João e Maria: Caçadores de Bruxas

Crítica – João e Maria: Caçadores de Bruxas

Vocês se lembram do conto de fadas dos irmãos João e Maria, crianças que foram atraídas para uma casa feita de doces e foram capturadas por uma bruxa? E se os irmãos crescessem e virassem caçadores de bruxas?

Depois de matar a bruxa da historinha clássica, os irmãos João e Maria viram caçadores profissionais de bruxas. São contratados por uma pequena cidade onde crianças estão desaparecendo, e se deparam com uma bruxa mais poderosa do que a média.

Dirigido pelo norueguês Tommy Wirkola (Dead Snow), João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, no original) segue a nova onda de adaptações de histórias infantis sob uma nova ótica. Já tivemos bons (Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e o Caçador) e maus (A Garota da Capa Vermelha, Espelho, Espelho Meu) exemplares do estilo.

Se você acha que uma história ambientada em uma vila medieval não combina com roupas de couro e armas de fogo de grosso calibre, então você não vai gostar do filme. Mas se você se deixar levar pelas “liberdades poéticas”, vai se divertir. João e Maria: Caçadores de Bruxas não se leva a sério em nenhum momento. Além das armas de fogo e das roupas de couro, temos um “taser” que dá choques, injeções para tratar diabetes, e aparece até uma vitrola!

A ambientação e os efeitos especiais têm um “pé” no filme B, tornando tudo ainda mais divertido, pelo menos para aqueles no clima certo (não sei por que, me lembrei do Sam Raimi – é ele quem está dirigindo o novo Mágico de Oz, tomara que não nos decepcione). Tudo é meio tosco, e o gore é abundante – não se esqueçam que o filme mais famoso de Wirkola é um terror com zumbis nazistas. O 3D também ajuda o clima B: são várias coisas atiradas na direção da câmera, como um bom 3D de parque de diversões.

A quantidade de gore e de pedaços de corpos arrancados é um problema para a faixa etária do filme – os mais novos podem achar o filme um pouco forte, enquanto os “adultos” não vão se interessar pelo tema. Isso deve ser uma das causas da bilheteria fraca.

O elenco é acima da média para um filme B. Gemma Arterton (Fúria de Titãs, O Príncipe da Pérsia) e Jeremy Renner (Os Vingadores, O Legado Bourne) estão muito bem como os irmãos Hansel e Gretel (por que será que a geração dos nossos pais traduziu para “João e Maria”?). Famke Janssen e Peter Stormare também estão bem como os coadjuvantes.

Enfim, João e Maria: Caçadores de Bruxas não é para todos os gostos. Mas quem curtir uma aventura / terror / fantasia com ar de filme B vai se divertir, e muito.

A Última Casa da Rua

Crítica – A Última Casa da Rua

Mãe e filha se mudam para uma grande casa numa cidade pequena – a casa está barata porque na casa ao lado houve um duplo assassinato em família. Quando a filha fica amiga do filho que sobreviveu, a mãe fica preocupada.

Jennifer Lawrence é um dos nomes mais badalados de Hollywood atualmente. Foi indicada ao Oscar em 2011 por O Inverno da Alma, pouco depois fez um dos papeis principais do novo X-Men e foi a protagonista de Jogos Vorazes. E agora está mais uma vez concorrendo ao Oscar, por O Lado Bom da Vida. Nada mal. Será que a gente pode confiar em todos os seus filmes?

Resposta curta e simples: não.

Dirigido pelo quase estreante Mark Tonderai, A Última Casa da Rua (House at the End of the Street, no original) não chega a ser exatamente ruim. Mas é bem fraquinho, bem abaixo do padrão “jenniferlawrenciano”. O filme era pra ser um misto de suspense com terror, mas não assusta ninguém. E o roteiro é cheio de clichês e de diálogos ruins, além de pelo menos um grande furo.

Sobre o furo, avisos de spoiler:

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

Uma família, com 4 pessoas, pai, mãe e um casal de filhos, mora numa cidade pequena, com aquele tipo de vizinho bisbilhoteiro típico de filmes (vide a festa na piscina para as novas moradoras). Morre a filha, começam a tratar o filho como menina, e ninguém na cidadezinha fica sabendo???

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, Jennifer Lawrence e Elisabeth Shue estão bem. Max Theriot não convence, assim como Gil Bellows. O resto do elenco nem sei se vale a pena citar.

Enfim, A Última Casa da Rua nem é tão ruim. Mas também nem vale a pena. Só mesmo para os fãs radicais de Jennifer Lawrence.

