Os Estranhos: Capítulo 2

Crítica – Os Estranhos: Capítulo 2

Sinopse (filmeB): Quando descobrem que uma de suas vítimas, Maya, ainda está viva, os mascarados retornam para terminar o que começaram. Em um pesadelo sem fim, sem ninguém em quem confiar, Maya se torna presa em uma caçada macabra, enquanto os Estranhos, movidos por uma sede insaciável de violência, a perseguem implacavelmente.

(O filme é tão qualquer coisa que a sinopse do imdb está errada, colocaram a sinopse do filme anterior, Os Estranhos Capítulo 1.)

Lançado em 2008, Os Estranhos era um terror meia boca, que gerava algum interesse por causa de misteriosos assassinos. O filme ganhou uma continuação igualmente meia boca em 2018, e uma refilmagem completamente desnecessária ano passado. E o pior de tudo: essa continuação foi feita em três partes: filmaram uma trilogia logo de uma vez. O problema é que Os Estranhos Capítulo 1 é ruim. Ou seja, como trazer público pra ver uma continuação de um filme ruim? Pior: uma continuação de um filme ruim, e que não vai ter final, porque ainda falta o terceiro filme?

(Taí, acho que a estratégia dos realizadores era “vamos logo gravar os três filmes, porque se a gente fizer só um e depois tentar vender uma continuação, ninguém vai topar. Então a gente vende o pacote fechado da trilogia, antes de descobrirem que o filme é ruim. Genial!)

Para surpresa de zero pessoas, Os Estranhos Capítulo 2 (The Strangers: Chapter 2, no original) é ruim, tão ruim quanto o primeiro. A direção é de Renny Harlin, já falei dele antes, é um cara que tem um currículo razoável no passado (Duro de Matar 2, Risco Total, A Ilha da Garganta Cortada), mas que de um tempo pra cá só tem feito bombas. Sr. Harlin, que tal a aposentadoria?

Como é o segundo filme de uma trilogia, a gente já sabe que a final girl Maya (Madelaine Petsch) não vai morrer. Mas ela sofre bastante, o filme inteiro ela está enfrentando problemas. Ela só não sofre tanto quanto o espectador na sala de cinema.

O filme começa onde o anterior termina: a protagonista Maya está num hospital. Aí o assassino começa a persegui-la. Ela foge por vários corredores, com o cara atrás, mascarado e com um machado na mão. Como é que não tem NINGUÉM no hospital?

Não sabemos ainda por que os assassinos matam, se existe algum motivo para escolher as vítimas ou se é algo aleatório. Pelo que entendi, eles matam forasteiros, afinal, é uma cidade pequena, a população local ia reagir – mas isso é a minha interpretação. Se heu estiver certo, por que matar o faxineiro do necrotério, e depois a mulher da casa perto do hospital?

No meio do sofrimento da protagonista, tem uma cena onde ela é atacada por um javali. Não é exatamente um problema, mas é uma cena desnecessária. Pra que? Fiquei com pena do javali!

Provavelmente pra esticar a história, resolveram inventar um passado para os assassinos mascarados. Vemos flashbacks com a infância dos assassinos. Ficou bem tosco, será que vão querer humanizar os vilões no terceiro filme?

O roteiro ainda traz uns furos enormes. Nem vou reclamar de erros pequenos, como, uma cena onde Maya acorda e vê que todos os cortes que ela teve na floresta e na luta com o javali agora estão com pontos – mas a testa dela continua com a ferida aberta. Caramba, se vai fechar outros cortes com pontos, pra que deixar um aberto? Mas não reclamo desta cena porque tem coisa pior. Tem uma cena onde ela está sozinha num quarto. Uma das mascaradas tenta abrir a porta (depois a gente descobre que os mascarados já tinham invadido a casa). Ela consegue empurrar a invasora e tranca a porta. Mas tinha outra dentro do quarto. Oi? Por onde ela entrou? E se já estava no quarto, por que não atacou antes?

Heu podia falar mais, tipo uma cena onde Maya ataca uma das mascaradas enfiando um ancinho na barriga dela, mas o filme esquece essa vilã ferida. Ou outra, onde Maya está sozinha na floresta e rasga o vestido pra cuidar do curativo na barriga. Moça, você está sozinha, ninguém vai ver se você levantar o vestido rapidinho! Não é melhor manter a roupa inteira sem rasgar?

Agora, o pior de tudo é que o filme não acaba. Em trilogias bem feitas e bem planejadas, cada filme traz um arco que se encerra e deixa ganchos para o filme seguinte. Aqui não. O filme simplesmente pára e aparece um “continua” na tela. O primeiro filme é ruim, o segundo filme é ruim, mas pra ver o fim da história, precisa ver um terceiro filme – provavelmente ruim também.

O primeiro filme esteve na minha lista de piores filmes de 2024. Provavelmente o segundo volta aqui na lista de piores de 2025.

Bambi: O Acerto de Contas / Bambi: The Reckoning

Crítica – Bambi: O Acerto de Contas / Bambi: The Reckoning

Sinopse (imdb): Depois que mãe e filho sofrem um acidente de carro, eles logo são caçados por Bambi, um cervo mutante e angustiado em uma fúria mortal em busca de vingança pela morte de sua mãe.

