The Zero Theorem

Crítica – The Zero Theorem

Terry Gilliam voltou ao estilo de Brazil – O Filme. Será que é uma boa?

Qohen Leth é um gênio da computação que vive num universo dominado por grandes corporações. Sofrendo de uma profundo angústia existencial, trabalha sob as ordens de uma figura sombria conhecida como o Gerente. Sua missão é resolver o Teorema Zero, uma fórmula matemática que finalmente revelará o verdadeiro sentido da vida.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo, a notícia é boa e ruim ao mesmo tempo. Boa, porque o filme é o melhor dele em um bom tempo; ruim, porque somos obrigados a comparar The Zero Theorem com Brazil. E na comparação, um filme apenas legal perde para uma obra prima.

Já falei aqui antes, Terry Gilliam é um dos poucos autores que sobraram no cinema contemporâneo (ao lado de Tim Burton e Jean Pierre Jeunet, e mais um ou outro que não me lembro agora). Seus filmes têm “cara de Terry Gilliam”. Desde de que largou o Monty Python e seguiu em carreira de diretor, ele fez vários filmes que criaram uma identidade visual única, como O Pescador de Ilusões12 Macacos, As Aventuras do Barão Munchausen, Bandidos do Tempo, Medo e Delírio ou O Imaginário do Dr. Parnassus, além do já citado Brazil. Você pode até não gostar, mas tem que admitir que o cara tem estilo próprio.

O início do filme impressiona pela semelhança com Brazil, com um cenário que mistura um visual futurista e retrô ao mesmo tempo – tem um computador super moderno ao lado de um telefone de décadas atrás. Aliás, diria que o visual desta parte inicial parece uma mistura de Brazil com as cores do De Volta Para o Futuro de 2015…

Quem me conhece sabe que gosto de personagens bizarros. Nesse ponto, The Zero Theorem não decepciona. Christopher Waltz mostra (mais uma vez) que é um dos melhores atores contemporâneos com o seu Qohen (“sem U”) que se refere a si mesmo no plural. Mélanie Thierry (Babylon A.D.) e Lucas Hedges (Moonrise Kingdom) também estão bem como coadjuvantes, e David Thewlis parece interpretar uma versão do ex-Python Michael Palin. Matt Damon e Tilda Swinton fazem divertidas participações especiais.

O filme é repleto de detalhes geniais espalhados, como a caixa de pizza que canta, os médicos que parecem estar dentro de uma piscina vazia, ou a animação do site, que lembra o estilo de animação do próprio Terry Gilliam na epoca do Monty Python. Mas o ritmo não é tão bom, a segunda parte do filme cansa. E aí a gente volta à comparação com Brazil, e constata que Gilliam infelizmente não conseguiu um resultado tão bom.

Em 2005, Terry Gilliam lançou dois filmes, Irmãos Grimm e Contratempos, e ambos decepcionaram. Em 2009, com O Imaginário do Dr Parnassus, ele mostrou uma guinada em direção aos bons filmes de outrora, mesmo com um filme médio. The Zero Theorem não se tornará nenhum clássico, mas confirma esta guinada. Pena que, aos 72 anos, talvez seja tarde demais para uma volta por cima.

Mas torço para estar errado.

p.s.: Por que diabos o Festival não traduziu o nome do filme? Qual o problema de “Teorema Zero”?

Brazil – O Filme

Crítica – Brazil – O Filme

Hora de rever uma obra prima de Terry Gilliam!

Sam Lowry é um burocrata que tem sonhos onde consegue voar para longe da tecnologia e da burocracia. Mas quando tenta corrigir um erro administrativo, se torna um inimigo do estado.

Na minha humilde opinião, este é um dos dois melhores filmes do ex Monty Python Terry Gilliam (ao lado de 12 Macacos). Sou fã do cara, acho que já vi todos os filmes que ele fez.

Uma das coisas que mais chama a atenção em Brazil – O Filme é o apuro visual. Toda a cenografia e os figurinos criam um mundo ao mesmo tempo retrô e futurista – é um mundo moderno, mas as telas de computador são grandes lentes de aumento em cima de teclados de máquinas de escrever! Um detalhe importante: como o filme é de 1985, não existia CGI. Todos os efeitos e cenários são “reais”. E tudo é meticulosamente bem feito. Visualmente, o filme é sensacional!

