Mortadelo e Salaminho – Agentes Quase Secretos

Mortadelo e Salaminho – Agentes Quase Secretos

De uns anos pra cá, virou moda filme baseado em quadrinhos sérios. Mas os filmes baseados em quadrinhos de humor são mais raros. Por isso me empolguei quando vi este filme com os atrapalhados agentes secretos Mortadelo e Salaminho para vender na promoção da Casa & Vídeo.

Na trama deste filme espanhol de 2003, o Professor Bactério inventa uma nova arma, chamada DDT (algo como “Desmoralizador De Tropas”), que serve para derrotar um exército inteiro sem precisar dar nenhum tiro. Mas a arma é roubada e oferecida a um país vizinho, Tirania, cujo ditador quer entrar em guerra com a Rainha da Inglaterra. O Super, chefe da agência T.I.A., sabendo que seus agentes Mortadelo e Salaminho são dois trapalhões, chama um agente estrangeiro para resolver o caso. Mortadelo e Salaminho, com inveja, resolvem agir por conta própria.

Vou confessar que não era muito fã dos quadrinhos, escritos por Francisco Ibañez. Preferia, no mesmo formato, os franceses Asterix e Obelix. Mas li muitas histórias, me lembro bem. Por isso foi uma agradável surpresa ver que o filme conseguiu captar muito bem a essência dos quadrinhos. Digo mais: a adaptação aqui funcionou melhor do que todos os filmes do Asterix que heu já vi! Vários detalhes dos quadrinhos estão lá, a ambientação é perfeita. E os atores…

Um parágrafo à parte para falar das caracterizações. Benito Pocino está IGUAL ao Mortadelo! Acho que nem com cgi eles conseguiriam um Mortadelo tão real. Até nos disfarces nonsense, típicos dos quadrinhos. E Pepe Viyuela não fica muito atrás, ele está excelente como Salaminho. Mariano Venancio e Janfri Topera também estão ótimos como o Super e o Professor Bactério, respectivamente, mas estas caracterizações eram mais fáceis. E, para fechar, Dominique Pinon, de Delicatessen e Amélie Poulain, caricato (e genial) como sempre, faz Fredy Mazas, o agente secreto estrangeiro.

Ok, o humor às vezes é meio bobo. Mas, caramba, a gente tem que se lembrar que se trata de uma adaptação de quadrinhos de humor escrachado. Às vezes, parece que estamos vendo um filme nonsense, na onda do trio Zucker-Abrahams-Zucker (Apertem Os Cintos, Top Secret). Se algumas piadas são bobas, outras são hilárias!

(E tem mais: o filme é direcionado para a criançada. O humor serve também para os pequenos!)

Um filme desses, pra funcionar, precisaria de efeitos especiais excelentes. E, segundo o imdb, este filme tem o maior orçamento em efeitos especiais da história do cinema espanhol! E, realmente, os efeitos digitais aqui funcionam perfeitamente. Todos os exageros dos quadrinhos estão nas telas; e nada de efeitos parece fora do lugar. Os efeitos são melhor usados do que muita produção hollywoodiana…

Parece que existe um outro filme, mas sem o Benito Pocino… Será que presta? Vou procurar…

Deu vontade de reler Mortadelo e Salaminho…

Boogie Woogie

Boogie Woogie

Sou muito fã do filme Boogie Nights, com a Heather Graham. Quando heu soube de um filme com a mesma atriz, chamado Boogie Woogie, corri para ver!

Mas Boogie Woogie não tem nada a ver com os temas do filme de 1997. Boogie Woogie é um quadro de Mondrian, e o filme aqui fala de arte moderna. O filme mostra os bastidores da cena londrina contemporânea de arte moderna.

O elenco é muito bom. Heather Graham, Amanda Seyfried, Gillian Anderson, Charlotte Rampling, Gemma Atkinson, Jaime Winstone, Christopher Lee, Alan Cumming, Danny Huston e Stellan Skarsgard, entre outros menos cotados. Mas o roteiro é fraco… As várias situações são jogadas aparentemente sem um objetivo, sem seguir uma ordem lógica. Por exemplo, pra que serviu a cena da cirurgia de Paige?

Boogie Woogie foi baseado num livro homônimo, provavelmente no livro tudo é melhor explicado. Mas aqui no filme não funciona…

Mesmo assim, por ter uma edição ágil e ser um filme curtinho (pouco mais de hora e meia), e pelo elenco, Boogie Woogie não é chato. Pode ser uma opção para quem não for muito exigente.

