Pequeno Segredo

Pequeno SegredoCrítica – Pequeno Segredo

O representante brasileiro no Oscar 2017!

Kat é adotada por uma formidável família após ter que lidar com a perda dos pais. A menina tenta se encaixar numa vida normal, enquanto descobre como o mundo pode ser ao mesmo tempo lindo e cruel. Baseado na história real da menina que foi adotada pela família Schurmann.

No meio de uma grande polêmica política sobre se o filme Aquarius deveria ou não representar o Brasil no Oscar, de repente escolheram esse Pequeno Segredo, que até então ninguém tinha ouvido falar. Será que foi a melhor opção?

Vamulá. Por um lado, Pequeno Segredo usa uma fórmula que já rendeu prêmios para outros filmes: uma história real, mostrando uma criança doente. E o filme ainda foi dirigido pelo irmão da personagem principal, David Schurmann (que também fez o fraco Desaparecidos).

Mas por outro lado, tudo aqui é muito burocrático, tudo é muito “certinho” demais, parece até uma produção de tv. Talvez uma escolha melhor fosse um filme um pouco mais diferente, sei lá, um Mais Forte que o Mundo ou até mesmo um Chatô. Heu arriscaria um filme “fora da curva”…

Pequeno Segredo ainda tem outros problemas. A subtrama da avó neozelandesa (querendo criar um antagonismo) ficou forçada. Além disso, o ator Errol Shand, quando está falando inglês, é um ator normal; mas, quando resolve falar português, céus, que interpretação ruim! Fica tudo muito forçado, deviam catar um gringo que já falasse português. O resto do elenco está ok, Julia Lemmertz, Maria Flor, Marcello Anthony, Fionnula Flanagan e a menina Mariana Goulart como a simpática Kat.

Pelo menos o filme vai agradar o povo que gosta de se emocionar. Vai ter muita gente saindo do cinema chorando.

Mas, cinematograficamente, o resultado ficou devendo.

Doutor Estranho

doutorestranhoCrítica – Doutor Estranho 

Mais um herói da Marvel!

Depois de sofrer um acidente onde machuca as mãos, um arrogante neurocirurgião embarca em uma jornada atrás da cura, e vai parar no mundo das artes místicas.

A Marvel continua expandindo o seu universo cinematográfico. O Doutor Estranho é um personagem menos conhecido do grande público, mas pelo que ouvi em papos logo após a sessão de imprensa, será um personagem muito importante nos próximos filmes da Marvel – afinal, precisamos de sangue novo nas telas, daqui a pouco ninguém aguenta mais o Tony Stark.

Justamente por ser menos conhecido, o personagem precisava de um “filme de origem”, um filme explicando quem é Stephen Strange e como ele se tornou o herói. Isso é um pouco cansativo (mais um filme com cenas de treinamento), mas, desta vez era necessário. Mesmo num momento de grande responsabilidade, afinal este é o Marvel logo depois de Guerra Civil.

A direção ficou com Scott Derrickson (que também colaborou no roteiro). Derrickson tem um perfil um pouco diferente do esperado – o cara até agora praticamente só tinha feito terror (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade, Livrai-nos do Mal). Mas, como em outros filmes da Marvel, o estilo do diretor pouco importa aqui, este é um “filme de produtor”.

O que mais chama a atenção aqui em Doutor Estranho é o visual. Sabe aqueles prédios que se dobram em Inception? Poizé, aqui eles se dobram e continuam se dobrando, como se fossem caleidoscópios. Gosto de filmes cujos efeitos me surpreendem nos dias de hoje, quando quase tudo já foi mostrado nas telas. E vou te falar que fiquei de boca aberta com aqueles cenários psicodélicos. Já podemos começar os palpites para o Oscar 2017 de efeitos especiais?

Sobre o elenco: o protagonista Benedict Cumberbatch é um grande ator, todo mundo já sabe disso. O seu dr. Stephen Strange é um ótimo personagem, apesar de às vezes lembrar o Sherlock Holmes que ele fez pra BBC (principalmente no início do filme). Tilda Swinton também está ótima com sua anciã. Por outro lado, Rachel McAdams pouco acrescenta num papel meio forçado de par romântico. E achei o vilão de Mads Mikkelsen caricato demais – o ator é bom, mas está mal aqui. Ainda no elenco, Chiwetel Ejiofor, Benjamin Bratt e Benedict Wong.

