga mandou um e-mail me perguntando sobre um filme com a seguinte descrição: “O plot é mais ou menos assim: tem duas patinadoras no gelo, gêmeas. As pessoas começam a morrer do nada. Desfalecem na rua, mas aquilo vira normal e as outras passam por cima, como se nada tivesse acontecido. Lá pelas tantas o planeta começa a congelar. E o protagonista tá num avião que não pousa e vai ficar voando até… Que filme é esse?“. Caramba, não conhecia, mas precisava ver um filme assim!

Na verdade, Dogma do Amor (It’s All About Love, no original), lançado em 2003, fala sobre um casal e suas tentativas para salvar seu relacionamento num futuro próximo onde o planeta está à beira de um colapso cósmico. E as dicas dadas pela minha amiga estavam parcialmente incorretas. Não são patinadoras gêmeas, mas aparecem quatro patinadoras iguais; e não é o protagonista quem está no avião que não pode pousar. Mesmo assim, ainda parecia ser um filme interessante.

Gosto de filmes com sinopses bizarras – fiz até um Top 10 sobre isso. Não acho que tudo tem que ser explicado, fico satisfeito mesmo quando coisas são deixadas no ar sem explicação. Mas o filme precisa ser bom. E isso não acontece com Dogma do Amor.

Aparentemente, as situações bizarras só estão na trama pra chamar a atenção. São subtramas que não tem nenhuma importância na história, e que são muito pouco exploradas – tem um lance de pessoas sem gravidade em Uganda, que só aparece na última cena, solto, sem nenhuma relação com o resto do filme.

O diretor é Thomas Vinterberg, que ficou famoso com Festa de Família, o menos ruim dentre os filmes do Dogma 95, movimento picareta inventado por ele mesmo ao lado de Lars Von Trier pra chamar a atenção, e que não trouxe nada de qualidade para o cinema. Mas, se o Dogma 95 pregava uma produção cinematográfica espartana (câmera na mão, sem trilha sonora nem iluminação artificial, atores não profissionais, etc.), aqui Vinterberg deixou tudo isso de lado e resolveu abusar dos efeitos especiais – tem até efeito onde não precisa, como a cena desnecessária dos africanos sem gravidade.

(Aliás, o nome brasileiro do filme tenta pegar carona no movimento. “É Tudo Sobre o Amor” virou “Dogma do Amor“…)

O problema é que se você tirar as bizarrices do roteiro, o filme fica vazio e sem graça. Os personagens não são interessantes, a trama não é envolvente, o roteiro tem um monte de furos (por que eles foram parar na neve, no meio do nada, perto do fim do filme?), e tudo fica enfadonho e arrastado.

No elenco, Joaquin Phoenix parece perdido. Claire Danes está um pouco melhor, seu personagem é o único interessante no filme (e tem o lance das cópias). E Sean Penn deve ter ganhado o cachê mais fácil de sua vida: aparece por alguns segundos, falando sozinho ao celular, dentro de um avião. Mais ninguém interessante no elenco.

Enfim, boa sinopse, desperdiçada num filme mal desenvolvido.

Duro de Matar 5: Um Bom Dia para Morrer

Crítica – Duro de Matar 5: Um Bom Dia para Morrer

John McClane está de volta! Será uma boa notícia?

John McClane viaja até a Rússia para tentar ajudar seu filho, Jack, que está preso acusado de assassinato. Lá, descobre que seu filho é da CIA, e pai e filho precisam deixar de lado velhos problemas familiares para se unirem em uma missão contra o terrorismo.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo: não é uma boa notícia. Este quinto filme é de longe o mais fraco da série.

John McClane é um personagem ótimo. O primeiro Duro de Matar (1988) é um dos melhores filmes de ação da década de 80. As partes 2 (90) e 3 (95) também são muito boas. E doze anos depois veio o divertido 4.0, que parecia uma grande e engraçada galhofa em cima da trilogia.

Mas agora, amigos, acho que John McClane já era…

Acho que foi um erro apostarem num diretor semi desconhecido – dele, só vi o fraco Max Payne. Mas acredito que o pior de Duro de Matar 5 seja o roteiro do também pouco conhecido Skip Woods (se bem que gostei do seu trabalho Esquadrão Classe A).

O roteiro deste quinto filme é bem fraco. Mas acho que o pior de tudo foi ver que o John McClane foi desperdiçado. No primeiro filme, ele era um cara “real” – a cena com seus pés cortados pelos cacos de vidro é um marco no cinema de ação. Agora ele pula do alto de um prédio, arrebenta um monte de andaimes e sai inteirão, apesar de estar 25 anos mais velho. E isso porque não citei que ele está muito menos irônico e sarcástico do que nos outros filmes.

Outra grande falha do roteiro é a ausência de um bom vilão. O vilão aqui é fraaaco… E pensar que Alan Rickman e Jeremy Irons já foram antagonistas de McClane…

Ainda no roteiro: são tantos furos, que a gente se questiona se alguém leu o que estava escrito antes de começar a filmar. Vamos lá, sem spoilers. Como McClane soltou as mãos logo após o momento do “vilão dançarino”? Onde estava a polícia russa durante tiroteios nas ruas da cidade, e, principalmente, durante o pesado ataque de um helicóptero? Como eles chegaram tão rápido e entraram tão fácil em Chernobyl? Por que todos pararam de usar proteção contra radiação? E o mais importante: por que a sub trama desnecessária com o plano do vilão, logo antes do “plot twist” sem sentido? Tem mais, mas vou parar por aqui.

O lado bom é que a perseguição de carros no início do filme é bem legal, apesar da mentirada sem tamanho – dei gargalhadas enquanto o carro de McClane “descia os degraus” em cima dos carros. Mas é pouco, muito pouco.

No elenco, Bruce Willis mostra que ainda tem pique, apesar de já estar com 57 anos. Jai Courtney (o Varro da primeira temporada de Spartacus) tenta, mas não tem um décimo do carisma de Willis. Mary Elisabeth Winstead aparece numa ponta reprisando o papel do quarto filme. E o resto nem merece ser citado.

Enfim, dispensável. Triste constatação, mas era melhor termos ficado só com quatro filmes. Se resolverem fazer um sexto, que contratem um bom diretor e, principalmente, um bom roteirista.