As Múmias do Faraó

As Múmias do Faraó

Oba! Filme novo do Luc Besson em cartaz nos cinemas brasileiros!

Paris, 1911. A jovem Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin) é uma jornalista que vai até o Egito em busca da cura da doença de sua irmã, que pode estar na tumba secreta de um faraó. Ao retornar para casa, descobre que um pterodáctilo está aterrorizando a cidade.

As Múmias do Faraó é baseado nos quadrinhos do franco-belga Tardi. É uma divertida mistura de Indiana Jones com Tintin!

Aliás, essa semelhança com Indiana Jones não é muito boa para o filme como um todo. Toda a parte inicial no Egito é uma aventura bem no estilo do nosso arqueólogo favorito. E isso faz o que vem depois ser um pouco sem graça… O pterodátilo, apesar de muito bem feito, não é traz sequências tão divertidas quanto a primeira parte…

Os desavisados podem achar que o filme é a volta de Luc Besson à cadeira de diretor. Claro, afinal, depois de Joana D’Arc, de 1999, ele deu um tempo na direção e se dedicou a escrever e produzir um monte de filmes (como Taxi, Carga Explosiva e B13). Mas a sua volta aconteceu mesmo em 2005, com o intimista Angel-A. E ele ainda fez os filmes infantis Arthur e os Minimoys (2006 e 2009).

O certo aqui é falar que é a volta de Luc Besson ao posto de maior diretor de blockbusters fora dos EUA. As Múmias do Faraó é uma super-produção, bem ao estilo do que ele fazia nos bons tempos, como Nikita, O Profissional e O Quinto Elemento. Os efeitos especiais são excelentes! E as múmias são mostradas como nunca antes no cinema.

O humor às vezes é meio caricato, alguns personagens são meio bobos. Mas, ora, trata-se de uma adaptação de quadrinhos! E, no papel principal, uma nova estrela: Louise Bourgoin – rola até uma breve nudez! Quem lê o blog vai se lembrar, falei dela aqui no post sobre Buraco Negro, filme cabeça que passou no Festival do Rio.

Para finalizar, heu gostaria de fazer umas perguntas ao distribuidor brasileiro: por que só cópias dubladas? E por que o filme não entrou em cartaz na Zona Sul? E isso porque não estou falando do nome do filme – as múmias são uma parte importante da trama,mas só aparecem no fim. Por que não chamar de “As Extraordinárias Aventuras de Adèle Blanc-Sec”? Falta de respeito com o espectador…

O fim do filme traz um interessante gancho para uma continuação. Que venha logo!

Hedwig – Rock, Amor e Traição

Hedwig – Rock, Amor e Traição

Hansel é um jovem que mora em Berlim Oriental, mas sonha com o rock ocidental. Até que conhece um militar americano que promete levá-lo para os Estados Unidos. Mas, antes disso, para poder se casar, Hansel precisa fazer uma cirurgia de troca de sexo e virar Hedwig. A cirurgia não dá certo, deixando Hedwig com um órgão sexual do tamanho de uma polegada (a “angry inch” do título original), mas mesmo assim ela consegue ir para os EUA. Lá, abandonada pelo seu marido militar, ela conhece o jovem Tommy Gnosis, a quem ensina tudo sobre amor e sobre rock. Quando suas músicas começam a fazer sucesso, Tommy as rouba e abandona Hedwig, que, agora, faz shows em pequenos restaurantes e bares com a sua própria banda.

Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwing And The Angry Inch, no original) é a adaptação de um musical de sucesso na off-Broadway, onde ficou dois anos em cartaz. Mas o filme tem um problema grave: seu protagonista. O ator / autor / diretor James Cameron Mitchel fez tudo, e ficou parecendo uma grande egotrip.Talvez fosse melhor ele entregar a direção e / ou o roteiro para outra pessoa. Pra piorar, o seu Hedwig tem carisma zero, é um personagem super antipático. Fica difícil gostar de um filme assim.