Por fim, como tem sido habitual, são duas cenas pós créditos. A história do filme é fechada, você não precisa ler os quadrinhos, nem ver nenhum dos outros filmes. As cenas pós créditos estão aí para fazer o link com prováveis continuações.

Trolls

TrollsCrítica – Trolls

Dreamworks novo!

Trolls são pequenos e coloridos seres que gostam de cantar, dançar e se abraçar. Depois que os malvados Bergens invadem a vila e raptam alguns Trolls, a princesa Poppy, a Troll mais feliz que já nasceu, parte em uma viagem para resgatar seus amigos.

A Dreamworks costuma ser bem mais irregular que a Pixar. Mas desta vez acertou. Trolls é uma das melhores animações do ano!

(Um pequeno parágrafo pra falar sobre “trolls”. Pra mim, troll era um monstro grande e feio, como no filme O Caçador de Trolls, e não bichinhos fofos e coloridos. Descobri que esses trolls do filme são baseados numa boneca criada no fim dos anos 50, e que foi moda nos anos 70 e 80. Aqui no Brasil tivemos uma boneca parecida, mas não sei se tinha o mesmo nome. Mas voltemos ao filme.)

Ok, a história é meio clichê – claro que Tronco vai seguir Poppy, e claro que no fim eles vão cantar juntos. Mesmo assim, o resultado final ainda é acima da média. Sabe quando tudo está no lugar certo? Bom ritmo, personagens carismáticos, boa trilha sonora, um visual alucinante e muito colorido, e com qualidade técnica impecável – tudo em Trolls funciona perfeitamente.

Aliás , a qualidade técnica impressiona mesmo nos dias de hoje, quando nossos olhos já estão acostumados com animações top. A textura dos personagens parece algo palpável. E todos os cenários são impressionantes.

Trolls tem momentos engraçadíssimos – adorei a Nuvem. E ainda tem espaço para momentos emocionantes. A parte onde cantam True Colors vai tirar lágrimas de alguns…

A dublagem está ótima – como costuma ser a dublagem nacional hoje em dia. Mas, mais uma vez, deu vontade de ver com o elenco original: Anna Kendrick, Justin Timberlake, Zooey Deschanel, Christopher Mintz-Plasse, Christine Baranski, Russel Brand, Gwen Stefani e John Cleese, entre outros. Não só pelo elenco, mas também pela trilha sonora, que usa músicas conhecidas inseridas na trama. E, como fazem parte da trama, foram dubladas. E heu preferia ouvir músicas como Hello (Lionel Ritchie), True Colors (Cyndi Lauper) e Total Eclipse of the Heart (Bonnie Tyler) com as letras originais. Entendo a opção pelas versões, por causa da criançada, mas ouvir “Eclipse total do coração” enfraqueceu…

Mais uma bronca sobre as músicas dubladas. Entendo por que dublaram. Mas por que deixar algumas com o som original? Ok, Can’t Stop the Feeling deve ser uma das músicas indicadas ao Oscar ano que vem, mas… por que The Sound of Silence estava em inglês?

Mesmo assim, Trolls ainda é um grande filme . Diversão garantida !

Raw / Grave

rawCrítica – Raw / Grave

Sinopse tirada do site do Festival do Rio: “A jovem Justine nasceu no seio de uma família de veterinários. Aos 16 anos, a aplicada e talentosa adolescente está prestes a ingressar na faculdade, seguindo os passos de seus familiares na mesma universidade onde sua irmã mais velha faz sua graduação. Os trotes promovidos por veteranos começam já nos primeiros dias de aula e, em um dos desafios promovidos, Justine é forçada a comer carne crua pela primeira vez em sua vida. As consequências desse ato são inesperadas e logo Justine descobre sua verdadeira natureza. Prêmio FIPRESCI na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2016.​

A sinopse do site do festival não fala duas coisas importantes. Um é que a família é de vegetarianos radicais; outra é que o filme fala de canibalismo!

Raw (Grave, em francês) chamou a atenção quando espectadores passaram mal durante um festival. Claro que um filme desses entrou no meu radar. Principalmente quando veio direto pra Midnight Movies…

Dirigido pela quase estreante Julia Ducournau, Raw mostra a transformação de uma mulher, que descobre segredos sobre ela mesma que ela nem tinha ideia. Ducournou teve uma grande ajuda com a sua protagonista. A desconhecida Garance Marillier consegue passar um ar inocente, mas não foge de cenas pesadas – Raw tem sexo, tem sangue, tem nudez, tem gore – e olha que não é um filme de terror! Aliás, é bom frisar: apesar do tema, Raw é um drama. O foco está na personagem e suas descobertas.

