The Electric State

The Electric State

Sinopse (imdb): Uma adolescente órfã atravessa o oeste americano com um robô doce, mas misterioso, e um excêntrico vagabundo, em busca de seu irmão mais novo.

Os irmãos Joe e Anthony Russo eram ilustres desconhecidos, até que dirigiram quatro dos melhores filmes do MCU: Capitão América O Soldado Invernal, Capitão América Guerra Civil, Vingadores Guerra Infinita e Vingadores Ultimato – detalhe que este último é a segunda maior bilheteria da história do cinema. Mas, depois de Ultimato, lançaram dois filmes bem fuén: Cherry e Agente Oculto. Não são filmes ruins, mas são filmes bobos e genéricos.

The Electric State segue a mesma onda. Não é ruim, mas é bobo e genérico.

O filme se passa nos anos 90, mas é uma realidade paralela onde vivemos com robôs inteligentes (o que me faz questionar por que situar a trama nos anos 90, porque, se é uma realidade paralela, podia ser hoje em dia). Os robôs se rebelam, rola uma guerra entre humanos e robôs, e humanos ganham a guerra usando robôs controlados remotamente (ou seja, é tudo robô). Ter um robô passa a ser “crime de traição”. A protagonista, uma “adolescente” de vinte anos de idade, recebe a visita de um robô, que acredita ser controlado pelo seu irmão que foi declarado morto, e resolve acompanhá-lo numa aventura dentro do mundo dos robôs.

Vamulá. Tecnicamente falando, The Electric State é muito bom. É uma superprodução de 320 milhões de dólares onde boa parte deve ter ido pras equipes de efeitos especiais. São muitas cenas de atores interagindo com robôs – a maior parte deve ser cgi, mas nenhuma cena passa a sensação de ser fake. Realmente parece que os robôs são reais. Nesta parte, nenhuma queixa.

Agora, o roteiro é tão mal escrito que deu vontade de fazer uma lista de tosqueiras mais toscas… Então vou fazer mais alguns comentários, depois vou soltar um aviso de spoilers, e listar dez tosqueiras.

Tenho sensações dúbias quanto à trilha sonora. Porque é daquele tipo de filme que usa músicas pop pra despertar a nostalgia dentro do espectador, e neste aspecto as músicas são muito bem usadas. Sim, sei que é um truque sujo, mas é legal ouvir Journey, Danzig, Judas Priest, Oasis, The Clash e Marky Mark – inclusive esta última ainda traz uma boa piada. Aliás, a melhor piada do filme envolve a Cavalgada das Valquírias, de Wagner. Agora, por outro lado, é triste ler nos créditos que a trilha original é do Alan Silvestri, e tentar lembrar da trilha e não conseguir. Sim, a trilha original é tão genérica quanto o resto do filme, não tem nenhum tema marcante.

Sobre o elenco: Millie Bobby Brown e Chris Pratt interpretam Millie Bobby Brown e Chris Pratt. Ambos fazem o de sempre, o que pode ser bom dependendo da proposta do espectador, mas, não é nenhum trabalho de atuação que mereça destaque. Stanley Tucci faz o vilãozão genérico; e, lembram que comentei que Giancarlo Esposito estava desperdiçado em Capitão América 4? Aqui ele está mais desperdiçado ainda! Alguém precisa avisá-lo urgentemente que ele precisa largar esse estereótipo, já cansou! Ke Huy Quan tem um bom papel, pena que é tão clichê que adivinhei o que ia acontecer assim que ele apareceu. Jason Alexander tem um papel pequeno e engraçado. Além disso The Electric State tem robôs com as vozes de Woody Harrelson, Anthony Mackie, Brian Cox, Jenny Slate, Hank Azaria, Colman Domingo e Alan Tudik – e preciso dizer que não reconheci Anthony Mackie, mesmo lendo seu nome nos créditos (talvez seja o único elogio que faço ao elenco).

E aí a gente volta pro assunto do início do texto: The Electric State é ruim? Não. O cara que ligar a Netflix atrás de uma diversão efêmera e despretensiosa vai curtir. O problema é você lembrar dos currículos das pessoas envolvidas e pensar que podia ser muito melhor…

Mickey 17

Crítica – Mickey 17

Sinopse (imdb): Segue Mickey 17, um “dispensável”, que é um funcionário descartável em uma expedição humana enviada para colonizar o mundo gelado de Niflheim. Depois que uma iteração morre, um novo corpo é regenerado com a maioria de suas memórias.

Finalmente foi lançado o aguardado novo filme de Bong Joon-Ho, depois que ele surpreendeu o mundo cinematográfico em 2020 ao levar 4 Oscars para Parasita, incluindo o de melhor filme – a primeira (e até agora única) vez que um filme não falado em inglês ganhou o Oscar principal. (Além de melhor filme, Parasita ganhou melhor diretor, melhor roteiro original e melhor filme internacional).

(A previsão era lançar ano passado, tanto que o filme estava na minha lista de expectativas para 2024…)

Mickey 17 é a adaptação do livro Mickey 7, de Edward Ashton. Soube que teve sessões de imprensa em outras cidades no Brasil onde críticos ganharam o livro, mas aqui no Rio não deram nada. Mas li no imdb o motivo de ser um número diferente: Bong falou que queria alterar pra poder matar o Mickey mais dez vezes.

