Venom: Tempo de Carnificina

Crítica – Venom: Tempo de Carnificina

Sinopse (imdb): Eddie Brock tenta reacender sua carreira entrevistando o assassino serial Cletus Kasady, que se torna o hospedeiro do simbionte Carnage e escapa da prisão após uma execução fracassada.

Preciso começar avisando que achei bem ruim o primeiro Venom, de 2018. Mas filme de universo de super heróis tem que entrar aqui, né? Então vambora.

O primeiro filme foi ruim, então a expectativa agora era bem baixa. Mas, pelo menos pra mim, sabe o que piorou o segundo filme? Foi o Esquadrão Suicida. Porque a gente tem que lembrar que o Venom originalmente é um vilão, então um problema que a produção tem é como fazer um filme “limpinho” onde o personagem título é um vilão que come cérebros humanos. Aí a gente vê um filme sem violência, sem mortes e sem sangue, e lembra que Esquadrão Suicida tem violência, tem mortes, tem sangue, e tem humor negro. Fica difícil aceitar um conceito de um vilão-herói em um filme feito pra crianças.

O King Shark / Nanauê é o Venom que deu certo! Pensa só, ele um grandalhão que mata e come pessoas, e que solta várias piadas durante o filme. O Venom só diz que quer matar, mas não mata ninguém; e passa o filme inteiro tentando fazer piadas, mas todas são sem graça! Tem uma cena do Venom cozinhando que parecia sessão da tarde!

Dirigido por Andy Serkis, mais conhecido como “o cara” da captura de movimento – ele era o Gollum e o Caesar (Planeta dos Macacos), Venom: Tempo de Carnificina tem uma história besta, personagens bobos, e um antagonista mal construído – Woody Harrelson está caricato demais, e o roteiro pouco aproveita do passado do seu personagem.

O resultado final é esse. Um filme bobo e desnecessário. Mas que, como tem boa bilheteria, vão continuar fazendo mais.

Ah, tem uma cena pós créditos bem importante pro futuro da franquia. Mais não digo porque não quero falar spoilers.

Prisoners of the Ghostland

Crítica – Prisoners of the Ghostland

Sinopse (imdb): Um criminoso deve quebrar uma maldição para resgatar uma menina raptada que desapareceu misteriosamente.

Pensa num filme maluco. Provavelmente não vai ser tão maluco quanto este Prisoners of the Ghostland!

Nicolas Cage tem feito muitos filmes – segundo o imdb, já foram 11 de 2019 pra cá. Boa parte desses filmes tem qualidade duvidosa, mas a gente consegue pinçar alguns bons títulos, como A Cor que Caiu do Espaço (2019) e Pig (2021). Mas, tem filmes como a bomba Jiu Jitsu. Então, o que fez Prisoners of the Ghostland entrar no meu radar? Vi que o diretor era Sion Sono, aí lembrei do meme do Leonardo Di Caprio – “you had my curiosity, now you have my atention”.

Sei que Sion Sono deve ser desconhecido de 99% do público brasileiro, mas já vi quatro filmes dele, todos no Festival do Rio: Por que você não vai brincar no Inferno (2013), Tokyo Tribes (2014), Paz e Amor (2015) e Antiporno (2017)

Ou seja: heu já sabia que veria um filme maluco. Quase todos que vão ver Prisoners of the Ghostland o farão pelo Nicolas Cage; heu queria era ver o novo Sion Sono!

E Sono não decepciona. Prisoners of the Ghostland é uma espécie de faroeste pós apocalíptico, com toques de Mad Max e Fuga de Nova York.

E até aqui, nada de mais.

Digo isso porque Prisoners of the Ghostland é muito mais do que apenas um faroeste pós apocalíptico. Tem personagens que ficam cobertos com pedaços de manequins. Tem uma personagem que fala em japonês ou sei lá qual língua, e logo um coro “traduz” em inglês, parecendo aqueles coros de teatro antigo. Tem grupos de personagens que ficam dançando coreografias que sei lá se têm algum significado. Tem uns caras com umas roupas que lembram os macacos voadores d’O Mágico de Oz. Tem outros que ficam puxando um ponteiro de relógio com uma corda. E no meio de tudo isso tem o Nicolas Cage, sem um testículo, com um capacete de futebol americano e um braço metálico!

