Sucker Punch – Mundo Surreal

Crítica – Sucker Punch – Mundo Surreal

Oba! Filme novo do Zack Snyder (300, Watchmen) em cartaz nos cinemas!

Uma jovem garota, logo após perder a mãe, é internada em um hospício pelo padrasto. Lá, ela imagina uma realidade alternativa e usa isso como refúgio.

Filme do Zack Snyder, com várias meninas frágeis e bonitinhas, vestidas com muitos decotes, e empunhando espadas de samurai e armas de grosso calibre, em cenários viajantes e maneiríssimos, num roteiro que parece montado como fases de videogame? É, esse é um daqueles filmes que se tornam obrigatórios!

A história? Ué, precisa? Releia o parágrafo acima… 😉

O que chama a atenção em Sucker Punch – Mundo Surreal é o visual. Zack Snyder é um artesão de imagens, cada cena, cada ângulo, cada fotograma tem o visual bem cuidado. Uma exposição fotográfica com stills do filme já seria interessante de se ver.

Isso inclui todos os detalhes do filme. Cenários, figurinos, até as cores vistas na tela são pensadas para contribuir com o efeito – as cenas no “mundo real” têm cores diferentes daquelas nos “mundos imaginários”.

A história não é lá grandes coisas, inclusive, não gostei do fim do filme (apesar de achar interessante a mudança de foco). O objetivo do roteiro parece ser conseguir encaixar todas as cenas de sonho, que passeiam por diversos estilos, como filme de kung fu, guerra, fantasia e ficção científica. Assim, o filme consegue ter espaço para brigas de espadas, castelos com orcs e dragões e exércitos de zumbis nazistas.

(E, já que falei de vários estilos diferentes, durante os créditos rola um número musical, cantado pelos atores Oscar Isaac e Carla Gugino…)

Outra coisa que precisa ser citada é o bom uso da trilha sonora. As músicas em si não são nada demais, são músicas pop comuns. Mas existe uma perfeita sintonia entre som e imagem, como pouco visto no cinema hoje em dia. Melhor que muito videoclipe!

No elenco, nenhum nome do primeiro escalão. Ninguém faz feio, mas também ninguém será lembrado por grandes atuações neste filme. Das cinco meninas principais, talvez a mais famosa seja Vanessa Hudgens, estrela dos três High School Musical. Além dela, Emily Browning (O Mistério das Duas Irmãs), Abbie Cornish (Sem Limites), Jena Malone (Na Natureza Selvagem) e Jamie Chung (Gente Grande). Além deles, Jon Hamm e os já citados Oscar Isaac e Carla Gugino. E um papel menor e bem legal de Scott Glenn como o “homem sábio”.

Com mais forma do que conteúdo, Sucker Punch – Mundo Surreal não vai agradar a todos. Mas é imperdível para quem curte um bom visual!

.

.

Se você gostou de Sucker Punch – Mundo Surreal, o Blog do Heu recomenda:
Watchmen
Scott Pilgrim Contra o Mundo
Alice no País das Maravilhas

Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

Crítica – Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

Depois do fraco Skyline – A Invasão, finalmente chegou “o outro filme de invasão alienígena”.

A trama é simples: alienígenas invadem o planeta e “botam pra quebrar”, e forças militares tentam se defender. Simples e eficiente.

Vou explicar a comparação feita no primeiro parágrafo. Os realizadores de Skyline – A Invasão trabalharam nos efeitos especiais de Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles, e as duas tramas são muito parecidas – invasão alienígena em Los Angeles. Rolou até um processo, mas não sei que fim levou a história.

O filme não perde tempo com enrolação, a ação começa logo de cara. Isso é bom, nem sempre precisamos nos aprofundar nos personagens, quando o objetivo é ver tiros e explosões em cima de e.t.s!