Pena, porque a parte musical é ótima. A trilha sonora composta por Stephen Trask (que faz Skszp, um dos membros da banda) tem várias músicas muito boas, e alguns números musicais são bem criativos.

No elenco, um nome desponta, Michael Pitt, que faz o jovem Tommy Gnosis, e que depois disso fez Os Sonhadores, Last Days, a refilmagem de Violência Gratuita e hoje está na série da HBO Bordwalk Empire. O resto do elenco era desconhecido e continua até hoje assim.

Há pouco estreou uma versão brasileira nos teatros cariocas, dirigida por Evandro Mesquita. Pretendo ver qualé…

Cinderela Baiana

Cinderela Baiana

Há muito que heu queria ver este famoso involuntário trash brasileiro. Tomei coragem e assisti! Sim, trata-se de um trash no nível de Plan 9 ou Manos, The Hands Of Fate!

A trama escrita e dirigida por Conrado Sanchez fala de uma menina do interior da Bahia, que, ao se mudar pra Salvador, se destaca por causa de suas habilidades como dançarina e é contratada por um grande empresário para ser a dançarina de um grupo de axé.

Ok, a gente já sabia que o filme é ruim, muito ruim. Afinal, um filme baseado no talento da “atriz” Carla Perez não rola, né? Mas o buraco é mais embaixo. O filme é REALMENTE ruim. Daqueles que, de tão ruim, se tornam obrigatórios! O roteiro é um lixo, cheio de furos, a história óbvia e clichê e as atuações são TODAS muito muito ruins, do nível de peça infantil de escola. Mas, se isso já era esperado, o filme surpreende por ser ainda muito pior!

Tem um monte de detalhes que tornam Cinderela Baiana um lixo monumental. Antes de tudo, queria perguntar por que esse título. Pelo que me lembro, a história original da Cinderela falava de uma menina que foi morar com a madrasta, era maltratada pelas irmãs “postiças”, e conseguiu ajuda da fada madrinha para conseguir ir ao baile, onde conheceu o príncipe, mas tinha que voltar antes da meia noite porque sua carruagem ia voltar a ser uma abóbora, então, na fuga, perdeu seu sapato de cristal, sapato este que o príncipe usou para encontrá-la novamente. Confere?

(Aliás, Cinderela também tem um furo enorme no roteiro, porque se a carruagem voltou a ser abóbora, o sapato também deveria voltar a ser o que era. Mas deixemos isso pra outro post!)

A Cinderela Baiana não tem NADA a ver com a Cinderela original! Por que, meu Deus, por que chamar de Cinderela???

(E, ainda falando do título, no poster a gramática está correta; mas, no filme, está escrito “bahiana”, com “H”! Será que é uma homenagem à famosa ocasião onde Carla Perez falou “I” de “Escola”? Socorro!!!)

Mas, vamos ao filme. A ideia é mostrar um filme de uma dançarina, né? Então, por que não arranjaram uma que dança bem? A srta (ou sra) Perez não dança bem, ela executa coreografias de axé e rebola. Faça uma rápida busca no youtube, você verá dezenas de pessoas que dançam melhor. E a prova está logo na cena que abre o filme. Uma banda toca num palco, e a sra (ou srta) Perez se atrapalha para tentar seguir a coreografia do colega ao lado. Céus, será que não dava nem pra ensaiar uma coreografia pra abrir o filme?

Mas isso é só o começo. O filme é repleto de cenas tão malfeitas que temos a nítida impressão de que foi de propósito. Quer um exemplo? Vários dos diálogos estão com o áudio fora de sincronia com o video, mas isso acontece muito no cinema nacinal, infelizmente. Mas, em uma das cenas na academia de dança, ela dança fora de sincronia com o áudio. Caramba, era um filme ligado à dança, será que não rolava de sincronizar direito?