A trama também é bem orquestrada. Acompanhamos a saga de Sam Lowry, ao mesmo tempo que vemos os seus delírios, tudo isso pontuado com vários momentos hilariantes – Brazil – O Filme não é exatamente uma comédia, mas mesmo assim o filme é muito engraçado.

O elenco também está bem. Já vi Jonathan Pryce em vários outros filmes, mas pra mim, ele será o eterno Sam Lowry. Por outro lado, não me lembro de outros filmes com a “mocinha” Kim Greist. Brazil – O Filme ainda tem Michael Palin, Ian Holm, Bob Hoskins, Jim Broadbent, e uma genial participação especial de Robert De Niro.

E por que o nome “Brazil”? Diz a lenda que um dia Terry Gilliam estava ouvindo Aquarela do Brasil, quando teve a ideia para o filme. Aliás, a música toca insistentemente ao longo de todo o filme. Mas é só isso, o resto do filme não tem nada a ver com o Brasil. Se bem que… Toda a excessiva burocracia mostrada no filme pode muito bem ter sido criada por um brasileiro…

Por fim, vou contar um “causo”. Segunda metade dos anos 80. Era comum termos sessões duplas no então cineclube Estação Botafogo. Programaram uma sessão dupla com Brazil e 1984. Heu já era fã do primeiro, mas nunca tinha visto o segundo. Fui na sessão dupla e descobri que os dois filmes são muito parecidos, apesar de propostas completamente diferentes. Recomendo a sessão dupla!

Ah, para os fãs de Terry Gilliam: The Zero Theorem, seu filme novo, passou no Festival do Rio. Em breve falo dele aqui no heuvi!

Night Moves

Crítica – Night Moves

Dakota Fanning está no Rio para promover seu novo filme, este Night Moves. Pena que o filme é fraco…

Três ecoterroristas planejam explodir uma represa. Mas parece que não estão preparados para aguentar as consequências dos seus atos.

Não conheço o trabalho da diretora Kelly Reichardt. Li coisas boas sobre seus filmes anteriores. Mas, apenas por Night Moves, admito que não me empolguei. O ritmo do filme é leeento, muito pouca coisa acontece em uma hora e cinquenta e dois minutos. Toda a história do filme poderia se resumir em um curta de 15 minutos.

E, pra piorar, o grande evento do filme, a explosão da represa, não aparece. Falam da explosão durante toda a primeira parte do filme, e na hora H não mostra nada. Sei que é um filme independente, mas já vi filmes com orçamentos minúsculos com efeitos especiais interessantes (alguém aí viu Monstros?). Mas aqui, a gente só ouve o barulho da explosão enquanto olha pra cara dos atores. Frustrante, não?

Outra coisa: acho que a diretora se perdeu no objetivo do seu filme. Porque se era pra gente simpatizar com a causa ecológica, deu errado. O próprio patrão do protagonista concorda que a explosão da represa não serviu pra nada.

Tem mais: parece que Jesse Eisenberg nunca mais vai se desligar do papel de Mark Zuckerberg. Imagine um Zuckerberg trabalhando numa fazenda? Tá lá no filme… E Dakota Fanning, apesar da pouca idade, é uma veterana de talento, mas isso não é o suficiente pra salvar o filme.

Enfim, dispensável.

p.s.: Tem outro filme homônimo, de 1975, do Arthur Penn, com o Gene Hackman. Não vi o outro, não sei se um tem a ver com o outro.

Spring Breakers – Garotas Perigosas

Crítica – Spring Breakers – Garotas Perigosas

Quando Spring Breakers – Garotas Perigosas foi divulgado, passou a impressão de ser mais uma comédia besta. Mas aí ele apareceu na programação do Festival do Rio, e ainda teve elogios de um dos críticos d’O Globo. Como diria Calvin Candie, personagem de Leonardo DiCaprio em Django Livre, “you had my curiosity, but now you have my atention”. Fui ver qualé.

Quatro amigas saem de férias no feriado Spring Break, que acontece nos EUA, mas acabam presas. Um traficante as solta e elas conhecem o efêmero glamour da vida do crime.

Spring Breakers – Garotas Perigosas visto, entendi porque está no Festival. Não é uma comédia, mas sim um filme pretensioso. E tem muito filme pretensioso pela programação…

Só depois de ver é que fui verificar quem era o diretor. Harmony Korine ganhou fama como o roteirista de Kids, aquele filme polêmico (e chato) que passou nos cinemas nos anos 90. Spring Breakers – Garotas Perigosas parece uma nova versão de Kids, segue a mesma estrutura: polêmica em cima de imagens estilosas e quase nada de roteiro.

