Deixe-me Entrar

Deixe-me Entrar

Ninguém pediu, mas em breve entra em cartaz a refilmagem americana do ótimo filme de terror adolescente sueco Deixe Ela Entrar.

A história é a mesma: Owen é um menino de 12 anos, com problemas com os valentões da escola, e que começa a se envolver com a menina que se mudou para o apartamento ao lado, sem saber que ela é uma vampira.

Confesso que heu tinha sentimentos opostos sobre este filme antes de vê-lo. Por um lado, heu queria muito rever a atriz mirim Chloe Moretz, que fez a Hit Girl em Kick-Ass. Mas, por outro lado, sempre me pergunto: pra que refilmar? Além do mais sabendo que a direção coube ao quase novato Matt Reeves, que até agora só tinha feito um filme para o cinema, o maomeno Cloverfield.

Como é uma refilmagem, e de um filme recente, a comparação é inevitável. Além do mais porque a ambientação fria foi mantida. Ambientação fria nos cenários – é neve pra tudo quanto é canto – e também nas relações entre as pessoas. E, na comparação, o filme americano perde. Não por ser ruim, mas por ser quase uma xerox.

A nova versão tem seus méritos. Por exemplo, gostei da cena do acidente de carro, com a câmera dentro do carro. Os ataques da menina também são interessantes. Mas o próprio filme mostra que isso era desnecessário, já que o melhor ataque é a recriação da cena da piscina, onde não vemos nada, provando que o que não é mostrado às vezes funciona melhor…

E o resto é igualzinho. Tirando um detalhe aqui, outro ali, é o mesmo filme, só que com atores americanos.

No elenco, Chloe Moretz está bem, mas sua atuação não “vale o ingresso” como acontece em Kick-Ass. O garoto esquisito Kodi Smit-McPhee funciona ok, mas me parece que funciona porque ele tem cara de esquisito mesmo, não necessariamente por ser bom ator ou não. Completam o elenco Richard Jenkins e Elias Koteas.

Resumindo, não é ruim. Mas, na comparação, perde. Por isso, prefira o original!

Spartacus – Gods of The Arena

Spartacus – Gods of The Arena

Terminada a boa primeira temporada de Spartacus – Blood And Sand, os realizadores tinham dois problemas sérios para uma segunda temporada. Um era a doença de Andy Whitfield, logo o protagonista, que foi diagnosticado de câncer e no momento passa por um tratamento que o impede de trabalhar. O outro é que o manipulador e egocêntrico Batiatus, um dos melhores personagens coadjuvantes, morreu no último capítulo.

Uma única solução pros dois problemas: Spartacus – Gods of The Arena é um prequel, contando eventos anteriores à primeira temporada, mostrando como Batiatus conseguiu o status que apresenta na série original.

Batiatus (John Hannah) já é dono de um ludus, local de treinamento de escravos gladiadores, herdado de seu pai; e já está casado com Lucretia (Lucy Lawless). Mas ainda aspira um local de prestígio nas lutas – seus gladiadores não têm espaço no horário nobre da arena.

Os fãs de Spartacus – Blood And Sand não vão se decepcionar com este Spartacus – Gods of The Arena. Sexo, nudez, sangue e violência, temos tudo, em quantidades abundantes. Fico imaginando um seriado desses passando na tv Globo, seria tão cortado que seus episódios de 50 min teriam tamanho de sitcom – vinte e poucos minutos!

Além de Batiatus e Lucretia, temos de volta alguns personagens. Oenomaus está menos sisudo, ainda não é doctore (uma espécie de gerente do ludus), ainda é um gladiador. Crixus pouco aparece, acabou de chegar ao ludus, e se juntou a outro “calouro”, Ashur, também com pequena participação. Barca aparece menos ainda –  certamente ainda veremos os três muitas vezes.

Os novos personagens também são muito bons. O gladiador Gannicus (Dustin Clare) é ótimo – sua primeira luta é muito boa, sua segunda luta é melhor ainda! Jaime Murray continua com a tradição de mulheres bonitas e com pouca roupa, interpretando Gaia, amiga de Lucretia. E, pela escolha de Temuera Morrison (o Jango Fett em Star Wars – ep II) como o atual doctore, acredito que o seu papel deva ter mais importância no futuro.

