Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo

Crítica – Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo

Sinopse (imdb): Uma jovem sai em busca de guerreiros de outros planetas para enfrentar um exército de invasores que aterrorizam a pacífica colônia onde vive.

Estou atrasado. Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo (Rebel Moon – Part One: A Child of Fire, no original) foi lançado no fim de dezembro, na época que heu estava montando minhas listas. Mas, depois de ver o filme, fiquei pensando se a estratégia foi exatamente essa, acho que lançaram numa época onde boa parte dos críticos estaria fazendo listas…

Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo é uma tentativa do Zack Snyder de fazer um filme de Star Wars. Segundo o imdb, Snyder teria apresentado o roteiro pra Lucasfilm em 2012, mas o projeto acabou cancelado. Anos depois, Snyder levou pra Netflix e conseguiu sinal verde.

Mas, diferente da maioria, não vou falar muito mal de Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo. Não, não é um bom filme, mas também não é esse lixo todo que estão falando. Como comentei aqui semana passada, as expectativas podem influenciar positiva ou negativamente, e as minhas expectativas para esse filme eram zero, heu já sabia que ia ver um filme genérico. E Rebel Moon é exatamente isso, um Star Wars genérico – e cheio de câmera lenta.

Na verdade, o roteiro de Rebel Moon parece um fan film escrito por um adolescente que acabou de ver, pela primeira vez, Guerra nas Estrelas e Mercenários das Galáxias. Porque tudo no filme lembra Guerra nas Estrelas (tem até uma espada luminosa pra ser o sabre de luz!), e o desenrolar da história é o mesmo de Mercenários das Galáxias (que é a mesma história de Os Sete Samurais – uma vila pobre é atormentada por cruéis vilões, e uma pessoa da vila sai atrás de ajuda de samurais de outros lugares).

Em defesa de Rebel Moon, o visual do filme é muito bonito. A protagonista mora numa lua de um planeta com anéis, é muito legal em vez de ter uma lua no céu, ter um planeta enorme. É um filme vazio, mas pelo menos é bonito. Snyder deveria desistir de roteiro e focar só na direção de fotografia. Fica a dica!

Ah, sim, tem câmera lenta. Muitas vezes. Exageradamente. Mas, é uma das características do diretor. Reclamar de câmera lenta em filme do Zack Snyder é a mesma coisa que reclamar de lens flare em filme do JJ Abrams, ou de closes nos pés das atrizes em filme do Tarantino, ou de tudo estar simétrico em filme do Wes Anderson. Faz parte do pacote.

O elenco é ok. Sofia Boutella faz a protagonista, gosto dela, torço pra que ela consiga filmes melhores. Anthony Hopkins faz a voz do robô que aparece no início. Jena Malone faz a aranha gigante, está difícil de reconhecer. Uma curiosidade: é a primeira que Ed Skrein e Michiel Huisman trabalham juntos, desde que o segundo substituiu o primeiro como o Daario Naharis em Game Of Thrones. Também no elenco, Djimon Hounsou, Doona Bae, Ray Fisher, Charlie Hunnam, Cary Elwes e Cleopatra Coleman.

Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo tem um problema bem comum hoje em dia, que é ter uma história sem fim. Parece que o filme inteiro é sobre o recrutamento dos “sete samurais”, e a história em si só deve começar no próximo filme. Acho ruim, mas é uma tendência cada vez mais recorrente. E o pior é que rolam boatos de que serão vários filmes e seriados nesse unviverso.

Agora, um problema que não é recorrente é essa mania de se fazer “versão do diretor”. Snyder já anunciou que em breve lançará outra versão. Caramba, se ele tinha luz verde da Netflix, por que não fazer uma única e definitiva versão???

Maestro

Critica – Maestro

Sinopse (imdb): O amor complexo de Leonard Bernstein e Felicia Montealegre, desde o momento em que se conheceram em 1946 em uma festa e continuando por dois noivados, um casamento de 25 anos e três filhos.

É complicado falar de Maestro, novo filme escrito, produzido, dirigido e estrelado por Bradley Cooper. Porque é um projeto com muitos méritos, mas ao mesmo tempo nem tudo funciona. Vamulá.

As atuações e caracterizações, assim como a reconstituição de época, estão fantásticas. Não conheço muita coisa sobre Leonard Bernstein, mas já vi vários filmes com Bradley Cooper, e é nítido que ele está bem diferente. Encontrei um vídeo no youtube do Bernstein original regendo uma orquestra, e uma cena que aparece perto do fim do filme aparentemente mostra a mesma ocasião, Cooper está impressionante! E nunca tinha ouvido falar da Felicia Montealegre, mas me disseram que Carey Mulligan está perfeita.

