Kid-Thing / Coisa de Criança

Crítica – Kid-Thing

Sinopse tirada da programação oficial do Festival do Rio:

Annie é uma menina rebelde de 10 anos, agressiva e destrutiva. Ela vive com seu pai, que passa grande parte do tempo dormindo. Sem limites ou parâmetros, ela passa o seu tempo roubando, vandalizando e se engajando em um comportamento antissocial. Um dia, ao andar pela floresta, ela é surpreendida pela voz de uma mulher pedindo socorro de dentro de um poço abandonado. Assustada, ela a princípio não sabe como agir, mas acaba voltando ao local repetidas vezes, primeiro com sanduíches, depois com walkie-talkies, e mais tarde com um pedido.

A sinopse de Kid-Thing (traduzido como Coisa de Criança pelo Festival do Rio) dava sinais de que poderia ser um bom e violento filme independente. Ou então que seria mais um filme independente chaaato.

Claro, segunda opção. Chaaato…

Cria da dupla de irmãos David Zelner (direão, roteiro e elenco) e Nathan Zelner (produção, fotografia e elenco), Kid-Thing tem um problema comum: falta uma história. A personagem da menina rebelde é interessante, mas se ela não tem nada para contar, temos um filme monótono onde nada acontece. Assim, temos vários momentos sonolentos em um filme de apenas uma hora e vinte e três minutos. Algumas cenas são insuportavelmente chatas, tipo aquela das raspadinhas na mesa. E a cena do professor de violão causa vergonha alheia.

Pra não diz que Kid-Thing é completamente inútil, aprendi como se hipnotiza uma galinha. Uau. Mudou a minha vida.

Agora, o pior de tudo é que me conheço: heu não aprendo. Por pior que tenha sido Kid-Thing, ano que vem vou achar um filme semelhante na Midnight Movies de 2013. E vou comprar ingresso…

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Crítica – Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Calvin, um jovem escritor com bloqueio criativo, encontra o amor na forma menos usual possível: criando Ruby, uma personagem que ele acredita que irá amá-lo. O que ele não esperava é que Ruby se tornasse real.

A ideia não é 100% original, de vez em quando vemos filmes onde a metalinguagem é colocada em foco (principalmente Mais Estranho que a Ficção, que tem uma premissa bem parecida). O que faz a diferença é o modo como essa metalinguagem é apresentada aqui. Ruby Sparks tem formato de uma leve e divertida comédia romântica – felizmente mais criativa e menos previsível que a maior parte das comédias românticas por aí.

Acredito que boa parte do mérito seja do casal de diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris (casados na vida real), os mesmos do simpático Pequena Miss Sunshine (2006). Ruby Sparks é apenas o segundo filme de Dayton e Faris, que demoraram seis anos na “gestação” da nova produção. E não decepcionaram, quem gostou de Pequena Miss Sunshine vai curtir este novo filme da dupla.

Outro mérito é da roteirista Zoe Kazan (também protagonista), que construiu uma história simples, agradável e cativante. Este é seu primeiro roteiro, mas ela tem “pedigree”: é neta de Elia Kazan (Sindicato de Ladrões, Uma Rua Chamada Pecado), e filha de um casal de roteiristas, Nicholas Kazan (O Reverso da Fortuna, O Homem Bicentenário) e Robin Swicord (Memórias de uma Gueixa, O Curioso Caso de Benjamin Button).

O elenco também está muito bem. Paul Dano e Zoe Kazan (outro casal na vida real) estão excelentes como o casal central, a química entre eles é muito boa. Além deles, Annette Benning, Antonio Banderas, Elliot Gould, Chris Messina e Deborah Ann Woll.

Quem perdeu Ruby Sparks no Festival do Rio vai ter mais chances de ver o filme, parece que entra no circuito semana que vem!

A Quinta Estação

Crítica – A Quinta Estação

Mais um filme cabeça…

No fim do inverno, os habitantes de uma pequena cidade belga fazem um ritual para se despedirem da estação. Mas o ritual dá errado, e por isso o inverno não vai embora. Sem colheitas e com os animais doentes, a cidade começa a entrar em colapso.