Ok, é o filme de terror do Bambi. Ninguém imaginava que seria bom. Principalmente porque faz parte do Poohniverse, ou TCU (Twisted Childhood Universe), que começou com aquele filme horroroso do Ursinho Puff. Nenhum dos filmes dessa galera tem qualidade.

Mas, olha, Bambi me surpreendeu. Consegue ser ainda pior do que o esperado!

O início é semelhante aos filmes do Ursinho Puff e do Popeye, um desenho animado minimalista contando que a mãe do Bambi morreu, depois o pai morreu, depois ele bebeu lixo contaminado e virou um monstro. Um monstro vingativo.

Aí parte pro filme de verdade, e logo vemos o Bambi monstrão atacando – na talvez pior cena de capotamento de carro da história do cinema. Quem me conhece sabe que não costumo reclamar de efeitos especiais, se estou reclamando é porque são realmente ruins!

O Bambi monstro é cgi. Pra ajudar a disfarçar, todas as cenas são escuras – coisa comum quando o cgi é de baixa qualidade. Algumas poucas cenas o Bambi parece convincente. Quase o filme todo ele está bem tosco. Acho que teria um resultado melhor se alternasse o cgi com um boneco animatrônico.

São duas tramas correndo em paralelo. Na principal, uma mãe está levando seu filho adolescente para um evento na família do ex. Enquanto isso, vemos um grupo de caçadores tentando caçar o Bambi monstro. Até aí, ok. Mas determinado momento a gente descobre que o ex da protagonista está no meio dos caçadores. Caramba, se ele sabia que havia um perigo na área, por que não avisou a família? Ele ainda leva seu filho pra lá!

O roteiro tem umas paradas que não fazem sentido. A vovó (sei lá qual é o nome da personagem) dá a entender que tem alguma ligação espiritual com o Bambi. Ok, podemos desenvolver algo em cima disso. Mas claro que o roteiro ignora essa conexão.

Isso porque não estou falando de bizarrices como o Bambi girar uma maçaneta com o casco. Sério, por que não colocaram uma maçaneta diferente, daquelas tipo alavanca?

Algumas mortes são ok. Mas nenhuma é memorável. O filme podia ter explorado mais o gore.

O elenco é de atores desconhecidos e ruins. Mas isso já era esperado, não chega a ser uma surpresa. E, sejamos justos: no mar de atuações ruins, até que a protagonista Roxanne McKee nem é tão ruim.

Pra não dizer que é tudo um lixo, gostei da cena dos coelhos. Nada muito genial, mas, gostei de como a ameaça se apresenta e gostei do desfecho. Se todo o filme fosse nessa pegada, seria bem melhor.

No fim, é apenas mais um filme desnecessário, só pra aproveitar que contos infantis estão caindo no domínio público. Pena que poucos têm qualidade. Se fossem na onda de The Ugly Stepsister, seria bem melhor pro fã de terror.

As Sete Vampiras (texto revisado e ampliado)

DEDE

Crítica – As Sete Vampiras

Sinopse (imdb): Um botânico é incapaz de lidar com uma planta carnívora que transforma suas vítimas em vampiros. Um detetive desajeitado e sua secretária são contratados para solucionar as mortes misteriosas que acontecem em um show em uma boate.

Depois da “trilogia Lael Rodrigues”, vamos para algo um pouco diferente.

Tive dúvidas se As Sete Vampiras poderia estar nesta playlist de filmes ligados ao rock nacional dos anos 80. Porque é muito mais um “filme do Ivan Cardoso” do que um filme ligado ao rock BR. Mas, a música As Sete Vampiras, feita para o filme, foi um grande sucesso, o Leo Jaime é um dos atores principais, e ainda tem participação especial da banda João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Ou seja, por mim entra na lista.

(Sou muito fã de João Penca. Achei muito mais legal ver o João Penca aqui do que o Barão Vermelho em Bete Balanço ou o Metrô em Rock Estrela.)

As Sete Vampiras marcou minha adolescência, por três motivos, e reconheço que um deles é algo que não me orgulho. Gostava do filme porque tinha Leo Jaime e João Penca, e também gostava porque parte do filme se passa no Quitandinha, em Petrópolis, local onde morei por alguns meses quando tinha uns 8 ou 9 anos de idade. Foi legal ver na tela alguns cenários que fizeram parte da minha infância. O terceiro motivo não é muito nobre, é um guilty pleasure: vi As Sete Vampiras na minha adolescência, e gostava de ver as mulheres nuas – coisa bastante comum nos filmes do Ivan Cardoso, diga-se de passagem.

As Sete Vampiras é, na minha humilde opinião, o melhor filme dirigido pelo Ivan Cardoso – talvez o maior nome do trash brasileiro – conheço outros diretores que fazem filmes trash, mas nenhum teve o alcance do Ivan – talvez só o Zé do Caixão, mas, entre os dois, prefiro o estilo galhofa do Ivan. Ele mistura o terror com a comédia, foi com os seus filmes que conheci o termo “terrir” (que achei que era invenção dele, mas anos depois descobri que já existia em uma revista do fim dos anos 60!)

O roteiro é de Rubens Francisco Lucchetti, ou RF Lucchetti, nome não muito conhecido do grande público, mas cultuado no underground como “o papa do pulp no Brasil”. Além de As Sete Vampiras, Lucchetti escreveu roteiros para outros filmes do Ivan, como O Segredo da Múmia, O Escorpião Escarlate e Um Lobisomem na Amazônia (além de alguns filmes do Zé do Caixão). Recentemente ouvi falar do seu nome quando a Vigor Mortis lançou, em 2022, a webserie A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, já comentado aqui no heuvi.