Mas, para curtir o filme, precisa ter boa vontade com o roteiro, extremamente previsível. A gente consegue antever metade do filme: o novato que vai matar o primeiro extra-terrestre, o helicóptero que vai ser derrubado, o soldado revoltado com o superior, etc. E, pra piorar, ainda rolam alguns elementos completamente dispensáveis, como as crianças insuportáveis e aquele dramalhão desnecessário na base aérea.

Sabendo “desligar” esses “detalhes”, Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles é um bom filme. As cenas de ação são muito boas, os alienígenas são convincentes e os efeitos especiais são muito bem feitos.

O competente Aaron Eckhardt lidera um elenco com poucos rostos conhecidos. Pra não dizer que não tem mais gente famosa, Michelle Rodriguez e Bridget Moynahan têm os principais papeis femininos.

O fim do filme é talvez um pouco abrupto demais. Mas este é o tipo do filme que pode ter continuações, o subtítulo brasileiro dá essa dica, ao chamar de “batalha de Los Angeles”. Não vou achar estranho ver em breve outra batalha, em outro lugar…

Por fim, é importante citar que este é o primeiro lançamento carioca em 4K, um novo sistema de alta definição para cinemas. Assim como o blu-ray veio trazer uma imagem melhor que o dvd, a tecnologia 4K promete uma imagem com definição quatro vezes maior do que o padrão atual nas telas. Talvez fosse melhor outro filme para experimentarmos a nova tecnologia, já que aqui rola muita câmera tremida. Mas valeu a experiência!

.

.

Se você gostou de Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles, o Blog do Heu recomenda:
Tropas Estelares
Skyline
Marte Ataca

Conspiração Xangai

Conspiração Xangai

Meses antes do ataque a Pearl Harbor, a cidade de Xangai vive sob a tensa sombra da ocupação japonesa, e é palco de traições entre espiões de diversas nacionalidades.

Trata-se do filme novo do diretor sueco Mikael Håfström, dos recentes O Ritual e 1408. Mas aqui não tem nada de terror, Conspiração Xangai parece aquelas super produções à moda antiga, com bom elenco e cenários grandiosos. Pena que a história é simples e previsível, apesar das reviravoltas no roteiro.

Achei curiosa a escolha de um diretor sueco. O elenco internacional se justifica, afinal, temos americanos, chineses, japoneses e até uma alemã, cada um com um personagem com a mesma nacionalidade – escolhas acertadas. Mas não entendi por que um diretor sueco. Pelo menos ele fez um bom trabalho.

Falando no elenco, todos estão bem: os americanos John Cusack, David Morse e Jeffrey Dean Morgan; os chineses Chow Yun-Fat e Gong Li; o japonês Ken Watanabe; e a alemã Franka Potente…

(Aliás, tenho uma dúvida sobre nomes chineses. Sempre li Chow Yun-Fat e Gong Li, mas aqui nos créditos está escrito Yun-Fat Chow e Li Gong – e não é a primeira vez que vejo assim. Afinal, qual é o certo?)

Conspiração Xangai é um filme correto, tudo funciona direitinho. Mas não espere muito, porque o resultado não é nada demais.

Voltar a Morrer

Voltar a Morrer

Seguindo a recomendação do meu amigo Cleiton, da lista synth-br, baixei e revi Voltar a Morrer, de 1991, um dos melhores filmes de Kenneth Branagh.

Em 1949, o compositor Roman Strauss (Kenneth Branagh) é condenado à morte pelo assassinato de sua esposa Margaret (Emma Thompson). Quarenta anos depois, o detetive particular Mike Church (Branagh) é contratado para descobrir quem é Grace (Thompson), uma misteriosa mulher com amnésia que tem recorrentes pesadelos envolvendo tesouras e a morte de Margaret. Para ajudá-la, Church procura a ajuda através da hipnose – que pode trazer surpresas.

