Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

Crítica – Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

Sinopse (imdb): A dupla formada pelo guarda-costas Michael Bryce e o assassino Darius Kincaid está de volta em outra missão com risco de vida. Ainda sem licença e sob escrutínio, Bryce é forçado a entrar em ação pela esposa ainda mais volátil de Darius, a infame vigarista internacional Sonia Kincaid. Enquanto Bryce é levado ao limite por seus dois protegidos mais perigosos, o trio se mete em uma trama global e logo descobre que eles são os únicos que podem salvar a Europa de um louco vingativo e poderoso.

Em 2017, tivemos Dupla Explosiva um divertido filme de ação / comédia, com Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, uma bobagem exagerada e divertida. Como se faz uma continuação de um filme desses? É fácil, é só exagerar ainda mais.

A trama não faz sentido e é cheia de absurdos. Mas quem não se ligar em detalhes como “lógica”, vai se divertir. O grande trunfo aqui é o elenco. Não é qualquer filme que tem Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Salma Hayek, Antonio Banderas e Morgan Freeman. Eles estão atuando bem? Não importa, o importante aqui é que parece que eles estão se divertindo muito, e isso passa para a tela. Aliás é curioso analisar a carreira do Ryan Reynolds e ver que ele fazia comédias românticas. Hoje é impossível vê-lo fora do clima Deadpool.

O cgi aqui às vezes é meio capenga, mas pelo menos as sequências de ação são boas, e bem violentas. É, claro, algumas piadas são hilariantes.

Ok, admito que o roteiro poderia ser melhor. Um exemplo claro: o personagem do Frank Grillo aparece e some quando sem explicações. Focaram demais nas piadinhas e aparentemente esqueceram de revisar o roteiro…

Por fim preciso falar mal do título em português. O primeiro filme era The Hitman’s Bodyguard, ou seja, “O Guarda Costas do Assassino de Aluguel” – mas resolveram chamar de “Dupla Explosiva”. Agora, com Hitman’s Wife’s Bodyguard, tiveram que chamar de Dupla Explosiva 2, o que não faz sentido…

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime é bom? Não. Mas me diverti vendo. Se fizerem um terceiro filme, verei!

Rua do Medo 1978 – Parte 2

Crítica – Rua do Medo 1978 – Parte 2

E vamos para o segundo filme da trilogia!

Sinopse (imdb): Shadyside, 1978. As aulas acabaram e as atividades de verão no Campo Nightwing estão prestes a começar. Mas quando outro Shadysider é possuído pelo desejo de matar, a diversão ao sol se torna uma luta horrível pela sobrevivência

Falei do primeiro filme alguns dias atrás. É um projeto diferente, uma série de 3 filmes, não me lembro de nenhuma trilogia sendo produzida e lançada assim ao mesmo tempo.
Normalmente quando temos uma continuação de um filme, isso acontece um tempo depois do lançamento, depois de análises da crítica e do público. O novo filme é adaptado pensando nesses fatores. Me lembro de dois casos onde a produção do segundo e do terceiro filme foi ao mesmo tempo – De Volta Para o Futuro e Matrix – mas o único caso que me lembro de uma trilogia feita de uma vez foi O Senhor dos Anéis, e que mesmo assim teve reajustes entre os lançamentos, um a cada ano.

No caso de Rua do Medo, como os três filmes são um único projeto, o segundo filme serviu pra complementar o primeiro. Dentro de um contexto mais desenvolvido, o primeiro filme até ficou melhor. Me lembrei daquele meme do Leonardo DiCaprio: antes você tinha a minha curiosidade, agora você tem a minha atenção!

Vamos ao filme. Se o primeiro – que era ambientado em 1994 – tinha toques de slashers dos anos 90, como Pânico, agora a trama se passa em 1978, e o filme tem um jeitão de Sexta Feira 13, além de uma citação clara a Carrie A Estranha.

Desta vez temos mais mortes, e consequentemente mais sangue – o que é bom, já que estamos falando de um filme de terror. E, mais uma vez, a trilha sonora dos anos 70 é ótima, com The Runaways, Kansas, Foghat e Captain & Tenille, entre outras.