A Quinta Estação (La cinquieme saison no original), filme belga escrito e dirigido pela dupla Peter Brosens e Jessica Woodworth, tem um problema básico: se a história se passa num mundo contemporâneo (carros, estradas, máquinas, energia elétrica), por que ninguém telefonou ou pegou seu carro e foi para a cidade ao lado? Vou além: uma pequena vila belga pode ser autossuficiente em termos de comida, mas duvido que produzam gasolina. Sendo assim, de onde vem o combustível para os carros? É preciso muita suspensão de descrença para acreditar em uma fábula assim no mundo moderno. Se a trama fosse situada no passado, seria mais fácil de acompanharmós.

A Quinta Estação é um bom exemplo de filme cabeça “desnecessário” – na falta de história pra preencher uma hora e meia de produção, o filme é cheio de cenas longas e arrastadas onde nada acontece.

Ok, o filme tem seus bons momentos. Algumas cenas bonitas aqui, alguns lances engraçados ali. Mas muito pouco para um longa metragem.

Deve ter um monte de simbolismos nas cenas sem sentido. Algum “subtexto meta-qualquer coisa”. Mas, na boa? Me lembrei do lema do distribuidor Luis Severiano Ribeiro: “cinema é a maior diversão”. Se o espectador precisa de um manual de instruções pra entender as mensagens do filme, na minha humilde opinião este filme falhou.

Às vezes, um filme não faz sentido mas mesmo assim é divertido – Buñuel que o diga. Outras vezes ele é só chato.

Dispensável.

O Livro do Apocalipse – Nryu Myeongmang Bogoseo

Crítica – O Livro do Apocalipse – Nryu Myeongmang Bogoseo

Filme apocalíptico coreano… Ok, vamos ver qualé.

Três pequenas histórias, mostrando três diferentes cenários apocalípticos: um vírus que transforma as pessoas em um misto de zumbi com vampiro; um robô de um templo budista alcança a iluminação espiritual e é visto como uma ameaça; e um meteoro em rota de colisão com a Terra.

Como quase todo filme em episódios, O Livro do Apocalipse é irregular. A primeira história, Brave New World, tem seus bons momentos, mas é bobinha; a segunda, Heavenly Creature, traz uma premissa interessante, mas é chaaata; a terceira, Happy Birthday, é a melhor, com uma boa dose de humor nonsense.

A primeira e a última história foram escritas e dirigidas por Yim Pil-Sung (autor do filme original que virou a refilmagem O Mistério das Duas Irmãs). Por terem o mesmo autor, ambas têm o mesmo tom de comédia – Brave New World tem alguns momentos engraçadíssimos, como o debate na TV; Happy Birthday é nonsense desde a premissa de uma gigantesca bola de sinuca alienígena que virou um asteroide. Heavenly Creature, a história “cabeça”, foi escrita e dirigida por Kim Jee-Woon (o mesmo do faroeste O Bom, o Mau e o Bizarro, que passou no Festival uns anos atrás). Curiosamente, os outros filmes que conheço de cada diretor são de estilos diferentes…

A parte técnica é muito bem feita – o robô da segunda história parece saído de uma produção hollywoodiana. E o asteroide também não deixa a desejar, assim como a maquiagem da primeira história.

Conheço pouco do cinema coreano, mas reconheci um nome do elenco: Joon-ho Bong, o diretor de O Hospedeiro, trabalha como ator aqui, ele está no debate na TV em Brave New World. Ainda no elenco, Doona Bae e Ji-hee Jin.

O Livro do Apocalipse é a cara do Festival do Rio. Não deve ser lançado no circuito, mas deve aparecer nas locadoras daqui a um ano ou mais, possivelmente com outro título…

Aí Vem o Diabo

Crítica – Aí Vem o Diabo

Durante uma viagem em família, o casal de filhos pré adolescentes vai explorar as montanhas da região e desaparece. No dia seguinte, eles retornam, mas o alívio logo dá lugar à preocupação: os dois passam a se comportar de maneira estranha, evitam a escola e causam sustos em sua babá.