Nada disso é explicado. Acredito que muitas dessas coisas tenham um significado, mas não fui catar o “manual de instruções”. Apenas curti a viagem – e que viagem!

Não sabemos onde o filme se passa, nem quando. O visual é impressionante, tanto nas cores quanto nos cenários. Prisoners of the Ghostland é um filme muito maluco, mas também é um filme muito bonito.

Nicolas Cage encaixou perfeitamente dentro do formato proposto pelo Sion Sono. Exagerado, claro, combina com toda a insanidade em volta. Também no elenco, Sofia Boutella, Nick Cassavetes, Bill Moseley e Tak Sakaguchi.

Claro que muita gente vai ver por causa do Nicolas Cage, e vai se assustar com a intensidade da loucura – e, consequentemente, não vai curtir.

Tenho pena desses. Porque heu me diverti com Prisoners of the Ghostland. E quero mais Sion Sono!

O Homem nas Trevas 2

Crítica – O Homem nas Trevas 2

Sinopse (imdb): A sequência se passa nos anos após a invasão mortal de sua casa, agora Norman Nordstrom vive em um conforto tranquilo até que seus pecados passados o alcancem.

Antes de falar da continuação, um breve comentário sobre o primeiro filme. Talvez seja um spoiler, mas acredito que quem vai ver esse deve ter visto o primeiro, né?

No primeiro filme, temos um grupo de jovens que resolve assaltar a casa de um velho cego. O que seria a princípio um trabalho fácil, se torna algo complicado, porque o velho é badass, e, como está em casa, domina o território. Até aí, tudo bem. O problema é que em determinado momento do filme, pra gente ter alguma empatia pelos assaltantes, a gente descobre que o velho é um cara ruim, muito ruim. Essa inversão que acontece no primeiro filme me incomodou um pouco, porque heu preferia torcer pelo velho, mas a gente acaba o filme vendo que o velho é muito pior que os assaltantes.

Isso até funciona numa história fechada. Mas, se é pra ter uma continuação, atrapalha, e muito. Porque heu sei que esse cara é um cara ruim. Por que devo simpatizar com ele?

E assim, começamos O Homem nas Trevas 2 (Don’t Breathe 2, no original). Um filme com um protagonista odioso. Quer assaltar? Pode assaltar, ele não merece a nossa empatia.

E aí, claro que o roteiro tem que inventar algumas mirabolâncias pros antagonistas serem ainda piores…

Enfim, quem conseguir se desligar dessas características dos personagens, pode até curtir o filme.

O primeiro Homem nas Trevas foi escrito por Fede Alvarez e Rodo Sayagues, e dirigido pelo primeiro (que antes tinha feito a refilmagem de Evil Dead). A dupla escreve o roteiro da continuação, mas quem assumiu a direção foi Rodo Sayagues, que copiou direitinho o estilo do companheiro.

Tecnicamente falando, O Homem nas Trevas 2 tem seus bons momentos. Algumas cenas são bem filmadas. Quem estiver atrás apenas de boas cenas de ação com um velho cego badass vai curtir.

Stephen Lang repete o papel do velho cego, e ele está muito bem. Com quase 70 anos de idade, ele convence como o idoso duro na queda. Ok, a gente precisa de uma suspensão de descrença maior que no primeiro filme (que se passa todo dentro da casa dele). Aqui ele está em locais desconhecidos, e às vezes parece que enxerga melhor que as pessoas não cegas. Mas, se a gente não se importar com isso, ele protagoniza boas cenas, tanto batendo quanto apanhando.

Mas, pra mim, a redenção proposta pelo roteiro foi rasa, e não me convenceu. É um bom personagem, mas não dá pra ficar do lado dele.

Vai agradar os menos exigentes. Mas, pra mim, foi desnecessário.

Demonic

Crítica – Demonic

Sinopse (imdb): Uma jovem acidentalmente libera terríveis demônios quando antigas forças demoníacas, relacionadas a uma desavença de décadas entre mãe e filha, são reveladas.

Neill Blomkamp chamou a atenção do mundo com Distrito 9, uma ficção científica sul-africana que tinha efeitos especiais impressionantes e abordava o racismo de uma maneira diferente do óbvio. Claro que chamou a atenção de Hollywood, e lá foi ele fazer Elysium, super produção com elenco estelar, com Matt Damin, Jodie Foster, Wagner Moura e Alice Braga. Pouco depois fez Chappie, um filme que heu acho bem legal, mas que não vendeu bem. E isso foi em 2015. Desde então, toda vez que lia o seu nome, ou era lançando um curta novo, ou em notícias sobre um possível novo Alien – que aparentemente foi cancelado.