No elenco, as duas principais são Sadie Sink (que também estava em Stranger Things) e Emily Rudd (que não é parente do Paul Rudd). As duas são ótimas, boas atrizes, boas personagens, mostrando duas irmãs que não pensam e agem da mesma forma.

Assim como aconteceu com o primeiro filme, este segundo Rua do Medo não é um “novo clássico obrigatório”. É apenas mais um slasher. Mas, bem feito e bem divertido. Quem curte o estilo vai curtir o filme.

O segundo filme termina com um gancho e um trailer para o terceiro filme, que vai se passar 300 anos antes – a história se passa em 1666! Tenho muitas dúvidas sobre como certas coisas vão ser resolvidas, mas vou dar um voto de confiança para a diretora Leigh Janiak e não vou comentar nada antes de ver o filme.

Em breve comento o terceiro filme. Aguardem!

The Ice Road

Crítica – The Ice Road

Sinopse (imdb): Após um desmoronamento em uma remota mina de diamantes nas regiões do extremo norte do Canadá, um motorista de caminhões lidera uma missão de resgate impossível através de estradas de gelo sobre um oceano congelado para salvar a vida de mineiros presos, apesar do degelo das águas e de uma ameaça que eles nunca imaginaram chegando.

Hoje meio que existe um subgênero “filme do Liam Neeson”, onde ele quase sempre faz uma versão do coroa badass que ele fez na série Busca Implacável. Aqui em The Ice Road ele não está tão badass, ele funciona melhor quando é apenas um caminhoneiro.

A premissa inicial do filme escrito e dirigido por Jonathan Hensleigh é boa. Mineiros estão presos numa mina e vão ficar sem ar. Precisam de uma peça muito grande e muito pesada, que não tem como transportar de helicóptero, precisa ser transportada por caminhão. E o caminho mais rápido é por cima do lago / oceano congelado, a tal estrada de gelo do título do filme – e estamos numa época que a temperatura começa a aumentar, e o gelo pode ser fino e não aguentar o peso dos caminhões.

Na minha humilde opinião, só essa trama seria o suficiente pra segurar o filme. Temos algumas cenas bem tensas com os caminhoneiros lutando contra adversidades da natureza. Mas… Resolveram criar um vilão humano. É um personagem bem ruim, e todas as cenas com o vilão são mais fracas.

Tem uma parte do filme que isso fica bem claro. São duas sequências intercaladas. Em uma delas acompanhamos um caminhão passando por uma ponte que está quase arrebentando, e o caminhão está derrapando, cena tensa e muito boa. Na outra, Liam Neeson sai na porrada com um cara. Pra que??? Será que o Liam Neeson tem alguma cláusula no contrato que obrigue o filme a ter cena de briga? Bora focar no caminhão na ponte!

Acaba que o filme dedica tempo demais no vilão desnecessário, e o fim do filme é frustrante. O motivo principal que move o filme é que os caminhoneiros precisam levar uma determinada peça para salvar os mineiros. E o filme não mostra como essa peça funciona!!! Pra que perder tempo desenvolvendo um plot com vilão em vez de mostrar o salvamento?

Isso fora algumas decisões burras. Um dos personagens morre por uma falha que heu, que nunca dirigi caminhão, não faria. Mas, decisões burras existem em todos os filmes, vou relevar isso.

No elenco, Liam Neeson mostra a competência habitual. O outro grande nome no elenco é Laurence Fishburne, que está apenas burocrático. Também no elenco, Marcus Thomas, Amber Midthunder, Benjamin Walker e Holt McCallany

No fim, The Ice Road nem é ruim, mas poderia ser bem melhor. Mas vai agradar ao fã clube do Liam Neeson.

Space Jam

Crítica – Space Jam: Um Novo Legado

Sinopse: Uma inteligência artificial desonesta sequestra o filho do famoso jogador de basquete LeBron James, que então tem que trabalhar com o Pernalonga para ganhar um jogo de basquete.