Temos que admitir que Korine tem talento para criar imagens bonitas – provavelmente vem daí os elogios da crítica. Algumas seqüências de Spring Breakers – Garotas Perigosas são graficamente muito interessantes. Mas isso não sustenta um longa metragem. O cara deve ser bom para fazer videoclipes de três ou quatro minutos…

A polêmica de Kids era com sexo entre adolescentes; agora temos um filme com nudez e drogas estrelado por duas ex-estrelas Disney (Vanessa Hudgens e Selena Gomez) e uma atriz com longo currículo na tv (Ashley Benson). Mas, vamos com calma: são quatro atrizes principais – três delas conhecidas, mais uma que ninguém tinha ouvido falar (Rachel Korine, a esposa do diretor). Adivinha qual é a única que mostra alguma nudez?

(Fora Rachel Korine, algumas anônimas “pagam peitinho” em cenas de festas de spring break. Ou seja, se for pela nudez, Spring Breakers – Garotas Perigosas fica devendo.)

Aliás, preciso fazer um comentário sobre os figurinos. Desde que começa a viagem das meninas, elas aparecem o tempo todo de biquíni. Todas as cenas! Será que ninguém da produção se tocou como ficou ridículo quatro meninas de biquíni na frente de um juiz?

Nada a acrescentar sobre o elenco. James Franco está caricato, mas o papel pede isso. E as quatro meninas funcionam para o que foram contratadas: ficar passeando de biquíni durante o filme quase inteiro.

No fim, o resultado é um filme com algumas belas imagens. Mas um filme vazio. E muito chato.

Mar Negro

Crítica – Mar Negro

Comecei o Festival do Rio 2013 em grande estilo! Filme novo do Rodrigo Aragão, com a presença do próprio!

Uma estranha contaminação atinge uma pequena vila de pescadores. Quando peixes e crustáceos se transformam em horrendas criaturas transmissoras de morte e destruição, o solitário Albino luta pelo grande amor da sua vida, arriscando a própria alma numa desesperada fuga pela sobrevivência.

Provavelmente, a maioria dos leitores deve estar se perguntando “quem diabos é Rodrigo Aragão?” Bem, é o capixaba que fez Mangue Negro (2008) e A Noite do Chupacabras (2011), dois bons exemplares do terror / trash contemporâneo brasileiro. Rodrigo escreve, produz, dirige e edita seus filmes, e ainda trabalha na maquiagem e nos efeitos especiais. E já está no terceiro longa metragem. Tudo independente!

Curiosamente, Mar Negro entrou na Premiere Brasil – quando passou Morgue Story, do Paulo Biscaia Filho, foi na Midnight Movies, mostra que tem mais a ver com o estilo dos dois filmes. Acho que foi uma grande vitória, um filme independente de terror trash passando numa mostra de filmes” sérios”. Mas receio que isso pode “queimar” o filme. Pode ter algum espectador desavisado…

Agora, pra quem gosta, Mar Negro é um prato cheio. O filme é divertidíssimo!

Rodrigo Aragão mostra talento, usando ângulos pouco convencionais ao longo de todo o filme. O roteiro também foge do óbvio, várias soluções usadas na trama são surpreendentes, que fogem completamente à lógica hollywoodiana. E a parte final traz uma virada de roteiro realmente inesperada.

Pelo clima de galhofa pura, Mar Negro lembra mais A Noite do Chupacabras do que Mangue Negro. Situações absurdas geraram grandes gargalhadas na plateia – a parte da metralhadora é sensacional! E, claro, o gore é abundante. Além de diretor e roteirista, Rodrigo Aragão é um excelente maquiador. Toda a parte de maquiagem é caprichada, tanto com as criaturas, quanto com os 150 litros de sangue cenográfico usados ao longo da projeção.

O elenco só tem gente desconhecida – Mar Negro é uma produção quase amadora. Mas, quem viu os outros filmes vai reconhecer alguns rostos.