E aí surge Demonic. Que é beeem abaixo de tudo o que Neill Blomkamp já fez.

Demonic tem muitos problemas. Nem sei por onde começar. Acho que podemos citar o “plot twist”, mais ou menos um terço do filme, quando “descobrimos” que é um filme de terror. Demonic começa como se fosse uma ficção científica, e apresentam o lado terror como se fosse uma surpresa. Mas, caramba, está no título do filme! Está no cartaz do filme! Você pode até evitar trailers e sinopses, mas não tem como evitar o nome do filme!

(Não tenho nada contra misturar ficção científica  com terror, já fiz um post sobre o tema)

Demonic segue errando. E o pior é que tinham ideias boas a serem exploradas – heu queria ver um exército do Vaticano! Mas em vez disso, a gente tem um demônio mal explorado, uma protagonista sem sal e um monte de ações sem lógica – tipo ela não compartilhar a lança quando vai entrar na realidade virtual. E tudo isso num filme chaaato…

Ah, precisamos falar dos efeitos especiais. Tanto os camarões de Distrito 9 quanto o robô de Chappie são efeitos acima da média. E aqui, o efeito da realidade virtual é bem bobinho.

Mas, na verdade, o mais triste é saber que é o Neill Blomkamp na direção e no roteiro. Se este fosse um filme feito por galera desconhecida, a gente aceitava. Um filme meia boca, de baixo orçamento, feito por um estreante, a gente pensaria “será que esse cara pode voar mais alto em uma produção melhor?” Mas aí a gente lembra do currículo do diretor /roteirista, e só resta pena.

Kate

Crítica – Kate

Sinopse (imdb): Após ser irreversivelmente envenenada, uma criminosa cruel tem menos de 24 horas para se vingar de seus inimigos. No processo, ela forma um inesperado elo com a filha de uma de suas vítimas do passado.

E parece que a onda de filmes de ação girl power não tem fim! Agora é a vez de Mary Elizabeth Winstead chutar bundas!

Podemos analisar Kate sob dois ângulos diferentes. A história é bem fraca. Mas gostei bastante do resultado final. Bora desenvolver isso.

Dirigido pelo quase desconhecido Cedric Nicolas-Troyan, Kate (idem no original) traz uma história bem batida. Uma exímia assassina profissional descobre que foi envenenada, e resolve sair atrás de quem foi o responsável por isso. E aí a gente tem espaço pra todos os clichês do gênero.

Ok, reconheço que a gente já viu essa história. Mas, por outro lado, preciso ser coerente comigo mesmo. Sempre defendi que ideias podem ser recicladas, desde que produto final seja bom.

Kate tem pelo menos três destaques. O que mais me chamou a atenção foram as coreografias de luta. Não sei o que foi feito pela própria Mary Elizabeth Winstead e o que foi dublê, mas digo que o resultado na tela é muito bom. São várias lutas, e com uma violência acima da média dos filmes de ação por aí – algumas cenas trazem um gore digno de filmes de terror.

Isso me traz o segundo destaque: a protagonista Mary Elizabeth Winstead. Gosto dela, de Scott Pilgrim, À Prova de Morte, Rua Cloverfield, Aves de Rapina. E ela aqui está ótima. A cada hora que passa, sua personagem está mais deteriorada pelo envenenamento. Então temos uma mulher boa de briga, mas que está apanhando dos inimigos e também da sua “doença”. Belo trabalho de composição entre atuação, coreografia e maquiagem.

Por fim, queria falar da fotografia do filme. Kate se passa no Japão, temos muitas cenas noturnas com iluminação artificial, muito neon, tem um carro que deve ser um dos mais iluminados da história do cinema. E em momento algum essas luzes soam exageradas.

No elenco, o outro nome conhecido é Woody Harrelson, com um papel menor e a mesma cara de Woody Harrelson de sempre. A principal coadjuvante é Miku Martineau que faz uma jovem chatinha. Achei ela irritante, mas acho que era o propósito da personagem, então não sei se isso é exatamente uma crítica. Também no elenco, Tadanobu Asano e Jun Kunimura.