Antes de entrar no filme, tenho dois comentários sobre o público alvo. Em primeiro lugar, mesmo sabendo que LeBron James é um dos maiores jogadores da história do basquete, tenho minhas dúvidas se o público brasileiro vai comprar essa ideia. Me parece que o basquete aqui está em segundo plano.

Mas, ok, entendo que a onda de Space Jam é misturar Looney Tunes com basquete, então que o público aceite isso. O segundo comentário é que Space Jam: Um Novo Legado (Space Jam: A New Legacy, no original) é um filme para crianças, mas acho que as crianças de hoje não dão bola para o Pernalonga. E, vou além: o filme é cheio de piadas referenciais para os adultos, onde as crianças não vão entender nada. Afinal, quem é o público alvo de Space Jam?

Mas, heu curto Pernalonga, e heu curto humor referencial, então, bora pro filme!

O novo Space Jam é uma bobagem divertida. A história não faz o menor sentido, tudo parece feito só pra juntar o LeBron James com Pernalonga e sua turma, independente se tem lógica ou não. Tudo é muito nonsense. Agora, a gente tem que lembrar que muitas vezes o humor do Pernalonga também é nonsense. Então pra quem curte (ou curtia) os desenhos, grandes chances de curtir o filme.

A animação é muito boa. Quando os Looney Tunes estão em 2D, o LeBron James também está desenhado. É um momento “desenho à moda antiga”. Agora, quando o LeBron está em live action interagindo com os personagens, eles ganham volume e parecem bichos de pelúcia. Talvez isso seja pra mostrar a qualidade da animação 3D. Ou talvez isso seja pra vender bonecos. Acredito mais na segunda opção. 😉

Falei no início sobre as referências que as crianças não vão pegar, né? Talvez o melhor do filme sejam essas muitas referências a outros filmes, séries e desenhos da Warner. No jogo de basquete, são dezenas de personagens na plateia, dá vontade de pausar o filme pra tentar identificar todos. E claro que muitos daqueles não serão reconhecidos pela plateia infantil, mas isso nem é ruim, porque eles só estão para compor o cenário, não fazem parte da trama. Agora, tem citações diretas a Casablanca, Mad Max, Matrix, Rick & Morty, Austin Powers, e essas estão dentro da trama do filme. Quando aparecer o Mini Me, as crianças vão se perguntar por que os adultos estão rindo…

Ah, sem spoilers, mas preciso dizer que a melhor piada que vi no cinema em 2021 está aqui, na cena do vestiário no intervalo do jogo!

Sobre o elenco, LeBron não é ator, mas funciona para o que o papel pede. O único nome de peso é Don Cheadle, que está muito caricato, mas acho que foi de propósito. Não gostei, mas como é um vilão de filme infantil, relevo.

(Mais alguém achou aquele assistente dele igual àquele clips que ficava no Word?)

No fim, Space Jam: Um Novo Legado é divertido, mas fica a sensação de um filme que será esquecido com o tempo.

Rua do Medo 1994 – Parte 1

Crítica – Rua do Medo 1994 – Parte 1

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos adolescentes acidentalmente encontra o antigo mal responsável por uma série de assassinatos brutais que assolam sua cidade há mais de 300 anos. Bem-vindo a Shadyside.

A proposta aqui era diferente. Em vez de um novo seriado, é uma série de filmes. Uma trilogia, três filmes, lançados com intervalo de uma semana cada. Ok, a gente tem zilhões de trilogias no cinema, mas não me lembro de nenhuma lançada com intervalo de apenas uma semana entre cada filme. Isso é muito bom, principalmente pra aqueles que, assim como heu, se esquecem de detalhes dos filmes vistos há muito tempo…

Rua do Medo (Fear Street, no original) é baseado em uma série de livros escritos por R L Stine, o mesmo de Goosebumps. Mas se aquele é direcionado ao público infanto juvenil, Rua do Medo pega mais pesado, rolam algumas mortes com algum gore e até rola algum sexo. Nada muito expositivo, mas não é para o mesmo público alvo de Goosebumps.