John Hannah faz um Batiatus sensacional. Lembro dele em um papel meio bobão, o alívio cômico de A Múmia. Nunca imaginei que ele fosse capaz de um personagem assim, capaz de tomar o papel principal de uma série para ele!

O primeiro episódio termina com um ótimo gancho. Agora aguardamos o resto da temporada. Que seja tão boa quanto o seu promissor início!

13Hrs

13Hrs

Sarah Tyler visita a família do seu padrasto, num casarão isolado em algum lugar na Inglaterra. Uma tempestade deixa a casa sem luz. E uma misteriosa criatura aparece na casa e ataca Sarah, seus irmãos e amigos.

Filme de terror de baixo orçamento, daqueles simples e eficientes. Ok, a história não traz nenhuma novidade – grupo de jovens é encurralado por violenta e misteriosa criatura – mas pelo menos é bem feito e consegue manter a tensão. E digo mais: gostei da solução apresentada no fim!

Os efeitos especiais são bons, a criatura aparece muito pouco, temos uma interessante câmera subjetiva distorcida com a sua visão. Me parece que não foram usados nenhum cgi, parece ser tudo com a boa e velha maquiagem aliada aos truques de câmera.

Sobre o elenco, tem um nome que já vimos várias vezes mas nem sempre guardamos o nome: o garoto de gorro é Tom Felton, o Draco Malfoy da série Harry Potter. E quem acompanha o blog, vai reconhecer Gemma Atkinson, de Boogie Woogie. De resto, ninguém conhecido.

Enfim, nada essencial. Mas uma boa opção para passar uma hora e meia.

Só fica uma pergunta: por que 13 horas?

Top 10: Melhores Filmes da Década de 00

Top 10: Melhores Filmes da Década de 00

Com algumas semanas de atraso, eis o meu top 10 com os melhores filmes da década que acabou de acabar!

No fim de 2009, apareceram pela internet várias listas de melhores filmes da década. Mas, caramba, a década ainda não tinha acabado! Nossa contagem não teve ano zero, a primeira década foi do ano um ao ano dez. E assim sucessivamente, até os dias de hoje. Assim como a virada do milênio aconteceu entre 2000 e 2001, a última década foi entre 2001 e 2010!

(É uma pena que 2000 não possa entrar no Top 10. Quase Famosos, um dos meus filmes favoritos, é deste ano…)

Penso neste Top 10 desde o fim do ano passado, a ideia era publicá-lo no fim do ano, junto com o Top 10 de melhores de 2010. Mas me esqueci… Falha grave!!!

Agora vamos à lista. Para criar uma lista de apenas dez filmes em um universo tão grande (dez anos!), pensei em uma regra: não repetir diretores. Por melhores que sejam dois filmes do mesmo diretor, só um entra na lista. Por isso, Machete, o melhor de 2010, não está aqui, deu lugar a Sin City. (Usando o mesmo raciocínio, só escolhi um filme da Pixar.)

Lembrando, sempre, dos vários Top 10 já feitos aqui no blog: filmes de zumbi, filmes com nomes esquisitos, filmes sem sentido, personagens nerds, estilos dos anos 80, melhores vômitos, melhores cenas depois dos créditos, melhores finais surpreendentes, melhores cenas de massacre, filmes dos ano 80 e 90 nunca lançados em dvd no Brasil, estilos de filmes ruins, casais que não convencem, musicais para quem não curte musicais, melhores frases de filmes, melhores momentos de Lost, maiores mistérios de Lost, piores sequencias, melhores filmes de rock, melhores filmes de sonhos, melhores filmes com baratas, filmes com elencos legais, melhores ruivas, melhores filmes baseados em HP Lovecraft, filmes que vi em festivais e mais ninguém ouviu falar, Atores Parecidos, Atrizes Parecidas, filmes de lobisomem, melhores trilogias, filmes de natal, melhores filmes de 2010 e coisas que detesto nos dvds Visitem!

p.s.: Gosto dos filmes do Harry Potter, mas eles não estão no Top 10. Mas gostei desta imagem, e precisava de uma imagem que simbolizasse a passagem de tempo…

Em ordem cronológica…

O Senhor dos Anéis (2001 / 02 / 03)

Vou contar a trilogia como um filme só, ok? Afinal, Peter Jackson fez os três de uma vez só, e não tem sentido ver algum deles separado dos outros. A excelente adaptação da obra de Tolkien foi um grande sucesso de bilheteria e ganhou diversos prêmios.