Como falei, o roteiro não é muito criativo, então o fim é um tanto quanto previsível. Mesmo assim, gostei do duelo de espadas – boa sacada, um filme no Japão com duelos envolvendo a honra.

Por um motivo que está na sinopse do filme, Kate não deve ter continuação. Pena, porque gostei da Mary Elizabeth Winstead dando porrada. Mas, pelo menos não deve esticar a ideia até cansar.

Maligno

Crítica – Maligno

Sinopse (imdb): Madison fica paralisada por visões chocantes de assassinatos terríveis, e seu tormento piora quando ela descobre que esses sonhos acordados são, na verdade, realidades aterrorizantes.

Dentre as várias vertentes do terror, duas são mais populares hoje em dia. Uma é o terror cabeça, de títulos como Babadook, It Follows, A Bruxa, Hereditário e Midsommar. A outra é o que chamo de “trem fantasma de parque de diversões”, onde o principal objetivo é a diversão do espectador, mesmo que use fórmulas repetidas. E nesta vertente, James Wan é o cara.

Sou muito fã do James Wan. Gosto muito do primeiro Jogos Mortais, dos dois primeiros Sobrenatural e dos dois primeiros Invocação do Mal, todos dirigidos por ele. O problema é que Wan saiu do terror e foi ganhar dinheiro em blockbusters – ele dirigiu Velozes e Furiosos 7 (que é uma das dez maiores bilheterias da história do cinema) e Aquaman, um dos melhores filmes da DC (e, segundo o imdb, está no momento dirigindo o Aquaman 2). E todos os outros filmes do Waniverso (continuações, prequels e spin-offs) dirigidos por outras pessoas são mais fracos. Filmes divertidos, mas esquecíveis.
Claro que vê-lo de volta na cadeira de diretor de um filme de terror era algo aguardado. E, vou te falar, Wan não decepcionou!

Sobrenatural e Invocação do Mal são filmes diferentes, mas ambos usam conceitos parecidos, de casa mal assombrada. Aqui em Maligno (Malignant, no original), Wan muda um pouco o conceito. Tem algo de possessão, um pouco de investigação policial, e tem uma criatura / entidade / vilão que é um grande achado. Mais tarde volto a falar deste personagem.

Precisamos falar da câmera de Wan. O cara sabe filmar. Você pode até não curtir o estilo, mas é preciso reconhecer que Wan sabe muito bem posicionar sua câmera como poucos no cinema atual. Ângulos, movimentos de câmera, cada cena é bem cuidada – chega a ter uma cena filmada de cima, dentro da casa, por vários cômodos, como se fosse uma casa de bonecas. Ver um filme bem dirigido assim é uma delícia!

Os efeitos especiais são outro destaque. Adorei os efeitos para mudar o cenário nas visões da protagonista, o cenário se dissolve e se reconstrói, com a câmera rodando em volta da personagem. O visual disso ficou muito legal. Outro destaque está na criatura, vou falar mais na parte com spoilers.

A fotografia aproveita a câmera sempre bem posicionada e os efeitos especiais, e, junto com uma boa trilha sonora do habitual colaborador Joseph Bishara, dão a Maligno um resultado visual muito bom.

Aliado a tudo isso, Maligno traz um plot twist de explodir cabeças! Sério, quando acabou o filme, conversei com um amigo, que comentou a mesma coisa!

Quero falar dos efeitos especiais da criatura, mas, isso pode entrar no terreno de spoilers, então vou deixar um aviso. Mas, quem quiser seguir, só vou falar da parte técnica, nada sobre a trama.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

A criatura / entidade se movimenta de maneira diferente do normal. Logo de cara a gente pensa que é cgi, mas nem tudo nessa movimentação é digital. Quem está debaixo da maquiagem é a bailarina / contorcionista Marina Mazepa. O trabalho dela deu um upgrade no visual do filme!

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, o papel principal é de Annabelle Wallis, que está muito bem, e já esteve no Waniverse, é uma das principais atrizes em Annabelle. Fora ela, ninguém digno de nota no elenco principal. Agora, queria fazer 3 comentários sobre o elenco secundário. A personagem principal, quando adolescente, é interpretada por McKenna Grace, de A Maldição da Residência Hill, Eu, Tonya e Annabelle 3. A enfermeira (que acho que só aparece uma vez) é Patricia Velasquez, dos filmes A Múmia com o Brandon Fraser. Por fim, a loira que briga na cadeia é Zoë Bell, figurinha frequente nos filmes do Tarantino, como dublê ou como atriz.