Vamos falar um pouco do diretor e ator principal Kenneth Branagh? Branagh dirigiu seu primeiro filme em 1989, uma adaptação de Shakespeare, Henrique V – ele ainda dirigiria e protagonizaria outros dois filmes baseados em Shakespeare, Muito Barulho Por Nada em 93 e Sonhos de uma Noite de Inverno, baseado em Hamlet, em 95. Mas era pouco conhecido fora da Inglaterra. Este filme foi um bom “cartão de visitas”. Hoje, Branagh está meio sumido, seu último filme como diretor foi em 2007. Mas ele está na direção do aguardado Thor, que estreia ainda este ano. Ou seja, em breve falaremos dele – mal ou bem…

(Pequeno parênteses: não acho que Branagh tenha o perfil para um “filme de super-heroi”. Mas não vou “cornetar” antes de ver o filme…)

O elenco de Voltar a Morrer é muito bom. Branagh e sua então esposa Emma Thompson fazem um bom trabalho, cada um com dois papeis. E o elenco ainda tem Andy Garcia, Derek Jacobi, Hanna Schygulla, Wayne Knight e uma ponta de Robin Williams, em um dos primeiros papeis sérios de sua carreira.

O roteiro é acima da média, consegue prender o espectador na cadeira, e traz interessantes viradas na trama, alternando o presente a cores e o passado em p&b. E não podemos deixar de citar a excelente trilha sonora, que pontua o filme de maneira brilhante.

Uma curiosidade: o disco conceitual “Scenes From A Memory”, de 1999, da banda de “metal progressivo” Dream Theater, foi inspirado neste filme. O álbum narra a história de Nicholas, que descobre vidas passadas ao fazer uma regressão, mas se contar mais aqui, vira spoiler…

Acho que Voltar a Morrer nunca foi lançado em dvd por aqui, se foi, foi mal lançado, nunca vi por aí. Por isso, mais uma vez, viva o download!

Burke And Hare

Burke And Hare

Quando heu soube de uma nova comédia de humor negro, dirigida por John Landis e estrelada por Simon Pegg e Andy Serkis, pensei “pára* tudo, preciso baixar este filme!”

Edimburgo, Escócia, início do sec 19. Os amigos William Burke (Simon Pegg) e William Hare (Andy Serkis) descobrem um  novo meio de ganhar dinheiro: vender cadáveres para a universidade de medicina. O problema é que nem sempre o cadáveres estavam mortos antes de encontrar a dupla…

Ok, mas… não devemos ver Burke And Hare com expectativas elevadas. O filme é divertido, mas não é nada demais…

Heu não sabia disso, só descobri depois: a história é real, Burke e Hare realmente existiram e mataram um monte de gente. Por isso esta história era difícil de ser contada: mostrar com humor dois assassinos reais!

O elenco está muito bom. Sou fã do Simon Pegg, desde Todo Mundo Quase Morto vejo tudo o que ele faz. Andy Serkis, mais conhecido como “o cara que estava debaixo do equipamento que fez a marcação digital do Gollum” na trilogia O Senhor dos Aneis, é um comediante de primeira linha, e tem uma ótima química com Pegg. E o elenco ainda traz Tim Curry, Tom Wilkinson, Isla Fisher, uma ponta de Christopher Lee, e a família do diretor Costa-Gavras posando para uma foto. E, como se não bastasse, Jenny Agutter e John Woodvine voltam a trabalhar com Landis quase 30 anos depois de Um Lobisomem Americano Em Londres. Quer ainda mais? Tem uma ponta de Ray Harryhausen, o maior nome da história dos efeitos especiais em stop motion.

John Landis é um grande diretor, com um grande currículo. Ele fez vários filmes clássicos, como Irmãos Cara de Pau e Um Lobisomem Americano Em Londres. Também fez algumas coisas desnecessárias, como Um Tira da Pesada 3… Este Burke And Hare, feito 12 anos depois de seu último filme para cinema (Susan’s Plan) não é um dos seus melhores, mas está longe dos seus piores.