O filme traz uma ideia boa. Mickey está endividado, então resolve se juntar a uma equipe que está saindo da Terra para colonizar um planeta distante. Como não tem muitas habilidades, resolve optar pelo cargo que lhe parecia mais fácil de ser contratado: o “dispensável”. Sempre que tem alguma tarefa perigosa, com risco de vida, ele vai executar. E quando morre, imprimem uma nova cópia, igual ao que acabou de falecer, inclusive com as mesmas memórias.

Aliás, tem uma coisa curiosa: várias vezes no filme perguntam ao Mickey “como é morrer?” Ora, se ele está sendo reimpresso com a memória até aquele dia, não tem como ele saber como é morrer! Não tem como recuperar a memória da morte!

(Achei estranho ter cópias com personalidades diferentes. Acho que se é pra ser igual, seria igual em tudo. Mas, impressão de corpo humano não existe na vida real, então, como estamos falando de ficção científica, vou aceitar que altere a personalidade.)

A parte técnica é muito boa. Robert Pattinson faz dois Mickeys, o 17 e o 18, e eles interagem boa parte do filme. Ok, não é a primeira vez que vemos um ator interpretando “gêmeos”, mas reconheço que o resultado aqui ficou perfeito.

Além disso tem as criaturas habitantes do planeta Niflheim (o nome do planeta é uma referência à mitologia nórdica, é um reino em estado permanente de inverno, a vida após a morte para aqueles que não morrem de forma heroica). Bong Joon-Ho já filmou monstros antes, o primeiro filme que vi dele foi O Hospedeiro, de 2006. Mas aqui são vários monstrinhos, e, que nem acontece com os “gêmeos”, o resultado é perfeito.

Assim como em outros filmes do diretor, os teóricos de plantão podem encontrar camadas para alimentar discussões sociológicas. Um amigo meu falou que seria uma crítica ao capitalismo, “onde você vai trabalhar até morrer”. Também podemos enxergar o personagem do Mark Ruffalo como um líder que mistura política com religião. Ou seja, é “filme de monstro e nave espacial”, mas também tem seu lado cabeça.

Sobre o elenco, é impressionante como, a cada filme, Robert Pattinson se mostra um ator melhor. Já tinha comentado isso em filmes tão díspares como O Farol e Batman, e aqui mais uma vez ele está muito bem, e ainda tem a oportunidade de fazer dois papéis completamente diferentes – Mickey 17 e Mickey 18 só são parecidos fisicamente, pois têm personalidades bem distintas. Por outro lado, achei Mark Ruffalo além do ponto. Entendo a opção de colocá-lo como um líder caricato, mas ficou over. Toni Collette, sua parceira, está melhor. Também no elenco, Naomi Ackie (Pisque Duas Vezes), Anamaria Vartolomei (O Império) e Steven Yeun (Não Não Olhe).

Mickey 17 pode não ser tão bom quanto Parasita. Mas mesmo sendo um filme menor, gostei, achei tão bom quanto O Hospedeiro ou O Expresso do Amanhã.

O Macaco

Crítica – O Macaco

Sinopse (imdb): Quando os gêmeos Bill e Hal encontram no sótão um velho macaco de brinquedo do pai, começa uma série de mortes terríveis. Os irmãos decidem jogar o brinquedo fora e seguir em frente com suas vidas, distanciando-se com o passar dos anos.

O Macaco (The Monkey, no original) estava na minha lista de expectativas para 2025, por ser uma história do Stephen King, e dirigida por Osgood Perkins, que ano passado apresentou o bom Longlegs.

Gostei de Longlegs e gostei ainda mais de O Macaco. Se o primeiro era um terror sério, o segundo traz várias cenas de humor negro que fizeram o cinema dar gargalhadas várias vezes ao longo da projeção. São muitas cenas de mortes, e com muito gore. E ao mesmo tempo são cenas engraçadíssimas! Às vezes lembra o clima da franquia Premonição, onde a gente fica esperando mortes cada vez mais absurdas.

O humor negro não está só nas mortes. Vários diálogos também são neste estilo. E preciso dizer que adorei o tom do humor. Olha, há muito tempo heu não ria tanto numa sessão. Lembro que há pouco vi a comédia Bridget Jones Louca Pelo Garoto, e não ri quase nada…

Não li o conto original do Stephen King. Não sei se já era engraçado, ou se o humor negro foi uma adição do diretor e roteirista Oz Perkins (que é filho do Anthony Perkins, pra quem não sabe). Independente de quem é o autor, achei perfeito, este é o meu estilo de humor!

(Alguns amigos meus estão chamando O Macaco de “terrir”. Sei lá, pra mim, “terrir” está mais ligado ao estilo do Ivan Cardoso, filmes tipo As Sete Vampiras ou O Escorpião Escarlate, que eram filmes de terror, mas meio trash. O Macaco não é nada trash!)

