A Fuga

Crítica – A Fuga

Depois de ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro por Os Falsários, o diretor austríaco Stefan Ruzowitzky foi convidado pra o seu primeiro projeto hollywoodiano, este A Fuga (Deadfall, no original).

Um casal de irmãos foge com o dinheiro de um golpe em um cassino, ao mesmo tempo que um ex-boxeador está a caminho da casa dos seus pais para passar o Dia de Ação de Graças com a família. Quando os caminhos se cruzam, as coisas podem dar errado.

A Fuga é um eficiente thriller com uma trama bem construída, que se baseia em conflitos familiares em vez de reviravoltas no roteiro. O filme não tem nada de Spielberg, mas são três famílias, todas com problemas com a figura paterna…

O elenco é uma das melhores coisas de A Fuga. Eric Bana, inspirado, faz um vilão excelente. E Olivia Wilde, além de boa atriz, é uma das mulheres mais bonitas da Hollywood contemporânea. Ainda no elenco, Sissy Spacek, Kate Mara, Treat Williams, Kris Kristofferson e Charlie Hunnam.

A Fuga é bem violento, mais do que o padrão hollywoodiano, mas nada que atrapalhe. A violência gráfica contrasta com as belas paisagens geladas, bem utilizadas pela fotografia do filme. A parte final é previsível, mas a cena é bem conduzida. Não gostei do fim, mas não chegou a estragar o filme.

A Fuga não é nenhuma obra prima, mas pode funcionar em um dia sem melhores opções.

Searching For Sugar Man

Crítica – Searching For Sugar Man

Ano passado, li sobre este Searching For Sugar Man quando passou no Festival do Rio, mas não me interessei muito. Admito que não sou fã de documentários. Acho que 90% do interesse num documentário está no objeto a ser documentado – se você gosta do assunto, vai gostar do documentário; se não gosta, nem vai ver. Mas as recomendações eram boas, então fui procurar o filme.

Sixto Rodriguez foi um cantor de folk que, nos anos 70, lançou dois discos que não fizeram sucesso, e desapareceu depois disso. Boatos indicavam que ele tinha se suicidado, mas não havia qualquer confirmação. Até que, nos anos 1990, um grupo de fãs da África do Sul resolveu desvendar a verdade por trás do paradeiro do cantor.

Searching For Sugar Man tem falhas na narrativa. Mas a história de Rodriguez, o músico documentado, é boa, e torna o filme interessante de se ver. Rodriguez gravou dois discos, não vendeu nada e desapareceu depois. Só que ele fez um sucesso absurdo na África do Sul. O problema é que ninguém na África do Sul tinha contato com o músico, e este não sabia que fazia sucesso em outro país…

Mas, se a história é interessante, o filme tem falhas. Em determinado momento, um pesquisador diz que vai “seguir o dinheiro” para tentar descobrir o paradeiro de Rodriguez. Mas, depois de conversar com um ex-produtor (que se estressou no meio da entrevista), deixam a ideia de lado e ninguém mais fala disso. Mais: se tudo aquilo que vemos aconteceu em 1998, por que todas as entrevistas são tratadas como se fossem feitas nos dias de hoje?

A sorte de Searching For Sugar Man é que o tema abordado foi bem escolhido – a história de Rodriguez é muito boa. Se você abstrair os problemas, pode até curtir o filme.

Vôo Noturno

Crítica – Vôo Noturno

Hora de rever Vôo Noturno (Red Eye), de 2005!

Durante um vôo de madrugada, uma gerente de hotel é obrigada a ajudar um terrorista, que ameaça a vida do seu pai.

O diretor Wes Craven tem lugar de destaque na história do cinema de horror. Mas sua carreira é bastante irregular, isso ninguém discorda. Por um lado ele é incensado por ser o criador do Freddy Krueger e da série A Hora do Pesadelo; e também da franquia Pânico, que deu um novo sopro de criatividade ao cinema de terror nos anos 90. Por outro lado ele “cometeu” atrocidades como Amaldiçoados, um dos piores filmes de lobisomem da história.

Este Vôo Noturno veio pouco depois de Amaldiçoados, e é muito melhor. Não é terror, e sim um suspense. É um filme simples, sem nada sobrenatural na trama, com efeitos especiais discretos, pouco sangue e nenhum gore. E, importante, um filme muito eficiente ao criar tensão.

Os primeiros dois terços do filme se passam dentro do avião, causando um ótimo clima claustrofóbico. A boa química entre o casal protagonista e o talento do diretor com o posicionamento de câmera proporcionam uma boa experiência cinematográfica.