Vamos ao filme. A história é uma bobagem deliciosa. A trama envolve uma planta carnívora importada da África, vampiros, anos 50 e misteriosos assassinatos em série. E muitos clichês de filmes de terror, como um assassino mascarado empunhando uma faca, referência aos filmes giallo.

Aqui nada é para se levar a sério. Tem uma planta carnívora tosca tosca tosca, parece tirada de um seriado televisivo infantil tipo Castelo Rá Tim Bum. E ainda tem algumas referências divertidas, como o personagem do Nuno Leal Maia, Raimundo Marlou, homenagem ao escritor Raymond Chandler e seu personagem Philip Marlowe.

Rola MUITA nudez gratuita! Quase todas as atrizes tiram a roupa, e quase sempre sem justificativa – coisa normal nos filmes do diretor. O Helvecio adolescente curtia muito, mas hoje reconheço que é exagerado. Enfim, nudez gratuita sempre foi algo comum no cinema nacional. Aqui tem mais do que nos três filmes comentados nas últimas semanas, mas naqueles filmes também tem: Débora Bloch em Bete Balanço, Malu Mader em Rock Estrela e Lidia Brondi em Rádio Pirata.

O elenco conta com um monte de nomes interessantes, como Nuno Leal Maia, Leo Jaime, Nicole Puzzi, Lucélia Santos, Simone Carvalho, Susana Matos, Andréa Beltrão, Danielle Daumerie, Dedina Bernardeli, Tania Boscoli, Wilson Grey, John Herbert, Ivon Cury, Pedro Cardoso, Tião Macalé, Carlo Mossy e Colé Santana. Tem uma ponta do Dedé Santana, dizem os boatos que ele foi ao set para vigiar a namorada Susana Matos, mas não achei nada que confirme isso.

Foi muito legal rever o número musical com o Leo Jaime cantando a música As Sete Vampiras. Não reconheci todos os músicos da banda, mas dá pra ver o guitarrista Sergio Serra, que depois foi para o Ultraje a Rigor. E temos os quatro “miquinhos” do João Penca fazendo uma coreografia gaiata: Selvagem Big Abreu, Bob Gallo, Leandro (na época que encarnava o “guitarrista mascarado”) e Avellar Love.

Teve uma coisa no roteiro que achei estranha, mas não sei se posso dizer que é uma falha ou uma ousadia estilística. Alguns personagens terminam o filme como protagonistas, mas só aparecem no meio da trama, como os interpretados por Leo Jaime, Nuno Leal Maia e Andrea Beltrão, que entram no filme perto dos 40 minutos de projeção.

As Sete Vampiras não é um filme para qualquer público. Mas continuo gostando!

A Longa Marcha – Caminhe ou Morra

Crítica – A Longa Marcha – Caminhe ou Morra

Sinopse (imdb): Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual conhecido como “The Long Walk”, no qual eles devem manter uma certa velocidade de caminhada ou levar um tiro.

É um bom ano pra quem gosta de adaptações de Stephen King. Já tivemos O Macaco e A Vida de Chuck. A Longa Marcha – Caminhe ou Morra é o terceiro de 2025. E mais pro fim do ano deve estrear O Sobrevivente.

O livro A Longa Marcha foi lançado em julho de 1978. Segundo a Wikipedia, foi o sexto livro escrito por Stephen King, sob o pseudônimo de Richard Bachman (por coincidência, em O Sobrevivente ele também usou o mesmo pseudônimo). Segundo o imdb, George Romero pretendia adaptar o livro em 1988, mas não rolou. Anos depois, nos anos 2000, Frank Darabont chegou a comprar os direitos, mas não desenvolveu o filme e o prazo expirou.

Por que demorou tanto tempo? Não sei. Mas, visto hoje, parece uma versão de filmes de distópicos para jovens adultos, como Jogos Vorazes. Quando Stephen King escreveu o livro, ele tinha em mente a Guerra do Vietnã, e como jovens eram levados para a morte. Mas, nos dias de hoje, quando estamos acostumados com reality shows, a trama ganhou outro olhar. 50 jovens participam de uma prova onde precisam andar, sempre no mesmo ritmo. Quem parar ou apenas diminuir o ritmo morre executado. O jogo só acaba quando só sobra um vivo. Consigo ver essa prova – sem as mortes – transmitida pela tv.

A direção é de Francis Lawrence – coincidência ou não, diretor de três Jogos Vorazes. O roteirista é JT Mollner, do excelente Strange Darling. Admito que quando li o nome do roteirista, achei que veria algo fora do convencional, mas, diferente daquele filme, o roteiro aqui é linear. Mesmo assim, o roteiro é muito bom, são muitos bons diálogos, dá vontade de continuar acompanhando aquela galera e suas histórias.

O protagonista Cooper Hoffman declarou que durante as filmagens eles andavam 15 milhas por dia – disse que foram 400 milhas no total. Parte do cansaço mostrado pelos personagens é real! As filmagens foram em ordem cronológica, e os atores não se conheciam antes. Ao longo dos dias de filmagem andando, eles foram se conhecendo melhor. Boa sacada, isso acontece com os personagens ao mesmo tempo que com os atores.

