Tick Tick Boom

Crítica – Tick Tick Boom

Sinopse (imdb): Enquanto espera por sua grande chance, Jon escreve uma peça chamada Superbia, que ele espera que seja um grande musical. Ao se aproximar do seu aniversário, ele se sente tomado pela ansiedade, perguntando-se se seu sonho vale a pena.

Antes de entrar no filme, queria falar sobre o gênero musical. Conheço algumas pessoas que não gostam de musicais, usando o argumento de que não seria natural uma pessoa começar a cantar do nada. Mas… Seria natural uma pessoa com super poderes em filmes de super heróis? Ou, seria natural as leis da física serem ignoradas em filmes de ação? Ou, seria natural um cara feio e sem jeito ficar com a menina mais bonita num filme romântico? (se bem que já vi casos assim). Enfim, se é pra reclamar da falta de naturalidade, a partir de agora só poderemos ver documentários…

Heu gosto de música. E gosto quando a música é boa, e é colocada num contexto visual empolgante. Boas músicas dentro de um bom visual, com bons atores e uma boa coreografia, podem criar um belo espetáculo visual. E é isso o que gosto num musical. Pra citar dois exemplos, quando vi Rock of Ages, saí do cinema empolgadíssimo, querendo comprar logo o cd com a trilha sonora. Por outro lado, achei Os Miseráveis chaaato. Um belo filme, a cena da Anne Hathaway é um espetáculo – mas o filme é chaaato, e nada empolgante.

Ah, preciso falar que vi poucas peças de teatro musical. Vejo 3 a 4 filmes por semana, e já vi umas 20 peças de teatro musical ao longo da minha vida. Não tenho muita propriedade pra falar de teatro, vou me ater ao cinema musical.

Heu sabia muito pouco sobre Tick Tick Boom, sabia que era o filme de estreia do Lin-Manuel Miranda como diretor, e que tinha como personagem Jonathan Larson, o autor de Rent. Gosto muito de Rent, e mais uma vez volto ao espetáculo visual. Porque a história de Rent é super deprê, galera com dificuldade financeira, vários no elenco estão doentes, um personagem morre ao longo do filme… Mas a parte musical é tão empolgante que a gente acaba o filme com vontade de colocar a trilha em loop.

Como falei, sabia pouco sobre o filme. Achei que ia ter a ver com Rent. E perto do fim descobri que Tick Tick Boom é o musical que Larson fez antes de Rent!

Não sei como era no teatro, mas o formato de Tick Tick Boom funciona muito bem dentro de um filme. Temos uma peça, onde, num palco quase vazio, acompanhado apenas de uma banda, Jonathan Larson canta, toca e conversa com a plateia, contando sobre as tentativas de levar adiante o Superbia, um musical que ele escreveu e estava há 8 anos tentando levar aos palcos. E a trama vai e volta o tempo todo, mostrando o que estava acontecendo nas narrações.

Posso citar pelo menos dois grandes destaque. Um deles é o protagonista Andrew Garfield – não sabia que ele cantava e tocava piano (não mostra nada mirabolante como o Ryan Gosling em La La Land, mostra o básico, e funciona perfeitamente na tela). A empolgação do Jonathan Larson do Andrew Garfield é uma das melhores coisas de Tick Tick Boom.

O outro destaque são as músicas. São vários momentos muito bons. Vou destacar três cenas que achei excelentes, e que não seguem necessariamente o formato tradicional dos musicais. Uma é Boho Days, que gostei pela descontração, uma música a capella, onde Larson canta acompanhado apenas por palmas. Outra é Therapy, um contraste entre dois momentos bem opostos – Andrew Garfield e Vanessa Hudgens cantam sorridentes uma música super alegre ao mesmo tempo que rola uma DR séria entre os personagens. Por fim, Come to your Senses, que traz um dueto entre Vanessa Hudgens e Alexandra Ship, sendo que as duas não estão juntas. Como falei no início, gosto de belos espetáculos usando música e imagens. Aqui são três bons exemplos.