Para os apreciadores de um bom humor negro!

* Sei que o “para” do verbo “parar” perdeu o acento. Mas “para tudo”, além de ser ambíguo, não tem a mesma força que “pára tudo!”
😉

Hair

Hair

Semana passada fui ver a montagem teatral carioca da peça Hair. Deu saudade do filme, aproveitei o fim de semana e revi o dvd que já tinha em casa há tempos.

A trama todo mundo conhece, né? Em 1968, convocado para servir na Guerra do Vietnã, o caipira Claude Hooper Bukowski vai para Nova York se apresentar ao exército. Lá, ele conhece a troupe de hippies liderada pelo carismático Berger e fica fascinado com o estilo de vida flower power.

Dirigido por Milos Forman, Hair é um filme obrigatório para aqueles que gostam dos anos 70 e também para os apreciadores de boa música.

Sem dúvida o melhor do filme é a trilha sonora de Galt MacDermot, com texto e letras de James Rado e Gerome Ragni. Lembro que heu ouvia muito o Lp duplo com a trilha, nos “bons tempos do vinil”… As músicas são muito boas, hoje não tenho mais como ouvir vinil, então baixei os mp3 e estou ouvindo direto desde então…

As músicas são todas boas, mas algumas coreografias às vezes parecem forçadas demais, algo excessivamente “Broadway”, não gostei dessas partes. Mas não sei como poderia ser resolvido, não entendo de musicais…

O filme foi dirigido por Milos Forman, autor de outras grandes obras – tanto musicais, como Amadeus e Na Época do Ragtime; como “não musicais”, como Um Estranho No Ninho e O Povo Contra Larry Flynt.

Sobre o elenco, é curioso notar que o os três principais, Treat Williams, John Savage e Beverly D’Angelo, seguiram carreira em Hollywood e se tornaram rostos conhecidos, mas os outros atores sumiram. (Williams fez Era Uma Vez na América; Savage esteve em O Franco Atirador; Beverly, na série Férias Frustradas).

Admito que o filme é um pouco longo, são duas horas, talvez algo pudesse ser enxugado. Mas o fim do filme é sensacional – tanto pela parte cinematográfica (a edição alternando entre os dois personagens trocados ficou muito boa) quanto pela parte musical (é impossível não entrar no coro de “Let the sunshine”!).

Enfim, o filme, lançado em 1979, baseado em uma peça de dez anos antes, ainda emociona hoje, em 2011!

p.s.Off Topic: Posso falar de uma peça de teatro num blog de cinema?
A peça é muito boa, mas tem um problema, na minha humilde opinião. Claude e Sheila funcionam melhor na trama se não forem hippies, e na peça são todos hippies. Assim, o fim não tem o mesmo impacto. (Detalhe que descobri na wikipedia: a peça original era assim, com todos na mesma “tribo hippie”, o filme é que mudou o roteiro).
Mesmo assim, um dos acertos da montagem teatral carioca é respeitar os arranjos originais das músicas. Todas as músicas estão lá, em português, mas com os mesmos bons arranjos. Não se mexe em time que está ganhando há décadas!

Rápida Vingança

Rápida Vingança

Quando escrevi sobre Ladrões (Takers), me sugeriram este Rápida Vingança (Faster, no original). Gostei, a dica foi boa!

Depois de dez anos preso, homem sai com um único objetivo: se vingar da morte do irmão. Mas, além da polícia estar no seu encalço, ele também tem que evitar um assassino de aluguel contratado para matá-lo.

Dirigido por George Tillman Jr., Rápida Vingança é simples e eficiente: um filme de vingança, violento na dose certa. O roteiro não traz nada de novo? Não, claro. Mas, pergunto: um filme precisa ser inovador pra ser legal?

O roteiro é repleto de clichês, mas traz algumas coisas interessantes, como não dizer os nomes dos personagens. Os três principais são apenas “driver” (motorista), “cop” (policial) e “killer” (assassino).