Mas o que mais gostei no filme não foram as caracterizações, e sim a câmera do Bradley Cooper. Em várias cenas ele move a câmera e a deixa posicionada em movimentos e ângulos fora do convencional. Não sei se a gente poderia chamar de planos sequência, porque normalmente o plano sequência é uma coreografia que envolve todo o elenco e equipe enquanto a câmera se move, e o que acontece aqui é um pouco diferente – por exemplo, num diálogo, a câmera fica fixa num ator mesmo quando ele não está falando, captando suas expressões e reações. Outra coisa que também gostei é quando passa algo na frente da câmera em movimento, e o que está atrás mudou, dando a impressão de ser um plano sem cortes.

Agora, por outro lado, achei que o filme falhou em contar a história do Leonard Bernstein. A gente vê o filme e continua sem saber de muitas coisas sobre a vida dele. Por exemplo, em um determinado momento falam que ele fez a trilha sonora de West Side Story / Amor Sublime Amor. Vi o original muito tempo atrás, vi a refilmagem do Spielberg poucos anos atrás, e fiquei tentando me lembrar quais eram as canções famosas deste musical – porque o filme não mostra as canções de West Side Story! Por que não aproveitar e incluir um trecho de America ou Maria, canções famosas daquele filme?

Vou fazer uma comparação com um filme bem inferior a Maestro. No fraco A Era de Ouro, a gente termina o filme conhecendo a obra de Neil Bogart (que é um nome muito menos relevante do que Leonard Bernstein na história da música). E aqui a gente termina o filme sem conhecer a obra de Bernstein. O filme foca mais no relacionamento entre Leonard e Felicia e menos no maestro e compositor.

Outra coisa ficou estranha. O filme mostra que Leonard tinha relacionamentos com outros homens, apesar de ser casado com Felicia, e pelo filme a gente entende que isso acontecia naturalmente. Se a história se passasse nos dias de hoje, seria mais fácil de aceitar. Mas, décadas atrás, a sociedade era muito mais preconceituosa, acho que ele não seria tão livre como o filme quer mostrar.

Tem um outro detalhes técnico que confesso que não entendi. O filme começa em preto e branco, e depois vira colorido. Ok, deve ser pra mostrar a passagem de tempo. Mas, o filme é todo no formato 4:3, formato comum na época da TV de tubo. Por que alguém usaria 4:3 hoje em dia?

Por fim, um pouco de cultura inútil. Martin Scorsese e Steven Spielberg foram cogitados para dirigir, antes de Bradley Cooper apresentar Nasce Uma Estrela, a partir daí Cooper ganhou o cargo de diretor, e Spielberg e Scorsese ficaram como produtores. Spielberg e Scorsese são amigos de longa data, mas este é o primeiro filme que tem os dois dividindo os créditos. E uma curiosidade: inicialmente, Spielberg dirigiria Cabo do Medo e Scorsese, A Lista de Schindler, e os dois acabaram trocando de lugar.

A Maldição do Queen Mary

Crítica – A Maldição do Queen Mary

Sinopse (imdb): Quando Anne, seu marido e o filho Lukas embarcam no icônico Queen Mary, uma série de eventos aterrorizantes entrelaçam a família com o passado sombrio do navio.

Tem tanta coisa errada com esse A Maldição do Queen Mary que nem sei por onde começar. Acho que posso começar dizendo que esta é uma história de um navio real, e que só descobri isso quando fui pesquisar sobre o filme, depois de ter assistido.

A Maldição do Queen Mary conta duas histórias, em duas linhas temporais. Um delas é no passado, sobre uma família, onde um cara surta e sai matando todo mundo. Não sei se existe algum motivo pro cara surtar, me parece que foi algo aleatório, se foi explicado, heu não captei. A outra história se passa nos dias atuais, onde uma mulher quer criar um tour virtual para conhecer o navio, e quando ela visita a embarcação o filho dela some. O problema de ter duas linhas temporais se alternando é que você fica imaginando quando elas vão se conectar – e não, as histórias não se conectam em momento nenhum. Se existe alguma conexão é outra falha da narrativa porque heu também não pesquei isso.

Pra piorar, nenhuma das duas histórias é boa. São histórias chatas, que se arrastam. Comentei aqui outro dia sobre Isolamento Mortal, que coloquei na TV pra ver a cara do filme, e a trama me pegou de maneira que heu não quis pausar o filme. Aqui, rola o efeito oposto…

Nada faz sentido. Por exemplo, tem um número musical de sapateado, que não só não tem nada a ver com o resto do filme, como não agrega nada à história. Ou uma cena onde quebram uma parede e parece que o capitão do navio sente como se estivesse sendo atacado. Ou uma criança deficiente de 8 anos de idade que sai sozinha tirando fotos no navio. Ou uma mãe cujo filho desapareceu, por que ela iria querer passar uma noite no navio? A lista é grande…

Mas, pior do que não fazer sentido, é ser um filme chato e confuso com mais de duas horas. Chegar ao fim de A Maldição do Queen Mary é uma tarefa difícil!

