Sobrenatural Capítulo 2

Crítica – Sobrenatural Capítulo 2

Opa! Continuação do ótimo Sobrenatural, uma das melhores surpresas de 2010!

A família Lambert continua assombrada. Agora eles precisam descobrir o mistério que os conecta ao mundo espiritual.

Sobrenatural foi uma agradável surpresa. James Wan e Leigh Whannell, diretor e roteirista de Jogos Mortais, mostraram talento em um excelente terror à moda antiga, sem nada de gore. E este ano eles repetiram a dose com outro bom filme no mesmo estilo, A Invocação do Mal.

Sobrenatural Capítulo 2 segue esta mesma linha. Boa ambientação de “casa mal assombrada”, excelente uso de câmera, trilha sonora eficiente e – principalmente – bons sustos.

Claro, temos muitos clichês. Mas, na minha humilde opinião, são clichês bem utilizados. Comparo este filme com um trem fantasma de parque de diversões: sabemos que os sustos estão lá, mas mesmo assim pode ser um programa divertido. E digo mais: nem todos os sustos de Sobrenatural Capítulo 2 são previsíveis.

Sobrenatural Capítulo 2 ainda tem uma coisa bem legal que quase não vemos por aí. Revemos uma cena do primeiro filme, agora de outro ângulo. Boa sacada de Wan e Whannell!

O elenco repete todos que estavam no primeiro filme. Patrick Wilson está muito bem num papel com citações ao Jack Torrance de O Iluminado. Rose Byrne, Barbara Hershey e Lin Shaye também estão bem. Angus Sampson e o roteirista Leigh Whannell fazem o alívio cômico, que gerou algumas risadas na sala do cinema.

Claro que rola um gancho pra parte 3. Mas não sei se vai existir um terceiro filme, o diretor James Wan deu declarações dizendo que não faria mais filmes de terror, e está fazendo o sétimo Velozes e Furiosos. Ou seja, se tiver um terceiro filme, deve ser com outro diretor – o que quase sempre significa queda de qualidade. Assim, torço pra terminar neste segundo filme!

p.s.: Sobrenatural Capítulo 2 estreou no Rio, mas só na zona norte e zona oeste. Por que não na zona sul? Por que o preconceito? Depois reclamam da pirataria! Sorte que viajei pra outra cidade no fim de semana e consegui ver o filme ainda no cinema!

Dead Before Dawn

Crítica – Dead Before Dawn

Filme de zumbi, com Christopher Lloyd no elenco? Epa, quero ver!

Um grupo de amigos universitários acidentalmente libera uma maldição que faz as pessoas cometerem suicídio e voltarem como zumbis demônios, ou “zemons”.

A ideia era boa. Mistura de zumbis com demônios era um bom ponto de partida. Mas rolava uma dúvida: por que será que Dead Before Dawn nunca tinha sido lançado no Brasil? A explicação é simples: sabe quando um filme é ruim, muito ruim? Infelizmente é o caso.

Dead Before Dawn parece uma produção de tv. Mas não uma produção de um canal legal, nada de um HBO da vida. Produção vagaba de canal teen. Me senti como se heu estivesse vendo Nickelodeon com minha filha de 12 anos.

Por ser uma “produção de tv teen”, não rola violência, nem gore, nem nudez. Tudo é muito exagerado, muito caricato – no mau sentido. A trama é ridícula, as atuações são patéticas. E os zumbis são péssimos, são fortes candidatos ao posto de piores zumbis da história do cinema.

Ah, tem o Christopher Lloyd, verdade. Coitado, mal aparece, sua participação é muito pequena, não da pra salvar o filme.

Ainda é em 3D. Sorte que não passou aqui nos cinemas, tive que baixar pra ver, então vi em 2D mesmo.

Enfim, desnecessário. Tem muita coisa melhor por aí.

Bag Of Bones

Crítica – Bag of Bones

Minissérie com dois capítulos baseada em Stephen King. Ok, vamos ver qualé.

Quando sua esposa morre num acidente de carro, um escritor de sucesso vai para um retiro em uma casa isolada à beira de um lago. Lá, ele acaba envolvido na briga sobre a custódia de uma garotinha.