Sobre a “cena do dedo” – a cena que fez a galera passar mal: realmente é uma cena desconfortável. Claro que o pessoal acostumado com o torture porn dos Jogos Mortais da vida vai pensar “já vi coisa pior”, mas, dentro do contexto proposto neste filme, a cena é até mais incômoda que os filmes de terror.

Raw tem bom elenco, boa fotografia, boa trilha sonora, mas confesso que achei lento demais. Tudo demora demais pra acontecer. Pelo menos o final explica o comportamento da protagonista, o espectador não fica sem saber o motivo.

Acho difícil este filme chegar um dia no circuito brasileiro. Quem não viu, a saída será catar um dvd/blu-ray importado…

Três / Three / San ren xing

ThreeCrítica – Três / Three / San ren xing

Sinopse tirada do site do Festival do Rio: “Han é um criminoso em fuga que, ao se ver encurralado pelo obcecado detetive Lok, decide tomar uma decisão extrema: dá um tiro em si mesmo para que o policial seja obrigado a leva-lo para o hospital. Uma vez lá, ele recusa tratamento, esperando que sua gangue venha resgatá-lo. Mas Zhau, a jovem cirurgiã que o atende, faz de tudo para cumprir seu dever de médica. Nesse cenário de tensão, Han, Lok e Zhau têm de lutar contra seus próprios demônios, encurralados na atribulada emergência do hospital. Novo trabalho do mestre do cinema de ação Johnnie To (Eleição, Blind Detective).​”

(ATENÇÃO! A sinopse do site do festival está ERRADA! O mesmo acontece no imdb! Han não atira em si mesmo, ele leva um tiro, e isso é um dos pontos chave do roteiro!)

Fiquei curioso quando li que o diretor Johnnie To era um “mestre do cinema de ação”. Como assim nunca tinha ouvido falar dele?

Três (San ren xing, no original; Three, em inglês) não é exatamente um filme de ação. Só na parte final, mas vou chegar lá daqui a pouco. O resto do filme está mais para um drama tenso.

To consegue um ótimo resultado entre seus três personagens principais, o policial, o bandido e a médica. Cada um dos três é bem desenvolvido dentro de seus problemas e motivações. Por outro lado, o mesmo não acontece com os coadjuvantes, alguns são meio caricatos, como o policial gordinho.

Uma outra coisa interessante é o posicionamento da câmera de To. A câmera está frequentemente em movimento, passeando entre os atores, se aproximando e se afastando. Isso ajuda a construir a tensão.

Tensão que vai até aquele momento que falei lá no quarto parágrafo. Momento que To realiza uma sequência que vale o filme. Um plano sequência com efeitos bullet time passeando pelo meio de um tiroteio, tudo ao som de uma musiquinha calma. Esta cena é pra ser guardada em antologias!

A cena é tão boa que enfraquece o final. Depois daquele plano sequência apoteótico, o final só com protagonista vs antagonista ficou bobo…

Mesmo assim, Três ainda é uma boa opção fora do óbvio. Vou anotar o nome do Johnnie To no meu caderninho.

Yoga Hosers

yogahosersCrítica – Yoga Hosers

O novo Kevin Smith!

Sinopse tirada do site do Festival do Rio: “Colleen Collette e Colleen McKenzie estão no primeiro ano de faculdade em Manitoba, no Canadá, onde passam seus dias fazendo yoga e com os rostos grudados em seus smartphones. Um dia, os dois rapazes mais cobiçados da faculdade as convidam para uma festa. Mas elas acabam por acidentalmente despertar uma força demoníaca enterrada no solo de Manitoba e, para conseguirem ir a festa, terão de lutar contra um exército de pequenos monstros chamados Bratzis, com a ajuda do caçador Guy Lapointe. Do diretor Kevin Smith (O balconista, Procura-se Amy, Pagando bem, que mal tem?). Sundance 2016.

Sou fã do Kevin Smith desde que vi O Balconista no cinema. Gosto muito do tipo de humor que ele fazia na época dos filmes com Jay e Silent Bob. Entendo que ele queira seguir outros caminhos com a sua carreira, mas é uma pena que, desde que ele mudou de estilo, nunca mais fez algo genial.

