[REC]

[REC]

Em abril deste ano vi um dos melhores filmes de terror da minha vida. Um filme desconhecido, espanhol. Na época, só estava disponível pela internet.

Quando soube que ia passar no Festival, pensei: “opa, boa oportunidade de ver esse filme numa tela grande!” E fui pro cinema, mesmo já tendo visto o filme duas vezes antes na tv. Afinal, todos sabemos que a sensação de ver um filme na sala escura e na tela grande é muito melhor.

Vou copiar parte do texto que escrevi aqui mesmo em 8 de abril:

Sabe aquela idéia de câmera na mão e não atores na tela? Depois de reality shows na tv, inventaram o “reality cinema”. O primeiro que conheço é do início dos anos 90, um filme belga chamado Aconteceu Perto de Sua Casa, que mostra uma equipe filmando um assassino profissional. Anos depois Hollywood copiou a idéia e fez A Bruxa de Blair, e ainda tentou vender a história como se fosse verdade! E agora, esse ano, estreou o médio Cloverfield, que leva a idéia pro filme catástrofe; além de Diário dos Mortos, ótimo filme de zumbis do mestre George Romero.

Bem, como o mestre Tarantino nos ensinou, uma boa idéia pode ser reaproveitada, desde que haja talento por trás das câmeras. E acredito que dessa vez os diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza se superaram. Um bom filme de terror espanhol já não é novidade há tempos, vide o recente excelente O Orfanato, dentre outros.

(Aliás, esse nome Jaume Balagueró não é desconhecido por aqui, ele dirigiu A Sétima Vítima, com Anna Paquin, que, apesar de parecer Hollywoodiano, é espanhol.)

Angela é uma repórter de tv, de um programa noturno, que vai acompanhar a noite de uma equipe de bombeiros. Junto com o câmera e dois bombeiros, vão até um pequeno prédio ver uma emergência – e são trancados lá dentro, junto com dois policiais e alguns moradores.

Os personagens não sabem o que está acontecendo, e nós também não. Vamos descobrindo aos poucos, e, pela câmera de tv, nem sempre conseguimos ver tudo.

Medo. Há muito tempo heu não sentia medo depois de ver um filme. A situação vivida pelos personagens é claustrofóbica e desesperadora, há um perigo ali do lado, e ninguém sabe o que é. E Angela e seu câmera, imbuídos de espírito jornalístico, filmam tudo, pra poder denunciar depois o que está acontecendo.

Recomendo fortemente! Principalmente porque já sei que a refilmagem americana, Quarantine, já está pronta…

O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera

Nem só de novidades vive o festival! Se a gente procurar bem, até acha tosqueiras em outras mostras ditas “sérias”… Tem uma mostra chamada “Divas Italianas”, e uma delas é a Asia Argento, estrelando um filme do pai, o mestre do terror Dario Argento, de dez anos atrás: O Fantasma da Ópera.

A história é fiel à original, até onde sei (são tantas as versões que é difiícil saber qual é a mais “certa”). Christine (Asia Argento) é uma jovem e talentosa cantora de ópera, mas fica ofuscada sob a sombra da diva Carlotta, gorda, feia e antipática. O teatro é assombrado por um fantasma misterioso (Julian Sands), que se apaixona por Christine e quer levá-la ao estrelato – custe o que custar.

O personagem do Fantasma é muito interessante, porque é o perfeito anti-herói: age por amor, mas não deixa de ser um grande vilão. A escolha de Julian Sands foi ótima, afinal nos anos 90 ele fez um monte de tipos mezzo sedutores mezzo psicopatas, como Encaixotando Helena, Warlock e Despedida em Las Vegas. Só senti falta da máscara. Pô, a máscara do Fantasma da Ópera é muito característica! Um Fantasma de cara limpa? Como assim?

Dario Argento muitas vezes é exagerado no visual dos seus filmes, e incompreendido por causa disso. Mas aqui ele acerta a mão: temos gore na dose certa, nada parece exagerado. Às vezes, até parece um filme “normal”…

Casa Negra

Casa Negra

De uns anos pra cá, apareceram vários bons filmes de terror asiáticos. Então, um novo filme de terror coreano não é exatamente algo tão estranho assim. Com esta expectativa, fui ver Casa Negra (Geomeun Jip).

A história é simples: um agente de seguros investiga um aparente suicídio de um garoto de 7 anos, mas desconfia que o padrasto do menino está tentando um golpe. E quanto mais ele investiga, mais descobre coisas sinistras em volta da família do garoto.

O início do filme é meio lento, talvez o roteiro devesse ser enxugado – um filme desses funciona muito bem com uma hora e meia! Mas a parte final é bem interessante!

A maioria dos filmes de terror orientais atuais usa fantasmas e coisas misteriosas para causar medo. Mas esse pega uma onda que às vezes nos lembra filmes de terror italianos dos anos 80: muito sangue, muito gore, e pitadas de humor negro. Algumas cenas no fim do filme são hilárias! E não acredito que o diretor não tivesse este objetivo.

Veja antes de Hollywood refilmar!

O Nevoeiro

O Nevoeiro

Demorou, mas finalmente The Mist foi lançado por aqui. Não sei por que demorou tanto, afinal, acredito que seria fácil de se vender “do mesmo diretor e roteirista de Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre, o mais novo filme baseado em Stephen King”!

Uma cidade pequena, à beria de um lago, é açoitada por ventos fortes à noite. Na manhã seguinte, David Drayton (Thomas Jane), um artista local, vai até o supermercado com seu filho. E uma névoa envolve a cidade – e existe algo misterioso dentro da névoa.

O suspense é muito bem montado – não sabemos o que há dentro da névoa! E começa um clima claustrofóbico dentro do supermercado, onde o medo do desconhecido começa a mudar as pessoas.