O Macaco apresenta um brinquedo que, quando dão corda e ele bate no tambor, uma morte aleatória vai acontecer. O irmãos gêmeos Bill e Hal herdam esse brinquedo, mas tentam se afastar depois que descobrem os efeitos desagradáveis e imprevisíveis.

Curiosidade sobre o brinquedo: segundo o imdb, Oz Perkins resolveu fazer o macaco bater em um tambor em vez de pratos porque os direitos da versão com pratos são de propriedade da The Walt Disney Company, já que o brinquedo apareceu como personagem em Toy Story 3. O que é irônico, porque o macaco com pratos estava em Toy Story 3 porque seu diretor Lee Unkrich é fã de Stephen King.

Oz Perkins, na minha humilde opinião, está num bom momento da carreira. Lembro de quando vi Maria e João, o Conto das Bruxas, que achei bem filmado, mas entediante. Longlegs foi bem melhor, parecia uma uma mistura de Silêncio dos Inocentes com Zodíaco, mas em versão terror. O cara sabe filmar, sabe posicionar sua câmera, seus filmes fogem do óbvio. E agora, com O Macaco, Perkins acertou em cheio. E ainda tem um filme novo dele, Keeper, com previsão de lançar em outubro deste ano!

Os gêmeos Bill e Hal são interpretados pelo mesmo ator: Christian Convery quando adolescentes; Theo James quando adultos. Eles estão bem: achei que eram dois atores diferentes interpretando os adolescentes. Tatiana Maslany interpreta a mãe durante a primeira parte do filme. O Macaco ainda tem participações especiais de Elijah Wood e Adam Scott, cada um faz uma cena. E o diretor Oz Perkins tem um papel bem divertido, o tio dos meninos.

Alguns amigos meus falaram mal de O Macaco quando acabou a sessão. Mas te garanto que a sala inteira do cinema estava gargalhando alto. Acho que esses amigos esperavam um filme sério…

O Brutalista

Crítica – O Brutalista

Sinopse (imdb): Quando o visionário arquiteto László Toth e sua esposa Erzsébet fogem da Europa do pós-guerra em 1947 para reconstruir seu legado e testemunhar o nascimento da América moderna, suas vidas são mudadas por um misterioso e rico cliente.

Tem filmes que, quando acabam, o rascunho do meu texto está pronto dentro da minha cabeça. Vou falar disso, daquilo, comentar sobre aquele problema, fazer aquele elogio… É só colocar no papel e formatar. Agora, tem outros filmes que não tenho ideia nem por onde começar meus comentários. O Brutalista está nesta categoria.

Antes de tudo, uma informação útil, que heu não sabia. Enganado pelo título e pelo cartaz, fui ao cinema ver um “Adrien Brody brutal”. Achei que era um filme violento. Não sabia que “brutalismo” é um estilo de arquitetura. Vou copiar aqui um trecho da wikipedia:

O estilo arquitetônico Brutalismo (também chamado de arquitetura brutalista), que surgiu no início do século XX e alcançou seu auge nas décadas de 1950 a 1970, é conhecido por sua estética ousada e impiedosa, caracterizada pelo uso de concreto bruto e aparente. O nome “Brutalismo” deriva da palavra francesa “brut”, que significa “cru” ou “bruto,” e não se refere à violência, como muitas pessoas podem supor. O concreto é o material central no Brutalismo, e os arquitetos que seguem esse estilo fazem questão de deixar a textura e a superfície do concreto visíveis, muitas vezes sem revestimento ou acabamento adicional. Isso cria uma sensação de honestidade e autenticidade na construção.”

Ou seja, “não se refere à violência”. Não criei expectativas, mas achei que era outro tipo de filme!

Ah, outra informação importante: László Toth é um personagem fictício. É bom deixar isso claro, porque a construção do filme passa a impressão de que ele existiu (principalmente pelo epílogo do filme).

Vamos ao filme. O Brutalista (The Brutalist, no original) acompanha a história de László Toth, arquiteto, judeu, húngaro, que fugiu da Segunda Guerra e foi aos EUA tentar uma vida nova. Se na Europa ele tinha problemas relativos à guerra, ele encontrou outro tipo de problema no seu novo país. Seu primo largou o sobrenome húngaro e se casou com uma americana, mas László quer manter suas raízes. Depois, quando encontra um cara rico que contratá-lo, ele precisa lutar para manter sua obra do jeito que ele idealizou.

A direção é de Brady Corbet, que teve uma carreira modesta como ator (estava no elenco de Melancolia e na versão americana de Funny Games), e que de uns anos pra cá resolveu dirigir. Apesar de ser apenas seu terceiro filme como diretor, Corbet já parece um veterano – O Brutalista é um “filme de gente grande”, uma super produção de época, grandiosa, com cenários e figurinos caprichados, apesar de ter um orçamento relativamente modesto (10 milhões de dólares segundo o imdb).