Seu último filme tinha sido o bizarro Tusk. Tão bizarro que até hoje fico na dúvida se o filme é bom ou não. Este Yoga Hosers é uma espécie de continuação, é o segundo filme de uma trilogia baseada no Canadá.

Yoga Hosers traz uma história independente de Tusk, é apenas um filme no mesmo universo, com alguns personagens em comum. Temos a volta de Guy Lapointe, o canadense esquisitão interpretado por um irreconhecível Johnny Depp, que cita eventos do outro filme. Também temos a volta das personagens de Harley Quinn Smith e Lily-Rose Depp, que agora dividem o papel principal. As duas estão muito bem, li em algum lugar que são amigas de infância, isso ajuda na boa química mostrada em tela.

Aliás, falando no elenco, preciso avisar que este filme parece uma reunião de amigos e familiares. As protagonistas Harley Quinn Smith e Lily-Rose Depp são filhas de Kevin Smith e de Johnny Depp . As mães das meninas, Jennifer Schwalbach Smith e Vanessa Paradis, também estão no elenco. Justin Long, Haley Joel Osment e Genesis Rodriguez estavam em Tusk e voltam aqui, mas em papeis diferentes. Ainda no elenco, Natasha Lyonne, Tony Hale e Jason Mewes (mas num papel diferente do Jay).

Mas, e o filme? Bem, achei melhor que Tusk. Digo mais: achei que o humor de Yoga Hosers se aproxima ao início da carreira de Smith – e não digo isso só pelo fato de termos personagens em lojas de conveniência. Admito que às vezes as piadas são bobas – mas, ora, sempre foi assim! Não é um grande filme, mas posso dizer que me diverti bastante vendo.

Só que temos que reconhecer que não é um filme para qualquer um. Algumas coisas são MUITO esquisitas. Agora, quem entrar na onda vai rir muito com as salsichas nazistas! “Wunderbar“!

Agora nos resta esperar pelo terceiro filme da trilogia, Moose Jaws. Sim, “alce tubarão”, seja lá o que for isso. Mas, lembrando de Tusk e Yoga Hosers, pode ser qualquer coisa.

A Nona Vida de Louis Drax

Nona Vida de Louis DraxCrítica – A Nona Vida de Louis Drax

Sinopse tirada do site do Festival do Rio: “Louis Drax é um garoto brilhante, mas com sérias dificuldades sociais. Os colegas o consideram estranho e vários acidentes sombrios acontecem a seu redor. Eletrocussão, picadas de aranha e afogamento são apenas alguns dos episódios de risco vivenciados em sua ainda curta vida. Quando completa nove anos, Louis sofre uma queda violenta que o deixa em coma. Ninguém sabe explicar o motivo do acidente, até que o médico Allan Pascal começar a suspeitar que os eventos associados a Louis são mais do que uma simples coincidência. Do diretor Alejandro Aja (Alta tensão, Amaldiçoado).​

O diretor francês Alexandre Aja chamou a atenção do mundo com o ultra violento (e bom) Alta Tensão, de 2003. Depois disso, foi pra Hollywood e ficou no terror com um pé no filme B (mas admito que gosto de Piranha). A Nona Vida de Louis Drax (The 9th Life of Louis Drax, no original) tenta mudar um pouco este cenário.

Baseado no livro homônimo escrito por Liz Jensen, A Nona Vida de Louis Drax começa como uma fantasia infantojuvenil – me lembrei do menino T.S. Spivet de Uma Viagem Extraordinária, dirigido por Jean Pierre Jeunet. Mas o filme logo cai numa arrastada mistura entre drama e suspense. A parte do meio do filme, quando o foco é o insosso romance do médico com a mãe, é interminável. O casal de atores não tem nenhuma química, o romance não convence ninguém – o roteiro deveria incluir algo para mostrar por que o médico se interessou pela mãe do menino, já que a sua esposa era muito mais bonita e interessante.

Pra piorar, o mistério sobre quem é o “monstro” fica óbvio a partir da metade do filme. Pelo menos admito que gostei do plot twist final, heu não esperava aquele fim.

O elenco também não ajuda. O menino Aiden Longworth nem é ruim, mas quando a narrativa acompanha o casal Jamie Dornan (50 Tons de Cinza) e Sarah Gadon (Drácula: A História Nunca Contada), o filme perde muito. Aaron Paul, Oliver Platt, Molly Parker e Barbara Hershey têm papeis menores.

No fim, fica a impressão de que Aja estava perdido. Talvez fosse melhor deixar o romance de lado e ficar só na fantasia. Ou então permanecer no terror B e deixar o filme nas mãos de um diretor que sabe dosar estilos diferentes.

