Rogue One: Uma Aventura Star Wars – COM SPOILERS

Rogue One2Crítica – Rogue One: Uma Aventura Star Wars – COM SPOILERS

COM SPOILERS!

A crítica sem spoilers tá aqui. Mas senti vontade de comentar a parte final. Então, este segundo texto não trará nada de novo, nada de opinião crítica ou informações relevantes. Na verdade, será só o depoimento de um fã emocionado.

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Alguns momentos da batalha espacial são sensacionais, como uma pequena nave “hammerhead” empurrando um destróier imperial em cima do outro; ou quando os rebeldes começam a fugir e aparece a nave do Vader fazendo várias naves menores baterem de frente. Esses momentos são empolgantes, mas ainda “dentro do filme”.

Rogue One acaba quando a onda de choque mata o casal na praia, depois que eles conseguiram transmitir os planos. A história do filme acaba ali. O que vemos depois é “fan service”. E, amigos, que fan service sensacional!

Vemos um soldado rebelde pegar um cartão com aqueles mesmo gráficos exibidos no Ep. 4. Depois ele se vê num corredor com a porta emperrada. Na outra ponta do corredor, tudo escuro. E ouvimos a respiração do Darth Vader! Logo, Vader liga o seu sabre, iluminando a cena de vermelho, e sai “passando o rodo” nos soldados rebeldes! Estes poucos segundos talvez sejam a melhor demonstração das habilidades de Darth Vader em toda a saga!

O soldado não sobrevive, mas consegue passar o cartão para outro, e vemos uma nave menor fugindo. Meus amigos, vemos a Tantive IV fugindo! E vemos Vader, segurando seu sabre, e com sua capa esvoaçante no ar. Uma das cenas mais épicas da história do cinema!

Acabou? Nada! Corta pra dentro da Tantive, aqueles mesmos corredores que vimos no filme de 1977. Um soldado abre uma porta para para entregar o cartão para uma pessoa de costas, vestindo branco – a princesa Leia Organa! Que legal, uma pessoa de costas pra simbolizar a Leia! Simbolizar? Nada! Ela se vira, e vemos uma Carrie Fisher digital pra fechar o filme!!!

Obrigado, Gareth Edwards! Obrigado, Disney! Obrigado por este final! Obrigado por me trazer de volta à minha adolescência!

E que venha o Ep. 8!

Rogue One: Uma Aventura Star Wars

Rogue OneCrítica – Rogue One: Uma Aventura Star Wars

SEM SPOILERS!!!

Novo spin-off de Star Wars!

Pouco antes dos acontecimentos de Star Wars ep. 4 – Uma nova Esperança, os rebeldes executam um arriscado plano para roubar os planos da construção de uma nova estação espacial com um poder de fogo capaz de destruir um planeta inteiro: a Estrela da Morte.

A Disney mais uma vez mostra que não jogou dinheiro fora quando comprou a Lucasfilm por pouco mais de 4 bilhões de dólares. Ano passado tivemos o excelente Star Wars ep 7 – O Despertar da Força; como o episódio 8 só virá em 2017, este ano tivemos um spin off pra tapar o buraco. Olha, como o cinema seria melhor se dez por cento dos “spin off tapa-buracos” tivessem a qualidade de Rogue One!

(Um parênteses para falar que não é a primeira vez que temos spin-offs de Star Wars. Lembro que poucos anos depois de O Retorno do Jedi, foi lançado nos cinemas brasileiros o longa Caravana da Coragem, uma sonolenta aventura com Wicket e seus amiguinhos se metendo em um monte de confusões! (Filme bem ruinzinho, tentei rever outro dia, não consegui…)

Antes de entrar no filme, precisamos esclarecer a possível confusão. Ano passado tivemos o episódio 7, e acredito que muita gente vai ao cinema esperando uma continuação daquele filme. Não! Este filme é uma história paralela, que não tem nada a ver com a família Skywalker, e que se passa logo antes do episódio 4. Ou seja, esqueça Rey, Finn, Poe e Kylo Ren, e reveja o filme de 1977!

Dirigido por Gareth Edwards (Monstros, Godzilla), Rogue One: Uma Aventura Star Wars (Rogue One, no original) é tudo aquilo que o fã de Guerra nas Estrelas – sim, o fã da época que nome do filme era “Guerra nas Estrelas” e não “Star Wars” – queria ver. O filme é repleto de pequenos (e alguns grandes) presentes pros fãs. Personagens, cenários, efeitos sonoros, o fã vai sair emocionado do cinema – vi a pré-estreia junto com as pessoas do Conselho Jedi RJ, depois do filme, mais da metade da plateia estava com os olhos vermelhos de choro.