Sobre a trilha, achei estranho não ter nenhuma música inédita composta por Lin-Manuel Miranda. Uma coisa que acontece frequentemente em adaptações de musicais é ter uma música inédita, para concorrer ao Oscar – para concorrer ao Oscar de melhor canção, a música tem que ser composta para o filme. Lin-Manuel Miranda já concorreu ao Oscar de melhor canção por Moana, achei que aqui ele poderia ter composto uma música para a trilha, e pelo que vi nos créditos, tirando as músicas pop e de outros musicais, todas as músicas são compostas por Jonathan Larson.

No fim do filme a gente tem a triste notícia que Jonathan Larson depois de Tick Tick Boom faria Rent, que seria um grande sucesso, mas ele nunca veria este sucesso. Larson faleceu de dissecção aórtica aos 35 anos. Muito triste. Pelo menos ele conseguiu deixar um legado, Rent é um grande sucesso.

E agora, depois de Tick Tick Boom, torço pra algum produtor resolver bancar uma versão póstuma de Superbia!

5 Filmes com os Beatles

5 Filmes com os Beatles

Estreou na Disney+ um documentário sobre os Beatles. Peter Jackson, aquele mesmo que fez O Senhor dos Anéis, pegou 55 horas de material filmado em janeiro de 1969, tratou as imagens, e construiu um documentário mostrando os bastidores dos ensaios, composições e gravações do disco Let it Be. E o que mais chama a atenção é a qualidade das imagens – parece que foram captadas recentemente, com câmeras atuais.

Pensei em ver o documentário e comentar aqui, mas são quase 8 horas de filme, e confesso que bateu preguiça. Mas… Por que não lembrar de 5 filmes que falam direta ou indiretamente dos Beatles?

Em ordem cronológica…

Febre de Juventude (1978)

Primeiro filme de Robert Zemeckis, que seria um grande nome do cinema pipoca na década seguinte, com filmes como Uma Cilada Para Roger Rabbit, Tudo por uma Esmeralda e a trilogia De Volta para o Futuro, e que ganharia o Oscar nos anos 90 por Forrest Gump, Febre de Juventude (I Wanna Hold Your Hand, no original) não mostra os Beatles. O filme conta a história de um grupo de fãs que quer ver uma apresentação da banda no programa Ed Sullivan, pouco depois do lançamento da música I Wanna Hold Your Hand.

Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool (1994)

O filme é focado em Stuart Sutcliffe, que era o baixista dos Beatles antes da banda fazer sucesso. Na época que eles foram para a Alemanha para fazer shows em bares e tentar conseguir algum tipo de reconhecimento, Stuart, que também era pintor, se apaixona por uma artista plástica, e tem que decidir entre sua paixão ou continuar com a banda, onde é um reconhecido ruim instrumentista. Filme dirigido por Ian Softley e estrelado por Stephen Dorf e Sheryl Lee.

Across The Universe (2007)

Nos anos 60, o inglês Jude decide partir para os Estados Unidos, e lá se apaixona por Lucy, que se envolve com emergentes movimentos de contracultura, da psicodelia aos protestos contra a Guerra do Vietnã. O roteiro do musical é baseado em músicas dos Beatles. Quando as músicas não estão cantadas, elas estão faladas ou citadas por outros elementos – como os nomes dos personagens Jude, Lucy, Sadie, Prudence ou Jo Jo, todos personagens presentes em músicas. Dirigido por Julie Taymor e estrelado por Evan Rachel Wood e Jim Sturgess. (texto aqui no heuvi)

O Garoto de Liverpool (2009)

Outro filme que não fala dos Beatles. O principal foco de O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy no original), longa de estreia da diretora inglesa Sam Taylor-Wood, é nas conturbadas relações entre o adolescente John Lennon, sua mãe e sua tia. Ainda assim, a parte musical é bem legal. Lennon, então com 15 anos, aprende a tocar banjo, muda para o violão e monta, com colegas da escola, a banda The Quarrymen, através da qual conhece Paul e George. E o resto é história da música pop. (texto aqui no heuvi)

Yesterday (2019)