Vamos falar da pausa? Sim, rola uma pausa de 15 minutos. Isso não é da sala de cinema, está dentro do filme. O Brutalista tem três horas e trinta e quatro minutos, mas são três horas e dezenove de filme. No meio da projeção, aparece uma imagem com um contador marcando o tempo em contagem regressiva. Heu sou super a favor de pausas em filmes longos, acho que todo filme de mais de duas horas deveria ter uma pausa, dá pra ir ao banheiro ou passar na bombonière, é bom pro espectador e também pro cinema, pena que isso não é uma prática comum. Mas, por outro lado, O Brutalista não precisava ter mais de três horas. O filme cansa em alguns momentos. Sou a favor da pausa, mas também sou a favor de filmes mais curtos. Um filme só deveria ser longo se ele realmente precisar!

O Brutalista é dividido em duas parte e um curto epílogo. A divisão entre as partes é nítida, tanto que a pausa acontece entre elas. Agora, achei o epílogo desnecessário. Se László Toth fosse uma pessoa real, ok, justificava mostrá-lo velhinho. Mas, para um personagem fictício, achei que não precisava.

O Brutalista ainda tem outro problema, que é o final. Acontece uma coisa com um personagem, que poderiam ter deixado o personagem pra lá e seguido com a história. Mas não, o filme foca no que aconteceu com esse personagem – pra depois não concluir. Caramba, se a gente seguiu essa história paralela, que pelo menos a gente saiba a conclusão!

O elenco está muito bem. O trio principal, Adrien Brody, Felicity Jones e Guy Pierce, merece as indicações ao Oscar (mas não achei que Brody deveria ter ganhado seu segundo Oscar…). Rolou uma polêmica ligada ao uso de IA nas vozes do casal principal, alguém me disse que era pra ajudar a criar os sotaques húngaros dos personagens, mas me parece mais lógico que seja para melhorá-los enquanto falam em húngaro – é bem mais fácil o cara falar na sua língua imitando um sotaque do que ser fluente em uma língua estrangeira. Tinha gente achando que o Oscar não iria para Brody por causa disso, mas parece que os votantes da Academia não se incomodaram.

Também queria falar dos créditos, tanto os iniciais quanto os finais. São créditos em formatos diferentes do óbvio. Nada de excepcional, mas gostei, justamente por ser algo diferente do que estamos vendo todos os dias.

Alguns amigos meus adoraram O Brutalista, dizendo que seria um dos melhores filmes do ano. E o filme ganhou o Globo de Ouro e foi indicado a dez Oscars. Mas, heu preciso dizer que o filme não me empolgou. Não é um filme ruim, longe disso, é um filme bonito, bem filmado, bem atuado, mas, pelo menos pra mim, apenas mais um filme.

Entre Montanhas

Crítica – Entre Montanhas

Sinopse (imdb): Dois agentes altamente treinados se aproximam à distância após serem enviados para proteger lados opostos de um desfiladeiro misterioso. Quando um mal emerge, eles precisam trabalhar juntos para sobreviver ao que está lá dentro.

Aconteceu algo curioso. Entre Montanhas (The Gorge, no original) é um filme de streaming, da Apple TV. Comecei a ver, bateu sono, aí parei na metade, e terminei no dia seguinte. E Entre Montanhas é daquele tipo de filme que muda de rumo no meio, e achei a segunda metade bem inferior à primeira…

(Aliás, por que diabos chamar de “Entre Montanhas” um filme que no original se chama “O Desfiladeiro”? O nome original tem muito mais a ver!)

Vamulá. Dois atiradores de elite, de nacionalidades diferentes, que não se conhecem, são escalados para passar um ano, isolados do mundo, cada um em uma torre, de lados opostos de um desfiladeiro. Algo misterioso está lá embaixo, e eles só precisam vigiar. Teoricamente eles não poderiam entrar em contato um com o outro, mas começam a se comunicar através de cartazes, um escreve e o outro vê através de binóculos. Aliás, tem um momento onde o Miles Teller toca bateria (como em Whiplash) e a Anya Taylor-Joy joga xadrez (como em O Gambito da Rainha), e coincidentemente isso já estava no roteiro antes do elenco ser escolhido.

Essa parte da comunicação à distância é a melhor parte do filme. Tem um momento onde o ritmo é quebrado e vemos algo tentando sair do desfiladeiro. A sequência é boa, mas heu acho que podia mostrar menos sobre o que estava lá embaixo – sempre defendo que o quanto menos a gente sabe, maior é o medo que a gente sente. Mas pelo menos a sequência é empolgante e bem filmada.

Até aí, heu estava gostando do filme. Mas na segunda metade, algo acontece e os dois vão parar dentro do desfiladeiro. E aí o filme entra numa onda de clichês (como quando encontram um filme em super 8 que vai explicar tudo) e forçadas de barra no roteiro (como os dois conseguirem fazer tudo e sobreviver num ambiente onde milhares de soldados tentaram e todos morreram). Não que o filme fique ruim, mas é que cai no “mais do mesmo”.

A direção é de Scott Derrickson, que tem um histórico no cinema de terror: O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade, Livrai-nos do Mal, O Telefone Preto (além de um Marvel, Doutor Estranho). Por ser alguém do meio, achei que a segunda metade do filme podia ser mais “terror”. Pena, virou um sub Resident Evil, naquela linha entre ação, terror e ficção científica.