Uma coisa boa aqui é “a volta” de Dwayne Johnson, o “The Rock”, o ex-lutador grandalhão que virou ator. Ele nunca sumiu, mas é que recentemente ele tem feito uns filmes infantis bobinhos, tipo Montanha Enfeitiçada e Fada do Dente. Mas foi bom vê-lo no seu “habitat natural”, ele é um cara grandão, fortão, careca, tatuado, com cara de mau, é legal vê-lo “kicking asses”!

Billy Bob Thornton também está muito bem, como o policial com problemas com drogas. O elenco ainda tem outros nomes legais em papeis pequenos, como Tom Berenger, Mike Epps e Adewale Akinnuoye-Agbaje (o Mr. Eko de Lost). Só não gostei muito de Oliver Jackson-Cohen, que faz o “killer”, ele não me convenceu…

Novo parágrafo para falar das meninas do elenco. Curiosamente, Maggie Grace está lindíssima, mas por outro lado Moon Bloodgood (Exterminador do Futuro – A Salvação) e Jennifer Carpenter (Quarentena) estão tão feinhas! Carla Gugino está normal…

Rápida Vingança não vai mudar a vida de ninguém, existem filmes de vingança melhores por aí (alguém falou em Kill Bill ou Oldboy?). Mas pelo menos é uma diversão honesta.

72 Horas

72 Horas

O professor universitário John Brennan (Russell Crowe) levava uma vida normal, até sua esposa Lara (Elizabeth Banks) ser presa acusada do assassinato de sua patroa. Depois de ver a justiça negar vários recursos, John resolve montar um um plano de fuga para tirá-la da prisão.

Eficiente thriller escrito e dirigido por Paul Haggis, 72 Horas funciona muito bem ao colocar um homem comum exposto a situações fora de sua realidade. Porque quando John Brennan começa a arquitetar o plano, ele quebra a cara algumas vezes, justamente porque não é um cara “do mal”.

O roteiro é muito bem escrito ao construir o plano, dividindo o filme em três partes (3 anos, 3 meses, 3 dias). A parte final – quando o plano é finalmente posto em prática – é eletrizante, é daquele tipo de filme que te prende na cadeira e te faz roer as unhas de nervoso.

Paul Haggis é hoje um nome de respeito em Hollywood, por causa de seu trabalho em filmes como Crash – No Limite, onde ele ganhou o Oscar de melhor roteiro e foi indicado ao Oscar de melhor diretor, e pelos roteiros de Menina de Ouro e Cartas de Iwo Jima, ambos indicados ao Oscar.

O elenco traz um Russell Crowe em boa forma, e tem talvez o melhor papel da carreira da eterna coadjuvante Elizabeth Banks. E traz um grande número de atores famosos em papeis menores – achei estranho ver Liam Neeson em apenas uma cena! Outros também têm pequenas participações, como Olivia Wilde, Brian Dennehy e Daniel Stern.

72 Horas não é um filme “obrigatório” de fuga de prisão, como Um Sonho de Liberdade, por exemplo. Mas é um bom filme, uma boa opção entre os últimos lançamentos.

Rango

Rango

Estreou a esperada animação que coloca a voz de Johnny Depp num camaleão!

Um camaleão da cidade grande acidentalmente cai do carro de seus donos, e vai parar no meio do deserto, onde acaba virando o xerife da cidade de Poeira, um típica cidadezinha do Velho Oeste.

De cara heu já desconfiava que Rango não seria um desenho animado padrão – afinal, a direção está nas mãos de Gore Verbinski, diretor dos três Piratas do Caribe. Não esperava algo no estilo “Disney / Pixar / Dreamworks”, o que temos visto muito nos últimos anos.