Um músico de fundo de quintal sofre um acidente, e quando acorda está em uma realidade paralela onde os Beatles nunca existiram. Ele agora é a única pessoa no planeta que conhece o repertório dos Beatles. Com direção de Danny Boyle e roteiro de Richard Curtis, Yesterday tem no elenco Himesh Patel, Lily James e Ed Sheeran e é o típico “feel good movie” – quando acaba o filme, a plateia se sente feliz. (texto aqui no heuvi)

Black Friday

Crítica – Black Friday

Sinopse (imdb): Um grupo de empregados de uma loja de brinquedos deve proteger-se mutuamente de uma horda de compradores infectados por parasitas.

Confesso que achei que a ideia podia funcionar. Um filme satirizando a ânsia do consumidor numa black friday, comparando com zumbis (lembrei da cena de Shaun of the Dead, onde o Shaun está num marasmo tão grande que não repara que todos viraram zumbis). E ainda tinha Bruce Campbell, Devon Sawa, Ivana Baquero e Michael Jai White no elenco! Ok, dificilmente seria um filme bom. Mas pelo menos poderia ser divertido.

E não, não é.

Dirigido pelo desconhecido Casey Tebo, Black Friday falha miseravelmente em quase tudo. É um filme curto (uma hora e vinte e quatro minutos) e mesmo assim consegue ser um filme arrastado. Tudo é previsível, e as atuações, claro, são caricatas.

Tem umas coisas que não fazem sentido. Uma delas nem sei se cabe reclamação: pelo que entendi a loja vai abrir às 9 horas da noite – se é pra abrir essa hora, por que não ficar aberto direto? Pra mim faria mais sentido se fosse abrir meia noite. Mas, não sei se isso é um costume do varejo dos EUA, então não sei se cabe a crítica. Agora, tem outras coisas dentro do roteiro que não tem lógica, como os infectados que vão embora sem motivo. E tem uma cena que aparentemente aparecem umas pessoas saqueando a loja, e isso foi deixado pra lá.

Mas, quando a gente vê um filme com uma proposta dessas, a gente espera algumas tosqueiras, tipo infectados que às vezes repassam a infecção rapidamente, mas quando encontram um personagem importante, demoram para reagir. Agora, o que a gente não espera é um filme chato. Black Friday tem uma longa cena no meio do filme onde os personagens se escondem numa sala e ficam batendo papo e trocando experiências, tipo há quantos anos trabalham na loja. Caramba, se você não tem história pra contar, não estique pra fazer um longa!

O elenco traz alguns nomes importantes. Bruce Campbell, um dos maiores ícones do terror / trash das últimas décadas, pelo menos sabe fazer o personagem canastrão carismático – coisa que metade do elenco não consegue, e param no “canastrão”. Devon Sawa, de Premonição e Idle Hands, funciona para o que o filme pede. Também no elenco, Michael Jai White, que foi o Spawn no filme de 1997, e Ivana Baquero, que era a menininha de Labirinto do Fauno. Poxa, com esse elenco o resultado poderia ser menos ruim!

Se alguma coisa se salva, gostei dos efeitos práticos e da maquiagem dos zumbis. Numa Hollywood repleta de cgi mal feito, é legal ver efeitos old school.

Casa Gucci

Crítica – Casa Gucci

Sinopse (imdb): Quando Patrizia Reggiani, uma mulher humilde, casa-se com um membro da família Gucci, a sua ambição desenfreada começa a desvendar o seu legado e desencadeia uma espiral de traição, decadência, vingança e finalmente homicídio.

Mês passado falei aqui de O Último Duelo, filme novo do octogenário Ridley Scott. E, olha só, mais um filme do Ridley Scott em cartaz nos cinemas!

Pena que, na minha humilde opinião, o resultado aqui ficou bem abaixo daquele. Vamulá.

Casa Gucci (House of Gucci, no original) segue o livro The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed, de Sara Gay Forden. Preciso admitir que não só não li o livro, como nem sabia do caso. Assim, não tenho ideia de quanto do que vemos na tela é história real e o quanto foi romantizado.

