Crítica – Justiça Artificial
Sinopse (imdb): Depois de ser acusado de um crime violento, um policial é forçado a provar sua inocência.
O diretor russo Timur Bekmambetov chamou a atenção de Hollywood com os filmes Guardiões da Noite (2004) e Guardiões do Dia (2006). Dirigiu poucos filmes nos EUA (O Procurado, Abraham Lincoln Caçador de Vampiros, Ben Hur), mas tem atuado muito como produtor. E dentre seus filmes como produtor, está por trás de alguns projetos que usam o screenlife – formato onde o filme se passa todo na tela de um computador, o espectador fica acompanhando diferentes abas de navegadores e de redes sociais, além de aplicativos de comunicação como Skype e Messenger. Ele produziu bons filmes em screenlife, como Buscando e Desaparecida, mas também filmes bem ruins, como o Guerra dos Mundos do ano passado.
Depois de cinco anos, Bekmambetov está de volta à cadeira de diretor. Justiça Artificial (Mercy, no original) apresenta uma Inteligência Artificial que é juiz, júri e executor ao mesmo tempo. O acusado tem 90 minutos para provar sua inocência, se não é condenado à morte. Durante esses 90 minutos, ele pode acessar arquivos em quaisquer computadores e celulares. O lance é que o acusado agora é Chris Raven (Chris Pratt), um dos policiais que trabalhava levando criminosos para esse sistema.
Justiça Artificial usa elementos do screenlife, mas não se passa todo dentro da mesma tela. Chris passa o filme sendo julgado pela IA interpretada pela Rebecca Ferguson, e muita coisa é jogada na tela, como se fossem pop-ups mostrando arquivos de câmeras de segurança e chamadas de vídeo, dentre outras coisas.
O filme se passa em “tempo real”, vemos um cronômetro ao lado da tela quase o tempo todo. Por um lado, isso é ruim porque sabemos que nada de conclusivo vai acontecer na primeira hora de filme. Mas por outro lado a tensão é bem construída ao longo de toda a projeção.
Claro, o roteiro tem algumas facilitações. O formato de roteiro escolhido cai nos clichês esperados, tipo as pistas falsas até o clímax. E achei forçado não conseguirem parar o caminhão na parte final – cadê aquelas metais pontudos que usam pra furar pneus? Além disso, o filme podia acabar antes do último plot twist, me pareceu um certo exagero. Nada grave, felizmente.
No elenco, quase todo o filme é em cima da dupla Chris Pratt e Rebecca Ferguson. Ela faz uma IA, então acho que poderiam usar um filtro e deixá-la um pouco mais artificial – mas isso não é exatamente um problema, é só um head canon meu, ambos estão ok. Também no elenco, Kali Reis, Annabelle Wallis, Chris Sullivan e Kylie Rogers.
Justiça Artificial não entrará em nenhuma lista de melhores. Mas vai agradar o espectador comum.