O roteiro tem algumas forçações de barra – como é que o barco é revistado e ninguém pensa em verificar as varas de pescar? – mas nada grave. E a terceira parte do filme, fora do avião, é um pouco inferior, mas não chega a atrapalhar o bom resultado final.

O elenco é liderado pelo casal Rachel McAdams e Cillian Murphy. Bons atores, mas, sei lá por que, nenhum dos dois alcançou o primeiro escalão de Hollywood – ela estava nos dois Sherlock Holmes; ele, nos três Batman. Ainda no elenco, Brian Cox e Jayma Mays.

Bom filme, esquecido nas prateleiras das locadoras. Comprei o meu dvd numa promoção dessas, quando uma locadora repassa os filmes velhos…

Na Mira do Chefe

Crítica – Na Mira do Chefe

Há tempos ouço boas recomendações sobre este Na Mira do Chefe, filme de estreia do diretor e roteirista Martin McDonagh. Depois de ter visto Sete Psicopatas e um Shih-Tzu, seu segundo filme, fui atrás do primeiro.

Depois de um trabalho que dá errado, dois assassinos profissionais são mandados pelo seu chefe para passar um tempo na pacata cidade de Bruges, esperando novas ordens.

Na Mira do Chefe (In Bruges, no original) é um filme “correto”. Bons atores, bons diálogos, uma bela locação europeia… Mas, sabe quando falta algo? Acaba o filme, e fica aquela sensação de que ainda faltava algo pro filme ser bom.

Vamos ao que funciona. O elenco está muito bem. Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes estão ótimos, assim como os coadjuvantes menos conhecidos Clémence Poésy, Jordan Prentice e Zeljko Ivanek. Os diálogos fluem bem entre o elenco. As locações, em Bruges, na Bélgica, também foram bem escolhidas.

Mas é pouco, pelo menos para um filme tão badalado. Mais: o filme foi vendido como “comédia de humor negro”. Olha, até tem algum humor negro, mas muito pouco para transformar o filme em uma comédia. E, pra piorar, o ritmo da metade inicial é muito lento. Depois, quando aparece o personagem de Ralph Fiennes, o ritmo melhora, mas já é tarde demais, já comprometeu o resultado final do filme.

Muita gente compara este filme ao estilo de Quentin Tarantino. Discordo. Diferente de Sete Psicopatas e um Shih-Tzu, Na Mira do Chefe traz poucos elementos “tarantinescos” – não tem nenhum personagem esquisito, a trilha sonora é careta, a edição é convencional… As únicas coisas que se aproximam do universo Tarantino são algumas citações à cultura pop. Mas é tão próximo aos filmes do Tarantino quanto um Mercenários da vida.

Sinceramente, não consegui entender o hype da crítica – e não só da crítica especializada, o filme tem nota 8,0 no imdb! Na Mira do Chefe está longe de ser ruim, mas, na minha humilde opinião, falta comer muito arroz com feijão antes de ser bom…

Vamos Nessa

Crítica – Vamos Nessa

Há tempos que heu queria rever este Vamos Nessa, de 1999. Aproveitei uma promoção da Amazon gringa com o blu-ray com legendas em português e comprei o filme.

Na noite da véspera de Natal, um grupo de jovens se mete numa situação que envolve compra e venda de drogas – e muita festa. A história é dividida e contada sob três diferentes pontos de vista.

Na época do lançamento, rolaram comparações com o estilo de Quentin Tarantino – narrativa em ordem não cronológica, personagens descolados, violência e drogas. É que, naquela época, surgiram vários “clones” de Tarantino – alguns muito bons, como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (primeiro filme do hoje famoso Guy Ritchie); outros nem tanto, como Coisas Para se Fazer em Denver Quando Você Está Morto. Vamos Nessa está no meio do caminho – não chega a ser uma obra prima, mas é um filme divertido.

A estrutura de Vamos Nessa é interessante: o filme é dividido em três partes quase independentes entre si, que acontecem simultaneamente – não é a mesma história repetida sob ângulos diferentes, como Corra, Lola, Corra ou Jackie Brown. As três histórias têm estilos diferentes, acho todas boas.

O diretor Doug Liman ainda era quase um calouro na época. Três anos antes ele chamara a atenção com a comédia independente Swingers, mas logo depois virou “diretor de primeiro escalão”, e fez A Identidade Bourne, Sr e Sra Smith, Jumper e Jogos de Poder.