Tive que rever o filme antes de escrever estas palavras – também sou fã, também saí emocionado do cinema. Na segunda vez que vi, pude analisar mais friamente. Divido o filme em 3 partes. A primeira metade, quando temos a apresentação dos novos personagens, é um pouco arrastada. A segunda metade tem um ritmo excelente e está no mesmo nível dos melhores momentos da saga. E o fim, sei lá, os últimos cinco minutos, são para derrubar o fã. O filme pega as emoções do fã, joga num liquidificador, e depois joga de volta na cara do fã. Depois de um final daqueles, é difícil pensar em linha reta!

Justamente por causa deste final é que preferi rever antes de escrever. Quando a gente sai da sala, a adrenalina está a mil e a gente fica obnubilado por aquele final… Agora, analisando com calma, repito: a primeira metade do filme se arrasta – a primeira cena de ação só acontece depois de meia hora de filme! Ok, o espectador precisa de um tempo para conhecer esses personagens, mas não vejo problema em inserir uma cena agitada aqui e outra acolá – só pra fazer uma comparação básica: no Ep. 7, logo na cena inicial vemos o vilão parando um tiro no ar.

Por sorte, quando o filme engrena, vai num fôlego só até o fim. A segunda metade tem um ritmo excelente. E, mais uma vez traçando um paralelo à trilogia clássica, a estrutura da parte final aqui é que nem o que acontece em O Retorno do Jedi: três tramas paralelas, agindo concomitantemente (e, diferente do Ep. 1, a gente entende tudo o que está acontecendo).

Os personagens são muito bem construídos. Entendemos claramente as motivações dos dois principais, Jyn (Felicity Jones) e Cassian (Diego Luna) – apesar de heu ter ouvido críticas  a ambos os atores. Alan Tudyk dá a voz ao robô K-2, uma espécie de mistura de C3PO com o Marvin de Guia do Mochileiro das Galáxias – e um dos melhores personagens. Também gostei da dupla Chirrut (Donnie Yen) e Baze (Wen Jiang). Também no elenco multi-nacional, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Ben Mendelsohn e Riz Ahmed.

Sobre os efeitos especiais: é claro que os efeitos são top de linha, isso é o mínimo quando se fala em Star Wars. Agora, teve um detalhe que superou as expectativas: um Peter Cushing digital! Cushing interpretou o Grand Moff Tarkin no filme de 77. Quando aparece aqui pela primeira vez, ele está num reflexo no vidro, e pensei “cara, que legal, vão homenagear o Peter Cushing com uma imagem de arquivo”. Aí o cara se vira, e começa a travar longos diálogos! E volta em várias outras cenas!!! Peter Cushing, falecido em 1994, está de volta!!! Acredito que este é, até o momento, o mais importante personagem digital da história do cinema. Só espero que a gente não ache o cgi tosco depois que passar o “prazo de validade”, ou seja, quando revermos o filme dentro de alguns anos.

Falei que Rogue One era repleto de referências ao filme de 77, né? A trilha sonora de Michael Giacchino entra nessa onda. Vários temas clássicos são lembrados ao longo do filme. Parecia até que a trilha era do próprio John Williams!

O texto ficou grande, né? Heu podia continuar, mas chega. Se você leu até aqui é porque é fã de Guerra nas Estrelas. Então, vamos combinar, pare de ler, reveja o Ep. 4 e vá ao cinema (re)ver o Rogue One!

p.s.: Vou fazer um outro post, menor, pra comentar os spoilers. É difícil não falar sobre o fim!

Inara – The Jungle Girl

inara-the-jungle-girlCrítica – Inara, the Jungle Girl

O mundo da jovem Inara desmorona quando seu pai morre depois de uma missão fracassada na ilha N’iah.

Existem filmes ruins. Existem filmes tão ruins que dão a volta e ficam divertidos. E existem filmes tão ruins, mas tão ruins, que dão mais uma volta e desafiam os limites da ruindade. Inara, the Jungle Girl é um desses casos.