Casa Gucci é um belo filme. Boas locações, belos figurinos, boa reconstituição de época, atuações inspiradas. Mas… Não empolga. Digo mais: com duas horas e trinta e sete minutos de duração, o filme cansa.

O grande destaque são as atuações. O elenco é ótimo, e todos estão bem – acho que o único que está apenas ok é o protagonista Adam Driver. Lady Gaga, Al Pacino e Jeremy Irons estão ótimos. E Jared Leto consegue estar um degrau acima.

Jared Leto está irreconhecível. Não vi o trailer antes, não tinha visto nada sobre o filme, vou confessar que não o reconheci durante o filme. Quando começaram os créditos, a surpresa: como assim Leto é o Paolo Gucci? Quase deu vontade de rever o filme só pelas suas cenas. Uma indicação ao Oscar é algo quase certo.

Mas, o filme é longo e chato, a gente fica esperando, e a história não decola nunca. Além disso, algumas coisas ficaram meio abruptas, como por exemplo a separação do casal, que veio meio de repente. Me parece que o roteiro poderia ter uma lapidada melhor.

Ah, e tem uma cena que vai gerar risadas nos cinemas brasileiros, mas pelos motivos errados. Uma personagem fala que a música lhe traz recordações de Ipanema, e diz que vai dançar salsa por isso…

Tem gente reclamando dos sotaques. Todos falam inglês, com sotaque de italiano. Sim, ficou estranho, talvez fosse melhor se os atores falassem em italiano. Mas… Isso é meio padrão em filmes hollywoodianos, então não vejo muito sentido de reclamar só aqui.

No fim, fica a sensação de que esse elenco merecia um roteiro melhor.

A Casa Sombria

Crítica – A Casa Sombria

Sinopse (imdb): Uma viúva começa a descobrir os segredos perturbadores de seu recém falecido marido.

A Casa Sombria (The Night House, no original) é um bom filme “pequeno” de terror psicológico, que se baseia num bom roteiro, numa boa ambientação, e numa inspirada atuação da Rebecca Hall.

A ideia é boa. Uma mulher acabou de perder o marido, que se suicidou, e precisa aprender como seguir em frente. Eles moravam numa grande casa, isolada, à beira de um lago – a casa é quase um personagem no filme.

Diferente do tradicional que acontece em filmes de terror, não é uma casa velha, é uma casa moderna, cheia de grandes janelas. E mesmo assim, a ambientação é ótima. Uma coisa que achei muito legal aqui são silhuetas formadas por pedaços de móveis e de paredes. A personagem olha de um ângulo que aquilo parece uma silhueta de uma pessoa, mas a câmera se move e vemos que não tem nada lá. Efeito simples e eficiente, e que gera alguns bons jump scares.

Sobre o elenco, este filme é da Rebecca Hall. É daquele formato de filme onde todo o foco é no personagem principal – não só ela está em todas as cenas, como em várias cenas ela está sozinha. E Rebecca não decepciona, ela realmente convence com a complexa Beth, que está seriamente desnorteda pela morte de seu marido – e a narrativa do filme ajuda neste aspecto, sem deixar claro o que está acontecendo.

Ainda no elenco, uma coisa que achei curiosa foi o nome da Stacy Martin ter vindo em segundo lugar nos créditos, seu papel é bem pequeno. Também no elenco, Sarah Goldberg, Vondie Curtis-Hall e Evan Jonigkeit.

Quero fazer um comentário que pode entrar no terreno dos spoilers, então vou falar depois do aviso.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Você pode interpretar A Casa Sombria de duas maneiras diferentes. Realmente pode existir alguma coisa sobrenatural assombrando a Beth. Mas, se a gente pensar que ela está sempre sozinha quando acontecem as coisas, isso tudo pode ser dentro da cabeça dela. O filme deixa espaço para as duas interpretações. A minha é que tudo é psicológico.

FIM DOS SPOILERS!

O diretor David Bruckner está escalado para dirigir o reboot de Hellraiser. Heu gostava muito do primeiro filme, mas fui deixando de gostar conforme iam surgindo continuações (a última vez que contei, já tinham nove filmes!), então nem me empolgo com a notícia de um novo filme. Mas, ok, aguardemos antes de falar mal.