No elenco, quase o filme todo é em cima de Miles Teller e Anya Taylor-Joy, que estão bem, e convencem, tanto como atiradores, quanto como o improvável casal. Sigourney Weaver faz uma ponta de luxo, caricata, mas pouco aparece. E acho que o único outro personagem relevante é interpretado por Sope Dirisu, de Gangs of London.

A segunda metade tem uma falha grave de roteiro. Mas como é no fim do filme, vou colocar um aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

A gente descobre que lá embaixo existe uma contaminação. Mas tem um rio correndo. Ué, a água que sai do desfiladeiro e vai “para o mundo” não está contaminada?

FIM DOS SPOILERS!

No fim, Entre Montanhas é um filme apenas ok. Não vai deixar o espectador com raiva, mas também não vai mudar a vida de ninguém. Só fico triste com a queda de qualidade no meio do filme. Seria melhor se não tivesse caído no clichê.

Conclave

Crítica – Conclave

Sinopse (imdb): O Cardeal Lawrence é encarregado de liderar um dos eventos mais secretos e antigos do mundo, a seleção de um novo Papa, onde ele se encontra no centro de uma conspiração que pode abalar os próprios alicerces da Igreja.

Dirigido por Edward Berger, mesmo diretor do também bom Nada de Novo no Front (que ganhou 4 Oscars em 2023, incluindo melhor filme internacional), Conclave traz uma boa história, numa trama fluida, grandes atuações e todos os personagens são bem construídos. Isso tudo com uma fotografia belíssima.

O conclave é quando morre o Papa, então cardeais se isolam do mundo para escolherem o novo Papa. Segundo a “mitologia” da igreja católica, todos rezam e são “tocados por Deus”, então escolhem o novo líder. Mas claro que deve rolar muita politicagem por debaixo dos panos.

Um dos vários méritos de Conclave está nos personagens. Ao longo da projeção vemos pelo menos seis candidatos que teriam reais chances, e o roteiro consegue equilibrar perfeitamente essa dúvida. Claro que tem um que é retratado como um “vilão”, um cara retrógrado e racista, que quer que a Igreja católica volte ao que era décadas atrás, inclusive quer um Papa italiano. Mas o filme não é maniqueísta, mostra várias facetas de vários personagens. E a parte final ainda traz um plot twist que vai pegar quase todos os espectadores de surpresa (mais tarde comento sobre o final).

Aproveito pra falar do elenco. Ralph Fiennes está ótimo, ele precisa organizar o conclave, está no meio de um turbilhão porque a Igreja está dividida e ele sente que precisa unir as diferentes correntes, ele não quer ser Papa mas muitos discordam… Sua indicação ao Oscar de Melhor Ator não é um exagero. Stanley Tucci e John Lithgow também estão bem – heu tive um problema com Lithgow, mas reconheço que o problema meu e não do filme: gosto muito do seriado 3rd Rock From the Sun, e de vez em quando ele falava e heu me lembrava do Dick Solomon. Outros nomes menos conhecidos também se destacam, como Sergio Castellitto (Tedesco) e Carlos Diehz (Benitez). Por fim, Isabella Rossellini tem um papel bem pequeno, mas protagoniza um dos melhores momentos do filme.

Um parágrafo à parte pra falar da trilha sonora de Volker Bertelmann. Tirado da wikipedia: “Em busca de um instrumento acústico que “soasse como um sintetizador ou algo eletrônico”, Bertelmann escolheu o Cristal Baschet , um cristalofone tocado com as mãos molhadas, como o som predominante para a trilha sonora do filme. O instrumento era tematicamente adequado para a trilha sonora do filme, pois produz uma sensação de um “espaço sobrenatural” e sua execução artesanal o ajudou a produzir sons “estranhos e divinos”.

Nem todo o filme é perfeito. Determinada cena acontece uma explosão, e essa explosão não agrega nada à história que o filme está contando. Não que seja uma cena ruim, mas é bem desnecessária, se tirar essa cena o filme não perde nada.

Vou comentar o final, mas não vou entrar em detalhes por causa de spoilers. O final traz um plot twist que talvez possa ofender algum católico. Mas… Meus pais são muito católicos, vão à missa mais de uma vez por semana, participam ativamente da sua paróquia. Vi o filme, recomendei a eles, com medo de não gostarem do fim. Mas, para a minha surpresa, não falaram nada negativo sobre este plot twist. Ou seja, se as pessoas mais católicas que heu conheço não se ofenderam, acho que Conclave pode ser curtido por qualquer um.

Conclave está concorrendo a oito Oscars: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator (Ralph Fiennes), melhor Atriz Coadjuvante (Isabella Rossellini), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Design de Produção. Claro que estou torcendo pra Ainda Estou Aqui – mas sei que dificilmente vai ganhar; e claro que prefiro A Substância – mas sei que dificilmente um filme de terror com gore ganha. Dentre os “filmes com cara de Oscar”, achei Conclave o melhor até agora (vi 9 dos 10 principais).

Bridget Jones: Louca pelo Garoto

Crítica – Bridget Jones: Louca pelo Garoto

Sinopse (imdb): Bridget Jones agora viúva e solteira, vive com a ajuda de sua família, amigos e o ex-amante, Daniel. De volta ao trabalho e aos aplicativos, ela é perseguida por um homem mais jovem e talvez – pelo professor de ciências de seu filho.