Ok, admito que tenho um certo fascínio por esses filmes tão ruins que fazem Sharknado parecer um bom programa. Filmes como Cinderela Baiana, Manos The Hands of Fate, Birdemic ou The Room. Filmes tão ruins que não conseguem ser divertidos. Sei lá por que, mas gosto de acompanhar esse fundo do poço do cinema.

Escrito e dirigido por Patrick Desmarattes, Inara the Jungle Girl é todo errado. Todo o elenco é péssimo, a história é ridícula, não existe ritmo – o filme passa um tempão sem absolutamente nada acontecer.

“Ah, mas tem mulheres de biquíni lutando”. Sim. Mas as lutas são patéticas, muito mal coreografadas. E só as magras usam biquíni, tem uma guerreira gordinha que tem o corpo coberto. E é bom avisar: Inara não tem nada de nudez. A atriz Cali Danger é bonita e tem cara de coelhinha da playboy, mas permanece vestida por todo o filme.

Enfim, nada que se aproveite.

p.s.: Em 2015, Desmarattes fez um novo filme com a mesma Cali Danger, Athena, The Goddess of War. Não pretendo ver não, se alguém tiver coragem, depois me diz como é.

A Última Ressaca do Ano

aultimaressacadoanoCrítica – A Última Ressaca do Ano

Quando sua irmã certinha ameaça fechar sua filial, um herdeiro resolve fazer uma festa de Natal épica, a fim de conquistar um grande cliente e salvar o dia. Mas a festa saiu do controle…

A Última Ressaca do Ano (Office Christmas Party, no original) é mais uma daquelas comédias pastelão que usam um bom elenco em situações de humor de qualidade duvidosa.

Dirigido pela dupla Josh Gordon e Will Speck (Coincidências do Amor), A Última Ressaca do Ano tem como único trunfo o elenco. Porque o roteiro até tem uma boa piada aqui e outra ali, mas no geral fica devendo – no dia seguinte da sessão de imprensa vi um desenho que não era comédia e ri mais…

O filme tem todos os clichês de “filme de escritório americano”. Além disso, algumas coisas são previsíveis demais – um exemplo é a máquina de neve, logo até apareceu “adivinhei” o que ia acontecer.

Curiosamente, o protagonista é um nome menos conhecido – T.J. Miller, que era o amigo do Deadpool. Ele está bem, assim como Jason Bateman, Jennifer Aniston e Olivia Munn. Também no elenco, Jamie Chung, Abbey Lee, Rob Corddry e Courtney B. Vance. Kate McKinnon, uma das melhores coisas do último Caça Fantasmas, aqui está irregular.

De resto, o que posso dizer de positivo é até A Última Ressaca do Ano tem menos piadas escatológicas do que o esperado. Mas o resultado final fica devendo.

Mas, afinal, com um título e uma sinopse assim, alguém esperava algo diferente?

Anjos da Noite: Guerras de Sangue

anjos da noite 5Crítica – Anjos da Noite: Guerras de Sangue

Ninguém pediu, mas olha lá, mais um Anjos da Noite…

A vampira guerreira Selene luta para acabar com a eterna guerra entre o clã Lycan (lobisomens) e a facção de vampiros que a traiu.

Ok, vamulá. É o quinto filme da franquia de vampiros vs lobisomens. Todo mundo que vai ver este filme sabe o que vai encontrar. A crítica será feita analisando por este ângulo.

Anjos da Noite: Guerras de Sangue (Underworld: Blood Wars, no original) não é um grande filme. Claro que não, seria uma grande surpresa se fosse. Mas é um filme divertido, e que vai agradar os fãs da franquia.

A direção está nas mãos da estreante Anna Foerster. Não sei se é por ter uma mulher na direção, ou se é um sinal dos tempos, mas neste filme quase todos os personagens importantes são mulheres –  a vilã vampira Semira é muito mais interessante que o vilão lobisomem Marius (o tiroteio entre o mocinho vampiro e o vilão lobisomem foi ridículo!).

O visual do filme é bem legal. Mas o roteiro nem sempre faz sentido, principalmente na parte final do filme. Mesmo assim, ainda ouvi um colega crítico comentando que este roteiro é melhor que os dois últimos (confesso que não me lembro com detalhes dos outros filmes da série).

No elenco, claro, o filme é de Kate Beckinsale, mas isso não significa que ela tem uma grande atuação, ela apenas veste bem o papel. Acho que Theo James (que também está na franquia Divergente) deveria trazer sangue novo à franquia, mas também não se destaca. Ainda no elenco, Lara Pulver, Charles Dance, Tobias Menzies, Daisy Head e Bradley James.