O fim do filme traz espaço pra uma nova franquia, o que não surpreende ninguém. Tomara que o diretor seja o mesmo. Se trocar, a gente sabe que a qualidade deve cair.

Por fim, cuidado com os nomes. Teve um filme mal lançado aqui em 2019, que tem o mesmo nome em português, apesar de no original ter o nome The Prodigy. Cuidado!

A Profissional / The Protege

Crítica – A Profissional / The Protege

Sinopse (imdb): Resgatada quando criança pelo lendário assassino Moody, Anna é a assassina de aluguel mais hábil do mundo. Mas quando Moody é brutalmente assassinado, ela jura vingança pelo homem que lhe ensinou tudo o que ela sabe.

Falei no texto sobre Gunpowder Milkshake sobre o atual momento de filmes de ação girl power. São vários filmes de ação estrelados por mulheres, coisa que heu gosto muito. Mas… Infelizmente são poucos os bons filmes no meio destes. A Profissional (The Protege, no original) é um desses.

A Profissional é mais um filme genérico. Algumas boas cenas de ação aqui e ali, mas uma história de vingança besta.

A direção é de Martin Campbell, que tem altos e baixos na carreira. Ele é lembrado por dois 007s de gerações diferentes, Goldeneye (1995) e Cassino Royale (2006). Mas, também é lembrado por Lanterna Verde, aquele com o Ryan Reynolds. Ok, The Protege não é tão ruim quanto Lanterna Verde. Mas está bem abaixo dos filmes do James Bond.

O filme tem um plot twist lá perto do terço final que quase me fez desistir. Não foi um bom caminho…

Três comentários sobre o elenco. Maggie Q não atrapalha, mas lhe falta carisma para carregar o protagonismo de um filme assim. Ela não está ruim, mas também não está bem – coerente com o filme. Samuel L. Jackson tem uma carreira gigante, está na Marvel, estava em Star Wars, em vários filmes do Tarantino. Mas, de uns filmes pra cá, parece que ele está no automático, sempre repetindo o mesmo papel. Continuo gostando dele, mas, queria vê-lo fazendo algo diferente. Já Michael Keaton, esse sim, é a melhor coisa do filme. Assim como no Homem Aranha, seu personagem está longe de ser um vilão caricato, e suas cenas com a Maggie Q são a melhor coisa do filme. Ainda no elenco, mais um nome digno de nota é Michael Bien, num papel menor como o líder dos motociclistas.

Enfim, como falei, A Profissional não é ruim. Vai distrair os menos exigentes. Mas ainda estou esperando um novo Atômica

Deus Branco

Crítica – Deus Branco

Sinopse (imdb): Lili, de 13 anos, luta para proteger seu cachorro Hagen. Ela fica arrasada quando seu pai acaba por libertar Hagen nas ruas. Ainda acreditando inocentemente que o amor pode vencer qualquer dificuldade, Lili sai para encontrar seu cachorro e salvá-lo.

Inicialmente a gente pensa que vai ver um filme no formato Disney, uma menina e um cachorro se separam, e vão passar por muitas confusões até o reencontro. Que nada, o filme húngaro Deus Branco (White God em inglês, ou Fehér isten em húngaro) é bem diferente.

O cachorro Hagen passa por um monte de roubadas. Foge da carrocinha, é capturado, vendido e transformado em cão de briga em rinhas, briga, mata, lidera uma rebelião de cachorros… A gente começa achando que o filme vai seguir uma linha mais realista, mas o tom muda para o fantástico, tem momento que lembra filme de terror, depois vira filme de vingança, filme de fuga da cadeia…

Não conheço ninguém do elenco, acho que foi o primeiro filme húngaro que heu vi. Na verdade, o que mais me chamou a atenção foi a atuação do cachorro – na verdade eram dois cachorros alternados. Fiquei me imaginando como seria filmar assim, o cachorro passa por muita coisa!

O filme traz uma sutil crítica ao preconceito dos europeus, porque cachorros sem raça pura são os que pagam multa. E, de propósito, aparentemente a produção do filme só usou cachorros vira latas. Foram quase 280 cachorros, e todos foram encaminhados pra adoção depois do filme.