Pra não dizer que achei tudo ruim, gostei da cena cena do cara surtado atacando com o machado. Também gostei da parte final com a personagem andando pelos corredores e a luz alternando pra gente saber que a linha temporal mudou, foi uma boa sacada. Mas, a essa altura, A Maldição do Queen Mary já tinha perdido o espectador.

Desnecessário.

Aquaman 2: O Reino Perdido

Crítica – Aquaman 2: O Reino Perdido

Sinopse (imdb): Arthur precisa contar com a ajuda de seu meio-irmão Orm para proteger Atlantis contra Black Manta, que liberou uma arma devastadora em sua busca obsessiva para vingar a morte de seu pai.

Este Aquaman 2: O Reino Perdido é o décimo quinto filme do DCEU – e também o último. A partir do ano que vem, a DC já avisou que vai recomeçar seu universo expandido.

Se Aquaman 2: O Reino Perdido fosse “apenas mais um filme de super heróis, seria algo mais aceitável. Mas existe todo um legado por trás, e é o filme que vai encerrar um universo cinematográfico, e justamente por isso é complicado de analisar o filme isoladamente.

E qual é o resultado? A gente tem um filme bagunçado nas telas. Não é um filme ruim, mas está bem longe de ser bom. Vamulá.

Mais uma vez dirigido por James Wan (achei um desperdício, este é um “filme de produtor”, Wan, volte pro terror!), Aquaman 2: O Reino Perdido (Aquaman and the Lost Kingdom, no original) tem alguns erros básicos. Um deles é que existe um “reino perdido” no título do filme, mas esse tal reino é quase irrelevante pra trama. A ideia de existir um reino perdido não é ruim, mas se está no título do filme, acredito que deveria ser algo mais presente na trama.

Mas acho que ainda pior é trazer um antagonista que estava no primeiro filme e que tinha uma rivalidade real contra o Aquaman, mas esse cara é “possuído” por um vilãozão meio sobrenatural, e meio que tanto faz as motivações anteriores do personagem. Caramba, se é pra ter alguém possuído, podia ser qualquer um! Jogaram fora as reais motivações do antagonista…

Outra coisa que ficou estranha é a colagem de cenas que parecem extraídas de outros filmes. O antagonista usa um óculos que solta um raio vermelho igual ao Cíclope em X-Men. O vilãozão é quase igual ao Sauron de O Senhor dos Anéis, só que em vez de usar o Um Anel ele usa um tridente. Tem uma cena que é uma mistura de Cantina de Mos Eisley em Guerra nas Estrelas com palácio do Jabba no Retorno do Jedi – incluindo um personagem igual ao Jabba! E por aí vai…

O filme tem muitas piadinhas, mas isso nunca me incomodou. Agora, o que incomoda são sequências inteiras que não fazem o menor sentido, como uma cena numa floresta com insetos gigantes. Gente, se existem animais gigantes na ilha, por que só naquele trecho? Ou uma sequência no meio do deserto, onde falam “está no meio do deserto pro povo da água não ir”, e na cena seguinte a gente vê um polvo rolando na areia. E isso porque não vou falar no assistente do vilão, que literalmente o traiu, mas continua tendo o cargo de maior importância!

Preciso comentar os efeitos especiais das cenas de batalhas sub aquáticas quando vemos os personagens nadando rápido. Ok, funcionam, mas acho que vão perder a validade cedo.

Tem uma coisa que heu não entendi. A gente sabe que a Amber Heard está “cancelada” por causa da polêmica com o Johnny Depp, e disseram que este filme teria a participação dela reduzida. Mas, não só ela está presente em quase todo o filme, como ainda salva o Aquaman em uma ou duas soluções deus ex machina. Ou seja, não só a personagem está presente, como ela é necessária para a sobrevivência do protagonista! Que tipo de cancelamento foi esse?

Aproveito pra falar do elenco. Jason Momoa é um Aquaman ótimo, um cara grande, forte, carismático e que faz piadinhas o tempo todo. Patrick Wilson também está bem como o irmão, e está presente quase todo o filme. Já Yahya Abdul-Mateen II faz o vilão ruim e não está bem. Também no elenco, Nicole Kidman, Dolph Lundgren e Temuera Morrison. Willem Dafoe não pôde participar por conflito de agenda. E Ben Affleck está creditado como Batman, mas não aparece no filme, seja lá qual foi sua participação, foi cortada.