E o roteiro? Olha, já vi muito roteiro ruim e cheio de furos. Mas o que explica uma menina com no máximo uns dez anos de idade se mudar pra Salvador, e, apenas três anos depois, já ser a Carla Perez adulta? Outra coisa: por que criar uma dançarina rival (aliás, mais bonita e que dança melhor), pra depois esquecer dela? E por aí vai…

Pelo menos o roteiro traz várias frases divertidíssimas. Acho que era involuntário, não queriam fazer graça. Mas, momentos como a cena final são antológicos! Carla, não se sabe por que, vestida de odalisca, fala a uma criança “Me dê isso menina, você devia estar brincando e estudando, não jogada na estrada pra ganhar uns míseros trocados pra matar a fome.” Aí pega uma gaiola de passarinho, solta o bicho e fala “Vai passarinho, você, como a criança também tem o direito a liberdade. De que adiantam essas campanhas demagógicas se estas crianças continuam aqui na estrada e com fome? Todos os pequeninos merecem proteção, alimentação, amor e paz.” E faz uma pomba da paz com as mãos. E depois todos começam a dançar o Tchan. Detalhe 1: a letra fala “pau que nasce torto nunca se endireita” – de que adianta então ela tentar consertar? Detalhe 2: até freiras seguram o tchan! Sensacional, não?

Os atores estão todos péssimos, claro. E olha que Lázaro Ramos faz um dos amigos de Carla! Mas tem um que achei o pior de todos: Perry Salles, que faz Pierre, o empresário. O cara berra o filme inteiro! E é um personagem incoerente – um cara daqueles ia tentar dar uns pegas em todas as dançarinas…

Ainda tem mais, muito mais. A cena da briga entre o cantor Alexandre Pires e dois capangas do Pierre é pateticamente ruim, talvez a pior cena de luta da história do cinema.

O filme é tão ruim que abstraí a grande quantidade de música ruim que vem “no pacote”. Porque, todos sabem, a música baiana boa não está presente. Gosto de Raul Seixas e Camisa de Vênus, respeito Caetano e Gil (apesar de não ser fã), respeito até a Pitty. Mas axé não, né? Música que precisa de coreografia pra funcionar não pode ser boa!

E por aí vai. Quem estiver na pilha de um trash legítimo, vai se divertir. Mas, por favor, que fique avisado: o filme é ruim, muito ruim!

Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões

Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões

Às vezes acho que tem uns filmes que só heu conheço e mais ninguém no mundo. Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões, comédia que o Sam Raimi fez em 1985, logo após o primeiro Evil Dead, é assim. Vi no cinema, numa sessão única numa maratona diurna do Estação Botafogo, e tempos depois comprei o vhs original. Detalhe: não conheço mais ninguém que viu este filme!

Claro que Crimewave não foi lançado em dvd no Brasil. Achei num site americano e encomendei um pra mim. O dvd é chinês! E olha que estamos falando de um filme dirigido por Sam Raimi e com roteiro dos irmãos Coen!

Esta estranha comédia de humor negro conta história de Vic, um típico loser que está prestes a ir para a caderia elétrica por um crime que não cometeu. Ele conta em flashbacks a sua história bizarra, envolvendo personagens ainda mais bizarros.

Mas o mais importante aqui não é a história, e sim como ela é contada. Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões tem cara de desenho animado! O humor negro, o estilo caricato dos personagens, tudo aqui lembra aqueles desenhos antigos como Tom & Jerry e Pica Pau.

Claro que este filme não é para qualquer um. Precisa estar no clima de ver um filme com atores de carne e osso, mas com humor de desenho animado. Mas, no clima certo, Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões é divertidíssimo!

O elenco está todo propositalmente caricato – já viu desenho animado neste estilo com personagens “reais”? No elenco principal, nenhum nome de ponta. Bruce Campbell, claro, faz um papel canastrão, e Brion James, que fizera Blade Runner três anos antes, é um dos assassinos. Mas, entre as participações especiais, dá pra gente ver os roteiristas Joel e Ethan Coen como dois repórteres, e Frances McDormand é uma das freiras mudas.