Cidade de Deus (2002)

Um filme nacional que está em 18º lugar no Top 250 do imdb? Não é pouca coisa, né? Violento e muito bem feito, o longa de Fernando Meirelles mostrou que o cinema brasileiro tem jeito!

Kill Bill (2003 / 04)

Outro que considerarei como um filme só. A saga de vingança dirigida por Quentin Tarantino e estrelada por Uma Thurman teve vários momentos geniais ao longo de seus dois episódios.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)

Este filme de Michel Gondry tem um dos melhores roteiros que já apareceu em Hollywood nos últimos anos. E também uma das mais belas histórias de amor contadas por Hollywood. Efeitos especiais geniais e, de quebra, a melhor atuação da carreira de Jim Carrey.

http://blogdoheu.wordpress.com/2009/07/21/brilho-eterno-de-uma-mente-sem-lembrancas/

Sin City (2005)

Robert Rodriguez chamou Frank Miller e juntos criaram um novo conceito de adaptação de quadrinhos para o cinema – os quadrinhos estão na tela, literalmente! Muita violência e um grande elenco num filme com um visual poucas vezes visto.

O Labirinto do Fauno (2006)

Guillermo Del Toro é um cara de raro talento, que consegue transitar entre o cinema pop hollywoodiano em filmes como os dois Hellboy, e produções não americanas menos comerciais como esta mistura de terror com fantasia passada na Espanha em 1944.

Borat (2006)

Documentário fake com humor escrachado (muitas vezes de mau gosto) e politicamente incorreto. O humorista Sacha Baron Cohen conseguiu cutucar as feridas certas, e fez um filme engraçado como poucos – acho que foi a vez que ri mais no cinema na última década!

REC (2007)

O conceito de filme com câmera subjetiva ja existia. Mas nunca antes  havia aparecido um filme tão assustador assim usando esse conceito! Esta modesta produção espanhola funcionou tão bem que já foi refilmada por Hollywood, já teve uma boa continuação e tem mais duas previstas.

http://blogdoheu.wordpress.com/2008/10/06/rec/

Wall-E (2008)

O estúdio de animação Pixar é genial. Numa lista de melhores com espaço para mais títulos, não seria errado colocar vários desenhos da Pixar. Mas, como falei na regra lá em cima, aqui só cabe um. Então escolhi Wall-E, não só um dos melhores desenhos da Pixar, como também um dos melhores desenhos da história do cinema.

Tropa de Elite 2 (2010)

O primeiro Tropa de Elite já foi muito bom, um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Aí veio a continuação, ainda melhor que o original. E já bateu o recorde: é o filme nacional mais visto da história. Sim, o cinema brasileiro tem jeito!

http://blogdoheu.wordpress.com/2010/10/10/tropa-de-elite-2-o-inimigo-agora-e-outro/

Será que ainda dá tempo de um Top 10 de melhores filmes fantásticos da década?

Die

Die

Seis pessoas, desconhecidas entre si, todas com tentativas de suicídio no passado, acordam em uma espécie de cadeia, sem saber por que, onde são submetidas a testes, que podem levar a mortes semelhantes a que teriam se tivessem conseguido o suicídio. Um misterioso homem comanda os testes, sempre usando dados para decidir o destino.

A ideia inicial era promissora. Uma espécie de mistura de Jogos Mortais com O Método. Mas a execução deixou a desejar.

Pra começar, o roteiro é extremamente burocrático e previsível. E, pra piorar, a parte final do filme não só não não faz o menor sentido como o roteiro ainda é cheio de furos – por exemplo: por que os suicidas têm marcas de cigarros nos pulsos? Ou, se Sophia estava suspensa da polícia, como é que ela conseguiu tantos policiais para a batida no esconderijo do vilão?