Quem estiver na pilha certa pode se divertir. Mas não muito…

Jack Reacher – Sem Retorno

Jack-ReacherCrítica – Jack Reacher – Sem Retorno

A fim de limpar seu nome, Jack Reacher deve descobrir a verdade por trás de uma grande conspiração do governo. Em fuga como fugitivo da lei, Reacher descobre um segredo potencial de seu passado que pode mudar sua vida para sempre.

O personagem Jack Reacher já existe desde 1997 na literatura, em uma série de livros escritos por Lee Child (li na wikipedia, este ano lançaram o 21º livro). E em 2012, Tom Cruise trouxe o personagem para o cinema quando lançou Jack Reacher – O Último Tiro, o início de mais uma franquia.

Agora chegou a vez da continuação, Jack Reacher – Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, no original). A direção não é mais de Christopher McQuarrie, quem assumiu o posto foi Edward Zwick (que já tinha trabalhado com Cruise em O Último Samurai).

Jack Reacher – Sem Retorno é um filme de ação competente, sem dúvidas. Mas sabe quando falta alguma coisa? Principalmente quando a gente compara com o resto da carreira de seu protagonista. Parece que estamos vendo um filme genérico, uma produção para a tv. Esse novo Jack Reacher tem cara de Supercine…

No elenco, o único nome digno de nota é Cobie Smulders, que vem construindo uma carreira cada vez mais sólida depois do fim da série How I Met Your Mother (não podemos nos esquecer que ela tem um personagem pequeno mas importante na Marvel). Ainda no elenco, Danika Yarosh, Aldis Hodge e Patrick Heusinger.

Jack Reacher – Sem Retorno não é ruim. Mas acho que vale mais rever um Missão Impossível…

A Chegada

A ChegadaCrítica – A Chegada

Quando 12 naves alienígenas chegam à Terra e se posicionam em pontos espalhados pelo planeta, uma linguista é chamada para tentar se comunicar com os extraterrestres e descobrir se trata-se ou não de uma ameaça.

A sinopse lembra Independence Day, né? Pois a comparação mais correta seria com Contato. Baseado no conto “Story of Your Life”, de Ted Chiang, A Chegada (Arrival, no original) é uma ficção científica mais “adulta”, mais na onda do top 10 ficção científica ultra realista que fiz ano passado.

Confesso que fiquei com o pé atrás quando soube que o diretor era Denis Villeneuve. Seu penúltimo filme, O Homem Duplicado, é um filme cabeça cheio de simbolismos, daquele tipo de filme que você só entende se ler o “manual de instruções”. Fui ao cinema achando que ia ver um novo Sob a Pele. Que bom, heu estava enganado, A Chegada é muito bom!

O grande mérito aqui é focar nos humanos e não nos alienígenas. A trama faz o espectador pensar, podemos traçar paralelos com diversas discussões atuais que não têm nada a ver com ficção científica. Infelizmente, não posso falar mais por causa dos spoilers. Mas que dá vontade de comentar, ah, dá…

Em alguns momentos – principalmente nos flashbacks – me lembrei do Terrence Malik. Curiosamente, li duas críticas que também citam Malik. Mas, pelo menos pra mim, a lembrança ficou só no visual. Villeneuve usa imagens contemplativas, mas não se esquece de contar uma história, diferente de Malik.

No elenco, mais um paralelo com Contato: uma protagonista feminina. O grande nome aqui é Amy Adams, que provavelmente ganhará a sua sexta indicação ao Oscar – será que desta vez ela leva? Jeremy Renner, Forest Whitaker e Michael Stuhlbarg também estão bem, mas o filme é de Amy.

A Chegada tem um bom ritmo e sabe trabalhar bem a tensão ao longo da narrativa. Mesmo assim, o melhor ficou guardado pro final, que traz um plot twist que vai fazer todo mundo sair do cinema pensando no que acabou de ver. E o melhor de tudo é que não precisa catar o manual na internet…

p.s.: Uma trivia interessante, 100 % spoiler free. Esse quadro é a explicação por que citaram Abbott & Costello. É uma piada do estilo do Animaniacs “Who’s on stage”, ou aquela outra “Hu is the new leader in China”. (infelizmente, sem legendas…)

Animais Fantásticos e Onde Habitam

animaisfantasticosCrítica – Animais Fantásticos e Onde Habitam

O “novo Harry Potter”?