Por fim, uma boa notícia: Rodrigo falou que no fim do ano Mar Negro deve entrar em cartaz no circuitão. Notícia excelente não só para a produção do filme capixaba, mas para todos os fãs de filmes de terror brasileiros!

p.s.: Procurei pelo google uma imagem do poster, mas não achei…

RIPD – Agentes do Além

Crítica – RIPD – Agentes do Além

Um policial recém falecido é recrutado para trabalhar no Departamento Descanse em Paz, uma espécie de agência que trabalha às escondidas na Terra, caçando mortos que se recusam a seguir seus destinos e continuam vagando pela Terra.

RIPD – Agentes do Além tem um problema básico: parece uma versão de MIB, mas com fantasmas no lugar dos alienígenas. Aliás parece uma mistura de MIB com Caça-Fantasmas. Mas… Quem me conhece sabe que não tenho nada contra a reciclagem de ideias, desde o resultado final fique bom. E isso acontece aqui: se RIPD não tem muita originalidade, isso é compensado pelo fato de ser um filme muito divertido.

Adaptado dos quadrinhos homônimos escritos por Peter M. Lenkov, RIPD – Agentes do Além é uma eficiente mistura de ação, comédia e ficção científica – um bom filme pipoca, uma montanha russa divertida e absurda. O diretor é Robert Schwentke, o mesmo de Red – Aposentados e Perigosos – coincidência ou não, outra adaptação de quadrinhos.

O elenco é um dos pontos fortes de RIPD – Agentes do Além. Jeff Bridges parece estar se divertindo muito como um velho xerife do velho oeste; já Ryan Reynolds interpreta o mesmo Ryan Reynolds de sempre. Kevin Bacon está bem como o vilão; Mary Louise Parker e Stephanie Szostak também estão bem como as principais personagens femininas. E James Hong (Blade Runner) e Marisa Miller têm papeis menores mas que geram boas piadas.

Os efeitos especiais são irregulares. Se por um lado temos algumas cenas fantásticas, como um efeito bullet time estendido quando o protagonista morre (não é spoiler, é logo no início do filme); por outro lado alguns dos mortos são tão malfeitos que parecem saídos de um filme trash!

A sessão para a imprensa foi em 3D. Algumas cenas usam bem o efeito, mas não acho algo essencial.

Enfim, boa diversão. Apesar de requentada.

Festival do Rio – 2013

Festival do Rio 2013

Vai começar o evento mais aguardado por nove entre dez cinéfilos cariocas: o Festival do Rio. São cerca de 350 filmes espalhados por 26 cinemas, ao longo de duas semanas. O Festival tem uma sessão de abertura hoje para convidados, e amanhã já rolam sessões abertas para o público.

Claro que não dá pra ver tudo. O que cada um tem que fazer é olhar a programação com calma e escolher alguns. Ano passado consegui ver vinte e cinco filmes…

Os filmes estão divididos em mostras. As mais badaladas são a Expectativa 2013 e a Panorama do Cinema Mundial, que trazem dezenas de filmes novos – boa parte deles será lançada aqui no Brasil, uns no cinema, outros direto em dvd / blu-ray.

Outras mostras trazem filmes mais underground, filmes com menos chances de serem lançados oficialmente por aqui, como a maior parte dos filmes da mostra Midnight Movies. Normalmente, dou preferência a estes filmes, pois não sei se terei outra oportunidade para vê-los.

Vou dar algumas sugestões aqui embaixo. Mas lembro: como são filmes inéditos, às vezes a dica é furada… 😉

Mar Negro (Mar Negro).

Dir: Rodrigo Aragão. Com: Walderrama dos Santos, Tiago Ferri, Kika Oliveira, Mayra Alarcón, Carol Aragão. Brasil. 99 min. Mostra pb novos rumos. 16 anos.

Rodrigo Aragão é o diretor de Mangue Negro, um filme de zumbis feito no Espírito Santo; e de A Noite do Chupacabras, filme trash divertidíssimo. Este é seu terceiro longa. Imperdível!

The Zero Theorem (The Zero Theorem).

Dir: Terry Gilliam. Com: Christoph Waltz, Matt Damon, Melanie Thierry, Lucas Hedges. Reino Unido / Romênia. 107 min. Mostra panorama. 14 anos.

Filme novo do Terry Gilliam, aquele que era do Monty Python e depois dirigiu filmes como Brazil, 12 Macacos, Aventuras do Barão Munchausen e Imaginário do Dr Parnassus.

Night Moves (Night Moves).

Dir: Kelly Reichardt. Com: Dakota Fanning, Jesse Eisenberg, Peter Sarsgaard, Alia Shawkat. Estados Unidos. 112 min. Mostra panorama. 12 anos.