Ah, o vilão! Que vilão fraco! Se Die quer ser um novo Jogos Mortais, tem que melhorar de vilão, porque o Jigsaw é um bom vilão!

Pra piorar, se a ideia é ser um novo Jogos Mortais, cadê o gore? Todas as (poucas) mortes são “limpinhas”!

No elenco, o único nome conhecido é Elias Koteas. Dá pena dele, ele já fez coisa muito melhor…

Enfim, completamente dispensável.

Cidade das Sombras

Cidade das Sombras

Estou aproveitando a fraca safra de séries para rever filmes legais. O da semana foi este Cidade das Sombras (Dark City), interessante ficção científica de 1998.

John Murdoch acorda em um quarto de hotel com amnésia, e descobre que é suspeito de uma série de assassinatos. Enquanto tenta juntar as peças para entender a sua situação, descobre que a cidade é controlada por um grupo de seres chamados Os Estranhos, que têm o poder de alterar tanto a arquitetura da cidade como o comportamento de seus habitantes.

Um cara acorda e descobre que está num mundo diferente, controlado por pessoas diferentes – parece Matrix, né? Mas Cidade das Sombras foi feito um ano antes!

Matrix é mais famoso, e seus efeitos especiais foram um marco em Hollywood. Os efeitos de Cidade das Sombras não foram revolucionários, mas também são impressionantes, com seus cenários que mudam de forma sob os nossos olhares.

Escrito e dirigido por Alex Proyas, que pouco antes fizera O Corvo, e recentemente fez o interessante Presságio, Cidade das Sombras tem um visual impressionante até hoje, treze anos depois. A “cidade escura” é repleta de elementos góticos e está sempre à noite, o que proporciona uma bela fotografia.

O elenco traz algumas curiosidades. O protagonista, Rufus Sewell, é menos conhecido que os três coadjuvantes, Jennifer Connelly, Kiefer Sutherland e William Hurt. E o ator Richar O’Brien, o Mr. Hand, é o autor do musical The Rocky Horror Picture Show. Mais uma: é o filme de estreia de Melissa George, que faz a prostituta início do filme.

Agora preciso rever 13º Andar, outro “precursor” de Matrix – e depois, rever Matrix, claro…

Filme essencial para a cinemateca fantástica dos anos 90!

O Som do Coração

O Som do Coração

Nem dei bola pra este O Som do Coração (August Rush) quando foi lançado, em 2007. Mas a garotinha ruiva sugeriu, a gente viu, e agora vai pro blog.

O garoto Evan (Freddie Highmore), criado em um orfanato, tem um apurado mas ainda não desenvolvido dom musical. Ele quer criar uma música que traga de volta seus pais, os também músicos Lyla e Louis. Detalhe: nenhum dos dois sabe que Evan está vivo. Evan foge para Nova York, onde vira um prodígio musical.

Podemos ver O Som do Coração sob dois ângulos. Por um lado, é uma bela e emocionante história sobre encontros e desencontros; por outro lado, o roteiro é tão óbvio que dá nervoso!

Toda a trama é extremamente previsível. Dá até raiva. A gente consegue adivinhar cada passo do roteiro muito antes de acontecer. Isso atrapalha, e muito! Clichês seguidos de clichês…

O que salva é a parte musical do filme. Gostei muito de como o filme mostra o modo como Evan / August vê a música em volta dele, e também das diferentes cenas com a música clássica de Lyla misturada ao rock pop de Louis – frases do violoncelo dela entram nas melodias da banda dele em uma perfeita mixagem. E isso porque não falei da original técnica de violão de August!

(Só não deu pra engolir o moleque escrevendo partituras do nada. Que a música seja algo natural, ok. Mas para escrever na pauta precisa estudar um pouco – justamente para saber como é a “linguagem escrita” da música!)

No elenco, o nome a ser mencionado é Freddie Highmore, que confirma aqui o seu talento já demonstrado em vários outros filmes infanto juvenis, como A Fantástica Fábrica de Chocolates, As Crônicas de Spiderwick e Arthur e os Minimoys. O garoto vai longe! Ainda no elenco, Kerri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, Robin Williams e William Sadler.

Veja pela parte musical, e abstraia o roteiro ruim!