Não sei se foi intencional (espero que sim), mas Aí Vem O Diabo (Ahí va el diablo no original) tem cara de produção vagabunda dos anos 70. Tive a impressão de que o diretor e roteirista Adrián Garcia Bogliano quis dar uma de Tarantino e tentou fazer uma homenagem ao cinema exploitation. Cortes e movimentos de câmera, e, principalmente, abuso de zooms deixam o filme com ar de exploitation. Pena que Bogliano não tem o talento de Tarantino, em vez de cult, Aí Vem o Diabo parece uma caricatura.

Outra coisa que lembra o cinema exploitation é a nudez gratuita (uma coisa que Tarantino não usa muito). Todas as atrizes adultas tiram a roupa, mesmo quando não precisa. Taí uma coisa que podia ser feita com mais frequência… 😉

Aí Vem o Diabo traz um pouco de gore. Nada excessivo, mas uma das cenas tem tanto sangue que a plateia de gargalhadas. E a cena inicial é um bom resumo do que vamos ver: sexo nudez e violência, tudo gratuito – a cena podia ser cortada que o roteiro não mudaria nada.

A programação do Festival informa que Aí Vem O Diabo é um filme argentino. Mas o imdb diz que é mexicano. Confio mais no imdb…

No elenco, nada demais. Nenhum destaque positivo. Achei as crianças Michele Garcia e Alan Martinez inexpressivos demais, mas não sei se era opção do roteiro.Ainda no elenco, Laura Caro, Francisco Barreiro, Barbara Perrin Rivemar e David Arturo Cabezud.

No fim, fica aquela dúvida sobre a qualidade do filme: será que é ruim propositalmente, ou será que é ruim por falta de talento? Pelo menos é divertido e despretensioso. Bem melhor do que outros exploitation recentes que vimos por aí, como Nude Nuns With Big Guns ou Hell Ride.

A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman / Monty Python – A Autobiografia de um Mentiroso

Crítica – A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman / Monty Python – A Autobiografia de um Mentiroso

Alguns filmes se tornam “obrigatórios” só pela descrição. Este A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman é um deles. Vejam a sinopse oficial do Festival do Rio:

Pouco antes de sua morte, em 1989, Grahan Chapman, membro do extinto grupo britânico de humor Monty Python, teve sua voz captada durante a leitura de sua autobiografia lançada em 1980. Utilizando-se deste áudio como guia narrativo, 15 diferentes estúdios produziram 17 estilos de animação distintos para representar as memórias e mentiras deste ícone do humor inglês. Quatro sobreviventes da trupe, Terry Gilliam, John Cleese, Michael Palin e Terry Jones, se reuniram para dar voz aos personagens.

Animações em estilos variados, narração usando a própria vez de Chapman, e ainda participação de outros quatro ex Monty Python? Imperdível para fãs! A dúvida era: será que A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman é só pros fãs, ou além disso é um bom filme?

Infelizmente, só pros fãs…

A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman tem um problema grave: não tem humor. Sim, é um filme sobre o Monty Python, um dos grupos mais engraçados da história do cinema / televisão, mas é um filme com poucos momentos engraçados. Quase todas as piadas estão em imagens de arquivo – justamente os trechos que não são em animação.

E, para os fãs, rola um outro problema: dentre os 17 estilos de animação, não rola o “estilo Terry Gilliam”! Procurei pela internet uma explicação pra isso, segundo o que encontrei, Gilliam não quis participar do projeto, e por isso os diretores Bill Jones, Jeff Simpson e Ben Timlett proibiram as equipes de copiarem o estilo de Gilliam.