Por fim, preciso falar que o nome em português é uma das piores traduções da história do cinema. Brasileiro. Como assim, “dois herois”??? Só tem um! Ou será que o título se refere aos dois vilões? Tudo bem que “Onda de Crimes” não é o melhor dos nomes, mas pelo menos é coerente com a trama…

p.s.: A capa do dvd que comprei é tão horrorosa quanto o título em português.Também não tem nada a ver com o filme! Olhem aqui embaixo:

Ondine

Ondine

Syracuse (Colin Farrell) é um pescador irlandês pouco acostumado com a sorte. Mas isso muda quando ele encontra uma misteriosa mulher em sua rede de pesca. Ele desconfia que ela possa ser uma sereia, mas sua filha de dez anos – que, por causa de um problema de saúde vive numa cadeira de rodas – acha que ela é uma Selkie, uma espécie de mulher foca da mitologia local.

Colin Farrell voltou à sua Irlanda natal para esta simpática fábula, escrita e dirigida por Neil Jordan, outro irlandês ilustre. O que é mais legal em Ondine é a dúvida que o filme levanta: seria Ondine uma Selkie de verdade?

Além de Farrell, dois nomes se destacam no elenco: a bela e pouco conhecida Alicja Bachleda (mexicana, descendente de poloneses) como Ondine, e Alison Barry como a esperta filha do pescador. Claro, como é um filme do Neil Jordan, Stephen Rea, seu ator favorito, também está lá.

Neil Jordan é um grande diretor e já fez grandes filmes, como Entrevista Com um Vampiro, Traídos Pelo Desejo e Fim de Caso. Aqui, é um filme mais modesto, uma história romântica no formato de um conto de fadas moderno.

O roteiro anda por um caminho perigoso, mas consegue resolver de maneira satisfatória o mistério de Ondine. Pelo menos heu gostei da solução do filme!

Enfim, nada essencial. Mas um filme leve e agradável, quem for assistir não vai se arrepender.

A Vida Até Parece Uma Festa

A Vida Até Parece Uma Festa

Documentário sobre banda paulista Titãs, um dos maiores nomes do rock nacional dos anos 80, escrito e dirigido pelo vocalista Branco Mello e por Oscar Rodrigues Alves. Sem se preocupar com narração nem com ordem cronológica, o filme mostra vários momentos importantes da carreira da banda.

Como coleção de imagens, o filme é um deleite para os fãs. São inúmeras gravações de todas as fases da banda. Arquivos de tv, gravações pessoais, trechos de shows, bastidores de estúdio, descontração nas viagens… Branco Mello, Tony Bellotto, Charles Gavin, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Nando Reis, Marcelo Fromer e Arnaldo Antunes estão bem à vontade, e em várias épocas diferentes – vale lembrar que a banda surgiu em 1981 e está aí até hoje!

Mas como documentário, é fraco. A opção de não usar uma linha narrativa enfraquece momentos importantes. Por exemplo: André Jung, primeiro baterista da banda, trocou de lugar com Charles Gavin, então no Ira!. Isso é citado rapidamente por Charles, de maneira casual. O mesmo acontece com a participação de Ciro Pessoa (o “nono Titã”), com a prisão de membros da banda por envolvimento com heroína e com a saída de Arnaldo da banda – a saída de Nando e a morte de Frommer estão mais bem documentadas. Quem conhece a história dos Titãs conhece tudo isso, mas, e os que não conhecem?

Tem outro problema, este de ordem técnica – o volume das músicas está muito mais alto que os diálogos. Poxa, as músicas a gente já conhece. Os diálogos é que são novidade!