O elenco traz jovens ainda pouco conhecidos, como Cooper Hoffman (Licorice Pizza), David Jonsson (Alien Romulus), Ben Wang (Karate Kid Lendas) e Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit). São apenas dois nomes famosos entre os “adultos”, Judy Greer, como a mãe do protagonista, e Mark Hamill como o Major, o grande símbolo do autoritarismo desta sociedade distópica.

A Longa Marcha está sendo vendido como filme de terror. Acho isso um erro. O filme fica entre o thriller e o drama, não tem nada de terror. Talvez apenas a primeira morte seja um pouco mais gráfica. Provavelmente vai ter espectador decepcionado nas salas de cinema.

Queria comentar a cena final. Mas, claro, é a cena final, preciso de um aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No fim, sobram os dois principais, que chegam a um local onde tem uma multidão em volta. Quem ganhar tem direito a um desejo. Ray diz que ia pedir uma carabina pra matar o Major – que anos antes matou seu pai. Mas Ray desiste da prova pra deixar McVries ganhar. McVries então resolve vingar o amigo, pede a carabina e mata o major. Depois, larga a carabina no chão, e segue andando. Mas vejam que ele agora está sozinho, não tem mais ninguém em volta. Cadê a multidão? O filme não deixa claro, mas a minha interpretação é que mataram ele quando atirou no major. O que você acha que aconteceu?

FIM DOS SPOILERS!

A Longa Marcha teve uma sessão em SP com esteiras para alguns espectadores assistirem ao filme andando. Boa ideia, deve ser uma boa experiência, pena que não teve no Rio.

Animais Perigosos

Crítica – Animais Perigosos

Sinopse (imdb): Quando uma surfista é sequestrada por um serial killer obcecado por tubarões e mantida em cativeiro no barco dele, ela precisa descobrir como escapar antes que ele a jogue como alimento para os tubarões no mar.

Era uma ideia promissora. Um filme de tubarões, mas onde o verdadeiro vilão é um humano. Pena que o desenvolvimento não foi lá grandes coisas.

A direção é do australiano Sean Byrne, que chamou atenção com projetos anteriores, mas que nunca se firmou como um grande nome, provavelmente porque demora muito a lançar um filme novo – seus últimos projetos foram The Loved Ones, de 2009, e The Devil’s Candy, de 2015. Este é seu terceiro longa.

Animais Perigosos (Dangerous Animals, no original) até começa bem, logo na sequência inicial conhecemos o vilão e como ele trabalha. Em menos de dez minutos já temos tubarões e e o primeiro assassinato – além de uma nova versão de Baby Shark.

O melhor de Animais Perigosos são os dois personagens principais, o vilão interpretado por Jai Courtney e a final girl de Hassie Harrison. Jai Courtney, que recentemente fez um vilão meio caricato naquele Esquadrão Suicida todo errado, aqui encontra o ponto exato, ele é canastrão e assustador ao mesmo tempo – tem uma cena muito boa com ele dançando alucinado.

“Filme de tubarão” é um nicho popular. O verdadeiro vilão de Animais Perigosos é humano, mas o filme ainda traz algumas boas cenas com tubarões. Mas a maior violência aqui é vinda da ação de humanos mesmo.

Animais Perigosos não é um grande filme, mas tem o seu público.

Opinião de crítico vs opinião de fã

Opinião de crítico vs opinião de fã

Hoje o texto vai ser um pouco diferente. Está rolando uma treta no youtube nesse assunto crítico vs fã, e acho que tenho algo a acrescentar nesse assunto. Só não vou entrar em fofocas, ok?

Pra quem não viu: PH Santos fez um vídeo onde comenta que outro youtuber teria feito dois vídeos sobre o útlimo Jurassic World, o primeiro seria um “vídeo de fã”, elogiando o filme; o segundo, um “vídeo de crítica”, falando mal. Supostamente o primeiro vídeo teria sido patrocinado. PH Santos não fala nomes, mas fica claro que ele está se referindo ao Peter Jordan, do canal Ei Nerd.

Não conheço pessoalmente nenhum dos dois. Já troquei mensagens com o PH, teve uma época que ele ia gravar um Podcrastinadores, mas acabou não rolando. Acompanho os vídeos do PH, acho ele um dos melhores críticos do youtube, vejo sempre o canal dele (assim como o Otávio Ugá, o Dalenogare e a Isabela Boscov). Não costumo ver muitos vídeos do Peter, porque gosto mais de conteúdo de cinema, e o Peter fala de um monte de assuntos diferentes. Mas reconheço que seus vídeos são realmente mais “papo de fã” do que análise crítica. Mas, nada contra, não sou hater de nenhum dos dois.

Como está rolando essa treta, queria aproveitar pra comentar alguns pontos sobre essa carreira de crítico de cinema, e como heu vejo essa discussão “fã x crítico”, ou “público vs crítica”, que, acreditem, é assunto recorrente em papos entre críticos.

Vamos por partes. Estou nessa há pelo menos uns 15 anos, mas meu site e meu canal de youtube são bem pequenos, comparado com esses que citei. Como sou pequeno, nunca me ofereceram dinheiro pra fazer uma crítica elogiando um filme ruim. Devem existir casos assim, mas comigo nunca rolou. Será que, se me oferecessem uma boa grana, heu falaria? Sinceramente não sei responder isso. Mas posso afirmar que, até hoje, nunca rolou.