127 Horas

127 Horas

O filme novo do Danny Boyle, depois do Oscar de melhor diretor de 2009!

127 Horas é baseado na história real de Aron Ralston, montanhista que caiu numa fenda em um cânion e ficou com o braço preso debaixo de uma enorme pedra. Depois de cinco dias sozinho, sem ter como chamar ajuda, ele teve que decidir sobre medidas extremas para conseguir escapar.

Quem só conhece Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário? talvez estranhe esta nova empreitada, principalmente porque rola uma angustiante e polêmica cena MUITO forte. Mas quem conhece o seu trabalho anterior, sabe que está tudo coerente com a obra do diretor de Cova Rasa e Extermínio.

Acho importante falar do apuro visual dos filmes de Boyle. O argumento de 127 Horas é curtinho – como fazer um longa-metragem com uma história tão curta? O filme é repleto de delírios visuais tirados da imaginação de Aron. E Boyle faz um belo espetáculo visual, inclusive dividindo a tela em três várias vezes ao longo do filme. Isso tornou o filme muito interessante, e em momento nenhum cansativo.

Também precisamos falar de James Franco, praticamente o único ator que aparece na tela. Ele consegue passar toda a credibilidade necessária, alternando momentos de alegria, tristeza, angústia, desespero e quase loucura. O filme tem mais atores, não é espartano como Enterrado Vivo, onde só vemos um único ator em um único cenário. Mas os outros atores têm muito pouca importância – nem consegui achar a Lizzy Caplan, de True Blood!

Voltando à cena polêmica que falei lá em cima, quero fazer um comentário, mas preciso dos avisos de spoiler antes!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Pra quem não ainda não sabe: Aron amputa o próprio braço para conseguir sair. Ele sabia que não conseguiria cortar os ossos do braço com aquele canivete cego. Então, aproveitou que o braço estava imobilizado para quebrá-lo duas vezes, uma fratura em cada osso, para depois cortar a carne com o canivete. Olha, espero que nunca tenha que passar por algo assim, mas… será que  não ia ser menos doloroso cortar o braço na articulação, perto do cotovelo? Não entendo nada de medicina, mas a cena da fratura de cada osso também é angustiante!

FIM DOS SPOILERS!

O ritmo do filme cai no terço final, temos muitas alucinações, parece que não tinha mais história pra contar, então é só enrolação. Mas em compensação, o fim do filme é catártico, emocionante, com trilha sonora bem escolhida – e aparece até próprio Aron Ralston atualmente.

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Aproveitei o domingo sem filhos em casa (filha na casa da mãe, filho passeando com os avós) pra fazer algo que heu me prometia há tempos: rever Blade Runner – O Caçador de Andróides, clássico de Ridley Scott. Mais de uma versão!

Los Angeles, novembro de 2019. Rick Deckard é um Blade Runner, um policial especialista em “aposentar” replicantes – perfeitos andróides usados para trabalho braçais em outros planetas. Quando seis replicantes fogem para a Terra, Deckard é chamado para encontrá-los.

Foi lançado aqui no Brasil um dvd triplo com QUATRO diferentes versões do filme, além de um monte de extras. Pesquisei na internet, na verdade, não precisava de tanta. Duas são do ano original de 1982, quase idênticas, a única diferença é que a “versão de cinema” tem algumas cenas violentas censuradas (por exemplo, a morte de Tyrell; ou o prego atravessando a mão de Roy), enquanto a “versão internacional” está completa. Já a “versão final”, de 2007, é quase igual à “versão do diretor”, de 1992, teve uma cena refilmada e a imagem remasterizada. Resumindo: um dvd com duas versões (a “internacional de 82” e a “final de 07”) seria suficiente…

(Heu particularmente não curto esse negócio de versões diferentes do mesmo filme. Um filme é uma obra pronta, finalizada, não precisa ser refeito – principalmente quando estamos falando de uma obra prima, um dos melhores filmes da década de 80. Mas parece que Ridley Scott gosta de novas versões, li na internet sobre uma nova versão de Alien…)

Voltando ao filme…

Blade Runner foi inspirado no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep”, de Philip K. Dick, escritor de ficção científica que escreveu obras que geraram alguns filmes legais, como O Vingador do Futuro, Minority Report, O Pagamento, O Homem Duplo e O Vidente. Blade Runner foi o primeiro longa metragem baseado em K. Dick, e, na minha humilde opinião, um dos dois melhores (ao lado de O Vingador do Futuro).