Mesmo assim, A Vida Até Parece Uma Festa é obrigatório para os fãs do Rock BR. O filme traz algumas cenas bem interessantes, como a apresentação do seminal Trio Mamão e as Mamonetes (com Branco Mello, Marcelo Fromer e Tony Bellotto) num programa de tv, onde Wilson Simonal era jurado. Gostei também do momento embaraçoso, quando o produtor Liminha dá uma grande bronca em Charles durante uma gravação. Quer dizer, gostei de ver, mas não queria estar presente…

Atração Perigosa

Atração Perigosa

Com uma bem sucedida carreira de ator e um Oscar de melhor roteiro em casa (de 1998, por Gênio Indomável, ao lado de Matt Damon), Ben Affleck agora investe também na carreira de diretor. Este é seu segundo longa, depois de Medo da Verdade, de 2007. E aqui, ele acerta a mão num típico “filmão” hollywoodiano.

O bairro de Charlestown, em Boston, é famoso por ter gerado várias famílias de assaltantes a banco. Doug MacRay (Ben Affleck) é um desses, é líder de uma pequena gangue, enquanto seu pai está na cadeia. Depois de um assalto, eles fazem uma gerente do banco de refém durante a fuga. Ao investigar a refém, Doug descobre que ela também mora em Charlestown e começa a se envolver com ela.

Atração Perigosa é um típico blockbuster hollywoodiano, elenco com grandes nomes, parte técnica redondinha, grandes cenas de roubos e tiroteios. Ok, o roteiro não traz nenhuma reviravolta, tudo é meio previsível, mas pelo menos é simples e eficaz. Affleck fez um bom trabalho, seu filme não vai decepcionar os fãs do estilo.

O elenco está ótimo. Ben Affleck não é tudo isso como ator, a gente sabe disso, mas, em seu trabalho múltiplo de diretor + ator (ele também é um dos roteiristas), ele está ok. Jeremy Renner (Guerra Ao Terror) é o grande nome do elenco, como o explosivo amigo de Doug. As meninas Rebecca Hall e Blake Lively também estão bem, e o elenco ainda conta com o auxílio luxuoso de Pete Postlethwaite e Chris Cooper em pequenos papeis.

Curiosidade no elenco para os fãs de séries de tv: os dois policiais do FBI tinham papeis pequenos em séries já comentadas aqui no blog. John Hamm faz um ex-namorado de Liz Lemmon em 30 Rock, enquanto Titus Welliver era ninguém menos que o “Homem de Preto” em Lost.

Por fim, gostaria de falar do nome do filme. Não gostei nem do original “The Town” (“A Cidade”? Que cidade? Boston? Por que?); nem do nome em português, Atração Perigosa, que valoriza uma trama secindária (a relação do bandido com a refém). Por que não usar o nome do do romance de Chuck Hogan que deu origem ao roteiro, The Prince of Thieves, “O Príncipe dos Ladrões“?

Affleck não chega a ser um Michael Mann, mas seu Atração Perigosa é um bom filme!

Amor Além da Vida

Amor Além da Vida

Em tempos do sucesso de Nosso Lar e suas histórias sobre o pós morte, resolvi rever Amor Além da Vida, na minha humilde opinião, o melhor filme sobre o assunto.

Chris Nielsen perde os dois filhos num acidente, e, quatro anos depois, quando morre, vai parar num paraíso maravilhoso. Mas está faltando uma coisa: sua esposa, Annie. Quando Annie se suicida e vai para o inferno, Chris resolve arriscar sua permanência no paraíso atrás da redenção de sua alma gêmea.

Este filme, dirigido pelo neo-zelandês Vincent Ward e baseado num livro de Richard Matheson, tem um visual impressionante. Rendeu até o Oscar de Melhores Efeitos Especiais de 1999. Fiquei até com vontade de fazer um Top 10 de visuais deslumbrantes (Terry Gilliam? Tim Burton?).