Não sei exatamente por que, mas Bag of Bones simplesmente não engrena. O elenco está burocrático. Pierce Brosnan e Melissa George parecem estar no piloto automático. O mesmo acontece com a direção, a cargo de Mick Garris, que tem um currículo razoável na TV mas fez pouca coisa no cinema (ele fez Sonâmbulos, de 1992, também baseado em Stephen King).

Os efeitos especiais são fracos, mas isso era esperado num filme para tv. Mas o pior problema de Bag of Bones é a parte final, confusa e sem sentido. A primeira metade só é fraca; a segunda metade é ruim mesmo.

Dispensável.

Mar Negro

Crítica – Mar Negro

Comecei o Festival do Rio 2013 em grande estilo! Filme novo do Rodrigo Aragão, com a presença do próprio!

Uma estranha contaminação atinge uma pequena vila de pescadores. Quando peixes e crustáceos se transformam em horrendas criaturas transmissoras de morte e destruição, o solitário Albino luta pelo grande amor da sua vida, arriscando a própria alma numa desesperada fuga pela sobrevivência.

Provavelmente, a maioria dos leitores deve estar se perguntando “quem diabos é Rodrigo Aragão?” Bem, é o capixaba que fez Mangue Negro (2008) e A Noite do Chupacabras (2011), dois bons exemplares do terror / trash contemporâneo brasileiro. Rodrigo escreve, produz, dirige e edita seus filmes, e ainda trabalha na maquiagem e nos efeitos especiais. E já está no terceiro longa metragem. Tudo independente!

Curiosamente, Mar Negro entrou na Premiere Brasil – quando passou Morgue Story, do Paulo Biscaia Filho, foi na Midnight Movies, mostra que tem mais a ver com o estilo dos dois filmes. Acho que foi uma grande vitória, um filme independente de terror trash passando numa mostra de filmes” sérios”. Mas receio que isso pode “queimar” o filme. Pode ter algum espectador desavisado…

Agora, pra quem gosta, Mar Negro é um prato cheio. O filme é divertidíssimo!

Rodrigo Aragão mostra talento, usando ângulos pouco convencionais ao longo de todo o filme. O roteiro também foge do óbvio, várias soluções usadas na trama são surpreendentes, que fogem completamente à lógica hollywoodiana. E a parte final traz uma virada de roteiro realmente inesperada.

Pelo clima de galhofa pura, Mar Negro lembra mais A Noite do Chupacabras do que Mangue Negro. Situações absurdas geraram grandes gargalhadas na plateia – a parte da metralhadora é sensacional! E, claro, o gore é abundante. Além de diretor e roteirista, Rodrigo Aragão é um excelente maquiador. Toda a parte de maquiagem é caprichada, tanto com as criaturas, quanto com os 150 litros de sangue cenográfico usados ao longo da projeção.

O elenco só tem gente desconhecida – Mar Negro é uma produção quase amadora. Mas, quem viu os outros filmes vai reconhecer alguns rostos.

Por fim, uma boa notícia: Rodrigo falou que no fim do ano Mar Negro deve entrar em cartaz no circuitão. Notícia excelente não só para a produção do filme capixaba, mas para todos os fãs de filmes de terror brasileiros!

p.s.: Procurei pelo google uma imagem do poster, mas não achei…

A Invocação do Mal

Crítica – A Invocação do Mal

Uêba! Filme de terror bom novo!

1971. Uma família se muda para um velho casarão, mas passa a sofrer nas mãos de espíritos que moram na casa. Para manter as cinco filhas seguras, os pais contratam o casal Ed e Lorraine Warren, famosos por desvendar casos paranormais.

Diz a divulgação que A Invocação do Mal (The Conjuring, no original) foi baseado em fatos reais. O casal Ed e Lorraine Warren realmente existiu, eles lançaram vários livros e disseram que investigaram mais de dez mil casos paranormais – o mais famoso deles originou o filme Horror em Amityville. Só não sabemos até que ponto a história contada aqui realmente aconteceu…

A direção ficou com James Wan, famoso por seu filme de estreia, Jogos Mortais (o primeiro), filme muito bom, mas com excesso de sangue e gore. Wan foi ainda mais eficiente em seu quarto filme, Sobrenatural, um dos melhores “filmes de fantasma” dos últimos tempos. Curiosamente, Sobrenatural é um “terror à moda antiga” – não tem nada de sangue e gore.

