Dunkirk

DunkirkCrítica – Dunkirk

História real do resgate de soldados aliados, que foram encurralados pelos alemães na cidade de Dunquerque, na França.

Filme novo do Christopher Nolan sempre me deixa com o pé atrás. Se por um lado o cara é indubitavelmente talentoso e sabe filmar como poucos, por outro lado, muitas vezes seus filmes são chatos. É só a gente se lembrar do seu último filme, Interestelar – filmaço, mas longo e arrastado, IMHO.

Logo de cara vi que este Dunkirk (idem, no original) tinha uma vantagem: a duração. Menos de duas horas? Taí uma boa notícia quando falamos de um diretor que às vezes se estende demais.

A narrativa é dividida em três linhas temporais. A ação na terra se passa ao longo de uma semana; na água, em um dia; no ar, em uma hora. Essas linhas são misturadas, mas a edição ficou um pouco confusa. Nolan fez isso melhor em A Origem.

Por outro lado, o visual do filme é fantástico. Nolan usou câmeras Imax e lentes de 70 MM, e evitou o cgi (como costuma fazer). Boa parte do que vemos na tela estava realmente lá. A produção conseguiu um avião Spifire original, e uma das cenas no mar contou com 62 barcos. O filme teve 1.500 figurantes, e nas cenas onde aparecia ainda mais gente, usaram figuras de papelão lá no fundo. O resultado visual é incrível!

A onipresente trilha sonora de Hans Zimmer ajuda a manter o clima pesado e desconfortável. E aqui, mais uma boa notícia ligada à duração do filme. Se a metragem fosse maior, ia cansar.

Dunkirk não tem um protagonista, os personagens principais são vários. Aliás, também não tem exatamente um antagonista, o inimigo são os alemães, que nem aparecem. No meio de vários jovens desconhecidos, temos alguns nomes familiares, como Mark Rylance, Tom Hardy, Kenneth Brannagh e Cillian Murphy. Uma curiosidade: um dos atores novos é Harry Styles, ídolo adolescente, ex membro da banda teen One Direction. Li em algum lugar que Nolan não sabia disso, e teria se espantado quando, em uma pré estreia, várias fãs foram tietar o cantor.

Boa opção para os fãs de filmes de guerra. Também boa opção para quem gosta de um belo espetáculo visual. E a boa notícia é que o Imax não está em 3D!

p.s.: Por que o nome do filme não foi traduzido? Os livros de história falam da Batalha de Dunquerque, a cidade francesa tem nome em português. É que nem se traduzissem “London has Fallen” por “Invasão a London”…

Em Ritmo de Fuga

Em Ritmo de FugaCrítica – Em Ritmo de Fuga

Um jovem piloto de fugas, que devido a um problema no ouvido, ouve música o tempo todo, é coagido a participar de um roubo condenado a falhar.

Fim do ano passado gravamos um podcast sobre as “expectativas para 2017”. Um dos filmes na lista era um tal de “Baby Driver”, e na época não tínhamos nenhuma informação sobre o filme. Mas, quando li que o diretor era Edgar Wright, falei “aguardo ansiosamente”. Riram de mim. Mas agora ninguém mais ri. Caros leitores, estamos diante de um dos melhores filmes do ano!

Edgar Wright fez poucos filmes, mas até agora não errou – pelo menos não segundo o meu julgamento. Sou muito fã da trilogia Cornetto (Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca), e também gosto de Scott Pilgrim. E digo mais: acho que Wright fez um filme ainda melhor do que os anteriores com este Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, no original). será que finalmente seu nome entrará para o primeiro escalão?

A história em si não tem nada demais. Mas a edição do filme é primorosa. Todos os ruídos em cena são sincronizados com a trilha sonora. O filme não é um musical, mas mesmo assim, tudo é coreografado.

Logo no início do filme temos um plano sequência sensacional quando Baby vai comprar café. Tudo se encaixa neste balé entre a câmera, a música que estamos ouvindo e as movimentações dos atores. Li no imdb que a cena foi repetida vinte e oito vezes! Valeu a pena…

Outro exemplo é a cena que usa Hocus Pocus, da banda holandesa Focus. Essa música já tinha sido bem utilizada no Robocop do José Padilha, mas aqui ficou ainda melhor. Os tiros estão no ritmo da música!