A narrativa pega trechos soltos da biografia escrita por Chapman e seu parceiro David Sherlock, e nem sempre segue uma linha lógica, deixando o filme meio confuso às vezes. Nada muito grave, por causa da opção da narrativa fragmentada. Pelo menos as mudanças de estilos de animação são bem interessantes, e algumas sequências são muito boas (gostei do trecho dentro do avião).

O que é interessante aqui é mostrar peculiaridades da vida de Chapman, como o seu problema com álcool ou a sua homossexualidade (ou seria bissexualidade?). Pena que o filme traz poucas novidades, neste aspecto o documentário Monty Python: Almost the Truth – Lawyers Cut, lançado em 2009, é bem mais completo.

No elenco, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam fazem vários personagens cada um, além de Carol Cleveland, antiga colaboradora. Além deles, Cameron Diaz empresta sua voz a Sigmund Freud em uma das sequências.

Enfim, só para fãs hardcore.

p.s.: Copiei e colei lá em cima a sinopse que está na programação. Mas tive que fazer uma pequena correção. A sinopse falava “os quatro sobreviventes”. Mas são cinco! Quem escreveu a sinopse esqueceu do Eric Idle! (que, se vi direito, aparece de relance na cena do velório de Chapman)

Argo

Crítica – Argo

Filme novo dirigido (e também estrelado) por Ben Affleck.

Teerã, Irã, 4 de Novembro de 1979. A embaixada norte-americana é tomada de assalto por um grupo revolucionário iraniano que faz mais de cinquenta reféns. Seis americanos conseguem fugir e são acolhidos na casa do embaixador canadense. A CIA então pocura um agente especialista em fugas que arquiteta um plano literalmente hollywoodiano para tirá-los do país. Baseado em uma história real.

Ben Affleck já tinha mostrado talento na direção de Atração Perigosa. Agora ele confirma isso com Argo, filmão hollywoodiano, do jeito que a indústria cinematográfica curte.

Tudo aqui funciona redondinho. Super produção, história emocionante e bem conduzida, grandes atores e um “tema político baseado em fatos reais”. E a ambientação na virada dos anos 70 para os 80 só ajuda Argo a ter cara de “clássico dos anos 70”.

Preciso falar mais sobre a ambientação de época. O trabalho foi minucioso, cada detalhe do filme remete à época retratada. Digo mais: ao fim do o filme, vemos várias fotos das pessoas reais ao lado dos personagens – as caracterizações ficaram perfeitas.

O elenco é outro destaque. Ben Affleck deixa o ar de galã e o jeito engraçadinho e assume o papel com seriedade. Alan Arkin e John Goodman não têm grandes papeis, mas a dupla ganhou os melhores diálogos. Bryan Cranston confirma a boa fase da carreira e tem um personagem que parece ter saído dos grandes filmes políticos feitos nos anos 70. Ainda no elenco, Clea DuVall, Victor Garber, Adrienne Barbeau, Titus Welliver, Kerry Bishé e Tate Donovan.

Argo está passando no Festival do Rio, mas com certeza vai entrar em cartaz em breve!

A Little Bit Zombie / Um Pouco Zombie

Crítica – A Little Bit Zombie / Um Pouco Zombie

Comecemos o Festival do Rio!

Às vésperas de seu casamento, Steve é picado por um mosquito e começa a sentir estranhos sintomas: não sente mais seu pulso, rejeita comida normal e passa a ter desejo por cérebros. Steve logo descobre que ele se tornou um zumbi. Mesmo assim, nada fará com que sua noiva Tina desista do casamento.

Ver filmes em festivais é “loteria”. Precisamos de sorte, já que como são filmes muito recentes, temos poucas referências por aí. E muitas vezes criamos uma expectativa errada sobre um filme. Foi o que aconteceu aqui. A página do imdb dava a impressão de que A Little Bit Zombie seria um “trash clássico”, daqueles com muito humor negro e muito gore. Mas não é.