A Invocação do Mal está mais próximo de Sobrenatural do que de Jogos Mortais. Mais uma vez Wan brinca com o medo sem apelar para o gore. Ponto para Wan! Seu novo filme não só é muito bom, como consegue algo não muito fácil: provocar medo.

Alguns críticos vão reclamar dos clichês. Verdade, A Invocação do Mal está repleto de clichês. Mas são “clichês do bem”. Wan usa muito bem a velha casa, truques de câmera e efeitos sonoros, e consegue criar um ótimo clima assustador.

O casal principal é interpretado por Vera Farmiga (A Órfã) e Patrick Wilson (que também estava em Sobrenatural). Mas é Lili Taylor quem chama a atenção com uma interpretação impressionante. Ainda no elenco, Ron Livingstone e as desconhecidas meninas Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, McKenzie Foy e Kyla Deaver, que estão bem como as cinco irmãs.

Boa opção para quem gosta de filmes de terror daqueles que assustam sem precisar apelar pro gore!

p.s.: Acabei de ver no imdb que tem filme novo do James Wan estreando essa semana nos EUA, Sobrenatural: Capítulo 2. Será que vai ser lançado aqui?

Meu Namorado É Um Zumbi

Crítica – Meu Namorado É Um Zumbi

Uma comédia romântica de zumbis? Será que é uma boa ideia?

Depois de um apocalipse zumbi, um zumbi se apaixona por uma humana. O envolvimento entre os dois acaba despertando uma reação em cadeia que o transformará, assim como os outros mortos-vivos.

Respondendo à pergunta: não, não é uma boa ideia. Quer dizer, pelo menos não funcionou aqui. Meu Namorado É Um Zumbi (Warm Bodies, no original) fica devendo.

Trata-se de uma adaptação do livro Sangue Quente, escrito por Isaac Marion. A direção ficou a cargo de Jonathan Levine, famoso por 50% – esse heu ainda não vi, apesar de ter um elenco que chama a atenção (Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen e Anna Kendrick).

A comparação com a série Crepúsculo é inevitável, principalmente se a gente lembrar que são adaptações de livros direcionados ao público adolescente. Até a mocinha Teresa Palmer lembra fisicamente a atriz Kristen Stewart. Bem, Meu Namorado É Um Zumbi não é um bom filme, mas pelo menos não é tão ruim quanto Crepúsculo.

Na minha humilde opinião, Meu Namorado É Um Zumbi tem dois defeitos básicos. O primeiro é a previsibilidade – logo cedo a gente já consegue sacar como vai terminar a história. O outro é a conclusão, que foge de qualquer lógica de zumbis. É muita forçação de barra rolar uma “cura” daquele jeito, é muita necessidade de se ter um final feliz romântico – mesmo que isso não faça o menor sentido.

Tem outro problema, mas acho que é mais do lançamento brasileiro do que do filme em si. Meu Namorado É Um Zumbi foi lançado por aqui como uma comédia. E é um filme sem a menor graça… (Aliás, 50% também foi vendido como comédia, apesar de parecer um dramalhão dos brabos).

No elenco, dá pena de ver um John Malkovich completamente desperdiçado. Atores têm que pagar as contas, né? Ainda no elenco, Nicholas Hoult, Teresa Palmer, Dave Franco, Rob Corddry e Analeigh Tipton.

Dispensável. Se quiser ver comédia com zumbis, veja Fido – O Mascote ou Todo Mundo Quase Morto.

Guerra Mundial Z

Crítica – Guerra Mundial Z

O primeiro blockbuster de zumbis!

O funcionário da ONU Gerry Lane roda o mundo numa corrida contra o tempo atrás da cura para uma epidemia zumbi.

Vamulá. É a primeira vez que temos uma superprodução, com um astro do primeiro escalão no elenco, usando o tema “zumbi”. Por um lado, isso é positivo: os efeitos especiais são excelentes. O tal “formigueiro zumbi” é impressionante, e são várias tomadas aéreas bem feitas com centenas de pessoas correndo ao mesmo tempo.