Chris gosta de quadros. Quando morre, vai parar dentro de um. É um quadro vivo, os cenários são tinta! E este não é o único momento onde a parte visual se destaca. É ao longo de todo o filme. O cuidado com os quadros é tão grande que, nos créditos finais, aparece uma lista de quais obras foram citadas ao longo do filme.

O visual e os efeitos especiais ajudaram o filme a não ser piegas – poucos anos antes, Ghost – Do Outro Lado da Vida trazia uma trama parecida, sobre um casal separado por um falecimento, e virou um marco da pieguice. Aqui, em Amor Além da Vida, não só temos o visual extasiante, como também a história é mais bem construída – não se trata apenas do casal, também tem o amor pelos filhos.

O elenco se baseia na dupla Robin Williams e Cuba Gooding Jr. Ok, hoje, em 2010, ambos não emplacam sucessos há algum tempo (principalmente Cuba, já que Robin Williams continua com papeis menores em comédias de sucesso como os dois Uma Noite no Museu). Mas, em 98, quando Amor Além da Vida estava sendo feito, eram dois nomes em alta – Williams ganhara o Oscar de melhor ator coadjuvante em 1997 por Gênio Indomável; enquanto Cuba ganhara o mesmo prêmio no ano seguinte, por Jerry Maguire. Ainda no elenco, Annabella Sciorra, Max Von Sydow e Rosalind Chao.

Por fim, contarei uma experiência pessoal. Assim como o protagonista, heu também tive uma filha que faleceu, não por acidente, mas por problemas cardíacos. Por isso este filme é tão importante para mim!

Filmaço. Dá pra ver com patroa, pela belíssima história de amor, além de ter cenas de tirar o fôlego de tão bonitas. Até os marmanjos têm permissão para chorar aqui!

O Último Mestre do Ar

O Último Mestre do Ar

Estreou o novo Shyamalan. E aí? É bom como o seu primeiro filme, Sexto Sentido? Ou ruim, muito ruim, como o seu último, Fim dos Tempos?

Trata-se da adaptação do desenho Avatar: The Last Airbender, da Nickelodeon, que conta a história de um lugar onde existem “dobradores”, pessoas pessoa que têm poderes para manipular um dos quatro elementos (ar, água, terra e fogo).  O garoto Aang é o último “dobrador do ar”, e, segundo uma profecia, ele é o Avatar, um ser de habilidades extraordinárias e o único capaz de controlar todos os elementos. Com a ajuda dos irmãos Katara e Sokka, Aang tem de trazer novamente o equilíbrio entre os povos, finalizando assim o conflito iniciado pela Nação do Fogo.

Rola um grande pé atrás com relação ao diretor Shyamalan.Vou copiar aqui o que escrevi no Top 1o de estilos de filmes ruins: “Até hoje, não sei se M Night Shyamalan é um bom diretor passando por uma longa fase ruim; ou um picareta que conseguiu fazer um excelente filme de estreia. Vamos analisar os seus seis filmes até hoje? Seu primeiro filme, O Sexto Sentido, é muito bom, um dos melhores de 1999. Depois veio Corpo Fechado, bom filme, mas parecido demais com o primeiro. Depois veio Sinais, que começa bem, mas termina mal, muito mal. Aí veio A Vila, ideia interessante, mas que não sustenta um longa, seria um bom episódio de uma série tipo Twilight Zone. Dama na Água veio em seguida, e é ruim, ruim, ruim. Se fosse despretensioso, seria um bom trash. Por fim, veio Fim dos Tempos, que é tão ruim, mas tão ruim, que talvez seja pior que Dama na Água.”

O Último Mestre do Ar não é bom como Sexto Sentido, mas pelo menos não é tão ruim quanto os dois últimos…

De positivo, temos belíssimos cenários e excelentes efeitos especiais. Um filme desses seria impossível de ser feito sem os efeitos digitais de hoje em dia, já que os “dobradores” ignoram as leis da física ao manipularem seus elementos. Além disso, as lutas são bem coreografadas.