Dirigido por Casey Walker, A Little Bit Zombie (Um Pouco Zombie, na tradução brasileira) não é exatamente ruim. Mas está bem longe de ser um bom filme. O pior problema foi não assumir a vocação trash. Uma trama onde a “zumbificação” é transmitida por um mosquito não pode ser séria. Acredito que A Little Bit Zombie seria melhor se fosse mais escrachado. Do jeito que ficou, parece mais uma comédia leve com ar de sessão da tarde.

Ok, o filme traz algumas boas piadas. Mas são poucas, o humor é bem bobo. E pra piorar, o ritmo é leeento…

As atuações são fracas, mas isso não é nenhuma surpresa. No elenco, só atores poucos conhecidos: Stephen McHattie, Kristopher Turner, Crystal Lowe, Kristen Hager, Emilie Ullerup, Shawn Roberts e Robert Maillet.

A Little Bit Zombie não é ruim, mas é fraco. Espero ter mais sorte nas próximas escolhas.

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Se você gostou de A Little Bit Zombie, o Blog do Heu recomenda:
Chillerama
Evil Dead
Todo Mundo Quase Morto

O Quinto Elemento

Crítica – O Quinto Elemento

(Antes de começar a falar do Festival do Rio, posso falar de um filme que revi outro dia?)

Há tempos heu queria rever este divertido filme de Luc Besson, de 1997. Aproveitei o blu-ray gringo com legendas em português…

Século 23. Uma ameaça maligna se aproxima da Terra. A única esperança é o Quinto Elemento, que vem ao nosso planeta a cada 500 anos para proteger a raça humana, trazido pelos Mondoshawans. Mas o cruel Jean-Baptiste Emanuel Zorg, com a ajuda dos malvados Mangalores, quer atrapalhar a chegada do Quinto Elemento.

O Quinto Elemento (The Fifth Element, no original) é um daqueles felizes casos onde tudo dá certo. Luc Besson, que escreveu a história quando ainda estava na escola, conseguiu um equilíbrio perfeito entre a ficção científica, a ação e a comédia. Aliás, não se trata exatamente de uma comédia, mas o clima de galhofa rola durante toda a projeção – acho que a melhor coisa de O Quinto Elemento é que em momento nenhum o filme se leva a sério. (E isso porque não estou falando da quantidade incontável de referências à saga Guerra nas Estrelas, além de outras grandes produções da ficção científica…)

O visual do filme é impressionante. Os figurinos são de Jean-Paul Gaultier, e boa parte dos cenários e veículos foram desenhados pelos quadrinistas franceses Moebius e Mézières. Os efeitos especiais foram caríssimos, custaram 80 milhões de dólares – o maior orçamento para efeitos da história até então. Na época do lançamento, O Quinto Elemento era o filme mais caro produzido fora de Hollywood – nem tem cara de filme francês!

Luc Besson estava em ascensão – este filme veio depois de Imensidão Azul (1988), Nikita (90) e O Profissional (94). Em seguida ele dirigiria o fraco Joana D’Arc, e depois ficaria um tempo sem dirigir, só produzindo e escrevendo roteiros. Podemos dizer que O Quinto Elemento foi um grande marco em sua carreira.

O elenco é outro destaque. Bruce Willis faz o de sempre, mas faz bem feito; Milla Jovovich, ainda pouco conhecida, está ótima como a maluquinha Leeloominaï Lekatariba Lamina-Tchaï Ekbat De Sebat; Gary Oldman faz um vilão excelente, à beira da caricatura; Chris Tucker está perfeito com sua exageradíssimo mistura de Prince com Lenny Kravitz. Ainda no elenco, Ian Holm, Luke Perry, Brion James e Mathieu Kassovitz.

(Detalhe curioso: a língua falada por Leeloo foi inventada por Besson e praticada entre ele e Milla. Diz a lenda que no fim do filme eles já dialogavam nessa língua…)

Heu já era fã do filme, e depois de rever continuei fã. Recomendado para quem não viu!

Festival do Rio 2012

Festival do Rio 2012

Vai começar mais um Festival do Rio!