Frequento sessões de imprensa, e quando acho que um filme é ruim, falo que é ruim. Nunca aconteceu de alguém da assessoria reclamar sobre isso!

(Uma coisa que já fiz foi publicidade dentro do conteúdo. Por umas três ou quatro vezes, no Podcrastinadores, a gente gravou uma propaganda pra ir no meio do episódio – tipo product placement em filmes. Lembro de uma vez que falamos sobre uma marca de café, e lembro que achei o texto péssimo, porque a gente falava de café pra ficar acordado e não dormir vendo séries. Caramba, não bebo café pra ficar acordado! Bebo porque gosto! Humpf!)

Também existe uma “treta silenciosa” entre críticos e influencers. Tem muito influenciador que não saca nada de cinema ganhando brindes e sessões exclusivas, e já vi muita gente reclamando, afinal, o influenciador, na maior parte dos casos, tem um conteúdo muito raso. Já discuti com amigos críticos, porque entendo o lado da assessoria – o influenciador pode não entender de cinema, mas vai trazer público para o filme. Comentei isso no meu vídeo sobre Cidade Perdida, me colocaram numa sessão junto com a Narcisa, e não posso nem reclamar porque sei que um post dela vai ter um alcance muito maior do que um vídeo meu.

Dito isso, vamos ao segundo ponto: o que é uma crítica? Pra que serve uma crítica? Existe uma grande área cinza aí, tanto sobre quem escreve a crítica, quanto sobre quem a lê. Uma vez o Otávio Ugá fez um comentário que concordo 100%: quando você produz seu conteúdo, você deve colocar a sua vivência no seu texto. Critica é uma arte abstrata, você pode (e deve) mencionar elementos técnicos sobre o filme, mas faz parte você incluir como aquela obra te tocou. Pelo menos pelo meu ponto de vista, não é só um “gostei” ou “não gostei”, mas o “gostei” ou “não gostei” é parte essencial do conteúdo a ser produzido. E posso estender o comentário a quem está consumindo a crítica. Alguns vão preferir um texto mais frio e mais técnico, enquanto outros vão preferir algo mais “papo de fã”. Pessoas diferentes produzem conteúdos diferentes e consomem conteúdos diferentes.

Vou falar do meu caso. Gosto de ver filmes desde que me conheço por gente. E desde a minha adolescência, sempre procurei saber sobre bastidores dos filmes. Em tempos pré Internet, heu comprava livros e revistas, catava informações em qualquer lugar. E, depois de “velho”, ainda fiz vários curta metragens. Ou seja, quase sempre, quando vejo um filme, fico imaginando onde está o câmera, onde está a equipe, o que estava acontecendo em volta daquele set durante as filmagens. Ou seja, pra mim, é fácil fazer uma análise mais técnica e menos apaixonada. Já é algo natural começar a ver um filme analisando cada detalhe técnico.

(O mesmo acontece quando ouço música. Automaticamente já separo os instrumentos e analiso os arranjos…)

Mas… Existe um nicho onde o Helvecio fã fala mais alto que o Helvecio crítico: Star Wars! Conheço pessoas que falam mal do Star Wars ep 7 O Despertar da Força, mas o fanboy que habita em mim não consegue ver esses defeitos. Vi O Retorno do Jedi quando passou nos cinemas, em 1983, e desde aquela época heu sempre queria uma continuação. Quando lançaram Caravana da Coragem nos cinemas em 1985, acreditei que era uma continuação, mas não só não era, como o filme é péssimo! Quando estreou a trilogia prequel, 1999, 2002 e 2005, outra decepção, não era o que esperava. Até que, em 2015, vi o ep 7, e ao fim do filme estava tão impactado que mal consegui levantar da poltrona do cinema! Era o filme que passei trinta e dois anos esperando! Até hoje, é um dos meus favoritos dentre todos os onze filmes, ao lado dos dois primeiros, Guerra nas Estrelas e Império Contra Ataca.

Ou seja, entendo a visão do crítico, que comigo funciona quase sempre; mas também entendo como é a visão do fã. Se começa a tocar o tema do John Williams, o lado crítico se desliga e incorporo o lado fã.

Ainda existe o lance “critica vs público”. Alguns filmes ruins têm muito público – sempre lembro de Venom, filmes horrorosos mas sempre com boa bilheteria. Nesse caso, heu não saberia dizer o que determina o sucesso de público. E alguns amigos críticos muitas vezes reclamam. Mas é um tema que nem me incomoda muito, porque acho que todos são livres e podem ver o que quiserem. Só tenho pena dessas pessoas, porque poderiam estar vendo filmes bem melhores…

E agora vamos voltar à treta. Peter Jordan é um nome gigante no youtube, ele tem canais sobre vários assuntos, incluindo canais de negócios onde ele ensina as pessoas a ganharem dinheiro na internet. O próprio Peter fala que polêmica é bom para o engajamento! E aparentemente o PH Santos resolveu usar esse caminho: resolveu criar uma polêmica com um cara famoso.

E qual é a minha opinião sobre isso? Bem, por um lado o Peter realmente parece ter feito o vídeo sob encomenda. Se recebeu algo por isso ou não, não se sabe. Mas realmente ficou estranho ter dois vídeos com opiniões opostas. Agora, por outro lado, se o público do Peter curte, o que o PH tem a ver com isso? Deixa o cara fazer os vídeos pro público dele, ora! Tem um amigo meu que faz vídeos em um formato que heu não gosto, mas, ele tem milhares de views por vídeo. Ele tá errado? Claro que não!