Mas isso não é o suficiente para um filme longa metragem. A história é fraca e o roteiro, mal escrito. E olha que foi a primeira vez que Shyamalan filmou um roteiro escrito por outra pessoa! Nunca vi o desenho animado, mas pelo que li na internet, os personagens lá são mais bem construídos. Também li que o desenho tinha humor, coisa que não rola aqui no filme – as poucas situações de alívio cômico são muito bobas.

Pra piorar, o elenco é cheio de nomes desconhecidos que não estão bem (o único nome que heu reconheci é Dev Patel, de Quem Quer Ser Um Milionário). Noah Ringer, que interpreta Aang, foi escolhido porque sabe lutar bem e é parecido com o Aang do desenho, mas é um ator ruinzinho… Os atores estão todos (sem excessão) acima do tom. Aí tudo fica parecendo caricato demais.

E parece que Shyamalan pretende fazer uma trilogia. Logo no início do filme, lemos que este é o “primeiro livro”…

Também preciso falar sobre o trailer. Assim como em Fim dos Tempos, o trailer aqui era empolgante, mostrava Aang praticando suas técnicas, num templo, cercado de velas. Depois a câmera saía do templo onde estava Aang e víamos que ele estava prestes a ser atacado por centenas de inimigos. ESTA CENA NÃO ESTÁ NO FILME!!!

Para finalizar, vou contar uma piada que ouvi. Shyamalan pretendia chamar o filme de “Avatar”, assim como o desenho. Mas o Avatar de James Cameron já estava em produção. Então, deve ter rolado um diálogo mais ou menos assim:
– Oi, eu sou o M Night Shyamalan, fiz um filme muito bom em 99, mas depois nunca mais consegui acertar, e meus dois últimos filmes foram fracassos de bilheteria.
– Oi, eu sou o James Cameron. Meu último filme é a maior bilheteria da história de Hollywood e ganhou 11 Oscars. E também fiz…
– Ok, sr. Cameron, pode ficar com o nome…

The Hole

The Hole

Joe Dante está de volta!

Ao se mudarem para uma nova casa, dois irmãos descobrem um misterioso buraco no porão. Ao explorarem, descobrem que o buraco pode libertar os piores medos e pesadelos de cada um.

Os mais ranzinzas vão comentar que na verdade, Dante nunca parou. Seu último filme para cinema foi Looney Toones – De Volta À Ação, de 2003, e depois disso ele fez cinco projetos para a tv. Mas este The Hole é a volta de Dante ao seu velho estilo dos anos 80, época que fez Gremlins, Viagem ao Mundo dos Sonhos e Viagem Insólita. (Gremlins 2 é de 1990, mas também pode entrar na lista!)

The Hole consegue ser um filme com cara de infanto-juvenil ao mesmo tempo que tem momentos assustadores. E é aí que reside o maior mérito do filme. Lembra clássicos dos anos 80 como Goonies, Os Caça-Fantasmas e o próprio Gremlins.

Diferente da maior parte dos filmes de terror de hoje em dia, The Hole não tem nudez, nem cenas gore. Os momentos assustadores são à moda antiga, usando movimentos de câmera e envolvendo elementos de cena comuns. Mais: se tinha algum cgi no filme, não tem cara de computador, os efeitos têm cara de mecânicos. Ponto para o talento de Dante!

O trio de jovens atores principais está bem – não conhecia os dois meninos, Chris Massoglia e Nathan Gamble, mas recentemente vi Haley Bennett no esquisitão Kaboom. Teri Polo e Bruce Dern (num personagem que lembra o Doc Brown de De Volta Para o Futuro) completam o elenco. E Dick Miller, que esteve em ambos Gremlins, faz uma divertida ponta não creditada como o entregador de pizza.

The Hole tem uma versão em 3D. Mas nem sei se vai passar nos cinemas daqui, já que o filme é de 2009 e nem tem previsão de lançamento segundo o imdb… A solução é o download!