Nos anos 20, um magizoologista chega a Nova York com uma maleta onde carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia. Em meio a comunidade bruxa norte-america que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, ele precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.

Na verdade, Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, no original) não tem nada a ver com o personagem Harry Potter. J. K. Rowling, autora dos livros do Harry Potter, escreveu este livro como um prequel – se passa no mesmo universo (Hogwarts e Dumbledore são citados), mas a história é independente dos livros / filmes do famoso bruxinho.

Animais Fantásticos e Onde Habitam tem pedigree. O roteiro é da própria Rowling, e a direção ficou com David Yates, que dirigiu os quatro últimos filmes da franquia. Mas mesmo assim o filme não flui muito bem.

O filme até começa bem. Mas senti problemas de ritmo, o filme não envolve o espectador, não é como nos filmes do Harry Potter, onde o espectador embarca em uma viagem junto com os personagens. Temos bons momentos, mas a irregularidade é grande.

Outro problema é Eddie Redmayne, indiscutivelmente um grande ator, mas que aqui parece preso ao personagem Stephen Hawking que ele interpretou em A Teoria de Tudo. Redmayne falha em nos fazer torcer pelo protagonista. Principalmente porque o seu coadjuvante Dan Fogler funciona muito melhor…

Teve um outro problema, menor, mas que confesso que me incomodou um pouco. Os efeitos especiais que mostram os animais são muito bons – como era de se esperar. Mas em algumas cenas, os animais interagem com o protagonista. E, neste momento, senti falta de um animatronic, um boneco, algo real, onde o ator conseguisse tocar. Todas as cenas onde ele encosta nos animais são muito falsas.

No elenco, além de Dan Fogler, o outro destaque seria para Ezra Miller. E, se Eddie Redmayne fica devendo, Colin Farrell decepciona mais ainda, com um vilão bem fraco. Além deles, o filme conta com Katherine Waterston, Alison Sudol, Samantha Morton, Carmen Ejogo e Jon Voight. Ron Perlman está quase irreconhecível como um duende de dedos tortos; Johnny Depp mal aparece (mas deve voltar nos próximos filmes).

É, você leu direito. Próximos filmes. A ideia do estúdio é fazer cinco filmes. Esperamos que melhore no próximo, senão vai ser difícil de chegar ao fim…

Invasão Zumbi / Train to Busan

Invasão ZumbiCrítica – Invasão Zumbi / Train to Busan

Enquanto uma epidemia zumbi começa na Coreia do Sul, um grupo de passageiros tenta sobreviver em um trem entre Seul e Busan.

Dois amigos, críticos, vieram me falar de um filme coreano de zumbis que passou na Mostra SP que acabou de acontecer. Depois descobri que o filme também passou em Cannes este ano! Fui catar pra ver, e, realmente foi uma agradável surpresa.

Sempre fui fã de filmes de zumbi, mas confesso que de um tempo pra cá cansei do subgênero. Até resgatei um texto que escrevi em 2013, explicando por que não tenho dado mais bola para o estilo.

Invasão Zumbi (Busanhaeng no original, Train to Busan em inglês) foi escrito e dirigido por Sang-ho Yeon, que até então só tinha feito animações – ele inclusive fez, também este ano, Seoul Station, uma animação que seria um prequel da história contada aqui. Sang-ho Yeon se sai muito bem na sua estreia com atores. E agora tenho que catar esse Seoul Station

Na verdade, Invasão Zumbi não tem nada de muito diferente do que já vimos por aí. Mesmo assim é um filme extremamente eficiente. A história é bem construída, assim como a tensão crescente entre os sobreviventes – não podemos nos esquecer que os bons filmes de zumbi falam também da degradação da sociedade, do que cada um pode ser capaz quando colocado em uma situação limite. Além disso, os espaços dentro dos trens também são muito bem utilizados.

Mais: há tempos não vejo zumbis tão bem feitos! Li que a produção contratou contorcionistas para interpretar alguns zumbis, criando um efeito assustador, parece uma mistura de zumbi com possuído pelo demônio.

Os zumbis aqui são “corredores” – menos críveis mas bem mais amedrontadores que os zumbis clássicos. Eles são muitos, e se amontoam, criando um visual parecido com aquele “efeito formigueiro” que vimos em Guerra Mundial Z, mas desta vez com menos cara de cgi.