Resumindo: ambos parecem estar atrás de views. E pelo jeito conseguiram.

A Casa do Espanto

Crítica – A Casa do Espanto

Sinopse (imdb): Um escritor se muda para uma casa assombrada depois que sua tia deixa como herança.

E vamos para um dos filmes da chamada “Espantomania” da segunda metade dos anos 80!

Antes, vamos contextualizar. Nos anos 80, muitas vezes os filmes demoravam para serem lançados no Brasil. A Hora do Espanto, de 1985, foi lançado aqui em maio de 86 (segundo o imdb), e foi um grande sucesso (e acredito que essa data esteja correta, porque me mudei para o Rio de Janeiro na virada de 85 pra 86, e lembro de ter visto no Art Copacabana!). Tão grande que vários filmes de terror lançados pouco depois usaram nomes parecidos para “surfarem na onda”. Re-Animator, também de 85, foi lançado com o nome A Hora dos Mortos Vivos; Silver Bullet, de 85, virou A Hora do Lobisomem; Dead Zone, de 83, ganhou o nome A Hora da Zona Morta. Talvez a mais famosa “vítima” dessa onda seja Nightmare on Elm Street, de 84, que virou A Hora do Pesadelo – sim, hoje a franquia do Freddy Kruger é muito mais famosa do que todos os outros filmes da espantomania, mas foi daí que veio o título nacional.

House, de 1985, também ganhou um nome dentro do mesmo contexto: A Casa do Espanto.

A direção é de Steve Miner (que pouco antes tinha feito Sexta Feira 13 parte 2 e parte 3), e um dos roteiristas é Fred Dekker, que tem um currículo pequeno, mas que dirigiu um filme que acho divertidíssimo, Noite dos Arrepios. Dekker falou que viu No Limite da Realidade, feito por Steven Spielberg, Joe Dante, John Landis e George Miller, e teve a ideia de fazer um projeto parecido, em episódios, com seus amigos Steve Miner, Ethan Wiley (que co-escreveu o roteiro com ele) e Shane Black (que depois seria o roteirista de Máquina Mortifera e O Último Grande Herói). O projeto em episódios não foi pra frente, mas Dekker transformou a ideia do seu episódio neste longa metragem.

A Casa do Espanto traz um bom equilíbrio entre terror e comédia, e chegou ao circuito numa época onde essa mistura fazia sucesso. Algumas cenas até tentam assustar, mas acho que o filme vai causar mais gargalhadas do que calafrios.

Os efeitos práticos ajudam a criar esse clima. Claro, são bonecões de borracha, nada parece realmente assustador. Mas, para a proposta meio galhofa, são muito bons. E a maquiagem de alguns “monstros” é realmente bem feita. Essa é uma vantagem dos efeitos “não digitais” – quando envelhecem não ficam tão toscos quanto um “cgi vencido”.

Agora, o roteiro é meio qualquer coisa. A solução final que junta o “monstro” ao filho do protagonista não faz sentido – se era assim, por que a tia dele morreu? Mas, ok, a gente se divertia com a mão de borracha fugindo do cara e nem lembrava de procurar lógica no roteiro.

Nos anos 80, astros da TV eram mais baratos que os do cinema. Como o orçamento aqui era reduzido, A Casa do Espanto traz alguns nomes da TV: William Katt (Super Herói Americano), George Wendt (Cheers), Richard Moll (Night Court) e Kay Lenz (Rich Man Poor Man).

Lembro que quando vi A Casa do Espanto no cinema, curti muito. Tenho até um DVD duplo com os dois primeiros filmes. Agora, visto depois de décadas, o filme envelheceu mal. Na minha memória era melhor do que realmente é. Se lançado hoje em dia, acho que não seria cultuado.

Foram três continuações, lançadas em 1987, 89 e 92. Mas não pretendo rever nenhum desses…

Red Sonja (2025)

Crítica – Red Sonja (2025)

Sinopse (imdb): Uma adaptação da história em quadrinhos Red Sonja, uma guerreira vingativa conhecida como “Diabo com uma espada”.

40 anos depois, temos um novo filme da Red Sonja!

Antes do filme, um breve comentário sobre o nome “Sonja”. Na minha juventude, sempre ouvi “Sonja”, com som de “J”. Mas sei que em alguns idiomas o “J” tem som de “I”, e achava que deveria ser “Sonia”. Bem, prestei atenção no filme, a pronúncia é “Sonia” mesmo.

(Lembro do meu ensino fundamental, em Petrópolis, tinha uma coleguinha chamada “Vanja”, todos pronunciavam com som de “J”, inclusive ela. Me pergunto se era realmente essa a pronúncia correta…)

Enfim, vamos ao novo Red Sonja. Mas antes um aviso. Nunca li os quadrinhos da personagem, e não me lembro de nada do filme de 1985, que aqui no Brasil ganhou o título Guerreiros de Fogo, estrelado por Brigitte Nielsen e Arnold Schwarzenegger. Ou seja, os comentários serão só sobre o filme de 2025.

Vi no imdb que, ao longo de décadas, houve várias tentativas de se fazer um novo filme com a personagem, incluindo uma versão em 2008 que seria dirigida pelo Robert Rodriguez e estrelada pela Rose McGowan (e que certamente ia ser melhor do que esta versão). Também rolava uma ideia de que estaria no mesmo universo do Conan estrelado pelo Jason Momoa, de 2011. Foram várias trocas de diretor e elenco e vários atrasos de lá pra cá.