Mas, por outro lado, Guerra Mundial Z não era pra ser um filme de terror? Cadê o sangue? Cadê o gore? E vemos muito pouco das ações dos zumbis, quase todos os ataques são vistos de longe. Parece que os realizadores estavam preocupados com a censura e optaram por não mostrar nada – mesmo em cenas onde era importante vermos, a câmera desvia o olhar (como na mão decepada ou no pé-de-cabra preso).

Seguindo com o tema: os zumbis aqui não são “zumbis clássicos”. Não falo isso só pelo fato de serem zumbis corredores (a refilmagem de Madrugada dos Mortos tinha zumbis “maratonistas”), mas principalmente pelo fato de não termos mortos voltando à vida. Todos os zumbis aqui são pessoas infectadas, mais ou menos como no filme Extermínio e seus “raivosos” que parecem zumbis (mas na verdade não são). Então, me questiono se realmente são zumbis aqui…

O diretor é Marc Foster, o mesmo de 007 Quantum of Solace. Não achei uma boa escolha, talvez fosse melhor alguém mais íntimo do cinema de horror, sei lá, um Sam Raimi ou um mesmo um Brian de Palma. Acaba que o filme não se decide entre ação e drama – a única coisa certa aqui é que não estamos diante de um filme de terror.

O roteiro foi baseado no livro de Max Brooks. Não li o livro, mas li que o roteiro foi muito mexido – o que quase sempre é sinal de problemas. E pelo que li, o clima entre e o diretor e o ator principal não era muito bom. Não sei se é por causa disso, mas Guerra Mundial Z tem sérios problemas de ritmo. Algumas sequências são muito boas, como a fuga pelo engarrafamento. Mas outras são bobas e confusas, como toda a parte na Coreia. E, pra piorar, a câmera às vezes dá uma “michaelbayada”, algumas cenas tremem demais e a gente não consegue entender o que está acontecendo.

Enfim, Guerra Mundial Z não chega a ser ruim. Mas que é uma decepção, isso é.

Dark Skies / Os Escolhidos

Crítica – Dark Skies / Os Escolhidos

Alguns filmes são muito mal lançados por aqui. Se não fosse por recomendação de um amigo, ia deixar passar este bom Dark Skies / Os Escolhidos.

Quando a pacata vida no subúrbio da família Barret é sacudida por uma série de estranhos e misteriosos eventos, a família acaba descobrindo que existe uma terrível e mortal força atrás dela.

Dark Skies é uma eficiente mistura entre ficção científica e terror. A economia no CGI e a ausência de gore criaram um clima que lembra uma mistura de Contatos Imediatos do Terceiro Grau com Poltergeist.

O diretor e roteirista Scott Stewart mostra amadurecimento depois de ter feito os divertidos Padre e Legião. Gostei mais de Dark Skies, menos farofa que os outros dois. Desta vez, podemos até levar o filme a sério, coisa impensável com os anteriores.

O roteiro tem lá os seus clichês, claro. Mas são bem usados, são “clichês do bem” – o filme pode ser um pouco previsível, mas tem um bom ritmo.

No elenco, Keri Russell (Missão Impossível 3) lidera um elenco de nomes pouco conhecidos, mas que estão bem no filme: Dakota Goyo (o moleque de Gigantes de Aço), Josh Hamilton, Kadan Rocket e uma participação especial de J.K Simmons.

Dark Skies não vai mudar a vida de ninguém, mas pelo menos está acima da média do que temos por aí.

Extermínio

Crítica – Extermínio

Empolgado com Em Transe, fui catar outro Danny Boyle pra ver. Peguei os DVDs que tenho do diretor e escolhi este Extermínio, de 2002, depois de ficar balançando entre ele, Cova Rasa e Trainspotting.

Um vírus mortal se espalha e mata quase toda a população da Inglaterra. Quatro semanas depois, um homem acorda de um coma, sozinho, num hospital abandonado e precisa descobrir o que aconteceu e como sobreviver.

Como diz um amigo meu, Extermínio (28 Days Later, no original) é o “melhor filme de zumbis sem zumbis da história do cinema”. Explico: o filme não tem nenhum zumbi. São pessoas infectadas com uma mutação do vírus da raiva. As pessoas estão vivas, não tem nenhum morto vivo. Mas… O comportamento dos infectados lembra muito o comportamento dos zumbis de outros filmes. Com uma única diferença: aqui os “zumbis” correm, o que causa um efeito ainda mais assustador.