Agora, Aquaman 2: O Reino Perdido é bagunçado mas pelo menos é divertido. Tem cena que beiram a falta de lógica, mas não tem nenhum momento chato. E não canso de repetir: o carisma de Jason Momoa vale o ingresso, ele parece estar se divertindo muito.

(Tem uma coisa que achei curiosa, uma capanga do vilão é vivida pela atriz portuguesa Jani Zhao. Por duas vezes no filme ela grita ordens em português!)

Por fim, a sessão de imprensa foi em 3D. Completamente desnecessário, não tem nenhuma cena que justifique o efeito.

Ah, tem uma cena no meio dos créditos com uma piadinha, e lá no fim não tem nada. Como acabou o DCEU, não tem gancho pra continuação.

Feriado Sangrento

Crítica – Feriado Sangrento

Sinopse (imdb): Depois que um tumulto em uma liquidação acaba em tragédia, um assassino misterioso fantasiado de peregrino aterroriza a cidade de Plymouth em Massachusetts, cidade berço do feriado americano de Ação de Graças.

Antes de falar sobre o filme, aquele comentário que infelizmente tem sido mais recorrente do que deveria ser. A crítica está atrasada porque Feriado Sangrento não teve sessão de imprensa. Cheguei a entrar em contato com a assessoria, disseram que ia ser exibido na CCXP, ou seja, quem não foi pra CCXP não viu antes da estreia…

Enfim, vamos ao filme. Feriado Sangrento, ou Thanksgiving, no original, na verdade era um trailer fake do projeto Grindhouse. Pra quem não se lembra, em 2007 Quentin Tarantino e Robert Rodriguez criaram um projeto que emularia sessões de cinemas vagabundos dos anos 70. Tarantino fez À Prova de Morte; Rodriguez, Planeta Terror, e a ideia era exibir uma sessão dupla com alguns trailers de filmes que não existem.

A ideia não deu certo, quase nenhum cinema exibiu a sessão dupla, e os dois filmes acabaram sendo lançados individualmente. Mas os trailers estão por aí, inclusive o trailer de Thanksgiving está no youtube.

(Outros dois trailers fakes também viraram longas metragens, Machete e Hobo With a Shotgun.)

Anos se passaram, e agora Eli Roth, que tinha feito aquele trailer, agora finalmente apresenta o longa!

Algumas das cenas do trailer estão no longa, mas a proposta é um pouco diferente. No trailer tudo tinha cara de anos 70, e Feriado Sangrento não só se passa nos dias de hoje, como lives de redes sociais são parte intrínseca da trama.

Feriado Sangrento não é um grande filme, é apenas um slasher eficiente. Mas, em tempos de lançamentos ruins no circuito como O Jogo da Invocação e A Maldição do Queen Mary, ser “apenas um slasher eficiente” num cenário desses é uma boa notícia. Temos boas mortes, um clima tenso até o fim do filme, e um whodunit que funciona.

Talvez Eli Roth seja mais conhecido por ter sido um dos atores principais de Bastardos Inglórios, mas a gente não pode esquecer que um dos seus primeiros filmes como diretor foi O Albergue. Ou seja, o cara manja dos paranauês de filmar um bom gore. E isso tem aqui em uma quantidade razoável: são algumas mortes bem criativas – apesar de algumas delas estarem no trailer fake.

E preciso falar do whodunit. Assim como Pânico, este é um slasher com whodunit – a gente tem alguns personagens suspeitos, precisamos descobrir qual deles é o assassino e qual foi o motivo. E, admito: não pesquei quem era.

No elenco, pouca gente conhecida. Patrick Dempsey tem um papel importante, mas secundário; Gina Gershon faz quase uma ponta. A final girl da vez é Nell Verlaque, não conhecia, ela funciona pro que o filme pede.

Como falei antes, Feriado Sangrento não é um grande filme, mas é bem feito, divertido, e serve ao seu propósito: um bom slasher que vai agradar o público que for ao cinema.

Agora, dos cinco trailers fakes do Grindhouse, faltam dois. Será que veremos os longas Don’t, do Edgar Wright, ou Werewolf Women of the S.S., do Rob Zombie?

O Mundo Depois de Nós

Crítica – O Mundo Depois de Nós

Sinopse (imdb): As férias de uma família numa casa luxuosa sofrem uma reviravolta quando um ciberataque afeta todos os dispositivos e duas pessoas estranhas batem à porta.

Filme novo da Netflix, todo mundo está vendo e comentando, fiquei curioso quando vi que alguns canais de cinema que acompanho falavam do final, fui ver o filme pra saber por que o final está envolto em polêmicas.