Dirigido por MJ Basset e estrelado por Matilda Lutz, Red Sonja tem um problema grave: parece uma produção de baixo orçamento para a TV, de algumas décadas atrás. Durante o filme, me lembrei de Legend of the Seeker, seriado meia boca do mesmo estilo “guerreiros e feitiçaria” que passava em alguma TV a cabo. Não era ruim, mas era bem tosquinha.

Claro, os efeitos especiais em cgi aqui são bem fracos. Tem uma cena com um ciclope gigante que parece PlayStation velho. Mas quem me conhece sabe que isso nem me incomoda muito. Porque, pra mim, o pior foram as batalhas – todas ruins. No mesmo ano que vimos a Ana de Armas em Bailarina, foi triste ver as cenas de ação, todas mal coreografadas e mal filmadas. Tem até algum sangue lááá longe, mas a violência é quase zero, os golpes nunca mostram o que foi golpeado. Essa pobreza visual reforça a cara de produto de baixo orçamento pra TV.

(Curioso lembrar que poucos anos atrás a mesma Matilda Lutz fez Vingança, que é bem mais violento e tem muito mais sangue!)

Tudo é muito “limpo”. Zero nudez, pouca violência. Não conheço as HQs, mas desconfio que devia ter uma proposta mais, digamos “apelativa”. E quase que o filme foi nesse sentido, olha o que li no imdb: “Durante o longo e caótico desenvolvimento deste segundo filme da Red Sonja, que começou em algum momento no início dos anos 2000, a maioria dos roteiros iniciais sempre incluía muita nudez feminina e violência sangrenta e gráfica. Por exemplo, no roteiro de 2001, havia uma cena prolongada em que Sonja era perseguida enquanto nadava nua em um lago e, em seguida, tinha que lutar nua contra agressores monstruosos que tentavam agredi-la sexualmente.” Não sei se ia ser melhor ou pior, mas seria um filme bem diferente deste.

Se tem um elogio que posso fazer é para alguns cenários com esculturas gigantes em volta. Provavelmente tudo em cgi, mas ficou bonito. E sobre o visual, uma coisa curiosa: na primeira vez que Sonja vai pra arena, ela recebe um biquíni de metal, e rola um diálogo que ela tem que usar aquilo que não protege nada, só porque o público gosta. Ok, ela era uma escrava transformada em gladiadora, precisava usar isso. Mas, depois que se liberta, por que continua com o biquíni de metal até o fim do filme?

No elenco, Matilda Lutz não faz feio, mas ela não tem o porte físico que uma personagem dessas pede, nem as habilidades de lutas para convencer o espectador. Para Anônimo, Bob Odenkirk praticou lutas por dois anos – e quando o vemos em tela, ele convence, apesar de não ter o porte físico. Talvez Matilda precisasse praticar mais. No resto do elenco, achei curioso ver Rhona Mitra em um papel pequeno – pelo que entendi ela esteve cotada para estrelar uma das várias tentativas durante os vários anos de pré produção, devem ter oferecido um papel para ela como prêmio de consolação. O resto do elenco todo é de atores ruins e desconhecidos.

Red Sonja tem tanta cara de produto pra TV que a história fecha, mas tem uma cena no fim com um gancho para uma nova aventura – inclusive cita o “rei bárbaro da Ciméria”, que provavelmente deve ser o Conan. Semana que vem, no mesmo canal!

Rádio Pirata

Crítica – Rádio Pirata

Sinopse (imdb): Após descobrir uma fraude em um centro de processamento de dados, um casal é falsamente acusado de assassinato. Escondidos em uma van, eles montam uma rádio pirata para tentar mobilizar a opinião pública.

E vamos ao terceiro (e último) filme do Lael Rodrigues!

Se Bete Balanço e Rock Estrela são bem parecidos, Rádio Pirata já é um pouco diferente. Tem menos números musicais e uma história mais bem elaborada. Quase poderia ser o melhor dos três filmes – mas tem um final tão ruim que acaba sendo o pior.

Começo por uma coisa que não entendi: Bete Balanço e Rock Estrela usam a músicas homônimas como tema principal, aquela que toca mais de uma vez, na abertura e durante o filme. Aqui não. Não tem a música Rádio Pirata, do RPM; o tema do filme é Brasil, do Cazuza. Não achei informações, mas desconfio que tenha rolado algum problema de direitos autorais.

No filme, o protagonista Pedro Bravo (Jaime Periard) descobre uma fraude no trabalho e acaba envolvido em uma grande conspiração que coloca sua vida em risco. Na mesma época, ele conhece Alice (Lídia Brondi), e começam namorar. Ela ajuda ele a montar uma rádio pirata para denunciar a fraude.

Sim, é uma trama mais densa que os outros dois filmes. Mas ainda tem algumas tosqueiras com cara de videoclipe, como a participação do grupo teatral Banduendes. Entendo que a personagem da Lídia Brondi precisava ter algum background, mas essa saída ficou bem tosca, e destoa do clima mais sério do resto do filme.

(Coisas da minha memória… Lembro do segundo disco da Blitz, no encarte dizia que a música “Apocalipse Não” tinha “participação especial de Banduendes por Acaso Estrelados”. Quarenta anos depois, sei quem são esses tais Banduendes!)