Ah, desconfio que Edgar Wright deve gostar de Queen. Em Todo Mundo Quase Morto, a música Don’t Stop Me Now foi usada numa cena icônica. Agora é a vez de Brighton Rock, que é usada num momento importantíssimo.

Vale lembrar que, apesar do histórico do diretor na comédia (com os três filmes da trilogia Cornetto), Em Ritmo de Fuga é um filme de ação. É um filme bem humorado, com algumas boas piadas, mas não é uma comédia. As cenas de perseguição de carro são muito bem feitas.

O papel principal é do jovem Ansel Elgort (conhecido por A Culpa é das estrelas), que, se não impressiona, pelo menos não atrapalha. Por outro lado, Kevin Spacey e Jamie Foxx estão fenomenais, e Jon Hamm não está atrás. ainda no elenco, Lily James, Eiza González, Jon Bernthal e CJ Jones.

Imperdível. Para ser visto e revisto, e depois ter o dvd / blu-ray na prateleira.

Transformers: O Último Cavaleiro

TransformersCrítica – Transformers: O Último Cavaleiro

Optimus Prime foi embora, mas a Terra continua sendo invadida por robôs. Enquanto acontece uma guerra entre humanos e robôs, uma nova ameaça alienígena resolveu destruir toda a humanidade.

Reli agora minhas críticas ao segundo, ao terceiro e ao quarto Transformers (quando passou o primeiro filme, heu ainda não escrevia críticas). E acho que tudo o que heu poderia falar está lá. Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight, no original) segue exatamente a cartilha dos filmes anteriores: bons efeitos especiais, roteiro ruim e duração longa demais. Basicamente isso. Quem gostou dos outros vai curtir este quinto filme; quem não gostou nem vai passar na sala do cinema.

O diretor Michael Bay (o mesmo de todos os filmes da franquia) descobriu uma fórmula que funciona muito bem na bilheteria, e por isso não deve mudar. Tudo é muito intenso, muito dramático, muito exagerado… Os críticos detestam, mas o filme tem o seu público. E a má notícia pros críticos é que termina com um gancho pro sexto filme…

Claro que o roteiro tem vários pontos sem sentido – pra começar, a história começa com o Rei Arthur e o mago Merlin! Mas, pra que roteiro inteligente? Taca mais uma explosão, que o público curte.

Alguns comentários sobre o elenco. Mark Wahlberg faz mais do mesmo. Anthony Hopkins não está mal, mas me pergunto o que um ator como ele está fazendo ali. John Turturro ganhou um cachê fácil, não interage com nenhum outro ator importante, deve ter filmado toda a sua parte no mesmo dia. Stanley Tucci faz um Merlin divertido. Laura Haddock faz a “Megan Fox genérica” da vez, papel que já foi da Rosie Huntington-Whiteley (no 3) e Nicola Peltz (no 4). Por fim, a jovem Isabela Moner é uma tentativa de criar uma heroína adolescente. Mas ela tá longe de ser uma X23…

Ainda queria comentar sobre o “clube do bilhão”, lista que está no site boxofficemojo.com. Hoje, em julho de 2017, trinta filmes já venderam mais de um bilhão de dólares nas bilheterias. Entendo a presença de alguns destes filmes, como aqueles que movimentam grandes fã clubes, como Star Wars (Rogue One, Ep 8, Ep 1), Disney (Zootopia, Bela e a Fera, Frozen, Toy Story 3) ou filmes de super heróis (dois Batman, dois Vingadores, Homem de Ferro, Guerra Civil); assim como entendo os fenômenos Avatar e Titanic. Mas admito que não entendo três presenças na lista: Piratas do Caribe, Velozes e Furiosos e Transformers (dois de cada). Entendo que sejam grandes sucessos de bilheteria, mas, para passar de um bilhão de dólares tem que ser mais do que apenas um sucesso de bilheteria. Enfim, heu não entendo, mas os números não mentem. Michael Bay conhece uma fórmula que vende bem, e tem um bilhão de argumentos para continuar com a mesma fórmula – mesmo com todas as críticas negativas do mundo.

Carros 3

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Crítica – Carros 3

Agora um veterano, Relâmpago McQueen tem dificuldades para provar para a nova geração de corredores que ainda é um dos melhores carros de corrida do mundo.