Oats Studios

Crítica – Oats Studios

Wikipedia: Oats Studios é um estúdio de cinema independente fundado em 2017 pelo cineasta sul-africano indicado ao Oscar Neill Blomkamp. O estúdio foi criado com o objetivo de distribuir curtas experimentais via YouTube e Steam, a fim de avaliar o interesse da comunidade e feedback sobre quais deles são viáveis para expansão em longas-metragens. Os atores apresentados nos filmes incluem Sigourney Weaver, Carly Pope, Sharlto Copley, Kellan Lutz e Dakota Fanning.

Quando fiz o texto sobre Demonic, pesquisei a página do imdb do Neill Blomkamp e vi que tinham vários curtas feitos nos últimos anos. Foi uma agradável surpresa ver que os curtas estão disponíveis na Netflix, como se fosse uma temporada de série, este Oats Studios.

São dez curtas, entre 4 e 26 minutos de duração. Nove foram dirigidos por Neill Blomkamp: Rakka, Base, Cozinhando com Bill, Deus: Serengeti / Chicago, Zigoto, Adam ep 2, Adam ep 3, Gdansk e Kapture: Gafanhotos. Presidente Ruim é o único que não sei se é dirigido por ele – no imdb não tem créditos de diretor!

De um modo geral, achei que todos têm um ponto positivo e um ponto negativo. O positivo é que o visual, a ambientação e os efeitos especiais são excelentes. Por outro lado, o ponto negativo é que quase todos parecem boas ideias, mas sem nenhum desenvolvimento. É uma introdução, quando parece que a história vai começar, o filme acaba. É meio frustrante, queria ver mais de algumas das histórias.

Na minha humilde opinião, três dos curtas não têm muito a ver com os outros, Deus: Serengeti / Chicago, Cozinhando com Bill e Presidente Ruim – aliás este Presidente Ruim é muito bom, principalmente nos dias de hoje. Curiosamente, os dois últimos têm o mesmo elenco, Alec Gillis e Carly Pope. Esses três fogem um pouco da proposta de futuros distópicos e invasões alienígenas que os outros trazem.

Um breve comentário sobre cada um:

Rakka – A Terra foi invadida e os alienígenas estão transformando o planeta e exterminando humanos. Um grupo de resistência se prepara para reagir.
Base – Vietnã, 1970, a CIA investiga o deus do rio e os eventos sobrenaturais que ele evoca.
Cozinhando com Bill – São 4 historinhas satirizando programas de culinária, mas com receitas e equipamentos bizarros. Engraçado, mas bobinho, e não tem muito a ver com os outros.
Deus: Serengeti / Chicago – Dois curtas onde Deus controla as pessoas em uma maquete. Esse é bem sem graça.
Zigoto – Duas pessoas estão em uma base isolada, com quase tudo destruído em volta, e estão fugindo de um ser assustador.
Adam ep 2 – Animação com robôs. História besta, animação excelente.
Adam ep 3 – Uma mulher procura abrigo num mundo pós apocalíptico
Gdansk – Animação curtinha que mistura idade média com ficção científica.
Kapture: Gafanhotos – Duas animações curtinhas com experiências bélicas.
Presidente Ruim – Um presidente americano caricato, vai agradar muita gente, só achei que não tem a ver com os outros curtas.

Alguns curtas são de alguns anos atrás, lembro de ter visto Zigoto no youtube em 2017.

Não é nenhuma novidade, mas é legal ter isso organizado pela Netflix. E foi legal ter visto algo do Neill Blomkamp depois da catástrofe que foi. Demonic.

O Ninho

Crítica – O Ninho

Sinopse (imdb): Samuel é um menino paraplégico que vive com sua mãe Elena em uma mansão. Quando conhece Denise, ele encontra a força para se abrir para o mundo. Elena não o deixa ir tão facilmente, e está pronta para fazer o que for preciso para detê-lo.