A diretora Leigh Janiak admite a influência dos slashers dos anos 90, inclusive a cena inicial é muito Pânico. E Rua do Medo segue esse formato, um grupo de jovens tentando escapar de um assassino. Nada de inovador, mas pelo menos são bons personagens. Ah, e assim como aconteceu em Cruella, a trilha sonora de anos 90 é ótima, tem Nine Inch Nails, Soundgarden, Garbage, Radiohead, Prodigy… me senti nos meus tempos de frequentador de Basement e Doctor Smith. Detalhe: tem um monte de músicas conhecidas, mas também tem trilha orquestrada do Marco Beltrami, para os momentos tensos.

Rua do Medo não tem grandes nomes no elenco. Acho que só conhecia Maya Hawke, de Stranger Things (e filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), que está em um papel pequeno. Mas este é daquele tipo de filme que não tem espaço para grandes atuações. O elenco conta com Kiana Madeira, Olivia Scott Welch, Benjamin Flores Jr, Julia Rehwald e Fred Hechinger. Ninguém se destaca, nem positiva, nem negativamente.

Se Rua do Medo fosse apenas um filme “solo”, dificilmente ia chamar a atenção. Visto sozinho, é apenas mais um slasher meia boca, a gente já viu isso várias outras vezes. Mas, fazendo parte de um projeto, a coisa muda de figura. No fim do filme, um personagem começa a contar uma história, e temos um gancho para o segundo filme (que curiosamente se passa antes do primeiro).

Ainda não vi o terceiro, mas já vi o segundo. Em breve comento aqui!

Um Lugar Silencioso Parte 2

Crítica – Um Lugar Silencioso Parte 2

E vamos para um dos filmes mais aguardados desde o início da pandemia!

Sinopse (imdb): Após os acontecimentos em casa, a família Abbott agora enfrenta os terrores do mundo exterior. Forçados a se aventurar no desconhecido, eles percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças à espreita além do caminho de areia.

Explico a introdução. A sessão de imprensa de Um Lugar Silencioso Parte 2 (A Quiet Place Part 2, no original) estava marcada, em março de 2020. Veio a pandemia, cancelaram a sessão. E, diferente de outros títulos, Um Lugar Silencioso Parte 2 nunca foi para os streamings, estavam guardando para a volta dos cinemas. Ou seja, pelo menos pra mim, esta estreia foi um marco – o cinema está voltando!

Antes de entrar nesta segunda parte, um rápido comentário sobre o primeiro filme. É um bom filme, reconheço suas qualidades, mas… tem uma coisa naquele filme que me incomoda. Me incomoda tanto que não consigo relevar. Vamulá. Eles vivem num mundo onde monstros atacam guiados pelo som, então tudo precisa ser no máximo de silêncio possível. E vai nascer um bebê, não tem como controlar o silêncio com um bebê recém nascido. Mas… Eles descobrem que podem falar alto ao lado da cachoeira. Como a cachoeira faz um barulho constante, as falas ficam “camufladas”.

ENTÃO POR QUE NÃO FAZER UMA CASA AO LADO DA CACHOEIRA???

Achei isso uma atitude tão burra que nem cogitei o primeiro filme no meu top 10 daquele ano…

Mas, vamos ao segundo filme!

Mais uma vez co-escrito e dirigido por John Krasinski, que também co-escreveu e dirigiu o primeiro, Um Lugar Silencioso Parte 2 segue a vida da mesma família, logo depois dos eventos do primeiro filme.

Na verdade, o filme tem uma sequência inicial que é um prólogo, sequência muito boa, diga-se de passagem. Não li em lugar nenhum, é um palpite meu, me parece que John Krasinski queria aparecer como ator, e como o seu personagem morreu no primeiro filme, ele precisava de um flashback. Sei lá se isso é verdade ou não, mas posso dizer que a sequência é boa, mostra o momento que os monstros chegaram e começam a atacar. Os bichos são rápidos e assustadores, e as cenas são extremamente bem filmadas.

Krasinski consegue fazer um bom trabalho na construção da tensão que permeia toda a projeção. O filme é muito tenso, e rolam uns bons jump scares aqui e ali.