O filme é húngaro, achei legal ter a música Rapsodia Húngara como parte importante do roteiro.

Por fim, o nome. Não tenho ideia do que seria o Deus Branco. Existe um filme de 1982 chamado White Dog, mas o diretor Kornél Mundruczó declarou que não conhecia este filme. Se alguém souber, pode comentar aqui embaixo.

Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Crítica – Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Sinopse (imdb): Shang-Chi é obrigado a confrontar um passado que julgava ter deixado para trás quando é atraído à teia da misteriosa organização conhecida como os Dez Anéis.

Ah, como é bom viver este momento! Sou fã do cinema de entretenimento, do blockbuster bem feito, e é muito bom estar acompanhando ano a ano o que a Marvel está construindo com o MCU. Foram mais de vinte filmes ao longo de 11 anos, pouco a pouco construindo um time de super heróis que se juntariam num grande evento que foram os dois últimos filmes dos Vingadores.

E a pergunta que ficava na cabeça do espectador era: e agora? O que vem depois? Como seguir em frente depois de algo tão grandioso?

Vieram as séries (WandaVision, Loki e Falcão e o Soldado Invernal), mostrando opções para o futuro do MCU, boas séries, mas ainda sem muitas novidades, tudo muito preso ao que já existia (ok, Loki mostrou um novo caminho). Veio o filme da Viúva Negra, bom filme, mas que veio atrasado, e também muito preso ao passado do MCU.

E agora estreia Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis, um filme de origem, onde a Marvel finalmente apresenta novos personagens e um novo universo a ser explorado.

O personagem Shang Chi era publicado aqui no Brasil em HQs com o nome de “Mestre do Kung Fu”, mas, nunca li nenhuma dessas revistas (assim como nunca li nenhuma HQ dos outros heróis). Aliás, vou te falar que nunca tinha ouvido falar do personagem. Mas, pra este filme, não precisa conhecer previamente. Tudo o que precisamos saber do personagem está no filme.

Dirigido pelo quase desconhecido Destin Daniel Creton, Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings no original) traz um visual deslumbrante, lutas excelentes, personagens carismáticos e uma história envolvente. Nada mal para um filme de origem de um novo super herói.

Aliás, é bom falar. Assim com acontecia nos primeiros filmes de cada super herói, Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um filme independente dos outros. Se você nunca viu nenhum filme do MCU, sem problemas, você pode acompanhar tudo o que acontece aqui. Mas, tudo se passa dentro de um contexto, onde tudo o que existia antes continua sendo respeitado. Alguns elementos do MCU são inseridos aqui, pra mostrar que Shang Chi faz parte de um projeto maior.

A primeira coisa que chama a atenção em Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis é o visual. A fotografia é linda, cheia de cores, cheia de elementos da natureza. E as lutas são ótimas, tanto pelas coreografias quanto pelos efeitos usados nelas. Por fim, ainda temos um cgi perfeito, que mostra seres fantásticos e efeitos impressionantes com água.

(Parênteses pra voltar a falar das lutas. A luta no ônibus, que aparece no trailer, é muito boa, e olha que a gente já teve outra luta boa em ônibus este ano, em Anônimo. E a luta onde o casal se conhece é sensacional, uma mistura de luta com dança onde os adversários flutuam lembrando filmes como O Tigre e o Dragão. E essas duas lutas são no início do filme!)

O elenco principal é quase todo oriental, um bom sinal que finalmente Hollywood está se diversificando – se Shang Chi fosse feitos anos atrás, ia ter um monte de gente branca no elenco. O papel principal ficou com Simu Liu. Heu não conhecia ele, achei que era que nem o Chris Hemsworth, que era um coadjuvante de poucos papéis antes de virar o Thor, mas o imdb dele tem títulos desde 2012. Gostei dele, vai ser uma boa vê-lo nos próximos filmes do MCU. O pai do Shang Chi é interpretado por Tony Leung, ator chinês que tem uma filmografia enorme, e não me lembro de nenhum filme hollywoodiano – lembro dele em Bala na Cabeça, um dos meus filmes favoritos do John Woo (ele também fez Fervura Máxima e A Batalha dos Três Reinos com o John Woo). Tony Leung também está ótimo, é um vilão bem construído, dá pra entender suas motivações.