O conceito do futuro criado por K. Dick e por Ridley Scott é muito interessante. Tudo escuro, muita sujeira, muita poluição visual. Chove o tempo todo, e as pessoas usam pesados casacos. Várias propagandas convidam as pessoas para uma vida melhor fora do planeta. É, muito antes de “aquecimento global” entrar na moda, Blade Runner já falava disso…

O visual do filme é fantástico. Parece que Ridley Scott tratou cada cena, cada plano, cada ângulo, para ter uma imagem visualmente bonita. Muito contra-luz, muita fumaça, muito neon, muita água. Fotogramas do filme fariam uma bela exposição de fotografias.

(Aliás, detalhe curioso: os cenários são cheios de propagandas publicitárias. Logomarcas famosas como Coca Cola e Budweiser dividem espaço com marcas falidas, como Pan Am; e marcas ligadas diretamente aos anos 80, como Atari e TDK…)

É curioso falar sobre o elenco do filme quase trinta anos depois. Harrison Ford, o protagonista Rick Deckard, era “o cara” na época, ele era o Han Solo de Guerra nas Estrelas e o Indiana Jones de Caçadores da Arca Perdida! E ele está aí até hoje. Falem o que quiser das suas habilidades como ator, mas o star power do cara é inegável. O grande vilão Roy foi interpretado por Rutger Hauer, recém chegado da Holanda, também estava com a carreira em alta na época – curiosamente, se especializou em filmes vagabundos dez anos depois. Outra que sumiu foi Sean Young, que fez Rachael, a protagonista feminina – não tenho nada contra ela, mas acho que outra atriz melhor poderia ter o papel. Daryl Hannah, a replicante Pris, era feinha, ela melhorou nos anos seguintes. E é curioso ver Edward James Olmos, o almirante Adama de BSG, parecendo um oriental de lentes de contato claras. Ainda no elenco, M. Emmet Walsh, William Sanderson, Brion James e Joanna Cassidy.

Outro ponto alto do filme é a inspirada trilha sonora do tecladista grego Vangelis. As músicas são muito boas, até hoje ouço o cd com os temas. Curiosidade: na época, Vangelis não liberou os fonogramas para o disco da trilha sonora. As músicas foram então regravadas por uma orquestra. Os fonogramas originais só foram disponibilizados anos depois.

Agora vou falar sobre as diferentes versões. Li na internet que a cena da morte de Zhora, a replicante que atravessa várias vitrines, foi refilmada. Olha, sinceramente, não vi necessidade. A suposta cena refilmada é tão igual à original que não descobri o que mudou! A não ser que o meu dvd não tenha esta cena refilmada…

Sendo assim, repito o que disse lá no começo: só duas versões valem ser vistas. E digo mais: as diferenças entre ambos não são tão grandes como nos fazem acreditar. Sinceramente, acho que não precisava de mais de uma versão…

Blade Runner é um filme tão bom, e tão importante pra história do cinema, que heu poderia continuar falando dele aqui. Mas chega, o post tá ficando grande demais. Terminarei com uma história pessoal minha envolvendo este filme:

Quando Blade Runner passou, não me lembro se era censura 16 anos ou 18 anos. Mas lembro que heu não tinha idade para ver – nasci em 71, o filme é de 82. Ou seja, não vi na época, mas ouvi falar muito. Principalmente porque heu já era fã de Guerra nas Estrelas e de ficção científica. Então, na minha cabeça, Blade Runner deveria ser mais uma ficção científica de naves espaciais, perseguições intergaláticas e tiros com armas laser, com o mesmo ator que fez o Han Solo. Consegui finalmente ver o filme numa reprise na segunda metade dos anos 80, e… achei uma porcaria! Que filme chato! Que filme ruim! Aí, anos depois, resolvi dar uma segunda chance ao filme, já despido de pré-concepções, e consegui ver o filme que toda a crítica idolatrava… Concluindo: nunca crie expectativas sobre um filme antes de assistí-lo!