Aliás, a parte técnica do filme é primorosa. Pelo lado dos efeitos especiais, desta vez vemos os monstros com muito mais detalhes, e o cgi está perfeito. Mas, não podemos ignorar o minucioso trabalho de som. É um filme que usa muito o silêncio, tanto em cenas onde os personagens precisam ser silenciosos, quanto em cenas onde o som é cortado, para mostrar o ponto de vista de uma personagem que é surda.

No elenco, Cillian Murphy se junta à familia de Emily Blunt, Millicent Simmonds e Noah Jupe, e também temos um Djimon Hounsou num papel menor, quase uma ponta de luxo. Todos estão muito bem. A personagem de Millicent Simmonds ganha uma importância maior e ela quase vira uma protagonista. Nada contra, principalmente se a gente lembrar que, além de boa atriz, ela é surda, então esse papel é perfeito pra ela. Minha única reclamação é mimimi de fã chato, então podem ignorar: sou fã da Emily Blunt, queria vê-la mais tempo na tela.

Ouvi falar de boatos sobre um vindouro terceiro filme. Que mantenha a qualidade!

Viúva Negra

Crítica – Viúva Negra

Sinopse (imdb): Em missões entre os filmes Guerra Civil e Guerra Infinita, Natasha Romanoff precisa lidar com seu passado como espiã e os relacionamentos rompidos deixados em seu rastro, muito antes de se tornar uma Vingadora.

A Marvel deu sorte com timing da pandemia. Quando os cinemas fecharam, a Marvel tinha acabado de fechar a fase 3 com Vingadores Ultimato e Homem Aranha Longe de Casa – imagina se tivessem fechado antes do Vingadores Ultimato?

Sem os cinemas, a Marvel se adaptou ao streaming e lançou 3 séries, Wandavision, Falcão e o Soldado Invernal e Loki – enquanto Falcão e o Soldado Invernal segue o formato dos filmes, Wandavision e Loki pegaram caminhos diferentes e mostraram que a Marvel ainda pode ir muito longe quando se fala de audiovisual de super heróis.

Mas… Cinemas estão aos poucos voltando, e ao mesmo tempo o streaming tá aí firme e forte, e finalmente chegou a hora de um novo lançamento de filme do MCU. Viúva Negra estreia nos cinemas e ao mesmo tempo no Disney+.

Finalmente temos o filme solo da Natasha Romanoff – tivemos filmes solo de vários outros, por que nunca tinham feito o dela? Dirigido pela quase desconhecida Cate Shortland (mais uma vez mostrando que a Marvel faz “filme de produtor” e não “filme de diretor”), Viúva Negra é o filme que estava faltando. Pena que talvez tenha vindo tarde demais. Tarde demais porque a Natasha morreu no último Vingadores, e a princípio sua personagem não voltará mais. Será que não era melhor ter esse filme antes?

Enfim, antes tarde do que nunca. Viúva Negra é um “legítimo Marvel”. Cenas de ação excelentes, algumas piadinhas aqui e ali, inclusive satirizando os clichês de super herói – em determinado momento a Yelena pergunta por que a Natasha sempre cai fazendo pose. E, principalmente, um filme sólido e coeso com um grande universo cinematográfico cada vez mais complexo.

Não li nada antes de assistir, achava que era o “filme de origem”, mas, na verdade, Viúva Negra se passa entre Guerra Civil e Guerra Infinita. Mas, ok, o filme ficou coerente com o MCU.

Claro que temos vários novos personagens. Rachel Weisz e David Harbour estão bem – Harbour faz um alívio cômico que beira a caricatura, mas heu gostei do personagem. Mas, a melhor coisa do elenco é Florence Pugh, que já tinha mandado bem em Midsommar, e aqui quase rouba o protagonismo da Scarlett Johansson. Ela é uma excelente personagem, não só na parte física (ela é muito boa nas cenas de briga). mas também no pouco espaço que o filme deixa pro drama – a personagem dela, Yelena, é quem mais sofreu as consequências dos atos praticados no início do filme.