Pra quem não conhece: trata-se de um dos maiores festivais de cinema do Brasil (talvez o maior). São centenas de filmes espalhados por vários cinemas cariocas durante duas semanas. Tem filme pra todos os gostos: filme bom, filme ruim, filme famoso, filme obscuro, filme aguardado que decepciona, filme que ninguém ouviu falar que surpreende.

Os filmes são divididos por mostras. Os mais conhecidos estão nas mostras “Expectativa” e “Panorama do Cinema Mundial”, mostras que reúnem filmes que estiveram recentemente em festivais fora do Brasil, ou filmes novos de cineastas conhecidos. Todos os filmes são inéditos, boa parte deles entra no circuito depois.

E existem as mostras com filmes mais obscuros. A mostra Mignight Movies é o “cantinho esquisito” do Festival. Filmes bizarros e estranhos são comuns aqui. Claro que é a minha mostra favorita…

Ano passado, criaram duas subdivisões para a Midnight Movies: a Midnight Música e a Midnight Terror. Este ano apareceu outra subdivisão, a Midnight Surf. Se boa parte dos filmes das mostras principais têm chances de entrar em cartaz, pouca coisa destas mostras vai voltar pras telas!

Ainda tem uma outra mostra interessante: John Carpenter, com 14 filmes do mestre, desde o primeiro underground Dark Star até o último Aterrorizada (nunca lançado aqui no Brasil)

(Além destas mostras, ainda tem a Premiere Brasil, Premiere Latina, Foco Reino Unido, Imagens de Portugal, Mostra Gay, Intinerários Únicos, Geração, DOX, Meio Ambiente, Fronteiras e Alberto Cavalcante. É filme pra dedéu!)

Como são muitos filmes e pouco tempo, o negócio é analisar a programação e arriscar alguma coisa. Pena que quase todos são tiros no escuro. Tem alguns filmes tão novos que ainda não têm nem comentários no imdb!

Ano passado consegui ver muita coisa, vi 24 filmes. Este ano comecei a analisar a programação e já separei 18. Costumo pensar em filmes que não devem passar de novo – se um filme vai ser lançado no circuito, espero pra ver depois.

Ano passado, antes do Festival começar, já tinha visto 6 filmes. Este ano só vi um, o ótimo O Segredo da Cabana, que, se tiver tempo, vou rever na tela grande.

Vou dar algumas dicas aqui. Só aviso que as minhas dicas são chutes! Não tem como saber se o filme vai ser bom…

O Segredo da Cabana – Interessante e inovador terror, que tem cara de slasher clichê mas não é bem isso. Uma das melhores surpresas que vi nos últimos tempos no estilo.

Argo – Thriller hollywoodiano dirigido e estrelado por Ben Affleck, contando a história real de como seis refugiados políticos conseguiram fugir do Irã em 1980 com a ajuda de uma produção hollywoodiana fake.

Selvagens – Oliver Stone tem um elenco estelar num filme sobre drogas: Taylor Kitsch, Blake Lively, Aaron Taylor-Johnson, John Travolta, Benicio Del Toro, Salma Hayek, Emile Hirsch e Demian Bichir.

Nós e Eu – Novo filme de Michael Gondry, o mesmo de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, trazendo alunos de uma escola no ônibus para realizar o último trajeto juntos antes das férias de verão.

Hemingway & Gellhorn – O romance entre Ernest Hemingway e a correspondente de guerra Martha Gellhorn. Dirigido por Philip Kaufman, com Nicole Kidman, Clive Owen, David Strathairn e Rodrigo Santoro.

Magic Mike – Steven Soderbergh dirige um filme sobre strip-tease masculino. Com Channing Tatum, Alex Pettyfer, Olivia Munn e Matthew McConaughey.

Twixt – O novo Francis Ford Coppola. Ok, Tetro, seu último, foi fraco. Mas o cara tem crédito, afinal ele fez Apocalipse Now, Dracula e a trilogia O Poderoso Chefão, dentre outros.

Monty Python – A Autobiografia de um Mentiroso – Uma animação contando a biografia de Graham Chapman, narrada pelo próprio – ele gravou o áudio pouco antes de morrer, em 1989. Tem participação de outros quatro ex-Monty Python.