Um thriller sobre as dificuldades da militância e do engajamento político em tempos conturbados. A atriz Dakota Fanning estará pelo festival, de repente você a encontra em uma sessão.

The Canyons (The Canyons).

Dir: Paul Schrader. Com: Lindsay Lohan, James Deen, Gus Van Sant . Estados Unidos. 100 min. Mostra panorama. 16 anos.

Filme escrito por Bret Easton Ellis e dirigido por Paul Schrader, com grande potencial de polêmica: traz Lindsay Lohan nua, atuando ao lado de um ator pornô. Mas o resultado é fraco. Paul Schrader também vem para o Festival.

http://heuvi.com.br/genero/thriller-erotico/the-canyons/

Gravidade (Gravity).

Dir: Alfonso Cuarón. Com: Sandra Bullock, George Clooney. Estados Unidos / Reino Unido. 91 min. Mostra panorama. 12 anos.

Durante uma caminhada em torno de seu ônibus espacial, uma médica e engenheira espacial e um astronauta são atacados por uma chuva de meteoros que os deixa sem contato com a base na Terra e à deriva no espaço. Deve entrar em circuito logo após o festival.

Kill Your Darlings (Kill Your Darlings).

Dir: John Krokidas. Com: Daniel Radcliffe, Dane DeHaan, Ben Foster, Michael C. Hall, Jack Huston. Estados Unidos. 104 min. Mostra panorama. 14 anos.

Uma trama policial protagonizada por Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs, fundadores do movimento Beatnik.

Como Não Perder Essa Mulher  (Don Jon).

Dir: Joseph Gordon-Levitt. Com: Joseph Gordon-Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headly. Estados Unidos. 90 min. Mostra panorama. 14 anos.

A estreia na direção de longas do ator Joseph Gordon-Levitt.

Clear History (Clear History).

Dir: Greg Mottola. Com: Larry David, Bill Hader, Philip Baker Hall, Jon Hamm, Kate Hudson, Michael Keaton. Estados Unidos. 100 min. Mostra panorama. 10 anos.

Escrito por Larry David, um dos criadores da série Seinfeld; e dirigido por Greg Mottola, o mesmo de Paul, um dos melhores filmes de 2011.

Fading Gigolo (Fading Gigolo).

Dir: John Turturro. Com: Woody Allen, John Turturro, Sharon Stone, Sofia Vergara, Liev Schreiber. Estados Unidos. 98 min. Mostra panorama. 14 anos.

John Turturro escreveu, dirigiu e protagonizou um filme onde ele tem casos com a Sharon Stone e a Sofia Vergara. O cara não é bobo não…

Uma noite de crime (The Purge).

Dir: James DeMonaco. Com: Ethan Hawke, Lena Headey, Max Burkholder, Adelaide Kane, Edwin Hodge. Estados Unidos / França. 85 min. Mostra midnight. 16 anos.

Em uma América arrasada pelo crime, o governo sanciona uma lei estabelecendo um dia no ano em que, durante um período de 12 horas, os cidadãos podem praticar qualquer atividade criminal sem o temor de sofrer qualquer tipo de represália: nada de polícia, bombeiros ou hospitais.

Only Lovers Left Alive (Only Lovers Left Alive).

Dir: Jim Jarmusch. Com: Tom Hiddleston, Tilda Swinton, Mia Wasikowska, John Hurt, Anton Yelchin. Estados Unidos / Reino Unido / França / Chipre / Alemanha. 123 min. Mostra panorama. 14 anos.

Um filme de vampiro dirigido por Jim Jarmusch…

Crystal Fairy e o cactus mágico (Crystal Fairy).

Dir: Sebastián Silva. Com: Michael Cera, Gaby Hoffmann, Juan Andrés Silva, José Miguel Silva, Agustín Silva . Chile. 98 min. Mostra panorama. 16 anos.

Uma aventura lisérgica ambientada no deserto do Atacama. O primeiro trabalho de Michael Cera (Superbad e Juno) em solo latino-americano.

Behind the Candelabra (Behind the Candelabra).

Dir: Steven  Soderbergh. Com: Michael Douglas, Matt Damons, Dan Aykroyd, Scott Bakula, Rob Lowe. Estados Unidos. 118 min. Mostra panorama. 16 anos.

Cinebiografia do excêntrico pianista Liberace, que é interpretado por Michael Douglas. Segundo o diretor Steven Soderbergh, este será o último filme de sua carreira.

