Se Eu Fosse Você 2

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Se Eu Fosse Você 2

O primeiro Se Eu Fosse Você, de 2006, foi um dos maiores sucessos recentes do cinema nacional. E, se em Hollywood as continuações funcionam, por que não fazer o mesmo aqui?

O filme segue a “cartilha da boa continuação”: mesmo elenco, mesmo diretor e mesma ideia básica. Mais uma vez, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) trocam de corpo, de forma inexplicável e “inconsertável”. Igualzinho ao primeiro filme!

Pra não ser exatamente igual ao primeiro, o roteiro cria algumas complicações: agora o casal passa por uma crise e está se separando, e ao mesmo tempo a jovem filha descobre que está grávida. E isso gera uma série de novas situações, algumas muito engraçadas.

Às vezes o filme cai na caricatura – Tony Ramos como Helena é mais feminino do que a própria Gloria Pires! Mesmo assim, o filme é leve e tem boas piadas. Tudo é meio clichê, mas é um “clichê do bem”.

E agora aguardemos a terceira parte, anunciada nos créditos…

Pervert!

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Pervert!

Como falei no tópico sobre o Festival SP Terror, saí pela internet procurando filmes que estavam na programação, porque acredito que a maioria não chegará aqui por meios oficiais. Dois dos títulos heu não tinha conseguido legendas, então deixei para depois. Um é o Deadgirl, que já tem legendas em português, e tentarei ver no fim de semana. O outro é este Pervert! – para o qual só consegui as legendas em espanhol!

Um jovem universitário, órfão de mãe, vai passar as férias no deserto, na casa do pai, que gosta de andar com garotas com pouca idade e muito peito, e tem a mania de fazer esculturas pouco usuais.

Dirigido por Jonathan Yudis em 2005, Pervert! é um divertido trash movie com pitadas de Russ Meyer, autor da frase “What the public want are big laughs and big tits and lot’s of ’em. Lucky for me, that’s what I like too” (“O que o público quer são gargalhadas e seios grandes, e muito. Para minha sorte, também é o que gosto”). Esta frase, inclusive, está nos créditos do filme.

E o filme segue nessa onda. Personagens caricatos, situações exageradas, nudez gratuita e algum gore. Tem mais: as cenas são costuradas por vinhetas sem sentido com mulheres semi-nuas. E heu pergunto: precisa de algo mais? 😀

Claro que algumas cenas são ridículas, os efeitos são toscos, existem erros gritantes de continuidade e as atuações são pífias. Mesmo assim, é diversão garantida por quase uma hora e vinte minutos! Mais: o elenco de rostos desconhecidos traz uma atriz pornô, Mary Carey, como uma das desinibidas de sutiã tamanho GGG!

Tem mais uma coisa que preciso falar sobre esse filme: no terço final, rola uma animação tosquérrima em stop-motion. A animação foi perfeita, porque se fosse um efeito bem feito em cgi, não teria metade da graça…

Enfim, pra quem gosta de trash, vale o download e as legendas em espanhol!

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

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Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Imagine uma pessoa magoada com o fim de uma relação. Ela quer esquecer tudo que a lembre do ex ou da ex, certo? E agora imagine uma empresa que consegue apagar todas as memórias deste ex! Interessante, não?

Este é o mote do genial Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, um dos melhores roteiros filmados em Hollywood nos últimos anos. Não dá pra falar muito da história sem estragar o filme. Só o que posso dizer é que se trata de uma das mais belas histórias de amor já filmadas!

O diretor francês Michel Gondry (Rebobine Por Favor) conta a história do casal Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet), e seus encontros e desencontros. O roteiro de Charlie Kaufman ganhou o Oscar de melhor roteiro original de 2005 (Kate Winslet foi indicada a melhor atriz). E heu arrisco a dizer que este filme merecia outro Oscar: melhor edição!

A edição deste filme é uma loucura, principalmente nos momentos em que estamos dentro da cabeça de Joel e suas memórias estão sendo apagadas. A continuidade é cuidadosamente desconstruída: num plano o casal está num lugar cheio de pessoas, no plano seguinte o casal está no mesmo lugar, só que vazio; antes um objeto está lá, a câmera se movimenta e de repente o objeto desaparece. É de deixar tonto. E ao mesmo tempo maravilhado!

Ah, sim, preciso falar sobre o elenco. Jim Carrey está irreconhecível e mostra que nem sempre é careteiro, e tem aqui a melhor interpretação de sua carreira. E além de Kate Winslet, temos Kirsten Dunst, Elijah Wood, Mark Ruffalo e Tom Wilkinson.