E são pelo menos quatro papeis femininos importantes. Duas eram novidades pra mim: a mãe, interpretada por Fala Chen; e a irmã, interpretada por Meng’er Zhang (segundo o imdb, é seu primeiro papel). Gostei das duas, são bonitas, carismáticas, lutam bem, vou procurar mais filmes com ambas. Também tem a Michelle Yeoh, currículo enorme, inclusive foi citada aqui recentemente duas vezes, em Gunpowder Milkshake e Boss Level – e não podemos esquecer que ela estava em O Tigre e o Dragão, citado lá em cima. Por fim, tem a Awkwafina como alívio cômico. Descobri que ela tem um grande fã clube, mas, sei lá, acho ela meio sem graça. Pelo menos aqui em Shang Chi ela funcionou bem, as piadas foram bem dosadas.

Ah, não só são vários atores orientais, também achei muito bom ver um blockbuster americano com muitos diálogos em chinês!

Tem mais nomes no elenco, mas pode ser spoiler. Heu não sabia, foi uma agradável surpresa, então não vou falar aqui.

É Marvel, então tem humor. Mas não é uma comédia assumida como Thor Ragnarok, por exemplo. É um filme de ação com momentos engraçados.

Ah, claro, tem cenas pós créditos. Duas. Uma no fim dos créditos principais, outra lá no final de tudo. Padrão.

Heu poderia continuar falando aqui, mas vou parar pra não ficar muito grande. Em breve vou gravar um podcrastinadores, e com spoilers, lá entrarei em mais detalhes. Fiquem de olho em podcrastinadores.com.br

The Green Knight

Crítica – The Green Knight

Sinopse (imdb): Uma fantasia que reconta a história medieval de Sir Gawain e o Cavaleiro Verde.

Quando falam em filmes da A24 que dividem opiniões, me lembro de quatro filmes que ajudaram a cunhar a polêmica expressão “pós terror”: Hereditário e Midsommar (ambos dirigidos por Ari Aster), e A Bruxa e O Farol (ambos dirigidos por Robert Eggers) – gostei dos 3 primeiros, detestei o quarto. Mas, independente de gostar ou não, vendo esses quatro títulos, a gente entende que a proposta dos filmes da A24 é bem longe do mainstream.

Ou seja, heu já sabia que The Green Knight seria um filme cabeça. Até curto alguns filmes assim, mas admito que prefiro quando um filme não precisa de “manual de instruções”. Ou seja, The Green Knight já começou contando pontos negativos pra mim.

Dirigido por David Lowery (que anos atrás fez A Ghost Story, que é outro filme que também dividiu opiniões), The Green Knight tem problemas, mas também tem seus méritos . Vamos por partes.

O visual do filme é ótimo. É um filme medieval, temos o Rei Arthur e a távola redonda, e a ambientação é muito boa, tanto nas cenas internas quanto nas externas – não sei o que era paisagem natural e o que era tela verde. O visual do cavaleiro verde é outro destaque, a cena onde ele aparece no meio da távola é muito boa (aliás, parênteses pra falar da voz do Ralph Ineson, nunca tinha prestado atenção na voz dele, e que vozeirão!).

Também precisamos falar de Dev Patel. The Green Knight é daqueles filmes centrados na jornada de um personagem, basicamente todo o filme gira em torno dele. E Dev Patel está ótimo, não será surpresa se ele for indicado ao Oscar por este papel. O resto do elenco está ok, mas sem destaques. Também no elenco, Alicia Vikander, Joel Edgerton, Sean Harris e Kate Dickie.

Gostei bastante da sequência final. Li críticas negativas, mas curti como a história se desenvolveu naquele ponto.

Agora, o filme é chato. São duas horas e dez minutos, e várias sequências desafiam a paciência do espectador.

Sobre o “lado cabeça” do filme. Não acho que um filme precise explicar tudo. Mas tem coisas que funcionam, e outras não. Vou dar dois exemplos, pra não entrar em spoilers. Por um lado, a gente tem a raposa. Ninguém explica o que é a raposa, e essa explicação não é necessária para o filme. Heu acho que significa uma coisa, mas se não for, ok. Por outro lado, tem uma sequência com mulheres gigantes. Pra que? Tire as mulheres gigantes, o filme não perde nada; tire a raposa, o filme perde.

The Green Knight vai dividir opiniões. Uns vão achar genial, outros vão achar pretensioso. Minha recomendação é:vá de cabeça aberta!