Lá se vão 22 anos desde o primeiro Toy Story. A Pixar continua fazendo filmes para crianças, mas não ignora que parte do seu público envelheceu. Depois do excepcional Toy Story 3, temos outro filme que fala da maturidade.

Claro, Carros 3 (Cars 3, no original) não é tão bom quanto Toy Story 3, mas, convenhamos, o primeiro Carros também é inferior ao primeiro Toy Story, então tá tudo coerente. O ponto importante aqui é: aquela trama bobinha de agente secreto usada no fraco Carros 2 foi deixada de lado. Voltamos às pistas de corrida. E agora lidando com um corredor velho e ultrapassado.

(Às vezes imagino se o Michael Schumacher tivesse se aposentado logo após o seu sétimo título mundial. Ele poderia dizer “cansei de ganhar, vou parar porque não existe ninguém à minha altura”. Seria uma lenda maior do que já é. Mas não, ele continuou, e começou a perder…)

Assim, temos mais uma vez um filme “em camadas”. Crianças vão curtir o colorido universo dos carros; adultos vão refletir sobre a hora de um atleta parar e passar o bastão para a nova geração. Lembrei de Creed, o último filme da saga Rocky…

A parte técnica, como esperado, enche os olhos. A textura dos objetos de cena é perfeita! Tem uma cena numa praia, onde a areia parece filmada e não desenhada. Digo mais: alguns takes imitam a mudança de foco da câmera. Se não fossem os carros com cara de desenho animado, acho que dava pra dizer que estávamos diante de um “live action”.

Provavelmente Carros 3 nunca figurará entre os clássicos da Pixar. Mas pelo menos é uma diversão honesta. E, repito, bem melhor que Carros 2.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem AranhaCrítica – Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Depois de dois breves prólogos onde outros filmes do MCU são citados, acompanhamos o dia a dia monótono de Peter Parker, que, apesar de ter super poderes, sofre problemas comuns a todo adolescente: dificuldade de adaptação, bullying, paixão platônica – e, pra piorar, não pode contar pra ninguém quem ele é.

O Homem Aranha é, talvez, o herói mais popular da Marvel – não à toa, teve uma adaptação para o cinema numa época onde filmes de super heróis ainda não eram comuns. Mas o personagem ainda estava preso à Sony por questões contratuais, por isso ele ainda não tinha entrado no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Ainda…

Não sei os detalhes do acordo para a realização deste Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, no original), mas os fãs agradecem. Depois de um reboot chocho (2012 e 14), temos um bom filme do Aranha, e, melhor ainda, inserido no MCU.

Como acontece frequentemente nos blockbusters atuais, o diretor é um nome desconhecido: Jon Watts, que antes não fez nada relevante. A falta de experiência não atrapalhou, e ele fez um bom trabalho. Ah, não sei se foi ideia dele, mas temos algumas referências a um quase xará, o John Hughes. Inclusive passa um trecho de Curtindo A Vida Adoidado. E a personagem Michelle lembra a Ally Sheedy de Clube dos Cinco.

Uma coisa que funcionou muito bem neste novo Homem Aranha é a redução da idade do protagonista (o personagem nos quadrinhos ainda é adolescente). Apesar de já ter 21 anos, Tom Holland* tem cara de garoto, e passa bem a intenção de um moleque deslumbrado com o que está acontecendo (Tobey Maguire tinha 27 quando fez o seu primeiro Aranha; Andrew Garfield, 29). Ah, Holland é inglês, mas trabalhou bem o sotaque, em nenhum momento ele parece estrangeiro.

(* Acho que sou o único incomodado com isso, mas preciso falar. Já temos um Tom Holland na história recente do cinema contemporâneo. Tom Holland é o diretor de A Hora do EspantoBrinquedo Assassino!)

Outro ponto positivo é o vilão. Por um lado, temos um personagem com boas motivações – diferente de vilões “que querem conquistar o mundo”, este é um homem de negócios que viu uma boa oportunidade. Por outro lado, temos um bom ator – Michael Keaton está excelente!

Mais uma coisa: o filme é independente dos outros do MCU, mas algumas cenas fazem conexões diretas. Ver a luta do aeroporto de Guerra Civil por outro ângulo foi muito legal.