É curioso vermos o elenco hoje, 14 anos depois. Vários nomes então promissores não chegaram a lugar algum. Sarah Polley é hoje uma respeitada roteirista e diretora independente, mas continua um rosto desconhecido do grande público (gostei dela em Splice, que nem me lembro se foi lançado aqui). Katie Holmes era famosa por uma série de TV; hoje é famosa por ser uma ex de Tom Cruise. Scott Wolf era um nome conhecido de séries de tv, onde continua até hoje. William Fichtner e Timothy Oliphant são bons atores e fazem filmes adoidado, mas sempre em papeis que chamam menos atenção. Jay Mohr, Taye Diggs e Breckin Meyer nunca chegaram a fazer muito sucesso, e têm andado ainda mais sumidos. E Desmond Askew era desconhecido e continua desconhecido…

Vamos Nessa não é um grande filme, mas conta pontos justamente por não querer ser um. Boa diversão, meio esquecida hoje em dia.

 

Em Transe

Crítica – Em Transe

Filme novo do Danny Boyle!

Um homem que trabalha em leilões de peças de arte acaba envolvido com uma gangue responsável pelo roubo de quadros e com uma hipnoterapeuta.

O diretor Danny Boyle tem uma carreira peculiar. Seus filmes pouco têm a ver um com o outro – o que têm em comum Quem Quer Ser um Milionário?, Trainspotting, Sunshine – Alerta Solar e Caiu do Céu?. Mas, por ter um estilo marcante de filmar – edição com cortes rápidos, fotografia com cores fortes, trilha sonora alta e marcante – sua filmografia apresenta uma certa unidade.

(Aliás, falando em versatilidade, Boyle foi o responsável pela cerimônia de abertura das últimas Olimpíadas, em Londres…)

Em Transe (Trance, no original) é mais um filme diferente na sua versátil filmografia. Desta vez, Boyle apresenta um thriller com reviravoltas na trama. Em Transe é daquele tipo de filme que o quanto menos você souber antes, melhor. Por isso, vou tomar cuidado para não soltar spoilers. Só vou adiantar que a trama é bem construída, e nem tudo é o que parece.

Talvez esta “necessidade de enganar o espectador” seja o ponto fraco de Em Transe. A trama é tão envolvente e rocambolesca, principalmente na parte final, que a gente não repara as inconsistências do roteiro. O fim do filme teria um desfecho diferente na vida real (selecione para ler: a polícia procuraria a mulher desaparecida, e acabaria encontrando o carro abandonado no estacionamento. Além disso, o carro estaria exalando um cheiro terrível!).

Sobre o elenco, James McAvoy e Vincent Cassell estão bem, como esperado. E Rosario Dawson impressiona com uma corajosa (e generosa) cena de nu frontal (que não é gratuita, tem explicação na trama).

Apesar da parte final confusa, Em Transe mantém a qualidade habitual de Danny Boyle e é uma boa opção no circuito.

E.T. – O Extraterrestre

Crítica – E.T. – O Extraterrestre

Hora de pegar as crianças pra rever E.T. – O Extraterrestre!

Alguém não conhece a história? Um garoto encontra um pesquisador botânico alienígena, e desafia as autoridades para ajudá-lo a voltar para o seu planeta.

Todo mundo viu E.T., né? Não tem muito o que falar sobre um filme desses. Clássico contemporâneo, marcou a vida de um um montão de gente, consolidou o diretor Steven Spielberg como um dos maiores nomes de sua geração, foi o maior recordista de bilheteria por mais de uma década, etc., etc., etc.

O que ainda funciona? A trilha sonora é uma das melhores da longa e rica carreira de John Williams. O boneco, criado por Carlo Rambaldi (Alien, Possessão), também é muito bem feito, e consegue ao mesmo tempo assustar e cativar. E os efeitos especiais, top de linha na época, continuam bons – a cena dos garotos andando de bicicleta pelos céus ainda arrepia.

É curioso ver o elenco hoje. Henry Thomas, o protagonista, nunca mais fez nada digno de nota; já sua irmãzinha é a Drew Barrymore, então com sete anos de idade, em seu segundo papel no cinema. Entre os coadjuvantes infantis, temos C. Thomas Howell na “gang das bicicletas”, e a futura coelhinha da Playboy Erika Eleniak como a menininha que dá mole pro Elliott. Acho que Peter Coyote é o único adulto reconhecível.

Agora, rever um filme icônico 30 anos depois tem seus problemas. Muito da magia do filme se perdeu. Hoje, adulto, vi um monte de defeitos que passaram batido quando heu era criança. Tem umas falhas bizarras no roteiro, como quando todos ignoram a quarentena no meio do procedimento e tiram suas máscaras, ou quando deixam o Elliott sozinho com o E.T. Além disso, tem uns momentos do roteiro onde claramente o único objetivo é criar sentimentalismo barato – qual outra razão para a conexão entre Elliott e o E.T.?