Sobre os vilões, duas críticas. Gostei do Taskmaster, que parece meio um robô – e tem olhos de cylon! Mas o plot twist sobre quem é debaixo da armadura é meio óbvio. Já o outro vilão, Dreykov, vivido por Ray Winstone, é bem clichê. Sabe aquele vilão que conta o plano todo para o mocinho no momento chave do filme? Poizé. Ok, entendo que metade dos filmes de ação têm esse clichê, mas, da Marvel, a gente espera mais, né? (Pô, tá rolando a série do Loki! Que vilão!)

A mesma crítica falo sobre o terceiro ato do filme. Muita correria e muita explosão, a gente até se perde no meio daquilo tudo. Mas, repito, metade dos filmes de ação têm isso, não é uma crítica à Viúva Negra em particular… Agora, vou te falar que a cena final é de tirar o fôlego. Não falo aqui por causa de spoilers, mas é quando a Natasha consegue escapar.

(Um pequeno parênteses pra reclamar de uma cena em particular: quando a avalanche alcança a prisão, as montanhas não estavam meio longe? Uma avalanche avança tanto em terreno plano?)

Apesar desses clichês, curti o filme. A Marvel continua mostrando porque virou referência quando se fala de filme de super heróis. Aguardemos os próximos, ainda estão previstos mais 3 filmes ainda este ano: Shang Chi, Eternos e o novo Homem Aranha.

Ah, tem uma cena pós créditos. Boa cena. Mas só quem estiver em dia com a Marvel que vai pegar.

Dom

Crítica – Dom

E vamos para mais uma série nacional: Dom!

Sinopse (prime video): Um pai que vive para combater as drogas. Um filho que vive se entregando a elas. Dois lados da mesma moeda. Victor é um policial que lutou contra o tráfico de cocaína durante toda sua vida. Seu filho é um dependente químico que se tornou um dos mais procurados assaltantes do Rio de Janeiro, o Pedro Dom. Será o amor de um pai suficiente para salvar a vida do filho?

Inspirado numa história real, Dom tem duas linhas temporais. Em 1970, um jovem mergulhador acaba virando um agente infiltrado no morro Santa Marta, para acompanhar a chegada da cocaína no Rio de Janeiro. E em 1999, o mesmo personagem, adulto, convive com um filho viciado em cocaína.

Dom foi baseado em uma história real. Existiu um Pedro Dom, líder de uma quadrilha que roubava apartamentos de luxo, que era viciado em cocaína e morava na Zona Sul. Como não me lembro de detalhes sobre o caso, não sei quanto do que está na série realmente aconteceu e o quanto é ficção. Enfim, aqui vou falar só sobre a série.

A série é baseada em dois livros, “Dom”, de Tony Belotto; e “O Beijo da Bruxa”, de Luiz Victor Lomba. A produção ficou com a cargo da Conspiração, e a direção é de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco, Gonzaga de Pai pra Filho, Entre Irmãs).

Primeira série produzida pela Amazon aqui no Brasil, Dom chama a atenção pela qualidade técnica, que não deixa nada a dever pra produções gringas. Por mais que 1999 seja “ontem”, não deixa de ser uma produção de época. Aliás, falando neste aspecto, a parte contada em 1970 não tem só roupas e penteados coerentes com a época – a gente vê calçadas com orelhões e dezenas de carros de época espalhados.

Mas não é só a reconstituição de época. Com muitos takes externos, em várias paisagens cariocas, a fotografia de Dom em nada lembra produções televisivas. Dom tem cara de cinema.

Li uma crítica que tem uma certa lógica. A história que se passa em 1970 não tem nenhuma conexão com a de 1999. Ou seja, para uma série chamada “Dom”, metade da história não tem nenhuma relação com o personagem título. Verdade. Mas isso não me incomodou, porque a história de 1970 com o Victor jovem é muito boa e muito bem contada. Mas entendo quem reclame deste detalhe.