A boa notícia é que a Paris prometeu lançamento no circuito em dezembro – segundo o filme B, Invasão Zumbi estreia dia 29/12. Boa opção pra quem curte o gênero!

p.s.: Será que “Invasão Zumbi” era o melhor nome para já lançamento comercial? Bem, pelo menos foge da piada óbvia (e ruim) “trem pro busão”…

A banalização do zumbi

banalização do zumbiArtigo: A banalização do zumbi

(Publiquei este artigo em 2013, no extinto site tbbt.com.br. Lembrei dele quando estava escrevendo o texto sobre Invasão Zumbi, que vou postar amanhã. O texto foi escrito três anos atrás, mas ainda está atual!)

Em primeiro lugar, queria dizer que sou fã do George Romero e de todos os seus seis filmes de zumbi. Também sou fã do hilariante A Volta dos Mortos Vivos, do genial Dan O’Bannon. E também de A Maldição dos Mortos Vivos, filme do Wes Craven que mostra zumbis “corretos”. E também dos primeiros Resident Evil, filmes-pipoca de porrada em zumbi. Sou fã até dos dois Extermínio, que não são filmes de zumbi, mas têm infectados que lembram mortos vivos.

Disse tudo isso pra poder afirmar: não aguento mais filmes de zumbi!

Zumbi tá na moda. É Walking Dead na TV, é comédia adolescente de zumbi nos cinemas, rola até a Zombie Walk, uma parada com pessoas fantasiadas de zumbis. Mas você já parou pra pensar que um zumbi não tem muito sentido?

Gosto dos filmes de zumbi, mas admito que, conceitualmente, é um monstro fraco. Explico. Vamos lá: o cara morre, e volta à vida, lento e abobalhado, com um único propósito neste novo pós vida: comer gente viva (conheço gente assim que não morreu, mas é assunto pra outro post). Dá pra fazer uma meia dúzia de filmes, mas não dá pra aprofundar muito no conceito. Vampiros e lobisomens são mais complexos. Heu, particularmente, tenho mais medo do apocalipse boitatá…

Mas, vem cá, o que exatamente volta à funcionar? Se ele tem funções motoras, é porque o cérebro ainda funciona. E se funciona, por que os zumbis são abestalhados?

(Acho que os únicos zumbis “corretos’ são os d’A Volta dos Mortos Vivos, que pensam, falam e só comem cérebros…)

Admito que o apocalipse zumbi traz possibilidades interessantes em termos de roteiro – as boas histórias focam mais nas relações humanas entre os sobreviventes, o que pode gerar bons dramas – imagine um familiar seu se transformar num monstro irracional? Mas, que tal a gente começar a usar outras catástrofes apocalípticas?

Pra piorar, como está na moda, a gente vê um monte de gente “pelas internetes da vida” falando do apocalipse zumbi como se fosse algo tão fácil de acontecer quanto uma catástrofe climática ou um grande desastre natural. Menos, galera. Zumbis são ficção, a chance de um apocalipse zumbi é a mesma de uma invasão de vampiros ou lobisomens. Ou quem sabe, uma manada de unicórnios raivosos assassinos?

E aí a gente começa a pegar implicância com alguns conceitos básicos de zumbis. Vamos a alguns pontos:

– Um zumbi persegue os humanos vivos e os come, certo? Mas, eles engolem o que mastigam? Zumbis ainda têm movimentos peristálticos? E – dúvida técnica – zumbis fazem necessidades depois?

– Por que um zumbi come? Não deve ser fome. Ele tá morto. Mortos não sentem fome.

– Se um zumbi ataca um humano por comida, por que ele não come o colega zumbi que está ao lado? Como um zumbi vai identificar quem tá morto e quem tá vivo?

– Uma coisa nunca ficou definida: o que exatamente transforma uma pessoa em zumbi? (Tirando algumas honrosas exceções, como… olha lá o Walking Dead de novo!) Se é algo que está no ar, como vai atingir aqueles que já estão mortos? O cara tá morto, não respira mais, não interage com o meio ambiente.

– Por fim: gosto da refilmagem de Despertar dos Mortos. Mas um zumbi que corre não rola. De onde o amigo morto vivo vai tirar energia para correr? E, na boa, se um dia aparecer um zumbi que corre, já era, meu irmão. Eles são rápidos e não se cansam…