A Rede Social

A Rede Social

Estreia hoje o badalado “filme do Facebook”!

A Rede Social mostra Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), o criador do Facebook, sofrendo acusações em dois processos. Em flashbacks, vemos como a história chegou a esse ponto.

Dirigido por David Fincher (Seven, O Clube da Luta), A Rede Social é um eficiente retrato da sociedade atual, sempre logada nas redes sociais da moda, expondo gratuitamente a sua privacidade. O desafio era interessante: como fazer um filme empolgante com um tema tão técnico? Afinal, como documentário, a ideia é boa, mas o filme é um thriller…

Essa dúvida é respondida com um ótimo roteiro de Aaron Sorkin (baseado no livro “Bilionários Por Acaso – A Criação do Facebook”, escrito por Ben Mezrich), que tem um ritmo acelerado e diálogos ágeis, e é bastante eficiente nas idas e vindas dos flashbacks. E a trilha sonora, composta por Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Atticus Ross, é outro acerto do filme. Só antevejo um problema: talvez alguns trechos sejam de difícil compreensão para quem não está habituado ao uso do computador.

O bom elenco também está inspirado. Jesse Eisenberg faz um ótimo Mark Zuckerberg, um sujeito egoísta e antipático ao extremo. Justin Timberlake, o cantor que já mostrou que sabe atuar (Alpha Dog, Entre o Céu e o Inferno), também brilha como Sean Parker, o criador do Napster. Andrew Garfield, que em breve será o novo Homem Aranha, faz o brasileiro Eduardo Saverin, melhor amigo de Zuckerberg. E Armie Hammer interpreta, ao mesmo tempo, os gêmeos Winklevoss, num trabalho tão impressionante que parece que são dois atores diferentes.

Na minha humilde opinião, o filme tem um defeito. Quando surge a ideia da criação do Facebook, os personagens agem como se algo inédito estivesse sendo inventado. Ora, mas o Facebook foi lançado em fevereiro de 2004, pouco depois do Orkut. Ok, aparentemente as ideias embrionárias de ambos as redes de relacionamentos foram na mesma época, mas, mesmo assim, não era algo assim tão inovador. E pelo menos nós, brasileiros, temos que reconhecer que, assim como hoje o Facebook é “in” e o Orkut é “out”, o Orkut se popularizou aqui antes. Aliás, o Orkut nem é citado no filme. Falam do Friendster e do Myspace, mas “esquecem” do Orkut. Me pareceu inveja…

A Rede Social está badalado para o Oscar 2011. Será?

A Vida Durante a Guerra

A Vida Durante a Guerra

Doze anos depois, Todd Solondz retorna ao ambiente bizarro de Felicidade (Happiness), seu filme mais famoso.

As três irmãs do primeiro filme voltam, mas interpretadas por atrizes diferentes. Trish está separada do marido, preso por pedofilia, e está prestes a se casar novamente. Joy, que trabalha com presidiários, vive assombrada por fantasmas de namorados anteriores. E Helen, atualmente uma celebridade, se afastou de quase todos (e tem um papel pequeno).

Achei Felicidade muito bom quando vi a primeira vez. Mas, pouco depois, revi, e confesso que não gostei, o filme me incomodou um pouco (de repente era algo que heu estava passando na época). Agora, de volta ao universo “solondziano”, o novo filme não me incomodou. Mas também não me empolgou.

Um bom elenco passeia por situações esquisitas, bem ao estilo do diretor. Shirley Henderson, Allison Janney, Michael Lerner, Dylan Riley Snyder, Ciarán Hinds, Chris Marquette, Paul Reubens, Charlotte Rampling e Ally Sheedy enfrentam temas como pedofilia, terrorismo e suicídio.

Mas, no fim, Solondz ficou devendo. O roteiro é fraco, as atuações são burocráticas, e o resultado é decepcionante…

Não é de todo ruim, mas tem coisa melhor nas telas cariocas.

Harry Potter e As Relíquias da Morte parte 1

Harry Potter e As Relíquias da Morte parte 1

E, finalmente, a saga Harry Potter chega ao fim! Quer dizer, quase…

Neste novo e incompleto filme, enquanto Harry foge de Voldemort e procura as Horcruxes, ele descobre a existência dos três objetos mais poderosos do mundo da magia: as Relíquias da Morte.

Vou explicar o “quase” do primeiro parágrafo. Todos sabem que o sétimo e último livro da saga foi dividido em dois filmes. Então, esta é só a primeira parte do último filme. O fim mesmo, só ano que vem. Entendo esta decisão dos produtores, afinal, a franquia Harry Potter é muito lucrativa. Então, a ideia é esticar a arrecadação por mais um ano. E o espectador é que saiu perdendo aqui, afinal, o sexto filme já é uma grande enrolação!