Uma coisa que sempre repito é que todo cinéfilo deve guardar os nomes dos diretores. Este ano vi Um Clássico filme de Terror, terror italiano dirigido por Roberto de Feo. Quando apareceu este O Ninho (Il Nido, no original) e vi que era o mesmo diretor, já bateu curiosidade.

(Curioso que Um Clássico filme de Terror é de 2021, enquanto O Ninho é de 2019…)

O Ninho é bem diferente do Um Clássico filme de Terror. Aqui a gente é apresentado a uma família dominada a rédeas curtas por uma matriarca cruel e ultra controladora. A gente sabe que tem alguma coisa escondida, mas não tem ideia do que está acontecendo.

Uma coisa muito boa aqui é a ambientação num casarão enorme e isolado de tudo. A fotografia com poucas cores também ajuda no clima. Outro ponto positivo é não saber em que época o filme se passa.

Roberto de Feo constrói bem os personagens, principalmente os dois jovens. E gostei da atuação dos dois, Justin Korovkin e Ginevra Francesconi. Acho que só não gostei do médico, me pareceu caricato demais.

O Ninho é bem lento, talvez fosse melhor se o filme fosse mais curto – me parece que não tinha história pra uma hora e quarenta e sete minutos de projeção. Mas o fim do filme traz um plot twist shyamalaniano, que explica todos as pontas soltas e dá um gás extra. Gostei, não esperava algo naquele caminho.

Noite Passada em Soho

Crítica – Noite Passada em Soho

Sinopse (imdb): Uma jovem apaixonada por design de moda pode entrar misteriosamente nos anos 60, onde conhece uma cantora deslumbrante. Mas a década de 1960 em Londres não é o que parece, e o tempo parece desmoronar com consequências sombrias.

Lembro de um Podcrastinadores onde estávamos falando sobre expectativas sobre filmes a estrear. Não gosto muito de criar expectativas, acho que a chance disso dar errado é grande, então normalmente evito ler muito sobre filmes vindouros. Mas, já que era pra citar um filme, falei de Noite Passada em Soho (Last Night in Soho, no original), porque era o filme novo do Edgar Wright depois de Baby Driver.

Edgar Wright tem um currículo impressionante (e, inexplicavelmente, é um nome muito pouco conhecido). Ele fez a trilogia cornetto – que tem três nomes péssimos aqui no Brasil, Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca. Ele também fez o genial Scott Pilgrim e a obra prima Baby Driver.

(Adoro Baby Driver, é um musical sem os atores cantando as músicas, tudo no filme está sincronizado com a trilha sonora.)

Para o bem e para o mal, Última Noite em Soho não quer ser um novo Baby Driver. Claro que heu queria ver outro filme com uma edição sonora como aquele, mas não reclamo de ver algo novo. Desta vez não é um filme de ação sincronizado com a parte musical; Wright nos apresenta um suspense com um toque sobrenatural e uma espécie de viagem no tempo. Achei que seria terror, mas acho que só adentra no universo do terror em alguns momentos na parte final. Mas, mesmo quando não é terror, tem um ou dois jump scares bem feitos.

Última Noite em Soho é extremamente bem filmado. O filme é cheio de cenas com espelhos, onde tem uma atriz de um lado e outra do outro lado. Não sei se ele tinha um cenário com um vidro no lugar do espelho, ou se ele filmou dois takes, um com cada atriz, só sei que o resultado ficou impressionante. Tem uma cena de uma dança, onde a câmera acompanha um casal, e a atriz é trocada durante a dança, várias vezes. Segundo o imdb, a dança foi coreografada, as atrizes realmente trocavam de lugar, sem efeitos especiais!

Aliás, preciso falar da atuação das duas atrizes. Thomasin McKenzie (Jojo Rabbit, Tempo) e Anya Taylor-Joy (Fragmentado, A Bruxa) estão ótimas! O roteiro dá espaço para as duas se desenvolverem, e ambas apresentam um resultado excelente. Tembém no elenco, Matt Smith, Terence Stamp e Diana Rigg – foi o último filme dela, antes de começar tem uma dedicatória “para Diana”.