O roteiro escrito por muitas mãos foi inteligente ao limitar as participações de Robert Downey Jr – é um filme do Homem Aranha, e não do Homem de Ferro! Jon Favreau e Marisa Tomei voltam aos papéis de Happy Hogan e Tia May, e o filme ainda conta com os jovens Zendaya, Jacob Batalon, Laura Harrier e Tony Revolori. Além disso, temos duas participações pontuais de outros personagens, mas não vou dizer quem por causa dos spoilers (apesar de uma delas ser um dos principais nomes do elenco no imdb).

Por fim, são duas cenas pós créditos. Tenha paciência e espere até o fim!

Meu Malvado Favorito 3

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Crítica – Meu Malvado Favorito 3

Gru e sua trupe estão de volta!

Depois de uma missão mal sucedida, Gru é demitido da liga anti vilões, seus minions o abandonam, e ele descobre que tem um irmão gêmeo separado no nascimento morando em outro país.

O primeiro Meu Malvado Favorito foi uma agradável surpresa da Illumination. Sua continuação pode não ter sido tão boa, mas pelo menos o filme divertiu. Tivemos o spin-off dos Minions, que não agradou a todos, e agora a gente tinha a volta do time completo. E aí, acertaram desta vez?

Boa notícia! Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3 no original) é muito bom! Não revi os outros dois, então não vou comparar. Mas posso dizer que o novo filme vai agradar os fãs da franquia!

O humor continua sendo o principal objetivo da franquia. Temos várias boas piadas relacionadas aos anos 80, além de citações a filmes antigos (mais alguém lembrou de Goldfinger quando aparece a imagem do pai do Gru?). Sobre o conceito de “vilão”, claro que é algo caricato. Mas, quando bem usado, é bem divertido.

A qualidade da animação é excelente. A Illumination pode não ser uma das “três grandes” (Disney, Pixar e Dreamworks), mas de um tempo pra cá, a qualidade técnica é a mesma (assim como a Blue Sky, outro estúdio “menor”).

Uma coisa que funciona muito bem aqui é a boa galeria de personagens, e o bom equilíbrio entre eles. Gru, Lucy e as meninas, claro, estão de volta. Os Minions aparecem bem menos, afinal, estão no limite da saturação (todo mundo adora os minions, mas ninguém mais aguenta vê-los em tudo quanto é lugar!). Por fim, Dru e Baltazar Bratt são ótimos personagens novos.

Um parágrafo à parte pra falar desses dois últimos. Dru é uma saída inteligente para o personagem principal da franquia – agora que Gru é mocinho, enfraqueceu o conceito de “malvado favorito”. E Baltazar é cheio de divertidas referências à década de 80, tanto no visual quanto na trilha sonora – ótima sacada para os pais que vão levar seus filhos ao cinema.

Um detalhe bem pensado na dublagem brasileira. No original, Baltazar é dublado por Trey Parker (um dos criadores de South Park). Aqui, ele foi dublado por Evandro Mesquita, boa sacada quando a referência é a década de 80. Ah, é importante dizer que Evandro não faz a voz “de sempre”, ele mandou bem desenvolvendo o personagem.

Boa opção para os pequenos e também para os não tão pequenos assim!

O Círculo

O CírculoCrítica – O Círculo

Uma jovem consegue um trabalho de sonho em uma poderosa empresa de tecnologia chamada Círculo, e acaba descobrindo uma ferramenta que afetará a vida de toda a humanidade.

Sabe quando um filme parte de uma premissa boa, mas o resultado final é maomeno? É o caso aqui.

A ideia inicial é meio Black Mirror, um mundo onde uma rede social tipo o Facebook domina a maior parte da sociedade. Conhecemos as entranhas da empresa, incluindo as reuniões dos cabeças para que a empresa cresça no seu plano megalomaníaco de conquistar o mundo meio Pinky e Cérebro. Essa é a parte interessante do filme, porque acredito que empresas como o Google e o próprio Facebook devem testar estratégias parecidas.

Mas durante o filme o roteiro pega alguns caminhos que atrapalham tudo. O foco deixa de ser o Círculo e passa a ser a mocinha. E aí aparecem situações mal desenvolvidas, como todo o relacionamento entre a protagonista e o personagem do John Boyega; ou a repentina mudança de atitude da personagem de Karen Gillan. Isso sem falar do final do filme, tão inocente que parece tirado de um desenho animado pra tv.