Mas, vamos ao filme, que, apesar disso tudo, não é ruim.

Como falei na crítica do sexto filme, uma das grandes vantagens da saga é a manutenção do elenco, que envelhece quase ao mesmo tempo que os personagens do livro. Assim, o clima do filme é mais sombrio, mais adulto. A saga infanto juvenil está cada vez menos infantil. Inclusive, parte do filme mostra uma política totalitarista – o novo Ministério lembra, acredito que intencionalmente, o nazismo de Hitler.

(Aliás, este “quase ao mesmo tempo” é um ponto negativo aqui neste filme, já que Harry precisava ter 17 anos, e Daniel Radcliff, com 21, está velho demais para isso. Deveriam ter feito os sete filmes em sete anos!).

Como já é quase uma tradição nos filmes da série, grandes atores britânicos marcam presença. O filme anterior trouxe Jim Broadbent, este traz Bill Nighy num pequeno mas importante papel. Além de, claro, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes, John Hurt, David Thewlis, Imelda Staunton e Timothy Spall, entre outros.

Também gostei da trama ter saído de Hogwarts. Ver a galera em Londres é interessante! E outro ponto positivo são os efeitos especiais. Um filme como Harry Potter sem os efeitos ia ser bem mais fraco. E aqui eles são bem usados. Inclusive, o filme traz uma interessante sequência em animação para contar a história das tais Relíquias da Morte.

O elenco cresceu, as meninas estão mais velhas. Hermione já é adulta, e virou uma mulher bonita. E Harry Potter tem bom gosto: tem uma namorada ruiva… 😉

No fim, como disse antes, só fica aquele gostinho de enganação. O filme é bom, não precisava de enrolação, principalmente porque cada filme tem duas horas e meia… Agora, só em 2011!

Top 10: Atrizes Parecidas

Top 10: Atrizes Parecidas

Fiz um Top 10 de Atores Parecidos, e prometi um de Atrizes Parecidas. Aqui está ele!

A filosofia é a mesma: aquela atriz que a gente acha que é uma, mas na verdade é outra…

Lembrando, sempre, dos outros Top 10 já feitos aqui no do blog: filmes de zumbi, filmes com nomes esquisitos, filmes sem sentido, personagens nerds, estilos dos anos 80, melhores vômitos, melhores cenas depois dos créditos, melhores finais surpreendentes, melhores cenas de massacre, filmes dos ano 80 e 90 nunca lançados em dvd no Brasil, estilos de filmes ruins, casais que não convencem, musicais para quem não curte musicais, melhores frases de filmes, melhores momentos de Lost, maiores mistérios de Lost, piores sequencias, melhores filmes de rock, melhores filmes de sonhos, melhores filmes com baratas, filmes com elencos legais, melhores ruivas, melhores filmes baseados em HP Lovecraft e filmes que vi em festivais e mais ninguém ouviu falar. Visitem!

Em ordem decrescente…

10-Paz Vega e Penelope Cruz

Além de ser parecidas, ambas são espanholas e já fizeram filmes com Almodóvar…

9- Anna Torv e Cate Blanchett

A protagonista de Fringe ainda é quase uma caloura em Hollywood. Mas poderia ser uma irmã mais nova de Cate.

8-Helena Christensen e Cameron Diaz

Sabe que heu nunca tinha reparado? Até que vi as fotos…

7-Natalie Portman e Keira Knightley

Sou fã da Natalie Portman desde O Profissional, de 1994, e ela ainda fez um papel importante em Star Wars, então não confundo as duas. Mas admito que são parecidas.

6-Helen Hunt e Leelee Sobieski

O mesmo cabelo, a mesma testa grande… Será que Leelee é parente de Helen e não contou pra ninguém?

5-Leighton Meester e Isabelle Drummond

Nenhuma das duas é muito conhecida, nem a gringa, nem a brasileira. Mas são iguaizinhas!

4-Jessica Alba e Juliana Didone

Nunca tinha ouvido falar na Juliana Didone. E, se visse uma foto, era capaz de achar que era a Jessica Alba!

3-Kyra Sedgwick e Julia Roberts

Não sou o único que as acha parecidas. Elas até já interpretaram irmãs, no filme O Poder do Amor, de 95.