Jovens, Loucos e Mais Rebeldes

Jovens, Loucos e Mais RebeldesCrítica – Jovens Loucos e Mais Rebeldes

Filme novo do Richard Linklater!

Sinopse tirada do site do Festival do Rio: “Durante a primeira semana de aula, o calouro Jake chega a sua nova faculdade no Texas e se muda para a casa reservada à equipe de beisebol. Durante o primeiro fim de semana no novo lar, ele e seus novos colegas de casa serão tomados por um turbilhão de álcool, drogas, festas e paqueras. Em seu novo filme, Richard Linklater (o diretor de Boyhood, Antes do amanhecer, Antes do pôr-do-sol e Antes da meia-noite) se contagia mais uma vez pelo clima oitentista e universitário de Jovens, loucos e rebeldes, um dos primeiros clássicos cult de sua carreira. South by Southwest 2016.​

Aqui no Brasil, “Everybody wants some!!” ganhou o nome “Jovens Loucos e Mais Rebeldes”. Nada a ver, certo? Bem, pela primeira vez gosto do título brasileiro nada a ver. Afinal, em 1993 o mesmo Richard Linklater escreveu e dirigiu Dazed and Confused, que aqui ganhou o título Jovens Loucos e Rebeldes. Boa! Este novo filme segue o mesmo formato do filme anterior, heu sabia exatamente o que ia ver.

Assim como o filme dos anos 90, Jovens Loucos e Mais Rebeldes parece um piloto de seriado. Conhecemos vários personagens e a dinâmica entre eles. Por um lado, a construção destes personagens é extremamente bem feita e muito cativante. Por outro lado, não existe uma história a ser contada.

O elenco, apesar de não ter nenhum nome conhecido, é um dos pontos fortes do filme. Eles realmente passam a impressão de que são bons amigos e que estão curtindo muito esses momentos pré “vida adulta”. E sobre não ter ninguém famoso, não sei se no início dos anos 90 aqueles atores já eram conhecidos – mas olhem quem estava no meio dos jovens daquele filme: Ben Affleck, Mathew McConaughey, Mila Jovovich, Joey Lauren Adams, Adam Goldberg, Parker Posey, Jason London…

O filme se passa em 1980, mas não pensem em referências “festa Ploc” como cores berrantes e gel no cabelo. O visual lembra mais os anos 70. E vale dizer que a ambientação é perfeita! E a trilha sonora é outro ponto forte. Várias boas músicas que fogem da obviedade recheiam o filme. E o momento “Rapper’s Delight” deve ter sido uma grande curtição entre o elenco, tanto que virou cena pós créditos.

Além de não existir uma narrativa “sydfieldiana” (uma história com introdução, desenvolvimento e conclusão), outra coisa que atrapalha o filme é que aqui no Brasil não temos essa cultura de fraternidades universitárias. Mas quem deixar esses detalhes de lado e entrar na onda saudosista do Linklater vai descobrir um filme sobre universidades americanas muito superior aos Porky’s da vida.

Headshot

HEADSHOT-PosterCrítica – Headshot

Mais um filme de ação vindo da Indonésia!

Sinopse tirada do site do festival: “Um homem acorda em um hospital depois de sofrer um traumatismo craniano sem se lembrar quem é e como foi parar ali. Ele se recupera com a ajuda da jovem médica Ailin, que lhe dá o apelido de Ishmael, em homenagem ao protagonista de Moby Dick. Mas logo o passado de Ishmael vem bater à sua porta: Lee, um chefão da máfia com influências na polícia e no judiciário, sequestra Ailin, e Ishmael precisa lutar contra um exército mortal para recuperá-la. E não demora para que fragmentos de seu passado comecem a vir à tona, dando forma ao quebra-cabeça de quem ele realmente é. Toronto 2016.

Há uns meses atrás, heu estava navegando pelo imdb quando descobri um filme novo da Julie Estelle, a Hammer Girl de The Raid 2. Melhor ainda: o elenco ainda tinha Iko Uwais (o protagonista da série The Raid) e Very Tri Yulisman, o Basebal Bat Man. Legal! Será que isso chegaria no Brasil?

Foi uma agradável surpresa quando abri a programação do Festival do Rio 2016 e vi Headshot (idem no original) na mostra Midnight Movies (lembrando que vi o primeiro The Raid na mesma Midnight Movies do Festival de 2011). Provavelmente a única oportunidade de ver o filme nos cinemas tupiniquins.