Simples: PORQUE O FILME NÃO TEM FINAL! Simplesmente sobem os créditos e acabou.

¬¬

O pior é que heu estava gostando muito do filme. Mas um “final” desses me tirou do sério. Então, vou comentar o filme, depois comento sobre o encerramento.

Escrito e dirigido por Sam Esmail, adaptação do livro homônimo escrito por Rumaan Alan (que também colaborou no roteiro), O Mundo Depois de Nós (Leave the World Behind, no original) mostra uma família que tirou uns dias de férias em uma casa alugada, quando algo acontece no mundo e eles ficam isolados. Os supostos reais donos da casa aparecem e isso só serve pra aumentar a desconfiança geral sobre o que está acontecendo.

O ritmo do filme é muito bom. O espectador é envolvido num clima crescente de tensão, não sabemos o que está acontecendo. A trama te prende, é daquele tipo de filme que é difícil pausar, são pouco mais de duas horas que passam rapidinho.

Gostei muito da câmera do Sam Esmail – sei que ele é um dos nomes por trás da série Mr Robot, mas nunca vi a série, nunca tinha visto nada dele. Em vários momentos a câmera sai do eixo, roda, sobe, mostra muitos ângulos fora do convencional. Um exemplo: tem uma cena numa cabana onde a câmera roda, sobe e sai por uma fresta no telhado, pra mostrar o que está acontecendo fora da cabana.

Algumas sequências são muito bem filmadas, como a sequência do Tesla. Ok, provavelmente é um plano sequência fake, cheio de cgi, mas mesmo assim ficou bem legal.

Ah, e pra quem gosta de mensagens subliminares, reparem que o quadro abstrato na sala muda ao longo do filme. O mesmo acontece com a pintura atrás da cama de casal. E tem uma cena onde tem um quadro atrás da Julia Roberts mostrando uma imagem parecida com o que o Ethan Hawke tinha passado há pouco.

O elenco também manda bem. Julia Roberts, Mahershala Ali e Ethan Hawke estão muito bem nos seus papeis, assim como os outros três mais novos e mais desconhecidos, Charlie Evans, Farrah Mackenzie e Myha’la. E já tinha visto dezenas de filmes com Ethan Hawke e com Kevin Bacon e nunca tinha reparado como são parecidos!

Dá pra ver que heu estava gostando, né? Pois bem, hora de falar do “não final”.

Não tenho problemas com filmes com finais abertos. Usando como exemplo aquele que todos se lembram, Inception, no fim o pião está rodando, e a gente não sabe se aquilo é real ou sonho. A mesma coisa com O Vingador do Futuro do Verhoeven, ao fim do filme a gente não sabe se aquilo aconteceu ou se foi uma memória implantada. A gente nunca soube o que tinha na mala do Marsellus Wallace em Pulp Fiction. E a lista é infinita. O espectador não precisa de tudo mastigado.

Agora, se um filme se propõe a contar uma história, é bom que tenha algum tipo de conclusão. Reclamei aqui no heuvi este ano de dois filmes que terminaram abruptamente para serem concluídos em continuações, Aranhaverso 2 e Velozes e Furiosos 10. Se é pra deixar gancho, tem que fazer como Missão Impossível 7, que fecha a missão que o personagem está fazendo, e deixa pontas soltas a serem resolvidas na continuação. O modo usado em Aranhaverso 2 e Velozes e Furiosos 10 foi péssimo, a narrativa foi muito mal construída.

Mas nada não é tão ruim que não possa piorar. O Mundo Depois de Nós consegue ser ainda mais tosco, porque interrompe o filme do nada. E não li nada sobre uma continuação pra fechar a história. Me parece que os realizadores quiseram trollar o público. “Sabe a personagem frustrada porque não viu o final de Friends? Poizé, agora o espectador vai ficar igualmente frustrado por não ver o final do filme!”

Pena. Heu estava realmente gostando do filme. Mas esse “não final” foi uma ducha de água fria.

Wonka

Crítica – Wonka

Sinopse (imdb): Um jovem Willy Wonka cheio de ideias está determinado a mudar o mundo a cada deliciosa mordida de seu chocolate, uma atrás da outra, provando que as melhores coisas da vida sempre começam com um sonho.

Hollywood gosta de se repetir, então um novo Fantástica Fábrica de Chocolates era algo até previsível.

Mas antes, um breve recap. O primeiro é de 1971, dirigido por Mel Stuart e eternizado por Gene Wilder no papel principal. A minha geração conhece bem, vi e revi diversas vezes – e, curiosamente, quando era criança não reparava na psicopatia do Willy Wonka, hoje vejo como o personagem era bem desequilibrado. Em 2005 veio a refilmagem / releitura do Tim Burton, estrelada por Johnny Depp, que trazia outra abordagem para o Willy Wonka, diferente, mas também desequilibrado.