2-Zooey Deschanel e Katy Perry

Katy Perry não é atriz, mas, já que citei a modelo Helena Christensen lá em cima, resolvi colocar aqui no segundo lugar esta cantora que mais parece a irmã gêmea da atriz Zooey Deschanel.

1-Renée Zellweger e Joey Lauren Adams

Hoje em dia é fácil diferenciar, uma tem um Oscar, e a outra está sumida. Mas, em meados dos anos 90, vi na mesma época Um Amor e Uma 45 (1994) e Barrados no Shopping (1995), e vou te falar que achava que era a mesma atriz…

Stuck – Em Rota de Colisão

Stuck – Em Rota de Colisão

Sabe quando um filme é simples e eficiente? É o caso deste filme de 2008.

Uma enfermeira, prestes a ganhar uma promoção no hospital onde trabalha, acidentalmente atropela um homem, e, sem saber o que fazer, leva o carro para casa, com o homem atravessado no pára-brisa. A partir daí, uma série de decisões erradas criam um efeito cascata.

Baseado em fatos reais, o filme foi dirigido por Stuart Gordon, especialista em terror (e talvez o cara que mais tenha feito filmes baseados em HP Lovecraft na história do cinema). Mas Stuck – Em Rota de Colisão não é terror, está entre o suspense, o drama e o humor negro.

Me questiono se a escolha de Mena Suvari foi a melhor opção para o papel principal. Ela está bem, não me entendam errado. Mas ela, loura de olhos azuis, não me parece ter o physique du role ideal para o papel. Bem, independente disso, ela faz um bom trabalho como a enfermeira que se perde em decisões erradas. E, para os fãs de Mena: tem cena de nudez!

O outro ator está perfeito. Stephen Rea consegue dar credibilidade ao cara que estava no lugar errado, na hora errada.

Com um roteiro enxuto, Stuck – Em Rota de Colisão não é uma obra prima, mas vale o aluguel / download.

Comer, Rezar, Amar

Comer, Rezar, Amar

Liz Gilbert (Julia Roberts), escritora bem sucedida e bem casada, larga tudo e sai viajando pelo mundo em uma busca por auto conhecimento.

Comer, Rezar, Amar é baseado no best seller homônimo escrito por Liz Gilbert. Não li o livro, mas vou falar que, se outras pessoas tiverem opiniões parecidas com a minha sobre o filme, as vendas do livro cairão…

É inegável o carisma de Julia Roberts. Lembro que ela surgiu com grande sucesso em 1990 com Uma Linda Mulher, depois passou anos fazendo filmes mais ou menos. Lembro que nove anos depois, quando Um Lugar Chamado Notting Hill foi lançado, toda a mídia comemorava o sucesso, como se ela não tivesse no currículo titulos de qualidade duvidosa como Tudo Por Amor, Adoro Problemas e O Poder do Amor. Digo mais: nem a acho bonita! Enfim, se beleza e talento são questionáveis, o carisma não é.

Ela tem star power, isso é indiscutível. Mas carisma não carrega sozinho um roteiro fraco…

Podemos dividir o filme em 4 partes, o início nos EUA, e um país para cada verbo do título: “comer” na Itália, “rezar” na Índia e “amar” na Indonésia. Como o próprio título já manda spoilers, vou resumir a trama: 1- Escritora de sucesso, cercada de homens apaixonados por ela, entra em crise e larga tudo; 2- Quatro meses de férias na itália, só na farra; 3- Retiro espiritual na Índia; 4- Foi pra Bali atrás de um guru que parece o Mestre Yoda sem dentes, mas “deu um perdido” no guru e arranjou um namorado brasileiro. Que, como os homens do início do filme, é apaixonadíssimo por ela, mas ela não dá bola pra ele.

Cheguei a três conclusões ao fim do filme: 1- Deve ser bom ser rico, aí a gente pode ter crises e viajar à toa pelo mundo; 2- A escritora deve ser muito bonita, tá cheio de homem interessante atrás dela; 3- Para Liz Gilbert, a felicidade está em encontrar um homem apaixonado, tratá-lo mal, e depois desistir de desprezá-lo para ser feliz ao seu lado.

O filme foi dirigido por Ryan Murphy, que tem boa carreira na tv (Nip Tuck, Glee), mas fez pouca coisa no cinema. E o elenco traz alguns nomes legais, como Billy Crudup, James Franco, Richard Jenkins e Javier Bardem, que servem bem para o que o filme pede: escada para o carisma de Julia Roberts.