Danny Boyle fez Extermínio logo depois de A Praia, talvez o seu filme mais fraco. E aqui ele se redimiu. Boyle usa seu estilo de cortes rápidos, cores fortes e música alta para fazer um filme tenso, um excelente misto de suspense com terror.

No início do filme, foi usado um artifício muito interessante: temos várias tomadas de Londres sem absolutamente ninguém nas ruas. Isso ajuda a criar o convincente clima de fim de mundo – uma coisa é você ver um cenário desconhecido desolado; outra coisa é mostrar devastada uma das maiores cidades do mundo.

Boyle filmou usando câmeras digitais – lembro que Extermínio é de mais de dez anos atrás, as câmeras digitais daquela época eram diferentes das atuais. As escolha pelas câmeras digitais foi pelo motivo estético, pra dar um ar de documentário; e também pela praticidade para filmar rapidamente e aproveitar cenários vazios.

Como de costume em bons filmes de zumbi, o melhor aqui não são os zumbis, e sim as relações humanas no mundo pós apocalíptico. O filme é violento e tem um pouco de gore, mas boa parte da violência é entre humanos, não tem nada com os infectados.

No elenco, Cillian Murphy, na época um rosto desconhecido, está muito bem. Naomie Harris (que estava no último 007) também manda bem como a “mocinha”. Ainda no elenco, Brendan Gleeson, Megan Burns e Christopher Eccleston.

Agora tô na dúvida sobre qual será o próximo da “fila”: Cova Rasa, Trainspotting ou Extermínio 2

p.s.: Por favor, não confundam este filme com o 28 Dias, da Sandra Bullock, lançado dois anos antes!

Carrie – A Estranha (1976)

Crítica – Carrie – A Estranha (1976)

Em breve estreará a refilmagem de Carrie. É hora de rever o original de Brian de Palma, de 1976.

Carrie é uma jovem tímida que vive com uma mãe problemática. No baile de formatura da escola, preparam para ela uma terrível armadilha, que a deixa ridicularizada em público. Mas ninguém imagina os poderes paranormais que a jovem possui e muito menos de sua capacidade vingança quando está repleta de ódio.

Carrie – A Estranha é uma feliz e inspirada união entre dois mestres do terror / suspense: o escritor Stephen King e o diretor Brian De Palma.

Stephen King é indiscutivelmente um dos maiores escritores fantásticos da história da literatura. Curiosamente, são poucos os bons filmes baseados em livros seus – até o próprio King falhou feio quando resolveu arriscar na direção, ele fez o fraco Comboio do Terror nos anos 80. Este Carrie – A Estranha é uma exceção – é um filmaço!

(Outros bons filmes baseados em Stephen King: O Iluminado, Cemitério Maldito, À Beira da Loucura, Christine, Conta Comigo, Creepshow, Um Sonho de Liberdade… Acho que dá um Top 10, que tal?)

Pra quem gosta de cinema como uma arte, ver um filme dirigido por Brian De Palma nos bons tempos é uma delícia. Cada plano, cada ângulo, cada sequência, tudo é bem pensado. Tecnicamente, o filme é excelente! E toda a sequência do balde é sensacional. Aquela corda balançando criou uma tensão absurda. Heu já sabia o desfecho, e mesmo assim fiquei me remexendo no sofá.

O que é curioso é que a trama é bem simples – já pararam pra pensar que o filme se passa basicamente na preparação para o baile e no baile em si? Não li o livro do Stephen King, mas desconfio que no livro deve ter mais coisa.

O elenco tem grande responsabilidade para o sucesso do filme. Sissy Spacek está sensacional, num papel difícil, que demonstra ao mesmo tempo ingenuidade e ódio reprimido. Piper Laurie, que faz a mãe, também tem uma interpretação memorável. Aliás, as duas foram indicadas ao Oscar – parece que foi a primeira vez que um filme de terror teve indicações ao Oscar de atriz e atriz coadjuvante. John Travolta, em início de carreira, brilha em um papel secundário. Ainda no elenco, William Katt, Amy Irving, Nancy Allen e Betty Buckley.

Este Carrie original é muito bom. Tenho medo da refilmagem. Tomara que não façam besteira!