Dirigido por Paul King, Wonka (idem, no original) não é uma refilmagem. É uma história que se passa antes, conhecemos o Willy Wonka ainda jovem, ele ainda não tem a fábrica. Isso é uma boa notícia, porque enfraquece a inevitável comparação que o filme de 2005 sofreu. Podemos comparar os Willys, mas não os filmes. Além disso, não precisa (re)ver os filmes antigos.

Wonka tem seus problemas, mas é um bom “filme família para o fim de ano”. Famílias podem tranquilamente ir ao cinema, é um filme alegre e colorido, vai agradar a maioria.

Nos últimos anos a gente se acostumou com histórias mais “pé no chão”. Wonka é o oposto desta tendência: é uma história mágica, de fantasia, não dá pra entrar no cinema querendo ver coisas reais. E todo o visual do filme ajudam nesse clima lúdico: cenários, props, figurinos…

É um filme musical, o que sei que vai repelir parte do público. Mas, caramba, os outros também tinham números musicais! Tenho dois comentários sobre essa parte musical. O primeiro é que não tem nenhuma musica marcante, lembro de outros musicais recentes como La La Land, O Rei do Show ou Tick Tick Boom, onde terminei o filme empolgado com as músicas, e aqui não tem nenhuma causando este efeito (a não ser as músicas “velhas”).

O outro comentário é justamente sobre essas músicas velhas. Lembro que fiquei frustrado com a versão de 2005 quando não teve a clássica música do Oompa Loompa. Aqui tem, e também tem a igualmente clássica Pure Imagination. As músicas compostas para o filme não empolgam, mas essas duas trazem um “quentinho no coração”.

Outro problema é sobre o tema central do filme: chocolate. Os chocolates criados pelo Willy Wonka não parecem chocolates, parecem aqueles doces de açúcar colorido que enfeitam mesas de festas – e não parecem ser gostosos. Ou seja, o espectador não vai sair do cinema com vontade de comer chocolate.

Sobre o elenco: Timothée Chalamet é um bom ator, tem star power, vai trazer público, mas, head canon meu, queria ver um Willy Wonka mais psicopata. Ele é muito bonzinho, e até agora só tivemos Wonkas desequilibrados. Por outro lado, adorei o Oompa Loompa do Hugh Grant, ele ficou perfeito como o pequenininho mal humorado (apesar de saber que ele deu entrevistas falando mal do papel). Também queria citar, dentre os personagens secundários, a dupla Olivia Colman e Matt Lucas, que estão ótimos e têm uma química muito boa. Também no elenco, Sally Hawkins, Paterson Joseph, Keegan-Michael Key e Rowan Atkinson.

Apesar dos problemas, acho que Wonka vai agradar.

A Queda da Casa de Usher

Crítica – A Queda da Casa de Usher

Sinopse (Netflix): Para proteger a fortuna e o futuro, um casal de irmãos constrói uma dinastia familiar que começa a ruir quando cada um dos herdeiros morre misteriosamente.

E vamos para a quinta minissérie de terror do Mike Flanagan!

Já comentei em outros posts, heu sempre curti o trabalho do Mike Flanagan (desde Absentia, seu primeiro filme!), mas ele no cinema não era um cara do “primeiro time”. Cheguei a falar que era um aluno que sempre tirava 7 ou 8, mas nunca tirava 10. Gosto de Jogo Perigoso, O Espelho e Hush A Morte Ouve, mas reconheço que não são grandes filmes.

Mas aí o cara começou a fazer séries, e, pelo menos na minha humilde opinião, leva 10 em duas delas: A Maldição da Residência Hill e Missa da Meia Noite (Mansão Bly e Clube da Meia Noite são boas, mas estão um degrau abaixo).

Agora temos sua quinta série, A Queda da Casa de Usher, baseada em Edgar Allan Poe, onde ele volta a qualidade das suas duas melhores séries!

Existe um conto “A Queda da Casa de Usher”, mas a série não se baseia apenas no conto. Várias outras histórias de Poe são jogadas no liquidificador e aparecem aqui, seja na trama ou nos nomes dos personagens. Infelizmente, não sou um grande entendedor da obra de Edgar Allan Poe, então não vou poder citar aqui as várias referências.

O que posso dizer é que Flanagan consegue contar uma história assustadora e envolvente, em diferentes linhas temporais. Enquanto a trama no passado mostra Roderick e Madeline Usher ainda jovens e sem grana, a trama nos dias atuais se divide pra mostrar cada um dos filhos do agora milionário Roderick, como cada um vive, e como cada um morre.