Silent Night

Critica – Silent Night

Ah… Nada como um slasherzinho vagabundo com o tema natalino pra gente comemorar o natal… 😛

Na véspera de natal, a polícia de uma cidadezinha dos EUA procura um assassino que age fantasiado de papai Noel. Detalhe: rola um concurso na cidade, com dezenas de pessoas fantasiadas de papai Noel.

Em primeiro lugar, Silent Night NÃO é bom. Claro que não. Releia a sinopse. Se mesmo assim, você quiser ver, já sabe o que vem por aí. Dirigido pelo pouco conhecido Steven C Miller, Silent Night é um remake de Natal Sangrento / Silent Night, Deadly Night, de 1984. Como não vi o filme dos anos 80, não sei se é uma boa refilmagem ou não.

O que Silent Night tem de bom são as mortes, criativas e bem feitas. Tem uma machadada na cabeça com detalhes bem gore, além de uma vítima passada através de um picador de madeira. A gente só precisa não pensar muito, porque senão a gente vai se perguntar onde estão as pessoas que moram na cidade, que somem na hora que tem um papai Noel matando uma mulher semi-nua em céu aberto…

Mas por outro lado, tudo é clichê e previsível demais. E pra piorar, algumas coisas não fazem o menor sentido. Se fosse só o clichê, tudo bem, mas, por exemplo, qual é a função do personagem de Donal Logue, o “papai Noel rebelde”?

No elenco, poucos nomes conhecidos. O grande Malcolm McDowell, de Laranja Mecânica e Calígula, parece que não leva o filme a sério, seu personagem tem umas tiradas no limite da caricatura. Jaime King (Sin City, The Spirit) é bonitinha, mas não tem muito espaço para fugir do óbvio. Ainda no elenco, Donal Logue, Ellen Wong e as gostosas Courtney-Jane White e Courtney Palm.

Enfim, só para os fãs de slasher. Para aqueles que apreciam mortes divertidas e bem filmadas, e alguma nudez gratuita.

E feliz natal pra todos!

 

Crítica – The Tunnel

Crítica – The Tunnel

Durante uma crise de falta de água em Sydney, um grupo de jornalistas resolve investigar uma galeria de túneis subterrâneos porque desconfiam que o governo está escondendo algo lá.

A primeira coisa que a gente lembra é de filmes de “câmera encontrada”, como Bruxa de Blair ou a série Atividade Paranormal. Mas na verdade, The Tunnel está mais próximo de “mockumentários” como This Is Spinal Tap – trata-se de um documentário fake.

Li por aí que este filme australiano, estreia de Carlo Ledesma na direção, teve uma distribuição diferente. O download gratuito seria a única forma de se assistir The Tunnel. Mas parece que um estúdio comprou os direitos e o filme foi lançado no mercado de home video. Mesmo assim, o download continuou liberado. Baixar este filme não é ilegal!

The Tunnel tem seus bons momentos. O clima de tensão que rola na segunda metade do filme é muito bem construído. E os atores desconhecidos passam credibilidade.

Porém, The Tunnel tem três grandes defeitos. O primeiro é o ritmo lento da parte inicial – na primeira meia hora, não acontece praticamente nada. E, vendo o “documentário”, já sabemos desde o início do filme quem morreu e quem não morreu – e como é um filme de terror, isso faz uma grande diferença.

Antes do terceiro defeito, avisos de spoilers leves:

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

Mas o pior é o fim desleixado. Acaba o filme sem ninguém explicar absolutamente nada sobre o que aconteceu. Não acho que um filme precisa explicar todos os detalhes – por exemplo, Abismo do Medo é um bom filme mesmo sem sabermos o que acontece na caverna. Mas aqui, em The Tunnel, acaba o filme e a gente não tem ideia de quem é o “inimigo”. Pode ser algo sobrenatural, como um fantasma; pode ser um ser fantástico como um vampiro; podem até ser pessoas normais que moram lá embaixo… Será que isso foi pra tentar vender uma continuação?

FIM DOS SPOILERS!

O resultado final é um filme interessante, mas que poderia ser melhor sem se esforçar muito…

 

Maníaco (1980)

 

Crítica – Maníaco (1980)

Quando vi Maníaco no Festival do Rio, dois meses atrás, fiquei curioso para ver o original. Foi difícil de achar, mas finalmente encontrei!

Desequilibrado, Frank Zito assassina mulheres em Nova York e guarda seus escalpes para adornar os vários manequins que ele tem guardados em casa.

Maníaco é um típico slasher dos anos 80. O que mais importa aqui são as mortes. Neste aspecto, o filme é eficiente. O protagonista é bem construído, o gore é abundante e o clima de tensão rola por toda a projeção.

