Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
Sinopse (Netflix): O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime perfeitamente impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.
Em 2019, fomos apresentados ao detetive Benoit Blanc, uma espécie de novo Hercule Poirot, no divertido e bem escrito whodunit Entre Facas e Segredos. Três anos depois, Benoit Blanc voltou em outro novo mistério, em Glass Onion, Um Mistério Knives Out, filme que trazia o mesmo personagem, em uma história completamente independente do primeiro filme. Agora, em 2025, mais uma vez dirigido por Rian Johnson (Star Wars episódio 8), Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man, no original) repete a ideia: novo filme, mesmo personagem, mestilo, história 100% independente.
(Curiosidade sobre os títulos dos três filmes. Knives Out é uma música do Radiohead; Glass Onion é dos Beatles. Wake Up Dead Man é uma música do U2.)
(Glossário: whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. A literatura tem pelo menos dois nomes bem famosos no estilo: Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle; e Hercule Poirot, da Agatha Christie.)
Assim como os dois primeiros filmes, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out traz um grande elenco, e o único repetido é Daniel Craig como Benoit Blanc. Curioso que desta vez o detetive é quase um coadjuvante, porque o filme é muito mais do padre Jud (Josh O’Connor). Digo mais: Blanc só aparece depois de 39 minutos e meio de filme.
Aliás, bora falar do elenco, que é fantástico. Daniel Craig está ótimo, e pode tirar uma onda que poucos conseguem no cinema: viveu personagens marcantes em duas franquias diferentes (acho que nenhum outro James Bond conseguiu “se livrar” do personagem). Mas claro que o destaque é Josh O’Connor, o que foi uma agradável surpresa, já que o último filme que vi dele foi o decepcionante The Mastermind. Glenn Close e Josh Brolin também estão excelentes. Também no elenco, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott, Cailee Spaeny, Daryl McCormack, Thomas Haden Church, Jeffrey Wright e Annie Hamilton. Ah, tem um momento que o Thomas Haden Church está vendo baseball na TV, a voz do comentarista é de Joseph Gordon Levitt – que também tinha feito apenas uma voz em Glass Onion.
O assassinato realmente é intrigante e parece impossível, acho difícil algum espectador conseguir solucionar. E na parte final acontece um outro crime, igualmente impossível, que deixa a trama ainda mais misteriosa. Será que Benoit Blanc vai conseguir solucionar o caso dessa vez? Apesar de uma forçadinha aqui e outra ali, achei os dois casos muito bem bolados, e as soluções me convenceram. Além disso, o ritmo do filme é muito bom, são quase duas horas e meia que passam rapidinho.
Por fim, vou repetir o que falei três anos atrás e vou falar mal do nome brasileiro do filme. O primeiro filme aqui foi chamado “Entre Facas e Segredos”. O segundo tem um subtítulo “Um Mistério Knives Out”. Por que não “Um Mistério Entre Facas e Segredos”? E o terceiro filme repete: “Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out”. Bem, pelo menos agora o subtítulo fez um link com o segundo filme…