As atuações são ótimas. Não conhecia o protagonista Gabriel Leone, li em algum lugar que ele estava irreconhecível (ele tem carreira na TV, mas confesso que nunca tinha visto nada dele) – e realmente ele está bem diferente das fotos de divulgação por aí. Aliás, preciso admitir que não conhecia quase ninguém do elenco, mas afirmo que todos estão bem. Flavio Tolezani e Filipe Bragança interpretam Victor nas duas linhas temporais. Também no elenco, Raquel Villar, Isabella Santoni, Digão Ribeiro e Ramon Francisco. E pra não dizer que não conhecia ninguém do elenco, tem dois nomes, que estavam em Cidade Invisível: Julia Konrad e Fábio Lago. Aliás, preciso dizer que, assim como em Cidade Invisível, Fábio Lago também está muito bem aqui.

Preciso falar que não gostei do fim. O último capítulo não tem muita coisa pra contar, a história meio que se arrasta, podia ter sido só com sete capítulos. E a cena final, logo a última, não gostei, porque mostra um personagem diferente daquele que a gente viu durante toda a série. É complicado falar sem spoilers, mas as atitudes do personagem naquela cena final não combinam com o que foi apresentado até lá. Fui pesquisar, aquilo realmente aconteceu com o Pedro Dom da vida real, provavelmente filmaram a cena por isso. Mas, na série, ficou over. A não ser que isso seja um gancho para uma segunda temporada, que desenvolveria o personagem e mostraria como ele chegou naquele ponto. Mas, do jeito que foi mostrado, não gostei. Não chega a estragar a série, mas por mim o final seria sem aquela cena.

Dom tem 8 capítulos de aproximadamente uma hora cada, e está disponível na Amazon Prime Video.

A Guerra do Amanhã

Crítica – A Guerra do Amanhã

Sinopse (imdb): O mundo fica chocado quando um grupo de viajantes do tempo chega em 2022 para entregar uma mensagem urgente: Trinta anos no futuro, a humanidade está perdendo uma guerra global contra uma espécie alienígena mortal. A única esperança de sobrevivência é que os soldados e civis do presente sejam transportados para o futuro e se juntem à luta.

Primeiro filme live action dirigido por Chris McKay (que dirigiu Lego Batman e editou Uma Aventura Lego), A Guerra do Amanhã (The Tomorrow War, no original) é muito divertido. Parece uma mistura de Independence Day com Aliens o Resgate. Mas, assim como Independence Day, a gente não pode se ligar muito em detalhes do roteiro, porque aí podemos descobrir várias inconsistências.

Algumas coisas funcionam bem, outras nem tanto. Gostei muito dos alienígenas, tanto do visual, quanto do cgi. O conceito é bem legal, são bichos com seis patas e dois rabos que soltam espinhos, e são muitos, e são rápidos. Conseguiram criar um novo monstro, e que é assustador! E, sobre o cgi, muitas cenas são claras, de dia. A gente sabe que muitos filmes usam cenas escuras pra esconder falhas no cgi. Isso não acontece aqui.

Agora, o roteiro… Esse lance de viagem no tempo é complicado. O mais lógico seria voltarem no tempo pra logo antes do surgimento dos monstros, mas eles explicam que não conseguem escolher a data exata. Mas, ora, como é que escolheram a data da final da Copa do Mundo?

(Aliás, cena engraçada pros brasileiros. Logo no início, as pessoas estão vendo pela TV o jogo da final da Copa do Mundo no Qatar, ano que vem. Brasil contra um time de azul que não consegui identificar. Mas vemos o nome do jogador brasileiro: “Peralta”.)

Mas, ok, eles não conseguem ajustar a data. Mas, então, por que mandar pessoas do presente pra morrerem no futuro, numa guerra que não tem como ganhar? Não seria mais lógico voltar e se preparar para o dia e local onde os monstros apareceriam, para evitar que se espalhassem pelo mundo, e assim ninguém morreria nessa nova linha temporal?

(Cada vez que penso mais na viagem no tempo, mais desenvolvo outras soluções melhores que a apresentada. Melhor parar por aqui.)

Ainda no roteiro, um breve spoiler quase inofensivo. Ter um estudante do ensino médio como especialista em vulcões é uma solução que hoje em dia não cola mais. Mais uma vez, me lembrei do Independence Day com os alienígenas sendo derrotados por um vírus de computador. Os anos 80 ligaram, e pediram essa cena de volta!