Assim como acontece na refilmagem, a trilha sonora é bem interessante. Efeitos sonoros tirados de sintetizadores analógicos ajudam o clima tenso – às vezes lembra Dario Argento.

O diretor William Lustig não tem um currículo interessante. Antes deste filme, dirigiu dois pornôs sob o pseudônimo Billy Bagg; depois, o que fez de mais conhecido é a série Maniac Cop. Podemos dizer que Maníaco foi seu ponto alto na carreira.

No elenco, o destaque é para Joe Spinell e seu desagradável Frank Zito. Ainda no elenco, a bela Caroline Munro, logo depois de ter feito a “pérola” Starcrash. O maquiador Tom Savini faz um papel pequeno, mas a morte de seu personagem é a cena mais famosa do filme (a cabeça que explode).

O filme é legal, mas nem tanto. Tem uma coisa que me incomodou: me parece difícil que um cara feio e esquisitão como Joe Spinell consiga se aproximar de uma mulher bonita como Caroline Munro…

Agora, a inevitável comparação. Este Maníaco de 1980 é bom, mas achei a refilmagem melhor. Por exemplo, a maquiagem é excelente (Tom Savini era o melhor maquiador do estilo), mas o filme atual mostra detalhes muito mais realistas. Outra coisa: o Frank da refilmagem tem uma profissão, tem uma vida – o que faz este Frank para viver? Por fim, gostei da câmera “POV”, característica da refilmagem, que não existe aqui.

Mesmo assim, Maníaco ainda é uma boa opção. E obrigatório para apreciadores de slasher dos anos 80.

p.s.: Pra quem gosta de um pornô vintage, Sharon Mitchel interpreta uma das enfermeiras. Mas aviso logo: ela aparece rapidamente e não tira a roupa!

O Iluminado

Crítica – O Iluminado

Hora de rever o clássico de Stanley Kubrick!

O escritor Jack Torrance é contratado como zelador de um grande hotel que fica fechado durante o inverno. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso.

Incontestavelmente, Stanley Kubrick foi um dos maiores diretores da história do cinema. No fim de sua vida, seu ritmo de filmar era lento. Depois de Barry Lyndon, de 1975, Kubrick só fez três filmes: este O Iluminado, de 1980, Nascido Para Matar, de 1987, e De Olhos Bem Fechados, que estava sendo finalizado quando Kubrick morreu, em 1999. Se a quantidade era pequena, pelo menos a qualidade não caiu. Diferente de alguns colegas de profissão, seus últimos filmes mantiveram a qualidade de sempre (só tenho um pé atrás com De Olhos Bem Fechados, um dia hei de rever e ter uma segunda opinião).

Aqui Kubrick mostra porque é um dos gigantes na sua área. O ritmo do filme é diferente do que estamos acostumados, mais lento, com muitos planos longos e muita câmera parada. O ritmo lento é acentuado pela edição, que traz várias sequências longas com poucos cortes.

Tem mais: rolam vários movimentos de câmera bem planejados, como os travellings seguindo o velocípede pelos corredores do hotel, ou andando pelo labirinto. Isso é aliado a grandiosos cenários e a uma trilha sonora muito bem escolhida (acho que boa parte das músicas já existia, não foram compostas para o filme). O resultado final é um filme tenso como poucas vezes visto na história do cinema.

Kubrick era um perfeccionista, famoso por refilmar as cenas incontáveis vezes, até que ficasse satisfeito com o resultado. A cena onde Halloran conversa com Danny foi filmada 148 vezes – o recorde mundial! E a cena do sangue escorrendo pelo elevador só foi filmada três vezes, mas a preparação para ela durou quase um ano. Esses atrasos na produção acabaram atrasando outros filmes que precisavam do mesmo estúdio em Londres, como O Império Contra-Ataca e Os Caçadores da Arca Perdida.

O Iluminado foi baseado em um livro de Stephen King. Li por aí que o livro teria monstros (não li o livro, então não tenho certeza da informação), e que a adaptação de Kubrick não foi muito fiel neste aspecto. Mas gostei desta mudança, o filme ficou mais sério, mais assustador.

Um dos grandes responsáveis por O Iluminado ser um filme tão assustador foi a magnífica interpretação de Jack Nicholson, uma das mais impressionantes de sua premiada carreira. Nicholson faz uma cara de louco que dá medo! Outros atores foram cogitados para o papel, como Robert de Niro, Robin Williams e até Harrison Ford, mas vendo Nicholson na tela, fica difícil de imaginar Jack Torrance vivido por outro ator. Outro destaque é o garoto Danny Lloyd, que curiosamente só fez mais um filme. Ainda no elenco, Shelley Duvall com sua “beleza exótica” e Scatman Crothers.