Top 10: Coisas que detesto nos dvds

Top 10: Coisas que detesto nos dvds

Hoje o post será diferente. Em vez de falar de filmes, vou falar do meio que usamos para vê-los – o dvd!

Há tempos perdi a conta de quantos dvds tenho em casa. Com certeza são mais de mil. E, com o meu convívio quase diário com os disquinhos, resolvi anotar algumas coisinhas que me irritam neles.

Mas, antes de falar mal do dvd, quero avisar que não sou saudosista e não sinto falta do meu videocassete. Algumas características do vhs são melhores do que o dvd, mas é inegável a melhoria que o dvd trouxe para o cinéfilo colecionador de filmes.

Alguns podem argumentar que, depois do blu-ray, falar de dvd também é saudosismo, mas acho que os problemas citados na lista também acompanham os disquinhos de caixa azul.

(Tem outra coisa, mas é assunto pra outro texto e em outro tipo de blog. A mudança entre o dvd e o bd não foi tão radical como entre o vhs e o dvd. O bd é a evolução natural do dvd, que era algo completamente diferente do vhs. Se alguém perguntar pra mim qual foi a grande revolução da virada do século, direi que foi a digitalização do mundo. Antes, textos, imagens, sons e vídeos tinham formas diferentes de interagir com o mundo; hoje é tudo digital, tudo se resume a uma sequência binária. Mas, como falei, isso é assunto pra outro tipo de blog – aqui só falamos de cinema!).

Lembrando, claro, dos vários Top 10 já feitos aqui no blog: filmes de zumbi, filmes com nomes esquisitos, filmes sem sentido, personagens nerds, estilos dos anos 80, melhores vômitos, melhores cenas depois dos créditos, melhores finais surpreendentes, melhores cenas de massacre, filmes dos ano 80 e 90 nunca lançados em dvd no Brasil, estilos de filmes ruins, casais que não convencem, musicais para quem não curte musicais, melhores frases de filmes, melhores momentos de Lost, maiores mistérios de Lost, piores sequencias, melhores filmes de rock, melhores filmes de sonhos, melhores filmes com baratas, filmes com elencos legais, melhores ruivas, melhores filmes baseados em HP Lovecraft, filmes que vi em festivais e mais ninguém ouviu falar, Atores Parecidos, Atrizes Parecidas, filmes de lobisomem, melhores trilogias, filmes de natal e melhores filmes de 2010. Visitem!

Vamos às coisas que odeio nos dvds?

p.s.: Hoje não colocarei imagens divertidas antes de cada item, não conseguirei tantas imagens representativas!

p.s.2: Tem uma outra coisa que me incomoda, mas é tão específica que não sei se merece entrar em um Top 10. Na série de dvds “Bebê Mais”, para bebês (dããã), quando você clica “menu”, vai para uma propaganda dos dvds da série, que dura quase um minuto e termina no menu. Acho isso desonesto, quando clico menu, quero ir para o menu, e não ouvir “descubra a magia do…” AAAARRGHHH!!! Mas, como falei, isso é específico, quase ninguém conhece esses dvds…

10- Dvds em capas de papel

Ok, aqui no Brasil, são poucos os dvds com capinhas de papel, nos EUA são mais comuns, tenho vários dvds americanos em capas de papel. Aqui são poucos, mas existem, o meu Corpos Ardentes e o meu Blade são assim.
Por que não a capinha convencional, protegida por plástico?

9- Menu Animado

A primeira vez que vi um menu animado, achei o máximo! Legal! Ok, isso foi a primeira vez. A segunda já não foi mais legal. O que pensar sobre as outras milhares de vezes?
E quando queremos logo ir para o menu, mas temos que esperar a animação acabar?

8- Não poder deixar o filme “no ponto”

Uma vantagem que o vhs trazia era deixar um filme “no ponto”. Você está vendo um filme, tem que parar por algum motivo qualquer, só vai voltar no dia seguinte, o filme está lá parado, te esperando. Ou então pegou uma cena muito legal que quer mostrar a alguém, leva a fita até a casa da pessoa, coloca no videocassete, e não precisa ficar carregando e procurando.
Nunca mais… Agora é sempre “carregar” e depois procurar no menu…

7- Trailer vendido como extra

Gosto de ver trailers. Mas eles são propagandas de outros filmes da mesma distribuidora. Não são extras!