Ah, sim, a reconstituição de época da década de 60 é fantástica. E, claro, depois de Baby Driver a gente precisa falar da trilha sonora. A trilha aqui, repleta de músicas da década de 60, ajuda a entrar no clima. E sempre as músicas são bem colocadas dentro do filme. Acho que só tem uma música que não é dos anos 60, uma música da Siouxsie and the Banshees – que aliás, é usada numa cena onde a edição do áudio ajuda o clima hipnótico vivido pela personagem.

(Descobri que duas músicas que gosto, da década de 80, são covers de músicas dos anos 60! I’ve got my mind set on you, que achava que era do George Harrison, teve uma gravação em 1962 por James Ray. E Always Something There to Remind Me, que achei que era da banda Naked Eyes, foi composta por Burt Bacharach e Hal David, e foi gravada por Sandie Shaw em 1964!)

O fim do filme traz um plot twist bem bolado – algumas pistas são deixadas ao longo do filme, mas posso dizer que não peguei essas pistas e gostei do plot twist.

Não tem cenas pós créditos, mas tem várias paisagens londrinas vazias – esses takes foram feitos durante o lockdown, quando não tinha ninguém nas ruas.

Segundo o imdb, Edgar Wright está trabalhando numa nova versão de O Sobrevivente / The Runing Man. Aguardemos.

Alerta Vermelho

Crítica – Alerta Vermelho

Sinopse (imdb): Um agente da Interpol rastreia o ladrão de arte mais procurado do mundo.

Grande lançamento da Netflix, Alerta Vermelho (Red Notice, no original) chega com a divulgação de ser “o filme mais caro da história da Netflix”. Pena que o dinheiro não garantiu a qualidade.

Escrito e dirigido por Rawson Marshall Thurber (que já tinha feito outros dois filmes com Dwayne Johnson, Um Espião em Meio e Arranha Céu), Alerta Vermelho tem como grande mérito o carisma de seus três atores principais, Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot. Realmente, nessa parte o filme funciona. Agora, o roteiro…

Alerta Vermelho tem tantas conveniências no roteiro que chega um ponto que o espectador diz “chega!”. Ok, a gente entende que é Hollywood, filme pipoca, pra desligar o cérebro e curtir, mas precisa saber dosar. Porque é difícil chegar ao fim sem pensar “pô, aí não, forçaram a barra”.

Pra piorar, alguns cenários são bem básicos, nem parece “o filme mais caro”. Tem uma cena numa floresta, logo depois da cachoeira, que quase dá pra ver a parede do estúdio, de tão artificial.

(E, olha, quando mostram o ponto no mapa na América Latina, heu acho que aquilo é no Brasil e não na Argentina…)

Agora, preciso admitir que me diverti em vários momentos. Reconheço que os trio principal de atores repete os papeis de sempre, mas esses papeis funcionam bem.

Aliás, preciso dizer que Ryan Reynolds acertou em cheio pelo menos duas vezes. Uma é quando o filme entra numa vibe Caçadores da Arca Perdida e ele assobia o tema do Indiana Jones; a outra é quando ele diz que está procurando “uma caixa que diz MacGuffin”. Ri alto nessas duas piadas.

(MacGuffin era um termo usado por Hitchcock pra falar de alguma coisa que os personagens estão procurando, mas que não tem importância pro espectador. Segundo a wikipedia, “é um dispositivo do enredo, na forma de algum objetivo, objeto desejado, ou outro motivador que o protagonista persegue, muitas vezes com pouca ou nenhuma explicação narrativa. A especificidade de um MacGuffin, normalmente, é sem importância para a trama geral.”)

Ou seja, Alerta Vermelho só serve se você for fã dos atores e se desligar de todo o resto. Dá pra se divertir, mas é bem esquecível.

Alerta Vermelho está na Netflix, mas também teve lançamento nos cinemas. Achei uma estratégia estranha. Lembro que quando O Irlandês estreou na Netflix, houve sessões nos cinemas. Mas, IMHO, O Irlandês é um filme com mais atrativos pra levar o espectador pro cinema. Tenho minhas dúvidas se este Alerta Vermelho vendeu algum ingresso.

Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Crítica – Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Sinopse (filmeB): Bob Cuspe é um velho punk tentando escapar de um deserto apocalíptico que é na verdade um purgatório dentro da mente do seu criador, Angeli, um cartunista passando por uma crise criativa.

Não lembro exatamente em que ano, mas, na minha adolescência, segunda metade dos anos 80, lia várias HQs nacionais de humor adulto: Circo, Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Striptiras, Níquel Náusea, Geraldão, etc. Conheci o trabalho de vários quadrinistas, como Glauco, Luiz Gê, Fernando Gonzalez, Laerte e Angeli. Na minha humilde opinião, estes dois últimos eram os que tinham a obra mais rica. Heu sempre preferi mais o Laerte (tenho várias revistas e livros, incluindo aí todas as 14 revistas dos Piratas do Tietê, compradas nas bancas na época que foram lançadas; e uma coletânea de três volumes em capa dura lançada nos anos 2000), mas é inegável que o Angeli tinha uma riquíssima galeria de personagens icônicos, como a Rê Bordosa, a Mara Tara, os Skrotinhos, Wood & Stock, Osgarmo, Walter Ego… e o Bob Cuspe.

(Ainda preciso citar a genial revista Los Três Amigos, inspirada no filme com Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. A revista trazia três personagens, desenhados por Angeli, Laerte e Glauco, cada um usando o seu estilo próprio.)

Não sei se foi coincidência ou se planejaram, mas há pouco tivemos Cidade dos Piratas, mistura de documentário e ficção mostrando como o Laerte de hoje em dia lida com sua obra. E agora a gente tem Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, que tem um formato bem parecido, é uma mistura de documentário com ficção mostrando como o Angeli de hoje em dia lida com sua obra. E, apesar de gostar mais de Laerte e Piratas do Tietê, reconheço que o resultado aqui ficou melhor.

Dirigido por Cesar Cabral, Bob Cuspe é um longa de animação em stop motion, o que por si só já é uma coisa muito legal (outras animações por computador são mais fáceis de fazer, são poucos os que ainda insistem no stop motion) – só pra dar um exemplo, a equipe deste longa gastava um mês pra fazer 5 minutos de filme. Bob Cuspe alterna entre a parte documentário, onde o próprio Angeli (como bonequinho) é entrevistado; e um mundo pós apocalíptico, que seria a mente do desenhista em crise criativa.

A qualidade da animação é excelente. O visual dos bonequinhos me lembrou Anomalisa, mas só o visual, o filme não tem nada a ver. Os bonequinhos são muito bem articulados, e o visual pós apocalíptico é bem legal. E, na parte onde mostra o Angeli, aparentemente filmaram e animaram em cima dos movimentos reais, realmente parecem movimentos humanos. E, pra aumentar a sensação de realidade, o “documentário” tem até ajustes de enquadramento e foco.

Rolam participações especiais de alguns outros personagens do Angeli, como Rê Bordosa, Ralah Rikota e os Skrotinhos – a cena com os Skrotinhos é de rolar de rir. Os inimigos do mundo do Bob Cuspe são pequenas versões do Elton John – não me lembro de ter lido isso nas HQs…

No elenco, Milhem Cortaz faz a voz do Bob Cuspe, enquanto Paulo Miklos faz a voz dos dois personagens que interagem com ele – acho que ambos se chamam Kowalski – boas escolhas. Angeli interpreta ele mesmo, assim como Laerte, que tem uma participação pequena. Também no elenco, Grace Gianoukas, André Abujamra, Beto Hora e Hugo Possolo.

Gostei da trilha sonora, tanto a trilha composta por André Abujamra e Márcio Nigro quanto as músicas inseridas, dos Titãs, Inocentes e Mercenárias.

Por fim, preciso dizer que não gostei do fim. Parece que não tinham um bom fim, e alguém deve ter lembrado “galera, um mês pra fazer 5 minutos, bora fechar de qualquer maneira pra lançar logo!”. Não estragou a experiência, mas foi um final bem fuén.