Curiosidade: nem todos concordam que O Iluminado é um grande filme. Na época do lançamento, concorreu a duas Framboesas de Ouro, de pior diretor e pior atriz (para Shelley Duvall). Claro que não ganhou…

Enfim, filmaço. Recomendadíssimo!

V/H/S

Crítica – V/H/S

Mais um terror do estilo “câmera encontrada”…

Um grupo de arruaceiros é contratado por alguém misterioso para recuperar uma fita VHS em uma casa abandonada. Enquanto eles procuram a tal fita, vemos algumas histórias curtas de terror, teoricamente guardadas nas velhas fitas VHS espalhadas pela casa.

Dirigido por Ti West, Joe Swanberg, Radio Silence, David Bruckner, Adam Wingard e Glenn McQuaid, V/H/S é mais um “found footage”. O que o diferencia dos outros trocentos filmes do estilo é que enquanto o grupo está procurando a fita, vemos outras cinco filminhos, independentes entre si – ou seja, na verdade não é um longa, parece mais um festival de curtas. E aí, claro, rola o problema de sempre: V/H/S é irregular – como quase todos os filmes em episódios…

Vamos a cada uma delas:

– Amateur Night – um grupo de rapazes sai à noite para procurar mulheres, mas pegam algo perigoso sem reparar. Boa ambientação, bons sustos, uma das duas melhores histórias.

– Second Honeymoon – um casal sai de férias e uma misteriosa pessoa os espreita. Bobo. Tem uma reviravolta besta e sem sentido no final, que ainda piora tudo.

– Tuesday the 17th – uma boa ideia, um slasher diferente usando o tema “cabana escondida no meio do mato”. Pena que a ideia foi mal desenvolvida, o resultado fica devendo.

– The Sick Thing That Happened to Emily When She Was Younger – uma mulher  mora numa casa assombrada e se comunica com o namorado pela webcam. História confusa, mas tem alguns bons sustos.

– 10/31/98 – um grupo vai a uma festa de halloween, mas acabam entrando na casa errada. Filme curtinho, efeitos simples e eficientes, alguns bons sustos. A outra das melhores histórias.

– Tape 56 – a história que une tudo. De longe a pior de todas. Deveriam fazer algo diferente pra unir os episódios, sei lá, de repente uma revista em quadrinhos, como Creepshow.

Além da irregularidade, V/H/S tem outro problema, desta vez conceitual. Pelo menos um dos filminhos usou uma câmera digital (no óculos do cara), e outro deles é através da webcam. Ou seja, por que diabos chamar de “VHS” um longa filmado com tecnologias mais modernas?

Acaba que o filme fica longo, são quase duas horas. Na minha humilde opinião, poderiam ter limado a história da lua de mel e a que liga todas. Ia ser um filme de hora e meia com menos “gorduras”…

Mesmo assim, V/H/S ainda vale a pena, nem que seja pela primeira e pela última histórias, que conseguem criar o clima certo de terror que uma produção dessas pede.

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Se você gostou de V/H/S o Blog do Heu recomenda:
REC
O Caçador de Trolls
O Segredo da Cabana

A Entidade

Crítica – A Entidade

Nas duas semanas do Festival do Rio, nem prestei atenção no que era lançado no circuito. Perdi Dredd e Looper, vou ter que ver depois. E nem tinha reparado neste A Entidade. Sorte que deu tempo de ver.

Um escritor com a carreira em crise se muda com a família para uma casa onde uma família inteira foi assassinada misteriosamente. Investigando o assassinato para escrever sobre ele no próximo livro, ele começa a desconfiar que está diante de uma entidade sobrenatural.

Simples e eficiente, A Entidade (Sinister, no original) não se propõe a revolucionar o cinema de terror. Mas é bem feito, traz um ator inspirado, uma ótima ambientação e alguns sustos bem colocados – ou seja: é uma boa diversão pra quem curte cinema de terror.

Dirigido por Scott Derrickson, que em 2007 fez o bom O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade lembra Sobrenatural, produzido dois anos atrás pelo mesmo Jason Blum. Ambos são bons filmes de terror, cujas histórias não insultam a inteligência do espectador e que trazem alguns sustos divertidos.

O melhor de A Entidade é o clima de terror “old school”. A fotografia escura, a trilha sonora e os efeitos sonoros fazem um bom trabalho, aliadas a um bom aproveitamento dos cenários – é uma casa comum, mas parece assustadora pelo modo como é mostrada no filme. Os efeitos especiais são simples, discretos e eficientes.