Uma coisa muito interessante aqui é o foco nos personagens presos no supermercado., e não no que está na névoa. Marcia Gay Harden interpreta Mrs Carmody, uma religiosa que aos poucos começa a exacerbar o seu fanatismo – e conquistar “fiéis”, afinal, ninguém sabe o que está acontecendo lá fora…

E assim, o suspense toma conta do filme. Boas interpretações, boa fotografia, e o talento do diretor e roteirista Frank Darabont são essenciais para criar esse clima.

Não gostei muito do fim, acho que poderia ser diferente. Mas não estraga a beleza do filme.

Encarnação do Demônio

Encarnação do Demônio

Alvíssaras! Zé do Caixão está de volta!

José Mojica Marins, o mais famoso cieneasta de terror brasileiro, finalmente conseguiu terminar a trilogia do coveiro Zé do Caixão, começada em 64 com À Meia Noite Levarei sua Alma e que teve continuidade em 67 com Esta Noite Encarnarei no Teu Cadaver. Agora, em 2008, mais de 40 anos depois, a saga de Josefel Zanatas em busca da mulher perfeita que gerará o seu filho tem um fim!

A saga de Josefel continua de onde parou no fim de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver. Para explicar o hiato de 40 anos, o filme começa com Josefel saindo da cadeia, onde ficou por todo esse tempo, e recomeçando a sua busca, assessorado pelo fiel corcunda Bruno e por alguns empregados / vassalos “góticos”.

O mais interessante desse filme é situar o cinema “udi-grudi” do Zé do Caixão dentro de um contexto moderno. O roteiro consegue fazer o Zé e seu jeito exagerado e histriônico encaixar perfeitamente com cenas gore de deixar produções gringas como O Albergue no chinelo! Qualquer garoto fã de filmes de terror atuais não vai se decepcionar! São várias as cenas bem feitas aqui. Os policiais sendo torturados, o banho de sangue e a descida ao inferno, o balde de baratas, os fantasmas do passado de Josefel… Por um lado, clima psicodélico dos anos 60, quando o roteiro começou a ser escrito; por outro lado, cenas gore à vontade!

E tem um detalhe que deixa o Zé do Caixão ainda mais assustador. Diferente de um zumbi ou vampiro, é um personagem que pode muito bem existir na nossa sociedade. Um cara sádico, que não respeita as leis da sociedade e tortura e mata pessoas pode ser o seu vizinho…

O elenco também tem alguns destaques, como o padre fanático interpretado por Milhem Cortaz; e Jece Valadão, em seu último papel, mostrando porque ele é o nosso cafajeste preferido!

Clássico instantâneo. Desde já um dos melhores filmes do ano!

Lost Boys 2 – The Tribe

Lost Boys 2 – The Tribe

Continuação do genial e cult Os Garotos Perdidos, de 1987, com Kiefer Sutherland e Jason Patric… Ainda mais, lançado direto em dvd… A primeira coisa que a gente pensa é: “precisa”?

Precisar não precisa. Mas sabe que não é ruim?

Os irmãos Chris (Tad Hilgenbrink) e Nicole Emerson (Autmn Reeser) se mudam para Luna Bay. O filme não deixa claro, mas sim, são os filhos de Michael e Star (Jason Patrcik e Jami Gertz), do primeiro filme. Chris é um surfista aposentado, que procura emprego de construtor de pranchas, e conhece Edgar Frog (Corey Feldman), que além disso trabalha como caçador de vampiros. E o resto da história é aquilo de sempre: os irmãos se aproximam dos vampiros e depois têm que derrtá-los…

Sim, é o mesmo Corey Feldman interpretando o mesmo Edgar Frog do primeiro filme! Às vezes o seu personagem parece meio caricato, mas, convenhamos, se você é caçador de vampiros há 20 anos, você tem motivos pra ser caricato…

Além da volta de Corey Feldman, o elenco traz outra surpresa: Shane, o líder dos vampiros é interpretado por Angus Sutherland, meio-irmão de Kiefer Sutherland, o vampirão do original… Além disso a cena inicial tem participação do mestre da maquiagem Tom Savini; e tem uma cena depois dos créditos especial pra quem é fã do primeiro filme, trazendo de volta um ator que não aparece ao longo deste filme!

Boa diversão pra quem não for muito exigente…

Zombie Strippers

Zombie Strippers

Ok, um filme chamado “Zombie Strippers” não pode ser bom, concordo.

Dançarinas de um clube de strip-tease viram zumbis e atacam seus clientes. E ainda tem no elenco a atriz pornô Jenna Jameson e Robert Englund, o Freddy Kruger? A idéia, de tão tosca, poderia render um filme trash divertido. Mas não, é fraaaco…

Existem os filmes trash com algum talento por trás. Peter Jakcson, antes da fama e dos Oscars da trilogia O Senhor dos Anéis, fez dois trash maravilhosos! Sim, é tudo tosco, mas é um tosco “cool” e engraçado. E existem filmes como Zombie Strippers, que são simplesmente toscos. Não se vê nada além da nudez e do gore…

O elenco, claro, é péssimo. Todos são caricatos ao extremo. Sim, é o tom que se pede num filme desses, mas talvez esteja caricato demais. Mr Englund, volte para debaixo da maquiagem do Freddy! Por sua vez, o roteiro tenta colocar piadas políticas no meio da trama, mas é um roteiro tão fraquinho que dá até pena…

Concordo numa coisa: pelo menos temos muita nudez gratuita, violência desnecessária, cabeças explodindo, muito gore, tudo o que se espera num filme desses. A cena do pompoarismo é genial! Mas, pergunto, isso é suficiente?

Anyway. serve pra ser visto com galera, no meio da farra…