Antes de tudo, preciso falar que não sou o público alvo ideal de Bridget Jones. Não me lembro de nada do primeiro filme, não sei se vi o segundo, nem sabia que existia um terceiro filme (como este terceiro é de 2016, provavelmente não vi, heu já escrevia críticas nessa época). Também sei que existe um livro que serviu de base, e não li. Meus comentários serão com isso em mente.

Vamulá. Bridget Jones: Louca pelo Garoto (Bridget Jones: Mad About the Boy, no original) é mais uma comédia romântica bobinha e previsível. Algumas cenas boas aqui e ali, alguns momentos constrangedores de vergonha alheia e um final tão óbvio que qualquer um que viu o trailer vai saber exatamente o que vai acontecer.

Achei algumas cenas péssimas! Tem uma cena que é o “dia da profissão”, onde os pais vão à escola falar sobre o seu trabalho. Bridget Jones é produtora de um programa de TV, no primeiro dia de trabalho ela estava organizando uma edição com a Fergie de convidada. Mas na hora de falar com as crianças na turma ela resolveu inventar uma entrevista com o professor pra discutir temas nada a ver.

Aliás, falando do professor, é um personagem muito mal construído. O cara é professor, mas também é inspetor, porque fica na rua organizando a entrada dos alunos. E está em TODOS os lugares da escola. E ainda por cima é músico! Acho que se o roteiro pedisse, ele também seria capaz de fazer uma cirurgia…

Felizmente nem tudo é ruim. Confesso que gostei de algumas cenas, como aquela onde o garotão salva o cachorro na piscina – apesar de ter um grande furo no roteiro, afinal ele não teria como saber quem é o dono do cachorro. Também achei bonita a cena onde a família manda mensagens para o falecido pai, através de balões coloridos.

No elenco, Renée Zellweger às vezes soa caricata, mas acho que o papel pede isso (como falei, não lembro dos outros filmes); Colin Firth, que era o principal papel masculino nos outros filmes, aqui faz aparições pontuais. Chiwetel Ejiofor faz o super professor, personagem ruim, mas ele não está exatamente mal; Leo Woodall faz o garotão novinho, papel sem muita profundidade. Hugh Grant, irônico e sarcástico, está ótimo – fiquei me questionando se ele sempre foi bom assim ou se agora que está mais velho melhorou (elogiei ele em Herege, Wonka, Magnatas do Crime…). Também tem uma divertida ponta da Emma Thompson.

Enfim, achei o filme meio besta. Mas talvez o problema seja heu, e não o filme. Duas fileiras atrás de mim no cinema, um cara dava gargalhadas altas a cada 30 segundos! Queria estar me divertindo como ele…

Capitão América: Admirável Mundo Novo

Crítica – Capitão América: Admirável Mundo Novo

Sinopse (imdb): Sam Wilson, o novo Capitão América, se vê no meio de um incidente internacional e deve descobrir o motivo por trás de um plano global nefasto.

Antes de tudo, um aviso pra quem ainda não me conhece: não leio quadrinhos de super heróis. Nada contra, mas sempre preferi outros estilos de HQs. Então, meus comentários serão apenas sobre a Marvel no cinema!

Já falei aqui em outras ocasiões: o que a Marvel fez ao longo dos 12 anos entre o primeiro Homem de Ferro (2008) e o Vingadores Ultimato (2019) será estudado como um dos cases mais bem sucedidos da história do cinema. O “evento Vingadores”, juntando dezenas de filmes e dezenas de heróis, foi um feito que dificilmente será superado.

O mais sensato seria parar depois. Ficar uns anos sem lançar nada. A Marvel alcançou um patamar muito alto, seria difícil se manter no mesmo nível. Mas, quem quer parar quando está no topo? Ou seja, se até Ultimato a Marvel era sinônimo de entretenimento de qualidade, de lá pra cá nota-se uma irregularidade nos lançamentos. Por causa disso, muita gente se cansou da “fórmula Marvel”.

Os haters dizem que “Marvel já era”; os fãs torcem para um novo filme que trará tudo de volta aos trilhos. Por enquanto, ficamos com lançamentos meia bomba, como este quarto Capitão América, Capitão América: Admirável Mundo Novo (Captain America: Brave New World, no original), o primeiro de três filmes que a Marvel lançará este ano.

(Chute meu, não li isso em lugar nenhum: pelo que me parece, este Capitão América seria só pra “cumprir tabela”; Thunderbolts* é uma grande incógnita, pode ser tão ruim quanto o primeiro Esquadrão Suicida, ou tão bom quanto o segundo Esquadrão Suicida, mas será um filme “avulso”; e finalmente Quarteto Fantástico tem cara de que será o filme que ditará o novo rumo da Marvel nos cinemas. Mas, repito: isso é um chute meu.)