Por fim, volto ao roteiro. Este é daqueles filmes que dá vontade de rever, pra prestar atenção nos detalhes que passaram desapercebidos. Tudo está no lugar certo, cada cena, cada movimento, cada mudança de cor do cabelo de Clementine!

Os Esquecidos

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Os Esquecidos

AVISO: PODE CONTER SPOILERS!

Os Esquecidos tem uma premissa bem interessante: Telly Paretta (Julianne Moore) vive assombrada pelas lembranças do filho, morto num acidente aéreo um ano antes. Só que, aos poucos, ela percebe que as pessoas em volta se esqueceram do filho. E os objetos e fotos que ela guardou começam a desaparecer. Será que Telly enlouqueceu?

O clima de tensão desta ficção científica / suspense de 2004 é muito bem feito – ficamos naquela paranoia “arquivoxisana”, sem saber no que acreditar. Para ajudar, alguns dos efeitos especiais são bem interessantes: na minha humilde opinião, a melhor cena de abdução da história do cinema está aqui! Isso sem contar com uma excelente cena de acidente de carro!

O elenco também é ótimo. Julianne Moore, como sempre, manda bem. Dominic West, o guitarrista de Rock Star, também está muito bem como outro pai que perdeu o filho no mesmo acidente. E ainda temos Gary Sinise como um psiquiatra que não sabemos se é do bem ou do mal.

Na época do lançamento nos cinemas, lembro que uma parte da audiência ficou descontente com o fim do filme. Heu, particularmente, gostei! De qualquer maneira, fica uma dica para quem estiver com o dvd em mãos: existe outro fim no meio das “cenas excluídas”!

Estamos Bem Mesmo Sem Você

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Estamos Bem Mesmo Sem Você

Drama familiar italiano premiado em Cannes em 2007 pela Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio, Estamos Bem Mesmo Sem Você (Anche libero va bene no original) conta a história de um pai que cria sozinho o casal de filhos, porque a mãe dos meninos some de vez em quando.

O filme é apresentado sob o ponto de vista do filho caçula, Tommi (Alessandro Morace). Com 11 anos, ele já desconfia que a mãe vai acabar abandonando a família de novo – diferente da irmã, Viola (Marta Nobili), mais apegada à mãe.

Kim Rossi Stuart escreveu o roteiro e dirigiu, e ainda interpreta Renato, o pai. Barbara Bobulova fecha o quarteto principal de personagens, fazendo a mãe fujona.

As interpretações são boas, o filme é envolvente, mas, pelo menos para mim, há um problema muito grave: cria-se uma expectativa de que algo acontecerá, e nada acontece. O roteiro não tem grandes viradas, é aquela rotina o tempo todo…

Interessante, mas poderia ser melhor.

A Era do Gelo 3

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A Era do Gelo 3

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas àqueles que costumam ler o meu blog (alguém lê o meu blog?). Tive uns problemas pessoais, e demorei mais tempo do que deveria para atualizar – quase uma semana! Mas os problemas já foram resolvidos (assim espero!), e estou de volta!

Vamos de desenho animado então? Falei aqui outro dia que nem sempre consigo escolher os bons filmes infantis que minha filha de oito anos quer ver, né? Pois bem, A Era do Gelo 3 é um dos momentos onde é legal ser pai. O filme é muito divertido!

Nesta terceira parte, continuamos acompanhando o improvável bando formado no primeiro filme, com um mamute, uma preguiça e um tigre dentes-de-sabre. O grupo passa por crises: o mamute Manny está ansioso, prestes a ser pai; o tigre Diego se acha fora de forma e quer voltar à vida de caçador; e Sid, a preguiça, quer a sua própria família. E nessa busca, Sid encontra três ovos, que levarão a “família” a uma grande aventura num “parque dos dinossauros” escondido!

Um dos grandes méritos do filme é a construção de seus personagens. Se o esquilo Scrat e sua perseguição à noz sempre foi uma das melhores coisas dos outros dois filmes , agora ele tem uma companheira, que também está atrás da noz! Rola até tango na briga!

E ainda temos um novo personagem: a doninha Buck, uma mistura de pirata com Rambo, que vive no meio dos dinossauros. Buck é genial! Arrisco a dizer que Buck consegue criar situações ainda mais engraçadas que Scrat! São vários os momentos hilariantes no filme. Ou seja: bom para as crianças e também bom para os pais que as levarão.

E a animação, como era de se esperar, é deslumbrante. Numa época de guerra entre Pixar, Disney e Dreamworks, este desenho da Fox não deixa nada a desejar.