A direção está nas mãos dos “Mo Brothers”, Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto (também roteirista), que têm carreira no terror – antes fizeram Macabre (um slasher com a mesma Julie Estelle no elenco), Killers (sobre dois assassinos de países diferentes que se comunicam pela internet), e, em parceria com Gareth Evans (diretor dos dois Raid), Safe Heaven, uma das poucas coisas que se salvam na série V/H/S. Ou seja, já dava pra desconfiar que, apesar do elenco, este não é um “The Raid 3”.

Headshot não é terror. Mas tem muito mais sangue jorrando do que os Raid,  e as lutas deixam muito mais hematomas. A violência gráfica é grande! Mais: sempre que rolam tiros, a câmera balança. Aí a gente vê como é um filme de ação feito por gente acostumada a fazer terror…

A trama não traz nenhuma novidade. O plot twist do roteiro é meio óbvio, quem for ao cinema atrás de uma história mais elaborada pode se decepcionar. Digo mais: achei bem forçada a relação médico / paciente mostrada – será que isso é comum na Indonésia? Agora, quem quiser ação vai encontrar um prato cheio. Lutas bem coreografadas (pelo próprio Iko Uwais), muito tiro, muito sangue. Daqueles filmes que dá vontade de rever só pra curtir mais uma vez as cenas de ação.

Sobre o elenco, o imdb tá todo errado. Uwais é o protagonista, apesar do seu nome ser o sétimo da lista. O primeiro nome no imdb é Julie Estelle, e passei o filme inteiro achando que ela era a médica. Na verdade os papéis principais são de Uwais e Chelsea Islan, que interpreta a médica. Estelle e Yulisman fazem Rika e Besi, capangas do chefão, interpretado por Sunny Pang – que apesar de ter um grande currículo, admito que não conhecia. Aos poucos vamos conhecendo atores indonésios…

A notícia ruim é que um filme desses dificilmente será lançado nos cinemas brasileiros. Mais uma vez a Indonésia mostra que tem cinema de ação de qualidade e que poderia peitar Hollywood, mas a maior parte das pessoas nem vai ouvir falar…

O Estrangulador Seboso

Greasy-Strangler-posterCrítica – O Estrangulador Seboso

Alvíssaras! Começou o Festival do Rio 2016! Como sempre, vou explorar a mostra mais divertida do festival, a Midnight Movies. Comecemos por O Estrangulador Seboso (The Greasy Strangler, no original). Bizarro como só uma Midnight Movies pode oferecer.

Sinopse tirada do site do Festival: “Em Los Angeles, Ronnie e Brayden são pai e filho que levam uma vida decadente e promovem tours a pé com a temática da disco music. Quando a sexy Janet* aparece para participar de um tour, pai e filho dão início a uma acirrada competição pela sua atenção. A sua chegada também atrai um maníaco bastante gordurento, que ronda as ruas à noite estrangulando inocentes e logo fica conhecido como o “Estrangulador Seboso”. Sensação do Sundance Film Festival, esta é uma alucinada mistura de suspense policial com altas doses de ofensas e diversão. Uma comédia familiar como nunca se viu. Sundance 2016.​

Co-escrito e dirigido por Jim Hosking (realizador de um dos curtas de O ABC da Morte 2), O Estrangulador Seboso é bizarro, muito bizarro. Parece um filme do John Waters, mas com produção da Troma. Toda a transgressão johnwateriana misturada com o gore da Troma, com direito a uma espécie de “vingador tóxico engordurado”.

Algumas ideias são boas. Mas a repetição das piadas cansa. Tipo as piadas envolvendo o tamanho do pênis do pai. As primeiras vezes são engraçadas, mas depois fica chato. Pra piorar, todos os personagens são feios, caricatos e desagradáveis. E além disso tem todo o gore ligado à gordura, o “grease” do título original. Faz parte do filme, mas embrulha o estômago do espectador…

Claro que O Estrangulador Seboso não é pra qualquer um. Claro que a maior parte do público vai detestar. Quando um diretor coloca tantas bizarrices em cena, não pode reclamar se alguém não gostar, né? Mas admito que ri em alguns trechos do filme.

Quem estiver no clima de encontrar “o filme mais bizarro de todos os tempos da última semana” vai se divertir. Mas o resto deve passar batido.

* (nota do crítico: Janet não tem nada de sexy!)