Capitão América: Admirável Mundo Novo começa com um problema que não acontecia no início do MCU, mas que agora é meio inevitável: é um filme que precisa de “manual de instruções”. O espectador “leigo” vai ficar perdido, porque Capitão América 4 é continuação não só da série Falcão e o Soldado Invernal como também continuação do filme do Hulk de 2008 – sim, aquele do Edward Norton filmado parcialmente no Rio e que quase ninguém se lembra. E ainda tem referência a Eternos.

Capitão América 4 traz Sam Wilson, o novo Capitão América (depois da aposentadoria do Steve Rogers) envolvido em uma trama política internacional, agora que Thaddeus Ross virou presidente dos EUA e quer fazer um tratado entre vários países para dividirem as riquezas encontradas nos Celestiais. Só que um vilão misterioso está manipulando pessoas pra este plano dar errado.

A direção é de Julius Onah, que heu nunca tinha ouvido falar. Mas em termos de Marvel, não acho que isso é algo essencial, afinal alguns dos melhores filmes da Marvel foram dirigidos pelos irmãos Russo, que eram completos desconhecidos antes. E diretores consagrados tiveram resultados irregulares, como Kenneth Branagh (Thor) e Chloé Zhao (Eternos). Mas, Onah não fez nada que saltasse aos olhos. Seu Capitão América é bem inferior aos outros (mas, reconheço que é uma comparação difícil, o segundo filme, Soldado Invernal, é considerado um dos melhores filmes de todo o MCU, enquanto o terceiro é o Guerra Civil.)

Uma coisa que gostei foi que a minha dúvida sobre o Sam Wilson ser o novo Capitão América mesmo sem ser super é abordada no filme. Nada contra o Sam Wilson enquanto era o Falcão, mas, como uma pessoa “normal” fica no lugar de uma pessoa que tinha superpoderes? O filme fala sobre isso, e achei a explicação satisfatória.

Agora, Capitão América 4 tem um problema grande, e que nem é culpa do filme em si. Durante todo o filme o personagem do Harrison Ford está desenvolvendo um problema, que poderia ser um grande plot twist: ele vai virar um Hulk. Mas, parece que o estúdio não dá bola pra plot twist, esse Hulk está em TODA a divulgação!

(Um comentário de alguém que não lê os quadrinhos: não tenho ideia de qual é a diferença entre um Hulk vermelho e um Hulk verde – ou quaisquer outras cores de Hulks. Ouvi vários comentários sobre ele ser um “Hulk vermelho”, talvez a cor tenha algum significado. Mas não é mencionado no filme.)

O roteiro tem alguns furos aqui e ali. Nada grave, são “roteirices”, facilitações de roteiro. Mas não dá pra levar muito a sério. Só pra dar um exemplo: em determinado momento um personagem fala “para o meu plano funcionar, eu preciso ser preso” e então chegam os guardas e o levam. Oi? O plano ia funcionar com ele preso ou não! Pra que aquela cena?

Sobre o elenco: Anthony Mackie está bem, ele tem carisma pra liderar o filme, e a única questão que heu tinha com o personagem foi explorada durante o filme. Harrison Ford também está bem, ele ganhou o papel que foi de William Hurt (que faleceu em 2022). Só achei curioso ver Ford como presidente dos EUA mais uma vez, não tem como não lembrar dele em Força Aérea Um, de 1997. Já Giancarlo Esposito está bem, mas achei o personagem dele mal aproveitado. E não quero falar mais sobre o elenco porque pode ser um spoiler indireto.

Capitão América: Admirável Mundo Novo tem uma cena pós créditos, lá no finzinho de tudo, um gancho pra possíveis continuações. Cena bem besta, mas é o estilo da Marvel.

Por fim, preciso falar que sempre que leio o nome do filme, uma música começa a tocar na minha cabeça: Bravo Mundo Novo, do segundo disco da Plebe Rude. O nome do filme em português é “Admirável Mundo Novo”, mas o original é “Brave New World”. Principalmente porque fui a um show da Plebe Rude semana passada, no Circo Voador (showzaço, aliás). Taí, faltou incluir Plebe Rude na trilha sonora!

De Volta À Ação

Crítica – De Volta À Ação

Sinopse (imdb): Quinze anos depois de abandonar a CIA para formar uma família, os ex-agentes de elite Matt e Emily voltam ao mundo da espionagem ao terem seus disfarces descobertos.

Dirigido por Seth Gordon, De Volta À Ação (Back in Action, no original) é mais um filme genérico de ação da Netflix. A fórmula parece ser: junte dois ou três grandes nomes de Hollywood, faça uma trama clichê e bem humorada, com muita correria, perseguições, tiroteios e explosões, coloque algumas cenas numa locação bonita, e torça pro carisma das suas estrelas garantir a audiência. Efeitos especiais são limitados, afinal o orçamento está direcionado pra pagar os cachês das estrelas.

Seguindo esta fórmula, tivemos Alerta Vermelho (com Dwayne Johnson, Gal Gadot e Ryan Reynolds), O Agente Oculto (com Ryan Gosling, Ana de Armas e Chris Evans), Ghosted: Sem Resposta (com Ana de Armas e Chris Evans), dentre outros. São filmes ruins? Não. Mas são filmes que a gente se esquece pouco depois de ver…

E o mesmo aconteceu aqui em De Volta À Ação. Mas pelo menos posso dizer que me diverti com o casal principal.