6- Versões com extras diferentes

Você gosta de um filme, e compra o dvd. Passa um tempo, e aparece outra versão, com outros extras. Ora, diabos! Deveria haver um recall em casos assim!

5- Risca muito fácil

Vhs amassava. Mas é muito mais fácil um dvd riscar do que um vhs amassar! Quem tem filhos sabe o que é isso!
E tem um agravante: é mais fácil arranhar perto da beirada, o que vai te deixar ver quase todo o filme, mas vai travar perto do fim…

4- Não poder trocar idioma e legendas com o filme rolando

Fui rever Blade Runner. Coloquei o disco, começou o filme – entrou direto a versão dublada. Nada contra os meus amigos que trabalham com dublagem, mas… certos filmes merecem o áudio original. Apertei o botão pelo controle remoto, e apareceu a mensagem “opção inválida”. Tem que parar o filme e ir até o menu, selecionar idiomas, escolher “inglês”. Aí volta automaticamente para o menu, e você tem que ir, de novo, até o menu, selecionar idiomas, escolher a legenda.
Isso só acontece com alguns discos. Mas não era mais fácil direto pelo controle remoto, como a grande maioria dos dvds por aí?

3- Dvds que entram direto nos trailers

Este é um caso muito, muito, muito chato. Seria o número 1 das coisas odiáveis em dvds se fosse mais frequente, mas, felizmente, acontece pouco.
Conhece o filme Apenas Uma Vez? Coloque o dvd. Você é forçado a ver as mensagens sobre direitos autorais e a logomarca da companhia. Até aí, que saco, mas, fazer o que, todos os dvds são assim. Logo depois, começa oprimeiro trailer. Epa, não quero ver, quero ir para o menu. Aperto “menu”, e aparece a mensagem “opção inválida”. Aperto “próximo”, aparece a mesma mensagem “opção inválida”. A única opção é colocar o trailer em alta velocidade, porque você é obrigado a ver o trailer antes de ver o filme.
Cronometrei: seis minutos e vinte segundos de espera para chegar no menu. Impressionante a incompetência da pessoa responsável por isso!

2- Região

Tenho muitos dvds importados. Meus. Originais. Comprados legalmente. Mas não posso assisti-los, porque inventaram uma regra estúpida que diz que, num mundo globalizado, você não pode assistir um dvd importado.
Acho que o “gênio” que teve essa “brilhante ideia” achou que isso ia ajudar na briga contra a pirataria. Mas, vem cá, o dvd player toca dvd pirata! Não posso ver o meu dvd original, comprado legalmente, mas posso ver uma cópia pirata dele, baixada na internet. Realmente, ideia de “gênio”!
(E, para comprovar que o blu-ray é uma evolução do dvd, o novo disco também traz essas malditas regiões!)

1- Não poder pular os avisos e as logomarcas

Imagine que você comprou um cd que, sempre que coloca no cd player, você é obrigado a ouvir uma mensagem dizendo que o cd é protegido por lei? Ou então, você compra uma revista ou livro que, toda vez que fecha, quando vai abrir de novo tem um mecanismo que sempre abre numa página explicando que a obra está protegida por leis?
Por que diabos temos que ler o aviso TODAS AS VEZES que colocamos o disco no player???
Detalhe: o aviso só rola em dvds originais, aquele piratão que o camelô vende na esquina não tem aviso nenhum. E aí é que tá a ironia da parada: quem compra dvd original é bombardeado por avisos que deveriam ser pra quem pega o piratão; e quem vê o pirata nunca vai ler aviso nenhum!
Mas, ok, vamos entender o lado dos caras, eles precisam nos mostrar que tudo é protegido. Tá, aceito. Mas, por que preciso ver a logomarca animada da distribuidora??? O que eles querem provar, forçando goela abaixo uma logo completamente desnecessária??? Você já comprou a porcaria do dvd, você já deu o seu dinheiro para eles, porque você é forçado a assistir a uma propaganda???

Ok, foi um Top 10 mal humorado. O bom humor volta no próximo!