In the Land of Blood and Honey – Filme dirigido (mas não estrelado) por Angelina Jolie, situado durante a guerra civil na Iugoslávia que arrasou os Bálcãs nos anos 1990. Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro de 2012.

Killer Joe – Um traficante contrata um policial que trabalha como matador de aluguel para matar a própria mãe. Dirigido por William Friedkin, com Matthew McConaughey, Emile Hirsch, Thomas Haden Church e Juno Temple.

Coisa de Criança – Uma menina rebelde de dez anos de idade que passa o seu tempo roubando, vandalizando e se engajando em um comportamento antissocial.

Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre O Iluminado – Teorias em torno de mensagens subliminares escondidas no filme de Kubrick – especulações envolvendo o holocausto, o genocídio de povos indígenas e até conspirações governamentais

Turistas – Uma típica viagem de namorados vai ganhando contornos bizarros à medida que o casal vai se envolvendo em acontecimentos estranhos e violentos.

Comic-Con Episode IV: A Fan’s Hope – Documentário sobre a Comic-Con, em San Diego, a maior convenção de quadrinhos e cultura geek do mundo. Participações de Stan Lee, Josh Whedon, Seth Rogen, Kevin Smith, entre outros.

O Livro do Apocalipse – Filme coreano em três episódios que tematizam possíveis fins da humanidade: vírus que transformam pessoas em zumbis, um robô que alcança a iluminação espiritual e a chegada de um meteoro.

A Quinta Estação – No interior da Bélgica, quando a tradicional fogueira que anuncia o fim do inverno falha, a primavera não chega. Condenada a um inverno sem fim, a cidade aos poucos mergulha em estado de calamidade.

Maníaco – Elijah Wood interpreta um homem que restaura manequins, colocando neles o couro cabeludo que ele próprio escalpela de mulheres reais. Roteiro de Alexandre Aja, direção de Franck Khalfoun.

Os Erros do Corpo Humano – Um cientista canadense chega à Alemanha para trabalhar numa controversa pesquisa genética. Mas descobre que os outros pesquisadores fazem parte de uma conspiração com objetivode criar um vírus devastador.

Possessão – Uma adolescente compra uma antiga caixa de madeira e acidentalmente libera um dibbuk, um antigo espírito maligno, que agora habita o corpo da garota.

Juego de Niños – Um casal resolve fazer uma romântica viagem a uma ilha. Mas descobrem que apenas crianças circulam por lá, e algo está errado. Refilmagem mexicana do elogiado espanhol ¿Quién puede matar a un niño?, de 1976.

Thale – Terror norueguês sobre uma Huldra: um ser da mitologia escandinava que tem a aparência de uma linda mulher nua, com um rabo de vaca, que pode se vingar com poderes sobrenaturais se o meio em que vive é desrespeitado.

Ahí va el diablo – Terror argentino. Durante uma viagem, duas crianças desaparecem. No dia seguinte as duas retornam, mas passam a se comportar de maneira estranha.

O Clube do Vamos Fazer a Professora Abortar – Um filme japonês com esse título já é o suficiente pra me tirar de casa!

Um Pouco Zombie – Um vírus transforma um homem em zumbi às vesperas do seu casamento. Mas a noiva não quer estragar a festa e faz de tudo para manter a situação normal.

John Carpenter – São 14 filmes dele. Recomendo quase todos (talvez heu deixasse de fora Memórias de um Homem Invisível e Fuga de Los Angeles). O problema é tempo. Mas as minhas recomendações seriam os clássicos como O Enigma de Outro Mundo, Fuga de Nova York, Christine – O Carro Assassino,ou Eles Vivem. Ou o recente Aterrorizada, que nunca foi lançado aqui. Ou o ultra-underground Dark Star, seu projeto de fim de faculdade que só chegou aqui no Brasil em vhs…

A partir de amanhã, começo a comentar os filmes aqui…