Um parágrafo para falar sobre jump scares. Flanagan tem alguns dos melhores jump scares do audiovisual recente (Clube da Meia Noite chegou a bater o recorde de maior número de jump scares em um episódio). Aqui tem alguns muito bem sacados, principalmente nas longas conversas entre Roderick e Dupin.

Preciso falar do elenco! Mike Flanagan é um grande diretor de atores, seu elenco sempre está muito bem, e isso também acontece aqui. E tem uma característica curios: Flanagan costuma repetir vários atores que já trabalharam com ele. Catei pela internet quantos filmes ou séries cada um já tinha feito com o diretor: Kate Siegel, 7 (O Espelho, Hush, Ouija A Origem do Mal, Jogo Perigoso, Maldição da Residência Hill, Maldição da Mansão Bly, Missa da Meia Noite); Henry Thomas, 7 (Ouija, Jogo Perigoso, Residência Hill, Doutor Sono, Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Carla Gugino, 5 (Jogo Perigoso, Residência Hill, Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Katie Parker, 5 (Absentia, Residência Hill, Doutor Sono, Mansão Bly, Clube da Meia Noite); Samantha Sloyan, 4 (Hush, Residência Hill, Mansão Bly, Missa da Meia Noite), Michael Trucco, 3 (Hush, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Rahul Kohli, 3 (Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Alex Essoe, 4 (Doutor Sono, Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Bruce Greenwood, 2 (Jogo Perigoso, Doutor Sono); Zach Gilford, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Lulu Wilson, 2 (Ouija, Residência Hill); T’Nia Miller, 1 (Mansão Bly); Annabeth Gish, 3 (O Sono da Morte, Residência Hill, Missa da Meia Noite); Robert Longstreet, 4 (Residência Hill, Doutor Sono, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Kyliegh Curran, 1 (Doutor Sono); Matt Biedel, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Carl Lumbly, 1 (Doutor Sono); Ruth Codd (Clube da Meia Noite); Crystal Balint, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Sauriyan Sapkota, 1 (Clube da Meia Noite); Igby Rigney, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Aya Furukawa, 1 (Clube da Meia Noite). De novidade no “flanaganverso” temos Mark Hamill, Mary McDonnell e Willa Fitzgerald. Detalhe: Mark Hamill está no próximo projeto de Flanagan, The Life of Chuck, ao lado de pelo menos outros nove nomes que já trabalharam com o diretor.

Queria fazer um comentário sobre o final. Seguem avisos de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Achei genial a atualização da maldição “vender a alma ao diabo”, não sei se isso estava no conto original de Poe ou se é criação da série. Mas, é muito mais cruel você negociar com o diabo e ele cobrar seus filhos e netos em vez da sua alma. É algo muito mais real, muito mais palpável.

FIM DOS SPOILERS!

São 8 episódios de uma hora cada, heu poderia ficar aqui falando mais um monte de coisas. Em vez disso, recomendo: veja A Queda da Casa de Usher, e depois, se tiver tempo, (re)veja A Maldição da Resistência Hill e Missa da Meia Noite!

O Jogo da Invocação

Crítica – O Jogo da Invocação

Sinopse (imdb): Os irmãos Marcus, Billie e Jo são atraídos para um jogo demoníaco em que a única regra é: se você perde, você morre.

É lá vamos nós para mais um terror ruim com espaço no circuito, enquanto a gente sabe que outros bem melhores não têm espaço na grade.

Escrito e dirigido por Eren Celeboglu e Ari Costa, estreantes em longas, O Jogo da Invocação (All Fun and Games, no original) poderia ser mais um slasher besta com roteiro preguiçoso. Já vimos vários, esse seria apenas mais um. Poderia ser um filme fraco normal se não fosse algo que acontece perto do fim e tira vários pontos do resultado final, e faz o filme brigar por uma vaga entre os piores do ano.

E olha que esse filme tem um elenco muito melhor que outros títulos de roteiros igualmente ruins. Os dois nomes principais são bons: Natalia Dyer, badalada por Stranger Things; e Asa Butterfield, de A Invenção de Hugo Cabret e Ender’s Game (dentre vários, o garoto já fez bastante coisa relevante). E ainda tem Annabeth Gish (A Maldição da Residência Hill, Missa da Meia Noite, A Queda da Casa de Usher) num papel menor. Isso porque não falei que conta com os irmãos Russo (Vingadores) na produção!

O filme falha miseravelmente em toda e qualquer possibilidade de tentar assustar, ou pelo menos criar um clima tenso. Tem uma cena onde vemos as fantasminhas cercando os personagens e gritando “read the book!” que é uma cena onde dei uma boa gargalhada. Mas “desconfio” que o objetivo do filme não era ser engraçado…

É terror, né? Basicamente um cara matando os amiguinhos. Tem alguma morte graficamente bem filmada? Não! Parece filme de sessão da tarde!