O elenco se baseia em dois grandes nomes: Tom Hanks e Emma Watson. Hanks está bem como sempre, mas nada que lhe renda mais uma indicação ao Oscar; gostei de ver Emma sem o sotaque britânico de sempre, mas também nada de mais. Também no elenco, além do já citados John Boyega e Karen Gillan, Patton Oswalt e Ellar Coltrane. A nota triste é que Glenne Headly e Bill Paxton – os pais – faleceram pouco depois deste filme.

Não chega a ser ruim, mas fica aquela sensação de que poderia ter sido bem melhor…

Baywatch: S.O.S. Malibu

BaywatchCrítica – Baywatch: S.O.S. Malibu

Um salva-vidas veterano bate cabeça com um novo recruta impiedoso, ao descobrir uma trama criminal que ameaça o futuro da baía.

Seguindo a onda de remakes, vamos à versão cinematográfica do seriado Baywatch, desta vez usando o carisma de Dwayne Johnson e Zac Efron.

Se Baywatch: S.O.S. Malibu tem uma coisa boa é que o filme não se leva a sério em momento algum. Algumas das melhores piadas do filme são o jeito como Johnson chama Efron, sempre com nomes ligados a artistas adolescentes.

Mas o roteiro tem muitos furos. Um exemplo sem spoilers: a vilã trafica drogas em um iate, mas quando faz uma festa no barco, qualquer um pode entrar e bisbilhotar. E assim como este, são vários furos. Fica difícil curtir o filme.

(E isso porque não estou falando das óbvias e desnecessárias piadas ruins envolvendo órgãos genitais…)

Outro exemplo de como o filme é descuidado é que os créditos iniciais entregam logo quem são as participações especiais de atores do seriado. Seria bem mais legal não saber e ser surpreendido na hora. Isso porque nem se mencionei que não mudaram os nomes dos personagens!

Dwyane Johnson e Zac Efron não estão mal, mas carisma não salva um roteiro ruim. Também no elenco, Alexandra Daddario, Priyanka Chopra, Kelly Rohrbach, Ilfenesh Hadera e Jon Bass.

Dispensável…

A Múmia

AMumiaCrítica – A Múmia

Um militar que tem o hábito de roubar artefatos históricos para vender no mercado negro acidentalmente encontra uma tumba egípcia no Iraque, e acaba despertando uma antiga princesa de sua cripta, trazendo terrores que desafiam a compreensão humana.

Finalmente começou o “Dark Universe” (ou “Monsterverse”), o universo cinematográfico dos monstros da Universal!

Já ouço esse papo de monsterverse há alguns anos, mas admito que antes a gente não tinha motivo pra se empolgar – afinal, esse papo rolou na época dos fracos Frankenstein Entre Anjos e Demônios e Dracula A História Nunca Contada (ambos de 2014).

Agora a proposta era outra, mais ambiciosa, mas mesmo assim mantive o pé atrás. Em primeiro lugar, o conceito da múmia nunca me convenceu como um monstro assustador. E ter o Tom Cruise como protagonista, por mais que seja garantia de boa bilheteria, podia estragar a ideia, porque podia virar um “filme do Tom Cruise”, e não um filme da Múmia.

Felizmente meu pé atrás foi infundado. A Múmia é uma boa diversão!

Com relação ao conceito: misturaram com o conceito de zumbi (afinal, é tudo morto vivo…), o que criou umas sequências bem interessantes. E Tom Cruise não faz o “Ethan Hunt” de sempre – seu personagem tem falhas e fraquezas.

Dirigido por Alex Kurtzman (que tem um bom currículo como roteirista e produtor, mas dirigiu pouca coisa), A Múmia não tem um roteiro muito inovador. Mas a trama é bem conduzida, e o espectador vai ser levado a uma aventura divertida e assustadora, com excelentes efeitos especiais.

Não li nada sobre o filme, e tive uma agradável surpresa ao ver que outro dos “monstros clássicos” também está presente na trama principal (não chega a ser exatamente um spoiler, é o segundo nome na lista do elenco no imdb). E, para os fãs dos filmes clássicos, tem uma cena cheia de referências aos outros monstros – essa deve ser daquelas cenas que os fãs mais radicais vão pausar para analisar cada item mostrado.