Claro, também vale lembrar que a direção está novamente nas mãos do carioca Carlos Saldanha (também dirigiu o segundo, e co-dirigiu o primeiro Robôs). Mais um brasileiro fazendo sucesso em Hollywood!

Last but not least: prefira as salas onde o filme está em 3D! Vale a pena!

Crime Ferpeito

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Crime Ferpeito

Já falei aqui que gosto muito de humor negro? Pena que temos tão poucas produções nessa onda. E considero esta modesta produção espanhola de 2004 uma das melhores comédias de humor negro dos últimos anos.

Rafael (Guillermo Toledo) é o melhor vendedor de uma grande loja de departamentos em Madri. Adorado pelas vendedoras, idolatrado pelos os colegas, ele leva uma vida em alto estilo e almeja o cargo de gerente do andar. Até que um acidente coloca Lourdes (Mónica Cervera), a mulher mais feia da loja, em ponto chantageá-lo…

O filme é muito engraçado. O roteiro, redondinho, mostra várias situações hilariantes às quais o nosso “heroi” é exposto. Se antes ele era o perfeito latin lover, ele passa a conviver com mentiras, situações constrangedoras, e até um fantasma!

Não foi a primeira vez que o genial diretor Álex de la Iglesia mostrou que tinha mão boa para este tipo de comédia. Me lembro de seu primeiro filme a chegar em terras tupiniquins, a ficção científica Ação Mutante, onde um grupo terrorista composto de pessoas deformadas age atacando academias de ginástica e qualquer coisa que faz parte do culto à beleza física (vi esse filme no cinema, sem legendas, e depois consegui comprar o vhs!). E seu filme seguinte, o terror O Dia da Besta, também tem seus momentos hilários, com um padre que quer se aproximar do mal.

E tem mais um pequeno detalhe muito interessante: o “ferpeito”, usado no título e em uma cena importante, foi inspirado no personagem de quadrinhos Obelix! Quem já leu Asterix sabe que quando Obelix fica bebado, ele fala “ferpeitamente”!

Enfim, boa pedida para quem curte um humor não ortodoxo!

Ruas de Fogo

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Ruas de Fogo

Uma “fábula rock’n’roll”: uma linda mocinha que canta numa banda de rock é raptada por um vilão malvado, líder de uma gangue de motociclistas, e seu ex-namorado, um valentão bonitão, tem que resgatá-la.

Clássico dos anos 80, Ruas de Fogo, dirigido por Walter Hill, é um filme divertido, mas muito datado se visto hoje em dia. Temos o visual dos anos 50 nas roupas, cabelos e acessórios masculinos. Mas os cabelos femininos e a trilha sonora logo denunciam: trata-se de algo tipicamente oitentista!

Aliás, a trilha sonora de Ry Cooder é indubitavelmente o ponto alto do filme. A música “Nowhere Fast”, da one hit wonder Fire Inc., não fez tanto sucesso como Footloose ou Flashdance, mas é presença certa em festas que celebram a década de 80. E a trilha ainda tem “I Can Dream About You”, de Dan Hartman…

Existe algo curioso no elenco. O protagonista Tom Cody é interpretado por Michael Paré, uma espécie de Eric Roberts que não deu certo, um canastrão que não conseguiu emplacar mais nada na vida (só consigo me lembrar de outro filme com ele, Execução Sumária, de 86). Pesquisando pelo imdb, vemos que ele está por aí até hoje. Mas acho que sempre amargando produções menores. E, vendo o filme, vemos que ele é ruim mesmo. O ostracismo foi merecido.

Por outro lado, temos três nomes bem conhecidos no elenco. A mocinha cantora é feita pela bela Diane Lane, que tinha feito no anterior O Selvagem da Motocicleta e Vidas Sem Rumo, e chegou a ser indicada ao Oscar por Infidelidade (e falei dela aqui outro dia, por Killshot). Rick Moranis é o empresário – Moranis anda sumido, mas quem não se lembra do adorável looser que ele sempre interpretou, em filmes como Os Caça-Fantasmas, A Pequena Loja dos Horrores, S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço ou a série Querida, Encolhi as Crianças? E o malvado vilão é ninguém menos que Willem Dafoe, de Platoon, Coração Selvagem, A Última Tentação de Cristo, e, mais recentemente, Homem Aranha.

Se visto “a sério”, hoje em dia, em 2009, o filme não sobrevive à caricatura. Mas, se visto no clima certo, é diversão na certa.

Heu me diverti revendo!