Questão de tempo (About Time).

Dir: Richard Curtis. Com: Domhnall Gleeson, Rachel McAdams, Bill Nighy, Lydia Wilson, Lindsay Duncan. Reino Unido. 123 min. Mostra panorama. 12 anos.

Filme romântico de viagem no tempo, estrelado por Rachel McAdams. Mas parece que é diferente de Te Amarei Para Sempre, outro filme romântico de viagem no tempo, estrelado por Rachel McAdams…

Apenas Deus perdoa (Only God Forgives).

Dir: Nicolas Winding Refn. Com: Ryan Gosling, Kristin Scott Thomas, Vithaya Pansringarm, Rhatha Phongam, Gordon Brown. Dinamarca / França. 90 min. Mostra panorama. 16 anos.

Pelo trailer, parece uma continuação de Drive. Mas é apenas mais um trabalho de Ryan Gosling com o diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn.

The Green Inferno (The Green Inferno).

Dir: Eli Roth. Com: Lorenza Izzo, Ariel Levy, Sky Ferreira, Nicolás Martínez, Kirby Bliss Blanton. Estados Unidos. 103 min. Mostra midnight. 16 anos.

Filme novo do Eli Roth, o mesmo diretor de Cabana do Inferno e O Albergue, além de ter sido um dos atores principais de Bastardos Inglórios.

A dança da realidade (La Danza de la Realidad).

Dir: Alejandro Jodorowsky. Com: Adan Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, Critobal Jodorowsky, Jeremias Herskovits, Pamela Flores. França. 130 min. Mostra midnight. 16 anos.

Filme novo do diretor de El Topo, um dos maiores cult movies da história. Aos 84 anos de idade, Jodorowsky continua em atividade!

Metallica: Through the Never 3-D (Metallica: Through the Never).

Dir: Nimród Antal. Com: Dane DeHaan, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett, Robert Trujillo. Estados Unidos. 92 min. Mostra midnight música. 14 anos.

Misto de ficção com imagens de shows reais, narra a saga de Dane, um roadie do Metallica que é enviado para o inferno.

O Super-Formiga (Antboy).

Dir: Ask Hasselbalch. Com: Oscar Dietz, Nicolas Bro, Samuel Ting Graf . Dinamarca. 76 min. Mostra geração. L anos.

Filme infanto juvenil de super herois, feito na Dinamarca.

Wrong Cops – Os Maus Policiais (Wrong Cops).

Dir: Quentin Dupieux. Com: Mark Burnham, Marilyn Manson, Grace Zabriskie. França / Estados Unidos. 94 min. Mostra midnight. 14 anos.

Alguns anos atrás, vi, no mesmo festival, Rubber, um filme sobre “um pneu telepático em missão demoníaca”. Claro que vou ver o novo filme do mesmo diretor!

Peaches Does Herself – Uma Ópera-Rock (Peaches Does Herself).

Dir: Peaches. Com: Peaches, Danni Daniels, Sandy Kane, Mignon, Sweet Machine Band, Jolly Goods. Alemanha. 80 min. Mostra midnight música. 14 anos.

Outra sinopse que chama a atenção: “Misturando gêneros e sexualidades numa saga de mentira, ela arrancou elogios da Rolling Stone (que comparou o filme a uma versão moderna de Rocky Horror Picture Show) e do Hollywood Reporter (que disse que o filme parecia a história de Lady Gaga se ela fosse escrita por John Waters)”

Spring Breakers: Garotas Perigosas (Spring Breakers).

Dir: Harmony Korine. Com: James Franco, Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Ashley Benson, Rachel Korine. Estados Unidos. 92 min. Mostra panorama. 18 anos.

Não entendi por que este filme está aqui, ele parece ser uma comédia besta adolescente, estrelada pelas ex-atrizes mirins da Disney Selena Gomez e Vanessa Hudgens. Ou o filme é melhor do que parece, ou está no lugar errado.

O ABC da Morte (The ABCs of Death).

Dir: Vários. Estados Unidos / Nova Zelândia. 130 min. Mostra midnight. 18 anos.

Um projeto ousado: 26 diretores diferentes teriam total liberdade para fazer um curta baseado em cada uma das 26 letras do alfabeto. Ideia interessante, mas que dificilmente daria certo. Já existe pra download já tempos…

http://heuvi.com.br/genero/terror/the-abcs-of-death/

Os Encontros da Meia-Noite (Les Rencontres d’apres Minuit).