Tem outro problema. O dvd que tenho é a versão alterada digitalmente. Esta versão tem uma das duas alterações mais bisonhas da história do cinema digital, na cena onde armas foram apagadas das mãos dos policiais e foram substituídas por walkie talkies (a outra alteração digital bisonha foi o Greedo atirando antes do Han Solo em Guerra nas Estrelas). Ainda tem uma cena bem tosca com o E.T. mexendo com pasta de dente que me parece novidade, mas não tenho certeza.

Mesmo assim ainda é um grande filme. Só que hoje digo que é um filme supervalorizado. Hoje, depois de três décadas, Contatos Imediatos do Terceiro Grau me parece um Spielberg absurdamente melhor…

Para Maiores

Crítica – Para Maiores

Fiquei dividido quando vi o trailer deste Para Maiores (Movie 43, no original). Por um lado, o elenco é um dos mais impressionantes que já vi. Por outro lado, o filme parecia ser uma comédia apelativa muito ruim.

Para Maiores é uma série de doze filmes curtos, todos de comédia, sempre usando humor ofensivo. Os filminhos são independentes entre si.

O formato lembra os divertidos Kentucky Fried Movie e As Amazonas da Lua – principalmente o segundo, pelo elenco estelar. A diferença é que Para Maiores é uma comédia sem nenhuma boa piada. Parece que os idealizadores procuraram a polêmica em vez do engraçado. O humor é grosseiro, adolescente – e bobo.

E, inexplicavelmente, o elenco conta com Kate Winslet, Hugh Jackman, Naomi Watts, Halle Berry, Emma Stone, Anna Faris, Gerard Butler, Johnny Knoxville, Sean William Scott, Chloe Grace Moretz, Chistopher Mintz-Plasse, Elizabeth Banks, Josh Duhamel, Richard Gere, Kate Bosworth, Kristen Bell, Leslie Bibb, Uma Thurman, Jason Sudeikis, Liev Schreiber, Justin Long, Terrence Howard, Patrick Warburton, Katrina Bowden e Jack McBryar, entre outros. Como convenceram essa galera a entrar nessa roubada?

Entre os diretores, alguns nomes também surpreendem. Ok, um nome como Peter Farrelly (Quem Vai ficar Com Mary) é coerente. Mas o que os atores Elizabeth Banks e Griffin Dunne estão fazendo dirigindo filminhos aqui?

Pelo imdb, tem gente dizendo que o filme é “ofensivo”. Sim, é. Para Maiores é um mix de vários tipos de piadas de baixo calão. Mas este não é o problema. O problema é ser uma comédia sem graça. Ted, uma das comédias mais divertidas do ano passado, tinha humor grosseiro e politicamente incorreto, mas era um filme engraçado. Não tenho nada contra humor grosseiro; mas tenho tudo contra humor sem graça. Só adolescentes descerebrados vão achar graça em piadas com fezes, menstruação, testículos ou pelos pubianos.

Enfim, dispensável.

p.s.: Descobri que existem duas versões do filme. Segundo o imdb, o filme é guiado por um segmento estrelado por Dennis Quaid e Greg Kinnear, que não está no arquivo disponível nos torrents por aí. No lugar, tem um filmete bobo estrelado por adolescentes. Não sei por que as versões diferentes. Mas, de qualquer maneira, duvido que o segmento de Quaid e Kinnear seja bom…

Carrie – A Estranha (1976)

Crítica – Carrie – A Estranha (1976)

Em breve estreará a refilmagem de Carrie. É hora de rever o original de Brian de Palma, de 1976.

Carrie é uma jovem tímida que vive com uma mãe problemática. No baile de formatura da escola, preparam para ela uma terrível armadilha, que a deixa ridicularizada em público. Mas ninguém imagina os poderes paranormais que a jovem possui e muito menos de sua capacidade vingança quando está repleta de ódio.

Carrie – A Estranha é uma feliz e inspirada união entre dois mestres do terror / suspense: o escritor Stephen King e o diretor Brian De Palma.

Stephen King é indiscutivelmente um dos maiores escritores fantásticos da história da literatura. Curiosamente, são poucos os bons filmes baseados em livros seus – até o próprio King falhou feio quando resolveu arriscar na direção, ele fez o fraco Comboio do Terror nos anos 80. Este Carrie – A Estranha é uma exceção – é um filmaço!

(Outros bons filmes baseados em Stephen King: O Iluminado, Cemitério Maldito, À Beira da Loucura, Christine, Conta Comigo, Creepshow, Um Sonho de Liberdade… Acho que dá um Top 10, que tal?)