No elenco, apenas um nome conhecido: Ethan Hawke – que nunca tinha feito nada no estilo. Ele faz um bom trabalho com o seu personagem, um pai e marido ausente, preocupado com a própria carreira, mas que descobre algo que não deveria ter descoberto. Além dele, o filme conta com Juliet Rylance, Fred Dalton Thompson, James Ransone e as crianças Clare Foley e Michael Hall D’Addario. E também Vincent D’Onofrio, não creditado, como o professor que só aparece pelo chat do computador.

Li algumas críticas negativas sobre a maquiagem caricata usada em algumas cenas. Mas na minha humilde opinião, não atrapalhou. Também li críticas com relação a alguns sustos serem meio óbvios e previsíveis. Mas outros não são. Vou te falar que é raro um filme me fazer pular no cinema – e este conseguiu.

Enfim, uma boa surpresa.

Twixt

Crítica – Twixt

O novo Coppola!

Ao visitar uma pequena cidade, um escritor de terror que vende seus livros por conta própria se vê envolvido no misterioso assassinato de uma jovem, morta por uma estaca de madeira.

Fiquei decepcionado com Tetro, o penúltimo filme dirigido por Francis Ford Coppola (o próprio Coppola esteve no cinema e falou com a plateia antes do filme, foi a única parte boa da sessão). Twixt não chega a ser do nível dos seus filmes clássicos, mas pelo menos é bem melhor que Tetro.

Gostei de rever Val Kilmer. Ok, ele está muito gordo – caramba, não faz muito tempo o revi no papel de Jim Morrison no filme The Doors. Mas continua carismático e talentoso – um dos melhores momentos do filme é quando ele fica na frente do computador tentando começar a escrever o novo livro. Elle Fanning, irmã menos famosa da Dakota, está bem como a adolescente morta viva. E Ben Chaplin está ótimo como Edgar Alan Poe. Ainda no elenco, Bruce Dern, Joanne Whalley, Alden Ehrenreich e Anthony Fusco.

O roteiro, escrito pelo próprio Coppola, não foi muito bem cuidado – li no imdb que Coppola admitiu que não sabia como terminar o filme. E alguns personagens são muito mal aproveitados, como é o caso do bad boy Flamingo.

Uma coisa interessante de se ter um veterano talentoso na direção é que o filme pode até ser fraco, mas a gente sente a mão do diretor em alguns momentos. Mesmo com seus defeitos, Twixt é bem filmado e traz algumas belas cenas.

Por fim, preciso falar do 3D. Martin Scorsese, contemporâneo de Coppola, fez um excelente trabalho ao usar o 3D em A Invenção de Hugo Cabret. Já Coppola fez o oposto – nunca vi um 3D tão muquirana na minha vida! São só duas cenas, e em nenhuma das duas cenas o 3D era necessário. Quem pagar mais caro pelo ingresso por causa deste 3D deveria poder entrar na justiça por propaganda enganosa!

Sightseers / Turistas

Crítica – Sightseers / Turistas

Tina e seu namorado Chris desejam fazer uma viagem romântica, embarcando num trailer para desbravar paisagens e lugares históricos da Inglaterra. O problema é que Chris e Tina vão se envolvendo em acontecimentos estranhos e violentos.

De vez em quando aparece um filme desses. Muita violência e assassinatos em doses desmedidas, tudo executado por pessoas com cara de gente comum. Lembrei logo de Henry, O Retrato de um Assassino, que, por coincidência, também vi no mesmo Festival, anos atrás. É o caso deste Sightseers, novo filme de Ben Whitley (Kill List).

O interessante de Sightseers é que os protagonistas são apresentados como pessoas normais. O elenco foi bem escolhido, Alice Lowe e Steve Oram (também autores do roteiro) têm cara de pessoas normais, não têm nada do glamour hollywoodiano. Digo mais: parecem ingleses que a gente esbarra nos pubs quando viaja por lá pelas cidades pequenas.

Sightseers tem algumas cenas muito violentas. A crueza mostrada é o mais assustador: não estamos lidando com um mal sobrenatural, o mal está no vizinho que mora ao lado.

O ritmo do filme começa devagar, mas depois engrena. E como é curto (pouco menos de uma hora e meia), flui fácil.

Sightseers não deve entrar no circuito. Mas Kill List também não entrou. Quem quiser ver, é só procurar…

p.s.: Apesar do título em português, cuidado para não confundir este filme com aquele Turistas de 2006, filmado aqui no Brasil!