Dir: Yann Gonzalez. Com: Kate Moran, Niels Schneider, Nicolas Maury, Éric Cantona, Béatrice Dalle. França. 92 min. Mostra midnight. 18 anos.

Olha que sinopse bizarra: “Por volta da meia-noite, o jovem casal Ali e Matthias e sua empregada – um travesti – se preparam para uma orgia. Seus convidados serão a vagabunda, a estrela, o garanhão e o adolescente.

Boa sorte nas escolhas e bom festival para você!

Elysium

Crítica – Elysium

Um dos mais esperados filmes do ano!

Em 2154, onde os muito ricos moram numa estação espacial, o Elysium, enquanto os outros, pobres, vivem na Terra, que virou uma gigantesca favela, decadente e superpopulada, um operário tem uma missão que pode trazer igualdade a esse mundo dividido.

Por que citei Elysium como um dos mais esperados do ano? Bem, quase todos os cinéfilos brasileiros estavam curiosos pela estreia hollywoodiana de Wagner Moura, aproveitando o sucesso internacional do seu Capitão Nascimento nos dois Tropa de Elite – Alice Braga também está no elenco, mas ela já fez vários filmes na “gringolândia”. Mas, além de torcer pelo sucesso de Moura, heu também estava curioso por ser o novo filme escrito e dirigido por Neill Blomkamp, o mesmo do excelente Distrito 9, um filme sul-africano que surpreendeu o mundo ao usar a ficção científica como metáfora para o Apartheid. Chegou a concorrer a quatro Oscars em 2010, incluindo melhor roteiro adaptado e melhor filme!

E como foi o resultado do segundo filme de Blomkamp? Bem, o resultado é positivo, mas poderia ser melhor…

O problema aqui é a comparação. Distrito 9 era, ao mesmo tempo, uma eletrizante ficção científica e uma pungente crítica social. Elysium funciona muito bem como FC, mas falha na parte social.

Spoilers leves no próximo parágrafo, ok?

Blomkamp tentou fazer uma crítica à segregação de classes sociais e à situação dos imigrantes ilegais, mas se perdeu na parte final do filme. E olha que não estou citando o maniqueísmo: todos os ricos são maus, muito maus! E ainda são capitalistas burros: se aquela “cama médica” é tão prática e tão comum a ponto de estar presente em todas as residências de Elysium, por que não trazer algumas pra Terra e vender os serviços a “preços módicos”?

Fim dos spoilers!

Provavelmente Blomkamp sofreu influência dos executivos norte-americanos. Diz a lenda que o seu roteiro foi alterado, mas como não temos acesso ao roteiro inicial, não sabemos se é verdade. Felizmente a parte “diversão” funciona muito bem. O ritmo do filme é muito bom, e os efeitos especiais são extremamente bem feitos.

E o Wagner Moura, como se saiu?

Moura é coadjuvante, o filme é de Matt Damon. Mas é um coadjuvante importantíssimo na trama, e está muito bem no seu papel de Spider, uma espécie de chefão do tráfico misturado com hacker. Aliás, tem uma cena engraçada para os brasileiros: certo momento, Spider tem uma explosão de raiva e grita dois palavrões em português…

Alice Braga tem um papel mais fraco, apesar de ser o interesse romântico do protagonista. Mas tudo bem, ela já mostrou seu talento em outras ocasiões em Hollywood – inclusive, em filmes de ação / ficção científica, como PredadoresRepo Men e Eu Sou A Lenda.

Enfim, boa ficção científica em cartaz nos cinemas. Só não podemos comparar com o filme anterior do diretor.

O bom elenco “off-Hollywood” ainda conta com o mexicano Diego Luna e o sul-africano Sharlto Copley (que também estava em Distrito 9). Não sei se foi coincidência, mas achei uma boa escolha usar atores que conhecem de perto a situação de países subdesenvolvidos para viverem os moradores do planeta Terra devastado. Ainda no elenco, os “gringos” Jodie Foster e William Fichtner.

Enfim, boa ficção científica em cartaz nos cinemas. Só não podemos comparar com o currículo prévio do diretor…

Dose Dupla

Crítica – Dose Dupla

Robert “Bobby” Trench (Denzel Washington) e Michael “Stig” Stigman (Mark Wahlberg) trabalham juntos há dez meses. Quando não conesguem fazer negócios com um poderoso traficante mexicano, resolvem então é roubar um banco que, supostamente, receberia o faturamento deixado toda semana por capangas do traficante.