Falando em Bardem, ele só aparece no fim, num papel que  incomoda um pouco: o tal namorado brasileiro. Ele é bom ator, ok. Mas, falando português, não convence ninguém. Em tempos de globalização em Hollywood (o próprio Bardem é estrangeiro!), por que não chamar um ator brasileiro para o papel? Um Alexandre Borges da vida não ia fazer feio…

Mesmo assim, Comer Rezar Amar não é de todo ruim e vai agradar os menos exigentes. Como uma boa superprodução hollywoodiana, os detalhes são bem cuidados, e algumas paisagens são belíssimas. Mas o filme poderia ser mais curto. Não precisava de mais de duas horas…

Enterrado Vivo

Enterrado Vivo

Um filme com apenas um ator e apenas um cenário apertado? É uma ideia arriscada, porém interessante.

Motorista de caminhão trabalhando no Iraque, Paul Conroy (Ryan Reynolds) acorda dentro de um caixão, sem saber como nem por que está lá. Acompanhado de um celular e de um isqueiro, ele tenta descobrir o que aconteceu.

A ideia era arriscada, mas o resultado ficou muito bom. Enterrado Vivo (Buried, no original) tem drama e tensão bem dosados num enxuto roteiro de uma hora e meia – em tempo real.

O filme já começa bem, com créditos iniciais num estilo que lembra grandes filmes clássicos de suspense, com direito a uma música-tema forte – coisa incomum hoje em dia.

A partir daí, tudo acontece dentro do exíguo espaço do caixão. E digo uma coisa: deve ter sido difícil filmar Enterrado Vivo. O diretor espanhol Rodrigo Cortés conseguiu muitos ângulos diferentes, tudo sem sair de dentro do caixão.

Li no imbd que essa ideia surgiu porque o roteirista Chris Sparling tinha problemas para conseguir vender roteiros com locações caras. Este problema não acontece aqui, todo o set de filmagem cabe dentro de um quarto…

Ryan Reynolds, que em breve estará nas telas como o protagonista de Lanterna Verde, o novo blockbuster baseado em quadrinhos, também merece elogios. Usualmente caricato, aqui ele convence ao alternar entre o nervosismo e o desespero, passando por uma montanha russa de sentimentos, incluindo a ironia que o acompanha em quase todos os seus papéis. Este não me parece ser o estilo de filme que ganha prêmios, senão, diria que Reynolds era um forte candidato.

Bom filme, estréia em breve nos cinemas brasileiros (hoje rolou a sessão pra imprensa). Só não é recomendado aos claustrofóbícos…

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Estreou a primeira parte do último Harry Potter, e me toquei que ainda não tinha visto o anterior, o sexto filme, Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and The Half Blood Prince, no original). Bem, fui ver este antes de ver o próximo.

No sexto ano da escola de Hogwarts, enquanto todo o elenco antes infantil agora virou adolescente, o Professor Dumbledore traz o aposentado Horace Slughorn para ser professor de poções. Harry Potter, ajudado por Dumbledore, descobre coisas importantes na luta contra Voldemort.

Harry Potter and The Half Blood Prince tem um problema sério. Pouca coisa acontece, é tudo uma grande enrolação de quase duas horas e meia, preparando para a parte final. E o pior é que o sétimo filme já vem em duas partes, um filme estreou agora e vem mais um ano que vem. E aí heu pergunto: como provavelmente este 7.1 vai ter que enrolar (afinal, serão dois filmes de duas horas e meia cada!), precisava de mais enrolação no sexto filme?

E o pior é que o início do filme engana – tem uma sequência inicial alucinante, um travelling aéreo onde Voldemort “toca o terror” em Londres. Mas depois, vamos pra Hogwarts, onde namoricos adolescentes viram o foco principal do filme.

Tem só uma vantagem nesta “fase adolescente”: uma das coisas muito boas da franquia Harry Potter é a manutenção do elenco. Daniel Radcliffe tinha 12 anos em 2001, ano do primeiro filme. O personagem creseceu quase junto com o ator. E o mesmo acontece com o resto do elenco infanto-juvenil.

Falando em elenco infanto-juvenil, Tom Felton, que interpreta o mini-antagonista Draco Malfoy, tem oportunidade de mostrar que pode investir tranquilamente na carreira de ator quando acabar a série. O jovem manda bem com seus dramas internos.

O resto do elenco, como em todos os outros filmes, traz grandes nomes, como Alan Rickman, Jim Broadbent, Helena Bonham Carter e David Thewlis. Ralph Fiennes, o Voldemort, nem aparece direito aqui…

Enfim, não é ruim. Mas poderia ser um prólogo de 30 minutos. Amanhã devo ver o 7.1, aí falo minhas impressões aqui.