Marley e Eu

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Marley & Eu

Confesso que nunca tive vontade de ver esse filme. Afinal, é baseado num livro que nunca me atraiu. O livro “Marley & Eu”, de John Grogan, sobre “o pior cão do mundo”, pode até ser um best seller, mas parece ser uma bomba…

Mas… Meu irmão comprou o dvd, minha cunhada recomendou, e… Lá fui heu assistir o filme… E todos os receios se confirmaram. O filme é realmente muito ruim!

Em primeiro lugar, a história é muito besta! Qualquer um que já teve cachorro(s) e/ou filho(s) tem um rol de histórias tão engraçadas e bonitinhas como o autor do livro. Histórias tão boas quanto, ou até melhores.

Em segundo lugar, o elenco é horrível! Owen Wilson interpreta o mesmo Owen Wilson de sempre. E esse papel não se encaixa bem em filmes desse tipo, ele é melhor fazendo um humor mais pastelão. E Jennifer Anniston também repete o seu papel de sempre, a Rachel de Friends, só que um pouco mais feia que o habitual…

Em terceiro, a produção do filme é tão capenga, que erros técnicos pululam aos olhos! Na cena que Wilson vai ao aeroporto buscar Anniston, chove torrencialmente – só em cima do carro! Pessoas ao fundo caminham tranquilamente, sem chuva. Ou, na cena da praia, vemos areia remexida quando a câmera os pega pela frente, mas areia intacta quando a câmera está atrás deles. Ou, na cena da adestradora, ela pede a Wilson que tire os óculos escuros, para o cão vê-lo nos olhos. Mas as pessoas ao lado continuam de óculos escuros. E por aí vai…

O epíteto “o pior cão do mundo” é porque a tal adestradora (uma desperdiçada Kathleen Turner) desistiu de ensiná-lo. Ora, diabos! Este foi o único cachorro que teve problemas com adestramento? Sr. Grogan, acredite, existem cães bem piores!

Acho que vou escrever um livro contando a história da Zara, uma vira-latas que peguei na rua e foi a minha primeira “filha”…

Dead Like Me: Life After Death

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Dead Like Me: Life After Death

A série Dead Like Me era uma série esquisita, um drama de humor negro, que passava na Sony há alguns anos atrás. George Lass, uma menina de 18 anos, morre, e é “recrutada” como ceifadora de almas. Seu novo trabalho é pegar almas de pessoas que estão prestes a morrer, e indicar “o caminho das luzes” para estas almas.

Acredito que justamente por ser uma série incomum, só teve duas temporadas. Mas posso dizer que a série era muito boa, acompanhei as duas temporadas!

E agora aparece nas locadoras um longa metragem com o “fim” da história. Boa a iniciativa. Mas um pouco tarde, não? Já se passaram uns 5 anos!

O filme segue a linha da série. Acompanhamos um grupo de ceifadores (“reapers”, no original) e suas missões. E ao mesmo tempo vemos a vida da família de George.

O elenco original da série está quase todo lá. O “quase” é um dos pontos fracos do filme. Mandy Patinkin, que fazia o mal-humorado “chefe” Rube, um dos personagens centrais da série, não está mais por perto. Pelo menos foi substituído em alto nível: Henry Ian Cusick, o Desmond de Lost, é o novo líder dos ceifadores, com um estilo totalmente diferente de seu antecessor.

Se por um lado Rube nem aparece, por outro lado a personagem “perua” Daisy está lá – mas com outra atriz. Sarah Winter pegou o papel que foi de Laura Harris no seriado. Mas, infelizmente, Sarah não tem nem o carisma nem a beleza de Laura… E olha que as duas interpretaram irmãs em uma das temporadas de 24 Horas!

(Outra curiosidade no elenco é Dolores Herbig, que fez um papel menor nesta série como a chefe do emprego “formal” de George. Anos depois, Dolores fez outro papel pequeno em outra série com o tema parecido, Reaper! E as duas séries tiveram só duas temporadas!)

O roteiro às vezes parece esquecer do que a série dizia – por exemplo, Rube sempre foi enfático quanto à seriedade do trabalho dos ceifadores, e esta seriedade vai embora com o novo chefe.  E, por falar nisso, Cusick está desperdiçado aqui. Seu personagem parece sem rumo. Gosto do ator, mas neste caso, senti falta do personagem antigo…

Mesmo assim, apesar de suas falhas, o filme serve para matar as saudades da série. O clima criado pelos realizadores é fantástico: estamos lidando com um assunto delicadíssimo – a morte – e mesmo assim, a série tem um ar leve. E o humor nunca é escrachado, é sempre sutil.

Bom filme. Mas a série orginal era melhor…