No elenco, como de habitual nos filmes do Tom Cruise, não temos muitos nomes conhecidos (a exceção é Russel Crowe, num papel menor, mas muito importante). Sofia Boutella, a personagem título, é um nome em ascensão (ela mandou bem em Kingsman e no último Star Trek), mas acho que ainda é um nome pouco conhecido. Também no elenco, Annabelle Wallis, Jake Johnson e Courtney B. Vance

Agora aguardemos os outros filmes do Dark Universe – parece que já estão confirmados, além de Cruise e Crowe,  Javier Bardem como Frankenstein e Johnny Depp como o Homem Invisível.

Por fim, preciso falar da nova sala 4DX. O cinema vira uma atração de parque de diversões! A cadeira balança, rolam borrifos de água, pingos na cabeça, vento, fumaça, cutucadas nas costas e nas pernas…

Mulher-Maravilha

Mulher MaravilhaCrítica – Mulher-Maravilha

Antes de ser a Mulher Maravilha, ela era Diana, princesa das amazonas, guerreira treinada. Quando um piloto da Primeira Guerra Mundial cai em sua ilha e fala de conflitos no mundo exterior, ela sai de casa para lutar contra uma guerra para acabar com todas as guerras, descobrindo seus poderes e o verdadeiro destino.

Mulher-Maravilha (Wonder Woman, no original) tinha a responsabilidade de levantar o universo cinematográfico da DC, depois das duas decepções do ano passado (Batman V Superman e Esquadrão Suicida). Fãs da DC, afoitos, estão achando que é o melhor filme de super-heróis desde o Superman de 1978. Menos, gente…

Mulher Maravilha não é ruim, longe disso. Se a gente se desligar dessa responsabilidade, o filme é muito bom. Um bom filme de origem de super-herói, com uma personagem carismática e várias boas sequências de ação. E, diferente dos dois filmes do ano passado, é colorido e engraçado – será que alguém resolveu copiar o estilo do concorrente? 😉

Dirigido por Patty Jenkins (que dirigiu Monster: Desejo Assassino, o filme que deu o Oscar a Charlize Theron), Mulher Maravilha consegue o que todo filme de super herói deveria ser capaz: divertir. O espectador vai se empolgar, vai rir, vai se emocionar. Torçamos para que a Warner / DC tenha encontrado o caminho!

Teve uma coisa que me incomodou muito, mas só posso falar depois dos avisos de spoiler.

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

O roteiro tem uma forçada de barra aqui, outra acolá, quase todas são bobas, coisas comuns em quase todos os filmes de ação. Mas dois detalhes devem ser mencionados:

– A cena da luta na praia é toda errada. Pra começar, tem um navio encalhado, de onde vieram alguns escaleres com soldados, mas depois simplesmente esquecem da existência do navio. E, pra piorar, as amazonas entram na praia e matam TODOS os “soldados homens armados”, mas deixam um – o mocinho. Claro, senão não existiria o filme…

– O final do filme traz muitas semelhanças com o final do primeiro Capitão América – um soldado chamado Steve se despede da sua “amada”, entra no avião inimigo, cheio de armas, e o avião sofre um acidente.

FIM DOS SPOILERS!

Apesar disso, o resultado final é muito bom. Heu ia falar que é melhor que Esquadrão Suicida, mas isso não é difícil. Deixemos o passado no passado, agora os fãs da DC têm motivo pra comemorar! E os fãs de cinema pop de um modo geral idem!

No elenco, Gal Gadot, a protagonista, está dividindo opiniões. Por um lado ela é limitada como atriz; mas por outro lado ela tem um muito carisma. Heu particularmente gostei, pra mim, o carisma compensa o que falta. Chris Pine está bem como o seu par, e digo o mesmo sobre o heterogêneo time que o acompanha (Ewen Bremner, Saïd Taghmaoui e Eugene Brave Rock) – uma das melhores coisas do filme (ao lado do bem colocado alívio cômico feito por Lucy Davis). As amazonas Robin Wright e Connie Nielsen também estão bem; por outro lado, Danny Huston e David Thewlis estão no limite da caricatura. Ia falar o mesmo sobre a Elena Anaya, mas ela está tão apagada que nem sei se dá pra falar mal…

Enfim, finalmente um bom filme baseado em DC. Vamos mandar boas vibrações para o filme da Liga da Justiça que estreia em breve!