Pra quem gosta de cinema como uma arte, ver um filme dirigido por Brian De Palma nos bons tempos é uma delícia. Cada plano, cada ângulo, cada sequência, tudo é bem pensado. Tecnicamente, o filme é excelente! E toda a sequência do balde é sensacional. Aquela corda balançando criou uma tensão absurda. Heu já sabia o desfecho, e mesmo assim fiquei me remexendo no sofá.

O que é curioso é que a trama é bem simples – já pararam pra pensar que o filme se passa basicamente na preparação para o baile e no baile em si? Não li o livro do Stephen King, mas desconfio que no livro deve ter mais coisa.

O elenco tem grande responsabilidade para o sucesso do filme. Sissy Spacek está sensacional, num papel difícil, que demonstra ao mesmo tempo ingenuidade e ódio reprimido. Piper Laurie, que faz a mãe, também tem uma interpretação memorável. Aliás, as duas foram indicadas ao Oscar – parece que foi a primeira vez que um filme de terror teve indicações ao Oscar de atriz e atriz coadjuvante. John Travolta, em início de carreira, brilha em um papel secundário. Ainda no elenco, William Katt, Amy Irving, Nancy Allen e Betty Buckley.

Este Carrie original é muito bom. Tenho medo da refilmagem. Tomara que não façam besteira!

Homem de Ferro 3

Crítica – Homem de Ferro 3

Estreou o novo Homem de Ferro!

Tony Stark é o brigado a superar suas crises existenciais quando o terrorista Mandarim destroi sua casa e o isola do resto do mundo.

Depois de dois excelentes filmes “solo” e um sensacional filme ao lado de outros super herois, a dúvida era: será que o novo Homem de Ferro vai segurar o nível elevado?

Err… Não, não segurou. Homem de Ferro 3 é bom, mas está abaixo dos outros filmes.

O novo filme resolveu focar mais no homem do que no heroi, temos mais Tony Stark e menos Homem de Ferro. Stark está passando por crises e traumas decorrentes dos eventos ocorridos em Nova York, no filme d’Os Vingadores. (Aliás, tantas referências ao filme anterior revelam um grande furo no roteiro deste Homem de Ferro 3: quando Tony Stark teve sua mansão destruída e se viu sozinho, por que não ligou para Nick Fury e pediu ajuda aos coleguinhas super herois?)

O que salva o filme é que o personagem Tony Stark é muito bom, e o ator Robert Downey Jr tem um carisma enorme, e se encaixa perfeitamente no papel. Só vê-lo como o irônico e sarcástico Stark já vale o ingresso. Mas quem surpreende aqui é Gwyneth Paltrow com sua “Pepper Potts 2.0”. Aos 40 anos, Gwyneth mostra excelente forma física e participa ativamente da ação do filme. E Guy Pearce e Ben Kingsley mandam bem como os novos vilões. Ainda no elenco, Rebecca Hall, Don Cheadle, William Sadler, James Badge Dale e John Favreau (que aqui deixou a direção de lado e ficou só como ator coadjuvante e produtor executivo)

(Li por aí fãs dos quadrinhos falando mal do personagem de Ben Kingsley. Parece que o Mandarim dos quadrinhos não é assim. Bem, como nunca li quadrinhos do Homem de Ferro, achei muito legal o que acontece com o personagem.)

Falando na direção, John Favreau era um ator mediano que se arriscou do outro lado das câmeras e surpreendeu positivamente, virando um diretor de primeira linha (além dos dois Homem de Ferro, ele também dirigiu Cowboys & Aliens). Não sei por que, aqui ele deixou a cadeira de diretor para Shane Black, roteirista experiente (é dele o roteiro do primeiro Máquina Mortífera), mas em seu segundo trabalho como diretor. Não sei o quanto a troca de diretor influenciou no produto final…

Outra coisa: o que aconteceu com a trilha sonora? Cadê o rock’n’roll? Ouvi AC/DC e Black Sabbath nos filmes anteriores, mas aqui, não me lembro de ter ouvido nada de rock. Nem em cenas onde tinha espaço para uma música não orquestrada, como logo no início, quando Stark coloca um disco na vitrola para testar a nova armadura.

Ah, o 3D. Nas duas salas do cinema onde fui, só tinha opção 3D. Paguei mais caro por um artifício desnecessário. Prefira o 2D, se tiver essa opção.

Por fim, nem preciso dizer, né? Tem cena pós créditos, envolvendo o universo Marvel – como todos os outros filmes da “turminha Vingadores”.