A Guerra do Amanhã é longo, duas horas e vinte, e tem um bom ritmo nas cenas de ação. Agora, as partes de drama no meio são um pouco cansativas. Tem uma cena na praia onde rola quase uma DR onde fiquei pensando “por que tanta problematização?”

Chris Pratt está bem, apesar de seu personagem não ser muito diferente do Starlord que a gente está acostumado. Uma surpresa positiva foi ver o JK Simmons boladão – um tempo atrás, viralizou uma foto dele malhando, com barba branca, e o diretor, quando o procurou, disse que queria um visual como o daquela foto. Ele aparece pouco, mas está ótimo. Por outro lado, toda vez que aparecia o Sam Richardson, ele atrapalhava. Um dos piores alívios cômicos do cinema recente. Ele realmente travava as cenas com as piadas sem graça e fora de hora. Também no elenco, Yvonne Strahovski, Betty Gilpin, Jasmine Mathews e Keith Powers. Ah, pra quem via 24 Horas, Mary Lynn Rajskub, a Chloe, tem um papel pequeno mas importante.

Por fim, recomendo que você não pense muito nas inconsistências e se divirta. Fiquei até com pena de não ter visto no cinema, algumas cenas com vários aliens pediam uma tela grande!

Luca

Crítica – Luca

Sinopse (imdb): Um menino vive um verão inesquecível à beira-mar na Riviera Italiana repleto de gelato, macarrão e passeios de scooter sem fim. Luca compartilha essas aventuras com seu novo melhor amigo, mas toda a diversão é ameaçada por um segredo profundo: ele é um monstro marinho de outro mundo logo abaixo da superfície do oceano.

Luca é bonitinho, tem bons personagens, uma história cativante e um visual que enche os olhos. Mas mesmo assim é uma decepção.

Luca carrega a responsabilidade de ser “o novo Pixar”. E, com títulos como Toy Story, Wall-E, Up, Divertida Mente, Monstros S.A., Soul e outros, a Pixar nos ensinou que desenhos animados podem ser algo a mais. Então o espectador vai ao cinema para ver mais uma nova obra prima. Quando vem um filme apenas bom, pode não agradar.

Mas… Isso é uma espécie de head canon, coisa que sempre critico. Head canon é quando você imagina algo na sua cabeça, e quando o filme te apresenta algo diferente, você não gosta. Mas, não é culpa do filme, e sim da expectativa que você criou sobre o filme. Como costumam dizer em términos de relacionamento, “a culpa não é sua, a culpa é minha”.

Então, se a gente analisar Luca sem compará-lo com o catálogo da Pixar, o filme até funciona.

Luca é o primeiro longa metragem dirigido por Enrico Casarosa, que já tinha trabalhado na equipe técnica de alguns longas da Pixar (Ratatouille, Up, Viva, Incríveis 2 e Toy Story 4), e que tinha feito um curta, também pela Pixar, em 2011, A Lua (que passou nos cinemas junto com Valente). Italiano, Casarosa mesclou influências de Hayao Myiazaki (como o nome da cidade Portorosso ser uma homenagem ao filme Porco Rosso) com memórias da sua própria infância (na infancia, ele passou verões em Cinque Terre, local onde Luca se passa; ou ainda, “trenette al pesto”, prato que é servido pelo pai de Giulia, é um prato típico de Gênova, cidade natal do diretor).

A história é simples, mas é bem contada. Algumas piadas são muito engraçadas, e alguns lances são geniais – como o “silêncio, Bruno!”. E os personagens são ótimos, todos eles são bem construídos, e a dupla principal realmente convence como grandes amigos. Vi dublado, deu vontade de rever com as vozes originais quando soube que a dupla é dublada por Jacob Tremblay (O Quarto de Jack, Extraordinário) e Jack Dylan Grazer (It, Shazam).

A animação é um absurdo de bem feita. Mas aí não é nada novo. A Pixar não apresentaria alguma deficiência neste aspecto.

Ah, tem uma cena pós créditos, mas é bem boba.

No fim, fica a recomendação: esqueça que é Pixar e se deixe levar!