Adaptação dos quadrinhos “2 Guns”, escritos por Steven Grant e ilustrados pelo brasileiro Mateus Santolouco, Dose Dupla (2 Guns, no original) segue a fórmula dos “buddy movies” – filmes onde dois personagens bem diferentes têm que se aturar para um objetivo comum. A fórmula é batida, mas ainda pode render bons filmes, como este.

Boa parte dos méritos está com a dupla de protagonistas. Denzel Washington é um grande ator e está muito bem, mas o melhor papel é o marrento Stig de Mark Wahlberg, que tem vários ótimos momentos ao longo do filme (adorei a cena das galinhas). E o elenco ainda conta com vários outros bons nomes, como Edward James Olmos, Paula Patton, Bill Paxton, James Marsden e Fred Ward.

A direção ficou a cargo do pouco conhecido Baltasar Kormákur (que já tinha trabalhado com Wahlberg em Contrabando), que fez aqui um bom trabalho. Dose Dupla não é lá muito original, segue a linha “tarantineana” – personagens marginais, violência, diálogos afiados e edição ágil – mas nada que impeça de ser um filme divertido. Se bem que, pelos cenários mexicanos, lembra mais a trilogia “mariachi” de Robert Rodriguez…

Um coisa interessante em Dose Dupla é que os mocinhos e bandidos não estão onde se espera – temos algumas surpresas neste assunto. O espectador precisa ficar atento às viradas no roteiro! Outros destaques são a boa trilha sonora e uma bem cuidada fotografia, que ainda inclui alguns bem colocados efeitos de câmera lenta.

Como destaque negativo, o roteiro de Dose Dupla exige muita suspensão de descrença. Se o roteiro é bem escrito no que diz respeito a personagens bem construídos, por outro lado temos várias situações forçadas – como por exemplo toda a sequência dentro da base naval – aquilo nunca daria certo…

Enfim, boa opção despretensiosa em cartaz nos cinemas!

O Grande Mestre – Ip Man

Crítica – O Grande Mestre – Ip Man

Me convidaram para participar de um podcast, onde cada um sugeriu um filme pouco conhecido. Filmes pouco conhecidos são uma das minhas especialidades, heu já conhecia três das quatro opções. A quarta sugestão era este O Grande Mestre – Ip Man, filme que admito que nunca tinha ouvido falar.

Cinebiografia que conta a história de Yip Man, o primeiro mestre de artes marciais que ensinou a luta chinesa Wing Chun.

O Ip Man da vida real é famoso por ter sido o mestre de Bruce Lee – li nalgum lugar que na continuação Ip Man 2 aparece um Bruce Lee criança. Aqui, ele é retratado como um grande mestre de kung fu, muito superior aos outros.

O Grande Mestre – Ip Man funciona bem, mas com ressalvas. A trama é previsível demais, e todas as atuações parecem uma filmagem de peça teatral de colégio. Digo mais: o vilão da primeira metade do filme é bobo e desnecessário – aliás, o cara nem é um vilão de verdade, ele é apenas um sujeito marrento que quer abrir uma escola de kung fu.

Por outro lado, as lutas são excelentes. As coreografias foram muito bem orquestradas por Sammo Hung, um dos maiores nomes do cinema de artes marciais, que trabalhou com Bruce Lee, Jackie Chan e John Woo, dentre muitos outros. Os fãs de artes marciais não podem reclamar.

O ator Donnie Yen já tinha algum nome, por papeis em filmes como Heroi e Blade 2. Mas O Grande Mestre – Ip Man é o seu grande momento. Pelo papel de Ip Man, Yen ganhou elogios de fãs de artes marciais espalhados pelo mundo.

O Grande Mestre – Ip Man é de 2008. Em 2010 teve uma continuação, O Grande Mestre – Ip Man 2; e um prólogo, Ip Man 3 – Nasce Uma Lenda (sem Donnie Yen). O imdb cita outros dois Ip Man 3, ambos de 2013, nenhum deles com Donnie Yen no elenco – não sei se são continuações oficias ou não…

Ah, falei do podcast, né? Ainda não gravamos o episódio com os filmes pouco conhecidos. Mas o primeiro episódio está aqui. Divirtam-se!