Mais: o filme tem uma hora e dezessete minutos. Boa duração pra um slasher vagabundo. E mesmo assim, tudo é tão mal conduzido que o filme se arrasta…

Agora, o que mais me deixou com raiva foi uma parte no final onde o filme propõe uma regra e logo depois desrespeita a própria regra. Mas antes de comentar isso, um aviso de spoilers.

SPOILERS!

O garoto fala a maldição, aí o fantasma possui ele. O cara fala a maldição, o fantasma sai do menino e troca de corpo. Ok, é assim que funciona. A menina fala a maldição pra salvar o cara – mas, do nada, ela consegue “recusar” a possessão! Então era só enfiar o dedo no olho do fantasma (!) que tudo bem???

Não achei O Jogo da Invocação tão ruim quanto O Exorcista O Devoto, mas essa cena me deu uma raiva semelhante!

FIM DOS SPOILERS!

A boa notícia é que a história fecha e não precisa de continuação. A má notícia é que tem uma cena extra com o único objetivo de criar uma continuação.

Napoleão

Crítica – Napoleão

Sinopse (imdb): O filme oferece uma visão pessoal das origens de Napoleão e de sua ascensão rápida e implacável ao império, vista através do prisma de seu relacionamento viciante e muitas vezes volátil com sua esposa e verdadeiro amor, Josephine.

Novo épico dirigido por Ridley Scott, grande diretor, de Alien, Blade Runner, Perdido em Marte, e que já nos entregou outros épicos como Gladiador e Cruzada. Recentemente Scott fez o bom Último Duelo e o fraco Casa Gucci, e isso já me dizia o que esperar de Napoleão: um filme bonito, mas meio chato.

Sei que vou me contradizer agora, mas preciso reconhecer isso. Sempre defendi filmes curtos. Acredito que o mais enxuto é sempre melhor. Mas… Este Napoleão dos cinemas tem duas horas e trinta e oito minutos, e Ridley Scott disse que tem uma versão de quatro horas que será lançada em breve na Apple TV. E teve coisa mal contada aqui, que acredito que pode ser melhor desenvolvida numa versão mais longa. Um exemplo: depois de anos tentando gerar um herdeiro, Napoleão se separa e casa de novo, e sua segunda esposa lhe dá um filho. E acho que essa segunda esposa só aparece em uma única cena! Ou seja, neste caso em particular, a versão longa deve ser melhor estruturada. Aqui teve muita coisa atropelada.

Soube de outro problema, mas esse não é da área que heu entendo. Existem críticas de que o filme não respeita fatos históricos. Scott foi criticado com relação a supostos erros na História, mas a sua resposta aos historiadores foi “Excuse me, mate, were you there? No? Well, shut the fuck up then.” (“Desculpe, amigo, você estava lá? Não? Bem, então cale a boca.”). Bem, não acho que esse seja o melhor modo de se encarar a História. Se ele queria fazer algo do jeito dele, devia fazer como o Tarantino e assumir que aquilo não é real.

Teve outro problema, e esse me incomodou: a idade do ator principal. Joaquin Phoenix é um grande ator (não é seu melhor trabalho, daqui a pouco volto nisso), mas, aos 49 anos de idade, precisaria de uma maquiagem forte ou de um rejuvenescimento digital para interpretar um Napoleão de vinte e poucos anos no início do filme – vemos datas na tela, Napoleão se casou com menos de 30, e foi coroado imperador aos 35. E Phoenix passa o filme inteiro com a mesma cara. Zero maquiagem para mudar a idade.

Por outro lado, as cenas de batalha são ótimas. Duas delas, Austerlitz e Waterloo, são grandiosas e muito bem filmadas. Aos 85 anos (ele faz 86 mês que vem!), Ridley Scott mostra que ainda manja dos paranauês quando o assunto filmar batalhas épicas.

Aliás, toda a produção merece elogios quanto à reconstituição de época. A cenografia é perfeita e a fotografia é belíssima.

Sobre as atuações, esse é um filme onde basicamente só dois atores têm espaço para grandes papéis. Joaquin Phoenix não está mal, mas também não está bem. Ele parece repetir outras atuações, o seu Napoleão parece ser uma colagem de outros personagens de outros filmes. Felizmente, nada grave, é um grande ator e não chega a atrapalhar o filme. Vanessa Kirby tem o outro papel importante, Josephine, a esposa do Napoleão, e também está ok.

No fim, vale pelas batalhas e pela reconstituição de época. Mas a bagunça no roteiro dá vontade de aguardar a versão mais longa.