Pode não ser Pixar, mas a textura da animação é impressionante. Rango não usa o padrão usado por Hollywood, de criar caricaturas de animais, para deixá-los mais “fofinhos”, todos os bichos são mais próximos dos reais, às vezes nem parece um desenho animado. Aliás, algumas (poucas) cenas são filme “de verdade”, com atores. Nem dá pra notar diferença…

Rango vai agradar a garotada, mas acho que vai agradar mais os pais que os levarem. Depois de um início meio surreal, o filme vira um legítimo faroeste, só que protagonizado por bichos. E talvez seja um pouco longo pra criançada – 1h47min, enquanto os desenhos atuais normalmente têm por volta de meia hora a menos.

Ainda falando nos adultos, o filme traz algumas citações geniais. Adorei a sequência “Apocalypse Now“, com a Cavalgada das Valquírias de Wagner tocada por banjos! E prestem atenção, no início do filme, quando Rango está sendo jogado de um carro para outro, que ele passa por um carro onde estão personagens iguais aos de Medo e Delírio, filme de Terry Gilliam estrelado por Depp.

A trilha sonora de Hans Zimmer é outro ponto alto. Não só os temas dos “momentos faroeste” são muito bons, como ainda temos umas corujas mariachi narrando parte da história.

A dublagem é boa – usaram sotaque regional para a população da cidade de Poeira. Mas fiquei com pena de não ter visto com o som original, já que o elenco gringo traz, além de Depp, Isla Fisher, Abigail Breslin, Ned Beatty, Alfred Molina, Bill Nighy, Harry Dean Stanton, Ray Winstone e Timothy Oliphant, este último, um dos poucos que mostra a cara (numa caracterização que lembra o Clint Eastwood).

Um último comentário: por que Rango? Aqui no Brasil, é impossível não associar o nome do camaleão à comida. Mas não tem nada a ver, o nome vem de “Durango”, que ele lê numa garrafa… E acho que, em inglês, era pra soar parecido com “Django”…

Amor e Outras Drogas

Amor e Outras Drogas

Conquistador, Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) trabalha como representante comercial de um grande laboratório farmacêutico. No seu convívio entre hospitais, conhece a bela Maggie Murdock (Anne Hathaway), que, apesar de apenas 26 anos, já sofre de mal de Parkinson. Um romance começa entre os dois, inicialmente só pela atração física, já que Maggie não quer se envolver por causa da sua doença.

Amor e Outras Drogas é uma interessante mistura de comédia com drama, usando como pano de fundo os bastidores da indústria farmacêutica na época do lançamento do Viagra na segunda metade dos anos 90.

O melhor de Amor e Outras Drogas é a química entre o casal de protagonistas Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal. Inclusive, rolam muitas cenas de nudez – a nudez foi tanta que incomodou parte da puritana plateia americana. Esses americanos não tão com nada, Anne Hathaway está lindíssima!

O resto do elenco também está muito bem – o filme conta com Oliver Platt, Hank Azaria, Gabriel Macht e Judy Greer, entre outros. Só não gostei de Josh Gad como o caricato irmão de Gyllenhaal, um alívio cômico desnecessário, na minha humilde opinião.

O filme tem um problema: o ritmo cai na segunda parte, quando o foco maior passa a ser na doença de Maggie.

O diretor Edward Zwick é mais lembrado por filmes épicos e grandiosos como O Último Samurai, Coragem Sob Fogo ou Nova York Sitiada, os mais desavisados podem achar estranho vê-lo num filme assim. Mas heu não achei estranho, lembro que ele dirigiu Sobre Ontem À Noite, romance de 1986 que coloca Demi Moore e Rob Lowe sem roupa, como Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal aqui.

Não sei se Amor e Outras Drogas pode ser classificado como comédia romântica, apesar de seguir o formato “casal-se-conhece-se-estranha-se-separa-descobre-que-está-apaixonado-volta-a-ficar-junto”. Afinal, apesar de seguir a fórmula, a parte final do filme é um drama pesadão…

Apesar da queda de ritmo, Amor e Outras Drogas é um bom programa.