Rádio Pirata tem algumas cenas muito boas. Tem até uma perseguição de carros por Santa Teresa impressionantemente bem filmada. Agora, o roteiro tem suas falhas. Por exemplo, em determinado momento, bandidos armados entram na casa de Pedro para matá-lo, mas ele consegue fugir de asa delta. A fuga não foi um problema, ele morava numa casa onde tinha uma asa delta, e dava pra pular de lá. O problema é que logo na cena seguinte ele volta pra casa e nunca mais ninguém se preocupa com os bandidos. Caramba, se o objetivo dos caras era uma “queima de arquivo”, eles iam voltar!

Mas nada é pior do que o final. Lembro de ter visto no cinema na época do lançamento e não me lembro do final ser tão chocante. Vou falar, mas antes, os avisos de spoiler.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

O casal de mocinhos tem um plano: sequestrar a filha do vilão. Sério, o plano deles é um sequestro de uma criança. Mas calma que fica pior. Eles trocam a menina pelo vilão, que acaba confessando, e eles captam o áudio e jogam ao vivo pela rádio pirata, no meio de um jogo de futebol, e milhares de pessoas ouvem essa confissão. Ok, os mocinhos cometeram um crime, mas era pra conseguir desmascarar o vilão, certo? Que nada. Depois da confissão, Alice dá um tiro no peito dele e o mata a sangue frio. Ou seja, os mocinhos terminam o filme como sequestradores e assassinos. Sério que nos anos 80 ninguém achou isso estranho?

FIM DOS SPOILERS!

Se não fosse esse final, Rádio Pirata seria um filme bem melhor do que Bete Balanço e Rock Estrela, apesar dos Banduendes caricatos. Vemos um nítido amadurecimento do Lael Rodrigues na parte narrativa. Mas esse final é tão ruim que, se for pra rankear os três, Rádio Pirata fica em último.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Crítica – Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Sinopse (imdb): Quando Ed e Lorraine Warren, o casal de investigadores paranormais, se encontram presos a mais um medonho caso envolvendo criaturas misteriosas, eles se veem na obrigação de resolverem tudo pela última vez.

Os dois primeiros Invocação do Mal, de 2013 e 2016, foram dirigidos por James Wan, um dos maiores nomes do terror contemporâneo, e são dois filmes muito acima da média. E o que acontece com Hollywood quando um filme faz sucesso? Continuações e spin offs, claro. Pena que quase sempre com qualidade inferior.

Aqui, no “Invocaverso”, este é o nono filme. É a terceira continuação de Invocação do Mal, e foram dois spin offs, Annabelle (que teve duas continuações) e A Freira (uma continuação). Rolou um boato de que A Maldição da Chorona ia entrar no Invocaverso, mas não vi nenhuma confirmação sobre isso. James Wan só dirigiu os dois primeiros, e, sim, os sete outros filmes são mais fracos.

Os quatro Invocação do Mal trazem como protagonistas o casal Ed e Lorraine Warren, que, pra quem não sabe, existiu na vida real. Eles realmente eram investigadores de fenômenos paranormais. Ou seja, parte do que vemos nos filmes é real.

A direção deste quarto filme é de Michael Chaves, que já tinha dirigido o terceiro Invocação (além de A Freira 2 e A Maldição da Chorona). Chaves parece querer emular o estilo de câmera do “patrão” James Wan, e às vezes até consegue. Serei generoso: neste Invocação do Mal 4 ele consegue um bom resultado. Não é melhor que os primeiros, mas diria que é melhor que o terceiro. Chaves consegue criar um bom clima e alguns dos jump scares são bem bolados. Vou além: algumas cenas são muito boas. Tem uma cena envolvendo um quarto escuro e um fio de telefone que é simples e muito eficiente, e a cena dos espelhos na prova do vestido de noiva é sensacional. Ah, preciso citar a trilha sonora, muito bem usada.

Agora, nem tudo funciona. O filme às vezes não se decide se a gente vai acompanhar a família que comprou o espelho assombrado, ou os momentos onde a filha do casal Warren tem problemas com a sua crescente mediunidade. E teve uma coisa que achei bem mal feita: vemos três fantasmas ligados ao espelho, mas em determinado momento a gente descobre que existe um mal maior por trás dos fantasmas, e o filme não chega a desenvolver esse mal. Ora, se não é pra ter isso no filme, por que não ficar apenas nos fantasmas?

No elenco, Vera Farmiga e Patrick Wilson continuam ótimos como o casal Warren. Tem um prólogo com eles mais novos, são outros atores, o homem é até parecido com Patrick Wilson, mas a mulher é bem diferente, acho que podiam ter chamado a Taissa Farmiga, irmã da Vera, 21 anos mais nova, bem mais parecida (apesar de Taissa estar em A Freira). Trocaram a atriz que faz a filha Judy, no terceiro filme era Sterling Jerins, agora é Mia Tomlinson, deve ser porque neste filme a filha já é adulta – mas não duvido que Judy Warren apareça em algum spin off.

O final do filme é bem “final de novela”. Preste atenção nas pessoas que estão na plateia do evento, são personagens dos outros filmes da saga. Provavelmente Invocação do Mal acaba aqui. Agora, os Warren têm um quarto com centenas de objetos assombrados ou possuídos. Claro que os spin offs devem continuar.