Uma dupla de agentes da CIA trabalham juntos e têm um caso. Quando ela descobre que está grávida, eles resolvem sumir e tentar viver numa vida “normal”. Quinze anos depois, eles são descobertos e começam a ser perseguidos, tanto pela CIA e pelo MI6, como por criminosos internacionais.

Pelo menos pra mim, o que salva De Volta À Ação é o carisma da sua dupla de protagonistas. Jamie Foxx está bem, como sempre, e ele tem uma química muito boa com Cameron Diaz (que estava aposentada e heu nem sabia disso, seu último filme tinha sido Annie, de 2014, também com Jamie Foxx). Jamie e Cameron estão em forma, e funcionam bem juntos tanto nas partes cômicas quanto nas cenas de luta (provavelmente usaram dublês, mas isso faz parte das regras). O filme também tem algumas boas piadas usando diferenças entre gerações.

Agora, não dá pra pensar muito sobre o filme. O plot principal já é furado: alguém filmou o casal em ação, e isso despertou várias agências internacionais de espiões. Gente, nos dias de hoje, com reconhecimento facial em todos os lugares, eles já teriam sido descobertos há tempos!

E aí abre a porteira pras forçadas de barra no roteiro. Por exemplo: se passaram 15 anos, será aquele objeto escondido continua tão relevante? Será que em 15 anos ninguém pensou numa nova tecnologia que seria ainda melhor do que aquele aparelho? Vou além: um “controle remoto” de 15 anos atrás ainda funciona em equipamentos feitos com tecnologia mais avançada?

(Isso porque nem vou comentar sobre a idade da filha. Se eles ficaram escondidos 15 anos, a filha mais velha teria 14, mas parece ter 17 ou 18. Mas, Hollywood é cheia de casos assim, então esse vou deixar pra lá.)

Comentei sobre os efeitos especiais, né? Tem uma fuga na cena inicial que envolve montanhas e paraquedas. A cena é ok. Mas aí a gente lembra do Tom Cruise no último Missão Impossível e vê a diferença…

Enfim, De Volta À Ação vale pra distração efêmera. Porque você vai rir e se divertir, mas mês que vem você nem vai se lembrar do filme.

Acompanhante Perfeita

Crítica – Acompanhante Perfeita

Sinopse (imdb): A morte de um bilionário desencadeia uma série de eventos para Iris e seus amigos durante uma viagem de fim de semana à sua propriedade à beira do lago.

É complicado falar de um filme como Acompanhante Perfeita (Companion, no original), porque boa parte da graça do filme está nas pequenas reviravoltas espalhadas ao longo do roteiro. Fui ao cinema sem ver o trailer, apenas tinha lido uma sinopse genérica. E posso dizer que entrar na sala sem saber nada é uma experiência melhor! Então vou me policiar pra falar o mínimo possível sobre a trama.

Um grupo de amigos vai passar uns dias numa mansão à beira de uma lagoa, de um milionário russo. Acontece um assassinato, e descobrimos que nem tudo é o que parece. É, acho que isso é o suficiente.

O roteiro e a direção são de Drew Hancock – pelo imdb dele, este é seu primeiro longa, ele já tinha trabalhado em séries e curtas (inclusive dois do Tenacious D, banda do Jack Black). Gostei do estilo dele, tomara que seu próximo filme siga esse caminho. O poster do filme fala “dos mesmos criadores de Noites Brutais / The Barbarian“, mas isso não está correto – na verdade, entre os produtores está Zach Cregger, diretor de Noites Brutais (outro filme que também tem suas surpresas no roteiro, mas são estilos bem diferentes).

O melhor de Acompanhante Perfeita são os pequenos plot twists espalhados pelo filme – confesso que alguns me pegaram de surpresa. Porque, se a gente analisar mais profundamente, o roteiro de Acompanhante Perfeita não é algo muito inovador. Mas, sabe quando um filme sabe usar os clichês? Além disso, o roteiro equilibra bem o humor, algumas cenas são bem engraçadas, apesar do filme não ser uma comédia.

(Achei algumas coisas forçadas no conceito por trás dos plot twists, mas como este é um texto sem spoilers, vou relevar. Mas preciso deixar registrado que tem algumas cenas que a gente pensa “mas será que isso ia funcionar assim?”)

Outro trunfo é o elenco. Sophie Tatcher (O Livro de Bobba Fett, Herege) está ótima num papel que tem mais camadas do que aparenta ter; Jack Quaid (um dos principais da série The Boys, e filho da Meg Ryan com o Dennis Quaid) também está muito bem. O pequeno elenco secundário também é bom: Rupert Friend, Harvey Guillén, Lukas Gage e Megan Suri.

Acompanhante Perfeita ainda abre uma interessante discussão sobre relacionamentos tóxicos. Ouvi gente comentando que seria sobre machismo, mas, como tem um casal gay entre os personagens, acho que relacionamento tóxico tem mais a ver do que machismo…

Acompanhante Perfeita está em cartaz nos cinemas e tem cara de que já já sai do circuito.